quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Capítulo 1: O Segredo de Sara (Pare 1) - (Secrets)

Restava apenas uma semana para o fim das férias, mas Sara evita pensar nas voltas as aulas. Agora seria o momento perfeito para começar a aproveitar ainda mais os dias de folga, principalmente com a volta de seu namorado, Ricardo, que passou a maior parte das férias ajudando a construir casas para os mais pobres. Toda vez que Sara se lembra do tempo que perdera longe de seu namorado para que o mesmo se dedicasse aos miseráveis, os olhos da garota reviram. Ao contrário de Ricardo, Sara não se vê no meio de voluntários, ajudando a aqueles que precisam, colocando a mão na massa... Ela até é benevolente, por varias vezes doara parte de sua grande mesada para alguma instituição, isso lhe rendeu boas postagem nas redes sociais e muito engajamento, o que era o que realmente lhe importava. Mas hoje é um dia especial, Ricardo volta e nenhum pensamento ou ninguém poderá atrapalhar isso. – Senhorita Sara, o seu banho já está pronto. - diz Malai, sua empregada. Malai é uma mulher baixinha de meia idade, de origem tailandesa, possui pele dourada e cabelos longos e bem pretos. Uma pequena cicatriz em seu queixo é tudo o que restou de anos de sofrimento em um relacionamento abusivo da qual a mesma já se livrara. Malai já trabalha para os pais de Sara desde quando a menina ainda engatinhava, e por estar sempre presente, já que dorme no serviço de segunda a sexta-feira (retornando a sua residencia original apenas nos finais de semana), pode-se dizer que conhece todos os gostos e caprichos da jovem patroa. Ainda assim, Sara nunca deixou-se ser amiga da empregada, sempre que pode, deixa claro qual é o seu lugar na hierarquia da casa. – Você colocou pétalas de rosas na banheira? - Malai suspira e sorri ao responder. – Sim senhorita, coloquei as pétalas como me pediu. – E porque você está rindo? - Sara pergunta séria. – Você está rindo de mim? Me acha boba, Objeto de piada? Os olhos de Malai se arregalaram diante da reação de Sara, mesmo que já acostumada aos seus mandos e desmandos, nem sempre ela consegue prever o humor da garota. Sara revira os olhos e respira fundo, ela não quer se irritar por tão pouco. – Quer saber? Pouco me importo com suas risadinhas inconvenientes, saia daqui, vá limpar algo. - ordena e Malai sai sem pestanejar. Sara então ruma para o banheiro de sua suíte. Lá a banheira já está cheia, com bolhas de espumas na medida certa, assim como as pétalas de rosas. Malai podia ser inconveniente, ao olhar de Sara, mas nem mesmo ela pode negar que a empregada faz um bom trabalho. O banho de banheira dura quase meia hora, e nesse meio tempo Sara se preocupa apenas em relaxar e planejar o que faria com seu namorado nos próximos dias. Ao sair da banheira, Sara seca seu cabelo loiro e depois o amarra em um coque alto. Geralmente Sara gosta de usá-lo solto, gosta de fazer babyliss nas pontas, deixando-as onduladas, mas Ricardo, seu namorado, gosta de seu cabelo amarrado e ela sempre tenta agradá-lo. Cabelo arrumado, hora de desembrulhar-se de seu fofo roupão rosa claro e procurar pela roupa ideal. O closet, mesmo grande, está cheio, são roupas novas e de grife na sua maioria, algumas peças, por já serem consideradas itens da coleção passada, brevemente irão para o lixo, ou, caso decida que é hora de novamente postar sua caridade para que os outros curtam, ela doará para uma instituição qualquer. Sara procura por algo comportado, pois sainhas e shortinhos não são bem vindos a casa do namorado, tais looks só podem serem usados na ausência do mesmo. Ela escolhe, por fim, um vestido branco e florido, ele vai até os joelhos. O vestido tem alças finas, o que talvez ainda seja um pouco arriscados para os padrões do namorado, mas o calor do verão poderia fazê-lo aceitar uma roupa mais "devassa". Para o sapato há muitas opções e após muito escolher, ela decide por um sapato de salto cor rosa nude. Com o look completo, a garota se senta em sua penteadeira e se maquia bem levemente. Ainda é dia, e se ela exagerasse na maquiagem, além de ficar feio, não seria bem vista pelos avós do namorado, que consideram maquiagens forte um pecado. Uma base, um brilho labial e um blush bem de leve é tudo o que ela se permite passar. Para finalizar, ela coloca no dedo seu luxuoso anel de noivado, avaliado em 50 mil reais e um colar de ouro, de corrente fina e delicada, com um pingente de coração de rubi rosa. Já pronta, Sara desce para o primeiro andar de sua casa e encontra seus pais na sala. Isso é algo raro. Sua mãe muito se parece com ela, os cabelos loiros, as pernas longas, o nariz fino. Como profissão, a mãe de Sara é médica, assim como seu pai, que é cirurgião plástico. A mãe de Sara está concentrada em seu Ipad, provavelmente analisando ou estudando melhor alguma futura cirurgia, faz alguns anos que a mesma se dedicou a se tornar uma médica cirurgiã neurologista e com muito empenho ela já está se tornando referência no país; já o pai, que já pode ser considerado um dos cirurgiões plásticos mais famosos do mundo, está lendo o jornal. Ambos se sentam no sofá, um ao lado do ouro. Alheios a presença deles mesmos e mais ainda a presença de Sara. Como sempre. Esse tratamento indiferente não surpreende a Sara, desde que se lembra sempre foi assim, seus pais são duas pessoas ocupadas, sempre estão no hospital, é quase como se os dois só existissem dentro daqueles corredores, vestidos em seus jalecos. Para ser mais sincera, toda a família de Sara é assim, as últimas quatro gerações da família de seu pai e as últimas duas gerações da família de sua mãe, eram médicos, na sua maioria de cirurgiões. Ambos claramente esperam, ou melhor dizer, exigem que Sara continue o legado, se tornando uma médica cirurgiã. Sara não em objeções sobre esse desejo dos pais, foi criada recebendo esse estímulo e no fundo acha que é melhor assim, por isso ela nunca pensou em outro curso. Após decidir que não irá tomar seu café da manhã e mesmo faltando horas para a chegada do namorado, ela resolve ir até a casa dele, assim poderá fazê-lo uma surpresa. A casa de Ricardo não fica longe, apenas dois quarteirões os separa, mas ainda assim Sara não recusa usar seu motorista particular e seu carro de luxo para chegar até lá. No curto caminho ela decide ligar para sua melhor amiga, Rebecca. As duas haviam conversado na noite anterior e Rebecca não parecia se sentir muito bem, mas tampouco revelou o que estava acontecendo. Isso incomoda Sara em altos níveis, pois ambas sempre compartilhavam tudo, de segredos sujos até as roupas caríssimas. O telefone chama, chama e chama, mas Rebecca não atende. Sara pensa em talvez ir a casa da