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domingo, 2 de abril de 2017

10. Lara (Parte Final) - Último Capítulo

Acordo.
Sei que não é a primeira que acordo desde a noite que fui arrancada de minha casa, mas tampouco lembro o que ocorreu das últimas vezes que eu acordei.
Sinto que estou voando, meus pés não tocam o chão e meu corpo parece leve, como se eu pesasse menos que uma pluma, meu cabelo voa, o que me faz pensar que estou caindo, mas sei que não estou, pois flutuo, como se eu estivesse em um taque cheio de água, para ser bem sincera, eu estou em um tanque, vejo uma parede de vidro, que me engloba 360 graus, como um tubo, porém eu respiro normalmente e minha visão está tão translucida quanto antes, então por que flutuo? E onde estou?
Um homem aparece em minha frente, ele observa atentamente, com um caderno na sua mão, ele não me toca. Se mantem todo o tempo apenas me olhando e anotando sabe-se lá o quê. O homem tem os cabelos dourados, que mais parecem serem fios de ouro, seus olhos são claros, verdes. Ele é bonito. Mas seu olhar me apavora.
Outro homem aparece atrás dele. Este é um pouco mais baixo, tem cabelo preto, e é bem magro.
_ Ela parece acordada. – diz o homem de cabelo preto.
_ Sim, ela está. Ela também já está pronta. – diz o homem que tem cabelos de ouro. Sua voz me soa familiar.
_ Isso é bom, a minha última pupila está pronta. – diz o homem, maravilhado. Eu sei que tudo que escuto parece um absurdo, até mesmo penso ser um sonho, afinal de contas, nada aqui parece ser vida real, talvez seja por isso que eu não consigo reagir.
_ É melhor chamar Eraqen, ainda não sabemos o que eles podem fazer. – eles? Isso está ficando mais louco do que o previsto, e quem é Eraqen? Que tipo de pai escolhe um nome desses? Ou melhor, como minha mente foi capaz de criar um nome desses? Afinal de contas, sonhos são feitos pelo seu subconsciente, ainda que você não saiba.
_ Está preparado para controla-los? – pergunta o mais baixo. O cabelo de ouro suspira, vejo o vapor que isso faz no tubo em que estou.
_ Sim, senhor.
_ Então, liberte-a. – diz o de cabelo preto. Fico feliz em saber que serei libertada, mesmo sabendo que só se trata de um sonho, ouvir esta palavra faz meu coração palpitar de alegria, mesmo sem eu saber o motivo.

Acordo novamente.
Agora estou deitada em uma cama, o que me deixa aliviada, pois tudo não se passava de um sonho. Porém, todo o sentimento de alivio se esvai de mim assim que percebo que não sei onde estou. A cama na qual me deito não é a minha cama, o quarto em que estou não é o meu quarto. Seria este mais um sonho, ou no fim tudo é real?
Levanto-me, tentando assimilar tudo o mais rápido possível, preciso saber onde eu estou e, principalmente, como sair daqui.
O quarto é pequeno e minimalista. Uma cama, um espelho do lado direito, preso na parede; uma mesa pequena e quadrada, com apenas duas cadeiras, do lado esquerdo, e claro, uma porta e uma janela. Vou até a janela e percebo que ela é fosca, o que me não me permite ver com detalhes o que há do lado de fora, porém vejo muito verde, o que me indica que estamos em um lugar rodeado por natureza, seria lindo, se eu não morasse no meio de uma cidade grande, em que o verde é raro.
Estar na natureza significa estar longe de casa, e estar longe de casa significa que terei dificuldades de voltar para ela.
Tento empurrar a janela com as mãos, mas ela não se move. O que, nesta altura, já deveria ser bem óbvio para mim.
Afasto-me um pouco da janela e dou uma breve olhada no espelho. Estou vestida com uma calça preta, que parece ser de moletom, e uma blusa de manga cumprida, branca, meias brancas calçam meus pés. Estas não são minhas roupas, eu nunca escolheria essas peças, mas pelo menos são confortáveis, não me atrapalharia caso eu precisasse correr. Estou com o cabelo amarrado, o que geralmente eu não gosto, então o desamarro, deixando-o cair em meus ombros.
Escuto um ruído atrás de mim, me viro e logo a frente da porta está o homem de cabelo de ouro, solto um grito, assustada, e me afasto, andando de costas, até bater com tudo na parede.
_ Não irei te machucar. – diz ele, e agora posso reconhecer sua voz, ele é o mesmo homem que invadiu minha casa. Sinto meu coração se acelerar como nunca. _ Poderia se sentar, por favor. – diz, gesticulando em direção à mesa.
_ Não. – tento responder. Minha voz sai fraca.  Ele não diz nada. Apenas ajeita sua postura, ficando mais ereto.
Eu não quero ir. Mas vou. Não porque tenho medo dele, nem porque quero obedece-lo, mas sim porque meu corpo me obriga a ir, é como se eu tivesse perdido o controle dos meus movimentos.
Sento-me, sinto meu corpo pesado, o me faz sentar de maneira encolhida, corcunda. Entretanto minha respiração fica mais calma e meu coração para de disparar, não entendo o motivo de o meu corpo estar fazendo isso, eu ainda estou sentindo medo, não há motivos para eu me acalmar. Será que eu estava desmaiando?
Espero que a escuridão chegue, mas ela não chega.  Eu não irei desmaiar.
A porta se abre e o outro homem, o de cabelo preto, entra.
Ele anda diretamente até onde estou, e se senta na cadeira a minha frente.
_ Liberte-a. – diz, olhando para o homem de cabelo de ouro. Não entendo o porquê de ele insistir em falar isso.
Não sei o que acontece neste momento, mas não sinto mais o peso me puxando para baixo, agora eu consigo me erguer e sentar-me menos deselegante. Meu coração volta a se acelerar, não tanto quando estava antes de eu me sentar, mas ainda assim, bate mais rápido do que o normal.
_ Olá Lara. – o homem de cabelo preto diz. Não respondo. _ Meu nome é Bartolomeu, e este. – diz olhando para o de cabelo de ouro. _ É o Dalton – ele parece esperar que eu diga algo, mas eu sigo muda. _ Eu sinto muito pela forma em que tudo vem acontecendo, mas foi necessário– ele diz sério. _ Você quer falar algo? – pergunta. Continuo sem dizer nada. O homem de cabelo preto, Bartolomeu, que até a pouco parecia bem animado, agora olha para o homem de cabelo de ouro, Dalton, como se eles estivessem se comunicando. Olho para Dalton e as palavras começam a jorrar da minha boca.

_Meu nome é Lara Sullivan, tenho 19 anos, e... – não entendo o porquê estas palavras vêm e minha mente, nem mesmo sei seu significado, mas eu sinto que devo dizê-las. _ sou uma Statera Ilegal.




Fim (?)

Antes de tudo, eu sei, nada parece fazer sentido, mas calma aí, você logo entenderá.
Vamos pensar, a história se chama "Antes de Ilegais", e se existe um antes, isso significa que existe um depois, não é? 
Basicamente é isso, toda esta história era apenas uma introdução para uma história maior ainda e em breve passarei mais informações a vocês sobre a continuação desta história.
No mais, quero agradecer a todos que acompanharam, espero que tenham gostado.
Muito obrigada por tudo

