sábado, 16 de março de 2013

21º CAPITULO “Boas vindas” – AMOR EM GUERRA




Existe uma criança que em cerca de 6 meses nascerá, e esta criança pode não ter a oportunidade de conhecer o pai pessoalmente, teria que se contentar com fotos e historia de como ele era, de como seus pais eram felizes juntos. Ela seria mais uma órfã da guerra.

O tão esperado e temido dia havia chegado, a última visita havia se acabado e os médicos agora já se preparavam, a sala de cirurgia já estava pronta. A cirurgia que poderá ser a salvação, ou não, de Joe iria acontecer.

_ Nesta primeira cirurgia será retirada a bala...
_ Ela já não tinha sido retirada? – perguntou Denise, interrompendo o doutor Ian.
_ Não senhora Denise, ela não havia sido retirada, no estado em que seu filho chegou aqui não era possível retirar o projetil. – respondeu, pacientemente.  _ Sabemos que a bala está localizada na parte superior da cabeça de Joe, e que ela ultrapassou o crânio e está a alguns centímetros do cérebro.
_ Então se não atingiu nada, porque ele esta em coma? – atrapalhou Denise novamente, ela estava ansiosa e não parava de fazer perguntas.
_ Como eu havia dito, a bala chegou a ultrapassar o crânio, os pedaços danificados dele que atingiram o cérebro. – falou. _ Após esta cirurgia poderemos fazer alguns testes e induções de despertar. – Denise já iria lhe interromper, para perguntar o que significava “induções de despertar”, mas antes que a primeira palavra saísse de sua boca, Ian explicou. _ Indução de despertar e o mesmo que tentar fazê-lo acordar, induzir ao corpo a voltar a trabalhar por si. – começou a explicar. _ Não é algo muito complicado, mas seria impossível de fazer antes da cirurgia. Consiste em apenas diminuir a potência de algumas maquinas por um curto espaço de tempo...
_ Vocês vão desligar as maquinas? - perguntou Demi, deixando sua preocupação transparecer sua voz. 
_ Não iremos deligar a maquina, iremos abaixar a potência de alguns, para ver se o corpo dele reage. – explicou, mas ao olhar para Demi viu, pela sua expressão, que ela não estava acreditando. _ Minha intenção não é matar seu marido senhorita Demetria, estou aqui para salva-lo. – falou.
_ Desculpe, mas não é o que parece. – falou dura.
_ Demetria. – Eddie chamou sua atenção.
_ Eu só estou falando o que eu acho. – respondeu, sem se importar em abaixar o tom duro, ignorando o fato de estar respondendo o pai.
_ Eu sei que talvez você tenha ficado um pouco assustada por eu ter dado a opção de eutanásia, mas você precisa entender o meu lado. – pediu Ian.
_ Para você é só mais um paciente, se ele morrer será apenas mais um. – falou Demi, se segurando para não chorar. _ Para mim é meu marido, pai do meu filho. Tente entender o meu lado. – finalizou.
_ Quando eu me formei, eu prometi salvar vidas, seja ela de quem for. Muitos em meu lugar poderiam já ter desistido, eu não vou mentir, a situação do seu marido não é animável para ninguém. – falou Ian. _ Mas eu sou persistente, eu não irei desistir de tentar salva-lo. – finalizou. Talvez fosse por ter sentido a sinceridade em sua voz, ou talvez por que é melhor se agarrar a palavras boas, de esperança, do que deixar-se afundar em seus medos e insegurança, mas Demi acabou concordando e dando um voto de confiança a Ian. _ Não podemos garantir que só com esta primeira cirurgia o corpo dele reagirá ao processo, mas se tudo ocorrer como o previsto, as chances de sobrevivência aumentarão consideravelmente. – avisou, para não haver cobranças depois. _ A cirurgia é grandiosa e arriscada, mas, além de mim, terão outros médicos, bem experientes, ajudando na cirurgia. – Encerrou. _ Eu darei o melhor de mim para trazê-lo de volta. – disse Ian.


DEMI

Já haviam se passado 10 minutos, para mim, foi tempo suficiente para que o desespero mais ansiedade dominasse meu corpo por inteiro. A cirurgia é bem complexa, o tempo mínimo dado por Ian é de 10 horas de cirurgia. Se em 10 minutos eu já estava prestes a entrar em colapso, imagina em 10 horas de espera?
Apesar de todos saberem que cirurgia de Joe era hoje, poucos compareceram no hospital, além de mim, Denise, Paul, Logan, Miley e meu pai, aqui estavam apenas o avô paterno de Joe, Carlos, um dos tios dele, no caso Daniel e sua mulher, Marcelle, um amigo de infância de Joe, na qual o nome é Nick e um soldado, que ainda não havia sido mandado para uma missão desde então, Kevin. Pode parecer muito, mas assim que a notícia se espalhou pelos telejornais o saguão perto do quarto do Joe ficava mais movimentado que um show gratuito de um artista muito famoso, chegava até ser um pouco claustrofóbico. Joe acima de tudo sempre foi um bom amigo, por isso o número grande de visitantes não era tão surpresa assim, mais mesmo sendo bom ter todas aquelas pessoas por perto, isso me prejudicou, pois nestes últimos dias pouco falei com Joe, senti-lo eu sinto muito, praticamente todo o momento eu sentia seu toque, mas quase nunca posso ter meu momento de falar com ele, sempre tem alguém em cima de mim, nem mesmo em casa eu estou tendo os meus momento sozinha.

Nick e Kevin conversavam de pé, Kevin estava escorado na parede, já Nick não. Eu não sei se ambos já se conheciam, mas pelo jeito em que conversavam dava a impressão que sim. Meu pai e Logan estavam sentados, meu pai bem ao lado da minha cadeira e Logan ao lado dele, meu pai estava sentado apoiando os cotovelos na coxa e a cabeça entre as mãos, ele estava cansado, a rotina de passar noite em claro no hospital, cuidar de mim – mesmo eu insistindo que não precisava – e, quando Logan não conseguia manter sozinho, trabalhar na oficina, estava esgotando com toda sua energia, ele não tem mais idade para uma vida tão agitada, ainda mais que ele sempre teve uma forma bem calma de vida, com regras e horários seguidos a ponta da letra – daí que eu puxei a mania de seguir uma rotina – de repente ser obrigado a largar todo aquele confortável ritmo de vida, quase pacata, tendo que dar conta de três coisas, consideravelmente estressantes, não era fácil para ele, mesmo ele falando que está bem.  Eu sei que se ele pudesse dormir por quatro dias seguidos, ele faria de bom grado.
Logan, sentado ao lado de meu pai, está sentado da maneira mais esparramada possível na cadeira. Normal. Talvez eu devesse agradecer só pelo fato de, durante estes últimos dez minutos, ele tenha se mantido quieto. Para ele quietude nenhuma é bem vinda, isso desde o tempo de escola, em que as professoras sempre reclamavam que ele não conseguia ficar sentado na sala de aula, sempre começava a zanzar de um lado para o outro. Teve uma vez que até sugeriram a meu pai para leva-lo para um psicólogo para ver se ele tinha algum problema mental. Meu pai até chegou a levar, mas acabou constatando que ele só tem uma personalidade muito agitada, tem muita energia acumulada, nada que se deva preocupar muito. Eu sei que ele está odiando ficar aqui e estou um pouco curiosa para saber como ele vai ficar até o fim da cirurgia.

Miley está do meu outro lado, em silêncio, eu sei que ela quer falar algo, algo que possa me confortar ou me tirar do nervosismo que eu estou, ela sempre está muito preocupada em me consolar e manter minha mente no lugar, mesmo que algumas vezes eu acabe descontando um pouco nela. No fundo agradeço por ela não estar sabendo o que dizer, a conversa de que tudo vai dar certo só me deixava mais ansiosa.
Paul estava do outro lado do corredor, sentado com uma expressão vazia, no fundo penso que ele já perdera as esperanças de ver o filho acordar, as vezes, a maneira que ele fala deixa esta impressão, o que não é nada bom, pois se ele quiser desligar as maquinas e conseguir convencer, ou melhor, obrigar Denise a autorizar também, aí não terá mais volta, mesmo Joe sendo maior de idade e casado, a voz dos pais dele que está valendo agora, minha objeções pouco seriam escutadas diante das deles.
Denise, visivelmente, é a mais desesperada, por assim dizer, assim que doutor Ian deu suas explicações e fora para a sala de cirurgia, ela pegou seu terço que sempre carrega em sua bolsa e ajoelhou-se no corredor, que por sorte é largo o suficiente para que, mesmo ela estando ajoelhada e tendo cadeira nas duas extremidades, possa haver um trafego de pessoas, sem incomodar ninguém. Ela já estava ajoelhada e rezando o terço, tão fielmente que rezava de olhos fechado, a dez minutos e mesmo não sendo muito jovem mais, eu posso apostar que ela ficará daquele jeito durante as dez horas da operação. 
O tio e o avô de Joe estavam sentados do lado de Paul e conversavam em alguns momentos, já Marcelle, um pouco alheia a toda situação, a todo o momento mexia no celular. No primeiro momento eu achei ofensivo. Oras, todos lá estavam sofrendo e ela para pra olhar o celular? Mas depois acabei descobrindo que ela estava resolvendo coisas da empresa deles, Marcelle e Daniel tem uma pequena fabrica de peças automotivas no Texas, a empresa anda crescendo bem ultimamente, provavelmente o tempo que eles estão ficando aqui poderá ser sentido no futuro.