amiga, afinal, Ricardo, seu noivo, não chegaria em menos de duas horas... – Chegamos senhorita. - diz Rick, o chofer. Sara não responde, ainda está indecisa se ela irá ver a amiga ou se fica e faz uma surpresa ao namorado. - Senhorita? - Rick a chama, sem saber se a patroa escutou seu primeiro chamado. – Já escutei! - Sara responde grosseiramente e por ficar irritada, decide descer ali mesmo. Ela ainda teria outra chance para conversar com a amiga. Os funcionários da casa dos avós de Ricardo já conhecem bem a Sara, então ela não tem nenhuma dificuldade para passar pela portaria e chegar até a grande sala de estar da casa. Quando chega, Sara se senta confortavelmente no sofá, mas logo se sente incomodada com a aparição de Heitor, o irmão mais velho de Ricardo. Fisicamente, Heitor e Ricardo muito se parecem, ambos são altos, cabelos castanho, queixo pronunciado, olhos verdes e corpos definidos. Ricardo porém já tem barba e é mais forte que seu irmão, os dentes de Ricardo são mais brancos que de Heitor e as suas sobrancelhas são mais finas do que a do irmão mais velho. A voz de Heitor é bem mais profunda e grossa, e em questão de personalidade os dois muito se diferem. – Sinto lhe dizer, mas perdeu sua viagem. - Heitor diz, sem cumprimenta-la, ele nem mesmo a olha direito. – O que você quer dizer com isso? - Sara pergunta. – O voo do meu irmão foi cancelado, parece que há uma tempestade na região em que ele está, e isso está atrapalhando o tráfego aéreo por lá. - Heitor responde sem dar muita importância, mas Sara entra em desespero. – Como assim uma tempestade? - pergunta de olhos arregalados, levantando-se do sofá num pulo. – Fique tranquila, ele agora está em um hotel e lá ele estará bem seguro. - o cunhado dá de ombros. Sara fica um pouco mais calma, mas extremamente chateada, pois será mais um dia longe de seu amor. – E seus avós? - ela pergunta. – Viajaram também. - ele responde. – Caribe, conhece? - ele pergunta sorridente e sarcástico. – Não finja amizade, você não gosta de mim. - Sara diz. – Eu não tenho nada contra você. - Heitor acha graça. – Só não entendo vocês. – Vocês? - Sara não entende o que o rapaz quer dizer. – Você e meu irmão. - Heitor se explica enquanto vai ao armário de bebidas do avô e pega uma garrafa de uísque. – Vocês não fazem sentido. – Você que não faz sentido. - Sara contrapõe. – Não se faça de besta! Você gosta de mostrar que é a "doce menina boba". - ele a zoa e a entrega um copo com uísque. – Quer? - ela hesita. – Você me xinga e agora me oferece uma bebida? - Heitor levanta as sobrancelhas e sorri divertido. – Não estou te xingando. Você está me interpretando errado, eu já disse que não tenho nada contra você. Quer? - oferece novamente. – Não! – Sim, você quer. - ele garante. – mas é como eu disse: você tem que manter a face de "doce menina boba", pois é esse tipo de menina que meu irmão gosta. – Você não sabe nada... - Sara tenta continuar, mas é interrompida. – Eu conheço você, Sara. Você não é o tipo de garota que espera pelo casamento para se relacionar sexualmente, nem mesmo que nega bebida ou que larga a balada para participar de grupos de orações, nem mesmo que fica se cobrindo com panos e panos de roupas... - Sara quer contrapor, mas Heitor tinha razão, ainda assim ela se esforça para não deixá-lo vencer a discussão. – Eu mudei, seu irmão me mudou. – Não mudou não. - Heitor diz. – E é isso que eu não entendo. Se ele não gosta de você pelo que você é, porque você insiste em continuar com ele? Não é pelo dinheiro, pois você também é rica, talvez até mais rica que nós... Não é por sexo, porque isso ele não te dá... – Ele é carinhoso. - responde Sara sem titubear e Heitor parece pensar. Ele toma um pequeno gole da bebida que pôs para ele e torna a falar com ela. – Você é realmente tão carente que larga tudo por apenas um pouco de carinho? - Heitor pergunta. Sara fica surpresa consigo, pois ao invés de responder, ela se pega pensando na pergunta. – Acho que vou embora. - Sara diz por fim. – Ei! - Heitor a chama. – Me perdoe, não queria te ofender, só queria te entender melhor. - Sara para e encara a Heitor. – Você nunca vai entender... Eu posso sim ser uma pessoa melhor, eu estou sendo uma pessoa melhor, mesmo que não pareça real para você. – Você não sente falta? - ele pergunta. – De como era antes? – Olha, eu nem posso legalmente beber e você vem me oferecendo bebida, você acha que eu estou errada por resistir e recusar? Olha a hora, ainda por cima é cedo, não é hora para encher a cara. – Não é sobre isso Sara, eu te via com 16 anos entrando em boates que você não deveria entrar, fazendo coias que você não deveria fazer e sim, isso era errado, ilegal, irresponsável, não estou falando que era algo bom ou bonito, meu objetivo aqui é outro. Sara... Você era livre. - resume. – Toda pessoa em um relacionamento fica um pouco presa, isso é totalmente normal, você saberia se conseguisse levar algo a sério. - Heitor ri de canto. – Eu entendo o porque você está na defensiva agora... Mas seu conceito do que é um relacionamento não está certo, você mudar para melhor é algo bom, você se prender e viver uma farsa apenas para que o ouro te aceite é algo completamente diferente. - Sara se cala novamente diante dos seus pensamentos, porque ela estava deixando as palavras de Heitor a atingirem de forma tão profunda? – E o que você quer que eu faça? - ela pergunta. – Tire o dia de hoje para aproveitar. - Heitor sugere. – Meu irmão deve chegar só amanhã. Aproveite o dia de hoje para matar a saudade da sua antiga versão. - ele insiste. – E porque você está fazendo isso? - ela pergunta. – Porque você se preocupa tanto com isso? – É como eu disse, eu não te odeio... E eu não vou ficar tentando atrapalhar a vocês dois, mas você merece essa folga. Ele não está aqui, nem mesmo meus avós, você não precisa se prender... Seja livre. Sara pondera. A sua impressão sobre Heitor nunca foi das melhores, os dois mal se falavam, mas quando isso acontecia sempre surgia uma tensão que só era apaziguada pela presença de Ricardo. Os dois, apesar de já se conhecerem mesmo antes do início do romance entre Sara e Ricardo, nunca conversaram assim, sendo, na medida do possível, sinceros um com o ouro; a possibilidade disso acontecer nunca passara pela cabeça de ambos. Mas cá estava Sara, considerando aceitar a proposta de Heitor e por um dia voltar a ser quem era antes. – Acho que nem sei o que fazer. - ela percebe. – Eu posso te ajudar. - se oferece. – O que você sugere? – Eu ia dizer para começar com o uísque, mas, isso não é sobre você ir pelo mal caminho e fazer coisas erradas. - ele devaneia e Sara se permite sorrir. – Porque então você começa soltando seu cabelo?





