Mostrando postagens com marcador Amor em Guerra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amor em Guerra. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de maio de 2013

36º CAPITULO “Por toda a eternidade” (EPÍLOGO) – AMOR EM GUERRA


Eu não sei bem o que ele quis dizer com isso, eu ainda estava bem confuso, mas pelo menos eu estou vivo.

Os berros da criança novamente ecoavam pelo apartamento. Já se passava das duas da manhã e a pequena fazia seu escarcéu de sempre.
_ Eu vou. – avisou Joe, fazendo menção de se levantar da cama.
_ De jeito nenhum. – disse Demi, se adiantando e levantando-se da cama com um pulo. _ Você ainda precisa descansar. – falou ela.
_ Você fala como se eu fosse um doente invalido. – falou Joe, ignorando os dizeres da amada e se levantando também.
_ Pode não ser um doente invalido, mas ainda esta em processo de recuperação. – falou Demi.
_ O que não me impede de ajudar você a cuidar da nossa pequena. – falou Joe, abraçando Demi por trás e depositando um beijo em sua nuca. A paixão era tanta que se permitiram a este momento de carinho, ignorando um pouco os berros vindos do quarto ao lado.
No final ambos foram cuidar da menina.
Sem duvidas os dois eram ótimos pais, ambos possuíam uma paciência de Jó. Demi sempre sabia o que a menina precisava, no seu tempo certo, era como se ela soubesse identificar o que tem atrás de cada choro ou som qualquer, já Joe tinha o dom de acalmar a criança, um minuto no colo do pai era o suficiente para que ela começasse a dormir feito um anjo.
Quem via aqueles três juntos jamais acreditariam que há cinco meses eles estavam em um hospital prontos para dizerem adeus.
Demi estava bem, feliz, sempre sorrindo, com um brilho intenso no olhar, e Joe quase não tinha sequelas do coma.
Ele ainda fazia algumas terapias, para poder recuperar todos os seus movimentos, pois o tempo parado lhe prejudicou um pouco, mas Joe era esperto e esforçado, seus movimentos já estavam iguais ao que era antes, sua única deficiência era uma dificuldade em firmar por muito tempo com a perna direita. Nada que o prejudicasse muito, principalmente agora, que ele não estava mais em guerra.
E a pequena menina, Vitória, que agora esta quase completando quatro meses, nasceu saudável, se desenvolvia normalmente e sem duvida era muito amada.
O seu nome foi escolhido após uma grande discussão em família, logo após Joe ter recebido alta, que foi há exatos dois dias antes do nascimento da filha. Depois de tudo o que eles tinham passado, as boas novas eram como vitorias, vitória das batalhas que eles travaram contra a morte e a desesperança. Outro motivo da escolha do nome foi a força daquela criança, por várias vezes ela se mostrou ser forte, sobrevivendo e nascendo saudável, mesmo tido grandes chances de nem se quer nascer. Ela é uma pequena vitoriosa.

As coisas haviam mudado muito. Denise e Paul voltaram a se entender e estavam morando juntos novamente, Eddie continuava tão coruja quando sempre foi, apesar de ter ficado bem pior agora com a chegada da netinha, todos os dias ia ao apartamento de Demi e sempre trazia algum presentinho, roupinhas, brinquedinhos, acessórios... Apesar de que Denise e Paul faziam a mesma coisa, no quarto da bebê não havia mais espaços para ursos. Logan começou a namorar serio a uma menina muito boa, Marisa, que logo foi aprovada por todos da família. Miley seguia na mesma, estava encantada com a afilhada e sempre estava a visitando, toda boba tira foto de cada segundo que passa junto a menina e sempre manda algumas para Liam, que continua no exército.
Falando em exército, é claro que após todos estes acontecimentos Joe não poderia voltar para a guerra, já que suas condições físicas foram reduzidas. Porém, nunca foi escondido de ninguém o amor que Joe tem pelo exercito, mesmo depois de tudo que aconteceu ele ainda tinha o desejo de continuar. Uma solução foi encontrada, assim que Joe parasse com os tratamentos ele seria o treinador dos que ingressassem ao exercito, assim ele poderia ficar na base, que fica em Fort Bragg, não seria necessário se afastar da família e ainda não correria mais tantos riscos.
No fim todos os lados saíram ganhando.

Com os dois acalmando a bebê, logo ela voltou a dormir. Joe e Demi voltaram para o quarto e se deitaram de frente um para o outro.
_ Já te disse que você é a mulher mais maravilhosa do mundo? – perguntou Joe, fitando Demi com intensidade e acarinhando seu cabelo com uma das mãos.
_ Já te disse que você é o meu herói? – perguntou Demi, depois de dar um sorriso lindo com a declaração de Joe.
_ Várias vezes. – respondeu ele. _ Pena que eu não me lembro. – completou.
Depois que Joe acordou, Denise, Demi e Paul tentaram lhe contar sobre seus toques e feitos. Porém Joe não se lembrava de nada, para Joe, ele tinha apenas dormido. Foi bem difícil convencê-lo de que ele esteve em coma por meses, convencê-lo que durante o coma ele os tocou e inclusive salvou a vida de Demi parecia impossível no começo, com o tempo ele foi se permitindo acreditar naquela historia, mas nunca conseguiu lembrar, apesar de muitas vezes falar de coisas que aconteceram durante o seu tempo de coma e que, claramente, ele não poderia ter presenciado; outro indicio é o fato dele ter tido a impressão de que conhecia doutor Ian e doutor Lucas, mesmo que eles nunca tenham se visto, não antes da entrado de Joe no hospital, já desacordado.
Falando em Lucas, desta vez ele teve que se curvar diante a Ian, pois enquanto ele abandonou o barco e falou garantiu que nada que fosse feito salvaria a vida de Joe, Ian acreditou até o último minuto. Ian poderia ser mais jovem e bem menos experiente, mas desta vez, ele foi o herói.

_ Ainda que você não lembre, aconteceu. – disse ela, se aproximando mais ainda de Joe e lhe dando um selinho. _ Eu te amo, meu herói. – os dois riram. Ambos estavam tão feliz, tanto Demi quanto Joe aprendeu a dar mais valor a vida e a família após o acontecido, qualquer coisa, qualquer momento era motivo de rir e de comemorar, os momentos em que normalmente trariam brigas ferrenhas, eram superadas com facilidade. Eles tinham aprendido a viver bem e a serem felizes.
_ Eu te amo mais que tudo, minha linda. – falou Joe, dando um bocejo logo após. Demi riu.
_ Você esta morrendo de sono, não é? – perguntou Demi em meio a suas gargalhadas.
_ Estou. – respondeu.
_ Vem cá. – disse Demi. Joe se virou e se aconchegou nos braços de Demi. Em menos de dois minutos ele já caíra no sono novamente.

DEMI

Eu ainda me lembro muito bem do daquele dia. Eu já não conseguia mais chorar, minha boca estava seca e eu já tinha desistido de tudo, inclusive de viver. Eu já estava cansada de ficar esperando.
Foi aí que eu vi um dos enfermeiros saindo do quarto vindo em direção a nós. Meu coração gelou, eu já sabia o que ele ira dizer, bom... Eu achava que sabia.

Denise, que estava sentada junto a Paul, se levantou instantaneamente, os poucos que ficaram junto a nós no hospital logo se juntaram perto do enfermeiro. Eu tive uma pequena luta comigo mesmo. Eu queria levantar e escutar o que ele tinha para dizer, mas será mesmo que eu estava preparada para ouvir? Levantei-me apoiando-me em meu pai e em Miley, eles me abraçaram, um de cada lado, eu nunca me senti tão fraca, eu já tinha perdido meu chão...

