domingo, 8 de novembro de 2020

Capítulo 3: O Segredo de Rebecca (Parte 1) - (Secrets)




Um novo vestido, isso era tudo o que Rebecca precisava para se esquecer da mais nova decepção amorosa que teve. E se a ocasião pede um vestido, nada melhor do que ir à loja Ralph Lauren.


Ao chegar lá, Rebecca se joga a experimentar tudo o que pode, ela não precisa nem mesmo gostar das roupas, pois não está ali porque precisa de roupas ou tem algum lugar importante para ir, ela está ali porque precisa relaxar e sua maneira de relaxar é comprando.


Comprar roupas para Rebecca é algo fácil, ela é magra, até tem algumas curvas que a valoriza, como seios fartos, nada exagerado, mas grandes o suficiente para dar destaque a seu corpo. Morena e de cabelos liso e compridos, Rebecca é claramente bonita, e apesar de jovem, ela já tem aparência de uma mulher adulta, isso a irrita um pouco, mas é algo que a convém em determinadas situações, como para ir às baladas.


No fim ela escolhe dez peças: Três vestidos longos: um floral, azul escuro, com as alças caídas e uma leve transparência do joelho para baixo; um preto com rendas na parte de cima; e um branco com duas camadas, com flores em tons diferente de azul, com uma fita para marcar a cintura e um decote em V avantajado. Uma jaqueta jeans, lavagem clara, estilo boyfriend. Três vestidos curtos, um xadrez, outro todo branco com detalhes em crochê na alça, e um último listrado, que se ajusta ao corpo. Um short jeans com detalhes de rosa, uma calça jeans skin azul escuro, com detalhes de dois zíperes e para terminar, um novo roupão.


– 1.017,51. – diz a atendente.


Sim, Rebecca assume que tinha exagerado um pouco, mas esta não seria sua compra mais cara, então ela dá de ombros.


Rebecca entrega à atendente o cartão de crédito que seu pai lhe deu no ano passado como presente de aniversário. Rapidamente a atendente dá a maquininha de cartão para que Rebecca insira a senha. A garota o faz e espera, porém logo vê o olhar incomodado da atendente.


– A transação não foi aceita. – a atendente diz sem graça.


– Faça novamente. – Rebecca diz rapidamente, não quer que ninguém ali a veja nessa situação. O cartão novamente é inserido na máquina e novamente Rebecca digita sua senha, desta vez mais vagarosamente, pois quer ter certeza que não a errará.


Assim que a atendente volta novamente seu olhar a Rebecca, a garota percebe que mais uma vez deu erro, mesmo sem que a moça que a atende tenha dito nada.


Rebecca sorri amigavelmente, para tentar esconder o susto e vergonha que está sentindo.


– Eu vou fazer uma ligação, e já retorno. – ela diz.


Rebecca deixa as compras e o cartão no caixa, e não vai muito longe, apenas chega a um canto mais isolado da loja.


Ela liga para o escritório do pai, mas ninguém a atende. Então ela liga para o celular do pai.


– O que foi Rebecca? – ele a atende sem muito carinho.


– Meu cartão não está passando. – ela diz desesperada. – Faça alguma coisa. – ela ordena.


– Quanto deu? – ele pergunta.


– R$ 1.017,51. – ela responde.


– Mas que caramba você andou comprando? – o pai pergunta bem alterado.


– Roupas. – ela responde estranhando o tom do pai, ele nunca a repreendeu assim, principalmente só por ela estar fazendo umas comprinhas.


– Mas que roupa é essa? É bordada em fios de ouro por acaso?


– Não, pai. São várias peças, e são lindas. – ela diz animada.


– Deixe isso aí, você não precisa de mais roupas.


– Pai, eu só preciso que você olhe com o banco o que está acontecendo, pare de ser chato. – ela fala, já sem paciência.


– Eu não vou olhar nada em lugar nenhum, você que vai devolver essa compra e vai voltar para casa. – o pai praticamente berra do outro lado da linha. – E é agora! – ele ordena.


– Pai, porque o senhor está fazendo isso comigo? – ela pergunta confusa, algo de errado deveria estar acontecendo, seu pai está claramente fora do seu normal. – Eu não posso fazer isso, o que vão falar de mim? – ela o indaga.


Rebecca sempre frequentou esta loja, todas suas amigas frequentam ali. Ela já conhece todos os funcionários e sabe sobre as fofocas que rodam por essas araras. Se ela devolver as compras, ela tem certeza que o seu cartão recusado será o mais novo assunto.


– Rebecca, eu não tenho paciência para suas meninices. – ele não grita, mas ainda tem um tom raivoso em sua voz. – Faça o que eu disse. – ele ordena e desliga o telefone sem se despedir.


Rebecca se desespera.


O que fazer agora? Sair deixando tudo para trás, inclusive o cartão? Voltar ao caixa e dar uma desculpa? Tentar mais uma vez, quem sabe agora o cartão passa? Quem sabe o pai estava apenas a brincar e ele vai ligar para o banco para resolver a sua situação?


Respire, Rebecca.


Rebecca decide voltar ao caixa e tentar dar uma desculpa.


Assim que retorna ao caixa, Rebecca lança seu melhor sorriso, e com a voz calma e gentil diz.


– Meu cartão deu um pequeno problema, creio que seja no chip, tem como você guardar minha compra? Meu pai irá passar aqui para pagar até o fim do dia.


A atendente assente gentil, e devolve o cartão para Rebecca.


A garota sai da loja sem saber se seu disfarce deu certo, nesse exato momento o nome dela já pode estar correndo pela loja, mas existe uma possibilidade de que sua desculpa tenha funcionado, a probabilidade é pequena, ela sabe, ela já escutou nomes importantes virarem chacota naquela mesma loja por muito menos, porém sua educação com a atendente poderia ser o diferencial; e para garantir isso, ela teria que convencer o pai a pagar as roupas antes que a loja feche. Como já se passa das duas da tarde, ela não tem tanto tempo assim.


Rebecca não vive longe da loja, um quarteirão é tudo que separa o apartamento de luxo que ela vive com seu pai, da avenida em que lojas de moda se espalham, e, ao contrário de sua melhor amiga, Sara, Rebecca ama andar pela cidade, nada de táxi ou limusines, se a caminhada não for muito pesada, ela não se importa de ir a pé.


Assim que chega ao apartamento ela procura por seu pai, e o encontra na sala. Rebecca pensa em já chegar ordenando que ele se explique, porém, antes que possa falar algo, ela nota que na mão do pai há um copo cheio com o que ela crê ser Vodka e isso a paralisa.


Quando a mãe de Rebecca morreu, há oito anos, o pai da menina entrou em depressão e como forma de aliviar sua tristeza, ele recorreu à bebida. Foram noites e dias penosos para garota. Bêbado ele ficava violento, nunca chegou a agredi-la fisicamente, mas isso se dá graças aos funcionários da casa, como sua antiga babá, o motorista particular do pai, a cozinheira e a faxineira, que sempre tentavam protegê-la. Foram mais de três anos de penúria até que ela finalmente conseguiu convencê-lo a procurar ajuda.


