segunda-feira, 11 de março de 2013

19º CAPITULO “Tempo a perder” – AMOR EM GUERRA


_ Sinceramente, caso Joe acorde, eu não gostaria que sua criança nascesse. – falou sem pudor. Meu coração gelou naquele momento, como ele podia ter a coragem de falar isto comigo? Como alguém poderia desejar a outra um mal tão grande. _ Seria o melhor para ele.
O melhor para ele?  O que de tão extraordinário aconteceria a Joe se eu perdesse o bebê? Nada!
Aquelas palavras de Rick fizeram meu estomago embrulhar. Por sorte minha, como um bom comandante, ele soube que era hora de se retirar, mais uma palavra e mais um minuto perto daquele homem, na qual em tão pouco tempo eu aprendi a odiar, eu vomitaria tudo o que comi. O local não era agradável, afinal de contas é um cemitério, não há como ser feliz, a não ser para aqueles em que a morte não é motivo de medo ou de tristeza, mas sim de curiosidade, lucro e até mesmo diversão. Claro que depois daquela conversa, toda e qualquer alegria que eu sentia fora detonada. Joe ainda tinha coragem de me falar que ao conhecê-lo melhor você até poderia começar a gostar dele? Ele só podia estar brincando comigo. 
_ Você está bem amiga? – perguntou Miley, preocupada, eu nem tinha percebido sua presença no local.
_ Miley? Oi amiga, nem tinha te visto. – falei, abraçando-a, talvez o fato de Miley estar por perto me fizesse esquecer dos últimos minutos passados junto a Rick. Miley retribuiu o abraço, mas assim que desfizemos o abraço percebi que em seu rosto ainda tinha sinais de preocupação. _ Eu estou bem. – respondei por fim.
_ Não parece. – falou, Miley me conhece muito bem, ela sabe quando meu sorriso é verdadeiro ou não. _ Eu vi você conversando com Rick, não foi bom não é? – perguntou. Ela mesma foi uma que já me falou sobre Rick, tinha falado com ele apenas uma vez e, assim como eu, acabou odiando-o.
_ Você estava totalmente certa sobre ele. – falei.
_ O que ele te disse?
_ Ele teve a cara de me falar que se Joe acordasse do coma ele não queria que meu bebê nascesse. – falei. A lembrança de sua voz dura ao falar aquela frase novamente me atingiu em cheio, me fazendo ter vontade de chorar, não seria algo tão estranho, já que para onde se olhava tinha alguém aos prantos.
_ Eu não acredito que ele foi capaz de dizer isso. – o choque estava tanto estampado em sua face quando em sua voz.
_ Eu também não acreditei na hora. – falei, olhando para o chão. _ Ele disse que seria o melhor para Joe.
_ Seria o melhor para a guerra, perder homens, que não seja para morte, não é bem vinda para eles. – falou Miley, indignada. Eu não disse nada, ela tinha razão, desistências eram pior que morte. _ Me desculpe por ainda não ter ido visitar o Joe, eu...
_ Não amiga, está tudo bem. – falei, interrompendo-a. _ É até bom você não o ter visto no estado que ele está.
_ Oh amiga. – lamentou. _ Ele vai ficar bem. – falou. Eu confesso que já perdi a conta de quantas vezes eu tinha escutado aquela frase desde o momento em que cheguei, mas no fundo eu nem me importava, ele vai ficar bem, eu sei que vai, todos sabem que ele irá.


Ambos foram enterrados no cemitério reservado para os soldados, é triste olhar em volta e ver que há muitos túmulos lá, prova do quanto à guerra faz mal. Na guerra não há finais felizes, sempre há morte e destruição, o que há é vitória, mas não felicidade.
John e Gabriel foram enterrados um ao lado do outro, o que permitiu que todos os conhecidos pudessem se concentrar em um único local, teve a última benção do padre e da salva de tiros dada pelos soldados, em homenagem a eles.
Se eu já achava que o clima estava ruim, a hora em que os caixões começaram a ser colocados na cova foi uma tragédia, Alice, inconsolável se jogou no chão ao lado da cova, chorando e gritando para que Gabriel voltasse, era sua última esperança, talvez seus gritos o fizessem levantar, para muitos seu ato pode ter sido considerado idiota, mas eu a entendia, eu sei o que é se agarrar a esperança de um milagre, mesmo que no fundo, sua parte racional diga que é inútil. Provavelmente se um homem, na qual eu não conhecia, não tivesse se agachado ao seu lado e a segurado pelos braços, ela teria se jogado na cova, e obrigado a deixarem-na ser enterrada junto a ele. O filho mais novo de John começou a ter crise de asma, tendo que ser retirado as presas, Edna ficou sem saber o que fazer, queria ficar até o marido ser totalmente enterrado, queria ir junto ao filho para o hospital, com isso começou a desesperar-se e a desesperar quem estava em volta, o outro filho de John começou a berrar de dor, não física, mas sim de dor de perder um pai. A mãe de Gabriel teve queda de pressão, de um minuto para outro começou a aparecer câmeras de televisão, querendo gravar o enterro dos guerreiros que morreram em prol da pátria... De canto de olho procurei Rick, algo me instigou a curiosidade de saber como ele estava reagindo a aquela tragédia, será que toda aquela comoção o fizera demonstrar um pouco de sentimento?
Ele estava perto da cova de John, bem perto de Edna, bem no meio da confusão. Em seu rosto, um enorme nada. Sem lágrimas, sem sorriso, sem raiva, nada. Uma porta teria mais expressão.

--

Ao contrario do que Demi pensara o dia não melhorou com o passar do tempo. Os repórteres, ao descobrir que ela era a mulher de Joe, um dos soldados com nome noticiado, começaram a fazer perguntas, assim que terminou o enterro. Eram perguntas incomodas algumas que ela sabia como responder e outras que ela tinha medo de saber a respostas, como por exemplo, haverá sequelas quando ele acordar? Quais são as reais chances dele despertar?
Haverá sequelas? Se sim, quais? Ele a reconheceria quando acordasse? Ele reconheceria alguém? Ele se reconheceria? Ele poderá andar? Ele poderá falar corretamente? Ele poderá se mexer normalmente? Todas estas duvidas estão sem respostas, os médicos não tem como informar nada enquanto ele não acordar. Poderia muito bem ele acordar como se apenas tivesse dormido por um tempo, e logo voltaria sua vida ao normal, mas também ele poderia acordar sem se lembrar de ninguém, sem conseguir se movimentar ou com a fala prejudicada, prolongando ainda mais o sofrimento de todos.
Quais são as reais chances dele despertar? Zero? Um? Cinco? Ninguém arriscava chutar uma estimativa, mas pela maneira que os médicos diziam, em uma media de zero a dez, ninguém se arriscaria dizer mais de quatro, nem mesmo Demi, que ganhara uma esperança a mais ao saber de sua presença. Ele não poderia acordar a qualquer momento, esta fora a única frase concreta que Ian se permitiu dizer, ele não acordará enquanto não ocorrer algumas cirurgias, o sucesso delas que o farão ter chances. A cirurgia está marcada para a próxima semana, enquanto isso é apenas esperar e rezar para que ou as previsões médicas estejam erradas e Joe desperte antes da operação, ou que a operação seja bem sucedida.

Os repórteres que começaram a irritar a todos os conhecidos de Joe, só pararam quando foram impedidos pelos seguranças do hospital.
Logan, Eddie, Demi, Miley, Liam, Denise e Paul, todos lá, sentados nas cadeiras do corredor do quarto de Joe, em silêncio, ainda tentando assimilar o que tinha ocorrido naquele enterro, tão catastrófico e agitado, e entendendo a situação de Joe, posta por Ian. Valia apena manter tudo aquilo? Todos estavam sofrendo, agarrando-se num fio de esperança. Não seria melhor acabar com tudo aquilo? E se Joe também estivesse sofrendo? Era justo com ele?  

Miley e Demi agora estavam no refeitório do hospital, ambas já tinham terminado o lanche, mas ainda conversavam sentadas à mesa.
_ Você não pode deixar sua esperança morrer. – falou Miley. _ Não pense no pior, isso não faz bem.
_ As coisas devem estar piores do que eu acreditava que estavam. – falou Demi, sem olhar para amiga. _ Nenhum médico que tenha alguma esperança de que o paciente sobreviva sugerirá para decidirmos se devemos continuar tentando ou parar. – falou com voz de choro, Demi queria chorar, mas as lágrimas não saiam, formando um nó em sua garganta e um buraco em seu coração. A dor é pior quando prendida dentro de si. _ Eu tenho medo que desistam de tentar, eu tenho medo de que achem que não há nada mais a fazer. – confessou.
_ Eles estão fazendo o melhor que podem Demi, você sabe que eles não irão desistir tão fácil.
_ Então porque eles já querem?
_ Eles não querem desistir.
_ Então porque ele disse o que disse? – Miley ficou sem respostas. “Sei que é difícil para vocês tomarem uma decisão como esta, mas vocês tem que levar em consideração a opção de desligamento das maquinas” - Ian “Ainda há chance de ele acordar? O u você está dizendo isto porque não há mais nada a ser feito?” – Paul, “Só estou querendo deixar claro que há outras opções, opções estas que podem diminuir o sofrimento de longo prazo. Às vezes dizer adeus é o melhor” – respondeu Ian. Aquela conversa ainda estava bem clara na memoria de Demi, cada palavra, repetindo e repetindo em sua mente como se fosse o refrão de uma música que “grudou” em sua cabeça, porem esta letra martela a torturando, não havia nada de agradável ou harmonioso naquelas palavras, mas sim a de um profissional acostumado com a morte, a ponto de não se importar em ter mais uma, e de um pai que parecia esta considerando a ideia de que um final naquele sofrimento fosse a melhor escolha para todos. _ Joe nunca considerou este fator, ele não deixou por escrito e nunca falou se queria ser salvo ou não, a vida deles não está na mão só dos médicos, se Paul e Denise quiserem acabar com tudo, eu não poderei fazer nada.
_ Denise jamais considerará isso. – disse Miley.
_ E se por acaso ele não acordar neste mês, ou no próximo, você realmente acha que ela aguenta? Você realmente acha que o Paul vai deixa-la daquele jeito? – perguntou Demi, vendo que a chance de Joe sobrevier pareciam ainda menores.
Joe jamais conheceria o filho.