domingo, 26 de março de 2017

10. Lara (Parte 2)

Escuto um grito.
É minha mãe.
Mas que merda! Porque ela não ficou quieta em seu quarto?
Agora o barulho se intensifica, não são apenas alguns objetos caindo, mas sim coisas pesadas, gritos, não somente de minha mãe, mas também de meu pai, os cachorros da vizinhança começam a latir, claramente alarmados pela bagunça que esta acontecendo em minha casa. Torno a tentar abrir a porta, agora não mais me importo com a minha segurança, meus pais estão lá embaixo, lutando? Apanhando? Não sei, mas não posso abandona-los.  Se eles vão lutar ou apanhar, eu vou lutar ou apanhar junto.
Minha porta faz um barulho estanho e alto enquanto a forço para frente e para trás, bato na porta, grito, mas nada acontece, a porta não se abre, e o barulho do lado de fora só se intensifica.
Corro até a janela do meu quarto, do lado oposto a porta, ela também estava fechada, e trancada.
Mas o que?
Posso até tê-la fechado, pois estava uma noite fria, porém eu não havia a trancado.
Tento pegar algum livro em minha estante, que fica bem ao lado da janela, e tacar no vidro da janela, que nada mais faz do que soltar um barulho oco.
Tento novamente, mas nada muda. Corro, tentado encontrar algo mais pesado e firme, algo que realmente me ajude a quebrar a janela.
O barulho para. Porém eu ainda posso escutar o meu coração acelerado. Talvez tudo já tenha acabado e eu não precise pedir ajuda.
_ Mãe? – grito. _ Pai? – ainda não escuto nada. _ Mãe? – vou até a porta, e dou alguns murros. _ Pai? – continuo gritando, porque eles não me respondem?
Um soco vem do outro lado da porta. Tomo um susto e dou alguns passos para trás.
_ Mãe? – grito, porém sai um grito tremulo.
Não obtenho resposta.
Meu corpo inteiro treme.
_ Pai? – tento gritar, mas sai praticamente um sussurro.
Outro estrondo vem do outro lado da minha porta, e desta vez a porta sai voando em grandes e pequenos pedaços. Berro sem nem mesmo perceber e tento correr, sem nem mesmo ter para onde fugir.
 Na porta vejo uma figura alta, toda de preto, com mascara e luvas. A figura não se movimenta; se mantem parada, frente à porta, que agora não mais existe. Eu olho apavorada e fico paralisada, quero tentar correr novamente, talvez tenha uma possibilidade de fuga, não sei qual, mas mesmo se tivesse, sei que não vou descobrir, meus pés parecem pregados com prego no chão.
_ Olá Lara. – diz a figura, que agora sei que se trata de um homem. _ Chegou a hora. – diz, vindo em minha direção. Tento me afastar, mas não ando, ainda estou presa. Ele me agarra e eu apago.


Acordo.

domingo, 19 de março de 2017

10. Por Lara (Parte 1)





Olho para o relógio no canto direito da tela de meu notebook, já se passa da meia noite, meia noite e dez, para ser mais exata. Tento não me distrair com algum site na internet, mas quando me dou conta já é meia noite e dezesseis, me distrai novamente, e nem mesmo sei com o quê. Olho para o Word, e para as quatro linhas ali escritas. Eu tinha apenas algumas horas para terminar aquele texto de apresentação, minha ultima chance de entrar em alguma faculdade, já que todas as outras datas já haviam expirado.
“Meu nome é Lara Sullivan, tenho 19 anos, me formarei no fim desde mês e me candidato para uma vaga no curso de Biologia. Creio ser uma boa candidata para a vaga em sua faculdade, porque sou uma pessoa...”.
Uma pessoa...
Ótimo, sou uma pessoa.
Sou uma pessoa que não faz a mínima ideia do que escrever. Aquele e-mail seria lido pelo reitor da faculdade, e eu deveria estar tentando impressiona-lo, mostrar a ele minha paixão pela biologia, mostrar que sou uma boa garota, que entrar na sua faculdade seria um sonho realizado, e que ele me aceitar seria a decisão mais sábia a se tomar, porém, como falar isso?
Ou melhor, como escrever isso sem parecer clichê ou prepotente?
Sou péssima com explicações, posso até mesmo saber exatamente o que quero passar, mas não sei como dizer, sempre foi assim, talvez tenha puxado isso de meu pai, que sempre se complicou, e muito, quando precisava me ensinar qualquer coisa, se não fosse por minha mãe, talvez até hoje eu não soubesse amarrar meu tênis.
Meia noite e vinte e sete.
Suspiro.
Incrível como os minutos pareciam voar, me pressionando a escrever mais rápido. Eu só queria ter mais um dia, apenas mais 24 horas para tentar escrever algo descente, mas cá estou eu, com o prazo de nove horas, nada mais, nada menos.
Sei que meus pais esperam que eu consiga entrar em alguma faculdade este ano, eles não se importam em qual, só querem que eu entre. Tenho que agradecê-los por não serem tão exigentes, mas sinto que talvez consiga decepciona-los, mesmo eles tendo me pedido tão pouco.
“uma pessoa esforçada...” tento escrever algo mais, mas é isso, sou esforçada...
Deixo meu corpo afundar na cadeira, frustrada.
Olho para a foto, no porta-retratos que está ao lado do meu notebook. Aquela foto havia sido tirada há apenas dois anos atrás, no 27º aniversario de casamento dos meus pais, lá estávamos os três juntos, sorrindo para a foto. Meus pais já são um pouco velhos, não posso negar, meu pai é calvo e, apesar de negar, muitos dos seus dentes foram reimplantados. Minha mãe possui algumas rugas, porém se mantem sempre bem cuidada, nunca deixa passar o dia de pintar seu cabelo, que naturalmente é castanho, mas que ela pinta de vermelho.
Eu tenho a altura do meu pai, que é alguns centímetros mais alto do que minha mãe. Não me pareço muito com nenhum dos dois, sou uma mistura perfeita.
Sou muito branca, assim como meu pai, tenho cabelo bem preto, que não condiz com nenhum dos dois, mas creio ter puxado a meu avô materno, e sou muito magra, o me remete da minha mãe. Desde que aquela foto havia sido tirada, eu tinha ganhado alguns quilinhos, o que, para surpresa de alguns, é algo bom, já fui motivo de chacota por eu ser muito magra, meus peitos custaram para crescer e, bom, se eu comparar com minha amigas, eu não tenho tantas curvas ainda.
Naquela foto nós estávamos felizes, principalmente eu. Ali eu ainda não tinha nenhuma preocupação com o que seria. O mundo adulto, mesmo estando tão eminente, me parecia tão distante, e agora, que tudo o que eu julgava ser o futuro, batia em minha porta, eu estava desesperada.
“Meu nome é Lara Sullivan, tenho 19 anos, me formarei no fim desde mês e me candidato para uma vaga no curso de Biologia. Creio ser uma boa candidata para a vaga em sua faculdade, porque sou uma pessoa esforçada...”.  Seria esforçada a melhor palavra?
Entro no site de pesquisa e procuro por um sinônimo mais elegante... Usar palavras difíceis talvez fosse à solução para esconder minha clara dificuldade em escrever um texto aproveitável.
“sou dedicada?”
“sou empenhada?”
“sou corajosa?”
“tenho diligência?”
A quem eu estou tentando enganar? Eu nem mesmo sabia que existia esta palavra, diligência.
Uma da manhã.
“Meu nome é Lara Sullivan, tenho 19 anos, me formarei no fim desde mês e me candidato para uma vaga no curso de Biologia. Creio ser uma boa candidata para a vaga em sua faculdade, porque sou uma pessoa esforçada, que se dedica aos estudos...”. – começo a evoluir.
Pelo menos agora eu não minto, sempre me dediquei aos estudos, passar de ano sempre foi minha prioridade, não sei exatamente o porquê, talvez porque era a única coisa do qual eu poderia me gabar, ou porque isso significava algum presente especial no fim do ano, dado pelos meus pais, o que, muitas vezes, significava uma viagem durante as férias de verão.
“Meu nome é Lara Sullivan, tenho 19 anos, me formarei no fim desde mês e me candidato para uma vaga no curso de Biologia. Creio ser uma boa candidata para a vaga em sua faculdade, porque sou uma pessoa esforçada, que se dedica aos estudos, obtendo sempre notas acima da media, como se mostra em meu histórico escolar...”.

Escuto um barulho que parece vir do primeiro andar da casa. O barulho parece a de um objeto, não muito grande, caindo ao chão.
Estranho. – penso. Meus pais, numa hora dessas, já deveriam estar dormindo. Mas relevo, talvez seja o gato do vizinho que conseguiu invadir nossa casa mais uma vez.
Escuto mais um barulho, desta vez algo de vidro se quebra.
Aff! Este gato vai quebrar a casa inteira.
Levanto-me da minha escrivaninha e vou até a porta, não iria sair nada mais da minha cabeça naquele momento, então não faria mal tentar, pelo menos, salvar a casa.
Tento abrir a porta, mas ela esta trancada.
Mas como?
Eu nunca tranco minha porta, era uma regra aqui em casa, eu nem mesmo tinha a chave da porta, nem mesmo sei se meus pais sabiam onde ela estava, então, porque ela não abria? Está emperrada?
Tento forçar mais a maçaneta, mas não adianta.
Mais um barulho. Desta vez parece ser algo pesado, como um móvel caindo. Assusto-me. Será mesmo que era só um gato?
Sinto um arrepio em minha nuca só com a possibilidade. Paro de tentar abrir a porta, talvez, se for um ladrão, ele roubasse apenas o que está no primeiro andar, ficar quieta, poderia ser imprescindível neste momento.
Escuto um grito.
É minha mãe.