Seu pai sempre se mostrou orgulhoso de ter se recuperado, e há pouco ele tinha comemorado dois anos seguidos sem colocar um pingo de álcool em sua boca. Mas hoje...


– Pai, o que está acontecendo? – Rebecca pergunta. No fundo ela tem esperança que seja só um copo, afinal de contas, dois anos de controle é um bom tempo, ele não seria capaz de jogar isso fora, seria?


O pai de Rebecca a olha nos olhos e sorri grande para ela, mas o sorriso dura pouco, pois sem motivo aparente ele começa a chorar.


A menina não entende o que está acontecendo e teme descobrir o que se passa, seria outra morte? Talvez de sua avó, que morava longe, mas claramente era muito amada tanto pelo seu pai quanto por ela... 


Rebecca se aproxima do pai, e o abraça de lado. De início o pai aceita o carinho da filha, mas logo depois se esquiva, se levantando abruptamente do sofá e com pouco equilíbrio se pondo de pé.


 – Pai, eu posso te ajudar, você não precisa disso.  – Rebecca diz ao se levantar e tentar tirar o copo da mão de seu pai. Porém ele não aceita e quase empurra a filha para defender seu copo de bebida. Naquele momento a garota percebe que está perdendo o pai para o álcool novamente. O pavor domina sua mente. 


Tudo menos isso! - ela repetia constantemente em sua mente.


 – Você não pode ajudar, você só pode atrapalhar, só isso!  – com a voz claramente embriagada ele diz.

 – Você pode voltar para a clínica, eu juro que não conto para ninguém.  – a menina insiste.


 – Que clínica, garota?  – ele se vira para a filha e berra.  – Não tem clínica, não tem nada, acabou tudo! Estamos falidos… Falidos!


Rebecca não podia acreditar no que o pai dizia… Ela sabe que não deveria desejar algo assim, mas ela queria que seu pai estivesse muito, mas muito bêbado mesmo, e que tudo que ele dizia fosse delírios de sua mente embriagada.


Para que não ficassem dúvidas, Rebecca não perde tempo e corre até seu quarto para pegar seu Ipad, lá ela entra no aplicativo de seu banco e, ao ver o seu saldo, ela se senta a cadeira para que não caia direto ao chão. Trinta reais e nada mais..


Não concordando com aquilo, Rebecca decide entrar na conta do pai, ela sabe a senha dele, então nem mesmo precisa sair do lugar. Rebecca se choca ao ver que o estado da conta do pai está pior do que a dela, apenas doze reais.


As mãos de Rebecca tremem e seus olhos embaçam, ela começa a chorar compulsivamente. Mesmo vendo os números, a garota não consegue crer que isso realmente está acontecendo. Seu pai deve ter alguma outra conta, uma conta escondida, e nesta conta deve haver muito dinheiro, dinheiro suficiente para salvá-los.


Rebecca volta à sala, mas não encontra o pai.



Desesperada ela percorre todo o apartamento, e a cada cômodo vazio, mas cheio de tristeza, ódio e desespero, seu coração fica. Não há nenhum funcionário, não há mais ninguém ali. Ela está totalmente sozinha.


O seu mundo está caindo, ela não sabe como agir, não sabe onde está seu pai, não sabe como chegaram a este ponto, não sabe como será o amanhã...





Capítulo de Secrets surpresa para vocês, espero que gostem, na quarta-feira teremos mais ;)


quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Capítulo 2: O Segredo de Sara (Pare 2) - (Secrets)

Os dois passam a tarde a conversar, e apesar de Heitor deixar bem claro que não queria que ela fosse para o caminho errado, mas apenas que ela se libertasse, ela acabou bebendo um pouco, apenas para se sentir mais relaxada. Heitor a acompanhou.


No início os assuntos saíram mecanicamente, eles não tem muita coisa em comum, e o longo relacionamento de intrigas não permitia que as conversas fluissem, contudo, aos poucos eles acham pequenos assuntos que rendem e faz com que o momento juntos se tornasse mais agradável.


Quando o sol se põe, eles decidem sair e irem a um barzinho. Lá os dois dançam até não mais sentirem os pés e acabam bebendo até não mais conseguirem pronunciar seus nomes propriamente.


Sara se diverte como nunca, ela sentia falta disso. Desde os 15 anos ela sempre aproveitava os fins de semana nas melhores e mais caras boates da cidade. Bebia muito e tudo utilizando sua carteira de identidade falsa. Isso tudo sem seus pais nem mesmo desconfiarem, o que não era uma tarefa difícil, dado a pouca atenção que ambos davam a ela.


Já é madrugada quando eles decidem pegar um táxi para voltarem para casa, mas Heitor, num último surto de consciência, decide levar Sara para casa onde vive com seus avós e seu irmão, pois sabe que se a moça chegar na casa dela nesse estado, caso os pais dela estivessem por lá, poderiam não gostar.


Sara argumenta, ou pelo menos tenta argumentar, dizendo que os pais nem mesmo a veriam e que não prestariam atenção nela, contudo ela está muito alterada para conseguir convencer ao cunhado. Heitor dá apenas o seu endereço ao taxista.


Um praticamente carrega um ao outro para entrar na casa. Como já é madrugada, não há muitos funcionários ali, apenas alguns poucos seguranças, que não deixam de perceber a cena, mas em respeito, não dizem nada (apesar de que provavelmente falarão sobre isso nos bastidores da mansão); e uma faxineira que já deve estar repousando no pequeno quarto dos fundos.


Se Sara estivesse apenas um pouco mais sóbria, ela entraria em desespero, tentaria comprar o silêncio dos funcionários e faria de tudo para que nada daquilo saísse dali, ela jamais permitiria que esse assunto corresse o risco de chegar aos ouvidos de Ricardo, mas este não é o caso agora.


Ao mesmo tempo em que o pouco número de funcionários trabalhando na casa é bom, pois assim quase ninguém presencia esse momento lamentável, é ruim, pois não há ninguém que possa ajudá-los a chegar a algum lugar, ou impedi-los de fazer mais alguma bobagem…


Bêbados demais para irem muito longe, ambos se jogam no chão da sala de estar.


Sara ri do seu estado e Heitor a acompanha.


– Eu sentia falta disso. - ela assume.


– Isso é tão errado. - Heitor lamenta. – Mas você é bem melhor assim… Quando não tenta ser perfeitinha. Sendo uma santinha você fica chata, mas assim, se divertindo…- os dois se entreolham intensamente.


Heitor já sabia desse lado de Sara, ele já havia visto ela em bares e boates antes dela começar a namorar seu irmão, mas esta é a primeira vez que Sara vê a Heitor dessa maneira, e ela não pode negar: ela também amou este lado dele.


– Eu realmente gosto do seu irmão… Mas eu não sei exatamente o porquê. - ela enfim confessa.


– Meu irmão gosta de você. - Heitor diz. – De verdade… Me desculpe pelo que eu falei hoje cedo, sobre ele aparentemente não gostar de quem você é …- Sara agora fita o teto da sala. – Eu aposto que ele não ligaria de você sair com suas amigas ou usar roupas curtas ou maquiagem forte se não fosse meus avós.