...


Olá a todos, como prometido, estarei repostando a história Secrets desde o início, peço desculpas a quem acompanhou a primeira versão, mas acredito que esse recomeço será muito positivo e a história ficará bem melhor.

Depois de tanto tempo sumida, estou me redobrando para conseguir abastecer a todos com várias histórias. Caso olhem para a barra lateral, verá os dias de postagem para cada uma das três histórias que estou (re)escrevendo ultimamente.

Bom, espero que gostem.

Bjsss

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Capítulo 3: Lisa (Red Blood Lipstick)





Atenção! Essa história aborda assuntos como abuso, sexo, drogas e violência, e pode não ser adequado a todos. Por favor, se algum desses assuntos é gatilho para você, não prossiga com a leitura, e caso você seja menor de idade, não leia esta história, há muitas outras mais indicadas para você! Agradeço pela compreensão, e aos que podem, boa leitura. Vanda tinha menos de dois meses no seu novo posto como delegada no 33º batalhão da cidade, quando Lisa apareceu em sua vida. A jovem garota de pele branca chegou junto a seus pais, ela olhava o tempo todo para baixo e era visível que se pudesse, cavaria um buraco no meio da delegacia e pularia nele, deixando que seus pais testemunhassem por ela. A sua história não é incomum (infelizmente). Ela era bonita, menor de idade e influenciável, prato cheio para que um homem por volta dos 50 anos a seduzisse com pequenos agrados e presentes em troca de favores que não pareciam muito graves de início... Mas após um tempo, as exigências do homem se tornaram asquerosas e quando percebeu no que se metera e tentou fugir, Lisa viu sua intimidade espalhada por toda internet. Fotos de seu corpo mion servia de estímulo para várias pessoas ao redor do mundo. Seu caso tinha tudo para se tornar um exemplo de justiça, havia provas e um testemunho conciso, mas os pais de Lisa não puderam pagar por um bom advogado e o promotor de justiça escalado para defendê-los não foi perspicaz o suficiente para prever a jogada planejada pelo advogado do réu. No fim, convenceram ao júri que o fato de nunca ter existido conjunção carnal, o velho não poderia ser considerado um abusador violento, convenceram também, que Lisa tinha total consciência do que estava fazendo e gostava dos presentes que recebia, que no final era ela quem tomava a iniciativa de retribuir com fotos e vídeos íntimos, e como uma cartada final, de alguma forma, comprovou que os pais de Lisa não só sabiam do envolvimento dos dois, como apoiava e se aproveitavam disso. O pedófilo passou apenas quatro anos e meio na cadeia, seu comportamento exemplar e a pena pequena conquistada graças a forma em que ele conseguiu quase se colocar como a vítima, fizeram com que sua pena fosse reduzida ao extremo. Já os pais de Lisa, não só perderam sua guarda, fazendo com que a menina passasse 3 anos vivendo num orfanato, como também foram presos, acusado de maus-tratos e abandono de incapaz, passaram 5 anos atrás das grades. Quando os pais de Lisa conquistaram a liberdade, a mãe, desgostosa da vida, sucumbiu-se a depressão e seu pai, apesar de ainda fazer questão de manter-se presente na vida da filha, nunca esconde o ressentimento que tem por ela e que a culpa pela destruição de sua família. Quando foi recrutada para fazer parte do grupo secreto da ONG de Vanda, ela foi a única a ter o prazer de já na sua primeira missão vingar-se do seu abusador. O vídeo de sua morte ainda corre pela internet e pode ser facilmente encontrado em site com conteúdos macabros. Seus métodos nada ortodoxos no início foram reprimidos, mas após um tempo e algumas conversas com psicólogos, contatou-se que a sua forma de agir fazem parte de uma forma conturbada para superar o seu abuso, por isso Vanda não a reprime e muitas vezes usa isso como vantagem nas missões que lhe encarrega. A próxima (e até então última) missão de Lisa seria contra um homem de 30 anos, empresário, possuidor de todos os privilégios que o mundo pode oferecer a alguém com dinheiro, boa aparência e boa influência. Com um ego imensurável e a necessidade de se mostrar como o desejado, suas festas são regadas de bebidas caras, buffets exclusivos e modelos exuberantes. A lista de denúncias de abusos e violência por parte das modelos contra o homem é extensa, ainda assim, nunca nenhuma delas foram capazes de provar suas versões, a maioria inclusive se contentava em apenas fechar um acordo onde ele pagava um bom montante de dinheiro; aquelas que não aceitavam tal acordo ficavam com a carreira manchada e eram taxadas de mentirosas e gananciosas, já que o empresário sempre falava que as modelos só o denunciava para lhe arrancar dinheiro e aquelas que ainda não tinham aceitado tais acordos o negava apenas porque pediam por valores acima do que ele seria capaz ou estaria disposto a pagar. Lisa está encarregada de fazê-lo pagar por seus crimes há aproximadamente três meses, desde então ela vem se infiltrando em suas festas e assim observando seus pontos fracos e podendo também comprovar suas maldades que variam de toques inapropriados nas modelos até mesmo tapas, empurrões na piscina e ameças de morte como tortura psicológica. A própria Lisa tinha passado por tal situação, em uma das festas que se infiltrou, foi obrigada pelo empresário a sentar-se em seu colo, enquanto ele passava as mãos sobre sua perna e virilha, o homem nem mesmo se importava que os convidados vissem tais atos. O plano de Lisa seria simples, por ter sido uma "modelo obediente" nas festas dos últimos meses, a mesma tinha a confiança do empresário, que quando recebeu uma mensagem com uma proposta de encontro a sós, não recusou. Para o homem Lisa não passava de uma modelo interessada em seu dinheiro, não é a primeira vez que uma modelo o chama para algo assim, ele só não fazia ideia de que desta vez seria a última. O recepcionista do motel não estranhou quando Lisa chegou com um óculos escuro, mesmo estando de noite, e com uma roupa que cobria quase todo seu corpo, é normal que algumas mulheres sintam vergonha de frequentar motéis. O empresário tampouco se importou quando a suposta modelo apareceu loira e de franja, o cabelo continuava curto e liso, o que o fez pensar que havia sido uma mudança no visual, claro que era apenas uma peruca, para dificultar a sua identificação caso investigassem e procurassem por suas imagens nas câmeras de vigilância do motel. Excitado demais pela noite que teria, o empresário também não reparou que na identidade exigida na recepção, Lisa aparecia com o nome de Emanuele. A identidade era tão falsa quanto a peruca. Já no luxuoso quarto, de cama redonda, espelho no teto, luzes baixas e um balde de champagne disponível, o empresário se sente à vontade. Sem paciência para as preliminares, mal adentram o quarto e ele já tira sua blusa e desabotoa seu cinto. Apesar de sempre ter preferido mulheres corpulentas, com bundas grandes e peitos volumosos, ele está empolgado por experimentar Lisa, sua aparência inocente e corpo mion lhe faz sentir ainda mais poderoso e se há algo que ele ama é o poder. No início parece que a promessa de uma noite perfeita será cumprida, Lisa veste uma lingerie vermelha que deixa todos os seus trejeitos destacados. Porém, pouco a pouco Lisa o coloca na posição ideal para que seu plano possa ser executado. Algemas seguram suas mãos no suporte próximo a cama, a posição não o deixa confortável, mas antes mesmo que possa fazer algo mais, percebe que seus pés estão amarrados com uma corda, sua excitação não permitiu que o mesmo percebesse isso antes que fosse tarde demais. – Me solta, vai... - o empresário ri. – Eu prefiro que você fique algemada. - dá uma piscadela. Lisa morde os lábios e sorri travessa, ela sabia que ele gostava de ser o dominador, ficar na posição de dominado já era por si uma espécie de castigo para ele. – Fique calmo. - ela fala. – Vai ser legal. - ela retribui a piscadela enquanto pega o cinto que o mesmo veio vestido. – O que você está pensando em fazer? - ele pergunta, pela primeira vez aparentemente preocupado. – Umas brincadeirinhas. - responde com o cinto em sua mão e a maldade em seus olhos. – Que tal pularmos a parte das brincadeiras? Vamos direto para ação. - o homem pede, tentando se salvar daquela situação. – Tem certeza disso? - agora Lisa se encontra bem próximo ao homem. – Eu estava pensando em pegar leve com você... - ela se ajoelha na cama, próximo ao rosto do homem. Ele ri nervosamente. – Precisa disso não... Só me desamarra, posso ser rápido se preferir. - ele agora já está nervoso e não é capaz de esconder. – Lembre-se, foi você que pediu direto ao ponto. Lisa se afasta, mas antes de ir até a bolsa que trouxe, para buscar seus materiais, ela golpeia o empresário com o cinto em sua mão, na parte de baixo da barriga do homem, que berra de dor. – Você está louca, garota? - ele a pergunta e começa a se contorcer para soltar-se. Lisa porém não se abala, ela sabe que ele não conseguirá escapar e ela ainda tem muito a fazer com ele. Da bolsa Lisa tira barbantes, gomas de amarrar cabelo, alicate, tesoura, fita crepe, uma faca e uma máquina fotográfica. – É dinheiro que você quer? - ele diz enquanto ela retorna para começar sua missão. – Eu posso te deixar rica! Só falar... Fale seu preço! - o homem se desespera. Lisa já está ao lado do homem novamente, sorrindo enquanto começa a mexer na fita crepe. – Eu vou receber meu pagamento. - ela diz convicta. – Com o seu sofrimento. - antes que o homem possa responder a mesma já tapou sua boca com o durex.

Ele se contorse, tenta grita, pedir socorro, mas apenas gemidos podem ser escutados com sua boca tampada. Ele se contorce, e de tanto raspar seus pulsos sobre as apartadas algemas, sua pele já se abria, aos poucos seus gritos foram ficando mais baixos, pois já não conseguia manter o fôlego. Lisa tira fotos de cada feição de desespero do homem, sua humilhação a satisfaz. Por fim, passam-se agonizantes 40 minutos para o homem e mais de meia-hora prazerosas para Lisa, que sente que já é hora de pôr fim às suas brincadeiras. Lisa sobe sobre o homem, suas pernas atravessam seu tronco e o homem fica imóvel, sem saber o que esperar. Numa de suas mãos ela tem a faca, pequena, mas de serra e de ponta bem afiada; na outra ela tem um pedaço do barbante de aproximadamente 60 cm. – Para você ver como sou boazinha, vou deixar você escolher dessa vez. - ela diz. – Eu posso usar a faca. - diz e levemente encosta a ponta da faca bem no meio do peitoral do homem. – Eu faria vários furinhos, e outros não tão furinhos assim. - sorri. – Você vai sangrar muito, eu vou ficar bem suja, tudo aqui vai ficar bem sujo... Mas você vai poder viver por mais tempo, o que é bom, não é? Prolongar sua vida. - dá de ombros. – Ou eu posso usar esse barbante no seu pescoço. Eu apertaria, mais e mais, você vai sentir dor, vai sentir como se o barbante estivesse lhe decapitando, talvez isso aconteça, depende de você, se sua traqueia for atingida rapidamente eu não preciso me esforçar tanto, eu odeio isso de cabeças cortadas. - ri divertida. – Se você prefere a primeira opção, pisque uma vez, bem forte para eu ter certeza. Se for a segunda opção pisque duas vezes. - ela ordena e o homem arregala os olhos não permitindo-se piscar, como se isso fosse lhe salvar. – Ah, quanta rebeldia, você é muito mal agradecido, estou lhe dando opções, coisa que você nunca deu a ninguém. - diz brava. – Já que é assim, acho que vou querer me sujar um pouquinho, tem uma banheira maravilhosa no banheiro onde eu posso me limpar depois. - seu sorriso é largo e a ironia de ver uma mulher com feições meigas, mas perversidade ilimitada é quase inacreditável. Lisa começa as facadas por partes menos vitais, ela quer que ele sinta a dor, que sangre, que saiba porque está sofrendo, porque tudo aquilo está acontecendo, ela não o deixará morrer sem que saiba o que o fez parar nesta situação.


