terça-feira, 3 de outubro de 2017

#ProjetoFicstape

Olá a todos (as), estou participado de um projeto chamado Fics Tape, onde diversas autoras de fanfics escreverão uma OneShot inspirada em alguma música dos artistas da Disney (Demi Lovato, Nick Jonas, Joe Jonas, Miley Cyrus, etc). Então, sim, eu tenho uma ótima noticia para os fãs de Jemi que gostavam das minhas fanfics do casal: publicarei uma OneShot Jemi. Neste post deixo os dias das postagens e as sinopses das postagens. Não se esqueçam de prestigiar todas as autoras, todas são ótimas e aposto que você irão adorar.

CONTOS QUE SERÃO PUBLICADOS NO DIA 06 DE OUTUBRO: 
IN REAL LIFE, DE MELODRAMA.
Uma jovem cirurgiã de trauma tem um grande dilema sobre sua vida amorosa. Ela foge de relacionamentos, mas tem um desejo de partilhar uma utopia amorosa. Vivendo em uma linha tênue sobre o que quer e do que ela tem medo. Talvez encontre alguém insiste o suficiente para realizar isso e quando menos espera.
WE OWN THE NIGHT, DE A DOR DA LIBERDADE.
Uma noite antes do próprio casamento Emma Roberts, uma professora do jardim de infância, descobre-se traída e, de coração e alma partida, decide que enfrentar uma noitada regada a muito álcool é a solução para todos os seus problemas. É claro, no entanto, que tudo deu errado: bêbada, a moça acaba precisando da ajuda de um desconhecido, que a acompanha em uma divertida jornada regada de lágrimas, tacos de golfe e leis infligidas enquanto se vingam do ex-noivo da moça e constroem um relacionamento nada solido baseado em uma teoria sobre azeitonas.

CONTOS QUE SERÃO PUBLICADOS NO DIA 09 DE OUTUBRO: 
EVERYTIME YOU LIE | CONTO DE PARADISE FANFICS
Joseph é um garoto conhecido por sua má reputação, ele é um verdadeiro destruidor de corações! Demetria ignorou sua própria intuição sobre ele, os avisos dos amigos e deixou-se levar, gostando dele mais do que deveria. Ele tinha uma namorada antes de conhece-la, mas jurou ter esquecido Chelsea e acabou por ganhar as graças da garota. Três meses depois, ele termina o namoro com Demi por motivos nada convincentes e ela acaba fazendo uma grande descoberta! Não demora muito e Joseph quer voltar para ela, mas a garota toma uma decisão inesperada por parte dele e prova que diferente das outras, ela sabe enxergar a verdade por trás das mentiras.
REMEMBER DECEMBER / BLACK KEYS | CONTO DE BREATHELESS
Demi pensou que o que vivera com Joseph Jonas na afolescência era intenso e que seria para sempre, mas após Joseph terminar tudo, alguns anos depois, Demi se vê sozinha e desolada. Dois anos depois, Joseph está de volta à Londres, lugar onde conhecera a jovem, e volta pretendendo se redimir.  A vida dos dois se encontra novamente, a Demi terá que escolher entre seguir com a sua vida sem Joseph ou render-se ao seu antigo amor.

CONTOS QUE SERÃO PUBLICADOS NO DIA 12 DE OUTUBRO: 
MAKE IR RIGHT / TURN IR RIGHT | CONTO DE EU AMO A MILEY CYRUS
Miley é casada há sete anos e está enfrentando uma fase de estagnação em seu relacionamento. Por causa do trabalho, seu marido, Liam, precisa viajar para passar o fim de semana no outro lado do país, acompanhado de uma secretaria bastante atraente, o que a deixa um tanto insegura. Ao mesmo tempo, a moça reencontra um amor do passado, Nicholas, que coincidentemente retornou à cidade após vários anos para passar apenas o final de semana. Será que o assunto do passado mal resolvidos poderiam levar Miley a cometer o erro do qual se arrependeria o resto da vida?
JUST FRINDS / INSEPARABLE | CONTO DE CRAZY KINDA CRUSH IN YOU
Nick é apaixonado por Miley há 3 anos anos, mas sempre foi muito tímido e nunca teve coragem de falar com ela, apenas se cumprimentam e nem é sempre. Até que um dia a melhor amiga dele, Demi, o encoraja a chamar Miley para ir ao baile de formatura com ele. Tudo dá certo e eles começam um caso, até que Nick recebe uma bolsa em uma universidade de Londres, de todas as universidades em que ele prestou vestibular, essa foi a única que o ofereceu bolsa completa e ele se vê obrigado a aceitar, isso pode estragar um relacionamento que está apenas começando. Será o fim dessa história?

CONTOS QUE SERÃO PUBLICADOS NO DIA 15 DE OUTUBRO: 
I PROMISSE YOU | CONTO DE CARAVANAS
Nick sabia muitas coisas. Porém, o amor sempre lhe foi uma incógnita impossível de ser resolvida. Para ele, o amor só poderia significar uma dessas coisas: 1) uma mentira inventada pelo homem para alimentar seu próprio ego ou 2) um privilégio que ele, em seus breves dezessete anos de vida, nunca conheceu.
THE DRIVEWAY | CONTO DE THIEF OF HEARTS
Miley tinha um sonho. Aparentemente impossível, que finalmente poderia virar realidade. O seu sonho de se tornar uma grande artista pop estava ao seu alcance quando uma proposta irrecusável de se mudar para Los Angeles surgiu, prometendo um contrato com uma grande gravadora e parceria com um empresário de renome. Mas nem tudo são flores. O seu primeiro e grande amor, Nick Jonas, continuaria para trás, junto com pequena cidade em New Jersey. Dentre tentativas de continuar com o relacionamento a distância e diversas brigas, o romance chega ao fim.Mas será que a mesma estrada que levou o amor da vida de Nick embora, também será a mesma que a trará de volta?