Eu precisava de alguém para seu meu pilar durante este tempo, alguém que não me repreendesse, que não tentasse me distrair, eu não quero distrações, eu só preciso de compreensão.  
Miley? Melhor não, ela mesma não sabia o que dizer agora, eu não posso exigir mais do que ela esta me dando todo este tempo. Paul? Definitivamente não é uma boa ideia. Kevin, Nick, Daniel, Marcelle ou Carlos também estão fora de cogitação. Meu pai? Não seria uma má ideia se ele já não estivesse esgotado demais. Logan? De todas as opções até agora ditas, é a melhor, ele até iria gostar, já que assim faria algo, porem Logan, como sempre, acabaria sendo uma fonte de distração, e como eu disse, eu não quero que me distraia, eu quero apenas compreensão. Denise até seria uma boa, ela, assim como eu, estava desesperada, a única diferença é que eu estou tentando esconder, enquanto ela em nenhum momento deixou de demonstrar o quanto tudo vem lhe afetando, porem eu jamais seria capaz de atrapalha-la agora. Ela sempre foi uma pessoa muito religiosa, não seria agora que ela não seria.
Olhei novamente no relógio em meu pulso. Tempo transcorrido da operação: 13 minutos. Oh céus! Eu já estava achando que tinha passado no mínimo uns quinze minutos da minha última olhada a aquele mesmo relógio e apenas tinha passado três minutos?

_ Aonde você vai? – perguntou Miley ao ver-me levantar.
_ Eu vou tomar um ar fresco. – respondi.
_ Quer que eu vá com você? – perguntou.
_ Não. – respondi. _ Desculpa, mas eu estou precisando de um tempo sozinha. – Miley concordou, ao olhar meu pai, que levantara a cabeça para observar o que estava acontecendo, vi que ele não ficou muito satisfeito, mas não interferiu.

Na verdade eu não estava a procura de ar fresco, como disse a Miley, eu estava procurando um local em que eu pudesse entrar em contato com Joe, com o passar do tempo percebi que ele é o único que pode me acalmar agora.

O Hospital é muito grande, mesmo já estando aqui há muito tempo e aqui tendo virado quase que minha segunda casa, eu ainda não tinha conhecido todos os cantos deste hospital. Porem eu sei que existe uma área, que se parece com um jardim, não é muito grande e fica na parte de trás do hospital, não é nada fantástico, tem algumas cadeiras parecidas com as que se encontra nas praças, e seu chão é todo gramado, tem apenas uma árvore, uma mangueira, que esta carregada de mangas nesta época do ano.
O local não é muito frequentado, apenas alguns pacientes que necessitam tomar um pouco de sol e podem sair da área do hospital vão para lá, mesmo sendo um espaço aberto a todos. Acabei encontrando o lugar por puro acidente, quando tinha muita gente querendo visitar o Joe e me impediram de ter meu tempo normal de visita, acabei ficando estressada e sai andando pelo hospital feito um desequilibrada, só parei quando achei este local.
Provavelmente tem uma maneira mais fácil de chegar neste jardim, mas o único percurso que eu conheço se é necessário atravessar o saguão de entrada, nunca reclamei, mas hoje definitivamente ir por aquela direção me proporcionou uma desagradável surpresa.
Andando entre todos e indo em direção de onde eu havia acabado de sair.
Ele e seu sorriso sínico.
Ele me viu, mas não parou sua caminhada.
Hoje não tem Miley e ninguém que me possa impedir de o pôr em seu lugar.
Parei no lugar em que eu estava, esperando que o seu percurso se encontrasse com a minha localidade. Eu, com todo o prazer, lhe daria as boas vindas.

             CONTINUA...


Capítulo postado. Provavelmente só postarei o próximo na terça.
Não se esqueçam de comentar/avaliar.
Bjsss.


Eriimiilsa: Aww obrigada, digamos que não foi o melhor que eu já escrevi, mas fico feliz que tenha gostado.
Quem sabe no próximo capítulo a Demi põe o Rick em seu devido lugar?
Fico lisonjeada com os seus elogios e demonstração de envolvimento com a historia. Bjss linda.
Diana (DSP): Que bom que você gostou, talvez não tenha ficado tão ruim... Mas poderia ter ficado melhor. Muito obrigada linda. Bjss. 

quarta-feira, 13 de março de 2013

20º CAPITULO “Órfã da guerra” – AMOR EM GUERRA


Eu preciso encontrar a minha salvação, o mais rápido que eu puder, eu não tenho tempo a perder.
Demi parecia mais saudável, porem assustada quando entrou para me ver, ela já sabia sobre os planos dos médicos, sabia que eu poderia sofrer uma eutanásia, ela não queria isso, mas pouco pode fazer contra, já que nunca falei nada sobre isso, eu nunca considerei estar nesta situação.

_ Joe, eu não sei o que fazer. Eu estou com muito medo de lhe perder, eu não quero lhe perder. – falou Demi entre lágrimas. _ Eu sei que você esta aqui comigo, mas... Não é a mesma coisa... Eu nem posso te ver... É irracional. – falou. Eu a intendia perfeitamente, digamos que minha presença agora não mudava muitos as coisa, eu não posso me ajudar a melhorar, eu não posso ajuda-la, eu sou um inútil por aqui. _ Porque que as coisas têm que ser tão difíceis para nós? – perguntou depois de uma pausa. _ Sempre que estamos felizes tem algo que nos atrapalha. – falou. _ E nos ainda estamos aqui juntos, provando o quão forte é o nosso amor. – não pude deixar de dar um sorriso com esta fala, várias vezes alguém foi contra no nosso relacionamento ou brigamos por causa de pensamentos diferentes, a distancia sempre fora um tortura, mas mesmo assim nunca deixamos de amar um ao outro, nem se quer por um momento.
Outra pausa.
Demi estava como sempre, sentada na cadeira de visitantes, tocando minha mão e falando sempre perto do meu ouvido, como se isso fosse maior garantia de que eu a escutasse, eu posso escuta-la perfeitamente, estando ela sussurrando ou falando em um tom normal, mas eu nem ligo pelo fato dela estar falando tão proximamente, sempre amei sua voz, por vários meses era a única coisa que eu tinha dela, quando eu estava no exército um telefonema era como uma dadiva divina, escutar sua voz sempre foi motivo de alegria.
_ Uma vez, quando eu era pequena, me disseram que amar, além de tudo é sofrer, não tem como ser só feliz, sempre haverá um momento em que lágrimas nascerão por quem ama. Eu achei aquilo uma bobagem, amor é felicidade, é algo bom, eu nunca derramaria lágrimas por estar amando. – confessou. Ela nunca tinha me dito esta historia. _Aí eu te encontrei, foram tantos momentos de alegria, tantos momentos inesquecíveis, mas eu já derramei tantas lágrimas, por simplesmente te amar... Joe eu te amo demais, eu estou disposta a chorar o quanto for preciso, mas não por ter que te enterrar, mas sim por te ter aqui comigo, por favor, se você puder fazer algo, eu não sei, nem que seja se manter forte, nem que... Eu não sei... Eu... Só não me deixe sofrer por te perder, eu não resistirei. – falou, as lágrimas não paravam por um momento, ela estava desesperada, o medo de me perder já lhe havia dominado novamente, mal ela sabia que eu não podia fazer nada, me manter forte? Como? O que é preciso para fazer isso?
Aproximei-me dela e toquei sua mão, ela sentiu, mas de nada adiantou, ela continuou com seu choro incessável. Para mim o toque que eu a dei, tinha um significado, eu não sei o que fazer para me recuperar, isto é fato, porem prometo não desistir de procurar respostas ou soluções. Já que ela não pode me escutar, toca-la foi a maneira que encontrei para respondê-la, espero que ela tenha entendido.

--

O resto do dia foi bem tumultuado, os parentes e amigos de Joe chegaram para visita-lo, o que levou os enfermeiros a loucura, já que não podiam permitir tanto estresse ao paciente, o resultado foi que nem todos conseguiram vê-lo e tentariam no próximo dia, isso provavelmente atrapalharia a Demi e aos pais de Joe, já que fora dado um limite de cinco visitantes por dia, e na espera já tinha umas 13 pessoas. Parentes, colegas de escola e do exército, todos lá torcendo pela sua melhora.
Era bom saber que Joe é tão querido, ter a presença de outros lá deu um animo, pouco, porem deu um animo a mais a todos.
 Porem uma visita em especial não alegrou a ninguém, principalmente a Demi.
Rick.
_ Eu não acredito que este homem veio. – falou Demi, a raiva tomou conta de seu ser.
_ Calma Demi, ele só veio visitar o Joe. – falou Liam, tentando acalma-la. Ele e Miley também estavam lá.
_ Ele nem liga para ele. – falou Demi furiosa.
_ Não é assim Demi, ele...
_ Nem tente Liam. – falou Demi, interrompendo-o. _ Nem você, nem Joe, nem ninguém me fará gostar dele.
_ Desculpe amor, mas nessa eu concordo com a Demi. – posicionou-se Miley.
_ Não é questão de gostar é só...
_ Cala a boca Liam. – ordenou Demi, que mantinha seu olhar em cima de Rick, observando cada passo dado por ele. Em uma situação normal, uma pessoa ficaria chateada com sua atitude, mas Miley e Liam acabaram rindo da situação e deixaram tudo quieto. Todos sabem muito bem que não se mexe com uma gravida, principalmente uma irritada. 
Rick percebeu o constante olhar de Demi e como resposta deu sorrisinho a ela, como se estivesse provocando. Se Demi tivesse uma arma em mãos, Rick seria um homem morto.
Demi queria gritar, expulsa-lo, mas não queria fazer escândalo, tendo que segurar todo o seu ódio por aquele homem em si.
_ Demi, eu acho melhor nos irmos para a lanchonete. – sugeriu Miley.
 _ Eu não estou com fome. – falou Demi, grossa, ainda com o olhar em Rick.
_ Mas eu estou. – disse, puxando a amiga pelo braço e a obrigando a ir junto. Os tempos são diferentes, mas a amizade “delicada” que uma sempre teve com a outra continuava a mesma.