Continua

Estamos chegando no final (ou será o grande começo?) dessa história. Este capítulo já foi escrito há um bom tempo e por ser muito grande, será dividido em várias partes.
Espero que gostem.

domingo, 12 de março de 2017

9. Daniel (Penúltimo capítulo)



Domingo



Não é normal eu precisar vir até aqui durante os domingos, eu nem mesmo sabia que aqui ficava aberto durante os domingos, mas não nego que gosto de descobrir isso, pois domingo não é um dia feliz para mim. 
 Entro na sala do Dr. Luiz e a sala está bem escura, apenas o abajur da sua mesa está aceso, todas as janelas estão fechadas e tampadas pelas cortinas. Estranho. 
 – Boa Tarde. Doutor Luiz. – digo e assim que ele levanta a cabeça para me olhar, percebo que não se trata do Doutor Luiz.
 – Perdão. – o homem diz. – O Doutor Luiz não pode comparecer hoje, e eu cuidarei da sessão no lugar dele, espero que isso não lhe incomode. – o homem sorri, não consigo ver muitos detalhes, pois está bem escuro na sala, mas seu cabelo brilha sobre a fraca luz, é um loiro dourado, quase como se ele tivesse cabelo feito de ouro. 
 – Eu já estou acostumado com o Doutor Luiz. – digo. 
 – Ele me passou tudo o que devo saber, para poder lhe orientar melhor. – faço uma careta, tudo o que eu digo aqui deveria ser privado, ninguém mais deveria saber.
 – Ele apenas falou o necessário, nada muito intimo, afinal de contas, isso seria ilegal. – o homem fala como se já soubesse do meu pensamento. Eu sorrio fraco. O homem se levanta e me encontra perto da porta. 
 – Meu nome é Dalton. – ele diz, oferecendo-me a mão, eu o comprimento.
 – Daniel. – eu digo. – Mas você já deve saber disso. – falo fraco e ele ri. 
 – Tudo bem, não precisa ficar tímido comigo, você vai ver, você nem vai sentir diferença. – ele diz. 
– Vamos? – ele abre espaço para que eu adentre mais a sala. 
 Entro e vou até o divã que fica perto de uma das janelas, que hoje está fechada. Normalmente por ela consigo ver o céu, as nuvens... No horário em que geralmente venho o sol já está quase se pondo, então minha visão sempre é bem clara e agradável, nada de luz do sol no meu olho. 
 – Fique a vontade, fale comigo como se eu fosse o Doutor Luiz. – Dalton diz de algum ponto atrás de mim. Fecho os olhos e suspiro. Não gosto da troca de doutores, mas preciso falar. Talvez ele seja bom também e possa me ajudar até melhor... 
 – Essa semana foi difícil... – começo. Geralmente já começo dizendo meu problema, mas mesmo tentando ignorar que hoje falo com Dalton, não consigo, por mais que ele tenha dito que já sabe da minha história, meu cérebro não entende e me faz querer falar tudo desde o começo. – Talvez eu realmente não vá mudar de escola novamente. – digo cabisbaixo. 
– Vai ser a quarta só nesse ano... – Dalton escuta atencioso. 
– Não sei como consigo isso. Eu sempre acho que vai ser diferente, mas todos me conhecem, todos riem de mim, todos... Eu tento, mas eu nunca me adapto.
 – Porque você acha que nunca se adapta? – ele pergunta. 
 – Não sei... Quer dizer... No começo eu só era diferente, mas depois teve um vídeo que se espalhou e... O vídeo me persegue até hoje. 
 – Você acha que se não fosse o vídeo, você teria se dado bem nesta escola? 
 – Acho que sim... Pelo menos no começo.
 – E porque apenas no começo? 
 – Porque no fim eles veriam que eu sou diferente.
 – Ser diferente não é ruim, é algo bom...
 – É bom. – confirmo. 
 – Todos nós somos diferentes um dos outros, isso nos torna nós mesmos. – digo à frase que já escutei por várias vezes e que odeio. 
– Mas quando sua diferença lhe impede de se enturmar com as pessoas, isso te atrapalha. 
 – Você só é uma pessoa especial. – Dalton diz e essa é a primeira diferença que sinto entre ele e Doutor Luiz. O meu psiquiatra usual não falaria dessa forma. 
 – Você faz parecer que eu sou deficiente. – reclamo. 
 – Eu não digo nesse sentido. Tanto você quanto eu, somos pessoas especiais. 
 – Você também é louco? – pergunto e ele ri. 
 – Não. – ele responde. – Eu vou te mostrar. – diz. Levanto-me e vou até a janela, abro a cortina e a luz do sol incomoda meus olhos. – Você sabe por que você fez isso? – ele pergunta. Eu estranho sua pergunta, mas logo percebo que ela faz sentindo. Eu não tinha motivo para ter feito isso. 
 – Não sei. – dou de ombros. – Talvez eu quisesse um pouco mais de luz. – não quero que ele pense que sou mais louco do que realmente sou. 
 – Não. – ele contradiz. – Você fez isso porque eu quis que você fizesse. – eu acabo rindo. – Você não acredita? – pergunta. 
 – Não. – respondo obvio. – Você vai sentar agora. – ele diz e eu me sento. Olho para ele, recostado na mesa e ele espera pela minha reação, mas eu não vi o seu ponto ainda. – Você vai levantar a mão direita. – ele diz e eu o faço. Acho estanho minha ação e faço uma careta. 
 – É porque você está falando antes, você está me condicionando a fazer o que você fala. – digo dando de ombros, mais uma vez. 
 – Então tá. – ele diz sorrindo. 
 Levanto-me, começo a pular no chão e a gritar, pareço fazer sons de macacos, como se eu fosse um macaco na floresta, eu pulo e grito, mãos para cima, balançando, pulo encima do divã, que eu estava sentado a pouco, continuo pulando sem dó, não sou grande nem pesado, mas não sei se este móvel aguentaria tantos pulos sem quebrar. 
Sigo pulando e fazendo barulhos, mas, desastrado como sempre, acabo tropeçando em meu próprio pé, tento me equilibrar, mas quando vejo já estou quase caindo, de costas. Minha mente sabe que me machucarei feio, pois o divã fica perto da parede e eu vou cair de costas virada para a parede, provavelmente baterei a cabeça e ficarei mais doido ainda. Dalton me segura pela minha blusa, com apenas uma mão, e eu fico no ar, olho para cima e se ele tivesse esperado mais um segundo, eu bateria com minha nuca em cheio na quina da janela. Estou ofegante, com medo e confuso. 
 – Você fez isso? – pergunto. Ele ainda me segura pela blusa. 
 – Sim. – ele responde e me alça, para que eu fique de pé. Estou de pé, encima do divã e ele de pé no chão e ainda assim não fico mais alto que ele. Vendo de perto seus olhos são claros e ele tem uma barba rala, seu cabelo é realmente dourado e agora que a luz do sol entra pela janela, posso dizer que até mesmo brilha. Ele volta a se sentar, perto da mesa, onde estava antes. – Você pode se sentar ou ficar de pé. – dá de ombros. – Mas já aviso que você não irá fugir. – ele diz. 
 – E porque não? – pergunto enquanto desço do divã. 
 – Você acreditaria se eu te falasse que existem nesse planeta terra, vários seres, seres que os humanos nunca ouviram antes falar? – ele ignora minha pergunta e me faz uma intrigante pergunta. Sento no divã e fico pensativo. 
 – Não sei. – confesso. – Talvez... 
 – E se eu te dissesse que você talvez não seja humano? – pergunta e eu começo a rir. 
 – Eu sou humano. –afirmo. 
 – No mundo temos seres bizarros, alguns feios, de personalidade e aparência, alguns que nunca saem à superfície para os olhos humanos verem. Quer dizer, alguns até saem e chegaram a virar grandes lendas. – sorri. – Outros seres, como eu e você, somos iguais aos humanos, podemos viver entre eles, agir como eles, mas não somos humanos. 
 – Você é louco. – digo. – O que você fez com Doutor Luiz? 
 – Ele está vivo e bem, em casa com a família, provavelmente. – dá de ombros. – Eu quero lhe dar uma oportunidade, Daniel, oportunidade de desenvolver seu poder.
 – Eu não tenho poder. 
 – Você não sabe disso. – ele diz. 
– O seu pai é igual a mim, o poder dele se iguala muito ao meu, aposto você o respeita bem mais do que respeita sua mãe. – ele diz e não posso deixar de ficar desconfiado, eu realmente sempre fiz tudo o que meu pai manda, mesmo sem querer, mesmo sem achar que conseguia, mesmo sem ver. 
 – Ainda assim, isso não prova nada. 
 – O que você perde em vi comigo? 
 – Minha família. – digo após longos segundos pensando. 
 – Eles já sabem que você irá comigo. – ele diz e eu hesito. – Eles querem te proteger, Daniel. Você não e humano, mas é uma mistura de dois seres, dois seres que não devem se misturar. – ele começa a explicar. – Vir comigo é sua melhor chance, seus pais sabem disso, e você deve escolher, eu estou lhe dando a chance de escolher, agarre-se a isso, pois alguns não tiveram. – o que ele diz e a forma com que ele diz me aterrorizam. 
 – Nada disso faz sentido. – falo. – Mas... Seria legal. – pondero. – Ter poder. – me pego rindo ao falar essa palavra. – Eu sou realmente poderoso? – pergunto.
 – Só há uma maneira de descobrir. – ele diz. – Se você vir comigo. – ainda estou desconfiado, toda essa história me parece loucura, mas ele tem um bom ponto e o meu lado garoto sonhador sempre quis que algo assim acontecesse. 
 – Você pode muito bem ser um maníaco querendo me raptar. – digo e ele ri alto. 
 – Um maníaco com poder querendo te raptar... Talvez você devesse aprender a usar seu pode para me derrotar. – ele diz rindo, divertido.
 – Acho que é minha melhor opção. – riu também e entro na brincadeira. – Eu vou. – decido-me. 
– Bem que me falaram que eu iria gostar de você.