– Você nunca se curvou às regras de seus avós.


– Quando meus pais morreram eu já tinha 11 anos, minha mãe sempre fez de tudo para que eu e meu irmão tivéssemos toda a liberdade que ela não teve por causa dos meus avós. Eu fui criado livre, nada de igreja todo fim de semana, regras para vestimenta, regras de como falar, de como agir, do que ser, do que pensar… Nada disso! Eu tive isso por 11 anos, eu tive a chance de criar meus próprios desejos, pensamentos, personalidade… Eu não bebo por causa de rebeldia, é frustração, porque eu não só perdi meus pais, eu também perdi minha liberdade completa, quem eu era… Já o Ricardo não, quando eles morreram ele tinha só 4 anos, tudo o que ele sabe sobre nossos pais é o que eu conto. O trauma de perdê-los foi tão grande que ele apagou praticamente tudo o que viveu antes dos 4 anos de idade da mente. - Heitor faz uma pausa, ele começa a chorar e Sara se aproxima dele numa tentativa falha de consolá-lo. – Para Ricardo a realidade que nossos avós o impuseram é a que existe, ele realmente foi criado assim, ele não experimentou a liberdade que eu experimentei… Já se fazem 14 anos, mas eu nunca superei, e eu nunca esquecerei. - Ele suspira entre as lágrimas.


– Porque você continua aqui? Se te faz tão mal? Você já é maior de idade, pode seguir sua vida… - Sara pergunta olhando fixamente para Heitor, que desvia o olhar, envergonhado.


– Parece bobo, e talvez seja, mas… Eles são tudo o que eu tenho… Meu irmão e meus avós… Sem eles eu não tenho mais ninguém. - ao terminar de falar Heitor toma coragem para olhar para Sara, que o olha com compaixão, algo que surpreende até mesmo a ela, que não consuma ter esse tipo de sentimento.


Eles ficam em silêncio por alguns segundos, apenas se olhando. Sara toma a iniciativa e o abraça. Heitor retribui.



– Porque você me aconselhou a soltar meu cabelo? - Sara pergunta após o fim do abraço. Heitor parece não entender sua pergunta de primeira. Apesar de manterem uma conversa, ambos ainda não estavam sóbrios. – Hoje cedo, quando você…


– Porque eu sei que você gosta dele solto. - Heitor a interrompe, respondendo sua pergunta. Logo após ele soluça.


– E como você sabe disso? - insiste.


– Antes do meu irmão… - ele a fita e sorri fraco. – Você sempre usava ele solto.


– Seu irmão não gosta do meu cabelo solto. - lamenta.


– Ele é besta. Você fica bem melhor com ele solto. - Heitor garante.



Mais uma vez o silêncio impera. Sara sente que deve retornar para sua casa, mas seu desejo é de continuar ali, junto a Heitor.


Heitor se mostra ser o típico bêbado carente e novamente se acomoda num abraço com Sara, que não reluta em tê-lo em seus braços.


Se você perguntar a Sara, ela dirá que não sabe como chegou àquele ponto, talvez seja a falta de comida no estômago, combinado com o excesso de álcool nas veias, se quiser, pode levar em conta a saudade que ela sentia dessa liberdade, junto com o momento honesto e sensível que ambos acabaram de trocar, mas talvez, só talvez, o fator determinante fosse o quanto ela desejava que alguém tocasse seu corpo.


É algo errado, pecado, mas ela não irá parar.


Assim que separam o abraço, ambos continuam próximos um do outro, próximo demais... Os olhares se intensificam. Heitor já não chora e o olhar de Sara não demonstra mais compaixão, mas sim desejo. A proximidade diminui e em questão de segundos seus lábios tocam ao de Heitor de maneira feroz, seus corpos se conectam numa dança perigosa, a pele quente e suadas dos dois mostra o quanto eles se jogaram nesse ato de traição.


Naquele momento nenhum dos dois se importaram com funcionários ou familiares, nada os parava. Apenas o desejo e a loucura consumia os dois.


Quando termina, ambos se jogam ao chão, nus, ofegantes e ainda em êxtase. Não há mais volta.


Após o ato consumido, após a respiração normal restaurada, e agora que o frio volta a tocar suas peles. A consciência pesa.


Meu Deus, o que fizemos?






segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Capítulo 2 - Confronto entre Agentes (A Origem de Lincoln Campbell)

A última missão havia sido um fracasso, nem Rosalind nem o presidente estavam satisfeitos com o que estava acontecendo. Ao mesmo tempo em que o time liderado por Luther Banks, um homem branco, careca, com feição séria e carrancuda, que é antigo amigo de Rosalind nos seus tempos de serviços no FBI; estava a cada dia resgatando mais e mais humanos modificados, contendo-os, impedindo que eles se tornassem uma grande ameaça a população geral e lhes dando a oportunidade de serem salvos num futuro, se possível, próximo; o número de corpos encontrados com um buraco no meio do peito, demonstrava que o projeto estava falhando, e isso não poderia continuar desta maneira.


Um dos privilégios do novo cargo foi uma lista atualizada de informações consideradas as mais sigilosas de todo o governo. Uma delas, em questão, fez o estômago de Rosalind contorcer, Coulson estava vivo, ele foi trazido de volta a vida por ordens de Nick Fury. Ela não estava triste por isso, mas saber que um recurso como este existe e o mesmo nunca foi apresentado ao restante do mundo, que nunca foi apresentado a seu marido, a machucou...


Focando, porém, na parte que realmente importa, Rosalind sabe que Coulson está por trás dos humanos modificados que ela não foi capaz de salvar, sabe também que o mesmo coordena a SHIELD, mesmo a agência sendo considerada extinta pela população em geral. Rosalind não sabe quais são as intenções de Phill Coulson com os humanos modificados, mas sabe que ele parece ter muito interesse nessas pessoas, e estava constantemente a atrapalhando em capturá-los. Rosalind também sabe que ele sabe sobre a U.A.C.A. e consequentemente sobre ela e tem consciência de que o mesmo estava investigando-a.

– E o que você pretende fazer? - Luther a questiona.

– Deixarei que ele me investigue. - responde. – criarei uma rotina pelas próximas semanas, com uma brecha em que ele poderá se mostrar para mim, mas claro, nesse momento preciso ter uma pequena equipe na retaguarda, sempre em disfarce, para me proteger e contra-atacar, caso seja necessário. Quero surpreendê-lo. Quando ele achar que me pegou, na verdade eu o terei pego.

– E se ele desconfiar? Perceber que é uma armadilha? - Luther sabe do prestígio que Coulson tem e duvida que um plano tão simples pode funcionar.

– Phill é um agente excepcional, contudo é sentimental. Seus sentimentos o torna descuidado. Algo me diz que os humanos modificados para ele é muito mais que apenas parte do trabalho. Ele irá cair. - Rosalind não pestaneja.


Sua confiança se torna sustentável mais rápido do que se espera, após dias a fio mantendo uma rotina especial, totalmente planejada para que Coulson aparecesse, o mesmo aparece.

