quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Capítulo 4: Rosa (Red blood lipstick)

Atenção! Essa história aborda assuntos como abuso, sexo, drogas e violência, e pode não ser adequado a todos. Por favor, se algum desses assuntos é gatilho para você, não prossiga com a leitura, e caso você seja menor de idade, não leia esta história, há muitas outras mais indicadas para você!


Agradeço pela compreensão, e aos que podem, boa leitura.


Para todos que conheciam a família que morava na casa em uma rua sem saída no tranquilo bairro familiar, aqueles pais e aquelas crianças educadas, eram o exemplo de família perfeita. O pai trabalhava como corretor de imóveis, e sempre andava muito arrumado e sorridente; a mãe, dona de casa, era um exemplo de dedicação aos filhos, sempre presente nas reuniões com os professores, sempre indo nas festas dos amiguinhos dos filhos e sempre ajudando as outras mães em tudo o que precisavam. Os filhos, dois meninos mais velhos e gêmeos e uma menina, a caçula, eram extremamente educados. Cheios de "por favor", "obrigado", com roupas impecavelmente limpas e cabelos castanhos com corte perfeitos, eles sempre eram colocados como exemplos a serem seguidos pelas outras crianças.

O que as roupas, os sorrisos, os domingos na igreja e a educação admirável escondiam, eram dias e noites de torturas.


Não existia uma justificativa, nem mesmo a tentativa de uma, o processo era o mesmo desde muito pequenos, tanto que numa certa idade as crianças entenderam que aquilo deveria ser normal.


Os pais de Rosa a deixava passar fome por dias a fio, a mesma tinha ossos pontudos, que eram escondidos pelas roupas, na sua maioria, vestidos bufantes e cheios de relevos e cores, que ela era obrigada a usar quando saia de casa, ela os odiava com todas as forças. Quando os filhos podiam comer, comiam restos, algumas vezes coisas estragadas, intragáveis, mas após mais de 10 dias sobrevivendo com alguns pingos de água, contatos num conta gotas, até mesmo pedra parecia apetitoso.


Na escola, Rosa e os irmãos tentavam se alimentar, bebiam água o tempo todo até sentirem que o estômago estava cheio de líquido, mas os pais nunca lhes davam dinheiro para que comprassem o que comer, e como estudavam em escola particular, não tinha como comerem de graça, eles tinham que ficar pedindo pedaços dos lanches dos amigos mais próximos. Isso os sustentavam durante o ano letivo, mas quando as férias chegavam...


A tortura física também era constante. Chicotadas, noites acordados obrigados a ficarem ajoelhados... Os espancamentos sempre se limitavam a partes do corpo que poderiam ser facilmente escondidas com roupas. Os atos de maus-tratos não eram cometidos apenas pelo pai, mas também pela "bondosa e dedicada" mãe, que parecia ser a que mais gostava de cometer tais atrocidades.


Rosa só foi resgatada quando já estava para completar 12 anos, um dos seus irmãos mais velho, na época já com 16 anos, adoeceu. Parecia ser apenas mais uma das milhares de gripes que eles já tiveram, mas o constante desgaste físico causados pelas torturas e dieta precária, não permitia que o corpo oferecesse bons anticorpos. Como nada foi feito enquanto o menino apenas espirrava, tinha febre e dores de cabeça, a doença evoluiu. Quando o irmão foi encaminhado ao hospital (apenas após uma das professoras contactar os pais, pedindo para que algo fosse feito, o que os deixou sem saída) o mesmo já tinha uma pneumonia grave. Os médicos, desconfiados do estado do menino, denunciaram ao conselho tutelar, que descobriu sobre os maus-tratos.


Os pais de Rosa fugiram antes mesmo que a investigação tivesse sido concluída, fugiram antes que o filho, que estava em estado grave, chegasse a óbito. Os dois simplesmente o abandonaram internado, deixando os três filhos sem ninguém.


Rosa e o seu único irmão sobrevivente, passaram o resto da adolescência no orfanato. Vanda, ao escutar a notícia foi prontamente oferecer ajuda a garota, que ao completar 18 anos foi direcionada à ONG de Vanda, que na época ainda estava em reforma para se tornar o que é hoje. Neste meio tempo, a mesma perdera o contato com seu irmão, e mesmo que não diga, isso é algo que a incomoda.


Rosa não foi prontamente requisitada a participar do grupo secreto da ONG, Vanda não acreditava que a mesma seria capaz de acrescentar muito. Mas quando ela começou a se enturmar melhor, se abrir mais, Vanda percebeu o grande potencial que Rosa tinha. A benfeitora lhe pagou uma faculdade de Química, entre outros cursos técnicos na área da biologia.


Mesmo após estar no grupo secreto, e já tendo concluído algumas missões dentro do mesmo, foram necessários mais de dois anos até que os pais de Rosa fossem localizados e ela pudesse se vingar. Ela preferiu não seguir o exemplo de suas colegas, que escolheram uma morte rápida.