(...)

Mais um momento a sós com Joe. Era o único momento em Demi conversava com ele a espera de respostas, ela sabia que ele estava o tempo todo com ela, por varias vezes sentia seu toque, mas quando estava no quarto de Joe, conversar com ele não parecia tão louco assim, afinal de contas, o que iriam pensar caso a vissem falando com o nada e dizendo que sentira o toque de um homem em coma? Até os mais espirituais poderiam duvidar de sua fala.

JOE

No primeiro momento eu fui junto a Demi, minha mãe e meu pai de volta à Fort Bragg. Confesso que fui para tentar mais um momento junto a Demi, saber que nossa conexão era forte o suficiente para que ela me sentisse mesmo em espirito me encheu de felicidade. Porem quando entramos no apartamento lá estava Logan, não reclamo, eu ficaria preocupado de deixar Demi sozinha, mas sei que isso impediria que ficássemos a sós.
Logan é o tipo ideal de se ter por perto nos momentos triste da vida, ele tem uma energia constantemente positiva que anima todos os que estão por perto, não importa o que esteja acontecendo com esta pessoa e não importa o quanto ela está sofrendo, se ficar perto de Logan, seus sorrisos sairão sem nem mesmo perceber. Nisso eu o agradeço, fazia tempo que não via Demi tão bem, sorrindo, a última vez a escutei rindo foi quanto tirei licença do exército, já fazia um mês, um mês que eu não escutava a sua risada tão contagiosa. O melhor som para os meus ouvidos.
Aproveitando o tempo em que Logan estava com Demi, eu quis entender melhor o meu estado, eu sei que posso tocar as coisas, mas não posso movê-las, sei que algumas pessoas podem me sentir, como por exemplo, Demi e minha mãe, sim, minha mãe pode me sentir, ela só não sabe disso ainda. Os animais podem me ver, prova disso é Oliver e o cachorro do vizinho que também começou a me latir feito um louco assim que me viu sair do elevador antes de eu entrar no apartamento.
Primeiramente experimentei algo que sempre vi nos filmes de fantasmas, passar sobre as coisas, tentei em vários objetos e pude observar um fato curioso. Objetos de ferro, prata ou que contenham conexão com energia eu sou incapaz de transpassar, como por exemplo, TVs, geladeiras ou elevadores, mas eu sou capaz de passar por portas de madeira ou de vidro. Porem a minha maior descoberta foi a que eu mais duvidava que eu poderia ser capaz de fazer, eu posso me transportar para qualquer lugar que eu queira, desde que eu conheça, tentei ir para outros países, sei não é o momento, mas tentei me transportar para Paris, mas fui parar na Rua Paris, que é a rua da minha primeira escola, porem quando desejei estar na casa de meus pais, cheguei sem problemas.
Demi agora estava com Logan e parecia ter se esquecido por alguns minutos dos problemas, porem meus pais estavam apenas um com o outro. Minha mãe já estava se preparando para dormir, já meu pai continuava acordado, conversando no telefone, ele falava com um tio meu que mora no Texas, parecia que a notícia sobre o meu coma tinha acabado de ser noticiada no jornal, toda família estava preocupada, ansiando por notícias e perguntado o porquê de não terem sido avisados antes. Meu pai falou pouco, ele tampouco sabia muito sobre o meu estado, apenas que eu estava em coma, que em breve faria uma cirurgia e que os médicos não estão muito confiantes no meu caso. Nada animador. Alguns parentes prometeram vir me visitar o mais rápido possível.
Não posso dizer exatamente o porquê, mas eu quis ir para o hospital, eu já tinha passado o dia inteiro lá, mas ainda sim eu quis voltar para lá. Transportei-me para sala do doutor Ian, ele olhava alguns papeis e analisava alguns raios-x, com ele haviam mais dois outros médicos e três enfermeiros, os médicos eu não reconheci, ambos pareciam experientes, mais velhos, já os enfermeiros eu conhecia, um dele sei que o nome é Andrés, formou há dois anos. Demorei uns cinco minutos para me dar conta de que os papeis e os raios-x eram do meu caso, a todo o momento eles estavam falando sobre mim.
 _ Talvez seja um pouco precipitada tal decisão. – falou Andrés.
_ Infelizmente não, já vi casos como estes, tentar é inútil. – disse um dos médicos.
_ Você sabe que eu irei tentar, não sabe doutor Gerald? – falou Ian, ao médico que acabara de falar.
_ Sei que não desiste fácil doutor Ian, mas além do risco e do gasto de dinheiro e tempo, não temos garantia de nada.
_ Tente. – falou o outro médico. _ Mas dê outras opções.
_ Eutanásia?  - perguntou Ian.
_ É uma opção a se levar em conta. – respondeu.
Eu não quis escutar mais nada, me transportei para o quarto em que estou internado. Eu não tenho muitas chances, provavelmente a minha morte seja apenas questão de tempo. Eu preciso encontrar a minha salvação, o mais rápido que eu puder, eu não tenho tempo a perder.

           CONTINUA...

Olá, capítulo postado, espero que tenham gostado. Já estou com o próximo capítulo quase pronto, por isso acho que até quarta-feira já postarei.
Não se esqueçam de comentar/avaliar
Bjsss.

Silvia: Fico feliz que tenha gostado. Já fui lá e votei, tomara que eles sejam os ganhadores da pesquisa ;) . Postado, bjsss.
Barbara: HAHAHA, o Rick realmente não é uma pessoa amável.
Que bom que entende, neste ano mudei para uma escola mais rígida e agora está mais difícil ainda acompanhar o ritmo :\
Obrigada por comentar. Bjss.
Eriimiilsa: O Rick é um personagem que veio para irritar, mas só um pouquinho, logo logo eu dou um jeito de sumir com ele xD. Obrigada por comentar. Bjsss.

quarta-feira, 6 de março de 2013

18º CAPITULO “Seria o melhor para ele.” - AMOR EM GUERRA


_ Eu prometo.
Naquela noite, quem ficou no hospital fora Eddie, mesmo com os protestos de todos, ele quis ficar lá. De todos, ele era o mais descansado e, apesar da idade, era o mais apto para passar a noite praticamente em claro, já que as cadeiras do corredor não eram tão confortáveis quanto as do quarto e impossibilitavam um sono, talvez um cochilo desse, mas apenas enquanto o sono não começasse a aprofundar, deixando com que a gravidade comande o corpo e acabasse  tombando para frente ou para os lados.
Paul já não dormira na noite anterior, e não se deixou dar nenhum cochilo durante o dia, provavelmente seu corpo estava a ponte de entrar em colapso e exigir um descanso imediato, tanto que deixa-lo dirigir de volta a Fort Bragg era algo perigoso; Denise até queria ficar, mas o estado dela, descansada, já era lastimável, sem descanso pareceria uma morta viva, não que já não lembrasse uma; Demi também poderia ficar, após ter tido a confirmação de que Joe estava ao seu lado, se permitiu ficar melhor, até mesmo se alimentou direito, o que a deu uma aparência mais saudável, porem todos se opuseram a sua vontade, não a deixando outra opção, a não ser voltar para casa.
No final quem acabou dirigindo a maior parte foi Demi, só quando chegou a seu prédio que passou o carro a Paul.
Logan já estava no apartamento de Demi, depois de ter descansado um pouco ele foi para lá, na intensão de cuidar de Oliver, e depois, mais tarde de Demi, já que lhe foi passada a informação de que seu pai ficaria no hospital.
Logan não sabia muito bem o que deveria fazer, agora não era hora para fazer piadas, mas deixar a irmã triste tampouco estava em questão.
O que o surpreendeu foi o fato dela parecer ligeiramente melhor do que a última vez que ele a vira.