Aos protestos de Demi, Miley conseguiu arrasta-la para a lanchonete do hospital.
_ Você não deveria ter me tirando de lá. – bufou Demi.
_ Mais um minuto lá e você explodiria. – disse Miley.
_ Eu queria ficar de olho naquele homem. – falou Demi, ignorando o último comentário da amiga.
_ Custa você se acalmar um pouco? Eu também não gosto dele, mas não vou ficar da maneira em que você fica ao chegar perto dele. – falou Miley.
_ Claro! – berrou Demi, sem se importar com os outros que estavam na lanchonete, que atraídos pelo seu berro começaram a olhar para elas. _ Não foi a você que ele disse que queria que perdesse o filho. – concluindo ainda com o tom alterado.
_ Agora você vai discutir comigo? – perguntou Miley indignada ao perceber a ação da amiga. Desde o começo queria Miley queria apenas ajudar a amiga, sabia que ela estava irritada, mas custava se acalmar um pouco?
Enfim levando em consideração a fala da amiga, Demi parou um pouco e respirou fundo.
_ Desculpe-me. – pediu Demi, abaixando o tom de voz.
_ Não esta sendo fácil para ninguém Demi. – disse Miley, com a voz doce. _ Eu sei que para você está sendo muito difícil, mas eu estou aqui, viu morena? – falou. Mais calma Demi se permitiu dar um sorriso fraco.

(...)

A semana parecia se arrastar. Nenhuma notícia, nenhum sinal de melhora. Os soldados já haviam voltado para suas respectivas missões no exército, dos parentes de Joe, os que tinham trabalho e escola acabaram tendo que voltar para suas casas, deixando para trás apenas os que já eram aposentados e os que eram donos do próprio negocio, o que permitia a eles que tivessem o luxo de não ir trabalhar quando assim decidissem. Miley sempre ia para o hospital depois de fechar o restaurante e ficava lá até a hora em que a amiga voltava a Fort Bragg, Logan acabou ficando responsável de cuidar da oficina, já que o pai se negava ficar sem ir para o hospital. Os noticiários já tinham parado de anunciar sobre a guerra, e as cartas, presentes e até dinheiro, dos americanos agradecidos pelo heroísmo de Joe, que começara a chegar depois de anunciado o coma de Joe, em cadeia nacional, haviam parado de chegar. A América já havia esquecido os heróis da pátria.
O dia da cirurgia de Joe se aproximava e com ela a tensão. Denise já havia começado uma novena para Joe, e incluiu todos nessa, e também fez promessa. Se a cirurgia fosse bem sucedida iria doar quilos de alimento para uma instituição de caridade, ela já fazia isso pelo menos uma vez no ano, mas como a idade não lhe permitia fazer penitencia física – apenas de que, se neste momento, isto fosse necessário, sem pensar suas vezes, ela faria – e a saúde, que se debilitou muito desde que recebeu a notícia da internação do filho, não lhe permitia uma restrição alimentar – apesar dela também ser capaz de fazer, caso soubesse que isso salvaria o filho.
Paul, apesar de ter acompanhado a mulher nessa, já tinha jogado tudo para o alto. Demi seguiu tudo com fé, a única coisa na qual ela podia se segurar naquele momento era em sua fé.

_ Eu fiquei sabendo de um caso em que um homem ficou em coma por 18 anos. – comentou Logan, hoje era a vez dele de ficar com Demi, enquanto o pai descansava um pouco, nessa noite quem iria ficar no hospital era Paul e, pela primeira vez, depois de muito insistir, Denise.
_ Sua intensão era de melhorar minha situação? – perguntou Demi, a fala do irmão dava a esperança de que mesmo que demore, ele pode acordar. Mas, 18 anos? Demi não sabia se conseguiria se manter 18 anos apenas com a esperança de que ele um dia possa acordar, e a criança que ela carrega? Joe não a veria crescer.
_ Acho que era. – falou ele, coçando a cabeça.
_ Ajudou. - mentiu ao ver que o irmão ficara chateado por não estar conseguindo ajuda-la.
_ Você sempre foi uma péssima mentirosa. – comentou. _ Por isso que o papai sempre descobria quando você fugia de casa para se encontrar com Joe. Eu nunca precisei te dedurar. – ambos riram.
_ Já você... – disse Demi, sugestiva.
_ Eu sempre fui esperto, somente isso. – disse Logan, agora feliz por ter conseguido amenizar o clima ruim.
_ Uhum.
_ Fala sério, eu mentiroso? – perguntou ele, fingindo indignação, mas acabou rindo no final, Demi também acabou dando uma risada.
_ Eu sou espero não ter que esperar todo este tempo. – falou Demi, depois de um tempo de ambos em silêncio.
_ Você não precisar esperar tanto. – afirmou Logan, mesmo sabendo que ele não estava em condições de afirmar nada. _ Ele irá acordar em breve.

(...)

Eddie, preocupado com a filha, marcou um médico para ela, já que ele agora estava com três meses de gravidez.
Aproveitando que o próprio hospital em que Joe está internado tem uma área reservada para fins da maternidade, levou Demi até lá.
O que se viu foi uma cena de se emocionar e talvez rir também.
Um homem, com quase 1,90 metros, chorando junto a filha, vendo o ultrassom do neto. Ah, como Eddie podia ser fofo quando queria.
 Sua altura poderia assustar muitos, pois poderiam achar que ele é muito bravo ou violento, mal sabem o quão sensível ele é, fazê-lo chorar não é tão difícil quanto possa parecer, mas ainda sim foi uma surpresa para Demi, quando olhou o pai chorando, sem sentir-se envergonhado por isso, porque conseguiu, assim como Demi, identificar onde estava a cabecinha do bebê.

_Você sabe que eu sempre vou estar aqui por você, não sabe? – perguntou Eddie a Demi, assim que saíram do consultório do médico, com a feliz notícia de que mesmo com todo o estresse que Demi estava passando, o bebê se desenvolvia bem.
_ Sei sim, você sempre esteve e eu sei que sempre estará. – confirmou Demi.
_ Saiba que no caso de Joe vier a faltar, eu prometo tentar ser o melhor avô possível para esta criança. – falou.
_ Você será de qualquer jeito. – respondeu ela. Pensar que talvez Joe viesse a faltar não era nada agradável, Demi tentava tirar esta possibilidade de sua mente. Porem para todos os outros esta preocupação já atormentava, e muito.
Existe uma criança que em cerca de 6 meses nascerá, e esta criança pode não ter a oportunidade de conhecer o pai pessoalmente, teria que se contentar com fotos e historia de como ele era, de como seus pais eram felizes juntos. Ela seria mais uma órfã da guerra.

                 CONTINUA...

Como prometido, postei. O capítulo não ficou muito bom, mas espero que ainda sim vocês gostem.
Se eu não postar um novo capítulo até sábado, eu só poderei postar na terça-feira.
Não se esqueçam de comentar/avaliar.
Bjsss.


Juh Lovato: Tudo bem linda,  comente quando quiser, sem pressão, sei que você é minha fã numero 1 :D. Postado. Bjsss
Eriimiilsa: Bom, se os pais dele irão decidir por desligar as maquinas ou não, só com o desenrolar da historia que vamos descobrir.
Não sei se fico mal por estar te fazendo chorar ou se fico feliz por saber que você fica mexida pela minha historia, é sempre bom saber que alguém se “prendeu” a sua historia. Bjsss.
Polly Jones: hahaha, só futuro dirá o que vai acontecer. É bem triste para ela e ainda podem acontecer mais momentos tristes spoiler. Postado. Bjss.