Os pais de Rosa estavam em outro estado, numa cidade interiorana morando em uma casa isolada. Perto dali, Rosa construiu um porão subterrâneo. Para não chamar atenção, Rosa, Jane e Vanessa (a mesma que hoje traiu o grupo), construíram o local com as próprias mãos, sem a necessidade de envolver pessoas de fora do grupo na obra. No projeto de construção, as mulheres fizeram questão de que as paredes de cimento fossem grossas e impenetráveis e que a porta de entrada fosse bem pesada e impossível de se abrir por dentro.


Rosa sequestrou seus pais durante a noite, quando os mesmos já adormeciam. Quando eles foram deixados no porão, com as mãos amarradas, a filha apenas os observava sem dizer nada. Havia muito rancor no seu coração, revê-los não estava sendo fácil. 


Os dois tampouco pareciam os mesmos, antes sempre andavam arrumados, e agora estavam velhos e usando maltrapilhos, o destino parecia tê-los feito pagar pelo que fizeram e Rosa seria a responsável por fechar o ciclo.


Rosa os explicou como desatar o nó que prendia as mãos deles, e os deixou com uma garrafa de água de 500 ml e um saco de 500g de farinha de trigo. A água já estava quente, mas era limpa, o saco de farinha de trigo estava furado, mas não estava estragado. Aquele seria o kit sobrevivência dos dois.


A química então os deixou lá, presos, impossibilitados de sair ou de serem escutados por qualquer um. O porão é abafado e a saída de ar era quase inútil. Rosa não sabe dizer quanto tempo levou para os pais falecerem, provavelmente de inanição. Ela retornara ao porão apenas 4 meses após a noite do sequestro e os encontrou num estado de decomposição muito avançado. Rosa não chorou, não se abalou, não sentiu nada. Apenas voltou a fechar o porão, deixando os restos de seus pais jazer ali para sempre.


Sempre empenhada a fazer o melhor, Rosa podia se dar bem em diversos tipos de missões, sendo muitas vezes útil em missões das outras colegas também. Com seus cursos e graduação, Rosa não só tem acesso aos químicos como tem o conhecimento para criar venenos fatais e letais. Quando gostava de algo mais simples, usava de armas para fazer com que seus alvos fossem atingidos. Algumas meninas acham isso ruim, pois geralmente Rosa atira de longe e o alvo não sabia o por que tinha sido alvejado, mas para Rosa o saber o porquê está morrendo, não é tão importante, o fundamental é o resultado final: menos um criminoso a solta.


No caso de hoje Rosa teria que se envolver um pouco mais do que geralmente gosta, a rotina do seu alvo é intensa e o mesmo raramente está sozinho, e para agir sem chamar muita atenção ela teria que ser esperta e paciente.


Durante todo mês ela observou a rotina de seu alvo. Geralmente essa observação dura pelo menos dois meses, mas seu alvo lhe facilitou muito a vida, seguindo horários e rotas fixas todo santo dia, passar mais 30 dias observando-o seria uma perda de tempo.


Ainda cedo ele se dirige ao trabalho no banco, a rota é curta, mas o prédio em que ele trabalha não oferece estacionamento, e ele tem que deixar seu carro num estacionamento pago que fica a duas quadras do banco, este era um dos seus momentos mais vulnerável.


Andando pelo caminho contrário, Rosa propositalmente esbarra no homem e para não cair com a trombada, ela segura forte em seu braço. O homem tem dificuldade para não cair sobre Rosa, o susto pela pancada lhe deixou despreparado e a forma quase agressiva que a mulher desconhecida o segura, não o deixa confortável.


Rosa retoma seu equilíbrio e pede desculpas ao homem, que a olha de cima a baixo e não fala nada em retorno.


Sua falta de educação já era de conhecimento de Rosa, o mesmo parecia tratar quase todos a sua volta com ignorância.


Enquanto o homem volta a sua rota até seu trabalho, Rosa começa a sua espera.


Seu plano era simples, começara no momento em que os dois "acidentalmente" trobaram. De forma discreta Rosa segurava em sua mão uma agulha embebida num veneno não difícil de produzir, tampouco difícil de se detectar, mas que em uma boa dose, leva alguém ao óbito em questão de minutos. Este porém não era o objetivo de Rosa, a quantidade que ela conseguira injetar através da agulha era ínfima, mas faria seu efeito no tempo certo.


Os primeiros sintomas irão surgir em torno das próximas 4 horas, com fortes dores abdominais. Rosa espera que o seu alvo acredite que tudo não passa de uma indigestão pós almoço e que não se importe o suficiente para ir a um médico ou retornar a sua casa antes da hora, mas caso uma das duas situações venham a ocorrer, a mesma tinha como contornar tudo a seu favor.


Hoje é o dia em que a sua doméstica, que fica 24 horas no trabalho, tem uma folga. A mesma ficaria 8 horas longe, deixando-o sozinho, mas caso ele retornasse para casa cedo demais, enquanto a empregada ainda não finalizara seu turno, ela poderia acabar levando-o ao hospital. Para impedir que isso ocorra, Rosa, conseguiu, de forma astuta, furar o pneu do carro do homem, mesmo o carro estando estacionado num estacionamento privado e vigiado. Isso não o impedirá de retornar a sua casa, mas o atrasaria, o que seria o suficiente para ela.