Nos últimos dias Rosalind, religiosamente, pegava a mesma linha de metrô todas as noites, ao fim do seu expediente, o vagão que ela usava, era esvaziado de civis e para distração, agentes disfarçados simulavam serem passageiros. Havia um intenso cuidado para que alguns agentes saíssem ou entrassem no metrô em estações alternadas, evitando que uma ligação entre eles e Rosalind fosse detectada. Hoje, porém, havia a presença de dois intrusos. Coulson, de meia idade e cabelos ralos e castanho escuro, sua feição é dócil mesmo quando ele está sério, olhos escuros e sem barba;  e um homem de estatura mediana, cabelos loiro escuro, de cavanhaque e feição séria. Os dois homens, agentes da SHIELD, simulavam não se conhecerem, assim como Rosalind e os outros 12 agentes disfarçados dentro do vagão.

Luther tinha dificuldade de acreditar que o tão famoso e estimado Coulson poderia agir de forma tão amadora. Como ele trouxera o reforço de apenas um agente? Rosalind é uma boa espiã, tem boas técnicas de combate, ela poderia derrotá-los numa luta, talvez não sem muito esforço, mas ela poderia escapar dos dois se assim desejasse.

Enquanto Rosalind simula estar respondendo a emails em seu tablet, sentada sozinha em um banco do metrô, Coulson decide interceptá-la. Ele e seu outro agente se levantam e caminham até Rosalind, que ao percebê-lo se aproximando, não esboça nenhuma surpresa.

– É uma pessoa difícil de localizar. - Coulson diz num tom seguro, porém discreto, ele claramente não quer causar alarde entre os outros passageiros.

– É sério? - Rosalind ironiza. – Pois localizá-lo não foi problema nenhum. - nesse exato momento os "passageiros" do metrô se revelam agentes, apontando suas armas em direção aos dois agentes da SHIELD, deixando-os sem ter como fugir.


Enquanto os seus agentes disfarçados algemam Coulson e o outro agente da SHIELD, que agora ela sabe que se chama Hunter e que se trata de um britânico com um humor bem ácido. Rosalind inicia sua conversação.

– Eu teria enviado um carro, mas, então, teria desconfiado de alguma coisa, Sr. Coulson.

– E como é que lhe devo chamar? - Coulson não reluta, parece inclusive bem tranquilo com toda a situação, mesmo estando cheio que agentes armados, preparados para qualquer ação dele. – Senhora Kinley? Senhora McBride? Tantos nomes falsos, por onde escolher...

– Me chame de Rosalind.

– Rosalind... Sei que é esse o nome que utilizou na NASA.

– Na NASA, eles têm o hábito de utilizar apelidos, na verdade. - a agente não tem pressa em tirar a verdade de Coulson, ela sabe que tem o controle da situação e que o fará falar quando quiser. – Toda essa história de mentalidade do exército está tão profundamente enraizada.

– E, de alguma forma, você parece estar ligada ao Departamento de Defesa...

– A Exploração Espacial e o Departamento de Defesa já não trabalham separadamente. - explica.

– E também não gostam de compartilhar informações... Você tem a tendência de desaparecer, e depois materializar-se no interior de uma agência rival. Sinto que estou falando com um fantasma.

– E eu estou a falar com um cadáver. - Rosalind não hesita e Coulson parece surpreso, pela primeira vez desde que começaram a conversar. – Você não é o único que fez suas pesquisas.

– Parece que não mesmo. - Coulson concorda.

– Aos olhos do público, a SHIELD já não existe. E você foi morto muito antes da agência para a qual trabalhava ter sido encerrada... Mas, ainda assim, ambos ressurgiram das cinzas... Se eu não estivesse tão intrigada, estaria aterrorizada.

– Sinto que nada a assusta. - Coulson retruca.

– Não é verdade. - Rosalind confessa. – Mas, certamente, não me sinto intimidada pelo fato de ter andado a vigiar o meu caminho habitual para casa, recorrendo a técnicas de intimidação do KGB.

– Eu não saberia disso. Não passei tanto tempo como você a trabalhar com a Contra-inteligência Russa.

– E eu não passei tempo algum no Tahiti, embora tenha ouvido dizer que é um lugar mágico. - novamente Rosalind pode perceber que surpreende Coulson com uma informação que deveria ser confidencial. – Vamos concordar que nós dois apreciamos um bom segredo, embora os meus aparentem ser insignificante perto dos seus

– Tem que acompanhar os tempos, Roz. Você não vai querer ficar ultrapassada - Coulson mostra o seu humor.

– Por isso que eu planejo prendê-lo... Para que isso pare de acontecer.

– Temos duas equipes em posição na próxima parada, senhora. - Luther informa a Rosalind.

– Isso é uma equipe para cada um de nós. - Hunter, que até então se mantivera bem quieto, destaca o óbvio. – Mais uma vez, matemática.

– Eu espero que possamos continuar a nossa conversa num local mais íntimo. - Rosalind ignora a intromissão de Hunter.

– Terei prazer em responder a qualquer pergunta que venha ser necessário para você, o encerramento não me parece ser necessário.

– Muito gentil da sua parte ser tão acolhedor, mas então, me diga. Onde você está a escondê-los? - Rosalind se levando do banco do metrô e se aproxima mais de Coulson. – Estes humanos modificados são uma ameaça, e eu fui encarregada de neutralizar essa ameaça.

– "Custe o que custar" parece ser a frase que vem a seguir. - Coulson a interrompe. – E para quem você trabalha?

– Senhor Coulson, são os outros que respondem a mim... As leis da natureza mudaram, e até que as leis humanas façam refletir isso, apenas poderemos fazer aquilo que nos parece correto.

– Creio que concordo. - ele responde.

– Eu sei que você concorda.Então... compreendo o rastro de corpos que anda deixando para trás. Os mortos não me interessam. Quero aqueles que você protege.

– Mortos? Eu não matei ninguém. - Coulson parece realmente confuso. – Tivemos desaparecimentos antes que pudessemos protegê-los.

– Então como você me explica os cadáveres que encontramos atingidos por algum tipo de arma energética?

– Não foi a SHIELD! - garante.

– Nem nós. - Rosalind responde.

– Ainda estamos a ser cautelosos e ironicos ou, de repente, estamos sendo honestos? - Coulson pergunta.

– Se você não está matando aqueles indivíduos, então, quem está? - Rosalind sente um leve medo pelo desconhecido.


Os celulares de Rosalind e Coulson começam a tocar no mesmo instante.

– Se nós dois estamos recebendo uma chamada, então acho que sabemos do que se trata.

– Me dê licença. - Rosalind irá atender a ligação; para isso ela muda para o outro vagão, garantindo a privacidade que necessita para o assunto que provavelmente trataria. Por mais que os dois agentes da SHIELD estejam cercados e, ao que tudo indica sejam inocentes a respeito dos cadáveres, ela ainda quer manter as informações em sigilo.

A notícia não podia ser pior, um dos humanos modificados atacara um hospital, e deixou o local destruído. Se não bastasse isso, outros dois humanos modificados também foram avistados no mesmo complexo hospitalar.