No primeiro momento eu achei que tinha escutado errado. Mas logo escutei uma comemoração por parte de todos, os soldados gritavam como loucos, como se tivessem ganhado uma guerra, o enfermeiro tentava desesperadamente acalmar a todos, pois se tratava de um hospital, silêncio era exigido. Sua tentativa foi inútil. Joe tinha acordado! Ele estava vivo! Não tinha como ficar quieta, não tinha como acalmar, o meu marido tinha saído do coma!
Senti meu coração explodindo de alegria, eu não sabia como reagir, toda minha energia tinha voltado ao meu corpo, toda a alegria tinha voltado a minha vida.
No desespero saí correndo em direção do quarto de Joe, fui impedida a primeiro momento, mas ninguém foi capaz de me parar, ninguém seria capaz de me impedir de ver o Joe.
Entrei no quarto e o vi lá, Ian e outro enfermeiro faziam algumas coisas, tiravam alguns aparelhos, que agora, não precisavam mais ser utilizados.
 Se por acaso tinha uma mulher feliz naquele momento, neste mundo, esta era eu.
Assim que Ian percebeu minha presença, me deu um sorriso largo, “Conseguimos! Ele está vivo!” – eu pude ler em seus olhos. Aproximei-me mais da cama e logo pude ver Joe, acordado se mexendo.
_ Demi. – chamou-me ele.
Eu nem posso medir o quanto eu sentia falta da sua voz, e seus olhos, que estavam, com dificuldade, fixos aos meus, há quanto tempo eu não os via abertos, olhando os meus. Eu sentia falta de tudo em Joe, não havia nada nele que meu corpo não estivesse implorando para tocar e sentir.
_ Eu não deveria esta fazendo isso agora. – disse Ian. _ Mas eu vou lhe deixar ficar um pouco com ele a sós, qualquer coisa me chama viu?
_ Claro doutor. – respondi, sem tirar os olhos de Joe. Ian já ia saindo quando lhe chamei a atenção. _ Doutor Ian?
_ Sim. – respondeu.
_ Muito obrigada. – falei entre o choro. Desta vez o choro não era de tristeza, mas sim de emoção e felicidade, prova disso era o grande sorriso que estava estampado em meu rosto _ Muito obrigada por salvar meu marido.
_ Eu que lhe agradeço por ter confiado em mim. – disse Ian e depois saiu do quarto, junto com o enfermeiro que estava junto com ele.

_ Demi, o que esta acontecendo?  - perguntou Joe. Eu me aproximei mais dele e lhe segurei a mão fortemente_ Porque eu estou aqui? O que aconteceu comigo? – Joe estava confuso, não entendia nada, algo muito grave tinha acontecido a ele, mas ele não sabia o quê. Eu estava tão anestesiada com tudo que custei para começar a dizer algo.

No começo acho que ele pensou que eu estava louca, a cara que ele fez quando eu terminei de falar chegou a ser cômica. De pouco me importava se ele tinha me achado louca ou não, o que me importava era que ele estava ao meu lado. Assim como agora, em que ele dorme aos meus braços.
Não há sensação melhor que esta.

(...)

--

Aquele dia não era qualquer dia, hoje era aniversario de Eddie e por isso todos iriam para sua casa para um grande almoço. Assim que acordaram Demi e Joe começaram a se aprontar e também aprontaram a pequena Vitoria, ela já tinha três meses, mas era tão pequenina, Joe nas primeiras vezes ficara com medo de pega-la e acabar machucando-a, ele era um soldado, estava acostumado a não ser muito delicado. Aquela coisinha tão pequena e indefesa em seus braços era motivo de satisfação e pavor. Com o tempo ele foi se acostumando e aprendeu a ser delicado e um excelente pai.
Enquanto Demi tomava seu banho, Joe ninava a pequena com carinho, enquanto cantarolava canções de ninar.

JOE

Eu ainda custo para acreditar em tudo que aconteceu. Há poucos meses atrás eu estava em um hospital entre a vida e a morte, podendo perder o prazer de agora estar aqui, junto a minha filha e a minha mulher.
Demi, sem duvidas, é a melhor mãe do mundo, super dedicada e paciente, eu não consigo fazer metade do que ela faz. E minha pequena Vitoria definitivamente é a bebê mais linda que eu já vi na vida, ela ainda é bem pequena, mas eu sei que vou ter bastante trabalho quando ela for jovem e aparecer um monte de rapaz querendo namora-la. Por sorte ela saiu mais parecida com a mãe do que a mim, a boquinha, o formato do rosto, o narizinho, a risada então... Escandalosa igual a da mãe. O que ela mais puxou de mim foi o olho, Demi sempre diz para mim que o olhar de Vitoria é igual o meu e realmente é. No gênio até agora parece que saiu mais a mãe, é mais quieta, apesar de chorar, pelo menos uma vez, durante a noite. Um anjinho.

_ Já estou pronta. – disse Demi, saindo do banheiro, com um vestidinho florido, de verão, para combinar com o clima quente que estava fazendo hoje.
_ Vou ter que ficar de olhos bem abertos para que ninguém ouse a mexer com você. – falei. _ Você está bonita demais. – Demi riu tímida e se aproximou de mim.
_ Ficar bonita para dar jus ao marido gato que eu tenho. – falou ela dando-me um selinho, com cuidado, já que eu estava com Vitoria nos braços.
_ Você linda de qualquer jeito. – falei.
_ Isso porque você não me viu gravida. – falou.
_ Eu vi sim.
_ Não, nos meus piores dias. – falou rindo.
_ Aposto que estava linda. – falei. Ela riu e mostrou-me a língua, ela ficava tão fofa fazendo isso.

--

Demi e Joe foram um dos primeiros a chegarem, para felicidade de Eddie, que poderia dar mais atenção à netinha.
Aos poucos todos foram chegando. As festa que Eddie dava sempre foram cheias, ele era conhecido e querido na comunidade, todos sabiam o que ele e sua família tinha passado e por isso fizeram deste almoço o melhor de todos, sem baixo astral, hoje era dia de comemoração dobrada.

(...)

_ Que foi? – perguntou Demi, após perceber que Joe a olhava insistentemente. Vitoria estava com Denise e Demi e Joe estavam no jardim da casa de Eddie, em silencio, apenas olhando as outras pessoas se divertirem, o sol já estavam quase se ponto e o clima estava bem mais ameno.
 _ Eu não acredito que pus minha vida em risco, podendo deixar-lhe para trás. – falou Joe. Demi já tinha escutado aquele lamento por várias vezes e sempre tentava consola-lo.
_ Nem eu. – disse Demi risonha, Joe se assustou com a resposta, estava esperando por outra reação. Demi riu da cara do marido.
_ Então é assim? Você está muito brincalhona hoje. – disse Joe divertido.
_ Você devia parar de se culpar tanto. – falou Demi, ficando mais quieta. _ Meu amor, a culpa não foi sua. – disse Demi, dando-lhe um beijo apaixonado logo em seguida. Após a recuperação de Joe tudo era mais intenso, os toques pareciam melhores, os beijos, tudo, pois eles aprenderam a se sentirem melhor, aprenderam a realmente aproveitar um ao outro.
_ Sabe, eu prometi amar-te até que a morte nos separe. – começou Joe a dizer. _ Mas hoje, eu lhe faço a promessa de amar-te pela eternidade. – concluiu. Demi não poderia estar mais feliz.
_ E eu prometo lhe amar além da eternidade. – disse Demi.
_ Eu mais além da eternidade. – disse Joe, entrando na brincadeira.
_ Eu amarei-te além da eternidade e mais um monte de eternidades. – disse rindo, mesmo sabendo que isso não fazia muito sentido.
_ Eu te amarei infinitamente mais do que você é capaz de me amar. – disse Joe, dando-lhe outro beijo.
E assim continuaria. Agora eles tinham uma promessa e conexão mais forte ainda, e estavam dispostos a mantê-la e cumpri-la. Demi e Joe ganharam uma oportunidade de viverem felizes novamente por muito tempo e aproveitariam o máximo possível. Nada é perfeito, ainda enfrentarão alguns probleminhas no futuro, porém eles saberão enfrentar isso sem muita turbulência.

Essa história pode ter parado de ser escrita por aqui, porém ela continua, e continuará por muito tempo, até que os cabelos brancos de Demi e Joe já estejam dominando suas cabeças, até que venham os netos. Até que não haja mais nada.
Pois eles se amarão por toda a eternidade.


Agora sim acabou L Bom... Espero que tenham gostado do final.
Quero muito agradecer a todos vocês, cada comentário, cada avaliação, cada visualização da página foram muito importantes para mim, queria muito agradecer a vocês pelo apoio, sem duvidas, se hoje eu consegui terminar mais uma fic é totalmente por causa de vocês, que me incentivaram e acreditaram no meu potencial e tiveram paciência comigo. Espero poder continuar tento o apoio de vocês na minha próxima fic (a qual eu vou passar mais informações em um próximo post).
Mais uma vez obrigada por tudo.
Bjss.