Caso o mesmo fosse procurar um hospital, o mais próximo, coincidentemente, é o que Sofia trabalha, se ele por lá fosse, Sofia a ajudaria a mandá-lo para casa no momento e horário que fosse mais oportuno para Rosa.


Por sorte, o plano mais fácil funcionou, o homem, mesmo com dor, manteve-se trabalhando até o final e quando chegou no estacionamento, furioso, fez com que os funcionários do local trocassem o pneu. O tempo ali perdido já tinha sido mais que suficiente para que a empregada do alvo de Rosa deixasse a residência dele.


Pelo suor que escorria da testa do homem e sua feição pálida, Rosa sabia que o veneno já estava agindo. Explodindo-o vagarosamente por dentro, a começar pelo intestino. Até o fim daquele dia, todos os órgãos daquele homem vão estar rompidos.


Pelo caminho de volta, Rosa persegue o homem com sua moto, e o mesmo, provavelmente sentindo dores horríveis, dirige pessimamente, quase se coloca em um acidente por pelo menos umas três vezes. Quando chega em casa, sai do carro se arrastando, Rosa não sabe dizer se o mesmo já pediu ajuda ou socorro médico, então, mesmo sabendo que ele ainda agonizaria por pelo menos mais 4 horas até finalmente morrer, ela decide agir rapidamente.


O homem não se preocupou (ou talvez não tenha conseguido) em trancar a porta de entrada, Rosa entra na grandiosa casa dele sem precisar se esforçar. O mesmo não tem cachorros ou qualquer animal que pudesse denunciar sua presença, a casa não possui nenhum sistema de segurança. Fácil até demais.


Rosa o encontra debruçado sobre a pia na cozinha, ele cospe sangue e a olha com ar de esperança.

– Socorro. - ele diz com dificuldade, o mesmo já respira com esforço. – Não sei o que... Está... Acontecendo. - puxa o ar com força. Talvez o efeito nele estivesse mais forte do que os cálculos de Rosa indicavam, na situação em que o mesmo está, ele não passaria mais que 2 horas vivo. Talvez ele tenha algum tipo de doença crônica que esteja acelerando seus sintomas. Entretanto, isso tampouco importa, Rosa tem mais o que fazer.


Sem mais hesitação, Rosa tira do bolso da sua calça jeans um par de luvas e logo após, duas fotografias que haviam sido dobradas em quatro partes. Na imagem estava a ex-mulher do homem e a filha do casal, quando a mesma ainda tinha apenas dois anos de idade. Rosa joga as duas imagens sobre a bancada que fica ao lado da pia em que o homem se escora.


Seus olhos se arregalam e ele torna o olhar para Rosa, confuso.

– Você a matou por ciúmes, na frente da sua filha, quando ela tinha 4 anos. - Rosa é direta. – 28 facadas por todo o tórax da sua mulher. - o homem procura por um suporte, para que possa se afastar de Rosa, que se aproxima cada vez mais dele.

– Não fui eu. - desiste de fugir. – Foi o amante dela. - sua voz sai por um fio.

– Foi nisso que a justiça acreditou, mesmo com a menina jurando ter visto o pai cometer o crime. Um homem inocente ficou 10 anos na cadeia pelo que você cometeu.

– Foi ele. - o homem lentamente cai sobre o chão da cozinha. – Foi ele. - repete.

– Faz dois meses que conseguiram provar a inocência dele, finalmente concluíram que a imagem da câmera do estabelecimento em que ele trabalhava na hora do assassinato era real e prova o suficiente para inocentá-lo.

– Injusto. - se limita a dizer.

– Injusto? - questiona Rosa. – Realmente, foram necessários 10 anos para verem o obvio. A sua palavra sozinha se valeu por cima de todas as outras evidências, sobrepôs a voz de sua filha, se sobrepôs às imagens dele no local de trabalho, sobrepôs a todas as testemunhas que foram depor a favor dele...

– Se... - respira fundo. – Se está achando... Que não me importo... Que sou... Culpado... Só porque não... Reabri o... Caso... Não é... Verdade... Só acho que... Ele já... Pagou.

– Pagou pelo quê? Por ter se envolvido com uma mulher casada? Esse foi o crime dele. Agora, 10 anos na cadeia por uma traição é um pouco demais, não é?

– Foi ele. - mais sangue corre por sua boca, Rosa pode ver pelo seu olhar que o mesmo está dominado pela dor, mas nem mesmo forças para gritar ou expressar a dor ele tem.

– Todas as evidências apontavam para você, apenas sua palavra apontava para ele. Todo mundo sabe que foi você, mas ainda assim quem foi parar na cadeia foi ele... Eu me pergunto, esse resultado teria sido diferente se você não fosse um homem branco, com boa condição financeira, amigo de pessoas importantes na política e ele não fosse um simples porteiro, negro, pobre que ainda morava com a mãe? - o homem não diz nada. – O que te irritou de verdade foi o fato dela ter te traído ou o fato dela ter se interessado por homem como ele? Pobre e negro... Ela estava para escolher ele, não estava? Ela ia te largar para ficar com ele. - o homem tosse e mais sangue sai por sua boca.