Rosalind não tem muito tempo para arquitetar um plano para tentar capturar os três humanos antes que fosse tarde demais, pois um barulho vindo do vagão em que ela estava a conversar com Coulson chama sua atenção e quando ela retorna ao mesmo percebe que os dois agentes, de forma inexplicável, conseguiram fugir.





Olá, espero que todos tenham tido um bom feriado, venho com mais um capítulo de A Origem de Lincoln Campbell, para aqueles que já assistiram a série, podem perceber que as falas foram tiradas do próprio episódio e será assim que pretendo fazer nessa história, contanto o que vimos e o que não vimos ser retratado na série. 
Espero que gostem, amanhã tem mais postagens, então, não sumam ;)
bjsss
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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Capítulo 1: O Segredo de Sara (Pare 1) - (Secrets)

Restava apenas uma semana para o fim das férias, mas Sara evita pensar nas voltas as aulas. Agora seria o momento perfeito para começar a aproveitar ainda mais os dias de folga, principalmente com a volta de seu namorado, Ricardo, que passou a maior parte das férias ajudando a construir casas para os mais pobres. Toda vez que Sara se lembra do tempo que perdera longe de seu namorado para que o mesmo se dedicasse aos miseráveis, os olhos da garota reviram. Ao contrário de Ricardo, Sara não se vê no meio de voluntários, ajudando a aqueles que precisam, colocando a mão na massa... Ela até é benevolente, por varias vezes doara parte de sua grande mesada para alguma instituição, isso lhe rendeu boas postagem nas redes sociais e muito engajamento, o que era o que realmente lhe importava. Mas hoje é um dia especial, Ricardo volta e nenhum pensamento ou ninguém poderá atrapalhar isso. – Senhorita Sara, o seu banho já está pronto. - diz Malai, sua empregada. Malai é uma mulher baixinha de meia idade, de origem tailandesa, possui pele dourada e cabelos longos e bem pretos. Uma pequena cicatriz em seu queixo é tudo o que restou de anos de sofrimento em um relacionamento abusivo da qual a mesma já se livrara. Malai já trabalha para os pais de Sara desde quando a menina ainda engatinhava, e por estar sempre presente, já que dorme no serviço de segunda a sexta-feira (retornando a sua residencia original apenas nos finais de semana), pode-se dizer que conhece todos os gostos e caprichos da jovem patroa. Ainda assim, Sara nunca deixou-se ser amiga da empregada, sempre que pode, deixa claro qual é o seu lugar na hierarquia da casa. – Você colocou pétalas de rosas na banheira? - Malai suspira e sorri ao responder. – Sim senhorita, coloquei as pétalas como me pediu. – E porque você está rindo? - Sara pergunta séria. – Você está rindo de mim? Me acha boba, Objeto de piada? Os olhos de Malai se arregalaram diante da reação de Sara, mesmo que já acostumada aos seus mandos e desmandos, nem sempre ela consegue prever o humor da garota. Sara revira os olhos e respira fundo, ela não quer se irritar por tão pouco. – Quer saber? Pouco me importo com suas risadinhas inconvenientes, saia daqui, vá limpar algo. - ordena e Malai sai sem pestanejar. Sara então ruma para o banheiro de sua suíte. Lá a banheira já está cheia, com bolhas de espumas na medida certa, assim como as pétalas de rosas. Malai podia ser inconveniente, ao olhar de Sara, mas nem mesmo ela pode negar que a empregada faz um bom trabalho. O banho de banheira dura quase meia hora, e nesse meio tempo Sara se preocupa apenas em relaxar e planejar o que faria com seu namorado nos próximos dias. Ao sair da banheira, Sara seca seu cabelo loiro e depois o amarra em um coque alto. Geralmente Sara gosta de usá-lo solto, gosta de fazer babyliss nas pontas, deixando-as onduladas, mas Ricardo, seu namorado, gosta de seu cabelo amarrado e ela sempre tenta agradá-lo. Cabelo arrumado, hora de desembrulhar-se de seu fofo roupão rosa claro e procurar pela roupa ideal. O closet, mesmo grande, está cheio, são roupas novas e de grife na sua maioria, algumas peças, por já serem consideradas itens da coleção passada, brevemente irão para o lixo, ou, caso decida que é hora de novamente postar sua caridade para que os outros curtam, ela doará para uma instituição qualquer. Sara procura por algo comportado, pois sainhas e shortinhos não são bem vindos a casa do namorado, tais looks só podem serem usados na ausência do mesmo. Ela escolhe, por fim, um vestido branco e florido, ele vai até os joelhos. O vestido tem alças finas, o que talvez ainda seja um pouco arriscados para os padrões do namorado, mas o calor do verão poderia fazê-lo aceitar uma roupa mais "devassa". Para o sapato há muitas opções e após muito escolher, ela decide por um sapato de salto cor rosa nude. Com o look completo, a garota se senta em sua penteadeira e se maquia bem levemente. Ainda é dia, e se ela exagerasse na maquiagem, além de ficar feio, não seria bem vista pelos avós do namorado, que consideram maquiagens forte um pecado. Uma base, um brilho labial e um blush bem de leve é tudo o que ela se permite passar. Para finalizar, ela coloca no dedo seu luxuoso anel de noivado, avaliado em 50 mil reais e um colar de ouro, de corrente fina e delicada, com um pingente de coração de rubi rosa. Já pronta, Sara desce para o primeiro andar de sua casa e encontra seus pais na sala. Isso é algo raro. Sua mãe muito se parece com ela, os cabelos loiros, as pernas longas, o nariz fino. Como profissão, a mãe de Sara é médica, assim como seu pai, que é cirurgião plástico. A mãe de Sara está concentrada em seu Ipad, provavelmente analisando ou estudando melhor alguma futura cirurgia, faz alguns anos que a mesma se dedicou a se tornar uma médica cirurgiã neurologista e com muito empenho ela já está se tornando referência no país; já o pai, que já pode ser considerado um dos cirurgiões plásticos mais famosos do mundo, está lendo o jornal. Ambos se sentam no sofá, um ao lado do ouro. Alheios a presença deles mesmos e mais ainda a presença de Sara. Como sempre. Esse tratamento indiferente não surpreende a Sara, desde que se lembra sempre foi assim, seus pais são duas pessoas ocupadas, sempre estão no hospital, é quase como se os dois só existissem dentro daqueles corredores, vestidos em seus jalecos. Para ser mais sincera, toda a família de Sara é assim, as últimas quatro gerações da família de seu pai e as últimas duas gerações da família de sua mãe, eram médicos, na sua maioria de cirurgiões. Ambos claramente esperam, ou melhor dizer, exigem que Sara continue o legado, se tornando uma médica cirurgiã. Sara não em objeções sobre esse desejo dos pais, foi criada recebendo esse estímulo e no fundo acha que é melhor assim, por isso ela nunca pensou em outro curso. Após decidir que não irá tomar seu café da manhã e mesmo faltando horas para a chegada do namorado, ela resolve ir até a casa dele, assim poderá fazê-lo uma surpresa. A casa de Ricardo não fica longe, apenas dois quarteirões os separa, mas ainda assim Sara não recusa usar seu motorista particular e seu carro de luxo para chegar até lá. No curto caminho ela decide