Assim que entrou no apartamento, Demi cumprimentou o irmão, e teve uma rápida conversa com ele enquanto dava um pouco de atenção a Oliver. Depois ela foi para o banheiro, tomar um banho, demorado e relaxante.
Relaxar era algo que não estava no dicionário de Demi já fazia um bom tempo, mesmo antes do fatídico acontecimento a Joe, porem, hoje, após ter sua confirmação, Demi se permitiu relaxar um pouco.
Esta decisão não fora tomada apenas por ter sentido o toque de Joe, mas sim porque sentiu o toque de Joe em sua barriga. Isto para ela serviu como um aviso, com todo aquele tumulto Demi estava esquecendo-se de cuidar da saúde, prejudicando não somente a ela, mas também a criança que espera. Demi sabe que Joe quer a criança tanto quanto ela e é claro que a maneira que ela estava levando sua vida não permitiria que nascesse uma criança, pelo menos, não uma criança saudável. Com isso Demi decidiu mudar seu comportamento, voltou a permitir-se sentir fome e comeu como uma mulher gravida come, muito; permitiu-se sorrir um pouco, forçou-se a olhar estes últimos acontecimentos com melhor olhar, se é que isso é possível, deixou-se relaxar no banho, acariciou sua barriga, que já começava a dar sinais da gravidez, e falou com a criança, mesmo sabendo que nesta faze de desenvolvimento a audição do bebê não estaria nem mesmo se formando.
A noite estava atípica em Fort Bragg, fazia 21 graus – o que já caso de sair de casa com casacos pesados para o povo do sul americano – caia uma chuva, fraca, mas quando ventava dava a impressão de que a temperatura estava em negativos. Demi quando saiu do banho, vestiu-se da maneira mais confortável possível, calça e blusa, ambas de moletom, sendo que a blusa na verdade era de Joe, e ficava gigantesca em Demi, porem ela nem ligava, estava em casa, o único que poderia a julgar era o irmão, sendo que este não ligava muito para roupas, prova disso é que ele mesmo saiu pela rua com uma calça jeans, já desbotada e uma blusa, vermelha, que tinha um belo de rasgo na manga. Fora que Demi se lembra de que quando vestia aquela blusa, Joe sempre a achava fofa, pois a fazia parecer uma criança.

_ E então, eu estava pensando em pedir uma pizza. – falou Logan, quando Demi voltou para sala.
_ Porque você não cozinha alguma coisa. – sugeriu Demi. _ Quero ver seus dotes culinários.
_ Bom... – Logan pensou um pouco. _ Tem miojo? – perguntou. Demi riu de canto e se jogou no sofá.
_ Você precisa aprender a cozinha maninho. – falou Demi, um pouco divertida. Mesmo com todos os problemas, o estado espiritual alegre de Logan, sempre animava, nem que seja um pouco, as pessoas a sua volta. Era algo tão natural que ele nem mesmo percebe seu “dom”.
_ Eu também sei fazer omelete. – falou convencido.  Demi riu. _ Não ri não, ela fica muito boa viu? – falou também se jogando no sofá, no pouco espaço que Demi deixou. _ Mas ainda sim eu acho que uma pizza cairia bem.
_ Acho que vou aceitar sua sugestão. – falou, deixando o irmão entusiasmado.
_ AE! – comemorou. _Sabia que minha irmãzinha não iria me decepcionar. – falou Logan, dando um beijo na bochecha de Demi e logo depois se levantando para telefonar para a pizzaria, na qual, de tanto pedir, ele já sabia o numero de cor e salteado.
_ Você e seu vicio em pizza. – falou girando os olhos.
_ Não é um vicio ruim. – disse enquanto não o atendiam.
_ Depende do ponto de vista.
_ Do ponto de vista do sabor é ótimo, para mim isso é o único que importa. – falou. E depois foi atendido.

Enquanto esperavam a pizza Logan e Demi começaram a assistir TV. Logan estava com o controle remoto e pulava qualquer canal que estivesse passando jornal, de manhã fora liberada a lista com os nomes das vitimas da batalha que culminara na morte do líder dos talibãs, com uma morte tão importante para o exército americano, as notícias não paravam de passar em todo qualquer lugar, o assunto já estava começando até mesmo a enjoar. Tentaram achar algum filme que eles dois gostassem ao mesmo tempo, mas foi uma briga só, um era violento demais, outro era meloso demais, outro era triste demais, outro era bobo demais. Acabaram por decidir que iriam assistir algum seriado pela internet.
_ Glee. – sugeriu Demi.
_ Gay. – falou Logan. _ The walking dead.
_ Não estou querendo de comer vendo zumbis. – falou Demi, fazendo cara de nojo.
_ Surpernatural. – sugeriu Logan. Demi fez um cara de duvida. _ Ah! Vai! Você gosta! – insistiu.
_ Se eu tiver pesadelo durante a noite você irá se arrepender seriamente. – ameaçou Demi, com direito a apontar dedo na cara do irmão e tudo.
_ Tudo bem, minha medrosinha. – falou Logan, ameaçando a morder o dedo que Demi o apontara, mas ela foi mais rápida e logo tirou.
 Quem vesse os dois neste momento jurava que nada de ruim acontecia na vida deles. Logo pensariam que os dois eram apenas dois irmãos, bobos, que simplesmente decidiram tirar um tempo para ficarem juntos, aproveitando o friozinho que fazia, e que estava a inibir até o mais corajoso e apaixonado casal que planejasse ir à praça.
Talvez por causa da chuva, a pizza demorou mais que o comum para chegar, eles já tinha conseguido assistir um capitulo e meio de Supernatural, e ambas as barrigas já roncava de fome.
No final das contas, tanto Logan quando Demi estavam gostando tanto do seriado, que nem mesmo fizeram uma parada para comer, comiam e assistiam ao mesmo tempo.
Comeram até o último pedaço e só foram dormir quando já era de madrugada. Por orientação de Eddie, Logan fora dormir com Demi, assim como o pai havia feito na noite anterior.
Nesta noite Demi conseguiu dormir mais rápido, mas isso não significa que ela não teve sonhos com Joe. Novamente ela sonhou com Joe, da mesma maneira que da última noite. O mesmo lugar, o mesmo sentimento de paz, o mesmo enredo.
Claro que depois de um dia cheio de esperanças, sonhar novamente que Joe desaparecia em sua frente não fora nada estimulador. Talvez fosse só seu subconsciente lembrando-a de que, mesmo que ele possa de alguma maneira estar presente entre ela, não significa que sua morte não possa acontecer. Nada ainda mudou, ele continua em coma e os médicos continuam sem dar muitas esperanças sobre sua recuperação.

DEMI

Quando acordei já se passava das nove, nunca fui de dormir tanto, com o tempo tinha adquirido uma mania de acordar cedo, mesmo quando estava muito cansada, até mesmo quando não era necessário. Bom, não posso reclamar deste tempo a mais na cama, ele me veio bem a calhar, há muito tempo não me sentia tão descansada...
Sei que Logan não acordou a muito tempo, ele, ao contrario de mim, tem a regra de quanto mais tarde acordar, melhor, provavelmente o único motivo dele já ter se levantado quando acordei, fora alguma ordem do papai. Logan pode ser o que for, mas sempre acata todos os pedidos do nosso pai.
Levantei, fiz minha higiene pessoal, mas não troquei de roupa. Agora estava um pouco mais quente que a noite anterior, mas ainda estava frio demais para tirar a roupa confortável na qual eu estava.
Ao me aproximar mais da sala comecei a sentir um cheiro bom vindo da cozinha, até aquele momento eu estava me sentindo saciada, mas aquele cheiro despertou uma fome de leão, parecia até que eu não via comida há dias.


_ Bom dia maninho. – cumprimentei-o, chegando à porta da cozinha.
_ Bom dia, pequena. – falou ele, se afastando do fogão, onde ele estava quando cheguei e vindo me dar um abraço e um beijo na testa.  _ Preparada para comer a melhor omelete já feita neste planeta? – perguntou ele, todo empolgado, voltando para perto do fogão.
_ Se o gosto for tão bom quanto o cheiro, eu estou mais que pronta. – respondi.

                                                                  (...)