– Aquela vadia está no inferno. - quase rosna ao falar.

– Se assim for, em breve você vai encontrá-la. - Rosa responde com desdém.

– Eu chamei o socorro, vão me salvar e você vai apodrecer na cadeia, sua idiota.

– No estado em que você está não existe nenhuma possibilidade de ser salvo. - Rosa diz.


Se o efeito estivesse um pouco mais brando, Rosa não poderia descartar a possibilidade do homem sair vivo no caso de ser socorrido em breve; mas por alguma razão, talvez uma doença prévia ou o uso de algum medicamento controlado que ajudava na condução do veneno na sua corrente sanguínea, o efeito está bem mais forte e mais rápido. No ponto em que está, no melhor (ou pior, para Rosa) do casos, ele seria colocado em coma induzido e posto imediatamente numa hemodiálise (sem garantias de que isso funcionaria). Para salvar-se o mesmo teria que ter procurado ajuda ainda na primeira hora do primeiro sintoma, e teria que torcer para que os médicos suspeitassem de pronto do envenenamento, caso contrário, nem mesmo isso teria o salvado.


Rosa escuta o barulho das sirenes se aproximando, o homem não estava blefando, ele havia chamado o socorro.

– Você vai se fud... - Rosa agarra os cabelos do homem e com toda sua força bate a cabeça dele duas vezes contra o chão. A força que a mesma faz é tão grande, que ela pode escutar o trincar do crânio dele, se foi uma fratura grande ou pequena, naquele momento não importava, ela só o fizera para que o homem desmaiasse e assim não falasse sobre ela aos socorristas. Se tiver sorte, quem socorrê-lo achará que uma queda provocou tal ferimento em sua cabeça. Fora isso, Rosa sabe que Lisa estará no IML e se encarregará de esconder toda e qualquer evidência de um envenenamento.


Enquanto os socorristas entram na casa, Rosa corre para se esconder no segundo andar da residência. Ela sabe que muito em breve policiais também seriam chamados ao local, devido a estranha morte do homem, por isso ela teria que ser rápida na sua fuga, afinal sua moto estava estacionada bem em frente a casa, isso poderia gerar suspeitas o que levaria a um investigação direto para ela.


Ela escuta os paramédicos se comunicarem, tentando reanimar e imobilizar o homem que não tem mais salvação. Cuidadosamente ela abre a janela de um dos quartos da casa. A janela dá para a área de trás da casa, e se ela quisesse sair de lá rápido, teria que pular.


A queda não é agradável, mas Rosa não tem tempo para se recompor adequadamente, e ainda sentindo as dores do impacto da aterrissagem se levanta e corre, dando a volta pela parte de fora da casa, tentando sair pela porta da frente, onde está sua moto, mas logo um dos socorristas a vê e desconfiado vai até sua direção.


Rosa age rápido e antes mesmo que o socorrista consiga se aproximar o suficiente, ela corre para o outro lado, entrando mais no quintal da casa do homem que ela acabara de matar.


O socorrista é rápido, mas Rosa ganha vantagem quando a mesma começa a escalar o muro que separa a casa em que estão, da casa do vizinho. Por sorte não há nenhum animal que ataque a Rosa nessa invasão improvisada, e quando o socorrista, com muito esforço, consegue subir no muro, ele para sentado ali mesmo, desistindo de persegui-la, sem dúvidas ele chamará reforços. 


Agora, Rosa, para se livrar, teria que contar não só com a ajuda de Lisa no IML, mas também de Vanda na delegacia. 






terça-feira, 10 de novembro de 2020

Capítulo 3: O Filho Perdido (A Origem de Lincoln Campbell)



Quando Rosalind e sua equipe chega ao hospital que sofrera o ataque, os humanos modificados já haviam escapado. Ao interrogar a enfermeira que havia chamado o socorro, eles descobrem que um desse humanos na verdade trabalhava, também como enfermeiro, no hospital. 


A equipe então levanta a ficha do tal enfermeiro e quando Rosalind olha para a foto do humano modificado na tela do computador, ela, pela primeira vez em anos, não sabe o que fazer. Uma mistura de medo, raiva, confusão, alegria e tristeza inundavam seu coração. 


Claro que ele não estava igual da ultima vez que o vira, anos haviam se passado, o mesmo agora tem uma barba rala, e o cabelo está mais arrumado, e não mais rebelde quando na adolescência. Ele agora não é mais um jovem universitário, mas um homem. Ainda assim, mesmo que anos se passasse, Rosalind jamais iria se confundir. 


Aquele enfermeiro. Aquele humano modificado que aparece na imagem é seu filho.


Rosalind tinha que agir rapidamente. A sua equipe esperava isso dela, o presidente espera isso dela, suas mãos estão atadas, e neste momento a missão se tornara pessoal demais. Deveria ela revelar isso ao presidente? O mesmo deveria ser informado de tudo, porém se ela o fizesse, inclusive sua posição de liderança nesta força tarefa poderia ser comprometida e mais uma vez o filho lhe escaparia pelas mãos. Deveria ela esconder ele de tudo e de todos? Rosalind sabe que para isso teria que burlar leis e necessitaria da ajuda de mais algum agente, provavelmente Banks, mas é um movimento tão arriscado quando a primeira ideia. 