segunda-feira, 11 de março de 2013

19º CAPITULO “Tempo a perder” – AMOR EM GUERRA


_ Sinceramente, caso Joe acorde, eu não gostaria que sua criança nascesse. – falou sem pudor. Meu coração gelou naquele momento, como ele podia ter a coragem de falar isto comigo? Como alguém poderia desejar a outra um mal tão grande. _ Seria o melhor para ele.
O melhor para ele?  O que de tão extraordinário aconteceria a Joe se eu perdesse o bebê? Nada!
Aquelas palavras de Rick fizeram meu estomago embrulhar. Por sorte minha, como um bom comandante, ele soube que era hora de se retirar, mais uma palavra e mais um minuto perto daquele homem, na qual em tão pouco tempo eu aprendi a odiar, eu vomitaria tudo o que comi. O local não era agradável, afinal de contas é um cemitério, não há como ser feliz, a não ser para aqueles em que a morte não é motivo de medo ou de tristeza, mas sim de curiosidade, lucro e até mesmo diversão. Claro que depois daquela conversa, toda e qualquer alegria que eu sentia fora detonada. Joe ainda tinha coragem de me falar que ao conhecê-lo melhor você até poderia começar a gostar dele? Ele só podia estar brincando comigo. 
_ Você está bem amiga? – perguntou Miley, preocupada, eu nem tinha percebido sua presença no local.
_ Miley? Oi amiga, nem tinha te visto. – falei, abraçando-a, talvez o fato de Miley estar por perto me fizesse esquecer dos últimos minutos passados junto a Rick. Miley retribuiu o abraço, mas assim que desfizemos o abraço percebi que em seu rosto ainda tinha sinais de preocupação. _ Eu estou bem. – respondei por fim.
_ Não parece. – falou, Miley me conhece muito bem, ela sabe quando meu sorriso é verdadeiro ou não. _ Eu vi você conversando com Rick, não foi bom não é? – perguntou. Ela mesma foi uma que já me falou sobre Rick, tinha falado com ele apenas uma vez e, assim como eu, acabou odiando-o.
_ Você estava totalmente certa sobre ele. – falei.
_ O que ele te disse?
_ Ele teve a cara de me falar que se Joe acordasse do coma ele não queria que meu bebê nascesse. – falei. A lembrança de sua voz dura ao falar aquela frase novamente me atingiu em cheio, me fazendo ter vontade de chorar, não seria algo tão estranho, já que para onde se olhava tinha alguém aos prantos.
_ Eu não acredito que ele foi capaz de dizer isso. – o choque estava tanto estampado em sua face quando em sua voz.
_ Eu também não acreditei na hora. – falei, olhando para o chão. _ Ele disse que seria o melhor para Joe.
_ Seria o melhor para a guerra, perder homens, que não seja para morte, não é bem vinda para eles. – falou Miley, indignada. Eu não disse nada, ela tinha razão, desistências eram pior que morte. _ Me desculpe por ainda não ter ido visitar o Joe, eu...
_ Não amiga, está tudo bem. – falei, interrompendo-a. _ É até bom você não o ter visto no estado que ele está.
_ Oh amiga. – lamentou. _ Ele vai ficar bem. – falou. Eu confesso que já perdi a conta de quantas vezes eu tinha escutado aquela frase desde o momento em que cheguei, mas no fundo eu nem me importava, ele vai ficar bem, eu sei que vai, todos sabem que ele irá.


Ambos foram enterrados no cemitério reservado para os soldados, é triste olhar em volta e ver que há muitos túmulos lá, prova do quanto à guerra faz mal. Na guerra não há finais felizes, sempre há morte e destruição, o que há é vitória, mas não felicidade.
John e Gabriel foram enterrados um ao lado do outro, o que permitiu que todos os conhecidos pudessem se concentrar em um único local, teve a última benção do padre e da salva de tiros dada pelos soldados, em homenagem a eles.
Se eu já achava que o clima estava ruim, a hora em que os caixões começaram a ser colocados na cova foi uma tragédia, Alice, inconsolável se jogou no chão ao lado da cova, chorando e gritando para que Gabriel voltasse, era sua última esperança, talvez seus gritos o fizessem levantar, para muitos seu ato pode ter sido considerado idiota, mas eu a entendia, eu sei o que é se agarrar a esperança de um milagre, mesmo que no fundo, sua parte racional diga que é inútil. Provavelmente se um homem, na qual eu não conhecia, não tivesse se agachado ao seu lado e a segurado pelos braços, ela teria se jogado na cova, e obrigado a deixarem-na ser enterrada junto a ele. O filho mais novo de John começou a ter crise de asma, tendo que ser retirado as presas, Edna ficou sem saber o que fazer, queria ficar até o marido ser totalmente enterrado, queria ir junto ao filho para o hospital, com isso começou a desesperar-se e a desesperar quem estava em volta, o outro filho de John começou a berrar de dor, não física, mas sim de dor de perder um pai. A mãe de Gabriel teve queda de pressão, de um minuto para outro começou a aparecer câmeras de televisão, querendo gravar o enterro dos guerreiros que morreram em prol da pátria... De canto de olho procurei Rick, algo me instigou a curiosidade de saber como ele estava reagindo a aquela tragédia, será que toda aquela comoção o fizera demonstrar um pouco de sentimento?
Ele estava perto da cova de John, bem perto de Edna, bem no meio da confusão. Em seu rosto, um enorme nada. Sem lágrimas, sem sorriso, sem raiva, nada. Uma porta teria mais expressão.

--

Ao contrario do que Demi pensara o dia não melhorou com o passar do tempo. Os repórteres, ao descobrir que ela era a mulher de Joe, um dos soldados com nome noticiado, começaram a fazer perguntas, assim que terminou o enterro. Eram perguntas incomodas algumas que ela sabia como responder e outras que ela tinha medo de saber a respostas, como por exemplo, haverá sequelas quando ele acordar? Quais são as reais chances dele despertar?
Haverá sequelas? Se sim, quais? Ele a reconheceria quando acordasse? Ele reconheceria alguém? Ele se reconheceria? Ele poderá andar? Ele poderá falar corretamente? Ele poderá se mexer normalmente? Todas estas duvidas estão sem respostas, os médicos não tem como informar nada enquanto ele não acordar. Poderia muito bem ele acordar como se apenas tivesse dormido por um tempo, e logo voltaria sua vida ao normal, mas também ele poderia acordar sem se lembrar de ninguém, sem conseguir se movimentar ou com a fala prejudicada, prolongando ainda mais o sofrimento de todos.
Quais são as reais chances dele despertar? Zero? Um? Cinco? Ninguém arriscava chutar uma estimativa, mas pela maneira que os médicos diziam, em uma media de zero a dez, ninguém se arriscaria dizer mais de quatro, nem mesmo Demi, que ganhara uma esperança a mais ao saber de sua presença. Ele não poderia acordar a qualquer momento, esta fora a única frase concreta que Ian se permitiu dizer, ele não acordará enquanto não ocorrer algumas cirurgias, o sucesso delas que o farão ter chances. A cirurgia está marcada para a próxima semana, enquanto isso é apenas esperar e rezar para que ou as previsões médicas estejam erradas e Joe desperte antes da operação, ou que a operação seja bem sucedida.

Os repórteres que começaram a irritar a todos os conhecidos de Joe, só pararam quando foram impedidos pelos seguranças do hospital.
Logan, Eddie, Demi, Miley, Liam, Denise e Paul, todos lá, sentados nas cadeiras do corredor do quarto de Joe, em silêncio, ainda tentando assimilar o que tinha ocorrido naquele enterro, tão catastrófico e agitado, e entendendo a situação de Joe, posta por Ian. Valia apena manter tudo aquilo? Todos estavam sofrendo, agarrando-se num fio de esperança. Não seria melhor acabar com tudo aquilo? E se Joe também estivesse sofrendo? Era justo com ele?  

Miley e Demi agora estavam no refeitório do hospital, ambas já tinham terminado o lanche, mas ainda conversavam sentadas à mesa.
_ Você não pode deixar sua esperança morrer. – falou Miley. _ Não pense no pior, isso não faz bem.
_ As coisas devem estar piores do que eu acreditava que estavam. – falou Demi, sem olhar para amiga. _ Nenhum médico que tenha alguma esperança de que o paciente sobreviva sugerirá para decidirmos se devemos continuar tentando ou parar. – falou com voz de choro, Demi queria chorar, mas as lágrimas não saiam, formando um nó em sua garganta e um buraco em seu coração. A dor é pior quando prendida dentro de si. _ Eu tenho medo que desistam de tentar, eu tenho medo de que achem que não há nada mais a fazer. – confessou.
_ Eles estão fazendo o melhor que podem Demi, você sabe que eles não irão desistir tão fácil.
_ Então porque eles já querem?
_ Eles não querem desistir.
_ Então porque ele disse o que disse? – Miley ficou sem respostas. “Sei que é difícil para vocês tomarem uma decisão como esta, mas vocês tem que levar em consideração a opção de desligamento das maquinas” - Ian “Ainda há chance de ele acordar? O u você está dizendo isto porque não há mais nada a ser feito?” – Paul, “Só estou querendo deixar claro que há outras opções, opções estas que podem diminuir o sofrimento de longo prazo. Às vezes dizer adeus é o melhor” – respondeu Ian. Aquela conversa ainda estava bem clara na memoria de Demi, cada palavra, repetindo e repetindo em sua mente como se fosse o refrão de uma música que “grudou” em sua cabeça, porem esta letra martela a torturando, não havia nada de agradável ou harmonioso naquelas palavras, mas sim a de um profissional acostumado com a morte, a ponto de não se importar em ter mais uma, e de um pai que parecia esta considerando a ideia de que um final naquele sofrimento fosse a melhor escolha para todos. _ Joe nunca considerou este fator, ele não deixou por escrito e nunca falou se queria ser salvo ou não, a vida deles não está na mão só dos médicos, se Paul e Denise quiserem acabar com tudo, eu não poderei fazer nada.
_ Denise jamais considerará isso. – disse Miley.
_ E se por acaso ele não acordar neste mês, ou no próximo, você realmente acha que ela aguenta? Você realmente acha que o Paul vai deixa-la daquele jeito? – perguntou Demi, vendo que a chance de Joe sobrevier pareciam ainda menores.
Joe jamais conheceria o filho.

(...)

Mais um momento a sós com Joe. Era o único momento em Demi conversava com ele a espera de respostas, ela sabia que ele estava o tempo todo com ela, por varias vezes sentia seu toque, mas quando estava no quarto de Joe, conversar com ele não parecia tão louco assim, afinal de contas, o que iriam pensar caso a vissem falando com o nada e dizendo que sentira o toque de um homem em coma? Até os mais espirituais poderiam duvidar de sua fala.