CONTOS QUE SERÃO PUBLICADOS NO DIA 18 DE OUTUBRO: 
STOP THE WORLD | CONTO DE WONDERLAND FANFICS
O casamento existe para vivermos ao lado da pessoa que nós amamos e que queremos construir um futuro. O casamento é uma união entre duas pessoas que estão comprometidas à fazer um ao outro crescer e se tornar melhor a cada dia. Demetria e Joseph começaram à namorar quando ainda eram adolescentes, eles tinham um amor no qual as pessoas em volta sonhavam ter. Os anos se passaram, eles se casaram e se tornaram adultos mas a vida à dois não é um mar de rosas, os problemas começaram aparecer e tudo é motivo para uma nova briga, o relacionamento deles está se desgastando à cada dia mais e aparentemente não há concerto para eles! Mas e o "até que a morte nos separe"? Um acidente inesperado cruza suas vidas para mostrar que o verdadeiro amor tudo supera.
GOT DYNAMITE | CONTO DE SECRETS
Demetria passou anos em um relacionamento que terminou de maneira desastrosa. Sem esperança no amor ela decide que vai aproveitar a vida e promete que nunca mais se entregá a ninguém. Para isso, ela criou barreiras em seu coração, onde nenhum homem pode ultrapassar, porém Joseph, amigo de trabalho que sempre foi apaixonado por ela, vai investir pesado para quebrar essas paredes e conquista-la. E então Joseph, got dynamite?

WORLD OF CHANCES | CONTO DE EU AMO A MILEY CYRUS
A jovem Ronnie Miller foi aceita na Julliard, realizando assim o sonho do seu falecido pai e seu próprio sonho de infância. Em seu ingresso na universidade, ela conhece vários jovens tão talentosos como ela e alguns até mais, que assim como ela também compartilham de grande respeito e afeição pela música.
Ronnie com sua tipica personalidade forte, não se esforça nenhum pouco para ser amigável e faz de tudo para passar despercebida, mas acaba com uma colega de quarto tagarela e extremamente sorridente, a animadíssima Mitchie Torres.
A nova colega de quarto a apresenta ao seu nenhum pouco comum grupo de amigos, e dente esses amigos, está alguém que virá ser bastante especial nessa nova etapa da vida de Ronnies: Nathan, ou Nate, como prefere ser chamado. O rapaz é integrante da famosa banda Connect 3, que junto com Shane e Jason, foram os grandes vencedores do JAM Final das batalhas entre Camp Rock e Camp Star e por esse motivo são alunos bastante reconhecidos em toda a universidade.
Durante o ano letivo, Ronnie e Nate desenvolvem uma forte conexão e após um único beijo roubado, Ronnie começa a questionar a si mesma sobre seus verdadeiros sentimentos. Afinal de contas, Will ainda está esperando por ela na Geórgia.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Outono Cinza





Olá gente, quem se lembra de um capítulo que eu postei há alguns dias, sobre um desafio no qual estou participando? Então, aqui está a continuação, desta vez o tema era outono. Para quem não leu a primeira parte, é só clicar aqui .
Espero que gostem.