Lincoln precisa ser resgatado, Rosalind deve isso a ele. Hoje, após ter perdido tanto em sua vida, ela percebe que esteve ausente na vida do filho, se ela o capturasse e o levasse para a U.A.C.A., ele poderia ser curado, poderia voltar a ser seu filho, quem sabe até mesmo perdoá-la?


Uma força tarefa é criada as pressas, Rosalind deixa claro a Banks que ele deve capturar Lincoln vivo a todo custo, ela não diz o porque para ela esse humano modificado é tão importante, mas é bem óbvio que ela tem um interesse enorme no enfermeiro. 


Não demora muito para que o encontrem, um grande grupo de agentes é enviado até onde ele se localiza, numa parte mais interiorana, de mata fechada. 


Rosalind aguarda pelo retorno do time com agonia. Em seu escritório ela anda de um lado para o outro, com o seu telefone na mão ela aguarda uma chamada, de minuto em minuto olha pela janela que dá ao lado de fora do prédio, talvez eles não a telefonem, apenas retornassem com o seu filho já capturado, seguro e muito em breve salvo.


O telefonema finalmente chega, Rosalind atende de pronto.

– Sim, como foi a missão? Já estão retornando? - questina ansiosa.

– Senhorita Price, nós o perdemos, teremos que chamar a todos para essa missão. 


O coração de Rosalind se aperta, ela não gostaria de ter que dar o próximo passo, mas suas opções estavam se acabando.


A agente sabia que seu filho não se renderia fácil, ela conhece o seu temperamento forte, mandar agentes armados atrás dele talvez não tivesse sido a melhor jogada, mas ela tampouco poderia aparecer para ele de cara limpa, pois sabe que talvez isso seria ainda pior. 


Fotos de Lincoln são divulgadas em todos os meios de mídia. Agora a U.A.CA., a polícia e o FBI o procuram. Sua cara está pública, civis também sabem de sua existência e alguém em algum momento fará uma denúncia.


Rosalind tem uma noite horrível, se revira na cama sem conseguir dormir, ela tem esperanças de que logo receberá alguma notícia, mas a espera é um tormento. 


Logo cedo ela se reencontra com Banks. No carro oficial eles conversam sobre a falha missão de captura e sobre as mais de 24 horas sem nenhum sinal de Lincoln.

– Ele não sumiu. - ela devaneia entre todas as possibilidades. – a menos que sim… Ele não consegue fazer isso, consegue? - Rosalind pergunta ao agente que está a seu lado.

– Não. - ele garante.–  o negócio dele é eletricidade… Ele vai aparecer. - Banks garante. – Por isso avisamos a população, ele não tem onde se esconder.

– Eu espero que sim. - Rosalind se força para não deixar seu desespero aparecer em sua voz, mas não faz um bom trabalho. Pela primeira vez em toda sua vida profissional, ela teme. – Precisamos começar a fazer progressos, mostrar resultados… - ela tenta fingir que seu empenho descomunal era apenas pela expectativa de reportar resultados ao presidente. 


Uma outra agente, de cabelos castanho e rosto redondo e traços simples a interrompe. Ela senta no banco da frente do carro, ao lado do motorista. 

– Senhora Price, tem uma chamada de vídeo para você.

– Pede para esperarem. - ela responde sem hesitar. 

– É a Casa Branca. - a agente informa. 


Rosalind suspira de olhos fechados. Ela sabe que não será uma ligação muito agradável.

– Pode passar para minha tela. - Rosalind ordena, após gastar alguns segundos tentando se recompor. 


Rosalind se sentiria aliviada, se não estivesse tão apreensiva por tudo o que já estava acontecendo ao seu redor. Ao contrário de ver a imagem do presidente na chamada de vídeo, é o rosto de Phil Coulson que aparece. 


– Coulson. - ela diz monotonica. 

– Me chame de Phil. - ele diz, como sempre mais solícito do que o necessário. 

– Eu não posso é chamá-lo de presidente. - ela responde não tão gentil. 

– Você não é a única pessoa conectada com a casa branca… Bom, a minha é uma conexão pirata via satélite que logo será descoberta, então serei breve. - o seu bom humor é indestrutível. – Está fazendo muito barulho, e francamente me sinto um pouco insultado, está pedindo ajuda para todo mundo: para o FBI, a polícia local e agora para a população… - enquanto Phil fala, o telefone de Banks começa a tocar, ele atende a chamada e  Rosalind mantém sua atenção nas lamentações de Coulson. – A todos, menos as pessoas que realmente sabe das coisas.

– Você quer dizer: você.

– Eu quis dizer, sim. - Coulson assume. – Então vamos nos encontrar. Só nós dois, pessoalmente… – Banks chama a atenção de Rosalind, ele não mais fala no telefone. – terreno neutro… - Rosalind nem mais presta atenção no que Phil está falando. 