Natalia_Lovato: Fico muito feliz em saber que você gostou tanto da fic. Ela acabou, mas espero que a próxima te agrade tanto quanto esta. Muito obrigada por comentar. Bjss.
Polly Jones: Você me deixou muito feliz com seu comentário. Pelo jeito todo mundo ficou tenso com essa parte hahaha. Muito obrigada por comentar. Bjss.
Silvia: Sei que sempre é fácil para todo mundo comentar, mas fico muito feliz quando você consegue comentar, é sempre bom saber que você gostou da história. Muito obrigada, como eu disse esta fic não iria pra frente se não fosse vocês. Muito obrigada por comentar. Bjss.
Juh Lovato: Pelo jeito você gostou mesmo em? hahaha Fico muito feliz por isso. Muito obrigada por comentar. Bjss. I love u more beautiful 

sábado, 11 de maio de 2013

35º CAPITULO “Eu estou vivo” (último capítulo) – AMOR EM GUERRA





_ Eu não posso te dar cem por cento de certeza, mas há uma possibilidade de que um dos tratamentos que tentamos fazer dê resultado. – falou Ian. No mesmo momento Demi começou a chorar. _ Demi. – chamou-a. _ Ainda há uma esperança.

Deveria Demi deixar-se levar pela sua ilusão? A realidade ainda lhe custava muito, porém, aos poucos chegavam a sua mente, iludir-se novamente só lhe causaria mais dor.
Mas era uma oportunidade, uma última chance, Demi queria que fosse feito tudo o possível para que Joe pudesse ser salvo, pois se o pior acontecesse, pelo menos ela saberia que tentou de tudo. Isso não a faria mais feliz, porém lhe trazia um conforto maior, saber que fez tudo o que pode salvar o seu marido.
Talvez fosse um pouco de masoquismo...

Não havia muito mistério. O desligamento de máquinas é um processo longo e demorado, não é feito de uma vez.
As máquinas são mantidas em uma potência recomendada pelo médico, o desligamento consiste em uma diminuição gradativa dessa potência, até que se desligue totalmente. Neste meio tempo, os médicos injetarão um remédio que aumenta a adrenalina do corpo, se o tratamento feito funcionar, o corpo de Joe vai reagir automaticamente, retomando o seu controle e despertando-o. Infelizmente não é muito comum isso acontecer. As possibilidades são pequenas, quase nulas, porém havia uma chance. A última chance.

DEMI

Passei a noite em claro, fiquei com o que Ian me disse em minha cabeça, martelando. Eu não queria me enganar novamente, eu não queria me iludir novamente, fiz isso por mais de uma vez, sofri em todas elas e da última vez eu pensei que tinha aprendido a lição. Mais uma vez eu estava me deixando levar pela esperança. Eu queria não acreditar que ainda haveria uma chance, minha mente tentava me controlar, falando que era para desistir, que tudo tinha acabado, que não havia mais jeito, mas meu coração dizia: acredite, algo muito bom pode acontecer, se deixe permitir, se deixe acreditar.

“Os espertos escutam a mente, os idiotas o coração” já diziam.
Eu devo ser muito idiota.

Praticamente vi o dia amanhecer, meus olhos estavam pesados de sono, mas eu não conseguia dormir. Às oito da manhã iriamos para o hospital e sei que essa será minha última oportunidade de dormir. Sei muito bem que se Joe realmente morrer, o que é o mais provável, não conseguirei dormir, nem sei muito bem se realmente conseguirei viver.
A única que me manteve viva esse tempo todo foram à esperança de que ele acordaria e a minha bebê. A esperança, apesar de viva, já era mínima, e minha bebê, não seria uma boa cria-la em meu estado, que tipo de mãe eu seria?

JOE

Último dia de vida. Se é que eu poderia dizer que eu estava vivo. Eu não me sentia vivo.
Ainda sim me assusta saber que em menos de 24 horas eu estarei pronto para ser enterrado. Arrependo-me de não ter tido a chance de não ter aproveitado minha vida melhor, deixei de fazer e falar muitas coisas, eu não achei que minha vida chegaria ao fim tão rápido, em minha cabeça eu ainda teria tempo de corrigir meus erros e falar o que eu devia. Grande erro.
Acho que isso é bem comum, sei muito bem que não sou o único que morre se arrependendo ou achando que deveria ter feito algo a mais, é natural do ser humano achar que é imbatível, que pode deixar para depois as suas pendências.
 Infeliz ideia.

O dia estava correndo mais rápido do que eu queria, ou talvez a minha tristeza estivesse me impedindo de agir com a mesma agilidade de antes. O fato de já estar me sentindo mais fraco a um bom tempo não ajuda muito.

O corredor que dava para o meu quarto estava cheio, amigos, familiares, companheiros de guerra... Todos estavam lá compartilhando de um sentimento unanime naquele momento, a tristeza, a tristeza de uma perda.
As despedidas eram dramáticas, muitos daqueles que eu visitei nos últimos dias vieram se despedir pessoalmente. Eu só queria poder sanar a dor deles, meu coração se partia com cada lágrima derramada ao meu lado. E o pior, sem duvidas, foi a minha mãe e Demi.
Neste meio tempo foi com ela as que eu mais me conectei. Tive a oportunidade de tocas e ser sentido, é claro que para elas a minha partida doeria mais, pois tiveram mais tempo ao meu lado, e provavelmente, alimentadas pelos meus toques, foram as que tiveram mais esperança que o final desta historia seria outra.

As horas iam passando, e nada mudava, eu queria tanto acordar de uma hora para outra, mas agora eu estava aqui, do lado do meu corpo, vendo Demi chorar, sem sentir nada que me indicasse que eu iria poder voltar. Eu queria, mas sei que não voltaria.

--

Não se tinha muito tempo para as visitas, havia muita gente querendo se despedir de Joe e pouco tempo restante. Ainda sim, ninguém reclamou quando Demi ficou pouco mais de meia hora no quarto de Joe.
Demi chorava muito e durante sua visita, ao mesmo tempo em que se mostrou esperançosa com a possibilidade da última tentativa de Ian dar certo, ela desmoronava se despedindo e lamentando não ter a oportunidade de passar o resto de sua vida com Joe.
Assim que percebeu que já havia passado mais tempo que podia no quarto de Joe, Demi levantou-se da cadeira do visitante, colocada grudada a cama do paciente, deixou que as lágrimas silenciosas caíssem, curvou-se a altura da cabeça de Joe e lhe depositou um doce beijo na testa e com a voz falha despediu-se “Eu sempre vou te amar” falou Demi.

(...)

O último visitante, Paul, saiu do quarto mais arrependido que nunca, pois lá, novamente fora tocado por Joe, sentiu-se como um idiota. Era obvio que o filho estava ali, Paul o estava assassinando, sua mente o torturava. Sentia-se fracassado como pai, e o pior de tudo é que sabia que não haveria como se redimir.

Os enfermeiros já se aprontavam para o desligamento, e os médicos, no caso Lucas e Ian, já estavam no quarto para começar o processo de desligamento. Lucas ao saber da ideia de Ian nada fez, pois estava convicto de que de nada adiantaria, porém, Ian, mesmo sabendo que as chances eram mínimas, acreditava que poderia salvar Joe, no fundo ele era o único que ainda acreditava em um final feliz.

Demi não havia contado a ninguém sobre a última tentativa que Ian a propôs, não que ela seja má, ela pensou muito antes de decidir esconder este fato de todos. Ela preferia que se algo desse certo todos se surpreendessem, não queria que ninguém novamente tivesse esperanças para que depois o trágico acontecesse.
Era melhor assim.

A primeira parte da tortura terminara, a segunda apenas começou.

Alguns, mais desacreditados, foram embora assim que as visitas acabaram. Porém, não foi um numero grande de pessoas. Quem escolheu esperar não tinha nenhum motivo para ficar, talvez fossem cabeças duras assim como Joe ou talvez estivessem pressentindo um fim surpreendente.
Mas tempo se passou. Lucas saiu do quarto e lá deixou Joe apenas com Ian e mais dois enfermeiros, mais algumas pessoas foram embora. Já se tinha passado uma hora e meia e o processo ainda não tinha terminado, mas nada de entusiasmante tinha acontecido e Demi deu fim a toda sua esperança de uma vez por todas. Não durou muito, pois apesar das máquinas já estarem operando em uma potencia consideravelmente baixa, Joe, ainda estava lá e deixou para toca-la por último.

Ele que queria que fosse especial, o último toque de sua vida seria dado à pessoa que ele mais amava e que menos queria perder.

(...)

Duas horas, o processo já estava no final e nada de noticias. “Era isso, o fim, ele morreu, de nada adiantou tentar.” Pensou Demi.
Será mesmo que ela estava certa?

                JOE

Muitas vezes escutei dizer que quanto nós estamos morrendo vemos toda a nossa vida passar pela nossa cabeça, e assim podemos reviver nossos erros e acertos, podemos reviver nossas tristezas e alegrias. E ali temos a nossa última oportunidade de nos redimir e salvar ou não nossa alma.
Eu já estava esperando por isso, acho que seria uma boa, poder me redimir e poder rever tudo o que eu vivi. Mas nada disso estava acontecendo.