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                O verão mais estranho da minha vida já tinha terminado, mas isso não significa que o outono seria mais fácil.
                Casar com um desconhecido parece não ser algo tão incomum, quanto eu achei que era. Descobrir a forma em que me casei, ainda é uma história bizarra para mim, concluir que a separação seria um processo complicado, pois nos casamos em comunhão universal de bens, portanto, tudo o que eu já tinha e tudo que eu adquiri desde o casamento, deveriam ser divididos, foi assustador, mas contar a novidade para minha família, foi o fim.
                Agora estávamos todos juntos na sala de reunião da empresa. Eu, Roberto, meus pais, meu avô paterno, dois advogados e minha tia materna.
                Todos olham para nós sem reação, talvez estejam esperando que eu comece a rir, revelando que tudo não se tratava de uma brincadeira, uma encenação para descontrair o ambiente sério de trabalho. O último vestígio da animação do verão, antes que o outono nos deixe sérios demais.
                – Podemos processar o juiz desse cartório, se os dois estavam bêbados, ele deveria ter impedido a cerimonia. – um dos advogados sugere.
                – Ou ele pode aceitar o divorcio, sem pegar nenhuma parte do dinheiro. – meu pai diz. – Afinal de contas, você não casou com ela para roubar o dinheiro de nossa família, foi?
                – Pai! – eu o repreendo.
                – Não estou acusando. – ele se defende. – Estou apenas perguntando.
                Assim como pude conhecer melhor de Roberto, ele pode conhecer um pouco mais de mim. E a nossa clara diferença física não é nada comparada com a diferença em nossa renda.
                Meu tataravô é o fundador da maior empresa de construção de nosso estado, como parte da família, eu herdei o cargo de subdiretora da empresa, que hoje é comandada, quase que exclusivamente, por meu pai. A empresa é grande e a fortuna juntada por todos esses anos é alta, portanto, sou rica desde que nasci.
                Já Roberto tem uma história completamente diferente, sua vida não foi fácil. Criado só pela mãe, ele morava em uma invasão, quando tinha dois anos, a prefeitura desocupou o terreno onde ele morava e junto a sua mãe, foi morar na rua. Ficou nessa condição por quase um ano, quando ela conseguiu um trabalho, em tempo integral, como empregada, e a patroa permitiu que ela levasse o filho. Por toda a vida a mãe de Roberto foi domestica e ela nunca deixou que ele desistisse dos estudos. Ele foi o primeiro da família a entrar para faculdade, onde se formou em direito, hoje ele trabalha para o estado, como oficial de justiça, e com o salário, sustenta a mãe.
                – Não somos ruins. – sussurro para Roberto, que está sentado a meu lado.
                – Eu sei. – ele diz não muito alegre.
                – Nosso casamento foi estranho. – tento defender-me.
                – Eu sei. – desta vez ele força um sorriso.
                – Podemos lhe oferecer uma quantia, será bem menor do que a que levaria no caso da separação, mas será boa. – o outro advogado sugere.
                – De jeito nenhum. – meu pai interfere. – Agora toda vez que Marcela ficar bêbada e se casar, eu serei obrigado a pagar para que ela se separe?
                – Isso não vai se repetir. – defendo-me. – Não é como se isso acontecesse toda hora.
                – Eu não sei mais de nada, Marcela, mais de nada. – ele mal olha para mim. – Então me diga rapaz, você aceita sair, sem pedir nenhum dinheiro?
                – Não estou interessado no dinheiro. – Roberto responde, sem pestanejar.
                – Então o que estamos fazendo aqui? – meu pai pergunta.
                – Eu não sei. – Roberto responde. – Marcela e eu viemos apenas para dizer o que aconteceu, você que resolveu organizar essa reunião, ao invés de apenas conversar com a gente. – ele não teme em falar de igual para igual com meu pai. Até mesmo eu tenho medo de falar tão de frente com ele.
                – Então agora eu sou o errado da história? – ele pergunta.
                – Pai, não é assim.
                – Cale a boca, Marcela. – meu pai se altera.
                – Não fale assim com ela. – Roberto me defende.
                – Porque você está defendendo-a? Vocês nem mesmo se conheciam antes de fazerem essa burrada! Ou isso não se passa de uma brincadeira? Mais uma das piadas sem graça dessa menina mimada?
                – Não é uma brincadeira, pai. – já não tenho animo para brigar.
                – Temos que solucionar isso rápido. – ele exige.
                – E se eles continuarem casados. – sugere minha tia.
                Minha tia é uma mulher brincalhona, meu pai a odeia, mas por possuir uma astucia inigualável, quando o assunto é administração de empresas, ele foi obrigado a aceita-la como membro ativo dentro do alto escalão da empresa da família.
                – Não vejo como isto é uma solução. – meu pai quase rosna.
                – Primeiro que impede que ela cometa o erro novamente. – ri, mas quando vê que ninguém a segue, volta a ficar séria. – segundo que nos daria mais tempo para procurar uma solução melhor...
                – E mais rico ele sairá no final. – meu pai a interrompe. – Não vou parar os ganhos da empresa, só para que ela se separe sem perder dinheiro...
                – Eu aceito. – digo e todos me olham.
                – Eu não permito. – meu pai finalmente olha para mim.
                – Já estou casada, não há nada que possas fazer. – bato o pé. – Você aceita? – pergunto a Roberto e ele começa a sorrir.
                – Claro, estou adorando minha vida de casado. – ele diz e olha diretamente a meu pai, que está vermelho de raiva.
                – Ótimo, já podemos terminar esta reunião. – eu me levanto da cadeira.
                – Onde você pensa que vai? – meu pai agora grita.
                – Embora. – respondo. Roberto se levanta e segura minha mão. Saímos juntos da grande sala.
                Enquanto esperamos pelo elevador, Roberto parece pensativo.
                – O que foi? Já se arrependeu? – pergunto.
                – Não. – ele sorri fraco. – Este lugar... Cheio de ternos e cabelos arrumados e regras, nada de...
                – Alegria. – continuo a frase, quando percebo que ele hesita.
                – Não há cor aqui. Apenas preto e branco. É como se um outono cinza. – diz. O elevador chega e entramos.
                – Minha vida é cinza. – digo, após ficarmos breves segundos em silêncio. – Sempre foi. – digo. – Eu só nunca percebi antes.
                – Se você quiser, posso tentar colocar um pouco de cor nela. – eu o olho, e ele sorri para mim. – Já que somos marido e mulher... – dá de ombros.
                – Se eu não te conhecesse, diria que está gamado em mim. – ele gargalha e a porta do elevador se abre, e saímos na portaria.
                Ao sairmos do prédio, uma rajada de vento me faz arrepiar, Roberto me abraça, para inibir meu frio.
                As folhas das árvores começam a se espalharem pelo chão, as árvores quase nuas, parecem tiradas de um conto de terror, as roupas, que semanas atrás eram leves e coloridas, começam a ficar mais escuras e a terem mais panos. O outono chegou, mostrando que não veio para brincadeiras.
                – Vou te levar para conhecer minha mãe. – ele anuncia.
                – Sério? Contou sobre nós para ela? – pergunto.
                – Claro. – ele diz. – E ela quer te conhecer... Prometo que ela não irá chamar nenhum advogado e lhe acusar de nada. – eu coro, sem graça. – Ei, eu estou brincando. – ele ri, ao perceber que fiquei calada.
                – Eu sei. Já passei um bom tempo com você. – digo. – Você é um entusiasta de carteirinha.
                – Não vejo o porquê passar a vida de cara fechada. – ele se justifica.
                – Podemos marcar algo. – digo. – Com a sua mãe.
                – Você vai gostar da sua sogra. – ele brinca.
                – Se ela for como você...
                – Se eu não te conhecesse, diria que você está gamada por mim. – ele relembra minha fala de agora pouco e isso me faz rir.
                – Já que somos marido e mulher, vamos entrar na brincadeira.