Continua

Este é o penúltimo capítulo e nele já se fala um pouco mais sobre o que pode estar acontecendo. No último capítulo mais coisas serão reveladas.
Espero que tenham gostado.


Fernanda: Eita, esse xis parece ser imenso, e muito bom... Aqui onde moro também tem várias coisas boas, e talvez até algumas variações do xis, mas não iguais. Quem sabe um dia vou pro sul e experimento né? Obrigada por comentar. bjsssss

domingo, 5 de março de 2017

8. Kami (Antepenúltimo Capítulo)



Domingo

           Raj segura minha mão, mas isso não me impede de seguir tremula.
           Olho para o alto e ele sorri para mim, acalmando-me.
           – Vai ficar tudo bem. – ele diz.
           – Não sei. – digo.
           – Ele vai gostar de você. – ele garante. – E você vai gostar dele. Vocês serão felizes juntos. – ele insiste.
           – Não sei. – repito ainda mais cabisbaixa.
           Ele percebe minha tristeza, solta minha mão e se abaixa, para ficar a minha altura.       
           Raj é alto, ele tem quase 2 metros, já eu sou baixinha, mesmo já tendo 18 anos, não passei de 1,54. Ao abaixar-se ao meu lado, ele fica bem pouco abaixo de mim.
           – Não fique assim, menina Kami, os seus pais não lhe entregará para uma família qualquer. – ele diz com sua voz doce.
           Raj não e apenas um empregado de nossa família, ele é O empregado.
           Minha família é rica, nossa casa é grande e para manter a ordem mantemos um grande número de empregados. Alguns passaram a vida inteira aqui, outros já foram demitidos ou pediram demissão com menos de uma semana de serviço. Raj está aqui desde que eu sou pequena, ele me viu dar os meus primeiros passos.
           Ele começou como motorista, mas hoje é praticamente o mordomo da casa. Ele é bom, sempre esteve ao meu lado e sempre cuidou de mim. Arrisco-me a dizer que ele é como um pai, ele sempre esteve mais presente em minha vida do que meu pai biológico.
           – Eu não quero ir. – digo. – Eu não quero me casar.
           – Você ainda não sabe. – ele acaricia minha bochecha direita. – Casamento é algo bom.
           – Meus pais simplesmente pegaram o cara mais rico que encontraram. – digo. – É tudo por status.
           – E isso é bom, sua vida vai melhorar.
           – Minha vida já esta boa.
           – Kami, não fique assim, você pode se surpreender.
           – Mas Raj.
           – Olhe. É difícil para seu pretendente também. Faça por ele.
           – Eu não quero. – digo e sei que estou sendo chata, mas não consigo evitar.
           – Então faça por mim. – ele pede.

           Equilibro a bandeja com Chaí, e ando devagar para não deixar cair. Estou nervosa e minha mão treme o que faz que esta tarefa simples se torne complicada.
           Após colocar a bandeja na mesa de centro e servir aos pais do meu pretendente e ao meu pretendente sento-me no centro do sofá, no meio de meu pai e minha mãe.
           – Kami foi educada nas melhores escolas do país, é uma menina prendada e muito educada. – meu pai diz.
           – E muito bonita, pelo que vejo. – quem diz é a mãe do meu pretendente.
           Eu sorrio fraco.
           – A menina tem voz? – ela pergunta.
           Olho para minha mãe e ela não demonstra nada, nem apoio, nem repreensão, olho então para meu pai e ele nem mesmo me olha. Sinto meu coração disparar, devo ser discreta, mas também devo ser educada, falar algo pode me manter no quesito educação, mas me fará sair do quesito: discreta.
           Então o que fazer?
           Nem mesmo sei por que meus olhos se focam neste ponto em particular, mas logo vejo um movimento pequeno num breve vão que tem na porta que separa a sala do corredor que fica o escritório de meu pai, a biblioteca e outros cômodos não muito utilizados e a sala em que estamos.
           É Raj, ele tenta me dizer algo, pressiono os olhos na esperança de vê-lo melhor.
           Ele quer que eu fale.
           Abro minha boca, pronta para dizer algo, mas o que dizer? Fecho-a novamente. Olho para a mulher que poderá ser minha futura sogra, e ela não parece muito feliz com minha demora.
           – Eu falo. – digo baixo, mas audível. Isso é tudo o que tenho para dizer.
           – Já estava apensar que a menina era muda. – quem diz é o pai do meu pretendente, ele ri no fim da frase.
           – Perdão. – digo.
           – Ela é um pouco tímida. – meu pai justifica em meu lugar.
           – Vejo. – a mulher responde. – Isso é algo bom. – ela continua. – Assim ela saberá onde é o seu lugar. – olho pra meus pais e eles não parecem se importar com a frase dela, meu pai parece até mesmo concordar. Porém eu fico com um claro medo.
           – Eu quero falar com ela sozinha. – surpreendo-me com a voz do garoto, é uma voz firme e adulta.
           – Não sei se está é uma boa ideia. – quem diz é meu pai.
           – Meu filho é um menino respeitador. Não fará nenhum mal a sua filha. – o meu possível futuro sogro diz.
           Meu pai hesita, ele é mais ligado às tradições do que minha mãe. É mais por ele do que por ela que agora estou neste casamente arranjado.
           – Por alguns minutos apenas. – meu pai responde sem muito animo. – Vamos a meu escritório.
           Meus pais e os pais do garoto se levantam, mas antes de sair, meu pai se abaixa e diz.
           – Cuidado com esse aí, não criei minha filha para ela ficar mal falada. – dito isso ele sai, levanto todos ao seu escritório.
           Belas palavras, papai.
           Ficamos quase um minuto inteiro calados. Olho para meu pretendente, e seu cabelo é de um preto tão escuro que nem sei com o quê comparar, sua pele é morena e lisa, ele ensaia o crescimento de uma barba, não sei se é porque ainda está rala e falha ou se realmente ele não combina com barba, só sei que estraga toda sua possível beleza. Ele se senta a vontade no sofá, não parece estar nervoso nem mesmo preocupado.
           – O que há de tão importante em você? – ele pergunta curioso. Olho-o sem entender sua pergunta. – Dá para você falar alguma coisa? – ele tem bem menos paciência que sua mãe.
           – Não sei o quê você está falando. – digo.
           – Meus pais parecem bem interessados no meu casamento com você e... Tem aquele cara também.
           Que cara? – penso, mas não pergunto.
           – Não vai me perguntar nada?
           – Não.
           – Então é isso? – ele faz uma careta de desaprovação.
           – Eu não sei aonde você quer chegar. – digo e ele não parece gostar.
           Ele se levanta em um pulo, contorna a mesa de centro, para a minha frente. Olho para ele, mas presto atenção mesmo é em sua mão, não quero que ele me toque.
           Ele ri ao ver que quero me afastar.
           – Eu até pensei em não fazer isso, mas... Eu prefiro uma mulher mais... Mulher, você é uma garota. – eu franzo a testa.
           – Você também é um garoto. – ele fecha uma carranca.
           – Você que decidiu seu destino. – ele quase cospe. Vai até a porta. Creio que ele vai embora. Mas não é. Ele deixa um homem entrar, seu rosto está envolto a panos.
           Levanto-me, quero fugir ou gritar.
           – O que você quer nessa aí, em? – o garoto pergunta. Porém o homem o ignora e segue olhando para mim.
           – Ele te incomoda, Kami? – o homem pergunta. – Ele é irritante, não é?
           – Sim. – eu respondo. Meu pretendente não diz nada, apenas começa andar em direção da janela. Ao chegar nela, ele se senta nela, colocando suas penas para o lado de fora.
           – Não. – me desespero. –Ele vai cair – grito, não gosto dele, mas tampouco quero isso. – Ele vai morrer.
           – Fique tranquila – o homem envolto a panos diz. – Você não vai precisar ver isso. – não consigo ver seu rosto direito, mas sinto como se ele estivesse sorrindo o dizer isso.
           Eu caio ao chão já quase desacordada, quero gritar, mas não consigo.
           Fecho os olhos e não os abro mais.