Tudo estava indo normal, normal até de mais em minha opinião, eu estava me sentindo o mesmo de sempre, continuava em estado de espirito e estava junto a todos que estavam no corredor do hospital, uma hora e outra chegava perto delas, por um momento pensei que isso poderia conforta-las de alguma maneira, não sei se ajudou, mas eu o fazia sempre que achava necessário. Até que eu senti como se toda a minha energia tivesse sido tirada de meu corpo de uma vez só, foi algo muito rápido e apavorante. Se eu estivesse em corpo, provavelmente eu iria cair ao chão feito uma jaca, porém eu não estava em corpo e sim em espirito, eu não estava caindo, mas sim me elevando. Era como se eu pudesse voar, seria bom, se eu não estivesse tão apavorado. Eu não podia controlar minha direção, meus movimentos eram involuntários, eu queria voltar, eu não queria me afastar, mas eu ia subindo.  

Então é assim que se morre.

DEMI

Por mais que eu tentasse me conformar, era difícil, despedidas são muito dolorosas e não importa quantas vezes eu tenha que passar por esta situação, eu nunca estarei preparada o suficiente.
Joe sempre foi importante para mim, eu sempre precisei dele ao meu lado, e agora era o momento em que eu mais iria precisar dele.
Minha barriga de gravida já estava mais que evidente, a criança nasceria daqui a pouco mais de um mês e, por puro azar, já seria órfã de pai e provavelmente de mãe também.
Joe era uma parte de mim, uma parte muito importante, ao morrer ele levou uma parte de mim e eu fiquei incompleta. Como viver incompleta?

Aos pouco as pessoas foram indo embora, no fundo agradeci, era difícil ficar com todas aquelas pessoas aqui, eu estava me sentindo tão mal, tão triste que a única coisa que eu queria era ficar sozinha, de preferencia, em um quarto escuro e que eu pudesse dormir e, se possível, nunca mais acordar. Elas tentavam me consolar, já que desisti da imagem de mulher forte e me deixei chorar e liberar toda a tristeza que eu guardei durante todos esses meses, mas nada adiantava, a dor era maior e mais forte que qualquer frase de conforto, era um vazio imenso que me deixou sem direção, eu não estava vendo o meu futuro com bons olhos, minha vida tinha ido junto com a de Joe.

No fundo eu também queria ter ido, seria melhor, eu não sei se aguentaria ver Ian saindo do quarto de Joe para confirmar seu óbito, mas eu fiquei, eu havia prometido que ficarei com ele, não importa o momento, minha aliança era prova material  da minha promessa. E assim eu iria fazer, até que a morte nos separe.

--

Aquele não era o momento de esperança, mas Ian ainda tinha. Três horas já haviam se passado no total, sua parte já tinha sido feita e em poucos minutos seria a parte de Joe. Será que a medicação aplicada surgiria efeito?
Assim como Ian, os enfermeiros que estavam na quarto estavam ansiosos por reações, não tiravam o corpo de Joe e das máquinas, quem sabe um movimento? Isso já seria o suficiente para eles.
Aqueles minutos pareciam horas, mas paciência é um dom que Ian possui, se precisasse ele esperaria dias, mas, infelizmente, ele não possuía dias, era agora ou nunca.
Seria tão ruim se no final nada desse certo, apesar de estar acostumado com a morte, Ian tinha motivos especiais para querer que o caso de Joe terminasse bem, primeiro por que, com o tempo de convívio, se apegou muito a família de Joe, ele pode acompanhar todo o drama que se passou naquela família e se compadeceu de seu sofrimento, e seu segundo motivo é bem determinante para tal empenho, o pai de Ian havia sido soldado, e morreu em situações iguais as de Joe, quando ele ainda era bem pequeno, salvar Joe era o mesmo que salvar seu pai.

Talvez tenha passado apenas cinco minutos, mas para eles pareceu ter se passado cinco horas, o tempo agora não estava sendo muito justo e muito menos lógico. No final o que importa é que o previsto aconteceu, todos ficaram paralisados por um momento, eles realmente tinham visto aquilo? Não era imaginação?
Não, não era.

JOE

Eu não sei quanto tempo demorou para que toda estas sequencias de situações acontecessem, em minha mente parecia ter sido frações de segundos, mas algo me dizia que demorou bem mais que isso.
Em pouco tempo eu tinha passado por um momento de completa fraqueza, sem nenhum tipo de energia, para um momento de completo descontrole energético, eu sentia que podia correr três maratonas uma atrás da outra e ainda teria energia para fazer o que eu quisesse, a força chegava a dar ardência em minhas veias, algo queimava dentro de mim, senti meu peito inflando-se todo, como se por muito tempo ele não tivesse feito isso e agora quisesse recuperar o tempo perdido, meus olhos abriram com dificuldade e uma luz, mais forte que o sol, cegou-me por instantes. Eu sentia dores por várias partes do corpo, eu não fazia ideia de onde eu estava, eu escutava alguns barulhos, que me pareciam familiares, porém, talvez pela minha confusão mental, não conseguia reconhecer.
O primeiro sinal de que eu estava em algum lugar e que não estava sozinho foi o som da voz, familiar, mas que eu não conseguia reconhecer, de um homem, talvez se eu conseguisse abrir os olhos novamente para tentar reconhecê-lo...
_ Ele acordou – falou o homem. _ Joe está vivo! – disse entusiasmado.
Eu não sei bem o que ele quis dizer com isso, eu ainda estava bem confuso, mas pelo menos eu estou vivo.

                CONTINUA...

Último capítulo postado, mas não, este não é o fim definitivo, ainda terá um epílogo, o qual eu prometo que não vai demorar tanto para ser postado quanto foi este capítulo.
Não se esqueçam de comentar/avaliar.
Bjsss.

Juh Lovato: Que bom que você gostou e se emocionou com este capítulo. Postado, espero que tenha gostado. Muito obrigado por comentar. Beijos especiais a minha fã #1.
Eriimiilsa: Fico feliz em saber que você se emocionou com este capítulo, no final ela escolheu o melhor caminho, não é?  Esta acabando, mas logo começarei a postar uma outra J. Muito obrigada por comentar. Bjss linda.
Natalia_lovato: OMG eu nem creio que li isso, eu conheço suas fic, acompanho seu blog já faz um bom tempo, se não me engano foi ao segundo blog que eu comecei a acompanhar. Fico muito feliz em saber que uma escritora que eu admiro gostou da minha fic. Divulgado. Muito obrigada por comentar. Bjss. 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

34º CAPITULO “Ainda há uma chance” Parte 2 (penúltimo capítulo) – AMOR EM GUERRA



Apenas mais três dias...

Sexta-feira, dia nublado, no hospital apenas Denise e Demi, que já tinha dado todas as aulas do dia; Paul ainda estava no trabalho, Logan e seu pai precisavam descansar já que haviam passado a noite no hospital e Miley não poderia ir.
O frio parecia mais intenso dentro do hospital, o vazio parecia mais profundas entre aquelas paredes brancas que se perdiam pelos corredores e salas. Aquelas paredes já presenciaram nascimentos e mortes, sorrisos e choros. Uma sensação de vazio ‘preenchia’ Demi e Denise. A alegria é prazerosa, a tristeza é torturadora, mas o vazio pode ser fatal...

_ Ele nunca mais voltou a me tocar. – comentou Denise. _ Você acha que isso é um aviso? – perguntou.
_ Um aviso?
_ Você acha que ele quer se afastar de nós? – perguntou. Demi não respondeu, não sabia o que falar, nunca pensou por esse ponto. _ Se ele pode nos tocar, porque ele não toca? O que mais o impede do que a própria vontade?
_ Você acha que ele quer partir?
_ Eu não sei, talvez seja isso. – respondeu.
_ Você acha que ele esta sofrendo? – perguntou Demi.
_ Eu me faço essa pergunta todos os dias. – falou Denise. _ Mas nunca consegui uma resposta. – confessou.
_ Se for esse o caso ele vai conseguir parar de sofrer em pouco tempo. – falou Demi. _ Dois dias. – disse com o aperto no coração.
_ Às vezes eu penso se fora egoísmo meu não ter permitido que as máquinas fossem desligadas antes. Talvez tenha até mesmo sido masoquismo da minha parte, sofri tanto, eu prolonguei o meu sofrimento o máximo que pude, e agora... – Denise não conseguiu terminar a frase, ela não conseguia mais se expressar, os sentimentos eram maiores e mais intensos do que qualquer palavra que ela conhecesse.
_ Era o nosso destino Denise, - disse Demi. _ mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer, nós só tentamos evitar o inevitável. – concluiu.