Após comer a omelete, que, diga-se de passagem, foi o melhor que eu já comi na vida, tomei um banho e troquei de roupa, coloquei um vestido preto, que ia até meus joelhos, e com mangas de renda. Agora iriamos ao enterro de John e Gabriel, não será um momento agradável, já fui a outros enterros de soldados e é sempre uma comoção muito grade, porem desse dois seria um pouco mais difícil para mim, conheço e sei a historia de ambos, enterrar quem se conhece é bem pior do que aquele em que apenas ouvimos dizer em um noticiário.
Todos iriam, meu pai, Logan, Denise, Paul...
Assim que chegamos fomos recebidos pela mulher de John. Já se podia ver os efeitos daquela morte em sua aparência, Edna, mulher de John, já tem uma idade mais avançada, ela é três anos mais velha que John, seu rosto nunca teve nenhum sinal de ruga ou mancha, porem agora um forte olheira em seus olhos evidenciavam o cansaço e o choro, seus olhos estavam fundos e sem o brilho que se via antes, parecia já ter emagrecido uns cinco quilos. Seus filhos não pareciam menos destroçados, o menor chorava inconsolavelmente. De longe avistei Alice, em pé, ao lado do caixão de Gabriel, que logo seria fechado para o enterro, seu olhar estava distante, morto, ela parecia até mesmo uma bonequinha de porcelana, miúda, pálida e de aparência frágil.
Havia muita gente no local, a maioria eu já conhecia da reunião dos parentes de soldados, mas lá também estavam todos os soldados e comandantes desta última missão. A maioria, ao me reconhecer como mulher de Joe, vieram me cumprimentar e me dar forças, um dele fora Rick, eu nunca o tinha visto, ele não comparecera ao meu casamento e nunca o vi em alguma festa dada por Joe, apesar de sempre ter tido o nome na lista de convidados, porem, mesmo sem o conhecer eu já havia escutado muito sobre ele, seu jeito autoritário, serio e de poucos amigos. Sua aparência realmente não era muito agradável, não por ser feio, mas sim por ser meio assustadora. Grande demais, séria demais, tensa demais. Acho que nunca tinha levado a serio os avisos sobre sua arrogância, não até agora.
_ Um dia antes da batalha Joe veio falar comigo. – disse ele. _ Ele queria desistir do exército. - esta eu realmente não esperava, Joe estava querendo desistir do que ele mais amava? Era por causa dos meus pedidos? _ Existe um motivo especial para isso, não existe? – perguntou. Ele se demonstrava calmo, mas sua voz parecia um rosnado.
_ Sim. – respondi, minha voz parecia um pio perto da dele.
_ Posso saber qual? – perguntou, apesar de ser uma pergunta, seu tom me deu a impressão de ordem, era como se no caso de eu não respondê-lo seria punida de alguma maneira.
  _ Eu estou gravida. – respondi. Ele logo fez um cara, na qual eu não consegui identificar de quê, mas sei que não era uma feliz, ou talvez até fosse, mas sua carranca não permitiu que parecesse assim.
_ Uma pena. – suspirou. Como assim uma pena? Uma pena ele estar internado com eu estado gravida ou uma pena eu estar gravida?
_ Uma pena?
_ Joe será um soldado que fará muita falta, ele tinha um futuro glorioso dentro do exército. – explicou-se. Não, ele não estava se importando com minha gravidez, talvez nem mesmo com Joe, ele estava se importando com o exército. “Exército é a sua vida” sempre me falavam isso sobre Rick. Eles não estavam errados ao falar-me esta afirmativa.
_ Você queria que ele voltasse... Se ele se recuperar você o irá querer de volta não é? – perguntei.
_ Claro. – respondeu.
_ Mesmo sabendo que ele teria uma família.
_ Soldado não tem família. – respondeu.
_ Mas ele tem. – afirmei. Eu talvez o estivesse enfrentando, ele não precisava falar muito para calar qualquer um, mas eu estava pouco me importando. Joe está em uma cama de hospital, dois dos seus soldados estão sendo enterrados neste exato momento, será que ele não podia se mostrar um pouco mais triste? Um pouco mais indignado? Nem que seja um pouco de compaixão? O exército o havia endurecido tanto assim? 
_ Como eu disse um soldado não tem família. – repetiu. Calei-me por um momento, mas não porque fiquei sem respostas, mas sim por estar petrificada com tal falta de sentimentos por parte dele.
_ Ele voltaria por mim...
_ Ele cometeria um erro. – falou me interrompendo. _ Eu tentaria garantir a estada dele por mais tempo dentro do exército, tempo o suficiente para fazê-lo mudar de ideia, mas se ele estivesse decidido, mas cedo ou mais tarde ele acabaria voltando, seria um erro. Homens soldados não deveria construir uma família, não é justo com eles nem com vocês. – falou, mostrando um primeiro sinal de que talvez ele tivesse algum tipo de sentimento. _ Mas por pura burrice eles constroem, constroem famílias como se fosse imbatível. Está vendo isso aqui, este monte de lágrimas, seria muito mais fácil se não tivesse este monte de gente. – parou por um momento. _ Sinceramente, caso Joe acorde, eu não gostaria que sua criança nascesse. – falou sem pudor. Meu coração gelou naquele momento, como ele podia ter a coragem de falar isto comigo? Como alguém poderia desejar a outra um mal tão grande. _ Seria o melhor para ele.

                CONTINUA...

Postado. Sei que havia prometido postar até segunda-feira, mas estou começando a ficar cheia de trabalhos na escola e com isso meu tempo para escrever ficou meio limitado, mas espero que tenham ficado satisfeitos com este capítulo. Não estipularei prazo para o próximo capítulo, porque além de eu ainda não ter terminado todos os meus trabalhos eu ainda não sei se os professores passarão mais, porem prometo postar o mais rápido possível.
Não se esqueçam de comentar/avaliar.
Bjsss.

sexta-feira, 1 de março de 2013

17º CAPITULO “Eu prometo.” – AMOR EM GUERRA


_ Eu sei que você está aqui comigo Joe, eu te sinto.
Eu não sei onde eu estava com a cabeça ao ter falado tudo aquilo. Confesso que eu pensei que ao falar com Joe que eu o sentia, ele abrisse os olhos, totalmente curado e tudo voltaria para o normal, seguiríamos nossa vida normalmente, e tudo isso não passaria de uma triste parte da nossa historia – vida qual tinha tudo para dar certo, mas que estava desmoronando. – Eu queria que tudo acabasse logo, e da melhor maneira possível. Sonhei alto demais. Sonhei mais alto do que eu deveria.
Eu considerei o fato de estar louca. Quando senti seu toque em meu braço e mão no quarto, na noite de ontem, comecei a buscar explicações em minha mente. Talvez fosse apenas impressão minha, talvez algo, o qual eu não sei o quê e nem sei onde, tivesse caído em mim, talvez eu tivesse cochilado – apesar de nunca ter duvidado de que me mantive acordada a todo o tempo – talvez tivesse sido Oliver... Porem, mesmo tendo tentado procurar explicações, no fundo eu sempre soube que era o toque do Joe, eu já senti aquele toque inúmeras vezes. É, pode-se dizer que tudo o que estava me acontecendo tinha afetado o meu lado racional de alguma maneira, mas tudo me pareceu tão real, o toque... Eu sei que não é algo da minha cabeça, eu não pude vê-lo, mas eu juro que pude senti-lo.
_ Por favor, Joe, me dê um sinal, algo que eu possa reconhecer... Por favor, me mostre que você esta aqui. – implorei. Se ele me tocasse, se conseguisse falar algo, arrastar algo... Talvez eu me assustasse, gritasse ou fizesse menção de fugir, mas eu logo perceberia seu sinal e pelo menos eu teria certeza de que ele estava lá comigo. _ Só um sinal. – pedi, mais uma vez. “Só um sinal” esta frase saiu como um sussurro da minha boca. Era um último pedido, um pedido que poderia me comprovar se eu o tinha do meu lado ou se eu já tinha me deixado afundar em minha loucura. Um pedido que poderia me dizer se eu estava sozinha ou não.
Torci para escutar um barulho, minha pele formigava por um toque, meu olho percorria com atenção por todo o quarto, se ocorresse um movimento, qualquer que fosse o objeto, algo que mudasse de posição, nem que fosse um movimento sutil, eu poderia ver e tiraria a prova que tanto eu ansiava.
Um minuto, dois minutos... Cinco ou mais, agora isso nem me importava mais... Meus olhos já estavam úmidos novamente, não só por Joe estar naquele estado, mas agora também por estar frustrada com a falta de respostas. Eu estava louca?

O silêncio que envolveu aquele quarto de hospital foi torturador, aumentou ainda mais o ruído das maquinas na qual Joe está ligado, evidenciando ainda mais quão louca era a minha ideia. Não existia toque, não existia nada! A única coisa que era real é o fato do homem da minha vida estar se sucumbindo a minha frente, e eu, ao invés de estar rezando ou procurando soluções, curas, estou aqui, pedindo um sinal de vida para um paciente em coma. Ah, como eu sou idiota! Como que um homem em coma poderia ter me tocado? Isto é impossível! É contra a logica natural das coisas.

Eu poderia ficar ali quanto tempo eu queria, enquanto Denise ou Paul não desejassem entrar, eu poderia ficar lá com Joe, mas eu não estava bem o suficiente para isso, era como se toda a força que eu havia recuperado mais cedo ao dormir, tivesse evaporado de uma hora para outra. Sentia meu chão tremendo, rachando-se diante de mim, abrindo rachaduras enormes, que apenas esperavam que eu caísse, e me afundasse em minha depressão de uma vez por todas. Uma armadilha sem volta. Uma armadilha que não demoraria muito para me capturar.  
Fui saindo, a passos mais rápidos dos que os que eu usei ao entrar, enxugando o rosto, para limpar as lágrimas que haviam saído, sem minha autorização. Mas fui impedida. Eu senti. Eu novamente senti. Tão real quanto na primeira vez. Era o toque de Joe, eu sei disso. Eu senti sua mão tocando minha barriga. Ele estava acarinhando tanto a mim quando a criança que carrego em meu ventre.
 É ele.
 Eu não estou louca!