Continua



terça-feira, 9 de maio de 2017

Na velocidade do verão


Olá gente, esta postagem não entrou no cronograma do blogger, pois resolvi participar do desafio hoje, então tive que escrever meio que as pressas, já que o prazo para entregar o desafio, também termina hoje, concluindo, eu não tive tempo para avisa-los.
Para explicar melhor, estou participando do desafio do mês de maio da página do Facebook: Ficwriter Facts. O tema é Verão.
O capítulo ficou grande, mas espero que vocês possam ler, pretendo continuar essa história nos próximos desafios, então se você gostou, não se desespere, ela terá continuação.

......



                O calor do sol forte bate em minha pele assim que abro a cortina da janela de meu quarto. Olho para a paisagem, e o céu está num azul puro, nenhuma nuvem a vista. As árvores e flores parecem gostar disso, nem mesmo na estação das flores elas estiveram tão verdes e vivas.
                Um pouco mais além, avisto a praia e todo seu resplendor, não há quase ninguém por lá e isso me agrada.
                Tomo um rápido banho, apenas para espantar o calor e o suor que já se acumulava em meu corpo, mesmo eu estando parada. A água fria me ajuda a equilibrar a temperatura corporal.
                Não me preocupo em caprichar na secagem, nem mesmo mexo em meu cabelo. Apenas visto meu biquíni e minha saída de praia, procuro minha bolsa (com protetor solar, carteira, óculos de sol e chapéu), e ela ainda estava completa. Coloco meu celular e uma garrafa d’água. Nada mais me segurava dentro desta casa.
                Saio da casa, atravesso a rua e já me encontro pisando na areia branca.
                Por estar praticamente vazia, posso escolher o lugar que quero me acomodar. Jogo minha canga na areia, sento-me e começo a passar o protetor solar.
                Coloco os óculos e deito-me, sinto o sol em minha pele e a brisa do mar faz com que meu cabelo não fique quieto.
O verão ainda está em seu auge, e eu não sinto nenhuma falta das estações anteriores. Um mês inteiro de férias, num paraíso tropical é tudo o que um ser humano necessita para ser feliz.
                – Gostei de você. – assusto-me ao ouvir a voz de homem ao meu lado. Tiro os óculos, sento-me e olho para o lado.
                Um homem grande, negro, de tatuagens tribais no braço esquerdo, que se estendem do ombro até seu pulso. Ele sorri gentil para mim.
                – Oi? – pergunto confusa.
                – Achei você legal. – ele diz.
                – Eu te conheço? – não quero ser grossa, mas achei sua aproximação estranha.
                – Ontem, no Karaokê. – ele me diz. – Você cantou Demi Lovato. – ele relembra e eu coro instantaneamente. Ele percebe. – É. – diz rindo. – Você canta bem mal.
                – Se você está tentando me conquistar, não sei se começou bem... – digo. Ok, não sou uma boa cantora, mas cantei no Karaokê num momento de descontração, ele não pode me julgar.
                – Sempre achei que falar a verdade era uma ótima maneira de começar uma aproximação, gera confiança. – ele sorri largo.
                – Delicadeza é melhor. – digo.
                – Se te serve de consolo, também não canto bem. Você não se lembra? – ele pergunta e eu começo a puxar na memoria a noite anterior.
                – Cantei aquela música da banda Dnce, “Cake by the ocean”. – ele diz.
                – Oh. – digo num tom que mistura surpresa, desapontamento e pena. – Você? – pergunto.
                Lembro-me de alguém estragando essa música no palco e agora percebo o porquê. Este homem grande e bruto tem uma voz grossa e ontem ele tentara cantar da mesma maneira e tom do Joe Jonas, não tinha como isso dar certo.
                – Pois é. – ele ri. – Viu? Já temos algo em comum. Ambos somos péssimos cantores. – eu acabo rindo da maneira em que ele fala.
                – Então você me reconheceu e decidiu vir falar comigo? – pergunto.
                – Não conheço ninguém por aqui. – dá de ombros. – Tentar fazer amizade não me parece algo errado. – faz uma breve pausa. – E como eu já te conheci no seu pior, tu tens um passo à frente em relação a todos aqui. – eu acabo rindo novamente.
                – Você é sempre assim? – pergunto.
                – Assim como? – ele pergunta.
                – Humorado. – digo, sem saber se é a palavra correta.
                – É verão. Estou de férias. O verão passa rápido. Não há porque ficar desanimado.
                – Então agora sou sua amiga? – pergunto, quando percebo que ele se calou.
                – Existe o famoso ‘amor de verão’, não é? – apenas assinto com a cabeça. – Podemos ter uma ‘amizade de verão’. O que achas? – sugere.
                Eu não o conheço. Sei que não deveria ter deixado o assunto render. Mas aqui estou eu, pensando em ficar amiga daquele homem.
                – Meu nome é Roberto. – se apresenta por fim. Ele apresenta a mão, para cumprimentar-me.
                – Sou Marcela. – digo, cumprimentando-o.
                No apertar de nossas mãos, evidenciam-se nossas diferenças físicas.
                Ele é todo grande e isso inclui sua mão. Sua pele é negra e meus dedos largos. Já eu sou magra, tenho uma estatura normal, mas, mesmo ele estando sentado ao meu lado, sei que se levantarmos e ficarmos lado a lado; eu ficarei baixinha. Minha pele é branca, mesmo já frequentando assiduamente a praia nos últimos quatro dias, eu ainda estou pálida. Eu sou incapaz de ficar bronzeada, apenas fico vermelha como uma pimenta.
               