Ao contrario do que pode parecer, Demi não estava conformada com o fim, ela queria matar a pessoa que atirou em Joe com as próprias mãos, queria ‘puxar’ Joe para vida novamente, queria bater em Paul por não ter dado a oportunidade de que se esperasse um pouco mais, queria extravasar com o pai que não a deixou ir ao hospital anular a decisão de Paul enquanto ainda havia tempo, queria derrubar o idiota que decidiu que o caso de Joe já era perdido, que não valeria gastar o dinheiro publico com ele, queria xingar Joe por ter sonhado algo tão estupidamente perigoso, queria se xingar por ter sido tão cabeça dura e não ter escutado o pai, quando ele disse que era melhor não se relacionar com Joe, que mulher de soldado nunca é feliz... Fora uma sucessão de erros e decisões errôneas que trouxeram a todos a esta situação deplorável.

Tudo bem, nem tudo foi um desastre, Demi fora muito feliz ao lado de Joe. Noites em claro, rindo, acarinhando-se, amando-se; momentos em que mesmo já adultos e nada inocentes, agiam como crianças, brincavam feito idiotas; mesmo sendo homem e mulher, sempre tinha aquele momento em que paravam para conversar um com o outro, onde desabafavam um com o outro, onde se aconselhavam e vez ou outra choravam no ombro um do outro.
Eles compartilharam de conquistas. No dia que Demi se formou, lá estava Joe tão feliz quando ela em sua formatura, ao pegar seu diploma, Joe só perdeu para Eddie na questão quem chorou e gritou mais, foi um mico e tanto, motivos para muitas risadas depois, mas fora um momento de muita felicidade. O casamento, não foi nada extravagante, com milhares de convidados, apenas amigos próximos e familiares, decoração simples, com muitas rosas, igreja ligeiramente cheia, festa com muita fartura, muita dança, muito amor... Talvez um momento bem marcante para ambos fora no dia em que conseguiram comprar o apartamento deles, Joe ainda estava em treinamento, e fazia um bico ali e aqui para tentar viver, Demi tinha começado a trabalhar tinha pouco tempo, ainda não tinha muito controle sobre suas finanças, eles seguraram a chave como se fosse um troféu, e ao abrirem a porta pela primeira vez se sentiram entrando em um castelo, era um sonho sendo realizado, um sonho que realizaram juntos. Oliver, aquele cachorrinho pequeno e companheiro, o cachorrinho fora dado de Joe para Demi, no fundo foi uma maneira de acalmar Demi já que foi bem na época em que os dois estavam brigando por causa de Joe ter sido admitido pelo exercito, era algo inevitável já que ele estava treinando para se alistar fazia um bom tempo, mas talvez Demi tivesse pensado que ele desistiria fácil. Oliver sempre foi o bebê dos dois, quando chegou ao apartamento era um filhote de três meses que cabia na palma da mão de Joe, em pouco tempo destruiu um fio de telefone, três sapatos, sendo todos se Joe – para sua revolta – e deixou marcas de dentes pé da cama, que perduram até hoje, ainda sim, ambos tinham tomado um amor tão grande pelo bichinho que nem se importaram de ter que comprar um telefone ou sapatos novos, muito menos de ter uma ‘arte’ no pé da cama, ele é o filhinho deles. E agora, por último, porem muito importante, vinha a bebê. Definitivamente era um presente na vida dos dois, ambos ficaram felizes. Sim, a tristeza não deixou com que Demi aproveitasse da maneira que se deveria sua gravidez, mas ela ama aquela criança, assim como Joe também ama, se os dois pudessem cria-la juntos, seriam ótimos pais...

Demi nem mesmo sabia o que estava fazendo ali, não se tinha muito que fazer, ela já tinha tido o seu tempo de visita com Joe e provavelmente não iria poder vê-lo novamente neste mesmo dia, exames eram feitos a todo o momento, mas os resultados nunca eram repassados a ela, nunca eram repassados a ninguém, se Demi não confiasse tanto em Ian, pensaria que eles a estavam escondendo alguma coisa ou tentando engana-la, porem, Ian mostrou-se um bom homem, disposto a colaborar, ele não a faria isso.
Talvez fosse aquela esperança, que como dizem, é a última a morrer, que a mantem naquele hospital, todos os dias, sendo obrigada a encarar os mesmos corredores vazios, a mesma sensação de nada, aquela mesma tortura. Ou talvez, como disse Denise, fosse masoquismo. O que quer que seja que a prendia ali era forte. Demi iria ficar lá, até o último momento.
Este Domingo, até o último respirar de Joe ela estaria ao seu lado.

DEMI

Não é atoa que tive medo desde o começo. Primeiro tive medo que Joe não quisesse se comprometer comigo e o bebê, sua carreira de soldado não permitiria que ele fosse o que eu queria que ele fosse, um pai, uma pai presente e companheiro, queria que ele fosse mais que fotos, visitas ocasionais, telefonemas nas horas mais improprias possíveis, tipo, duas da manhã de uma segunda ou cinco da manhã de um sábado, e de longe não estava nas minhas intenções que Joe só vesse sua filha por web can que sempre davam problemas. Eu aguentava isso, eu o amo, ele é meu marido e mesmo que eu tenha reclamado, eu adorava, eu nem me importava de ficar com o braço doendo de tanto segurar o telefone falando com ele, se fosse necessário passar a madrugada em claro para vê-lo eu faria, mesmo que eu tivesse que estar animada para dar aulas algumas horas depois, suas licenças eram dadivas para mim, suas fotos eram presentes, e suas cartas são minhas joias. Mas não para minha filha, eu cresci tendo um pai presente e companheiro, e sei muito bem o que é não ter um dos pais presente, eu perdi minha mãe cedo, e eu pude sentir a tristeza que sua ausência me causava, é algo doloroso e que eu nunca queria que minha filha passasse, mas no fim um ciclo iria seguir, eu sem minha mãe e minha filha sem um pai. Ela nem teria a oportunidade de conhecê-lo, ele seria apenas historia, fotos e lembranças.
Ele é muito mais que isso, ele é o homem que eu amo; o homem que eu escolhi para viver por toda minha vida, o homem que eu queria ter ao lado até estar com a cabeça toda branca e a cara cheia de rugas. Por quê? Porque eu não poderia ter isso?  Porque esse não poderia ser o meu final?
Porque eu teria que perdê-lo tão jovem? Eu ainda estava começando minha vida ao seu lado. Eu não posso ser feliz? Porque eu sempre tenho que perder aqueles que eu amo? É um karma?
Eu queria brigar, queria reclamar, mas reclamar com quem? Quem pode trazê-lo de volta?
É um sentimento de impotência enorme, estou perdendo o homem da minha vida e não posso fazer nada, nem mesmo reclamar ou exigir que façam alguma coisa. Minhas únicas opções é entrar em desespero ou desencanar de uma vez.
Na minha condição seria melhor eu desencarnar, não sofrer mais, esperar que ele morresse e seguir minha vida. Mas Joe não era qualquer um, eu não posso fazer isso. Desesperar foi o que restou para mim.
Eu só queria ir junto com ele...

JOE

Uma hora isso ia acontecer. Nos meus melhores pensamentos eu pensava que eu ainda teria mais tempo e que talvez eu conseguisse achar respostas e possivelmente minha cura.
 De acordo com minhas possibilidades eu tentei procurar respostas. Claro que eu não pude procurar na internet, mas aposto que se fizesse não conseguiria muita ajuda, não acredito que alguém possa saber o que fazer com um fantasma querendo reviver. Tudo o que eu já tinha escutado dizer eu fiz, mas nada adiantou.
Mas agora pouco me adianta lutar, meu destino já estava traçado. Eu vou morrer.
É tão estranho você assistir seu próprio fim de braços cruzados, como se estivesse assistindo um filme de drama qualquer.

(...)

Eu queria fazer as coisas direito, eu queria me despedir daqueles que eu mais presava, meus amigos e minha família.
Usei todas as minhas forças e passei os meus dias visitando-os e tocando-os, a maior parte não pareceu perceber-me, o que até prefiro, menos sofrimentos, não só para eles, mas também para mim, o pior momento foi com minha família, a qual eu deixei para o último dia.
Não ia ser fácil.
No penúltimo dia de minha vida eu os acompanhei, eu pude ver a tristeza corroendo a todos, eu pude sentir a esperança se desvairando de seus corpos. Assim como eu, eles decidiram desistir de lutar. Não os culpo, eu sei que eles tentaram me salvar, morrerei feliz por saber que os tenho em terra.
Não sei se quando morto eu ainda os poderei ver, a morte ainda é um mistério para mim, descobrir que alguém é capaz de entrar em estado de espirito já foi uma grande surpresa, a qual eu agradeço, pois pelo menos assim, tive a oportunidade de despedir-me dos que amo. Gostaria de saber se todos têm esta mesma oportunidade, seria ótimo descobrir que sim, poder dizer adeus é bom para quem parte, assim não fica aquele sentimento preso no peito, como se estivesse faltando algo, como se estivéssemos deixando algo por terminar.
Não que eu não vá partir com o sentimento de que não deveria ficar. Na verdade eu quero ficar, mas é um desejo inútil. Ainda sim, sabendo que não ficarei. Eu quero. Eu quero ter a oportunidade de ficar com minha família, de conhecer minha filha, de construir uma vida com Demi.