JOE

Confesso que eu não estava esperando por aquilo, eu já tinha praticamente perdido todas as esperanças, mas aquelas palavras me fizeram ver a luz no fim do túnel. Demi pode me sentir, ela sabe que eu estou ao seu lado.
Uma mistura de emoções havia tomado conta do meu corpo ao escutá-la dizer “Eu sei que você está aqui comigo Joe, eu te sinto.” Eu não precisava escutar mais nada, naquele momento, isto era o melhor que poderia se passar.
A empolgação me deixou um pouco paralisado a primeiro momento, mas assim que me recuperei da surpresa, comecei a falar, gritar. Se ela poderia sentir-me, pode me escutar também não é?
Não, não é.
Fui logo atrás de algo que pudesse tocar. Algo que pudesse movimentar. Por um momento esqueci-me que eu não tinha capacidade para isso. Tempo perdido. Entre as minhas tentativas de comunicação já havia passado muito tempo, tempo o suficiente para fazer com que Demi desistisse de receber respostas.
Eu a vi levantando, saindo do quarto.
Pense! Pense! Tinha que ser algo que ela entendesse. Algo que a tirasse de uma vez por todas as duvida sobre a minha presença ao seu lado.
Pense homem!
Ela podia me sentir, então a melhor opção é toca-la, mas e se suas duvidas continuassem? Tinha que ser algo além.
Com toda a confusão eu talvez tenha deixado algo escapar, Demi, não era só ela que estava presente ali para me visitar, havia alguém mais, havia um motivo a mais para que eu me recuperasse. Meu filho.
Corri para alcança-la antes que ela chegasse à porta do quarto, e toquei-a na barriga.
Ela não falou nada, mas eu pude ver em seu olhar que ela entendeu.
_ Eu estou aqui meu anjo. – eu disse, mesmo sabendo que ela não me escutava.
_ Joe... – ela disse baixo, entre um sorriso fraco e uma lágrima caindo de seu olho.
Agora ela tem a prova. Eu estou com ela.

--

Todos sentiram a diferença do estado de humor de Demi, após sair do quarto. Ela não estava pulando de felicidade, nem como um sorriso de canto a outro. Mas ao sair, ela não chorava mais e tinha um animo a mais em sua voz e em seu rosto. Eddie ficou feliz por ver uma melhora, não quis saber o porquê, por medo de que uma interrogação a fizesse voltar para o estado anterior. Denise percebeu, mas estava tão desanimada e presa em seu estado lastimável que nem comentou, Paul chegou a perguntar se o médico havia lhe dito algo, se ele lhe havia dado alguma notícia de que Joe melhorara, mas quando recebeu um ‘não’ como resposta, voltou para o seu canto, sem mais perguntas.
Saber que Joe estava com ele a causou uma bela mudança comportamental. Durante o resto do dia, não voltou a ter suas crises de choro, não recusou comida e algumas vezes se permitiu dar um sorriso fraco, ao lembrar-se do toque.
Demi havia encontrado a esperança, a esperança que lhe havia abandonado. Ele estava por perto, mesmo que ela não o pudesse ver, ele estava lá, e isso, para ela, significava que ainda havia chances dele sair do coma.

Joe, ao perceber que Demi o sentia, tentou fazer o mesmo com os pais. Infelizmente não houve o mesmo resultado, nenhum deles pareceu percebê-lo, apesar dele ter percebido que Denise, sua mãe, começou agir um pouco estranha quando ele a tocou, como se tivesse assustada. Provavelmente ela sentiu algo, mas não sabia o que era e se assustou, Joe torceu para que com o tempo ela entendesse que era ele tentando entrar em contato com ela. Já Paul, se sentiu algo, não demonstrou nada.

Eddie, até então, tinha se mantido um pouco distante da situação, ele estava triste, porem agia mais como um espectador do que como um personagem, tanto que foi uma surpresa para todos quando ele quis entrar no quarto em que Joe está internado. Até então ele só tinha ido ao hospital, porem nunca entrou no quarto. Porem hoje ele quis.
Quando entrou ficou um tempo observando a situação em que se encontrava o genro, a visão não era animadora. Eddie sempre gostou de Joe, apesar de que no começo do namoro dele com sua filha, ele ter resistido o máximo que pode. Primeiramente porque quando começaram a namorar, Eddie ainda acreditava que a filha era muito jovem para tais coisas, e queria que ela terminasse a escola, antes de se preocupar com relações amorosas. Porem de nada adiantou, com o tempo, depois de conhecer melhor Joe e seus pais, Eddie foi aos poucos cedendo. Depois, mais tarde quando descobriu que Joe iria se alistar para o exército, novamente Eddie quis se opor ao namoro, mas aquela altura sua objeção de nada mais valia, Demi e Joe já estavam mais que apaixonados, com o casamento marcado e nada, nem ninguém seria capaz de impedi-los. Mais uma vez Eddie fora obrigado a aceitar, porem desde o primeiro dia falou a filha “Vida de mulher de soldado não é feliz, pense um pouco antes, você irá sofrer”, mas era como se sua fala entrasse por um ouvido e saísse pelo outro. Só quando Joe realmente se alistou e foi chamado para sua primeira guerra que Demi começou a se lembrar dos avisos do pai, mas agora ela não poderia fazer nada. Joe já estava alistado, eles já estavam casados, ainda seguiam apaixonados, e terminar não era uma opção.
Eddie por muito tempo tentou afastar a ideia de que a filha poderia se tornar viúva tão jovem, porem sempre que havia alguma notícia de guerra ou qualquer atentado logo o medo lhe surgia. Com isso, não foi uma completa surpresa para ele quando recebeu a notícia de que o genro estava em coma. De certo modo Eddie agradecia por ser apenas um coma, pois isso significava que ainda havia uma chance de sobrevivência, por menor que fosse, ela ainda existia. É torturante não saber o que vai acontecer, se ele irá acordar ou não, se haverá sequelas ou não, mas era melhor do que ter a notícia de sua morte. 


JOE

Confesso que não estava esperando mais nada. Já era mais de 7 da noite, o sol já havia se posto no horizonte, provavelmente logo, Demi e minha mãe seriam obrigadas a irem embora. Eu ainda estava no quarto em que eu estava internado, nem sei mesmo o porquê, talvez a imagem triste dos meus visitantes não me deixasse muito a vontade, a ponto de me fazer preferir ficar ali sozinho, olhando a mim mesmo.
Não havia nada naquele quarto que eu já não tenha olhado e analisado e tentado pegar, eu não entendia os papeis, nem mesmo os sinais nas maquinas, a única coisa que eu sabia era que se o que controla o coração mostrasse uma linha reta significava o fim. O meu fim.
Porem ainda sem saber nada, eu olhei, eu observei, olhei novamente. Tinha que ter algo, não é possível que minha melhora dependesse apenas da sorte. O plano era só me conectar em um monte de maquina e seja o que Deus quiser? Não há um remédio? Um tratamento mais intenso? Nada?
Precisa ter algo. Eu não posso ficar assim por mais tempo. Não posso e não quero!

Quando eu já não esperava por mais nada, a porta abre, pensei que seria mais um médico, toda hora é aquele entra e sai, olha uma maquina, uma injeção aqui e outra ali, analisa um papel, tiram sangue, põe sangue, me alimentam pelo tubo, soro... Porem não era nenhum médico ou enfermeiro, era uma visita a mais, Eddie. Até então ele não havia vindo me ver, eu não o escutei no primeiro dia, o significa que ele não veio falar comigo, se ele não tivesse ido para casa junto a Demi, eu ainda não teria o visto. Ele pareceu observar tudo por um tempo, sem dizer nada, sua face, entre os outros era a melhor, não estava feliz, mas não estava aos pedaços como os outros, o que não me surpreendeu, eu nunca soube muito bem quais eram os pensamentos de Eddie sobre mim, ele sempre me tratou bem, nunca fez nada de mal a mim ou me deu motivos para reclamar, porem por varias vezes se colocou contra o meu namoro e casamento com Demi, ele tinha seus motivos, mas ainda sim eu não gostava.
Depois de olhar um pouco, andou até encontrar a cadeira para visitantes e sentou-se curvado, com os cotovelos colocados sobre as cochas da perna. Respirou fundo, por umas duas vezes antes de começar a falar.
 _ É Joe, o que eu mais temia realmente aconteceu. – falou. _ Eu queria tanto que você tivesse parado para escutar um pouco sua mãe ou a Demi... – deu um sorriso de canto. _ Na verdade eu queria que a Demi tivesse me escutado... Parece que filhos não gostam muito de seguir as orientações dos pais... E no final de quê adianta tanta rebeldia? – perguntou, mesmo sabendo que não haveria respostas. Ele parecia mais indignado do que triste. _ Você não quis escutar e está em coma, Demi não quis escutar e agora sofre. Todos sofrem. – Escutar Eddie me evidenciou uma triste realidade. Se agora todos estavam aqui, aos prantos, aos pedaços, é unicamente culpa minha. Eu entrei na guerra por que eu quis, fui de contra a todos e me alistei, não pensei no que isso poderia acarretar no futuro. Senti-me um lixo. _ Eu queria tanto te xingar e falar que você foi um completo egoísta, mas era seu sonho, um sonho auto destruidor e que agora nos causa todo este sofrimento, mas era um sonho. – falou. Sim, era um sonho, a única coisa que eu fiz foi seguir meu sonho, mas isso ainda não me tirou o fardo da culpa. _ E agora lamentar é tão inútil quanto esta conversa que estou tendo com você, você nem se lembrará desta conversa quando acordar... Se acordar. – falou e parou por alguns segundos. Não pude deixar de dar um sorriso de canto, ele não sabia, mas eu estava aqui, escutando todo o seu discurso. Tão pouco sei se lembrarei disso quando acordar. Ah é, se eu acordar.
Eddie respirou fundo mais uma vez e tornou a falar. _ Eu queria que a Demi não te amasse tanto. Eu não queria vê-la sofrendo tanto, ela está esperando meu netinho, não deveria estar sofrendo tanto, o normal é as mulheres estarem planejando o quarto, fazendo o enxoval, fazendo ultrassons e lendo livros de nomes para decidir o nome da criança, não chorando pelo canto e tendo pesadelos a noite. – Suas palavras me atingiram como estacas no peito, isso não era junto com ninguém, mas definitivamente, Demi não merecia tudo aquilo, ela não deveria estar passando por isso nunca, mas principalmente não agora. _ Não sei o porquê, mas depois que ela voltou deste quarto ela me pareceu melhor, mas ainda não é minha Demi. – lamentou-se. _ Eu já perdi minha mulher, o que me manteve vivo foram meus filhos, é por eles que hoje eu estou vivo. Eu sei que se Demi perder você, eu perderei uma filha. – falou com o sofrimento estampado em sua feição. _ Seus pais não aguentarão uma perda tão grande, minha filha não aguentará, eu não aguentarei. – falou, parecia segurar o choro. _ Por favor, Joe, se você me escuta, fique forte, continue lutando pela vida, não desista, eu sei que eles irão lhe recuperar, eu não sei quanto tempo demorará, mas eles estão fazendo de tudo e sei que vai dar certo em alguma hora, mas enquanto nada acontece, por favor, mantenha-se firme, prometa-me que vai ficar forte. – pediu, deixando o desespero transparecer em sua voz, como se fosse capaz de escutar minha resposta. Sei que ele não escutou, mas ainda sim eu respondi.
_ Eu prometo.