                No inicio o clima fica estranho, mas Roberto consegue criar assuntos e manter a conversa viva.
                Ele fala sobre sua infância, sua cidade, que por coincidência, é a mesma que a minha. Fala sobre sua grande e barulhenta família e sobre como ele ganhou uma passagem de graça para vir passar suas férias aqui.
                Eu tento não revelar muito, pois, apesar de já sentir confiança em relação a aquele homem, quero manter a minha chata vida cotidiana, longe dos meus pensamentos.
                – Sabe, tem um bar aqui perto que já deve estar abrindo, é muito legal lá, tem comida boa, muita bebida...  – eu hesito. – Eu não quero raptar você, se é isso que está pensando. – diz.
                – Não acho que um sequestrador diria algo diferente. – digo e dou uma risada logo após, para que ele não fique chateado comigo.
                – Tudo bem. Eu entendo. Você não me conhece bem ainda... Vamos fazer assim, eu te passo o endereço, eu devo ir para lá daqui uma meia hora, você usa o dia para decidir se quer me encontrar lá ou não. – sugere.
                – Acho que... Pode ser. – não dou muita certeza, mas estou aberta a considerar a sugestão do homem.
                – Não tenho caneta aqui e não irei lhe pedir para escrever em seu celular, pois percebi que és desconfiada. Então tente lembrar o endereço, pode ser? – eu balanço a cabeça afirmativamente. – Rua das Margaridas... – ele começa a dizer.
                – Ah, é a rua logo atrás da casa que aluguei. – digo e ele ri.
                – Para quem está com medo de ser raptada, você não se protege bem. – repara e eu coro.
                Como sou idiota.
                – Como eu ia dizendo, Rua das Margaridas, número 27. O nome é Clube da praia Laranja. Vai ser bem fácil de achar. É um bar laranja. – diz e sorri.
                – Guardado na memoria. – digo e ele concorda.
                – Bom, acho que é era de eu partir. Espero que confie em mim. – diz se levantando e comprovando minha tese sobre sua altura, ele é gigante.
                Fico mais um tempo na praia, quero relaxar, mas confesso que não tiro Roberto da cabeça. Não estou apaixonada, nem nada, mas não posso mentir, ele me gerou uma curiosidade.
                Ele parece ser gentil e é engraçado. Sua aproximação não foi a ideal, e eu temo que suas intensões não sejam as melhores, mas... Mas eu queria entrar na sua onda e aceitar sua proposta de ‘amizade de verão’.
                Junto minhas coisas e volto para casa.
                Lá penso mais um pouco. Entro na internet e pesquiso sobre o tal Clube e o lugar, pelas fotos e comentários, parece ser bem legal e movimentado. Se ele estivesse tentando sequestrar-me, provavelmente escolheria um lugar mais vazio, como a praia em que estávamos...
                Decido tomar mais um banho, pois já estou suada novamente. Desta vez, ao sair do banheiro, penteio meu cabelo e me seco com cuidado. Primeiro que minha pele arde, graças ao sol, e segundo porque quero ficar totalmente seca para vestir-me melhor.
                Não sei o que usar, mas como estou numa região praiana, coloco um vestido branco, com detalhes de bordado. É de um tecido leve. Prendo meu cabelo num coque alto e coloco um colar de corrente fina, que tem um pingente delicado de coração no final.
                Não uso maquiagem, eu apenas passo um batom rosinha claro.
               
                Quando chego ao local, o céu já está mais escuro e o clima mais fresco. O lugar está cheio e temo não conseguir encontrar Roberto na multidão.
                Ando pelos corredores que se formam entre as mesas cheias de turistas e logo reparo numa montanha negra sentado no bar. Aproximo-me e paro ao seu lado, quero garantir que não cumprimentarei a pessoa errada.
                Roberto abre um largo sorriso quando me vê.
                – Você confiou. – parece um pouco surpreso.
                – Sim. – confirmo.
                – Ótimo.  – puxa uma cadeira para que eu me sente ao seu lado. – Sente-se, vamos beber algo. – diz já chamando o garçom para nos atender.
                Bebendo, acabo me sentindo mais leve e permito-me revelar mais sobre mim, enquanto converso com Roberto. Ele também se mostra ainda mais alegre bêbado.
                Saímos do bar quando já é noite, levo-o para uma boate que conheci no meu primeiro dia nessa cidade praiana. Ele, no inicio não parece muito à vontade no local, mas insisto e ele cede.
                Dançamos e bebemos mais um pouco.
                Sei que saímos dessa boate e fomos para outra, que não fica muito longe, nesta também dançamos e bebemos mais.
                Quando saímos desta segunda boate, a noite está no seu auge. As ruas estão cheias e no meio do caminho encontramos um pequeno bloco de carnaval. Estamos cansados, mas entramos na folia. Dançar mais um pouco não faz mal.