– É… Pode me dar licença um momentinho? - Rosalind não espera por uma resposta e já muta a conversa. Ela então se dirige a Banks.

–  O que foi? 

– Já temos a localização do Lincoln Campbell. Ele está hospedado em um apartamento no subúrbio de Chicago.

– Já sabe o que tem que fazer. - Rosalind diz e logo retorna a chamada com Phil. – Tudo bem Phil, vamos nos ver, acho que teremos muita coisa para conversar. 


A aceitação de Rosalind para conversar com Coulson pouco tinha haver com uma real vontade de cooperação dela. Perspicaz, ela logo viu uma chance de resgatar Lincoln sem a intromissão da SHIELD. Se ela fosse capaz de manter o diretor da agência fantasma ocupado o suficiente para que a U.A.C.A tomasse a liderança, ela já poderia contar isso como uma vitória. 


Banks monta um time com os melhores em campo e partem num avião de combate ultraveloz para chegarem a Chicago, de lá usam carros para chegarem ao prédio em que a denúncia foi feita, e assim não chamarem tanta atenção. Porém agentes com equipamentos de proteção e armados quase que até os dentes não passam despercebidos facilmente. 


Ao chegar no apartamento indicado, Banks percebe que Lincoln provavelmente os viu chegar ou foi alertado por alguém. O denunciante, um homem de meia idade, corpulento e entradas nas laterais, está no chão, desacordado. Agentes vasculham por todo o apartamento, mas não encontram o que tanto queriam.


Enquanto isso, Rosalind se desloca até o local de encontro sugerido por Phill. Dirigindo seu próprio carro, ela estaciona em uma bahia próximo a uma praia onde gaivotas cantam e voam livremente. Phill já a aguardar quando ela chega. Ele veste um terno preto e usa óculos escuro. Na sua mão esquerda (que hoje ela sabe que não é real) uma luva preta camufla a prótese tecnológica que ele utiliza no lugar. Parece intimidador, mas Rosalind não se amedronta por aparências. 

– É… Admito que fiquei bem surpresa quando você me ligou. - Rosalind se permite confessar.– Olhe para cá. - ela ordena ao perceber que Phil tem os olhos fixos em seu carro conversível. Pego no flagra Phil sorri.

– Me pegou, desculpe. Obrigado por vir me encontrar. - ele agora presta atenção total em Rosalind. 

– Você me deu uma desculpa para dirigir pela costa. - mente. 

– Ela tem um nome? - Phil se refere ao carro de Rosalind. 

– Eu amo meu carro, mas é apenas um carro. - ela responde. – E é ele. - brinca e Phil ri, deixando-se distrair novamente pelo possante. 

– É… Da última vez que nos encontramos, você me desarmou com suas táticas evasivas. - Rosalind ainda tinha dificuldade para entender como Hunter e Phil, sozinhos, escaparam de uma armadilha com mais de 10 agentes altamente treinados da U.A.C.A.. A história contada por Banks parecia até mesmo mentira, de tão pitoresca, mesmo ela entendo que a mão protética de Phill ser equipada com vários itens que os ajudaram a fugir, toda a situação lhe parecia um tanto louca demais para ser real.

– Entendi a piadinha.

– Não, não! Eu tenho que admitir, fico pensando o que mais tem debaixo da manga.

– De verdade. Eu entendi. - Phil leva as provocações de Rosalind na brincadeira. 

– Imagino que eu não seja a primeira. - diz se referindo as piadinhas sobre a ‘mão’ de Phill.

– Acho que é sim, é bem recente. - Phil explica. 

– É… Desculpa. - Rosalind fica sem jeito. – Eu sei que não deve ser fácil. 

– É… - a história sobre como ele perdera a mão é longa e complexa demais para a ocasião. – Não foi isso que viemos discutir. - Coulson muda de assunto e retira seus óculos com a mão verdadeira.


Rosalind suspira, queria ganhar mais tempo, mas sabia que não poderia enrolá-lo para sempre. 

– Você está usando a abordagem errada. Deixar a população em pânico? Não funciona. Continue fazendo isso e a coisa vai ficar feia. - Coulson começa a orientá-la, o que não a agrada, mas ela o escuta. 

– Olha só, a minha agência só existe porque a sua acabou. 

– Mas nós voltamos, embora com menos propriedades e mais escondidos.

– Esse ‘escondidos’ é que é o problema, ninguém sabe que vocês existem, mas eventos bizarros estão acontecendo, as pessoas tem que se sentirem seguras. 

– Essas notícias sobre ameaças alienígenas é para que as pessoas se sintam seguras? - ele a questiona. – Olha, na verdade é que você não entende com o que está lidando. 

– E você sim? 

– Sim, por isso que eu estou pedindo para que a minha equipe resgate o Lincoln. - Rosalind então percebe que Phil e ela jogam o mesmo jogo. –  Se nós o pegarmos será fácil, se forem vocês pessoas se machucarão. 