ligar para sua melhor amiga, Rebecca. As duas haviam conversado na noite anterior e Rebecca não parecia se sentir muito bem, mas tampouco revelou o que estava acontecendo. Isso incomoda Sara em altos níveis, pois ambas sempre compartilhavam tudo, de segredos sujos até as roupas caríssimas. O telefone chama, chama e chama, mas Rebecca não atende. Sara pensa em talvez ir a casa da amiga, afinal, Ricardo, seu noivo, não chegaria em menos de duas horas... – Chegamos senhorita. - diz Rick, o chofer. Sara não responde, ainda está indecisa se ela irá ver a amiga ou se fica e faz uma surpresa ao namorado. - Senhorita? - Rick a chama, sem saber se a patroa escutou seu primeiro chamado. – Já escutei! - Sara responde grosseiramente e por ficar irritada, decide descer ali mesmo. Ela ainda teria outra chance para conversar com a amiga. Os funcionários da casa dos avós de Ricardo já conhecem bem a Sara, então ela não tem nenhuma dificuldade para passar pela portaria e chegar até a grande sala de estar da casa. Quando chega, Sara se senta confortavelmente no sofá, mas logo se sente incomodada com a aparição de Heitor, o irmão mais velho de Ricardo. Fisicamente, Heitor e Ricardo muito se parecem, ambos são altos, cabelos castanho, queixo pronunciado, olhos verdes e corpos definidos. Ricardo porém já tem barba e é mais forte que seu irmão, os dentes de Ricardo são mais brancos que de Heitor e as suas sobrancelhas são mais finas do que a do irmão mais velho. A voz de Heitor é bem mais profunda e grossa, e em questão de personalidade os dois muito se diferem. – Sinto lhe dizer, mas perdeu sua viagem. - Heitor diz, sem cumprimenta-la, ele nem mesmo a olha direito. – O que você quer dizer com isso? - Sara pergunta. – O voo do meu irmão foi cancelado, parece que há uma tempestade na região em que ele está, e isso está atrapalhando o tráfego aéreo por lá. - Heitor responde sem dar muita importância, mas Sara entra em desespero. – Como assim uma tempestade? - pergunta de olhos arregalados, levantando-se do sofá num pulo. – Fique tranquila, ele agora está em um hotel e lá ele estará bem seguro. - o cunhado dá de ombros. Sara fica um pouco mais calma, mas extremamente chateada, pois será mais um dia longe de seu amor. – E seus avós? - ela pergunta. – Viajaram também. - ele responde. – Caribe, conhece? - ele pergunta sorridente e sarcástico. – Não finja amizade, você não gosta de mim. - Sara diz. – Eu não tenho nada contra você. - Heitor acha graça. – Só não entendo vocês. – Vocês? - Sara não entende o que o rapaz quer dizer. – Você e meu irmão. - Heitor se explica enquanto vai ao armário de bebidas do avô e pega uma garrafa de uísque. – Vocês não fazem sentido. – Você que não faz sentido. - Sara contrapõe. – Não se faça de besta! Você gosta de mostrar que é a "doce menina boba". - ele a zoa e a entrega um copo com uísque. – Quer? - ela hesita. – Você me xinga e agora me oferece uma bebida? - Heitor levanta as sobrancelhas e sorri divertido. – Não estou te xingando. Você está me interpretando errado, eu já disse que não tenho nada contra você. Quer? - oferece novamente. – Não! – Sim, você quer. - ele garante. – mas é como eu disse: você tem que manter a face de "doce menina boba", pois é esse tipo de menina que meu irmão gosta. – Você não sabe nada... - Sara tenta continuar, mas é interrompida. – Eu conheço você, Sara. Você não é o tipo de garota que espera pelo casamento para se relacionar sexualmente, nem mesmo que nega bebida ou que larga a balada para participar de grupos de orações, nem mesmo que fica se cobrindo com panos e panos de roupas... - Sara quer contrapor, mas Heitor tinha razão, ainda assim ela se esforça para não deixá-lo vencer a discussão. – Eu mudei, seu irmão me mudou. – Não mudou não. - Heitor diz. – E é isso que eu não entendo. Se ele não gosta de você pelo que você é, porque você insiste em continuar com ele? Não é pelo dinheiro, pois você também é rica, talvez até mais rica que nós... Não é por sexo, porque isso ele não te dá... – Ele é carinhoso. - responde Sara sem titubear e Heitor parece pensar. Ele toma um pequeno gole da bebida que pôs para ele e torna a falar com ela. – Você é realmente tão carente que larga tudo por apenas um pouco de carinho? - Heitor pergunta. Sara fica surpresa consigo, pois ao invés de responder, ela se pega pensando na pergunta. – Acho que vou embora. - Sara diz por fim. – Ei! - Heitor a chama. – Me perdoe, não queria te ofender, só queria te entender melhor. - Sara para e encara a Heitor. – Você nunca vai entender... Eu posso sim ser uma pessoa melhor, eu estou sendo uma pessoa melhor, mesmo que não pareça real para você. – Você não sente falta? - ele pergunta. – De como era antes? – Olha, eu nem posso legalmente beber e você vem me oferecendo bebida, você acha que eu estou errada por resistir e recusar? Olha a hora, ainda por cima é cedo, não é hora para encher a cara. – Não é sobre isso Sara, eu te via com 16 anos entrando em boates que você não deveria entrar, fazendo coias que você não deveria fazer e sim, isso era errado, ilegal, irresponsável, não estou falando que era algo bom ou bonito, meu objetivo aqui é outro. Sara... Você era livre. - resume. – Toda pessoa em um relacionamento fica um pouco presa, isso é totalmente normal, você saberia se conseguisse levar algo a sério. - Heitor ri de canto. – Eu entendo o porque você está na defensiva agora... Mas seu conceito do que é um relacionamento não está certo, você mudar para melhor é algo bom, você se prender e viver uma farsa apenas para que o ouro te aceite é algo completamente diferente. - Sara se cala novamente diante dos seus pensamentos, porque ela estava deixando as palavras de Heitor a atingirem de forma tão profunda? – E o que você quer que eu faça? - ela pergunta. – Tire o dia de hoje para aproveitar. - Heitor sugere. – Meu irmão deve chegar só amanhã. Aproveite o dia de hoje para matar a saudade da sua antiga versão. - ele insiste. – E porque você está fazendo isso? - ela pergunta. – Porque você se preocupa tanto com isso? – É como eu disse, eu não te odeio... E eu não vou ficar tentando atrapalhar a vocês dois, mas você merece essa folga. Ele não está aqui, nem mesmo meus avós, você não precisa se prender... Seja livre. Sara pondera. A sua impressão sobre Heitor nunca foi das melhores, os dois mal se falavam, mas quando isso acontecia sempre surgia uma tensão que só era apaziguada pela presença de Ricardo. Os dois, apesar de já se conhecerem mesmo antes do início do romance entre Sara e Ricardo, nunca conversaram assim, sendo, na medida do possível, sinceros um com o ouro; a possibilidade disso acontecer nunca passara pela cabeça de ambos. Mas cá estava Sara, considerando aceitar a proposta de Heitor e por um dia voltar a ser quem era antes. – Acho que nem sei o que fazer. - ela percebe. – Eu posso te ajudar. - se oferece. – O que você sugere? – Eu ia dizer para começar com o uísque, mas, isso não é sobre você ir pelo mal caminho e fazer coisas erradas. - ele devaneia e Sara se permite sorrir. – Porque então você começa soltando seu cabelo?