                Não sei se realmente aconteceu, ou se sonhei, mas Roberto me beija e eu retribuo.

                Acordo. Demoro um pouco para perceber onde estou e sinto um alivio enorme ao constatar que estou no quarto da casa que aluguei para passar as férias. Não preciso me virar para ver que não estou sozinha, minha cabeça doe e não me lembro de boa parte da noite anterior. Quando me viro, encontro um homem a meu lado. É Roberto, lembro-me dele e me assusto ao perceber que me deixei ir tão longe com ele. Não sou do tipo que dorme no primeiro encontro, e isso só evidencia o quão louca eu fiquei na noite anterior.
                Tento chacoalhar o homem, mas ele é grande e não sai do lugar, porém ele acorda e olha para mim. Roberto sorri grande ao perceber que também estou desperta.
                – Bom dia, flor do dia. – ele diz carinhoso, levantando sua mão esquerda e mostrando-me um anel em sua mão esquerda, em seu dedo anelar. Levo um susto.
                Meu Deus, eu dormi com um homem casado!
                Mas assim que olho minha mão, a mesma que usei para chacoalhá-lo, percebo:
                Eu sou a esposa.

                

sexta-feira, 28 de abril de 2017

1. O Segredo de Sara (Parte 1)



Durante as férias

                              Falta pouco mais de uma semana para que as férias de verão acabar, e mesmo faltando tão pouco tempo, Sara não quer pensar na escola, mas sim em seu namorado, que passou a maior parte do tempo em outro estado, ajudando a construir casas para os pobres.
                               Só de pensar nisso, Sara já revira os olhos.
                               Mas hoje é o dia em que ele vai voltar, em poucas horas os dois estarão nos braços um do outro.
                               – Senhorita Sara, o seu banho já está pronto. – diz Eleonora, sua empregada. – a senhorita precisa de mais alguma coisa? – Sara pensa um pouco e diz.
                               – Você colocou pétalas de rosas na banheira? – pergunta.
                               – Sim senhorita. – responde e ri boba.
                               – Porque você está rindo? – Sara pergunta séria. – Você está querendo insinuar alguma coisa? – Eleonora arregala os olhos.
                               – Claro que não senhorita.
                               – Então você acha que eu sou boba? Objeto de piada talvez?
                               – Claro que não, claro que não. – dá para sentir o desespero na voz de Eleonora, mas isso não afeta a Sara, que segue deitada em sua cama King Size, com uma expressão séria. – Eu te respeito muito senhorita.
                               – Não é o que eu estou vendo. – contrapõe a garota.
                               – Eu só acho bonito isso, tomar banho de rosas, é romântico. – ela tenta se explicar.
                               – Cale a boca. – Sara grita. – Quer saber? Você, e sua boca sorridente, não vão me atrapalhar. – suspira. – Não preciso de mais nada, pode se retirar. – diz mais calma.
                Eleonora sai sem pestanejar.
                               Sara pula para fora da cama e vai se despindo até chegar a seu banheiro privativo. Lá a banheira já está cheia, as bolhas de espumas estão na medida certa, assim como as pétalas de rosas. Eleonora podia ser inconveniente, ao olhar de Sara, mas nem mesmo ela pode negar que a empregada faz um bom trabalho.
                               O banho de banheira dura quase meia hora.
                               Ao sair da banheira, Sara penteia seu cabelo bem superficialmente, e depois o amarra em um coque alto, do jeito que seu namorado, Ricardo, mais gosta.
                               Sara se embrulha na toalha e volta para o quarto, hora de procurar a roupa ideal.
                               O closet, mesmo grande, está cheio, são roupas novas e de grife. Sara procura por algo comportado, pois sainhas e shortinhos não são bem vindos à casa do namorado.
                               Ela escolhe um vestido branco e florido, ele vai ate os joelhos. Como é de alcinha, Sara coloca um casaquinho de renda branco por cima, para esconder um pouco mais os braços. O sapato já é algo mais difícil de escolher, são tantas opções...
                               Após muito procurar, ela se decide por um sapato de salto Rosa Nude.
                               Sara desce para o primeiro andar de sua casa e encontra seus pais na sala. Isso é algo raro.
                Sua mãe está concentrada em seu IPAD, provavelmente analisando ou estudando melhor uma futura cirurgia, já seu pai, está lendo o jornal, ambos estão na sala de estar, um ao lado do outro.
                               – Você vai sair? – seu pai pergunta, assim que a vê.
                               – Vou. – Sara responde, mas assim que olha para o pai, percebe que ele já não presta atenção nela. – Vou a uma boate onde posso comprar drogas. – ela diz sem medo e comprova que eles não estão escutando-a, pois eles nem mesmo dizem nada.
                               Sara revira os olhos e percebe que não há o que fazer ali. Após decidir que não irá comer seu café da manhã, mesmo ainda faltando horas para a chegada do namorado, ela resolve ir até sua casa, e assim poderá fazê-lo uma surpresa.