Sei que deixarei meus pais, sei o quanto eles irão sofrer, sou o filho único, mimado desde pequeno, eu sempre fui querido e desejado, ao perder-me eles perderam tudo, não haverá mais a quem chamar de filho, não haverá mais quem os chame de pais. Isso deve doer de uma maneira inimaginável. Eu, que ainda nem conheci minha filha, que ainda não tive a oportunidade de escutar sua voz, que não tive a oportunidade de chama-la de minha, já tive momentos de pensar que a perderia, e senti uma dor tão, mas tão grande, senti-me como o mais infeliz do mundo, imagine alguém que teve a oportunidade de conviver com seu filho?
Saber que lhes vou causar toda essa dor, me faz sentir péssimo. Se fosse para terminar assim, era melhor não ter nascido.
E ainda tem Demi. Quando eu a conheci ainda éramos moleques, eu mal sabia que aquela menina quieta e inteligente, que sentava nas primeiras carteiras da sala de aula, um dia se tornaria minha mulher. Mas aí eu vi seu sorriso, mais tarde tive a oportunidade de fazer um trabalho junto a ela, aí começamos uma amizade, me cresceu um desejo, o amor, e mais tarde eu estava pedindo sua mão em noivado, sobre o olhar furioso de Eddie e os choros de minha mãe, emocionada.
Levarei comigo as lembranças do nosso casamento. Nunca, nunca, mas quando eu digo nunca, é nunca mesmo. Nunca existiu uma noiva mais bonita que Demi, perfeita é pouco para descrever como ela estava no dia do nosso casamento. Lembro-me de a todo o momento agradecer ao cupido que a acertou com sua flecha, permitindo com que eu pudesse ter a chance de me casar com alguém como Demi. Eu, um cara desleixado, mimado e brincalhão, me casando com uma mulher inteligente, centrada, linda... Era mais do que eu podia pedir. Eu nunca disse um “Eu aceito” com tanta certeza e prazer em toda minha vida. Se eu pudesse repetir aquele dia, eu repetiria com prazer, quantas vezes me fossem necessário repetir. Eu aceito. Eu aceito. Eu aceito ser seu homem, eu aceito ser seu marido, até que a morte nos separe...

--

A noite chegou. Eddie já tinha chegado para buscar Demi e Denise e leva-las a Fort Bragg, amanhã seria o dia do desligamento das máquinas.
Amanhã todos voltariam cedo, os parentes de outros estados de Joe também viriam, amigos e alguns soldados que conseguiram licença idem.
Porém, antes de irem, doutor Ian chamou Demi.
Ela pensou que já seria para se despedir. Seguiu Ian à sua sala com o coração apertado, sabendo o que ele iria dizer. Não havia mais o que ser feito, Joe morreria.

_ Sente-se. – pediu Ian, ao entrarem na sala. Demi sentou. _ Você deve estar se perguntando por que eu lhe chamei aqui, não é? – perguntou ele.
_ Acho que já sei. – respondeu Demi, seu olhar denunciava sua tristeza, mesma ela tentando disfarçar com um meio sorriso. Ian fez uma cara de desconfiado.
_ Eu acho que você não sabe. – falou Ian. _ O seu direito de escolha no que se diz a Joe foi-lhe roubada e por isso eu decidi falar com você primeiro, queria que você tivesse o direito de escolha desta vez. – começo dizendo. Demi olhou para Ian sem entender o que ele estava falando. _ Não me olhe assim, eu não estou louco. – defendeu-se Ian ao perceber o olhar de Demi. _ Você sabe que nesta última semana eu me emprenhei muito para conseguir uma solução. – falou, depois de um tempo. Mesmo não sendo uma pergunta, Demi confirmou com um sinal de “sim” com a cabeça. _ Pode parecer que eu não achei nada. – continuou. _ Mas não é assim. – Ian fez uma pausa, Demi estava sem reação. _ Eu não posso te dar cem por cento de certeza, mas há uma possibilidade de que um dos tratamentos que tentamos fazer dê resultado. – falou Ian. No mesmo momento Demi começou a chorar. _ Demi. – chamou-a. _ Ainda há uma esperança.

                CONTINUA...

Postado. Sei que demorei, na verdade o capítulo estava pronto desde sexta-feira, mas estive muito ocupada neste final de semana e não tive para postar, ainda sim, espero que tenham gostado.
Esta é a segunda parte do capítulo anterior e também é o penúltimo capítulo desta fic, além do próximo capítulo esta fic terá um epílogo.
Não se esqueçam de comentar/avaliar.
Bjssss.


Eriimiilsa: Hahahaha espero que este tenha ficado melhor J Muito obrigada por comentar, bjss linda.
Polly Jones: Fico feliz em saber que além de ler minha fic, você entra no personagem, e mais feliz ainda fico em saber que consigo sensibilizar meus leitores. Eu lhe entendo, as vezes fica complicado comentar. Muito obrigada, bjss linda.
Emmy: divulgado ;)
Anônimo: obrigada.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

33º CAPITULO “Ainda há uma chance” Parte 1 (Antepenúltimo capítulo) – AMOR EM GUERRA




Uma semana.
Ultimato. 

Como se era de imaginar, minha onda de sorte não duraria muito, eu só não esperava que fosse virar tão repentinamente e de maneira tão complexa.
Em um dia eu estava prendendo o homem o que me colocara a vida em risco e ainda teve uma surpresa de Paul, descobrindo que ele agora entendia a mim e Denise, no que se dizia a capacidade de sentir o toque de Joe. Nisso eu subentendi que estaria decidido que ele desistiria de desligar as maquinas de Joe.
Eu estava errada.
Foi dado o ultimato.
Em uma semana desligam as máquinas.

Minha decisão? Ela não conta? Na verdade conta. Mais graças ao meu pai eu fiquei impossibilitada de ir ao hospital resolver alguma coisa.
Não que eu não tenha tentado. Ao perceber a tragédia que se anunciava, quebrei minha parte do acordo, fui ao hospital e conversei com os médicos, tentei mudar o imutável. Ian até tentou me ajudar no começo, mas depois viu que não poderia fazer muita coisa, já que o seu superior, que no caso é aquele maldito do doutor Lucas, não queria voltar atrás, pois de acordo com ele isso mexeria em sua programação de trabalho e isso o traria transtornos. Se eu acreditei? Não. Claro que não. Porque ele queria fazer isso? Não sei. Só sei que o odeio por isso.

Apenas uma coisa poderia cancelar o desligamento das máquinas, uma reação, uma resposta a qualquer estimulo que fosse por parte do Joe. Todos os dias serão feitos testes e exames para que essas respostas pudessem ser encontradas.
Ian estava mais empenhado que nunca, e eu mais desesperada que nunca.

Concentrar-me nas aulas estava mais difícil, assim que meu horário de trabalho terminava eu corria para o hospital, nem sempre conseguia visitar Joe, pois os exames e testes diminuíram o tempo das visitas. Minhas noites estavam mal dormidas, pois sempre tinha pesadelos de Joe me deixando; eu estava ficando cansada; parei com os preparativos para o bebê. Novamente eu estava um caco, sem esperança e estressada.
Um fim talvez fosse bom.
Eu só não queria que fosse esse.

Ao contrario do que pensei que aconteceria, meu pai, se mostrou muito transtornado com a decisão de Paul, acho que ele não acreditou que Paul realmente seria capaz de deixar que as máquinas fossem desligadas e talvez sentisse um pouco de culpa por ter me impedido de fazer alguma coisa enquanto eu ainda tinha chance. Meu pai estava me apoiando muito nesses últimos tempos, me apoiei nele como uma criança triste e medrosa se apoia no pai, eu parecia novamente àquela menina de anos atrás que acabara de perder a mãe, totalmente desesperançada, triste e dependente do colo do pai. E novamente ele estava lá, assim como da primeira vez, me dando o aconchego dos seus braços, limpando minhas lágrimas, me acordando dos meus pesadelos...