...


Olá a todos, como prometido, estarei repostando a história Secrets desde o início, peço desculpas a quem acompanhou a primeira versão, mas acredito que esse recomeço será muito positivo e a história ficará bem melhor.

Depois de tanto tempo sumida, estou me redobrando para conseguir abastecer a todos com várias histórias. Caso olhem para a barra lateral, verá os dias de postagem para cada uma das três histórias que estou (re)escrevendo ultimamente.

Bom, espero que gostem.

Bjsss

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Capítulo 3: Lisa (Red Blood Lipstick)





Atenção! Essa história aborda assuntos como abuso, sexo, drogas e violência, e pode não ser adequado a todos. Por favor, se algum desses assuntos é gatilho para você, não prossiga com a leitura, e caso você seja menor de idade, não leia esta história, há muitas outras mais indicadas para você! Agradeço pela compreensão, e aos que podem, boa leitura. Vanda tinha menos de dois meses no seu novo posto como delegada no 33º batalhão da cidade, quando Lisa apareceu em sua vida. A jovem garota de pele branca chegou junto a seus pais, ela olhava o tempo todo para baixo e era visível que se pudesse, cavaria um buraco no meio da delegacia e pularia nele, deixando que seus pais testemunhassem por ela. A sua história não é incomum (infelizmente). Ela era bonita, menor de idade e influenciável, prato cheio para que um homem por volta dos 50 anos a seduzisse com pequenos agrados e presentes em troca de favores que não pareciam muito graves de início... Mas após um tempo, as exigências do homem se tornaram asquerosas e quando percebeu no que se metera e tentou fugir, Lisa viu sua intimidade espalhada por toda internet. Fotos de seu corpo mion servia de estímulo para várias pessoas ao redor do mundo. Seu caso tinha tudo para se tornar um exemplo de justiça, havia provas e um testemunho conciso, mas os pais de Lisa não puderam pagar por um bom advogado e o promotor de justiça escalado para defendê-los não foi perspicaz o suficiente para prever a jogada planejada pelo advogado do réu. No fim, convenceram ao júri que o fato de nunca ter existido conjunção carnal, o velho não poderia ser considerado um abusador violento, convenceram também, que Lisa tinha total consciência do que estava fazendo e gostava dos presentes que recebia, que no final era ela quem tomava a iniciativa de retribuir com fotos e vídeos íntimos, e como uma cartada final, de alguma forma, comprovou que os pais de Lisa não só sabiam do envolvimento dos dois, como apoiava e se aproveitavam disso. O pedófilo passou apenas quatro anos e meio na cadeia, seu comportamento exemplar e a pena pequena conquistada graças a forma em que ele conseguiu quase se colocar como a vítima, fizeram com que sua pena fosse reduzida ao extremo. Já os pais de Lisa, não só perderam sua guarda, fazendo com que a menina passasse 3 anos vivendo num orfanato, como também foram presos, acusado de maus-tratos e abandono de incapaz, passaram 5 anos atrás das grades. Quando os pais de Lisa conquistaram a liberdade, a mãe, desgostosa da vida, sucumbiu-se a depressão e seu pai, apesar de ainda fazer questão de manter-se presente na vida da filha, nunca esconde o ressentimento que tem por ela e que a culpa pela destruição de sua família. Quando foi recrutada para fazer parte do grupo secreto da ONG de Vanda, ela foi a única a ter o prazer de já na sua primeira missão vingar-se do seu abusador. O vídeo de sua morte ainda corre pela internet e pode ser facilmente encontrado em site com conteúdos macabros. Seus métodos nada ortodoxos no início foram reprimidos, mas após um tempo e algumas conversas com psicólogos, contatou-se que a sua forma de agir fazem parte de uma forma conturbada para superar o seu abuso, por isso Vanda não a reprime e muitas vezes usa isso como vantagem nas missões que lhe encarrega. A próxima (e até então última) missão de Lisa seria contra um homem de 30 anos, empresário, possuidor de todos os privilégios que o mundo pode oferecer a alguém com dinheiro, boa aparência e boa influência. Com um ego imensurável e a necessidade de se mostrar como o desejado, suas festas são regadas de bebidas caras, buffets exclusivos e modelos exuberantes. A lista de denúncias de abusos e violência por parte das modelos contra o homem é extensa, ainda assim, nunca nenhuma delas foram capazes de provar suas versões, a maioria inclusive se contentava em apenas fechar um acordo onde ele pagava um bom montante de dinheiro; aquelas que não aceitavam tal acordo ficavam com a carreira manchada e eram taxadas de mentirosas e gananciosas, já que o empresário sempre falava que as modelos só o denunciava para lhe arrancar dinheiro e aquelas que ainda não tinham aceitado tais acordos o negava apenas porque pediam por valores acima do que ele seria capaz ou estaria disposto a pagar. Lisa está encarregada de fazê-lo pagar por seus crimes há aproximadamente três meses, desde então ela vem se infiltrando em suas festas e assim observando seus pontos fracos e podendo também comprovar suas maldades que variam de toques inapropriados nas modelos até mesmo tapas, empurrões na piscina e ameças de morte como tortura psicológica. A própria Lisa tinha passado por tal situação, em uma das festas que se infiltrou, foi obrigada pelo empresário a sentar-se em seu colo, enquanto ele passava as mãos sobre sua perna e virilha, o homem nem mesmo se importava que os convidados vissem tais atos. O plano de Lisa seria simples, por ter sido uma "modelo obediente" nas festas dos últimos meses, a mesma tinha a confiança do empresário, que quando recebeu uma mensagem com uma proposta de encontro a sós, não recusou. Para o homem Lisa não passava de uma modelo interessada em seu dinheiro, não é a primeira vez que uma modelo o chama para algo assim, ele só não fazia ideia de que desta vez seria a última. O recepcionista do motel não estranhou quando Lisa chegou com um óculos escuro, mesmo estando de noite, e com uma roupa que cobria quase todo seu corpo, é normal que algumas mulheres sintam vergonha de frequentar motéis. O empresário tampouco se importou quando a suposta modelo apareceu loira e de franja, o cabelo continuava curto e liso, o que o fez pensar que havia sido uma mudança no visual, claro que era apenas uma peruca, para dificultar a sua identificação caso investigassem e procurassem por suas imagens nas câmeras de vigilância do motel. Excitado demais pela noite que teria, o empresário também não reparou que na identidade exigida na recepção, Lisa aparecia com o nome de Emanuele. A identidade era tão falsa quanto a peruca. Já no luxuoso quarto, de cama redonda, espelho no teto, luzes baixas e um balde de champagne disponível, o empresário se sente à vontade. Sem paciência para as preliminares, mal adentram o quarto e ele já tira sua blusa e desabotoa seu cinto. Apesar de sempre ter preferido mulheres corpulentas, com bundas grandes e peitos volumosos, ele está empolgado por experimentar Lisa, sua aparência inocente e corpo mion lhe faz sentir ainda mais poderoso e se há algo que ele ama é o poder. No início parece que a promessa de uma noite perfeita será cumprida, Lisa veste uma lingerie vermelha que deixa todos os seus trejeitos destacados. Porém, pouco a pouco Lisa o coloca na posição ideal para que seu plano possa ser executado. Algemas seguram suas mãos no suporte próximo a cama, a posição não o deixa confortável, mas antes mesmo que possa fazer algo mais, percebe que seus pés estão amarrados com uma corda, sua excitação não permitiu que o mesmo percebesse isso antes que fosse tarde demais. – Me solta, vai... - o empresário ri. – Eu prefiro que você fique algemada. - dá uma piscadela. Lisa morde os lábios e sorri travessa, ela sabia que ele gostava de ser o dominador, ficar na posição de dominado já era por si uma espécie de castigo para ele. – Fique calmo. - ela fala. – Vai ser legal. - ela retribui a piscadela enquanto pega o cinto que o mesmo veio vestido. – O que você está pensando em fazer? - ele pergunta, pela primeira vez aparentemente preocupado. – Umas brincadeirinhas. - responde com o cinto em sua mão e a maldade em seus olhos. – Que tal pularmos a parte das brincadeiras? Vamos direto para ação. - o homem pede, tentando se salvar daquela situação. – Tem certeza disso? - agora Lisa se encontra bem próximo ao homem. – Eu estava pensando em pegar leve com você... - ela se ajoelha na cama, próximo ao rosto do homem. Ele ri nervosamente. – Precisa disso não... Só me desamarra, posso ser rápido se preferir. - ele agora já está nervoso e não é capaz de esconder. – Lembre-se, foi você que pediu direto ao ponto. Lisa se afasta, mas antes de ir até a bolsa que trouxe, para buscar seus materiais, ela golpeia o empresário com o cinto em sua mão, na parte de baixo da barriga do homem, que berra de dor. – Você está louca, garota? - ele a pergunta e começa a se contorcer para soltar-se. Lisa porém não se abala, ela sabe que ele não conseguirá escapar e ela ainda tem muito a fazer com ele. Da bolsa Lisa tira barbantes, gomas de amarrar cabelo, alicate, tesoura, fita crepe, uma faca e uma máquina fotográfica. – É dinheiro que você quer? - ele diz enquanto ela retorna para começar sua missão. – Eu posso te deixar rica! Só falar... Fale seu preço! - o homem se desespera. Lisa já está ao lado do homem novamente, sorrindo enquanto começa a mexer na fita crepe. – Eu vou receber meu pagamento. - ela diz convicta. – Com o seu sofrimento. - antes que o homem possa responder a mesma já tapou sua boca com o durex.