Continua

Capítulo postado, espero que gostem.
O capitulo não ficou tão pequeno, como eu gostaria, mas o próximo ficará menor e trará muita informação.

Fernanda: Acho que quando a gente mora na cidade a gente não vê muito atrativo mesmo não (a não ser quando é uma cidade praiana, porque aí fica bem claro porque as pessoas vão visitar kkkk). Xis, nunca ouvi falar, é feito de quÊ? Muito obrigada por comentar.

Diana: Fique tranquila, isso do meu nome acontece muito... Eu só comentei lá porque eu achei que tinha feito algo errado, mas tudo já foi resolvido. Muito obrigada ;) 

quinta-feira, 2 de março de 2017

Antes de Ilegais de Fernanda Neves



Olá a todos, pedi ao blogger Criticas de Fanfic fazer a critica da história Antes de Ilegais e aqui está:







Olá!
Aqui está uma nova crítica!

Status do blog:
Nome: Antes de Ilegais
Dona do blogue: Fernanda Neves.
História a ser criticada: Antes de Ilegais.

Nota: A fanfic foi criticada até ao capítulo 7, último capítulo postado pela autora.

Visual/Gadgets e outros...: Não tenho nada a falar.

Sinopse: Não sei se essa sinopse ficou curta demais. Inicialmente, antes de ler os capítulos, achei muito curta até ao capítulo que eu li. E ainda continuo sem ter uma opinião certa, contudo se for para deixar apenas mistério "no ar" ela está muito bem escrita.

Capítulos:  "_ Bala, Megan? De novo?" Não sei se no Brasil não acham isso um erro, mas em Portugal esse sinal é chamado de underscore, muito utilizado ao criar e-mails. Não tem nada a ver com o travessão. Esse erro é para todos os diálogos que ocorrem ao longo dos capítulos. Quanto a outros erros, principalmente ortográficos, não tenho muito a dizer porque dá para entender que tem cuidado.
Postar capítulos muito longos pode ser o "fim do artista". O leitor se cansa facilmente. Aconselho a diminuir o tamanho dos capítulos ou a dividir por partes.
Gosto da forma como descreve a vida dos jovens e da maneira que escreve. Parabéns.
Quanto à história, nada tenho a dizer. Apenas que cativa o leitor. Talvez alguns leitores se sintam confusos, mas diferente de deixarem de ler a história, acho que continuarão a ler para entender onde o final levará.

Dicas:
1- Cuidado com os sinais travessão e underscore.
2- Aconselho a diminuir o tamanho dos capítulos ou a dividir por partes.

A minha nota vai ser a nota máxima porque só teve esse erro do travessão. Apenas aconselho a postar os capítulos com um menor tamanho.

Nota 10.

A fanfic foi aprovada por mim, Rui, e vai ter que colocar a crítica no seu blogue, tal como está escrito nas regras.
Pode copiar tudo o que escrevi e colar num post no seu blog, copiar apenas o link... enfim, o que preferir.
Obrigado por se inscrever no Críticas de Fanfics.

Selo:











Agradeço muitíssimo ao Rui pela crítica, foi de todas, a minha maior nota, o que para mim significa que estou indo no caminho certo.
Sobre os capítulos, prometo tentar diminui-los. E sobre minha confusão entre underscore e travessão, confesso que não sabia, eu sempre escrevi falas assim e nunca me chamaram a atenção, mas agora que me foi informado, vou corrigir. 
Sobre a Sinopse eu realmente quis deixar um mistério no ar, mas também tenho que admitir que nunca fui boa em fazer sinopses, eu sempre peco nessa parte, mas é algo que eu venho tentando melhorar. 
Muito obrigada.
bjsss