A cada novo golpe, o nome de uma de suas vítimas e seu assédio eram revelados. Lisa sempre fazia questão de decorar uma por uma, mesmo que fosse uma lista grande, o esforço valia a pena. A sensação de quando ela podia ver a reação nos olhos dos criminosos, dando conta do que estavam pagando é impagável. – Este é por Mariana. - as facadas agora estavam começando a atingir áreas mais perigosas, ela não estava usando força o suficiente para que atingisse algum órgão, pelo menos não por enquanto, pois ela queria ter certeza que o mesmo estaria consciente até que a lista terminasse. – Por ter enfiado seus dedos nojentos em sua vagina quando a mesma ainda era virgem; Este é por Olivia, por quase tê-la afogado na piscina da sua mansão, jogando-a a força, após a mesma falar que não sabia nadar; Este é por Júlia, por ter arrancado sua roupa a força, para que seus amigos pudessem vê-la nua e se masturbassem com essa visão. - este golpe o atingiu bem no estômago, o colchão já se encharcava com o sangue que jorra de seu corpo e o mesmo já agoniza. – Este. - Lisa posiciona a faca bem no coração do homem. – É por me obrigar a sentar em seu colo e tocar-me como se eu tivesse lhe permitido algo. A força necessária para que aquela faca atingisse o coração do homem é descomunal, mas aquela não era a primeira vez de Lisa, a experiência lhe trouxe precisão. Após certificar-se que o homem morrera, Lisa observa o cenário que deixará para trás, uma verdadeira obra de arte em vermelho. Enquanto ela toma banho na banheira com hidromassagem do motel, já imagina, ansiosa, pela notícia de sua missão estampada na primeira página dos jornais.



segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Capítulo 1 - A Separação dos Campbells (A Origem de Lincoln Campbell)

 




A primeira infância de Lincoln foi boa e normal, Rosalind (que sempre se apresentava aos outros com o nome de Margaret) ainda estava trabalhando para o governo americano e Edwin se tornara chefe da área da cardiologia do maior hospital da cidade de Cincinnati. 


Por volta dos seus 9 anos, porém, Rosalind foi remanejada para um cargo maior dentro da NASA. Rosalind estava por isso por anos, depois de tudo que passara e fizera, ela finalmente estava reconquistando seu prestígio dentro dos órgãos do governo e voltando a ocupar altos títulos. 

No seu novo cargo o sigilo e a dedicação tomavam quase todo o seu tempo, e a sua quase sempre ausência na vida do filho foi sentida profundamente pelo mesmo, que aos poucos notou que sua relação com a mãe se tornou fria. 


Apesar de ser mais apegado ao pai, a relação dos dois tampouco era tão próxima, assim como Rosalind, o cargo no trabalho de Edwin lhe sugava muito tempo e energia, porém, o dedicado pai sempre se desdobrava para passar um tempo com o filho que tanto ama. Sempre lhe tentando lhe ajudar nas tarefas escolares, fazendo passeios aleatórios no cinema, em partidas de basquete e beisebol... 


Já adolescente, com um temperamento nada fácil de se lidar, os poucos momentos em que a pequena família passava reunida eram um desastre. Lincoln se tornara impulsivo, Edwin não conseguia controlá-lo, nem mesmo se esforçava muito, pois sentia-se culpado pelo mal comportamento do filho e acreditava que aceitá-lo desta forma era a melhor forma de ajudá-lo. Rosalind, por outro lado, não conseguia se manter calma quando filho se mostrava rebelde e no fim os dois sempre discutiam muito. 


Rosalind ama o filho, o marido e seu trabalho, e não se arrependera de escolher nenhum dos três, mas aos poucos ela sentia que seu filho, seu tão amado filho, escapava-se pelas suas mãos. O mesmo ocorria com seu marido. Edwin continuava sendo o mesmo homem dedicado a ser um bom marido e fazer Rosalind feliz, ele em nenhum momento revelou a sua verdadeira profissão, sempre se dirigindo a ela como Margaret quando estava em público, nem mesmo para sua família (o qual o mesmo tanto estimava) ele disse algo. Mas o pouco contato, o constante cansaço por parte dos dois (graças ao trabalho intenso) e as discussões dos encontro em família, tornou o relacionamento distante.


Após se formar no Ensino Médio, Lincoln decidiu que tentaria seguir os passos de seu pai e começou a estudar medicina. Edwin ficara tão orgulhoso do filho. O levou para conhecer todas as melhores faculdades de medicina, o ajudou a escolher para qual queria ingressar. Esta foi uma das fases em que os dois mais se aproximaram. 


Lincoln, fisicamente muito se assemelha a seu pai, cabelos loiro escuro, o formato do rosto com curvaturas bem definidas, sobrancelhas grossas e olhos claros, o nariz, porém, é da mãe, assim como o formato da boca e o temperamento forte.  


Após as inúmeras visitas e pesquisas, o jovem decidiu-se por uma faculdade que se localizava no mesmo estado em que nascera, mas não na mesma cidade, dessa forma o mesmo não se afastaria completamente de onde já estava acostumado a viver, mas poderia se esquivar das desastrosas reuniões familiares. 


No dia que se mudou para o dormitório da faculdade, Rosalind e Edwin fizeram questão de acompanhá-lo. Durante o trajeto havia uma tensão, todos estavam esperando pelo momento em que a briga começaria, mas Rosalind decidiu que não discutiria com filho naquele dia, o mesmo agora estaria ainda mais longe dela e ela não queria que sua breve despedida fosse marcada por gritaria e acusações. 


Ainda no primeiro período do curso, Lincoln conheceu sua namorada, Gabriela que era sua colega de turma. Sua vida parecia estar finalmente entrando nos eixos. Ele ia bem nas matérias, ele amava sua namorada, e, longe da casa de seus pais, ele se sentia mais calmo. 


Rosalind e Edwin aprovaram o namoro de Lincoln, o que não era de se estranhar. Gabriela era uma menina doce e simpática, não gostar dela era quase impossível. Ela sempre se preocupava com Lincoln e sabia sobre o constante sentimento de vazio que o mesmo sentia.


Ele não sabia o porquê, talvez a ausência de seus pais lhe fizesse sentir incompleto, talvez fosse a crescente pressão sobre si mesmo a medida que ele se aproximava da graduação,.ou talvez fosse outra coisa da qual ele ainda não sabia explicar... Por mais que Gabriela tentasse ajudá-lo, o vazio começou a tomar controle da mente do rapaz, a drenar sua energia, a dominar sua vida… Lincoln afundou-se nas bebidas, por várias vezes chegara na sala de aula de ressaca, mas o pior mesmo era quando ele chegava na faculdade ainda bêbado. 


Sua namorada fazia o que podia para ajudá-lo, aguentava seu temperamento imprevisível, buscava-o desacordado nos bares e o levava até seu dormitório, cuidava das suas ressacas. Ela acreditava que o seu amor iria curá-lo em algum momento. 


O ponto baixo da vida de Lincoln porém, iniciou-se no dia em que foi expulso da faculdade por, bebado, discutir com um professor que lhe chamou a atenção. Apesar de ter sido rapidamente controlado pelos colegas de classe, Campbell chegou a agredir o professor. Aquele era o limite, a instituição não poderia mais aceitá-lo. 


Na noite do mesmo dia, sua namorada tentou fazer uma intervenção, ela queria que o mesmo procurasse ajuda, do AA ou de um psicólogo, igreja, qualquer coisa. Ela estava disposta a ajudá-lo no que fosse preciso. Mas Lincoln, ainda transtornado e ainda mais bêbado do que na manhã daquele dia, transformou a tentativa de intervenção numa discussão calorosa.


Quando a discussão começou a sair do controle, ele decidiu se afastar da situação, e foi para o carro. Preocupada, sua namorada não o permitiu ir muito longe. Ela entrou no carro junto a ele, e tentou de toda forma fazê-lo parar. Ela sabia que ele estava bêbado, que não seria capaz de dirigir daquela maneira. 


Lincoln usava de sua força bruta para manter-se na direção e impedir que a namorada o coibisse. Ela tentava acalmá-lo, mas ele nem mesmo a escutava. 


Lincoln não se lembra de todos os detalhes, sua embriaguez não permite. Mas a visão do carro batido no poste e da sua namorada agonizando, prestes a morrer, presa no banco do passageiro nunca saiu de sua mente. 


Ali ele atingiu seu ponto baixo, mas também foi ali que uma nova chance lhe foi dada...



Ao receber a chamada do acidente Edwin caiu ao chão, sem forças para lutar. O carro tinha sido consumido em chamas, os bombeiros informaram que não havia restado nada. Rosalind só foi informada sobre o ocorrido um dia após o acidente, pois estava numa missão que a deixou totalmente desconectada do mundo exterior. No mesmo instante ela pediu licença do trabalho e se juntou ao luto com o marido.