Ele se contorse, tenta grita, pedir socorro, mas apenas gemidos podem ser escutados com sua boca tampada. Ele se contorce, e de tanto raspar seus pulsos sobre as apartadas algemas, sua pele já se abria, aos poucos seus gritos foram ficando mais baixos, pois já não conseguia manter o fôlego. Lisa tira fotos de cada feição de desespero do homem, sua humilhação a satisfaz. Por fim, passam-se agonizantes 40 minutos para o homem e mais de meia-hora prazerosas para Lisa, que sente que já é hora de pôr fim às suas brincadeiras. Lisa sobe sobre o homem, suas pernas atravessam seu tronco e o homem fica imóvel, sem saber o que esperar. Numa de suas mãos ela tem a faca, pequena, mas de serra e de ponta bem afiada; na outra ela tem um pedaço do barbante de aproximadamente 60 cm. – Para você ver como sou boazinha, vou deixar você escolher dessa vez. - ela diz. – Eu posso usar a faca. - diz e levemente encosta a ponta da faca bem no meio do peitoral do homem. – Eu faria vários furinhos, e outros não tão furinhos assim. - sorri. – Você vai sangrar muito, eu vou ficar bem suja, tudo aqui vai ficar bem sujo... Mas você vai poder viver por mais tempo, o que é bom, não é? Prolongar sua vida. - dá de ombros. – Ou eu posso usar esse barbante no seu pescoço. Eu apertaria, mais e mais, você vai sentir dor, vai sentir como se o barbante estivesse lhe decapitando, talvez isso aconteça, depende de você, se sua traqueia for atingida rapidamente eu não preciso me esforçar tanto, eu odeio isso de cabeças cortadas. - ri divertida. – Se você prefere a primeira opção, pisque uma vez, bem forte para eu ter certeza. Se for a segunda opção pisque duas vezes. - ela ordena e o homem arregala os olhos não permitindo-se piscar, como se isso fosse lhe salvar. – Ah, quanta rebeldia, você é muito mal agradecido, estou lhe dando opções, coisa que você nunca deu a ninguém. - diz brava. – Já que é assim, acho que vou querer me sujar um pouquinho, tem uma banheira maravilhosa no banheiro onde eu posso me limpar depois. - seu sorriso é largo e a ironia de ver uma mulher com feições meigas, mas perversidade ilimitada é quase inacreditável. Lisa começa as facadas por partes menos vitais, ela quer que ele sinta a dor, que sangre, que saiba porque está sofrendo, porque tudo aquilo está acontecendo, ela não o deixará morrer sem que saiba o que o fez parar nesta situação.


A cada novo golpe, o nome de uma de suas vítimas e seu assédio eram revelados. Lisa sempre fazia questão de decorar uma por uma, mesmo que fosse uma lista grande, o esforço valia a pena. A sensação de quando ela podia ver a reação nos olhos dos criminosos, dando conta do que estavam pagando é impagável. – Este é por Mariana. - as facadas agora estavam começando a atingir áreas mais perigosas, ela não estava usando força o suficiente para que atingisse algum órgão, pelo menos não por enquanto, pois ela queria ter certeza que o mesmo estaria consciente até que a lista terminasse. – Por ter enfiado seus dedos nojentos em sua vagina quando a mesma ainda era virgem; Este é por Olivia, por quase tê-la afogado na piscina da sua mansão, jogando-a a força, após a mesma falar que não sabia nadar; Este é por Júlia, por ter arrancado sua roupa a força, para que seus amigos pudessem vê-la nua e se masturbassem com essa visão. - este golpe o atingiu bem no estômago, o colchão já se encharcava com o sangue que jorra de seu corpo e o mesmo já agoniza. – Este. - Lisa posiciona a faca bem no coração do homem. – É por me obrigar a sentar em seu colo e tocar-me como se eu tivesse lhe permitido algo. A força necessária para que aquela faca atingisse o coração do homem é descomunal, mas aquela não era a primeira vez de Lisa, a experiência lhe trouxe precisão. Após certificar-se que o homem morrera, Lisa observa o cenário que deixará para trás, uma verdadeira obra de arte em vermelho. Enquanto ela toma banho na banheira com hidromassagem do motel, já imagina, ansiosa, pela notícia de sua missão estampada na primeira página dos jornais.