domingo, 26 de fevereiro de 2017

7. David



Domingo

           Gosto de sentir o ar fresco em meu rosto. O vento do mar, o pôr do sol...
           _ David, suba mais. – Elliot me chama, para que eu suba mais na formação rochosa da praia. Olho para todos os lados, para garantir que não conheço ninguém que está na praia, pois se contassem para minha mãe que eu subi no topo da rocha, eu teria que escutar muito quando voltasse para casa.
           Subo na rocha e deixo que o vento forte me receba.
           O barulho do mar, a cor do céu, o vento. Estou no paraíso.
           Sento-me no topo da rocha e permito-me deixar levar pela tranquilidade, geralmente não sou tranquilo, mas a natureza sempre me acalmou.
           Elliot começa a pular de um lado para o outro, ele gosta de explorar tudo, gosta de aventura, gosta de provocar os limites da natureza.
           _ Fique quieto. – peço.
           _ Fique aí relaxando, deixe-me divertir. – ele responde.
           Não gosto da resposta, mas deixo quieto, não quero brigar com ele por bobagens, cada um tem sua forma de divertir e relaxar, a minha é apreciar a natureza, a de Elliot é provocando-a.
           Ficamos ali até o sol se por completamente.
           _ Vamos descer cara, daqui a pouco nossas mães vão voltar para casa e se não estivermos lá. – digo e ele assente, concordando.
           Tudo acontece muito rápido. Quando vamos descer Elliot se desequilibra e despenca na areia.
           Vejo sangue, mas não sei dizer se ele apenas raspou as costas na rocha ou se ele bateu a cabeça em alguma pedra. Tento tomar muito cuidado para terminar minha descida e socorre-lo.
           Vejo que ele está acordado, mas parece confuso, perturbado, peço para que ele fique calmo e que se mantenha deitado, e corro para o calçadão em busca de alguém que possa nos ajudar.
           Quando, finalmente, me aproximo da alguém, ele se assusta ao me ver aproximar.
           _ Calma, não vou te roubar. – já digo, não é como se esta fosse a primeira vez que as pessoas acham que sou um delinquente.
           A mulher sorri envergonhada.
           _ Meu amigo caiu das rochas, preciso de ajuda. – digo. _ Você pode chamar a ambulância? – pergunto. Ela volta a me olhar receosa. Suspiro fundo. _ Deixa para lá, vou procurar outra pessoa. – eu entendo seu olhar, ela ainda não confia tirar o celular perto de mim.
           Continuo meio correndo meio andando pelo calçadão, a procura de alguém que pareça mais receptivo.
           Vejo um carro de polícia. Vou até eles e eles já param o carro, alarmados.
           _ Meu amigo caiu das rochas, ele precisa de ajuda. – já saio dizendo.
           Um dos dois policiais olha para mim e diz.
           _ Fique aqui, vou olhar lá. – ele fala.
           _ Eu posso te ajudar a acha-lo. – digo.
           _ Fique aqui! – o policial grita.
           Fico observando-o, para garantir que ele está indo na direção certa.
           O outro policial sai do carro e para do meu lado.
           _ Qual seu nome? – pergunta autoritário.
           _ David. – respondo.
           _ Mora onde?
           _ Na vila. – respondo e ele me olha de cima a baixo.
           Moro na Vila, um lugar não bem quisto na cidade e sei que respondê-lo com a verdade foi um erro. Eu poderia dizer que morava em um bairro chique ou pelo menos um menos perigoso.
           _ E o que você estava fazendo na rocha? – pergunta, agora já suspeitando de mim.
           _ Apreciando o sol. – digo, sabendo que essa resposta não será bem vista por ele.
           _ Apreciando o sol? – pergunta arqueando uma sobrancelha.
           _ É. – confirmo.
           _ Entra aí no carro vai. – ele ordena.
           _ Mas eu não fiz nada.
           _ Entre no carro.
           _ E meu amigo?
           _ Você quer que eu te prenda por desacato, em garoto?
           _ Eu só quero saber se meu amigo está bem!
           O policial se irrita e começa a me pegar a força.
           Eu grito.
           _ Socorro, eu só quero ajudar meu amigo.
           Ele me prensa contra o capô do carro. Tento chuta-lo, mas erro.
           _ Fique quieto garoto.
           Ele tenta pegar sua algema, e com isso desaperta um pouco do aperto. Aproveito e me contorço para me libertar.
           Consigo.
           Saio correndo feito um louco sem rumo. Quero voltar para encontrar Elliot na rocha, mas temo que isso me faça ser preso. Se o policial o encontrar, espero que ele o socorra.
           Desvio-me das pessoas que andam no calçadão e isso se torna mais necessário a medida que o policial começa a gritar para que me parem, alguns se assustam e se afastam de mim, mas outros tentam se colocar na minha frente, para me capturar.
           Tenho sucesso, mas não por tempo suficiente. Trombo em um homem alto e loiro, e ele me segura, olhando-me seriamente. O policial nos alcança.
           _ Muito obrigado, por parar esse delinquente. – o policial diz ofegante assim que se aproxima.
           _ O que ele fez? – o homem pergunta, ainda olhando para mim.
           _ Ele é um moleque.
           _ E o que ele fez?
           _ Não te importa. – o policial se irrita.
           _ Mas se você quer prendê-lo, deve ter um bom motivo. – o homem insiste. Quero aproveitar a discussão para fugir, mas o homem que me defende não me larga.
           _ Você está me desrespeitando? Porque eu posso te levar preso também.
           O homem não diz nada, apenas olha para o policial, que se cala, dá a meia volta e nos deixa.
           _ O que aconteceu? – pergunto.
           _ Ele foi embora. – o homem responde obvio.
           _ Mas por quê? – insisto, ainda sem entender nada.
           _ Porque eu mandei. – o homem responde.  Eu olho para o homem e ele não parece estar brincando.
           _ Isso não faz sentido.
           _ Eu vou te levar para um lugar mais seguro. – o homem me ignora.
           _ Não. – reluto. _ Espera. Eu preciso voltar para meu amigo. – digo.
           _ Já cuidamos de seu amigo. – ele responde.
           _ Como assim?
           _ Menos perguntas, mas cooperação, por favor. – ele pede. _ Vamos logo. – ele me puxa pelo braço, tento lutar contra seu puxe, mas não consigo, ele é mais forte.
           Andamos pouco, ele me coloca dentro de um carro simples e preto, não consigo olhar qual modelo.
           Ele me joga no banco de trás e entra no banco do motorista.
           Tento abrir a porta, quando vejo que ele não me olha.
           _ Está trancado. – ele diz em tom monótono.
           Tento abrir a janela, sou minudo para minha idade e sou magro, coisa de família, posso muito bem passar por ela.
           _ Não vai abrir. – ele responde.
           Fico irritado, ele nem mesmo me olha e já sabe o que eu estou tentando fazer.
           _ O que eu estou fazendo aqui? – pergunto bravo.
           _ Estamos esperando algumas pessoas.
           _ Quem?
           _ Você é sempre curioso assim?
           _ Eu não te conheço. – digo.
           _ Eu não irei te fazer mal. – ele responde.
           _ Não confio em você. – falo.
           _ Eu não preciso que confie. – ele dá de ombros. _ Prometi que iria te proteger e eu irei. – ele fala sem olhar para mim.
           _ Proteger do quê? – pergunto.
           Alguém bate na porta do carro.
           O homem abre a porta do meu lado.
           Apresso-me para abrir e tentar fugir, mas paraliso assim que vejo quem entra no carro.
           É minha mãe.
           Ela entra, obrigando-me a afastar da porta e me abraça.
           _ Mãe, o que está acontecendo?
           _ Fique calmo querido.
           _ Não temos muito tempo, Amadi. – o homem diz a ela.
           _ Quem é esse homem, mãe? – pergunto.
           _ Onde está Frederico? – minha mãe me ignora e pergunta ao homem.
           _ Esta ajudando ao amigo de seu filho. – o homem responde.
           _ Ele sabe? – ela pergunta. _ Sobre mim?
           _ Não. – ele responde.
           _ Isso vai dar certo? – ela pergunta.      
           _ Vamos proteger seu filho, Amadi. Esta foi a nossa promessa e vamos cumpri-la.
           _ Eu quero ajudar. – ela diz.
           _ Não creio que você possa fazer muito. – o homem diz.
           _ Eu sei das minhas limitações, mas ele é meu filho e...
           _ Seu filho vai ficar bem, vai ter o treinamento e proteção que precisa. – o homem a interrompe e garante.
           _ Se algo der errado...
           _ Você já disse o que tinha que dizer. – o homem a interrompe. _ Agradecemos a você e a seu marido pelo interesse em nosso plano e por nos facilitar todo o processo. Agora é com a gente. – ele diz.
           _ Posso despedir-me? – ela pergunta.
           _ Não é uma despedida.
           _ Não sabemos por quanto tempo vou ficar longe dele. – ela diz e o homem não a contesta. Ela volta a olhar para mim.
           _ Mãe, o que está acontecendo? – pergunto.
           _ Filho, você vai para um lugar, um lugar distante. Mas você não vai estar sozinho, vão ter muitos como você...
           _ Como assim, como eu? – pergunto interrompendo-a.
           _ Você é um menino especial, muito especial. – ela começa. _ Você tem algo dentro de vocês, escondido, que o faz muito poderoso.
           _ Como assim?
           _ Eu não posso te explicar agora. – ela diz. _ Não tenho tempo, mas você aprenderá em breve o que isso significa.
           _ Porque você não vai comigo? – pergunto.
           _ Eu não posso. – ela diz. _ Mas eu prometo estar por perto, indiretamente.
           _ Ele não pode se lembrar dessa parte. – o homem que está sentado no banco do motorista a interrompe.
           Minha mãe suspira.
           _ Apague tudo. – ela diz.
           _ Como assim? – ele pergunta.
           _ Não quero que ele se lembre de nada.
           _ Porque não? – o homem se vira para trás, e assim pode nos ver melhor do quê apenas olhando pelo retrovisor.
           _ É o melhor para ele.
           _ Não sei se concordo.
           _ Se você realmente tem quem pode fazer isso, se você realmente vai fazer meu filho se esquecer do que está acontecendo agora, eu quero que apague tudo. – ela diz dura.
           _ Eu não concordo, mas, farei o que você manda. Agora vá embora. Frederico está voltando. – o homem responde.
           _ Obrigada, Dalton. – minha mãe diz e depois olha para mim. _ Você será grande, meu filho. E eu te amo.

Continua

Capítulo postado como prometido, eu espero que tenham gostado,
Bom carnaval para todos.