Quando o relatório final da polícia chegou, uma surpresa, não havia provas de que o Lincoln morrera no acidente. Tal revelação coincidiu com a volta, misteriosa de Gabriela. Ela estava desmemoriada, porém totalmente saudável. Uma grande investigação foi aberta, mas nenhuma pista surgia e Gabriela não recobrava sua memória por nada. A polícia parou de tentar descobrir algo e arquivou o caso. Rosalind, porém, não desistiu, algo dizia que seu filho ainda estava vivo.


Novamente ela largou tudo e afundou-se no trabalho. Conseguiu uma transferência para o FBI e usou de todo seu conhecimento e influência para encontrar alguma pista sobre o paradeiro de seu único filho. Foram anos de pura frustração, sentimento que só aumentou quando ela recebeu outra notícia avassaladora. 


Edwin estava com câncer. Rosalind queria estar próximo a seu marido, mas ela queria mais ainda encontrar o filho, para que o mesmo pudesse ver seu pai e dá-lo a força necessária para se recuperar… Todos sabiam que a perda de Lincoln afetara muito a Edwin e indicavam que o avanço rápido de sua doença se dava exatamente por essa tristeza profunda. 


Rosalind só parou de buscar pelo filho quando percebeu que já era tarde demais… O médico informara que Edwin não viveria mais que um mês. Rosalind tinha perdido muito tempo, foram anos distante, um mês ao lado do homem que tanto amou não foram o suficiente para que o sentimento de culpa fosse sanado. 


Quando seu marido faleceu, ela se viu completamente perdida. Ela odiava trabalhar para o FBI e por isso pediu demissão, ela perdera o filho e o marido. Seus três grande amores não mais existiam. 


Oito meses após enterrar seu marido, Rosalind (que se desfez completamente do personagem de Margaret Campbell), foi convocada pelo próprio presidente para uma nova missão. Ela seria a responsável por uma nova organização, responsável por controlar uma nova ameaça: Os humanos modificados. 


A ATCU traria algo que Rosalind desejava que tivesse sido lhe apresentado antes. A possibilidade de congelar e manter seguros os humanos afetados por esse estranho surto, até que uma cura fosse encontrada… Como ela gostaria que Edwin tivesse tido essa oportunidade…


Pela primeira vez em sua vida, Rosalind não aceitaria o cargo apenas por ela, mas por crer que era o melhor a se fazer. Que ao lutar pelo humanos que estavam sendo transformados em armas potencialmente letais, ela estaria honrando seu falecido marido.





sábado, 24 de outubro de 2020

Capítulo 2: As Próximas Missões (Red Blood Lipstick)



As vozes tagarelas inundam a sala de reuniões, o que deixa Sofia confusa, sem saber em quem prestar atenção, e a quem responder, ou com quem concordar. Se Vanda estivesse aqui isso não estaria acontecendo, a mesma tem uma autoridade que não permite que uma confusão como essa ocorra, talvez ela tenha escolhido mal, Sofia era passiva demais para liderar, mas Vanda lhe havia confiado tal missão e a enfermeira teria que cumprir.

– Falem uma de cada vez! - se exalta para ser escutada.

– Então nosso grupo vai acabar? - Jane pergunta lamentosa.

– Não! - Sofia responde instantaneamente. – Vamos apenas fazer uma pausa.

– Temos que fazer algo! - Rosa se exacerba. – Vanessa não pode ficar agindo assim, como bem entende!

– Rosa... - Lisa tenta acalmá-la, mas é interrompida pela amiga ainda raivosa:

– Ela que está nos traindo, não só nos abandonou, mas agora também está nos traindo.

– Não podemos fazer nada contra ela, fizemos um voto. - Sofia a lembra.

– Ela quebrou o voto no momento em que decidiu ir embora, porque temos que manter a nossa parte? - Rosa questiona, mas nem mesmo espera por uma resposta de Sofia. – Você está sendo muito condescendente, você sempre é assim. - reclama.

– Não estou sendo condescendente. - se defende. – Vanda já está cuidando disso, não precisamos agir, eu sei que Vanda fará o que é melhor para todas.

– Vanda é ainda mais boba que você. - Rosa revira os olhos. – Aposto que ela ainda tem esperanças de que poderá trazer Vanessa de volta ao grupo, e que vai nos obrigar a recebê-la de braços abertos.

– Se esse for o plano da mãe, teremos que respeitá-la. - Jane encerra a discussão. – Devemos isso a ela! - Rosa cruza os braços, insatisfeita.

– Olha... - Sofia reinicia, tentando manter um tom conciliador. – Não é como se fosse o fim do grupo, vamos considerar como uma folga. - Rosa bufa. – Eu sei o que isso significa! - Sofia cerra os dentes. – Mas se quisermos continuar, teremos que ceder!



Todas parecem aceitar sua fala, até mesmo Rosa, que segue injuriada, concorda que a medida é necessária.



– Então apenas uma missão e descanso. - Lisa resume.

– Sim, todas nós já sabemos os nossos próximos alvos, creio que não há muito mais o que discutir sobre eles, ou ainda existe alguma dúvida? - Sofia pergunta.

– Eu já fiz concluí minha missão ontem a noite. - Jane revela.

– Jane! - Sofia chama sua atenção. – Você sabe bem que deve nos avisar!

– Eu sei! Mas eu estava estudando a rotina dele e ontem era um dia particularmente bom, onde ele ficava mais vulnerável... Fora que ele estava planejando uma longa viagem nesse final de semana, eu teria que viajar para cumprir minha missão.

– E qual é o problema? Você é a responsável pelas missões fora da cidade ou estado. - Sofia não deveria, mas se irrita pela atitude da amiga de grupo.

– É, eu sou a única que não trabalha, ou tem responsabilidades e que vive apenas pelo grupo. - diz reclamona. – Mas eu não quero viajar agora, é sempre mais difícil cumprir as missões fora da cidade, eu odeio isso.

– Tá, mas talvez esse fosse um bom momento para que você concluir sua missão fora da região! - a líder interina sente que o controle escapa pelas suas mãos.

– Do que você está falando? - Jane pergunta.

– Tem mais coisas... - Sofia se enrola, as garotas se mantém em silêncio, esperando por uma resposta completa. – Um jornalista...

– Um jornalista... - Lisa a incentiva.

– Um jornalista foi conversar com meu pai, sobre o que ocorreu com minha mãe. - inicia a explicação. – ele disse que está a trabalho de um grande jornal e fala sobre casos que não tiveram justiça, ele pareceu bem interessado em conversar com Vanda e saber mais sobre a ONG... Ele me deu o cartão dele, onde eu pude ver o blog que ele escreve e existe uma série de reportagens intitulada "A conclusão dos casos inconclusos"

– Poético. - Lisa ironiza.

– Ele notifica casos que ocorreram ao redor do país em que a justiça falhou ou que deixou a desejar num certo ponto, mas que de alguma forma os criminosos pagaram, na maior parte ele conseguiu finalizar as reportagens apontando que houve uma vingança ou uma tragédia inexplicável, mas alguns casos acabam de forma misteriosa, sem explicação... Basicamente todos esses casos misteriosos são daqui, da nossa cidade. - ela pausa por poucos instantes. – Todos os casos são nossas missões. - As mulheres se entreolham, estarrecidas pela nova informação. – Eu não sei se ele sabe sobre nós, mas algo me diz que ele desconfia. - Sofia acrescenta. – No blog dele os casos reportados são recentes, não faz sentido ele querer colocar o caso da minha mãe no meio, a não ser que esse grande projeto dele envolva casos mais antigos... Mas...

– Precisamos elimina-lo. - Rosa a interrompe.

– Concordo, não podemos deixar ele ir mais longe na investigação. - Jane complementa. Todas esperam que Lisa diga algo e a mesma sente a pressão para se posicionar.

– Concordo com vocês. - inicia. Sofia sabia que elas provavelmente já decidiram pela morte do jornalista, infelizmente o mesmo estava colocando o nariz onde não havia sido chamado. – mas... - Lisa não gosta muito de ser a que "estraga" os planos das outras, mas ela teria que fazê-lo desta vez. – Se ele realmente estiver trabalhando para um grande jornal, quem garante que só ele saiba sobre nosso grupo? - ela tinha um ponto.

– Provavelmente ele deve estar passando algo para o editor do jornal, matá-lo só iria fazer com que investigassem com mais afinco. - Jane percebe.

– Teríamos que fazer algo muito bem feito, teria que parecer um acidente.- diz Rosa.

– Ainda assim, quem ele estiver informando suas descobertas ainda continuará vivo, outro jornalista pode aparecer, isso virará uma bola de neve. - Sofia conclui.

– Então o que vocês querem fazer? - Rosa pergunta.

– Temos que descobrir se ele está passando as informações para alguém. - Sofia sugere.

– Mas como? - Rosa pergunta.

– É, mas como? - Lisa reforça a pergunta.