JOE

No primeiro momento eu fui junto a Demi, minha mãe e meu pai de volta à Fort Bragg. Confesso que fui para tentar mais um momento junto a Demi, saber que nossa conexão era forte o suficiente para que ela me sentisse mesmo em espirito me encheu de felicidade. Porem quando entramos no apartamento lá estava Logan, não reclamo, eu ficaria preocupado de deixar Demi sozinha, mas sei que isso impediria que ficássemos a sós.
Logan é o tipo ideal de se ter por perto nos momentos triste da vida, ele tem uma energia constantemente positiva que anima todos os que estão por perto, não importa o que esteja acontecendo com esta pessoa e não importa o quanto ela está sofrendo, se ficar perto de Logan, seus sorrisos sairão sem nem mesmo perceber. Nisso eu o agradeço, fazia tempo que não via Demi tão bem, sorrindo, a última vez a escutei rindo foi quanto tirei licença do exército, já fazia um mês, um mês que eu não escutava a sua risada tão contagiosa. O melhor som para os meus ouvidos.
Aproveitando o tempo em que Logan estava com Demi, eu quis entender melhor o meu estado, eu sei que posso tocar as coisas, mas não posso movê-las, sei que algumas pessoas podem me sentir, como por exemplo, Demi e minha mãe, sim, minha mãe pode me sentir, ela só não sabe disso ainda. Os animais podem me ver, prova disso é Oliver e o cachorro do vizinho que também começou a me latir feito um louco assim que me viu sair do elevador antes de eu entrar no apartamento.
Primeiramente experimentei algo que sempre vi nos filmes de fantasmas, passar sobre as coisas, tentei em vários objetos e pude observar um fato curioso. Objetos de ferro, prata ou que contenham conexão com energia eu sou incapaz de transpassar, como por exemplo, TVs, geladeiras ou elevadores, mas eu sou capaz de passar por portas de madeira ou de vidro. Porem a minha maior descoberta foi a que eu mais duvidava que eu poderia ser capaz de fazer, eu posso me transportar para qualquer lugar que eu queira, desde que eu conheça, tentei ir para outros países, sei não é o momento, mas tentei me transportar para Paris, mas fui parar na Rua Paris, que é a rua da minha primeira escola, porem quando desejei estar na casa de meus pais, cheguei sem problemas.
Demi agora estava com Logan e parecia ter se esquecido por alguns minutos dos problemas, porem meus pais estavam apenas um com o outro. Minha mãe já estava se preparando para dormir, já meu pai continuava acordado, conversando no telefone, ele falava com um tio meu que mora no Texas, parecia que a notícia sobre o meu coma tinha acabado de ser noticiada no jornal, toda família estava preocupada, ansiando por notícias e perguntado o porquê de não terem sido avisados antes. Meu pai falou pouco, ele tampouco sabia muito sobre o meu estado, apenas que eu estava em coma, que em breve faria uma cirurgia e que os médicos não estão muito confiantes no meu caso. Nada animador. Alguns parentes prometeram vir me visitar o mais rápido possível.
Não posso dizer exatamente o porquê, mas eu quis ir para o hospital, eu já tinha passado o dia inteiro lá, mas ainda sim eu quis voltar para lá. Transportei-me para sala do doutor Ian, ele olhava alguns papeis e analisava alguns raios-x, com ele haviam mais dois outros médicos e três enfermeiros, os médicos eu não reconheci, ambos pareciam experientes, mais velhos, já os enfermeiros eu conhecia, um dele sei que o nome é Andrés, formou há dois anos. Demorei uns cinco minutos para me dar conta de que os papeis e os raios-x eram do meu caso, a todo o momento eles estavam falando sobre mim.
 _ Talvez seja um pouco precipitada tal decisão. – falou Andrés.
_ Infelizmente não, já vi casos como estes, tentar é inútil. – disse um dos médicos.
_ Você sabe que eu irei tentar, não sabe doutor Gerald? – falou Ian, ao médico que acabara de falar.
_ Sei que não desiste fácil doutor Ian, mas além do risco e do gasto de dinheiro e tempo, não temos garantia de nada.
_ Tente. – falou o outro médico. _ Mas dê outras opções.
_ Eutanásia?  - perguntou Ian.
_ É uma opção a se levar em conta. – respondeu.
Eu não quis escutar mais nada, me transportei para o quarto em que estou internado. Eu não tenho muitas chances, provavelmente a minha morte seja apenas questão de tempo. Eu preciso encontrar a minha salvação, o mais rápido que eu puder, eu não tenho tempo a perder.

           CONTINUA...

Olá, capítulo postado, espero que tenham gostado. Já estou com o próximo capítulo quase pronto, por isso acho que até quarta-feira já postarei.
Não se esqueçam de comentar/avaliar
Bjsss.

Silvia: Fico feliz que tenha gostado. Já fui lá e votei, tomara que eles sejam os ganhadores da pesquisa ;) . Postado, bjsss.
Barbara: HAHAHA, o Rick realmente não é uma pessoa amável.
Que bom que entende, neste ano mudei para uma escola mais rígida e agora está mais difícil ainda acompanhar o ritmo :\
Obrigada por comentar. Bjss.
Eriimiilsa: O Rick é um personagem que veio para irritar, mas só um pouquinho, logo logo eu dou um jeito de sumir com ele xD. Obrigada por comentar. Bjsss.

quarta-feira, 6 de março de 2013

18º CAPITULO “Seria o melhor para ele.” - AMOR EM GUERRA


_ Eu prometo.
Naquela noite, quem ficou no hospital fora Eddie, mesmo com os protestos de todos, ele quis ficar lá. De todos, ele era o mais descansado e, apesar da idade, era o mais apto para passar a noite praticamente em claro, já que as cadeiras do corredor não eram tão confortáveis quanto as do quarto e impossibilitavam um sono, talvez um cochilo desse, mas apenas enquanto o sono não começasse a aprofundar, deixando com que a gravidade comande o corpo e acabasse  tombando para frente ou para os lados.
Paul já não dormira na noite anterior, e não se deixou dar nenhum cochilo durante o dia, provavelmente seu corpo estava a ponte de entrar em colapso e exigir um descanso imediato, tanto que deixa-lo dirigir de volta a Fort Bragg era algo perigoso; Denise até queria ficar, mas o estado dela, descansada, já era lastimável, sem descanso pareceria uma morta viva, não que já não lembrasse uma; Demi também poderia ficar, após ter tido a confirmação de que Joe estava ao seu lado, se permitiu ficar melhor, até mesmo se alimentou direito, o que a deu uma aparência mais saudável, porem todos se opuseram a sua vontade, não a deixando outra opção, a não ser voltar para casa.
No final quem acabou dirigindo a maior parte foi Demi, só quando chegou a seu prédio que passou o carro a Paul.
Logan já estava no apartamento de Demi, depois de ter descansado um pouco ele foi para lá, na intensão de cuidar de Oliver, e depois, mais tarde de Demi, já que lhe foi passada a informação de que seu pai ficaria no hospital.
Logan não sabia muito bem o que deveria fazer, agora não era hora para fazer piadas, mas deixar a irmã triste tampouco estava em questão.
O que o surpreendeu foi o fato dela parecer ligeiramente melhor do que a última vez que ele a vira.

Assim que entrou no apartamento, Demi cumprimentou o irmão, e teve uma rápida conversa com ele enquanto dava um pouco de atenção a Oliver. Depois ela foi para o banheiro, tomar um banho, demorado e relaxante.
Relaxar era algo que não estava no dicionário de Demi já fazia um bom tempo, mesmo antes do fatídico acontecimento a Joe, porem, hoje, após ter sua confirmação, Demi se permitiu relaxar um pouco.
Esta decisão não fora tomada apenas por ter sentido o toque de Joe, mas sim porque sentiu o toque de Joe em sua barriga. Isto para ela serviu como um aviso, com todo aquele tumulto Demi estava esquecendo-se de cuidar da saúde, prejudicando não somente a ela, mas também a criança que espera. Demi sabe que Joe quer a criança tanto quanto ela e é claro que a maneira que ela estava levando sua vida não permitiria que nascesse uma criança, pelo menos, não uma criança saudável. Com isso Demi decidiu mudar seu comportamento, voltou a permitir-se sentir fome e comeu como uma mulher gravida come, muito; permitiu-se sorrir um pouco, forçou-se a olhar estes últimos acontecimentos com melhor olhar, se é que isso é possível, deixou-se relaxar no banho, acariciou sua barriga, que já começava a dar sinais da gravidez, e falou com a criança, mesmo sabendo que nesta faze de desenvolvimento a audição do bebê não estaria nem mesmo se formando.
A noite estava atípica em Fort Bragg, fazia 21 graus – o que já caso de sair de casa com casacos pesados para o povo do sul americano – caia uma chuva, fraca, mas quando ventava dava a impressão de que a temperatura estava em negativos. Demi quando saiu do banho, vestiu-se da maneira mais confortável possível, calça e blusa, ambas de moletom, sendo que a blusa na verdade era de Joe, e ficava gigantesca em Demi, porem ela nem ligava, estava em casa, o único que poderia a julgar era o irmão, sendo que este não ligava muito para roupas, prova disso é que ele mesmo saiu pela rua com uma calça jeans, já desbotada e uma blusa, vermelha, que tinha um belo de rasgo na manga. Fora que Demi se lembra de que quando vestia aquela blusa, Joe sempre a achava fofa, pois a fazia parecer uma criança.