                               A casa do namorado não fica longe, apenas dois quarteirões o separam, mas ainda assim, Sara não recusa usar sua limusine para chegar até lá.
                No caminho, ela decide ligar para sua amiga, Rebecca. As duas haviam conversado ontem anoite, e Rebecca não parecia se sentir muito bem, mas tampouco revelou o que era. Isso incomoda a Sara em altos níveis, pois ambas sempre compartilhavam tudo, de segredo sujo até as roupas caríssimas.
                O telefone chama, chama e chama, mas Rebecca não atende.
                Sara pensa em talvez ir a casa da amiga, afinal, Ricardo, seu noivo, não chegaria em menos de uma hora...
                – Chegamos senhorita. – diz Rick, o chofer. Sara não responde, ainda está indecisa se ela irá ver a amiga ou se fica e faz uma supressa ao namorado. – Senhorita? – Rick o chama, sem saber se a patroa escutou.
                – Eu já escutei. – Sara responde grossa, e por ficar irritada, decide descer ali mesmo. Ela ainda teria a chance de conversar com a amiga.
                Os funcionários da casa dos avós de Ricardo já conhecem bem a Sara, então ela não tem muita dificuldade para passar pela portaria e chegar até a grande sala da casa.
                Quando chega, Sara se senta confortavelmente no sofá, mas logo se sente incomodada com a aparição de Heitor, o irmão mais velho de Ricardo.
                – Sinto lhe dizer, mas perdeu sua viagem. – Heitor diz, sem cumprimenta-la, ele nem mesmo a olha direito.
                – O que você quer dizer com isso? – Sara pergunta.
                – O voo do meu irmão foi cancelado, parece que haverá um tufão na região em que ele está. – Heitor responde sem dar muita importância, mas Sara entra em desespero.
                – Como assim um tufão? – pergunta de olhos arregalados, se levantando do sofá num pulo.
                – Fique tranquila, o hotel em que ele está tem pareces mais fortes do que um cofre de banco. – Heitor dá de ombros.
                Isso tranquiliza a Sara, mas a incomoda, será mais um dia longe de seu amor.
                – E seus avós? – ela pergunta.
                – Viajaram também. – ele responde. – Caribe, conhece? – ele pergunta sorridente e sarcástico.
                – Não finja amizade, você não gosta de mim. – Sara diz.
                – Eu não tenho nada contra você. – Heitor acha graça. – Só não entendo vocês.
                – Vocês? – Sara não entende o que o rapaz quer dizer.
                – Você e meu irmão. – Heitor se explica enquanto vai ao armário de bebidas do avô e pega a garrafa de uísque. – Vocês não fazem sentido.
                – Você não faz sentido. – Sara contrapõe.
                – Não se faça de besta, você gosta de mostrar que é “a doce menina boba”. – ele a zoa, e a entrega um copo com uísque. – quer? – ela hesita.
                – Não. – ela responde e Heitor ri.
                – Sim, você quer. – ele garante. – mas é como eu disse: você tem que manter a face de “doce menina boba”, pois é esse tipo de menina que meu irmão gosta.
                – Você não sabe de nada. – Sara tenta dizer, mas é interrompida.
                – Eu conheço você, Sara. Você não é o tipo de garota que espera pelo casamento para se relacionar sexualmente, nem mesmo que nega bebida ou que larga a balada para participar de grupos de orações, nem mesmo que fica se cobrindo com panos e panos de roupas... – Sara quer contrapor, mas Heitor tinha razão.
                – Eu mudei, seu irmão me mudou. – ela mente.
                – Não mudou não. – Heitor diz. – E é isso que eu não entendo. Se ele não gosta de você pelo que você é, porque você insiste em continuar com ele? Não é pelo dinheiro, pois você também é rica, não é por sexo, porque isso ele não te dá...
                – Ele é carinhoso. – Sara responde. Heitor parece pensar.
                – Você é realmente tão carente que larga tudo por apenas um pouco de carinho? – Heitor pergunta. Sara fica surpresa consigo mesma, pois ao invés de responder, ela se pega pensando na pergunta.
                – Acho que vou embora. – Sara diz.
                 – Ei, espere. – Heitor pede. – Me desculpe, não queria te ofender, só queria entender melhor. – Sara para e volta a encarar Heitor.
                – Você nunca vai entender. – ela responde, pois nem mesmo ela entende.
                – Você não sente falta? – Heitor pergunta. – Do que era antes?
                – Sim. – Sara responde fraco.
                – Então aproveite o hoje. – Heitor sugere. – Meu irmão deve chegar amanhã. Aproveite o dia de hoje para matar a saudade da antiga Sara. – ele insiste.
                Sara pensa.
                – O que você sugere? – pergunta claramente interessada na sugestão.
                – Que tal começar com um uísque? – ele pergunta sorrindo, levantando ao ar o copo de uísque que acabara de oferecer a Sara e que fora recusado.
                Desta vez ela aceita.

Continua


Olá gente, primeiro capítulo postado, sei que ele está um pouco grande, mas foi necessário, prometo que os próximos serão menores.
Comentem o que acharam.