– Não sei. - Sofia custa para responder e se sente fracassada ao perceber que não faz ideia de como deveria agir. Geralmente as missões delas não envolviam recolher informações, apenas investigar a rotina do alvo, planejar e executar sua justiça.

– Eu sei como. - Jane diz e todas se entreolham preocupadas. – Eu vou descobrir.



Sofia suspira.



– Jane... Eu não acho que essa é uma boa ideia...

– E porque não? Nenhuma de vocês podem fazer isso melhor que eu. - não é a intenção, mas Jane acaba soando presunçosa.

– Todas nós somos capazes de fazermos de tudo. - Rosa a corrige.

– Não estou falando sobre matar, mas sobre retirar informações... Com todo o respeito, mas... Você, Sofia. - Jane se dirige a morena. – Você é do tipo simples, você estuda seu alvo e executa, raramente você tem contato com o alvo antes, você apenas causa um acidente ou algo do tipo e sai ilesa... Rosa, você pode envenenar alguém ou acertar um tiro certeiro na cabeça de uma pessoa mesmo estando a mais de 20 metros de distância, você é ótima, mas isso não tira informações de ninguém... Lisa... Bom...

– Eu posso descobrir coisas. - ela sorri travessa.

– Sim, talvez você consiga algo, mas no seu caso é um 'talvez', no meu caso é um 'com certeza'. Em algum momento ele vai sucumbir e falar tudo o que eu preciso. Vocês sabem disso.



Todas miram a Sofia, esperando por sua reação. A enfermeira sente como se estivesse carregando o mundo nas costas, Vanda sempre fez com que as delegações de missões parecessem tão fáceis, ela conhece o ponto forte e fraco de cada uma, sempre sabia qual a mais adequada para cada tipo de alvo.



Apesar de toda sua dúvida, Sofia sabia que Jane tinha razão em vários pontos. A enfermeira até teria mais facilidade em entrar em contato com o jornalista, já que o mesmo já a conheceu e tinha deixado seu contato, porém sua capacidade de persuasão não é das melhores, seria ela capaz de tirar-lhe informações sem que isso o deixasse desconfiado?



Rosa é multitalentosa, mas infelizmente nesse momento seus aparatos pouco valiam para algo, a não ser que a química tivesse descoberto ou criado algo como o soro da verdade, ela seria um total fracasso nessa missão.



Lisa... Bom, Lisa já havia conseguido confissões, mesmo quando não era necessário, suas técnicas de dominação muitas vezes tornava seus alvos comunicativos, mas não era algo que funcionava com todos. E se o jornalista fosse imune a suas investidas? E se ele não fosse do tipo de ceder facilmente? E se ele apenas sentisse prazer ao ser dominado, assim como vários outros?



Apenas Jane teria a frieza e as técnicas necessárias para obter a verdade do jornalista.



– Esta será a missão da sua vida, Jane, você não poderá falhar! - Sofia deixa claro.

– E em alguma vez eu já falhei? - pergunta.

– Você terá que matá-lo depois. - Rosa diz. – Não tem como você fazer o que irá fazer e deixá-lo sair ileso. - quase um minuto de silêncio toma conta da sala.

– Posso pesquisar, talvez exista algo no passado dele que faça sua morte mais justificável. - Lisa se dispõe.

– E se não tiver nada? - Rosa insiste.

– Teremos que quebrar nosso voto. - Sofia constata penosa. – Teremos que matar um inocente. 



...



Sim, isso mesmo, postagem surpresa para vocês!
Quem também me acompanha no meu Wattpad já estava sabendo que hoje eu iria postar com capítulo surpresa, este será o última capítulo da fase mais "Clean" da história, já nos próximos capítulos vocês poderão ver as meninas em ação e a história por trás de cada uma.
Bom, espero que tenham gostado desse capítulo surpresa, na terça-feira venho com mais Red Blood Lipstick para vocês.
Bjss e até mais.

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Capítulo 1: Inimigos a serem combatidos (Red Blood Lipstick)

Após 16 horas de puro descanso, Sofia se prepara para mais um turno no hospital, desta vez ela não faria plantão, trabalharia apenas por 6 horas e logo depois poderia ir a ONG de Vanda, onde ela lhe contará sobre o jornalista e juntas elas decidirão a melhor forma de pará-lo.




Durante seu turno ela faz seu trabalho com gosto, apesar de enfermagem não ter sido uma escolha totalmente sua, Sofia com o tempo se apaixonara pela profissão.




O seu último paciente do dia passaria por um atendimento rápido, um homem que havia entrado numa briga e precisava de alguns pontos perto da sobrancelha e abaixo do nariz.




Sofia não pode deixar de reparar no paciente a sua frente, suas feridas, apesar de precisar de pontos, não são muito grandes, e, a julgar pelo sangue que mancha toda a sua blusa social branca, a briga tinha sido feia. Seu olho já começa a inchar e sua esclerótica está totalmente avermelhada, o canto direito do seu lábio está bem vermelho e não há dúvidas de que irá ficar roxo. Enquanto ela termina os pontos na sobrancelha, ela percebe que a mão do homem está bem machucada nos ossos dos dedos, o mesmo deveria ter socado muito o seu oponente.


– Você é a chefe das enfermeiras. - o homem diz enquanto ela se prepara para começar a dar dos pontos no nariz do paciente.


– Sim. - ela responde, apesar de saber que não havia sido uma pergunta.


– Você consegue entrar no sistema? - ele pergunta e Sofia não pode deixar de estranhar sua questão. – Sou policial. - ele se justifica.


– Devo lhe parabenizar? - pergunta irônica e inicia os pontos.


– Preciso de informações do sistema.


– Você é policial, peça uma autorização judicial e qualquer um abrirá o sistema para você. - diz concentrada no procedimento que está fazendo.


– Não posso. - ele responde.


– Então não posso te ajudar.


– Você estaria me fazendo um grande favor. - Sofia termina a segunda incisão e pausa antes de finalizar o terceiro e último, para olhar melhor o paciente.


Ele é claramente forte. Alto, cabelo castanho claro, mesmo após apanhar tem o topete intacto, olhos claros, por baixo de todo o sangue, vermelhidão e inchaço ele provavelmente é bem bonito, padrão demais para o gosto de Sofia, mas ainda assim inegavelmente bonito. Contudo o que Sofia realmente quer analisar é o nível de sobriedade do homem, pois sua conversa indica um grau alterado, somado ao fato dele ter tido uma briga feia, a enfermeira aposta que o mesmo está bêbado.


– Eu estou dando pontos nos seus ferimentos, creio que isso já é favor o suficiente. - responde.


– Estou investigando a morte do meu irmão, ele veio para esse hospital, preciso da ficha dele. - responde e Sofia vê pela sua dicção que o homem não está bêbado, talvez transtornado, mas apenas isso.


– A delegada responsável pelo caso provavelmente irá resolver essa situação. - ela responde e começa o último ponto debaixo do nariz do homem.


– Não, não vai. Fecharam o caso. - ele diz e Sofia não fala nada, apenas segue com seu trabalho. – Falaram que foi overdose, mas ele não mexia com essas coisas, eu sei que ele foi assassinado. - ao terminar o ponto Sofia suspira e tenta acalmar o paciente.


– Eu sei que é difícil, mas acontece muito, muitas vezes não enxergamos que termos alguém com vícios dentro de nossa casa, a não ser quando é tarde demais. - diz gentilmente.


– Não, ele não morava com a gente, ele estava na moradia dos estudantes, ele passou na faculdade daqui e se mudou.


– Mais comum ainda, infelizmente jovens fazem esse tipo de coisa. - ela começa a fazer o descarte dos materiais que precisam ser descartados e guardar os outros que podem ser reaproveitados.


– Você não está entendendo, tem algo estranho nesta história! - ele grita.


– Senhor, eu sinto muito pelo que você está passando, mas eu exijo respeito no meu ambiente de trabalho. - diz séria e o paciente bufa. – Se a polícia determinou que o caso foi uma overdose, o senhor deveria aceitar, mas se não quer, vá a justiça e peça pela reabertura do caso, no mais, não há nada que eu possa fazer pelo senhor. Passar bem. - vira as costas. Ela odiava se irritar com seus pacientes, mas ela odiava ainda mais que gritassem com ela.


Após se acalmar, Sofia troca de roupa, bate o ponto e ruma para a ONG.


A ONG de Vanda se chama Recomeço, lá mulheres e crianças que passaram por situações de violência são acolhidas e assim tem o apoio necessário para enfrentar seus traumas. Serviços como assistência médica, psicológica, cursos profissionalizantes e abrigo temporário são oferecidos gratuitamente. A maior parte do abrigo é financiado pela própria Vanda, que decidiu seguir uma vida bem simples, com pouco, para garantir o sucesso do trabalho voluntário, mas muitos também se colocavam a disposição de fazer doações, seja monetária ou com serviços trocados, a psicóloga, por exemplo, é uma voluntária, que atende a todos sem cobrar nada de Vanda, assim como a professora de gastronomia e a professora de defesa pessoal.