_ E então, eu estava pensando em pedir uma pizza. – falou Logan, quando Demi voltou para sala.
_ Porque você não cozinha alguma coisa. – sugeriu Demi. _ Quero ver seus dotes culinários.
_ Bom... – Logan pensou um pouco. _ Tem miojo? – perguntou. Demi riu de canto e se jogou no sofá.
_ Você precisa aprender a cozinha maninho. – falou Demi, um pouco divertida. Mesmo com todos os problemas, o estado espiritual alegre de Logan, sempre animava, nem que seja um pouco, as pessoas a sua volta. Era algo tão natural que ele nem mesmo percebe seu “dom”.
_ Eu também sei fazer omelete. – falou convencido.  Demi riu. _ Não ri não, ela fica muito boa viu? – falou também se jogando no sofá, no pouco espaço que Demi deixou. _ Mas ainda sim eu acho que uma pizza cairia bem.
_ Acho que vou aceitar sua sugestão. – falou, deixando o irmão entusiasmado.
_ AE! – comemorou. _Sabia que minha irmãzinha não iria me decepcionar. – falou Logan, dando um beijo na bochecha de Demi e logo depois se levantando para telefonar para a pizzaria, na qual, de tanto pedir, ele já sabia o numero de cor e salteado.
_ Você e seu vicio em pizza. – falou girando os olhos.
_ Não é um vicio ruim. – disse enquanto não o atendiam.
_ Depende do ponto de vista.
_ Do ponto de vista do sabor é ótimo, para mim isso é o único que importa. – falou. E depois foi atendido.

Enquanto esperavam a pizza Logan e Demi começaram a assistir TV. Logan estava com o controle remoto e pulava qualquer canal que estivesse passando jornal, de manhã fora liberada a lista com os nomes das vitimas da batalha que culminara na morte do líder dos talibãs, com uma morte tão importante para o exército americano, as notícias não paravam de passar em todo qualquer lugar, o assunto já estava começando até mesmo a enjoar. Tentaram achar algum filme que eles dois gostassem ao mesmo tempo, mas foi uma briga só, um era violento demais, outro era meloso demais, outro era triste demais, outro era bobo demais. Acabaram por decidir que iriam assistir algum seriado pela internet.
_ Glee. – sugeriu Demi.
_ Gay. – falou Logan. _ The walking dead.
_ Não estou querendo de comer vendo zumbis. – falou Demi, fazendo cara de nojo.
_ Surpernatural. – sugeriu Logan. Demi fez um cara de duvida. _ Ah! Vai! Você gosta! – insistiu.
_ Se eu tiver pesadelo durante a noite você irá se arrepender seriamente. – ameaçou Demi, com direito a apontar dedo na cara do irmão e tudo.
_ Tudo bem, minha medrosinha. – falou Logan, ameaçando a morder o dedo que Demi o apontara, mas ela foi mais rápida e logo tirou.
 Quem vesse os dois neste momento jurava que nada de ruim acontecia na vida deles. Logo pensariam que os dois eram apenas dois irmãos, bobos, que simplesmente decidiram tirar um tempo para ficarem juntos, aproveitando o friozinho que fazia, e que estava a inibir até o mais corajoso e apaixonado casal que planejasse ir à praça.
Talvez por causa da chuva, a pizza demorou mais que o comum para chegar, eles já tinha conseguido assistir um capitulo e meio de Supernatural, e ambas as barrigas já roncava de fome.
No final das contas, tanto Logan quando Demi estavam gostando tanto do seriado, que nem mesmo fizeram uma parada para comer, comiam e assistiam ao mesmo tempo.
Comeram até o último pedaço e só foram dormir quando já era de madrugada. Por orientação de Eddie, Logan fora dormir com Demi, assim como o pai havia feito na noite anterior.
Nesta noite Demi conseguiu dormir mais rápido, mas isso não significa que ela não teve sonhos com Joe. Novamente ela sonhou com Joe, da mesma maneira que da última noite. O mesmo lugar, o mesmo sentimento de paz, o mesmo enredo.
Claro que depois de um dia cheio de esperanças, sonhar novamente que Joe desaparecia em sua frente não fora nada estimulador. Talvez fosse só seu subconsciente lembrando-a de que, mesmo que ele possa de alguma maneira estar presente entre ela, não significa que sua morte não possa acontecer. Nada ainda mudou, ele continua em coma e os médicos continuam sem dar muitas esperanças sobre sua recuperação.

DEMI

Quando acordei já se passava das nove, nunca fui de dormir tanto, com o tempo tinha adquirido uma mania de acordar cedo, mesmo quando estava muito cansada, até mesmo quando não era necessário. Bom, não posso reclamar deste tempo a mais na cama, ele me veio bem a calhar, há muito tempo não me sentia tão descansada...
Sei que Logan não acordou a muito tempo, ele, ao contrario de mim, tem a regra de quanto mais tarde acordar, melhor, provavelmente o único motivo dele já ter se levantado quando acordei, fora alguma ordem do papai. Logan pode ser o que for, mas sempre acata todos os pedidos do nosso pai.
Levantei, fiz minha higiene pessoal, mas não troquei de roupa. Agora estava um pouco mais quente que a noite anterior, mas ainda estava frio demais para tirar a roupa confortável na qual eu estava.
Ao me aproximar mais da sala comecei a sentir um cheiro bom vindo da cozinha, até aquele momento eu estava me sentindo saciada, mas aquele cheiro despertou uma fome de leão, parecia até que eu não via comida há dias.


_ Bom dia maninho. – cumprimentei-o, chegando à porta da cozinha.
_ Bom dia, pequena. – falou ele, se afastando do fogão, onde ele estava quando cheguei e vindo me dar um abraço e um beijo na testa.  _ Preparada para comer a melhor omelete já feita neste planeta? – perguntou ele, todo empolgado, voltando para perto do fogão.
_ Se o gosto for tão bom quanto o cheiro, eu estou mais que pronta. – respondi.

                                                                  (...)

Após comer a omelete, que, diga-se de passagem, foi o melhor que eu já comi na vida, tomei um banho e troquei de roupa, coloquei um vestido preto, que ia até meus joelhos, e com mangas de renda. Agora iriamos ao enterro de John e Gabriel, não será um momento agradável, já fui a outros enterros de soldados e é sempre uma comoção muito grade, porem desse dois seria um pouco mais difícil para mim, conheço e sei a historia de ambos, enterrar quem se conhece é bem pior do que aquele em que apenas ouvimos dizer em um noticiário.
Todos iriam, meu pai, Logan, Denise, Paul...
Assim que chegamos fomos recebidos pela mulher de John. Já se podia ver os efeitos daquela morte em sua aparência, Edna, mulher de John, já tem uma idade mais avançada, ela é três anos mais velha que John, seu rosto nunca teve nenhum sinal de ruga ou mancha, porem agora um forte olheira em seus olhos evidenciavam o cansaço e o choro, seus olhos estavam fundos e sem o brilho que se via antes, parecia já ter emagrecido uns cinco quilos. Seus filhos não pareciam menos destroçados, o menor chorava inconsolavelmente. De longe avistei Alice, em pé, ao lado do caixão de Gabriel, que logo seria fechado para o enterro, seu olhar estava distante, morto, ela parecia até mesmo uma bonequinha de porcelana, miúda, pálida e de aparência frágil.
Havia muita gente no local, a maioria eu já conhecia da reunião dos parentes de soldados, mas lá também estavam todos os soldados e comandantes desta última missão. A maioria, ao me reconhecer como mulher de Joe, vieram me cumprimentar e me dar forças, um dele fora Rick, eu nunca o tinha visto, ele não comparecera ao meu casamento e nunca o vi em alguma festa dada por Joe, apesar de sempre ter tido o nome na lista de convidados, porem, mesmo sem o conhecer eu já havia escutado muito sobre ele, seu jeito autoritário, serio e de poucos amigos. Sua aparência realmente não era muito agradável, não por ser feio, mas sim por ser meio assustadora. Grande demais, séria demais, tensa demais. Acho que nunca tinha levado a serio os avisos sobre sua arrogância, não até agora.
_ Um dia antes da batalha Joe veio falar comigo. – disse ele. _ Ele queria desistir do exército. - esta eu realmente não esperava, Joe estava querendo desistir do que ele mais amava? Era por causa dos meus pedidos? _ Existe um motivo especial para isso, não existe? – perguntou. Ele se demonstrava calmo, mas sua voz parecia um rosnado.
_ Sim. – respondi, minha voz parecia um pio perto da dele.
_ Posso saber qual? – perguntou, apesar de ser uma pergunta, seu tom me deu a impressão de ordem, era como se no caso de eu não respondê-lo seria punida de alguma maneira.
  _ Eu estou gravida. – respondi. Ele logo fez um cara, na qual eu não consegui identificar de quê, mas sei que não era uma feliz, ou talvez até fosse, mas sua carranca não permitiu que parecesse assim.
_ Uma pena. – suspirou. Como assim uma pena? Uma pena ele estar internado com eu estado gravida ou uma pena eu estar gravida?
_ Uma pena?
_ Joe será um soldado que fará muita falta, ele tinha um futuro glorioso dentro do exército. – explicou-se. Não, ele não estava se importando com minha gravidez, talvez nem mesmo com Joe, ele estava se importando com o exército. “Exército é a sua vida” sempre me falavam isso sobre Rick. Eles não estavam errados ao falar-me esta afirmativa.
_ Você queria que ele voltasse... Se ele se recuperar você o irá querer de volta não é? – perguntei.
_ Claro. – respondeu.
_ Mesmo sabendo que ele teria uma família.
_ Soldado não tem família. – respondeu.
_ Mas ele tem. – afirmei. Eu talvez o estivesse enfrentando, ele não precisava falar muito para calar qualquer um, mas eu estava pouco me importando. Joe está em uma cama de hospital, dois dos seus soldados estão sendo enterrados neste exato momento, será que ele não podia se mostrar um pouco mais triste? Um pouco mais indignado? Nem que seja um pouco de compaixão? O exército o havia endurecido tanto assim? 
_ Como eu disse um soldado não tem família. – repetiu. Calei-me por um momento, mas não porque fiquei sem respostas, mas sim por estar petrificada com tal falta de sentimentos por parte dele.
_ Ele voltaria por mim...
_ Ele cometeria um erro. – falou me interrompendo. _ Eu tentaria garantir a estada dele por mais tempo dentro do exército, tempo o suficiente para fazê-lo mudar de ideia, mas se ele estivesse decidido, mas cedo ou mais tarde ele acabaria voltando, seria um erro. Homens soldados não deveria construir uma família, não é justo com eles nem com vocês. – falou, mostrando um primeiro sinal de que talvez ele tivesse algum tipo de sentimento. _ Mas por pura burrice eles constroem, constroem famílias como se fosse imbatível. Está vendo isso aqui, este monte de lágrimas, seria muito mais fácil se não tivesse este monte de gente. – parou por um momento. _ Sinceramente, caso Joe acorde, eu não gostaria que sua criança nascesse. – falou sem pudor. Meu coração gelou naquele momento, como ele podia ter a coragem de falar isto comigo? Como alguém poderia desejar a outra um mal tão grande. _ Seria o melhor para ele.