                CONTINUA...

Capitulo postado, espero que tenham gostado dele. Pretendo postar o próximo até segunda-feira.
Bjsss.


Juh Lovato: Fico feliz que tenha gostado. Sim, ela pode senti-lo.
Agora eu vou poder sempre comentar suas postagens :D. Obrigada por comentar. Bjsss.
Eriimiilsa: Seja bem-vinda nova leitora. Muito obrigada, nem sei como agradecer pelos elogios. Espero continuar agradando e emocionando a vocês. Muito obrigada por comentar. Bjsss.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

16º CAPITULO “Eu te sinto” – AMOR EM GUERRA


Menos dois heróis da pátria.
Após o primeiro momento de susto, Eddie e Demi foram para o hospital, preferiram ir apenas ao velório, na manhã seguinte.
Ao chegarem lá encontraram apenas Denise e Paul. Logan, vencido pelo cansaço, aproveitou o momento em que Paul fora buscar Denise, para voltar com ele para Fort Bragg e ir para casa.
Ambos já sabiam das mortes e também estavam chocados, eles conheciam Gabriel bem mais que John, e sentiram bastante pela perda de alguém tão jovem.

Com Joe as coisas continuavam do mesmo jeito, sem sinais de melhora, mas pelo menos, tampouco houve piora, e nesse momento, isto já era considerado motivo de festa.
_ Os médicos não estão dando muita esperança. – falou Paul com Eddie, em um lugar mais reservado, longe de Demi e Denise. Um pouco antes de ir buscar Denise, o médico que cuida de Joe, Ian, o havia chamado para lhe atualizar sobre a situação de Joe, as notícias não foram nem um pouco animadoras. Paul não comentara nada com Demi e muito menos com Denise, sabia que ambas estão desesperadas só por saber de seu coma, se soubessem que seu caso é pior do que aparenta ser, seria um desastre. Guardou apenas para si e saber o filho estava cada vez mais próximo de morrer o aterrorizou. Pior ainda foi quando descobriu a morte de John e de Gabriel, ele conhecia Gabriel, ver alguém tão jovem morrendo o fez encarar a realidade. Joe poderia sim morrer, não existe essa de “é jovem demais” ou “há planos demais”. Quando sua hora chega, ela simplesmente chega, não pergunta se você é jovem ou não, não se importa se há planos para o futuro ou não, não importar o quê ou quem está deixando para trás. Apenas acaba com tudo. _ O doutor me disse que terão que fazer uma nova cirurgia, mas que ela é bem arriscada. – falou com o olhar baixo. _ Para continuar a ter alguma chance de viver ele precisa fazer esta cirurgia, porem Ian não garante que ele possa resistir. – concluiu, usando todas as suas forças, antes de desmoronar, chorando. Paul estava tentando ao máximo controlar suas emoções, mas estava falhando feio, todos sabiam que ele chorava, seus olhos constantemente vermelhos denunciavam o que ele lutava para esconder.
Eddie se assustou no começo, não sabia muito bem o que fazer. Sabia o que era perder alguém e comprovara que nenhuma palavra de conforto ajudava em uma situação complicada como aquela. Palavras não são capazes de curar feridas, muito menos de sarar a dor, poderiam até ser ditas com as melhores intensões, como de tentar consolar a pessoa, nem que seja por um momento, mas diante do buraco que surge no coração de quem sofre, palavras, frases, eram totalmente insignificantes. Eddie não havia dito isso na época para as pessoas que sempre lhe diziam frases de consolo, algumas muito repetitivas, outras extremamente clichês, pois sabia que mesmo incomodado com as palavras que de nada traria sua mulher de volta, pelo menos assim tinha outro alguém a seu lado, tentando dar suporte. Isto lhe era suficiente, saber que pelo menos completamente sozinho ele não iria ficar.
 Depois de alguns segundos sem saber o que iria fazer para tentar ajudar, Eddie apenas abraçou o companheiro, sem medo de julgamentos, apenas o fez. Paul não se esquivou.
_ Ele é forte. – se limitou Eddie a dizer, odiou-se por estar fazendo o mesmo que fizeram no falecimento de sua mulher, dizendo frases sempre ditas, tentando consolar, mesmo sabendo que não tinha como consolar. Paul é pai, Eddie já sofria só de ver os filhos chorando, imagina a dor de saber que o filho pode não viver por muito tempo? Mas agora a frase já estava dita, e talvez não fosse tão inapropriada para o momento, afinal de contas Joe ainda estava lá, não estava? Seu coração ainda bate, seu cérebro ainda funciona, de acordo com o aparelhos ainda há funcionamento no cérebro, e Joe ainda respira, apesar desta ação ser induzida por maquinas.
Tudo bem, ele estava em uma cama, cheio de fios, não se movia, nem para abrir os olhos, não comia ou respirava sem ajuda de maquinas e, de acordo com os médicos, não tinha muitas chances de sobreviver, porem o que realmente importa era o fato de que ele ainda está vivo e enquanto há vida há esperança.
_ Espero que seja o suficiente. – falou com a voz embargada.
_Será.


JOE

Eu não podia estar mais agradecido pela presença de Eddie no apartamento. Ele realmente é um ótimo pai, estava mantendo Demi no controle, não deixando que seus impulsos a controlasse e que sua saúde fosse seriamente prejudicada pelo que estava se abatendo sobre sua vida.
Claro que o dia não tinha amanhecido da melhor maneira possível, eu acabei descobrindo que eu não durmo. Mantive-me acordado por todo um dia, sem ter mínimo sinal de sono, apesar de que senti uma pontada de cansaço. Pude ver Demi dormi, ou pelo menos tentar, primeiro não conseguia, toda hora chorava, sua dor era tão forte. O aperto que aquelas lágrimas percorrendo sua face fazia no meu coração era bem mais doloroso do que a dor que senti ao receber o tiro em minha cabeça.
Depois que ela dormiu eu continuei a observa-la, constantemente remexia-se, pude ver expressões de sofrimento em sua face, com certeza seus sonhos não estavam sendo dos melhores, e eu sabia o porquê. Na verdade, sabia quem estava causando tudo isso.
O pobre Eddie tampouco conseguiu dormir bem, ele estava cansado, eu pude ver pela sua face, o que ele mais queria – e precisa – é de um descaço. Primeiro que não conseguiu dormir enquanto percebeu que Demi já havia dormido e depois, quando começava a pegar no sono, foi despertado pelos gritos de Demi: “JOE, NÃO ME DEIXE” “VOLTE” “JOE”. Duas ou três vezes. Só aí que ela se acalmou um pouco e ambos enfim dormiram um pouco mais relaxados. Porem, logo Demi acordou, ansiando para ir para o hospital, quando não achou a chave de seu carro, acordou o pai e não o deixou em paz por horas. Mas Eddie foi forte e decidido, sem descanso ela não iria sair daquela casa. Demetria é difícil, mas não impossível, e Eddie sabe isso melhor até que eu.