Sofia também ajudava voluntariamente, principalmente na questão da assistência médica, mas seu trabalho ia muito além deste e era um cargo quase que exclusivo e muito secreto.


A ONG fica numa rua calma, numa casa que foi adaptada para receber a infraestrutura necessária: Uma cozinha industrial, uma pequena biblioteca, uma pequena quadra poliesportiva, uma sala para as psicoanálises, um pequeno consultório para emergências e primeiros-socorros, banheiros, sala de artes, recepção, um grande quarto com espelhos que servia tanto para aulas de dança, ioga e de música; dois quartos dormitórios que podiam acolher 4 pessoas cada, escritório e a secreta sala de reuniões.


Sofia estaciona na esquina e passa direto pela recepção, apenas cumprimentando Sandra, que é uma das meninas que foi ajudada pelo projeto e atualmente havia sido contratada para trabalhar como recepcionista da ONG.


A enfermeira encontra Vanda na cozinha industrial, a mesma checa a lista de pedidos feito pela professora de gastronomia, mantimentos que seriam utilizados para a próxima aula, porém antes mesmo de dizer 'oi', Sofia percebe que algo está diferente na benfeitora.


– Está acontecendo algo? - pergunta, após se cumprimentarem. Vanda hesita. Ela sempre foi de compartilhar tudo com Sofia, a mesma havia sido sua primeira protegida, mas as coisas estavam saindo do seu controle e isso era algo difícil de se admitir.


– Vanessa. - se limita a dizer.


– Vanda, ela não vai falar nada, ela pode se sair mais prejudicada falando do que se ficar calada. Não tem como ela nos denunciar sem se denunciar também - Sofia a acalma.


– Eu também achava isso, mas as coisas vem ficando complicadas... - suspira. – Há alguém investigando um dos nossos casos. - a mulher confessa e Sofia logo lembra do jornalista, claro que Vanda já sabia sobre ele, ela sempre está um passo a frente de tudo. – Eu sempre faço o possível para manter nossos casos o mais afastados dos policiais, o que é ruim, já que muitos deles cometem crimes que também não são apropriadamente julgados, mas creio que deixamos um caso passar despercebido. - Sofia então percebe que talvez ela não esteja falando sobre o jornalista.


– Matamos um policial? - Sofia pergunta sussurrando.


– O irmão de um. - Vanda responde sem pudor. – o policial não é da cidade, mas vem se enturmando entre os policiais daqui e é claro que estão tomando suas dores, em algum momento terei que ceder a pressão e reabrir o caso. Se juntam a denúncia de Vanessa com o caso do irmão do policial, nosso grupo estará em risco. - confessa.


Sofia então se lembra do paciente que atendera por último, seria ele o policial em questão? O caso parece bater.


– Eu acho que posso te ajudar. - Sofia diz. Ela facilmente pode encontrar o endereço do policial e garantir que o mesmo desapareça.


– Sim, você pode. - diz Vanda. – Você foi a minha primeira protegida, a primeira que treinei, a primeira que escalei para as missões, você me ajudou a escolher e a treinar as outras garotas, confio em você como a ninguém mais para garantir a continuidade desse grupo. - Vanda segura as mãos de Sofia e a olha diretamente nos olhos. – Preciso me afastar da liderança por um tempo, só para focar nesses problemas e resolvê-los com calma e sabedoria. - diz Vanda. – Preciso que você tome as rédeas do grupo, que lidere as outras meninas... Na verdade, quero apenas que lidere as missões que já estavam programadas e que depois fiquemos um tempo paradas, esperando que a poeira abaixe, assim tenho mais confiança que nós sairemos ilesas. - diz.


– Vanda... Eu nem sei o que dizer...


– Apenas aceite. Por favor. - quase que implora.


– E se eu falhar?


– Você nunca falhou antes, e te treinei bem o suficiente para que você saiba o que fazer... É algo temporário. Aceite.


– Tudo bem. - Sofia aceita ainda receosa. Vanda estava lidando com muitos problemas. Vanessa, uma desertora do grupo, estava ameaçando desmarcar a todas, denunciando o secreto grupo da ONG Recomeçar. O tal policial podia lhe obrigar a abrir um caso que iria ligar Sofia e Rosa (outra das protegidas de Vanda) a morte de seu irmão e isso poderia se desenrolar muito mais, chegando a todas as 4 protegida e a sua líder e protetora, Vanda. E pior, no meio disso tudo, ainda havia o jornalista.


Sofia sabia que deveria falar com Vanda sobre o jornalista, mas decide não fazê-lo, a protetora estava tão atordoada com os problemas que ja sabia da existência, não havia necessidade de colocar mais um nas suas costas. Sofia decidirá junto as outras garotas o melhor a se fazer.


                                                                                ...


Quando todas já estão presentes na sala de reunião, Sofia explica a situação de Vanda e a decisão da mesma de colocá-la temporariamente na liderança. Ninguém parece se opor a tal decisão.


O grupo era originalmente formado por 5 meninas que passaram por grandes traumas, as 5 foram acolhidas por Vanda e todas tiveram ajuda e treinamento para se tornarem as defensoras das injustiçados. Elas fazem a justiça com as próprias mãos, onde as leis ou os juízes falham, elas corrigem.


Contudo, Vanessa havia se delisgado do grupo após uma discussão. As regras de convivência e a constante doação a causa não lhe condizia e por isso a mesma fez tal decisão. Tudo estaria bem se a mesma agora não estivesse ameaçando destruir todo o projeto. Ninguém sabia se ela tinha as provas necessárias, mas ela tem o conhecimento de toda a organização, se lhe dessem ouvidos, tudo que Vanda construíra cairia em ruínas.


Nem todas as meninas que eram ajudadas na ONG subia para o grupo seleto de vingadoras, às 4 remanescentes tinham papéis essenciais para que tudo funcionasse.


Sofia havia sido encaminhada para a faculdade de enfermagem e empregada como chefe das enfermeiras no melhor hospital da cidade para que pudesse acobertar ou praticar sua justiça dentro do mesmo.


Rosa, uma menina de cabelos longos, castanho escuro, alta e magra de corpo atlético, de pele branca e olhar marcante, se formara em química. Apesar de se destacar em vários aspetos, como luta e mira, sua especialidade era produzir venenos quase que imperceptíveis aos exames post mortem.


Lisa é a que Vanda gosta de brincar falando que é a assassina perfeita. Sua baixa estatura, seu cabelo curto, liso e preto feito o céu da noite, seus traços delicados e sardas nas bochechas, a fazem parecer completamente indefesa, mas numa luta pode derrubar alguém com o dobro do seu tamanho e sua personalidade levemente sádica, a faz ter uma técnica de matar um tanto controversa.


Para finalizar tem Jane, a mais nova do grupo, mas talvez a que tenha o passado mais sombrio. O caminho para recrutá-la fora mais longo, as regras para ela foram mais rígidas, mas ainda assim a jovem de cabelos loiros escuro, de olhos grandes e pele branca e aveludada, de corpo sinuoso e rosto fino; venera Vanda como nenhuma outra do grupo, pois a mesma lhe deve a vida. A admiração é tanta que Jane chama Vanda de mãe, tal é sua importância para ela. Talvez pela infância perturbada que teve, seus métodos são de longe os mais assustadores, Jane não apenas se vinga matando, ela se vinga torturando.


– Então é isso? Vanda terá que nos deixar- Rosa pergunta.


– Não exatamente. - Sofia responde. – Vocês não sabem de tudo, mas temos mais alguns inimigos a serem combatidos. 





Olá, como prometido, ontem postei o capítulo de "A Origem de Lincoln Campbell" e hoje vim com a continuação de "Red Blood Lipstick". Como deixei claro anteriormente, esse início é bem introdutório, e aos poucos irei apresentando os personagens principais e os dilemas que irão enfrentar. O próximo capítulo também será mais leve e será o último dessa parte de introdução geral. Logo logo vocês poderão conhecer ainda melhor cada garota desse grupo e ver como elas agem. 
Então, fiquem comigo, volto na próxima semana com um capítulo totalmente novo! 







segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Prólogo (A Origem de Lincoln Campbell)

                             


Edwin tem dificuldade para digerir tudo o que escutou. Sentado na cadeira de seu escritório, o mesmo tem o olhar vago, perdido, como se procurasse pelo rumo que ele acabara de perder.