A minha relação com Paul se tornou uma relação de amor e ódio. Tudo dependia do momento. Ele, às vezes, parecia estar bem e decidido da escolha que tomara. Porem, em outros momentos parecia uma criança arrependida, pedia perdão a mim e a Denise, em um momento até quis cancelar sua decisão, mas o doutor Lucas não deixou, isso revoltou a todos, ele realmente tinha direito de fazer isso? Provavelmente não. Talvez o nosso desespero tenha nós deixado cegos para algo bem maior. Em algum momento isso tudo iria acontecer, por motivos que ainda me tiram do serio...

Falando em Denise e Paul, os dois estão melhores, não conversam muito ainda e estão longe do casal apaixonado que eram antes, mas pelo menos estavam se dando melhor que antes. Agora conseguiam conversar uma vez ou outra.

--

O tempo parecia andar rápido e devagar ao mesmo tempo.
Parecia tão pouco tempo, uma semana, apenas sete dias para que acontecesse o que não aconteceu em meses...
Parecia tanto tempo, uma semana, sete dias, horas e horas de tortura esperando que acontecesse o que não aconteceu em meses...

O desespero pode muitas vezes afastar as pessoas uma das outras, porem, aquelas pessoas foram percebendo de que nada lhes adiantavam a distancia ou as brigas, isso aconteceu, por meses foi assim que eles viveram, mas agora o fim de toda essa agonia iria chegar e uma necessidade de ajuda, amor e carinho, cresceu em todos. Entre eles criou-se uma paz, que a qualquer momento poderia ser destruída, porem que se manteve forte.

(...)

Ninguém queria acreditar, mas era essa a mais pura verdade. Não era Paul o culpado e não era Lucas o mal da historia, há um jogo entre as potencias mundiais que estava causando toda essa comoção àquela família.
Primeira pergunta, quem financia, treina e comanda a guerra? O governo.
Segunda pergunta, quem estava financiando o hospital para Joe? O governo.
Terceira pergunta, quem não queria financiar mais os tratamentos e exames de Joe? O governo.
Era um jogo bem mais obscuro do que se imaginava que seria. Os gastos eram altos e as chances de resultados que os conviessem eram mínimas. Eles não poderiam exigir que as máquinas fossem desligadas, mas caso um parente ou um médico estivesse disposto a aceitar que isso fosse feito, seria um ato muito bem vindo. Infelizmente Lucas estava disposto e Paul, por um momento de desespero, tinha autorizado...
Injusto! Um homem que durante toda sua vida sonhou em ser um soldado, defender a pátria a todo custo, que colocou sua vida em risco, agora era esquecido por aqueles na qual serviu com tanto empenho, sendo destinada a virar mais um entre tantos outros que não tiveram a oportunidade de ter seu final feliz.
Ganancia, frieza... Culpe o que e a quem quiserem, essa é a vida. Esse é o nosso mundo.

Esse esclarecimento atingiu como uma facada a todos, talvez tivesse sido melhor deixar isso em segredo, não adiantava muito eles saberem.
Se eles pudessem bancar o tratamento de Joe, os médicos poderiam cancelar o desligamento das máquinas, porem quem tinha condições de manter isso? O hospital por si só já era caro, os exames que o tratamento de Joe exigia eram mais caros ainda, juntando as economias de todos talvez desse para manter mais um ou dois dias no máximo. Pedir emprestado, vender casa, carro, pegar empréstimo, tudo isso passou pela cabeça deles, quem sabe conseguissem dinheiro para mantê-lo mais uma semana, se eles tivessem muita sorte um mês a mais. Não lhes importavam as dividas desde que Joe acordasse.
Valeria arriscar tanto, inclusive a vida financeira de pessoas que já não tinham muito, inclusive a casa e carro de alguém que provavelmente terá que cuidar de uma criança sozinha, por apenas um mês a mais? Um mês que seriam cheia de incertezas e provavelmente decepções?

Apenas mais três dias...

                CONTINUA...


Oi gente, por favor, não me matem, eu sei, o capítulo foi péssimo, fora que eu demorei muito para postar só isso. Esse capítulo vai ter parte dois e prometo que não irá decepcionar tanto.
Como podem ver a fic esta acabando, mas o blog vai continuar. Depois passo mais informações.
Postarei a próxima parte o mais rápido possível.
Bjsss.


Silvia: Que bom que gostou, muito obrigada por comentar e pelo selo. Bjss.
Eriimiilsa: Se eu soubesse o que esta acontecendo o que esta acontecendo eu tentaria resolver, mas acho que a culpa é do próprio site mesmo L Faço isso com muito prazer e claramente os comentários que dão entusiasmo para continuar a escrever, por isso, muito obrigada por comentar. Bjss. 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

32º CAPITULO “Ultimato” – AMOR EM GUERRA


Amanhã será um novo dia, um dia de grandes surpresas.
Manhã de sábado, tomando uma caneca de chocolate quente, em um atípico dia frio, Demi estava encostada em uma das várias caixas que se amontoaram no quarto que estava sendo montado para sua filha, em que estavam vários moveis comprados para a montagem do quarto. Demi pensava em tudo, em como sua vida mudou drasticamente e em como ela seria a partir de agora. Não havia planos, tudo estava acontecendo da forma mais inesperável possível, uma surpresa pós a outra, isso não é bom, não quando se lembra de que em três meses nascerá sua filha.
Demi queria estar emocionalmente e fisicamente boa para a chegada da filha, mas sabia o quanto isso seria difícil. Sem Joe acordado isso seria praticamente impossível.

Talvez tenha sido bom o seu afastamento, quem sabe, se ela insistisse muito, acabaria retornando a sua rotina sem problemas e com um pouco mais de esforço conseguiria se livrar de toda sua tristeza, que já estava virando sua companheira inseparável.
Demi não queria esquecer seu marido, ela o queria acordado de com saúde para poder junto a ela criar sua filha. Mas a realidade é dura, a vida não é um conto de fadas, o final nem sempre é feliz...


DEMI

Eu tinha várias coisas para fazer, o tempo que eu fiquei afastada da escola, fez com que o trabalho se acumulasse, mas eu realmente tinha que dar um tempo só para mim, um tempo em que eu pudesse pensar mais tranquila, pensar no que eu passei e no que me aguarda no futuro. É difícil imaginar um futuro nesse exato momento, minha vida esta em um turbilhão, em que alegrias e tristezas se fundem e eu nem mesmo sei identificar o que estou sentindo mais, às vezes me pergunto se há alguém mais passando pelo mesmo que eu, sentindo o mesmo que eu, se sim, como será que essa pessoa esta sobrevivendo? Será que ela esta lidando com toda esta confusão melhor que eu? Talvez eu precisasse de um pouco de ajuda. Talvez um pouco mais de tempo. Talvez um pouco mais de esperança.

Meus pensamentos foram atrapalhados pelo som da campainha. Quem em pleno sábado às oito da manhã faria uma visita à outra? Realmente eu não estava preparada para isso, minha cara estava um lixo, ainda amassada pelo meu sono, meu cabelo não estava penteado, e eu nem mesmo estava vestindo um pijama, estava com um blusão largo do Logan, que, como era de se esperar, tinha uns buracos, e uma calça larga de moletom. Com todos esses problemas não tive muito tempo para comprar roupas de grávida para mim, e quinze quilos mais gorda, eu tinha que recorrer às roupas de Joe, Logan e, de vez em quando, até as do meu pai, para me sentir realmente confortável. Resultado disso é que meu estilo passou ser bem desleixado, parecia que eu sempre estava vestida para dormir, ou então para me juntar a algum mendigo na rua. Na verdade eu não me importava tanto, desde que eu estivesse em casa e apenas com parentes ou conhecidos muito próximos, pois convenhamos, roupa de homem é muito confortável, porem, não ideal para se receber visitas.
Esperei até tocarem pela terceira vez antes de me mover para atender a porta, eu tinha uma pequena esperança de que meu pai ou Denise acordassem e atendessem por mim. Porem Denise ainda dormia feito um anjo e meu pai roncava feito um porco. Resultado, eu tive que atender a porta.
Definitivamente por essa eu não esperava, sua face não mostrava muito animo, parecia confuso e triste, sua voz saiu como um fio ao pedir para conversar. De nada parecia o Paul que eu conhecia.
Olha quem fala, eu também não sou mais a Demetria de sempre.
Após oferecer uma caneca de chocolate quente, o qual ele recusou, parei para dar-lhe atenção. Durante a maior parte da nossa conversa Paul não olhou para mim, seus olhos sempre estavam ‘presos’ ao chão.