Muito obrigada.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Prólogo





Mas um ano escolar se inicia, e esse tem um quê de importância, é o último ano do Ensino Médio, é o último ano no Colégio, o último ano estudando juntos, é o último ano para decidirem qual rumo darão a suas vidas...
– É com grande prazer que o Colégio Émilie du Châtelet abre as portas novamente, para mais um ano de intenso aprendizado... – A diretora Ivone começa seu discurso.
Enquanto a diretora fala, poucos a escutam.
– Olhando assim nem parecem dois virgens. – Lucas zoa, e seus amigos riem. Ele se refere a Sara e a seu namorado, Ricardo, ambos se agarram no canto da quadra.
– Vai cuidar da sua vida. – Ricardo responde, pois agora que todos os olham, o clima quente com sua namorada foi destruído.
– Virjões! – Lucas fala alto, chamando atenção de mais gente. Alguns em resposta a brincadeira de Lucas, riem, outros viram os olhos, o ano nem mesmo começou e já estavam cansados do comportamento do garoto.
Lucas é brincalhão, mas não do tipo que todo mundo gosta, do tipo que irrita, perturba, mexe na ferida. Participa do time de futebol da escola e graças a isso conquistou um corpo escultural, cabelo preto, pele branca, recentemente, num ato de rebeldia, colocou um alargador em sua orelha esquerda. O Colégio Émilie du Châtelet é um colégio para jovens ricos, que cuidam da aparência mais do que das suas notas, Lucas chegar usando um alargador o deixou no centro das atenções, onde ele sempre gostou de estar.
Ricardo fica vermelho de raiva, mas ele é pacifico e não ataca, apenas olha para a namorada, que esta claramente chateada.
– Não fique assim, você sabe que ele é desse jeito. – Ricardo conforta a namorada. – O importante é que estamos fazendo o certo. – Ricardo garante.
Ricardo é um cara bonito, alto, cabelo castanho escuro, seu olhar é penetrante, e seus olhos são verdes. Ele e seu irmão mais velho foram criados pelos seus avós, após a morte trágica de seus pais. Seus avós são ricos e conservadores. Eles os criaram com preceitos cristãos, e isso influencia muito a Ricardo, é por causa dele que ele e Sara nunca tiveram relações sexuais, mesmo já namorando há quatro anos. Sexo apenas após o casamento. Apesar disso, ele não nega uns amassos vez e outra.
– Não estou chateada por isso. – Sara responde.
– Então porque ficou assim? – Ricardo pergunta preocupado.
Sara é uma garota que muitos chamariam de modelo de beleza: 1,67 de altura, traços leves, pele branca, cabelo longo e loiro escuro. Também de família rica, ela sempre se acostumou a ter tudo o que quer. Apesar de mima-la os pais pouco se fazem presentes em sua vida, mas na questão da faculdade, ambos são bem incisivos, ela seguirá o mesmo caminho que as últimas quatro gerações tomaram, fará Medicina e se tornará Medica Cirurgiã.
Sara olha para o namorado, ela pensa em falar o que a aflige, confessar, mas o olhar dele é tão forte, tão penetrante...
– Não é nada. – ela suspira. – Quero dizer... Tem a Rebecca... Ela está estranha. – Sara desenrola. – Estou preocupada com ela.
– Você a viu nessas férias, não a viu? – Ricardo pergunta.
– Sim. – Sara responde. – Mas... É como eu disse... Ela ficou estranha do nada. – Sara não mente. Ela conhece Rebecca desde pequena, as duas são melhores amigas desde sempre, as duas sempre foram confidentes uma da outra, mas isso mudou nessas férias de verão.
– Tente conversar com ela hoje. – Ricardo incentiva.
– Falar é fácil. Eu aposto que você não conversará com o Rafael se eu pedir.
– Rafael é diferente, eu sou amigo dele... Quero dizer, eu era amigo dele, mas não muito amigo; você é Rebecca são amigas desde quando vocês ainda engatinhavam.
– Ainda acho que você deveria falar com ele.
– Foi ele que se afastou. – Ricardo dá de ombros.
– Vocês dois fazem parte do time, vocês tem que ser amigos. – Sara insiste.
– Lucas também faz parte do time, você quer que eu vire amigo dele também? – Ricardo pergunta, acabando com o argumento da namorada.
– Eu só acho que valeria a pena insistir... Talvez por mim? – ela faz graça e Ricardo faz uma careta.
– Sara... Eu já tenho outras preocupações...
– Como? – ela pede um exemplo.
– Meu irmão. – Ricardo responde.
– Como assim seu irmão? – Sara pergunta assustada e Ricardo estranha, mas não comenta.
– Ele desapareceu, estamos todos preocupados. – Ricardo responde.
– Seu irmão é um louco... – ela ri. – Ele logo deve voltar. – da de ombros.
Ricardo franze a testa à namorada.
– O que foi? – ela pergunta.
– Ele é meu irmão, Sara. – ele fala um pouco decepcionado. – Minha família. – Sara olha para o chão, arrependida.
– Você se importa com ele, não é?
– Claro que sim. – Ricardo não pestaneja em responder. – Ele é meu irmão e eu o amo. – Sara fica sem saber o que dizer. – Eu também amo você. – Ricardo toca o queixo da namorada, fazendo com que ela o olhe. Para ele isso é um gesto de carinho, mas nesse exato momento, para Sara, esse é um gesto de tortura. – Eu a amo e também amo a ele. Ele sempre será meu irmão, e você é minha noiva, minha futura mulher. – Sara sorri fraco.
– Me desculpe. – ela pede e Ricardo, em resposta, a abraça forte.
Aplausos começam a ecoar na quadra. A diretora acabou seu discurso.
Agora é oficial.
Um novo ano começou.

Continua

Olá gente, estamos de volta, agora com uma nova história, na qual espero que vocês gostem.

Comentem o que acharam ;)