No fundo ele sabia que havia algo de errado, estavam juntos havia três anos, sendo que no último ano Margaret vinha agindo de forma estranha, desaparecendo por dias a fio e retornando sem desculpas boas o suficiente para convencê-lo. Ele tinha várias teorias, a de traição era que mais lhe parecia provável, mas ele a amava tanto que preferia fechar os olhos, fingir que não novata, esperaria que ela confessasse seu erro e ele a perdoaria sem pestanejar. Margaret é a mulher de sua vida, mas agora ele nem mesmo sabe qual é o seu real nome.


Edwin Campbell é britânico e é 8 anos mais velho que Margaret e quando a mesma foi trabalhar como sua assistente, ajudando-o na sua clínica de cardiologia, ele logo se sentiu atraído pela jovem. Ele demorou para confessar seus sentimentos, temia que a mesma o rejeitasse por ser velho demais para ela, ou que ela confundisse seu afeto com assédio.


Ele não tinha ideia que a chegada daquela jovem mulher, com estatura mediana, cabelos longos, castanho escuro e franja, não tinha sido um golpe de sorte do destino em sua vida, mas sim parte do trabalho dela como espiã. Infelizmente o médico tinha como cliente um homem que estava sendo investigado pela CIA, o cliente em questão tinha uma grave doença afetando o funcionamento de seu coração e isso o levava constantemente ao consultório de Edwin, infiltrar-se como ajudante do cardiologista seria uma ótima oportunidade para ter contato com o suspeito sem chamar sua atenção.


A investigação de Margaret demorou dois anos para ser concluída, foram necessários muitos investimentos para comprovar que o mesmo estava envolvido com terroristas que estavam atuando tanto nos Estados Unidos quanto na Inglaterra. Dois anos haviam sido o suficiente para que Margaret acabasse se entregando a paixão. Paixão que ela não deveria sentir, afinal, sua vida ao lado daquele médico cardiologista era uma grande mentira, era estritamente proibido que uma espiã se relacionasse com pessoas que estivessem envolvidas na investigação, não importando qual o grau de envolvimento do indivíduo.


Agora o relacionamento já havia se tornado noivado e Edwin, mesmo na incerteza da fidelidade da noiva, ainda ansiava pelo casamento. Mas o que fazer agora? Tudo era uma mentira!


Margaret nunca tinha passado por tal situação, no último ano tentou resolver essa confusão da qual se metera, o que a obrigou a deixar a Inglaterra e voltar para os Estados Unidos inúmeras vezes. Por ter dedicado bons anos sendo uma profissional exemplar, recebeu o perdão do governo americano e seria transferida da CIA para a NASA. Como castigo ela estaria num cargo menor e recebendo menos, teria acesso a menos informações confidenciais, mas poderia continuar ajudando a seu país, como sempre quis e ainda quer continuar a fazer. Com o tempo ela trabalharia para retomar a confiança do governo, porém não por agora. Nesse momento ela luta para reconquistar a confiança do homem que tanto ama, mesmo sabendo que não merece um voto de confiança do mesmo.


A ex-espiã estava se arriscando naquele momento, ela não sabia como seria a reação do homem que tanto amava, e se ele não a aceitasse? Pior, e se ele não fosse capaz de manter esse segredo? Ele poderia ser assassinado! Apesar de ter sido perdoada pelo governo de seu país, foi deixado bem claro as novas regras que seriam impostas a ela, caso a mesma decidisse manter sua relação com o médico. Inclusive, em seu novo contrato havia uma cláusula bem clara que a proibia de dizer a verdade sobre seu passado na CIA, ela até poderia manter sua relação com Edwin, mas deveria mantê-lo no escuro.


Margaret, porém, decidiu que deveria ser honesta, ela não queria que sua vida continuasse a ser uma mentira, Edwin não merecia isso. Ele desde o início sempre lhe tratou com todo respeito, sempre lhe acolheu, ele é um bom homem. O homem de sua vida.


– Qual o seu nome? - ele pergunta após longos minutos de completo silêncio. – O verdadeiro. - pede. Ele não olha para Margaret, ele ainda fita o horizonte distante, como se, apesar de estar se recuperando do baque, ainda não estivesse totalmente ali.


– Rosalind. - ela responde com a voz serena. – Rosalind Price.



Edwin torna-se para ela, olhando-a pela primeira vez desde que ela terminara sua confissão, mas ele não consegue manter seu olhar nela por muito tempo, ele logo abaixa a cabeça, olhando para sua mesa milimetricamente organizada, como sempre.


Rosalind era quem deveria estar se sentindo envergonhada, mas era ele que se sentia assim. Como ele poderia ter sido tão idiota? Como ele se deixara enganar assim? Tudo bem, ela é uma espiã, fora treinada para enganar, manipular, infiltrar-se... Ele era apenas um efeito colateral.


– Então é tudo mentira. - ele diz, sua voz está trêmula, ele quer chorar, mas se segura.


– Não! - Rosalind garante e se permite aproximar-se dele. Ela quer que ele a olhe diretamente, mas ele não o faz. – Me pergunte. - o incentiva. – Me pergunte o que você realmente quer saber.


Edwin respira fundo. Ele não está preparado para a possível resposta.


– Você... - ele hesita. – Nós... Você realmente... me... ama? - sua voz se afunda mais a cada palavra.


– Sim. Eu te amo Edwin. Sobre isso eu nunca menti. Eu realmente te amo! - ela não hesita em responder, ela quer que ele acredite nela, ela se arriscou demais por ele, e ela estava preparada para se arriscar ainda mais se assim fosse necessário.


Um minuto se passa até que ele decida fitá-la novamente. Desta vez ele mantém seu olhar.


– E a criança? - ele se odeia por fazer essa pergunta, se sente um lixo de homem, mas depois de tantas descobertas, ele duvidava até da própria sombra. Rosalind sabia que o mesmo faria essa pergunta, esperava que não fosse necessário responder, mas o compreendia por questionar. – É meu filho? - pergunta sobre a recém descoberta gestação.


– Sim. Podemos fazer o exame de DNA após o nascimento...


– Não. - ele a interrompe. – Não precisa. - ele volta seu olhar para a mesa. Edwin suspira novamente e depois se levanta. Ele ainda mantém seu olhar baixo, mas parece decidido a se recompor.


– Você pode me perdoar? - Rosalind pergunta e engole o seco.


– Eu te amei incondicionalmente como Margaret Williams. - responde e o chão de Rosalind começa a desmoronar. – Acho que posso tentar aprender a te amar como Rosalind Price. - ele a olha, seu olhar é triste, Rosalind não esperava outra coisa, mas ele dá um sorriso fraco, ele ainda a ama, talvez ele fosse um tolo por isso, mas o homem, apesar de cardiologista, não manda no coração.


O sorriso de Rosalind é bem menos discreto, o alívio que sentia por saber que ainda o teria em sua vida é demais para que ela escondesse.


– Obrigada. - ela não sabe mais o que dizer.


– É... Eu te apresentei a todos da minha família como Margaret... - diz coçando a cabeça e fazendo uma careta. Ele tentaria manter sua relação com a ex-espiã, mas não fazia ideia de como.


– Posso manter esse nome, é apenas um nome... O que importa é o sentimento. - ela diz e se aproxima ainda mais de Edwin. Delicadamente ela toca em seu queixo e o faz levantar a cabeça e assim olhá-la diretamente. – E o sentimento é real. Inteiramente real. - Edwin assente.


– Você aceitaria mudar seu nome mais uma vez? - ele pergunta olhando-a.


– Você quer que eu assuma meu nome? - pergunta incrédula. Ela sabe que não pode fazer isso. Nem mesmo Edwin poderia saber sobre ela, não tinha como ela contar para mais gente.


– Gostaria de acrescentar mais um. - sorri tímido. – Você gostaria de se chamar Margaret Campbell?




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No dia 17 de abril de 1985, Nasce Lincoln Williams Campbell, num hospital nos Estados Unidos, onde seus pais moravam agora.


Tudo indicava que aquela seria uma família perfeita, mas o tempo provou que uma vida cheia de segredos e mudanças não se sustenta. 



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No dia 17 de abril de 1985, Nasce Lincoln Williams Campbell, num hospital nos Estados Unidos, onde seus pais moravam agora. 


Tudo indicava que aquela seria uma família perfeita, mas o tempo provou que uma vida cheia de segredos e mudanças não se sustenta.


Sinopse de "A Origem de Lincoln Campbell"

Rosalind Prince é uma espiã que em uma das suas missões acabou se envolvendo num relacionamento com um médico cardiologista. Deste romance nasceu uma criança da qual pouco teve a atenção da mãe, isso graças ao seu trabalho que sempre exigiu que a mesma estivesse em longas viagens e mantivesse pouco contato com ele. 

Quando adulto o mesmo evita se relacionar com seus pais e para azar de ambos, a nova missão da espiã envolve prender seu próprio filho.