                CONTINUA...

Postado. Sei que havia prometido postar até segunda-feira, mas estou começando a ficar cheia de trabalhos na escola e com isso meu tempo para escrever ficou meio limitado, mas espero que tenham ficado satisfeitos com este capítulo. Não estipularei prazo para o próximo capítulo, porque além de eu ainda não ter terminado todos os meus trabalhos eu ainda não sei se os professores passarão mais, porem prometo postar o mais rápido possível.
Não se esqueçam de comentar/avaliar.
Bjsss.

sexta-feira, 1 de março de 2013

17º CAPITULO “Eu prometo.” – AMOR EM GUERRA


_ Eu sei que você está aqui comigo Joe, eu te sinto.
Eu não sei onde eu estava com a cabeça ao ter falado tudo aquilo. Confesso que eu pensei que ao falar com Joe que eu o sentia, ele abrisse os olhos, totalmente curado e tudo voltaria para o normal, seguiríamos nossa vida normalmente, e tudo isso não passaria de uma triste parte da nossa historia – vida qual tinha tudo para dar certo, mas que estava desmoronando. – Eu queria que tudo acabasse logo, e da melhor maneira possível. Sonhei alto demais. Sonhei mais alto do que eu deveria.
Eu considerei o fato de estar louca. Quando senti seu toque em meu braço e mão no quarto, na noite de ontem, comecei a buscar explicações em minha mente. Talvez fosse apenas impressão minha, talvez algo, o qual eu não sei o quê e nem sei onde, tivesse caído em mim, talvez eu tivesse cochilado – apesar de nunca ter duvidado de que me mantive acordada a todo o tempo – talvez tivesse sido Oliver... Porem, mesmo tendo tentado procurar explicações, no fundo eu sempre soube que era o toque do Joe, eu já senti aquele toque inúmeras vezes. É, pode-se dizer que tudo o que estava me acontecendo tinha afetado o meu lado racional de alguma maneira, mas tudo me pareceu tão real, o toque... Eu sei que não é algo da minha cabeça, eu não pude vê-lo, mas eu juro que pude senti-lo.
_ Por favor, Joe, me dê um sinal, algo que eu possa reconhecer... Por favor, me mostre que você esta aqui. – implorei. Se ele me tocasse, se conseguisse falar algo, arrastar algo... Talvez eu me assustasse, gritasse ou fizesse menção de fugir, mas eu logo perceberia seu sinal e pelo menos eu teria certeza de que ele estava lá comigo. _ Só um sinal. – pedi, mais uma vez. “Só um sinal” esta frase saiu como um sussurro da minha boca. Era um último pedido, um pedido que poderia me comprovar se eu o tinha do meu lado ou se eu já tinha me deixado afundar em minha loucura. Um pedido que poderia me dizer se eu estava sozinha ou não.
Torci para escutar um barulho, minha pele formigava por um toque, meu olho percorria com atenção por todo o quarto, se ocorresse um movimento, qualquer que fosse o objeto, algo que mudasse de posição, nem que fosse um movimento sutil, eu poderia ver e tiraria a prova que tanto eu ansiava.
Um minuto, dois minutos... Cinco ou mais, agora isso nem me importava mais... Meus olhos já estavam úmidos novamente, não só por Joe estar naquele estado, mas agora também por estar frustrada com a falta de respostas. Eu estava louca?

O silêncio que envolveu aquele quarto de hospital foi torturador, aumentou ainda mais o ruído das maquinas na qual Joe está ligado, evidenciando ainda mais quão louca era a minha ideia. Não existia toque, não existia nada! A única coisa que era real é o fato do homem da minha vida estar se sucumbindo a minha frente, e eu, ao invés de estar rezando ou procurando soluções, curas, estou aqui, pedindo um sinal de vida para um paciente em coma. Ah, como eu sou idiota! Como que um homem em coma poderia ter me tocado? Isto é impossível! É contra a logica natural das coisas.

Eu poderia ficar ali quanto tempo eu queria, enquanto Denise ou Paul não desejassem entrar, eu poderia ficar lá com Joe, mas eu não estava bem o suficiente para isso, era como se toda a força que eu havia recuperado mais cedo ao dormir, tivesse evaporado de uma hora para outra. Sentia meu chão tremendo, rachando-se diante de mim, abrindo rachaduras enormes, que apenas esperavam que eu caísse, e me afundasse em minha depressão de uma vez por todas. Uma armadilha sem volta. Uma armadilha que não demoraria muito para me capturar.  
Fui saindo, a passos mais rápidos dos que os que eu usei ao entrar, enxugando o rosto, para limpar as lágrimas que haviam saído, sem minha autorização. Mas fui impedida. Eu senti. Eu novamente senti. Tão real quanto na primeira vez. Era o toque de Joe, eu sei disso. Eu senti sua mão tocando minha barriga. Ele estava acarinhando tanto a mim quando a criança que carrego em meu ventre.
 É ele.
 Eu não estou louca!

JOE

Confesso que eu não estava esperando por aquilo, eu já tinha praticamente perdido todas as esperanças, mas aquelas palavras me fizeram ver a luz no fim do túnel. Demi pode me sentir, ela sabe que eu estou ao seu lado.
Uma mistura de emoções havia tomado conta do meu corpo ao escutá-la dizer “Eu sei que você está aqui comigo Joe, eu te sinto.” Eu não precisava escutar mais nada, naquele momento, isto era o melhor que poderia se passar.
A empolgação me deixou um pouco paralisado a primeiro momento, mas assim que me recuperei da surpresa, comecei a falar, gritar. Se ela poderia sentir-me, pode me escutar também não é?
Não, não é.
Fui logo atrás de algo que pudesse tocar. Algo que pudesse movimentar. Por um momento esqueci-me que eu não tinha capacidade para isso. Tempo perdido. Entre as minhas tentativas de comunicação já havia passado muito tempo, tempo o suficiente para fazer com que Demi desistisse de receber respostas.
Eu a vi levantando, saindo do quarto.
Pense! Pense! Tinha que ser algo que ela entendesse. Algo que a tirasse de uma vez por todas as duvida sobre a minha presença ao seu lado.
Pense homem!
Ela podia me sentir, então a melhor opção é toca-la, mas e se suas duvidas continuassem? Tinha que ser algo além.
Com toda a confusão eu talvez tenha deixado algo escapar, Demi, não era só ela que estava presente ali para me visitar, havia alguém mais, havia um motivo a mais para que eu me recuperasse. Meu filho.
Corri para alcança-la antes que ela chegasse à porta do quarto, e toquei-a na barriga.
Ela não falou nada, mas eu pude ver em seu olhar que ela entendeu.
_ Eu estou aqui meu anjo. – eu disse, mesmo sabendo que ela não me escutava.
_ Joe... – ela disse baixo, entre um sorriso fraco e uma lágrima caindo de seu olho.
Agora ela tem a prova. Eu estou com ela.

--

Todos sentiram a diferença do estado de humor de Demi, após sair do quarto. Ela não estava pulando de felicidade, nem como um sorriso de canto a outro. Mas ao sair, ela não chorava mais e tinha um animo a mais em sua voz e em seu rosto. Eddie ficou feliz por ver uma melhora, não quis saber o porquê, por medo de que uma interrogação a fizesse voltar para o estado anterior. Denise percebeu, mas estava tão desanimada e presa em seu estado lastimável que nem comentou, Paul chegou a perguntar se o médico havia lhe dito algo, se ele lhe havia dado alguma notícia de que Joe melhorara, mas quando recebeu um ‘não’ como resposta, voltou para o seu canto, sem mais perguntas.
Saber que Joe estava com ele a causou uma bela mudança comportamental. Durante o resto do dia, não voltou a ter suas crises de choro, não recusou comida e algumas vezes se permitiu dar um sorriso fraco, ao lembrar-se do toque.
Demi havia encontrado a esperança, a esperança que lhe havia abandonado. Ele estava por perto, mesmo que ela não o pudesse ver, ele estava lá, e isso, para ela, significava que ainda havia chances dele sair do coma.