           

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

6. Vivian



Domingo

           O sabor doce do sorvete de baunilha em minha boca me agrada, principalmente quando conciliada com o calor do fim de verão, que mesmo eu estando no ar livre da pracinha do bairro, debaixo da proteção da sombra de duas grandes árvores centenárias, não cessa.
           Minha mãe se senta a meu lado e logo alguns olhares se dirigem para nós. Os olhares incomodam, mas é algo que eu aprendi a ignorar já faz um tempo.
           Hoje a praça está cheia, é final de semana em uma cidade pequena que o cinema só passa dois filmes e demora meses para trazer novas opções, parques de diversões ou circos são apenas temporários, ficam na cidade geralmente no inicio do verão, quando as férias começam, e como agora já estamos no final dessa estação e com as aulas prestes a voltar, não há mais nenhum atração. O único clube tem apenas uma piscina, que não é lá muito grande, é bem caro e ainda assim, deve estar lotado numa hora dessas. Então, o que nos resta é nos empilharmos nas pracinhas que estão espalhadas por toda a pequena cidade.
           _ Admita você vai sentir falta daqui. – minha mãe diz. Olho em volta, para os olhares que ainda recaem sobre nós.
           _ Não, não vou sentir não. – digo. Minha mãe sorri fraco, ela sabe o porquê de eu agir assim.
           _ As pessoas podem ser um pouco desconfiadas, mas tudo aqui é calmo, tem segurança, você vai sentir falta disso. – ela insiste.
           _ Talvez. – digo apenas para não decepciona-la. Minha mãe sempre quis que eu gostasse daqui, mas eu nunca consegui.
           Não nasci aqui, eu nasci na cidade grande, morei em um apartamento na minha infância. Eu morava perto da praia, só em minha escola tinha mais alunos do que toda a população da cidade que vivo hoje. Sim, era perigoso e os carros pareciam nunca parar de passar na avenida em que se localizava o prédio em que eu vivia, mas eu nunca achei isso ruim.
           Quando eu completei 12 anos minha mãe surtou, um dia ela estava totalmente feliz e satisfeita, no outro dia ela resolveu que queria se mudar, e quando ela disse se mudar, não foi de um bairro para outro, ela mudou de estado, de região.
            Eu viva no sul, agora vivo no nordeste. Eu vivia num apartamento numa cidade grande, e agora vivo numa casa no interior. Antes eu tinha amigos, dos quais eu via todos os dias na escola, hoje eu recebo olhares incômodos, escuto piadinhas de mau gosto e recebo apelidos ofensivos, os únicos amigos que tenho são virtuais.
           _ Às vezes eu sinto que você parou de gostar de mim no minuto que mudei com você para cá. – ela confessa, olho para ela e me sinto mal, eu a fiz pensar isso?
           _ Mãe, eu te amo! – digo. _ E é por te amar que odeio tanto a este lugar.
           _Os que nos olham desta maneira, são os mesmo que vão se consultar comigo. – ela me explica pelo que creio ser a milésima vez.
           _ Então só porque um dia eles precisaram de você, eles têm o direito de lhe difamar pela cidade.
           _ Vivian...
           _ Mãe, não, eles te chamam de louca, de charlatã, de aproveitadora, te chamam até mesmo de demônio.
           _ E eu aceito, faz parte do que eu sou. – ela diz.
           _ Então por ser sua filha eu devo aceitar os insultos também? Eu já escutei que meu cabelo é ruivo porque você é ligada ao inferno. – digo. _ Essas pessoas são umas idiotas, esta cidade é lotada de idiotas.
           _ Vivian... – ela me repreende com mais força agora. _ Esta é uma cidade pequena, supersticiosa, religiosa, eu falo eu com espíritos, é claro que vai ser difícil para a maioria deles...
           _ Então porque para cá? – pergunto por fim. _ Com tantas outras cidades, por que logo para cá?
           _ Foi para o seu bem. – ela responde.
           Sinto os pingos de sorvete melar minha mão, fiquei tão distraída discutindo com minha mãe, que me esqueci de toma-lo.
           _ Eu não quero brigar com você hoje. – minha mãe diz no meio de um suspiro. _ É seu último dia aqui, amanhã você vai voltar para cidade grade, para longe de tudo isso. – ela tentar dizer animada, mas posso sentir a tristeza em sua voz.
           Minha mãe não queria que eu fosse estudar tão longe, ela nunca escondeu que queria que eu estudasse na faculdade que fica há apenas 30 minutos daqui, mas eu escolhi ir para uma que fica a quatro horas.
           _ Eu não estou te abandonando, mãe. – digo. _ Eu queria que você viesse comigo.
           _ Minha vida agora é aqui. Estas pessoas precisam de mim.
           _ Ainda assim, eu espero um dia poder te encontrar lá. – insisto.
           _ E um dia eu espero que você queira voltar. – ela insiste.
           Minha mãe é médium, desde bem jovem ela consegue se comunicar com os espíritos.
           Quando morávamos na cidade ela fazia algumas consultas gratuitamente, algumas pessoas, agradecidas doavam coisas como: comida, roupa, e até mesmo pequenas quantias de dinheiro, isso mesmo sem que minha mãe o pedisse. O que minha mãe tem é um dom divino e o dom divino não pode ser cobrado.
           Minha mãe trabalhava em uma creche durante a manhã e dedicava o resto do seu dia a ajudar a espíritos se comunicarem com seus parentes vivos. Eu sempre me orgulhei dela, sempre a vi como um exemplo de bondade, mas quando nos mudamos para cá, parte desta minha admiração caiu ao chão.
           Como minha mãe sempre gosta de me lembrar, as pessoas aqui são muito religiosas e isso faz com que o dom de minha mãe não seja bem recebido por uma boa parte da população. Alguns acham que o que ela faz é coisa do demônio, que ela é louca, que ela é uma farsante. Não vejo necessidade de ela passar por isso, voltar para cidade grande seria bem melhor para ela, seria melhor para nós duas.
           _ Quer algodão-doce? – ela pergunta, após passarmos alguns segundos em silêncio. Minha mãe já terminou seu sorvete, eu cheguei à metade do meu apenas agora.
           _ Este é o seu plano? Entupir-me de doces? – pergunto rindo.
           _ Esta é a despedida que posso dar a você, muito doce e a sombra ineficiente de uma árvore. – ela sorri torto.
           _ Eu gosto desta despedida. – digo. _ Simples, calorenta, mas deliciosa. – ela sorri grande.
           Minha mãe se levanta e vai até a barraquinha de algodão-doce. Espero-a sentada no mesmo lugar.
           Agradeço mentalmente pela leve brisa que começa soprar. Não é o suficiente para acabar com o calor, mas refresca e isso já é algo.
           Um homem se senta ao meu lado, onde minha mãe estava. Ele é loiro, seus olhos claros, ele tem aparência de um homem de 40 anos é bonito e não me lembro de tê-lo visto por aqui antes, o que é incomum.
Esta não é uma cidade turística e praticamente todo mundo conhece todo mundo. Novas faces são raras por aqui, já vivo aqui por sete anos e apenas mais uma família se mudou para cá neste meio tempo.
           _ Minha mãe estava sentada ai. – digo.
           Ele me olha nos olhos e sorri.
           _ Me desculpe. – ele diz. _ Eu não sabia. – ele fala, mas não dá licença. _ Sou novo aqui. – diz.
           _ Percebi. – falo não demonstrando muita educação, afinal de contas, eu queria que ele saísse do lugar de minha mãe e não entrar em uma conversa.
           _ Cidade pequena, não é? – ele ri.
           _ Até demais. – digo.
           Minha mãe volta, com dois algodões-doces em sua mão. Ela para na frente do homem que ocupa seu lugar e creio que ela irá pedir que ele saísse, mas assim que ela o vê, percebo que há algo de errado. 
           _ Vivian, corra! – ela ordena.
           Quero perguntar o porquê, mas não ouso, levanto-me, pronta para correr.
           _ Não corra Vivian, sente-se, fique aqui. – o homem diz.
           Eu não quero, mas sento-me no mesmo lugar que eu estava.
           _ Isso é golpe baixo, Dalton. – minha mãe diz.
           _ Golpe baixo é você arrastar sua filha para essa cidade. – ele diz com certo desdém. _ Isso tudo para quê? Para escondê-la de mim? – pergunta.
           _ Eu não vou permitir que você ou Bartolomeu coloquem as mãos em um fio do cabelo de minha filha. – minha mãe diz raivosa.
           _ Eu sei que o que te falaram gera preocupação, mas eu te garanto, queremos apenas proteger sua filha.
           _ Por isso você trouxe outro com você? – ela pergunta desconfiada.
           _ Espíritos... – o homem sorri. _ Sempre fofoqueiros.
           _ Eu já disse que não quero vocês perto dela.
           _ E eu já disse que você não deve nos temer.
           _ Eu não os temo. E por isso lhe digo na sua cara: Você não a levará!
           _ Você sabe que não há como fugir. Principalmente agora, ou você acha que se escapar, a sua filha não vai ficar cheia de perguntas para saber do quê se trata a nossa conversa?