– Olha, pode até ser, mas… Eu sinto muito, eu não posso concordar. - Rosalind o desfia. Ela não abrirá mão de ter seu filho novamente ao seu lado e nada que Phil venha a dizer poderá mudar isso. Nem mesmo que ela tenha que jogar sujo. – Ele é extremamente perigoso.

– Não se estiver sob nossa custódia. - Phil o defende sem saber que nem mesmo Rosalind acredita no que fala.

– Não vamos desmembrá-lo para pesquisa, se é isso que lhe preocupa. Nós não somos a HYDRA.

– Você diz isso agora. O que tem de tão importante? - Phil começa a desconfiar das reais intenções de Rosalind. 

– Você está falando sério? Lincoln consegue derrubar um avião...

– Eu tenho outra teoria. O presidente fez esse grande discurso sobre a organização que ele está formando… Imagino a pressão que está sofrendo para mostrar resultados.

– Não está errado. - Rosalind se contorce por dentro por ter que admitir isso. – É por isso que vou prendê-lo. - mas ela aproveita a deixa e faz com que as suspeitas de Coulson pare por aí. Ele não precisa saber que existe ainda mais por trás do seu interesse em resgatar Lincoln. – Mas porque estamos aqui, Phil? Nós vamos ver o pôr do sol juntos? Porque se não veio aqui fazer um acordo, o que você quer? 

– Você tem uma carta na manga e eu cansei de esperar você usá-la. - Rosalind sorri, sabendo do que se trata. 

– Ah! Então é isso? 

– Você tem as filmagens do hospital, o que significa que tem uma outra imagem que escolheu não divulgar na TV.

Rosalind pega seu celular a procura da imagem que Coulson fala.

– Um rosto bem bonito. Mas não tem nome, certidão de nascimento ou nenhum outro documento… Ela é um deles, e ela trabalha para você, não é? - Rosalind o pressiona. Phil pela primeira vez se mostra desconfortável. 

– O que faço para manter isso em segredo? 

– Você sabe o que eu quero. 

Rosalind sabia que guardar o segredo da humana modificada que está a serviço de Phil poderia vir a calhar em algum momento, só não imaginava que isso poderia ser usado tão rapidamente. Mas o que mais importava no final é que graças a isso, nada mais a impediria de resgatar o seu filho perdido.


...




Olá olá, eu sei que esse capítulo deveria ter sido postado ontem, mas vários pequenos ocorridos me impediram de postar o capítulo do dia correto. Ainda assim corri para hoje ter o capítulo postado e espero realmente que gostem, tentarei fazer um capitulo extra nessa semana, mas não consigo prometer nada por agora.

Até amanhã com mais um capítulo de Red Blood Lipstick


domingo, 8 de novembro de 2020

Capítulo 3: O Segredo de Rebecca (Parte 1) - (Secrets)




Um novo vestido, isso era tudo o que Rebecca precisava para se esquecer da mais nova decepção amorosa que teve. E se a ocasião pede um vestido, nada melhor do que ir à loja Ralph Lauren.


Ao chegar lá, Rebecca se joga a experimentar tudo o que pode, ela não precisa nem mesmo gostar das roupas, pois não está ali porque precisa de roupas ou tem algum lugar importante para ir, ela está ali porque precisa relaxar e sua maneira de relaxar é comprando.


Comprar roupas para Rebecca é algo fácil, ela é magra, até tem algumas curvas que a valoriza, como seios fartos, nada exagerado, mas grandes o suficiente para dar destaque a seu corpo. Morena e de cabelos liso e compridos, Rebecca é claramente bonita, e apesar de jovem, ela já tem aparência de uma mulher adulta, isso a irrita um pouco, mas é algo que a convém em determinadas situações, como para ir às baladas.


No fim ela escolhe dez peças: Três vestidos longos: um floral, azul escuro, com as alças caídas e uma leve transparência do joelho para baixo; um preto com rendas na parte de cima; e um branco com duas camadas, com flores em tons diferente de azul, com uma fita para marcar a cintura e um decote em V avantajado. Uma jaqueta jeans, lavagem clara, estilo boyfriend. Três vestidos curtos, um xadrez, outro todo branco com detalhes em crochê na alça, e um último listrado, que se ajusta ao corpo. Um short jeans com detalhes de rosa, uma calça jeans skin azul escuro, com detalhes de dois zíperes e para terminar, um novo roupão.


– 1.017,51. – diz a atendente.


Sim, Rebecca assume que tinha exagerado um pouco, mas esta não seria sua compra mais cara, então ela dá de ombros.


Rebecca entrega à atendente o cartão de crédito que seu pai lhe deu no ano passado como presente de aniversário. Rapidamente a atendente dá a maquininha de cartão para que Rebecca insira a senha. A garota o faz e espera, porém logo vê o olhar incomodado da atendente.


– A transação não foi aceita. – a atendente diz sem graça.


– Faça novamente. – Rebecca diz rapidamente, não quer que ninguém ali a veja nessa situação. O cartão novamente é inserido na máquina e novamente Rebecca digita sua senha, desta vez mais vagarosamente, pois quer ter certeza que não a errará.