_Quando você começou a senti-lo? – perguntou Paul, sem dar meias voltas, direto.
_ Eu não sei do que você esta falando. – menti. Tive medo de que ele tentasse me tirar o direito da decisão assim como fez com Denise, se isso acontecesse o destino de Joe estaria traçado.
_ Não minta para mim, eu já sei de tudo. – falou. _ Eu não irei lhe jugar ou tirar seus direitos... Eu só quero... Entender. – achei tudo muito mal explicado. Paul agora acreditava que Joe poderia realmente tocar as pessoas? Era um truque dele? Ele seria capaz de ir tão longe para me tirar do caminho? Ele estava decidido, o que ele fez com Denise provava que ele realmente não estava se importando muito com as consequências.
_ Eu o senti desde a primeira visita que fiz ao hospital. – respondi. Talvez eu estivesse cometendo o meu pior erro ao confessar isso, porem algo no em mim dizia que valeria a pena arriscar.
_ Você realmente acha que pode ser ele? – perguntou, mas antes mesmo que eu pudesse responder ele fez outra pergunta. _ Você nunca pensou que talvez fosse apenas sua imaginação?
_ Sim, é difícil de crer, eu não acreditava que coisas assim podiam acontecer, mas acontecem, eu sei que é Joe quem me toca, eu sei que o toque é real. – Paul ficou em silêncio diante da minha resposta, parecia pensar nas minhas palavras. _ Paul. – chamei-o, e pela primeira vez desde que chegara ele me olhou nos olhos. _ Porque você esta fazendo essas pergunta? – perguntei-o, assim que terminei de pergunta-lo seus olhos retornaram a fitar o chão, o silencio se fez presente por um bom tempo, eu até me arrependi de ter feito a pergunta.
_ Eu acho que também o senti. – confessou Paul. Para minha surpresa.

Talvez eu tivesse escutado errado, talvez tudo fora um sonho. Paul o havia sentido? Isso era o melhor que podia acontecer, pois assim ele poderia desistir desta ideia de desligar as máquinas. Eu não queria ficar feliz ou começar a comemorar, por várias vezes tive motivos para pensar que tudo iria, enfim, dar certo e no final só piorava. Mas eu não posso negar, esse acontecimento abriria uma possibilidade muito grande para um final feliz.
Paul me contou com detalhes como tudo aconteceu me confidenciou suas duvidas e indecisões, que não são muito diferentes das que eu já tive, eu falei o que eu acreditava e no fim percebi que Paul não havia se tornado no homem frio ou ruim que muitas vezes cheguei a acusar, ele só estava muito machucado e amargurado.

 Ele acabou indo embora antes de Denise ou meu pai acordarem, ele disse que queria chegar ao hospital mais cedo e conversar um pouco com os médicos e conseguir ter um tempo maior de visita a Joe, sei que ele não estava mentindo totalmente, porem tenho certeza que um dos motivos para sua pressa de ir embora era o fato de ter medo de encarar Denise, principalmente agora que ele sabe que ela estava certa.
Não o critiquei, talvez fosse melhor esperar um pouco antes de tentar algo com ela novamente, ela realmente estava muito magoada e zangada com Paul.

Denise acordou não mais que dez minutos após a saída de Paul, até pensei que ela poderia ter escutado sua voz e esperado ele sair para poder dar as caras, mas não perguntei, caso isso tenha acontecido ela tem seus motivos para agir assim. Meu pai fora o último a acordar, já era quase 11 da manhã, nem mesmo tomou o café já que Denise já estava preparando o almoço. Porem, antes mesmo que ela terminasse o telefone tocou e a notícia não poderia ter sido melhor.

(...)

Chegamos à delegacia as pressas, eu e meu pai estávamos eufóricos com a possibilidade de prender quem havia me atropelado.

E lá estava ele, com as mãos algemadas e com o olhar no chão, como se estivesse envergonhado.
Rick, enfim preso.
Saber que a justiça seria feita me deixou muito feliz. Claro que ao vê-lo daquela maneira, parecendo tão indefeso, me fez pensar em tudo o que ele passou e como ele se transformou no monstro que ele é hoje, confesso ter ficado com medo de ficar assim também, caso o pior aconteça... Porem eu tenho que lembrar o que ele me fez de mal, nem toda a tristeza do mundo justifica tirar a vida de outra pessoa. Talvez eu tenha ido longe de mais, mas isso não justifica o que ele fez comigo. Eu poderia ter perdido minha filha.
Meu pai ficara bem surpreso ao saber que era Rick o meu atropelador, eles não tinham se conhecido, mas ele sabia de quem se tratava e não esperava que ele fosse capaz disso.
Eu sempre soube que era ele, nunca soube muito bem explicar e por isso não ajudei muito nas investigações, mas para minha sorte a policia conseguiu uma denuncia anônima e depois conseguiram mais provas contra ele.
Ainda não se sabia qual seria sua pena, mas o deixariam preso preventivamente até que o juiz determinasse seu destino. Ainda sim, uma coisa já estava decidida, provavelmente ele não ligaria de ficar preso, mas o exército o tirou de seu cargo, ele não poderia mais servir ao exército americano, isso sim seria doloroso para ele.

(...)

Acho que eu não estava mais acostumada, por isso me controlava para não cantar vitória ou dizer que eu estava me sentindo feliz, há muito tempo que coisas boa não aconteciam comigo, principalmente uma trás a outra. Eu queria tanto que essa onda de sorte fosse capaz de me trazer Joe de volta...

--

_ Paul, eu sei que você quer Denise de volta, mas não precisa ficar fingindo que sentiu o toque de Joe para poder reconquista-la, pedir perdão já pode ajudar. – falou Eddie a Paul, os dois estavam conversando por telefone já há quase meia hora, Paul explicou-se a Eddie e disse que pretendia deixar as máquinas ligadas.
_ Eu não estou mentindo. – respondeu Paul.
_ Paul, amigo, você sabe mais que eu que essas coisas não existem. – falou Eddie.
_ Você esta sugerindo que eu estou louco então? – Paul perguntou indignado.
_ Eu não disse isso Paul, eu só acho que talvez você esteja um pouco desesperado por ter o perdão de Denise. – explicou-se.
_ Às vezes eu acho que você queria que meu filho morresse. – observou Paul.
_ Eu nunca disse isso Paul. – falou Eddie. _ se você quiser desistir de deligar às máquinas eu não critico, o que eu acho um absurdo é você fazer isso baseado em puro desespero... Nós já tínhamos conversado antes. Você sabe muito bem que isso só irá trazer mais complicações. Porem você sabe o que faz.
_ Eu tenho medo de errar. – confessou Paul. _ Eu o senti...
_ Paul você não o sentiu. – interrompeu Eddie. _ Admita você não quer desligar, você ainda acredita que ele pode acordar por isso você vai desistir de desligar as máquinas.
_ Que seja. – falou Paul, deixando um pouco da raiva que ele estava sentindo sair. Não ser compreendido por Eddie o estressava. _ Eu não quero sofrer mais! Mas eu também não posso tirar as chances de Joe.
_ Paul, eu não vou discutir mais com você, já falamos muito sobre isso e no fim quem vai decidir é você. – falou Eddie decidido à por fim naquele assunto.
_ Você não esta me ajudando muito.
_ Eu não posso decidir por você.

(...)

A indecisão tomava conta de Paul, ele tinha certeza do que sentira, mas ainda tinha duvidas sobre qual era a melhor decisão a se tomar. Decidido a ter ajuda, na manhã de domingo Paul foi para o hospital e conversou com alguns médicos que cuidavam de Joe.
Em grande parte houve uma imparcialidade. Ian, dizia que era bom esperar mais um pouco, pois por mais remotas que fossem as chances, milagres poderiam acontecer.
Talvez o maior erro de Paul seja ter novamente procurado o doutor Lucas, que desde o primeiro momento se mostrou a favor do desligamento das máquinas. Com uma vasta experiência, ele sabia como convencer uma pessoa...
Uma semana.
Ultimato.  

                CONTINUA...

Olá, gostaria de dizer que provavelmente demorarei um pouco para postar os próximos capítulos, pois como a fic já esta chegando a sua reta final, eu preciso organizar melhor os capítulos. Então já peço desculpas adiantadamente.
Espero que tenham gostado do capítulo.
Não se esqueçam de comentar/avaliar.
Bjsss.



Eriimiilsa: Pois é, algumas das suas hipóteses estão certas :D Muito obrigada pelo elogio e por estar sempre comentando. Fico muito lisonjeada com os seus elogios. Bjss.
Juh Lovato: Que bom que você gostou, logo você saberá se ele irá acordar ou não... Muito obrigada por comentar, bjsss linda.