Eu não estava esperando. Enquanto Demi dormia, o telefone tocara e Eddie, que nesta hora já estava mais que acordado, atendeu. Não havia boas notícias a ser ditas e sim as piores, dois companheiros meus haviam morrido no ataque. Não é a primeira vez, enterrei vários outros, mas de todos eles, sem duvida, eram os mais próximos a mim que partiram. Na minha mente se formou a imagem da mulher e dos filhos de John, na qual eu não conhecia, e depois me veio na memoria a namorada de Gabriel, elas devem estar desoladas, se eu pudesse ter feito algo para impedir que esta tragédia acontecesse, sem pensar duas vezes eu teria feito. Mas além de não salvar a vida deles, eu ainda pus a minha em uma situação lastimável.

(...)

Muita coisa precisava ser explicada, por exemplo: como eu estava aqui e no hospital ao mesmo tempo? Alguns poderiam dizer que agora eu sou um espirito ou um fantasma, mas estas coisas não aconteciam somente com os mortos? E eu estou vivo, não é? Seria possível tudo isso não passar de um sonho? Um sonho extremamente louco, triste e longo?  Eu não posso descartar nenhuma opção. Nada que eu tenha aprendido explica o que esta acontecendo agora, ninguém poderia me ajudar, eu teria que descobrir o que estava acontecendo comigo e sua solução, por mim mesmo.

Assim que Eddie e Demi se prepararam para sair eu aproveitei e fui junto, passe pela porta, assim que abriram, fazendo com que eu conseguisse sair daquele apartamento – que no fundo já estava me dando claustrofobia, eu não sei como Oliver conseguia ficar tanto tempo lá, me parece até cruel agora – entrei no elevador junto a eles e também no carro.
Se a situação não estivesse tão triste e preocupante, eu sem duvidas estaria as gargalhadas agora. Eu estava o tempo todo ao lado deles, seguindo eles, e eles nem sabiam, eu estava invisível. Se eles em algum momento desconfiassem da minha presença sem duvidas morreriam de medo, principalmente Eddie, o que ele tem de grande ele tem de medroso sobre coisas que possam ser consideradas sobrenaturais, filme de terror virava piada quando assistido ao lado dele, as caras de medo que ele faz...

Quando cheguei, logo vi meu pai, foi a primeira vez que eu os vi desde que parti, confesso que tinha me esquecido que eles estavam sofrendo tanto quanto Demi, eu me sentia mal só por ela, mas meus pais também sofriam, minha mãe parecia estar em um eterno choque, parada, com os olhos perdidos no horizonte, de nada parecia com a mulher que me deu a luz e meu pai, ele até parecia estar bem, mas era parar um pouco para olhar sua face que logo se via o sofrimento em seus olhos.
Eu estou decidido a me recuperar. Não posso deixa-los assim.

Talvez a cena tenha sido mais forte do que eu esperava que fosse. Assim que descobri onde eu estava internado, esperei que algum médico abrisse a porta do quardo e assim aproveitei para entrar também.  É bem aterrorizante se ver deitado em uma cama.
Eu não estava bem, minha cabeça enfaixada, os fios, o vai e vem dos médicos...

Eu tentei deitar na cama, “entrar” em meu corpo. Escuridão. Nada adiantou, nenhuma maquina mudou, e eu consegui “sair” do meu corpo novamente. Tentei mais vezes, mas nada funcionou e não houve nenhum sinal de que algo mudaria.
Se eu entendesse um pouco mais sobre termos médicos, eu até tentaria ajudar, tentaria ver uma solução que os médicos não estão vendo, mas eu não sei de nada, mal sei falar os nomes de remédios simples e comuns receitados para quem tem gripe, como eu poderia saber como me tirar daquele coma?

Eu tinha meio que já desistido, apenas fiquei encostado perto da janela do quarto, esperando, olhando para mim mesmo naquela cama todo entubado, esperando que houvesse algum sinal de que eu voltaria que tudo voltaria a sua normalidade, um sinal de que eu posso voltar a viver em meu próprio corpo.
No fundo eu preferia ficar no meu corpo, sem saber o quanto as pessoas sofriam por mim aqui fora, eu queria estar imune a tudo, sem sentir nada, sem ver nada.


A porta se abriu devagar e era Demi, ela andou devagar até a mim, olhava para mim por completo, agora ela não chorava, mas eu a vi chorando um pouco antes de entrar no quarto. Ela parou ao meu lado e primeiramente apenas me olhava, não consegui reconhecer seu olhar. Ela se curvou ao meu lado, na altura da minha cabeça enfaixada, e sussurrou em meu ouvido.
_ Joe, eu não sei se sou eu que estou ficando louca, mas eu realmente espero que você possa estar me escutando agora. – falou, parou um pouco, respirou fundo e depois tornou a falar. _ Ontem eu senti como se algum me tocasse... Mas o toque era tão parecido ao seu. – disse isso, se levantou um pouco e tocou em minha mão. Ainda sem soltar minha mão, tornou a se curvar perto da minha orelha.  _ Eu rezo para que eu não esteja louca. Mas eu juro que te escutei. – falou ela, para minha surpresa. Eu deveria ter falado algo, para comprovar a ela que eu realmente estava lá. Oh meu Deus! Ela pode me escutar! Eu fiquei tão feliz, que cheguei a ficar paralisado. _ Eu sei que você está aqui comigo Joe, eu te sinto.

                CONTINUA...

Postado. Espero que tenham gostado.
Sempre costumo falar a mesma coisa aqui, mas hoje eu queria mudar um pouco. Talvez eu não tenha agradecido da maneira correta o carinho que vocês têm comigo. Queria muito agradecer pelos comentários, confesso que em muitos momentos penso em parar, mas quando leio os comentários me da UP na estima e volto a escrever. Muito obrigada!
Bjssss.


Juh Lovato: Awn, prepare seu coração para não ter um heart attack tentativa de piada fail. Bom, nos meus planos muitas coisas acontecerão, algumas boas, outras nem tanto...
Agora eu também estou acompanhando sua fic, vou poder comentar também. Bjss especiais para minha fã nº1.

Anônimo: hahaha, vou continuar sim, e espero que você continue amando. Bjsss.  

sábado, 23 de fevereiro de 2013

15º CAPITULO “Menos dois heróis da pátria.” – AMOR EM GUERRA


_ Joe... Não me deixe.

Por um momento eu tive a esperança de que, de uma hora para outra, ela começara a me escutar ou talvez a me ver...

_ Demi meu amor!  Você pode me ver? – Eu estava gritando desesperado. _ Demi eu estou aqui! – Falei ainda gritando, tentando encontrar seu olhar que estava baixo.
 Na minha mente eu esperava que ela olhasse em meus olhos, que falasse comigo, mas, nada. Oliver, que podia me ver, se levantou e começou a me latir, por causa do alvoroço que eu estava a fazer.
_ Oliver. – chamou Demi, tentando acalma-lo, mas ele não parava, assim como eu também não. _ Pare Oliver! – pediu um pouco impaciente.
_Demi! Por favor, diz que você pode me ver! Por favor. – Implorei, como que eu conseguiria um solução para o meu problema se o único ser que podia me ver só sabia me latir? _ Me escute, pare um pouco e tente me escutar! – eu já estava chorando naquele momento. Imagine, eu chorando? Não sou o homem mais insensível do mundo, mas chorar era algo que eu não faço, não facilmente.

_ Demi o que esta acontecendo? - perguntou Eddie, chegando à porta.
_ Não sei, o Oliver começou a latir do nada. – respondeu. Agora o cachorro tinha parado de latir, mas ainda estava em pé, alerta, me olhando fixamente.
_ Você quer que eu o tire daqui? – perguntou ele.
_ Não, não precisa, acho que ele se acalmou. – respondeu.
_ Tudo bem, eu já estou fazendo a comida. – anunciou. _ Sei que já está meio tarde, mas estou fazendo macarrão, é a receita mais rápida que conheço. – falou com sorriso de canto.
_ Por mim tudo bem. – respondeu Demi. _ Você sabe que eu amo seu macarrão. – respondeu dando um sorriso logo após. O sorriso, para mim, não pareceu muito verdadeiro, mas acredito que Eddie nem tenha percebido ou então não tenha considerado.
_ Este é o outro motivo que pela qual eu o fiz, assim, quem sabe você não recusa? – falou. _ Qualquer coisa me chame. – disse ele saindo da porta e se direcionando para a cozinha novamente.

Eu agora observava Demi, sem toca-la, ou tentar qualquer comunicação. Oliver, com o tempo, se acalmou.
Ela agora estava sentada na cama, em perna de índio, mexendo e olhando para a mão, na qual eu lhe toquei, será que ela sentira algo?
Uma lagrima solitária saiu de seu olho.

Eu me sentia mal por tudo aquilo, eu sei que aquela lagrima era por mim, eu sabia que se agora ela estava sofrendo é por minha culpa. E agora, graças a minha teimosia, tanto ela, quanto meus pais estavam sofrendo.

DEMI

Talvez eu ainda estivesse sonolenta e tenha imaginado tudo, mas eu poderia jurar de pés juntos, que eu senti alguém tocando meu braço e minha mão. Eu sei, não tinha ninguém ali comigo, não capaz de me dar aquela sensação, mas me pareceu tão, mas tão real. Por um momento pensei ser o toque de Joe, e por isso, assim que a sensação do toque acabou, senti como se fosse ele me abandonando. A tristeza dominou minha cabeça. Eu não queria perde-lo, eu não poço perde-lo!