           _ Eu sei como lidar com isso. – minha mãe diz bruta.
           _ Espero que isso não envolva o poder de certo Grego, pai dos gêmeos. – o homem diz.
           _ O que você fez com ele? – minha mãe pergunta alarmada.
           _ Nada. – o homem não hesita em responder. _ O destino tomou conta dele. E os gêmeos agora estão comigo. Sua filha daria muito bem com eles.
           _ Não ouse.
           _ Pergunte seus espíritos. Eles sabem quais são nossas intensões.
           _ Eu não quero saber de suas intensões, eu não vou aceitar nada disso.
           _ Você um dia já aceitou caso não se lembre.
           _ Não eu não aceito mais.
           _ Não há volta.
           _ Há volta se eu quiser. – minha mãe contesta. _ Filha. – ela olha para mim. _ Você pode lutar contra isso. Queira levantar, você pode levantar. – ela insiste. Não entendo o que ela diz, a primeiro momento, mas assim que tento levantar-me, percebo que não consigo.
           _ Você realmente quer que ela, uma ilegal não evocada, nem mesmo treinada, aprenda em 5 segundos o que nós, Puros, levamos anos para aprender?
           _ Cale a boca, Dalton. – minha mãe grita, percebo que ninguém parece perceber o que está acontecendo aqui e isso me irrita, logo agora eles decidiram que não existimos?
           _ Pena que seu poder não pode fazer isso, não é? Mas eu posso. Pare de lutar. – minha mãe para de tentar me fazer levantar.
           _ Minha filha pode não ter aprendido a resistir a seu poder, mas eu aprendi Dalton, e eu já disse: você não tocará em nenhum fio do cabelo dela.
           Minha mãe larga os dois algodões-doces no chão, pega sua bolsa e começa a bater no homem.
           _ Pare de controlar minha filha! Pare de controlar minha filha. – ela grita enquanto bate no homem sem dó. Ele não revida, apenas tenta se defender.
           _ Pare com isso, não vai adiantar. – ele diz com dificuldade.
           _ Pare de controlar minha filha! – minha mãe continua a repetir.
           Sinto que consigo levantar e o faço.
           Minha mãe vê, mas não para de bater no homem.
           _ Vá para o carro, filha, corre! – diz. Deixo-a batendo no homem e corro até nosso carro.
           O carro está estacionado perto. De onde estou ainda posso ver minha mãe dando bolsadas no homem.
           Percebo que o plano de minha mãe é falho assim que chego ao carro e ele está trancado.
           Minha mãe, talvez por se lembrar disso ou talvez porque algum espirito tenha informando-a, para de bater no homem e corre até a mim, vejo que o homem não tem pressa de se levantar, para também correr atrás de nós, e a sua falta de pressa dá a minha mãe uma boa dianteira.
           _ Vão fugir novamente? – pergunta um homem, de cabelo preto, encostado no capo de um carro estacionado atrás do carro de minha mãe. Fico assustada. _ Vivian não é? – ele pergunta e eu não respondo. _ Vou dar uns dois minutos para vocês, eu gosto de uma aventura. – ele ri.
           _ Quem são vocês? – pergunto.
           _ Vivian, entre no carro. – minha mãe grita, assim que chega, destrancando o carro.
           Fico sem minha resposta.
           Minha mãe sai cantando pneu. Quase caio encima dela quando ela faz uma curva para a direita.
           _ Coloque o cinto. – ela diz, um pouco tarde demais. Eu ponho, ela continua sem.
           _ O que está acontecendo, mãe? – pergunto. _ Quem são eles?
           _ Agora não Vivian, agora não. – ela responde sem muita paciência.
           _ Mãe... – quero insistir, mas ela me interrompe.
           _ Estão atrás de nós. – ela acelera mais ainda e começa a cortar e ultrapassar os poucos carros que estão a nossa frente.
           Olho para o retrovisor e posso ver o carro em que o homem de cabelo preto estava escorado, nos seguindo.
           Minha mãe acelera e vira a direita, quase colide com outro carro, pois ela estava com a velocidade tão alta que na hora da curva entrou na contra mão.
           O outro carro também tem dificuldades para fazer a curva, mas vira sem causar nenhum acidente.
           Minha mãe continua acelerando sem pensar nos riscos.
           Vejo que o desespero tomou conta de minha mãe, quando percebo que o caminho que ela está tomando, nos leva a rodovia. Estamos indo para fora da cidade.
           Minha mãe vira à esquerda e na curva acaba invadindo a calçada, por sorte não havia ninguém andando por ali naquele momento, mas por poucos segundos ela não atinge uma idosa. Minha mãe consegue voltar o carro para o asfalto e volta a acelerar. Agora estamos na avenida que interliga a parte norte da cidade a rodovia interestadual, foi esta avenida a primeira coisa que vi desta cidade, quando nos mudamos para cá e nada tinha mudado desde então.
           As pistas não são largas e há apenas duas pistas para cada direção. Como hoje é domingo, as ruas não estão muito movimentadas, pois a maior parte do comercio não abre.
           Minha mãe tem caminho livre para acelerar até o limite do nosso carro. Porém o carro que nos segue também vem veloz.
           O carro em que os homens estão consegue se equiparar com o nosso, nesse exato momento minha mãe começa a desacelerar o carro e usa uma das suas mãos para abrir a janela do carro.
           _Sai de minha cabeça, Dalton! – minha mãe berra e volta a acelerar o carro, mas não sem antes jogar o carro contra ao dos homens, que para evitar um acidente acabam invadindo a contra mão.
           Eles não desistem. Voltam para a pista correta e voltam a equiparar os carros.
           Não sei de onde essa parede surge, é como uma miragem, mas ela está lá, no meio da pista.
           _ Mãe, freie, freie! – começo a gritar desesperada. _ Vamos morrer.
           _ Não creia nos seus olhos, Vivian, não creia! – ela responde também aos berros.
           Parece imaginação. Tenho que me beliscar para comprovar que não estou sonhado. 
           O carro passa pelo muro como se este nunca estivesse estado lá. Como se o muro que eu vi não existisse.
           _ Pare o carro ou o próximo irá ser bem sólido. – grita o homem louro que creio se chamar Dalton, de dentro do outro carro.
           _ Eu já disse que não. – minha mãe bate o pé.
           _ Você que escolheu.
           Não sei como isso é possível, mas além de controlar corpos, aqueles homens, ou pelo menos um deles, consegue nos fazer visualizar o muro no meio da pista outra vez. O muro ainda está longe, mas com a nossa velocidade provavelmente chegaremos até a ele em menos de um minuto.
           Quero acreditar que vai ser igual ao outro, mas a ameaça daquele homem louro me faz temer pelo pior.
           _ Última chance. – ele diz e como resposta minha mãe pisa mais fundo no acelerador, o carro não acelera mais, pois já chegou ao seu limite, mas o ronco do motor aumenta tanto que acho até mesmo que irá explodir.
           Os dois homens desaceleram o carro, ficando para trás e talvez isso tenha influenciado um pouco minha mãe, pois pela primeira vez ela começa a querer pisar no freio, mas já é tarde demais.
           Batemos no muro em cheio.
           O carro levanta, quase capotando, mas o muro, ainda no meio da pista, nos impede de capotar.
           Sinto a pressão do capô que afundou para dentro, em minhas pernas, olho para baixo e sinto uma fisgada em minha costa. Não vejo nenhuma ferida, nem sangue em minhas pernas, mas tampouco consigo vê-las por inteiro, pois as ferragens do carro me impedem. Olho para o lá de minha mãe está para fora do para-brisa, há muito sangue.
           Começo a chorar compulsivamente. Não quero perder minha mãe.
           A parede some e os dois homens aparecem, o de cabelo preto vai para o lado de minha mãe e o louro vem para o meu lado.
           _ A menina está bem? – o homem de cabelo preto pergunta. O homem loiro me olha e eu olho para ele, não consigo enxerga-lo direito, pois meus olhos estão inundados pelo meu choro.
           _ Sim, ela está bem. – ele diz. _ E a mãe? – o loiro pergunta.
           _ Ela é uma de nós. – o de cabelo preto responde. _ Vai sobreviver.

Continua

Oi, peço perdão pelo atraso na postagem, tive problemas com o sinal da Net e só hoje consegui restabelecê-lo.
Eu gostei muito de escrever esse capítulo, então eu espero que vocês gostem dele.
O cronograma continuará o mesmo, então, domingo teremos capítulo novo.
Bjssss

Fernanda: Nossa, te entendo, voltei para os estudos agora e está tudo bem apertado para mim também, mas fico MUITO feliz de saber que você, mesmo atarefada, tira um tempinho para a minha história.

           Que legal gente, uma gaúcha no meu blogger (Emojis de coração kkk)... Sempre quis conhecer o Sul, dizem que parece ser até outro mundo kkkk. Muito obrigada por comentar. Bjsss