Joe, ao perceber que Demi o sentia, tentou fazer o mesmo com os pais. Infelizmente não houve o mesmo resultado, nenhum deles pareceu percebê-lo, apesar dele ter percebido que Denise, sua mãe, começou agir um pouco estranha quando ele a tocou, como se tivesse assustada. Provavelmente ela sentiu algo, mas não sabia o que era e se assustou, Joe torceu para que com o tempo ela entendesse que era ele tentando entrar em contato com ela. Já Paul, se sentiu algo, não demonstrou nada.

Eddie, até então, tinha se mantido um pouco distante da situação, ele estava triste, porem agia mais como um espectador do que como um personagem, tanto que foi uma surpresa para todos quando ele quis entrar no quarto em que Joe está internado. Até então ele só tinha ido ao hospital, porem nunca entrou no quarto. Porem hoje ele quis.
Quando entrou ficou um tempo observando a situação em que se encontrava o genro, a visão não era animadora. Eddie sempre gostou de Joe, apesar de que no começo do namoro dele com sua filha, ele ter resistido o máximo que pode. Primeiramente porque quando começaram a namorar, Eddie ainda acreditava que a filha era muito jovem para tais coisas, e queria que ela terminasse a escola, antes de se preocupar com relações amorosas. Porem de nada adiantou, com o tempo, depois de conhecer melhor Joe e seus pais, Eddie foi aos poucos cedendo. Depois, mais tarde quando descobriu que Joe iria se alistar para o exército, novamente Eddie quis se opor ao namoro, mas aquela altura sua objeção de nada mais valia, Demi e Joe já estavam mais que apaixonados, com o casamento marcado e nada, nem ninguém seria capaz de impedi-los. Mais uma vez Eddie fora obrigado a aceitar, porem desde o primeiro dia falou a filha “Vida de mulher de soldado não é feliz, pense um pouco antes, você irá sofrer”, mas era como se sua fala entrasse por um ouvido e saísse pelo outro. Só quando Joe realmente se alistou e foi chamado para sua primeira guerra que Demi começou a se lembrar dos avisos do pai, mas agora ela não poderia fazer nada. Joe já estava alistado, eles já estavam casados, ainda seguiam apaixonados, e terminar não era uma opção.
Eddie por muito tempo tentou afastar a ideia de que a filha poderia se tornar viúva tão jovem, porem sempre que havia alguma notícia de guerra ou qualquer atentado logo o medo lhe surgia. Com isso, não foi uma completa surpresa para ele quando recebeu a notícia de que o genro estava em coma. De certo modo Eddie agradecia por ser apenas um coma, pois isso significava que ainda havia uma chance de sobrevivência, por menor que fosse, ela ainda existia. É torturante não saber o que vai acontecer, se ele irá acordar ou não, se haverá sequelas ou não, mas era melhor do que ter a notícia de sua morte. 


JOE

Confesso que não estava esperando mais nada. Já era mais de 7 da noite, o sol já havia se posto no horizonte, provavelmente logo, Demi e minha mãe seriam obrigadas a irem embora. Eu ainda estava no quarto em que eu estava internado, nem sei mesmo o porquê, talvez a imagem triste dos meus visitantes não me deixasse muito a vontade, a ponto de me fazer preferir ficar ali sozinho, olhando a mim mesmo.
Não havia nada naquele quarto que eu já não tenha olhado e analisado e tentado pegar, eu não entendia os papeis, nem mesmo os sinais nas maquinas, a única coisa que eu sabia era que se o que controla o coração mostrasse uma linha reta significava o fim. O meu fim.
Porem ainda sem saber nada, eu olhei, eu observei, olhei novamente. Tinha que ter algo, não é possível que minha melhora dependesse apenas da sorte. O plano era só me conectar em um monte de maquina e seja o que Deus quiser? Não há um remédio? Um tratamento mais intenso? Nada?
Precisa ter algo. Eu não posso ficar assim por mais tempo. Não posso e não quero!

Quando eu já não esperava por mais nada, a porta abre, pensei que seria mais um médico, toda hora é aquele entra e sai, olha uma maquina, uma injeção aqui e outra ali, analisa um papel, tiram sangue, põe sangue, me alimentam pelo tubo, soro... Porem não era nenhum médico ou enfermeiro, era uma visita a mais, Eddie. Até então ele não havia vindo me ver, eu não o escutei no primeiro dia, o significa que ele não veio falar comigo, se ele não tivesse ido para casa junto a Demi, eu ainda não teria o visto. Ele pareceu observar tudo por um tempo, sem dizer nada, sua face, entre os outros era a melhor, não estava feliz, mas não estava aos pedaços como os outros, o que não me surpreendeu, eu nunca soube muito bem quais eram os pensamentos de Eddie sobre mim, ele sempre me tratou bem, nunca fez nada de mal a mim ou me deu motivos para reclamar, porem por varias vezes se colocou contra o meu namoro e casamento com Demi, ele tinha seus motivos, mas ainda sim eu não gostava.
Depois de olhar um pouco, andou até encontrar a cadeira para visitantes e sentou-se curvado, com os cotovelos colocados sobre as cochas da perna. Respirou fundo, por umas duas vezes antes de começar a falar.
 _ É Joe, o que eu mais temia realmente aconteceu. – falou. _ Eu queria tanto que você tivesse parado para escutar um pouco sua mãe ou a Demi... – deu um sorriso de canto. _ Na verdade eu queria que a Demi tivesse me escutado... Parece que filhos não gostam muito de seguir as orientações dos pais... E no final de quê adianta tanta rebeldia? – perguntou, mesmo sabendo que não haveria respostas. Ele parecia mais indignado do que triste. _ Você não quis escutar e está em coma, Demi não quis escutar e agora sofre. Todos sofrem. – Escutar Eddie me evidenciou uma triste realidade. Se agora todos estavam aqui, aos prantos, aos pedaços, é unicamente culpa minha. Eu entrei na guerra por que eu quis, fui de contra a todos e me alistei, não pensei no que isso poderia acarretar no futuro. Senti-me um lixo. _ Eu queria tanto te xingar e falar que você foi um completo egoísta, mas era seu sonho, um sonho auto destruidor e que agora nos causa todo este sofrimento, mas era um sonho. – falou. Sim, era um sonho, a única coisa que eu fiz foi seguir meu sonho, mas isso ainda não me tirou o fardo da culpa. _ E agora lamentar é tão inútil quanto esta conversa que estou tendo com você, você nem se lembrará desta conversa quando acordar... Se acordar. – falou e parou por alguns segundos. Não pude deixar de dar um sorriso de canto, ele não sabia, mas eu estava aqui, escutando todo o seu discurso. Tão pouco sei se lembrarei disso quando acordar. Ah é, se eu acordar.
Eddie respirou fundo mais uma vez e tornou a falar. _ Eu queria que a Demi não te amasse tanto. Eu não queria vê-la sofrendo tanto, ela está esperando meu netinho, não deveria estar sofrendo tanto, o normal é as mulheres estarem planejando o quarto, fazendo o enxoval, fazendo ultrassons e lendo livros de nomes para decidir o nome da criança, não chorando pelo canto e tendo pesadelos a noite. – Suas palavras me atingiram como estacas no peito, isso não era junto com ninguém, mas definitivamente, Demi não merecia tudo aquilo, ela não deveria estar passando por isso nunca, mas principalmente não agora. _ Não sei o porquê, mas depois que ela voltou deste quarto ela me pareceu melhor, mas ainda não é minha Demi. – lamentou-se. _ Eu já perdi minha mulher, o que me manteve vivo foram meus filhos, é por eles que hoje eu estou vivo. Eu sei que se Demi perder você, eu perderei uma filha. – falou com o sofrimento estampado em sua feição. _ Seus pais não aguentarão uma perda tão grande, minha filha não aguentará, eu não aguentarei. – falou, parecia segurar o choro. _ Por favor, Joe, se você me escuta, fique forte, continue lutando pela vida, não desista, eu sei que eles irão lhe recuperar, eu não sei quanto tempo demorará, mas eles estão fazendo de tudo e sei que vai dar certo em alguma hora, mas enquanto nada acontece, por favor, mantenha-se firme, prometa-me que vai ficar forte. – pediu, deixando o desespero transparecer em sua voz, como se fosse capaz de escutar minha resposta. Sei que ele não escutou, mas ainda sim eu respondi.
_ Eu prometo.

                CONTINUA...

Capitulo postado, espero que tenham gostado dele. Pretendo postar o próximo até segunda-feira.
Bjsss.


Juh Lovato: Fico feliz que tenha gostado. Sim, ela pode senti-lo.
Agora eu vou poder sempre comentar suas postagens :D. Obrigada por comentar. Bjsss.
Eriimiilsa: Seja bem-vinda nova leitora. Muito obrigada, nem sei como agradecer pelos elogios. Espero continuar agradando e emocionando a vocês. Muito obrigada por comentar. Bjsss.