Dormir foi outro desafio. Após comer, mais do que eu deveria, eu e meu pai esperamos um tempo para a digestão, e depois fomos tentar dormir.
Demorou muito para que tivéssemos sucesso, pois toda hora as lembranças dos meus momentos junto a Joe vinham em minha mente e era impossível segurar o choro. Meu pai que decidiu dormir comigo, como se eu fosse uma criancinha, logo percebia que eu começara a chorar, mesmo eu tentando esconder, e tentava começar a me consolar. Nas primeiras três vezes ele me disse palavras de esperança, mas quando comecei a chorar pela quarta vez, talvez pelo cansaço dele, já que fora um longo dia, ou talvez por perceber que de nada suas palavras estavam me ajudando, ele começou apenas a me acarinhar. Ainda chorei umas cinco vezes antes de, enfim, conseguir dormir.

Do meu primeiro ao último sonho, foram todos relacionados a Joe.
No primeiro eu não sabia muito bem onde estávamos, era um lugar bem iluminado e calmo, parecia um jardim, mas eu sabia que não era, eu não podia ver onde eu estava pisando, o chão era branco, como se fosse nuvens ao invés de terra, o céu era branco, como se também estivesse tomado com as nuvens, porem o sol, na qual eu não podia ver onde estava, graças as densas nuvens, era o forte o suficiente para iluminar tudo muito bem.
O lugar me dava uma paz muito grande, não havia confusões ali, não havia problemas, doenças, guerras. Era como se minha vida não estivesse em seu pior momento.
Numa distancia, não maior que dois metros, estava Joe, me olhando fixamente, seu olhar era feliz. Ficamos um olhando para o outro por um tempo. Eu queria correr para seus braços, a minha consciência dizia isso, mas no sonho eu nem me sentia me movimentando para respirar.
Ele começou a andar para mim, lentamente, sem nenhuma pressa, porem, mesmo estando consideravelmente perto um do outro, por mais que ele andasse a distancia ainda continuava.
Aos poucos ele foi desaparecendo da minha visão. Em uma hora ele era tão humano quanto eu, tão solido quanto eu, e depois, pouco a pouco ele foi desaparecendo da minha frente, como se ele estivesse se tornando transparente, até que eu não o pudesse ver mais.
Todos os sonhos que eu tive foram assim, eu e ele, fazendo algo ou estando em algum lugar na qual eu não sabia onde, nunca chegamos a nos tocar, mas sempre estávamos perto. Todos os sonhos terminaram com ele desaparecendo da minha visão.
Para mim os meus sonhos significavam apenas uma coisa: Eu estou perdendo Joe.

--

_ Pai, eu quero ir agora. – pediu Demi. Já era oito da manhã, Demi havia acordado as cinco e meia e desde então irritava Eddie, querendo que ele a levasse de volta ao hospital. Ela poderia muito bem pegar seu carro e ir dirigindo até lá, mas Eddie, espertamente escondeu a chave da filha, antes de dormir. Demi já havia procurado por todos os cantos e não havia as encontrado.
_ Nada mudou Demi, descanse um pouco mais, você está precisando. – falou Eddie, pela vigésima vez.
_ Você sabe que eu não vou desistir. – disse Demi decidida.
_ Você sabe que você puxou a teimosia de mim não sabe? – perguntou Eddie, mostrando que tampouco daria o braço a torcer.
_ O que você esta fazendo é injusto. – disse Demi, desistindo. _ O Paul veio e levou Denise, porque eu não posso ir também?
_ Porque o Paul não aguentou a pressão de Denise, mas eu já estou acostumado com você e posso resistir muito mais. – falou. Um silêncio breve reinou no apartamento. _ Se você fosse descansar um pouco, você ajudaria muito. – sugeriu.
_ Eu já estou descansada. – falou Demi.
_ Não o suficiente... Tente mais um pouco.
_ Você sabe que eu não consigo. – respondeu. Eddie estava sentado no sofá, olhando para frente, como se estivesse assistindo a TV, apesar dela estar desligada, já Demi estava sentada, encolhida no canto do sofá, com a cabeça deitada no encosto.
_ Tente.
_ Pai.
_ Filha, eu não vou deixar isso destruir você, eu gosto muito do Joe, você sabe disso. – falou agora olhando para ela. _ Mas eu amo muito mais você e para mim você é o mais importante agora.
_ Me prender aqui não irá me ajudar muito. – falou Demi.
_ Mas dormir um pouco mais, se acalmar um pouco mais, comer um pouco mais, isso não irá lhe prejudicar.
_ Você fala como se fosse fácil.
_ E você realmente acha que está sendo fácil para mim? – perguntou Eddie, um pouco injuriado. _ Você não é a única sofrendo aqui. – Demi sabia que o pai não estava bem, mas não levou em consideração a possibilidade dele estar sofrendo. Definitivamente saber disso só piorou o seu estado.
_ Eu vou para o meu quarto. – anunciou Demi, se levantando. Ela tentou esconder, mas sua voz denunciou que ela já estava prestes a chorar.
Todo mundo sabe que mulheres gravidas, graças os hormônios, ficam mais sensíveis, qualquer coisa é motivo para chorar. Desde o dia anterior Demi mais chorava do que tudo, pois, se naturalmente ela já estava mais sensível, a catástrofe que estava se abatendo em sua vida não a ajudou.
Eddie iria chamar Demi, mas não o fez, até fez menção de se levantar e tentar melhorar a situação, mas tampouco fez. Preferiu dar um tempo para a filha, quem sabe assim ela conseguiria dormir um pouco.

Depois de chorar até sentir a boca seca, Demi acabou caindo no sono. O sono foi profundo, sem espaços para sonhos. Era o que Demi precisava. Um descanso, rápido, mas vindo em boa hora.

Demi acordou depois de dormir por quatro horas, despertou se sentindo melhor, mas não livre, pois a primeira coisa que pensou ao abrir os olhos foi em Joe.

Demi levantou-se da cama e foi para o banheiro lavar o rosto, para poder acabar com o resto de sono que sentia. Foi para a sala e encontrou o pai desligando um telefonema, ela nem havia escutado o telefone tocar.
O rosto do pai parecia perplexo, quase que sem vida, ele se agarrava a estante da sala, como se buscasse forças para se manter de pé.
Algo de ruim tinha acontecido.
Eddie olhou para a filha e nem esperou a pergunta que ele já sabia que estava pronta para ser feita por ela.
_ Gabriel e John morreram. – falou Eddie. _ Eles estão sendo velados agora no ginásio do exército. Amanhã cedo será o enterro. – falou e deu uma pausa. _ Estavam nos convidando para ir. – concluiu.
Eddie conhecia muito bem a família de John, apesar de Eddie ser 13 anos mais velho que John, os dois sempre foram amigos, e a mulher e os filhos dele moravam ao lado da oficina de Eddie, sempre que ela precisava de alguma coisa, em que só um homem faria com maestria, ela logo ia chama-lo. John confiava em Eddie. Eddie vira os dois filhos de John nascer e crescer, por varias vezes levara o filho mais novo de John ao médico em suas crises de asma. Provavelmente John nem sabia disso, mas Eddie nem se importava, fazia aquilo pela amizade e carinho pela família de John. Já Gabriel Eddie nunca foi muito bem apresentado, o havia visto apenas uma vez no casamento de Joe, mas isso de nada significa que ele não se sentiu mal pela sua morte, sabia que era um jovem garoto, que namorava serio com uma menina, na qual Eddie também não conhecia. Foi uma vida tirada cedo demais.
Já Demi conhecia a garota na qual Gabriel namorava muito bem, Alice, está cursando o último ano de enfermagem, se via no olhar dela o quanto ela ama Gabriel. Sempre presente na reunião dos parentes de soldados, ela sempre tentava se comunicar com todos. Ela sem duvidas deve estar arrasada.
Já John nem se fala, difícil e não conhecer ele, mesmo constantemente distante, por causa do exército, John e sua família eram conhecidos na região. E como Demi foi criada na oficina onde o pai trabalha, que é perto da casa da família de John, acabou os conhecendo mais. Quando começou a frequentar a reunião dos parentes de soldados, acabou conhecendo mais ainda a mulher de John e mesmo com as idades diferentes se tornaram próximas.
Era claro que ninguém esperava que algo acontecesse com os dois. Todos esperavam em alguns anos ver John ostentando uma patente maior no exército, ou então curtindo sua aposentadoria. E quanto a Gabriel, muitos já o viam no altar, se casando com Alice e construindo sua vida ao lado dela. Mas agora se sabia que estas coisas jamais aconteceriam. Ambos morreram e deixaram para trás, famílias, amigos e sonhos.
Menos dois heróis da pátria.

                CONTINUA...

Capítulo postado, peço desculpas pela demora, tentarei postar o próximo no máximo até terça-feira.
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Bjsssss.

Juh Lovato: Ainda irá acontecer muitas coisas, pode ir se preparando linda J. Vamos ver o que a historia nos reserva. Bjsss.
p.s.: Eu não sei se você viu, mas eu deixei uns selos para o seu blog.