Assim que a atendente volta novamente seu olhar a Rebecca, a garota percebe que mais uma vez deu erro, mesmo sem que a moça que a atende tenha dito nada.


Rebecca sorri amigavelmente, para tentar esconder o susto e vergonha que está sentindo.


– Eu vou fazer uma ligação, e já retorno. – ela diz.


Rebecca deixa as compras e o cartão no caixa, e não vai muito longe, apenas chega a um canto mais isolado da loja.


Ela liga para o escritório do pai, mas ninguém a atende. Então ela liga para o celular do pai.


– O que foi Rebecca? – ele a atende sem muito carinho.


– Meu cartão não está passando. – ela diz desesperada. – Faça alguma coisa. – ela ordena.


– Quanto deu? – ele pergunta.


– R$ 1.017,51. – ela responde.


– Mas que caramba você andou comprando? – o pai pergunta bem alterado.


– Roupas. – ela responde estranhando o tom do pai, ele nunca a repreendeu assim, principalmente só por ela estar fazendo umas comprinhas.


– Mas que roupa é essa? É bordada em fios de ouro por acaso?


– Não, pai. São várias peças, e são lindas. – ela diz animada.


– Deixe isso aí, você não precisa de mais roupas.


– Pai, eu só preciso que você olhe com o banco o que está acontecendo, pare de ser chato. – ela fala, já sem paciência.


– Eu não vou olhar nada em lugar nenhum, você que vai devolver essa compra e vai voltar para casa. – o pai praticamente berra do outro lado da linha. – E é agora! – ele ordena.


– Pai, porque o senhor está fazendo isso comigo? – ela pergunta confusa, algo de errado deveria estar acontecendo, seu pai está claramente fora do seu normal. – Eu não posso fazer isso, o que vão falar de mim? – ela o indaga.


Rebecca sempre frequentou esta loja, todas suas amigas frequentam ali. Ela já conhece todos os funcionários e sabe sobre as fofocas que rodam por essas araras. Se ela devolver as compras, ela tem certeza que o seu cartão recusado será o mais novo assunto.


– Rebecca, eu não tenho paciência para suas meninices. – ele não grita, mas ainda tem um tom raivoso em sua voz. – Faça o que eu disse. – ele ordena e desliga o telefone sem se despedir.


Rebecca se desespera.


O que fazer agora? Sair deixando tudo para trás, inclusive o cartão? Voltar ao caixa e dar uma desculpa? Tentar mais uma vez, quem sabe agora o cartão passa? Quem sabe o pai estava apenas a brincar e ele vai ligar para o banco para resolver a sua situação?


Respire, Rebecca.


Rebecca decide voltar ao caixa e tentar dar uma desculpa.


Assim que retorna ao caixa, Rebecca lança seu melhor sorriso, e com a voz calma e gentil diz.


– Meu cartão deu um pequeno problema, creio que seja no chip, tem como você guardar minha compra? Meu pai irá passar aqui para pagar até o fim do dia.


A atendente assente gentil, e devolve o cartão para Rebecca.


A garota sai da loja sem saber se seu disfarce deu certo, nesse exato momento o nome dela já pode estar correndo pela loja, mas existe uma possibilidade de que sua desculpa tenha funcionado, a probabilidade é pequena, ela sabe, ela já escutou nomes importantes virarem chacota naquela mesma loja por muito menos, porém sua educação com a atendente poderia ser o diferencial; e para garantir isso, ela teria que convencer o pai a pagar as roupas antes que a loja feche. Como já se passa das duas da tarde, ela não tem tanto tempo assim.


Rebecca não vive longe da loja, um quarteirão é tudo que separa o apartamento de luxo que ela vive com seu pai, da avenida em que lojas de moda se espalham, e, ao contrário de sua melhor amiga, Sara, Rebecca ama andar pela cidade, nada de táxi ou limusines, se a caminhada não for muito pesada, ela não se importa de ir a pé.


Assim que chega ao apartamento ela procura por seu pai, e o encontra na sala. Rebecca pensa em já chegar ordenando que ele se explique, porém, antes que possa falar algo, ela nota que na mão do pai há um copo cheio com o que ela crê ser Vodka e isso a paralisa.


Quando a mãe de Rebecca morreu, há oito anos, o pai da menina entrou em depressão e como forma de aliviar sua tristeza, ele recorreu à bebida. Foram noites e dias penosos para garota. Bêbado ele ficava violento, nunca chegou a agredi-la fisicamente, mas isso se dá graças aos funcionários da casa, como sua antiga babá, o motorista particular do pai, a cozinheira e a faxineira, que sempre tentavam protegê-la. Foram mais de três anos de penúria até que ela finalmente conseguiu convencê-lo a procurar ajuda.


Seu pai sempre se mostrou orgulhoso de ter se recuperado, e há pouco ele tinha comemorado dois anos seguidos sem colocar um pingo de álcool em sua boca. Mas hoje...


– Pai, o que está acontecendo? – Rebecca pergunta. No fundo ela tem esperança que seja só um copo, afinal de contas, dois anos de controle é um bom tempo, ele não seria capaz de jogar isso fora, seria?


O pai de Rebecca a olha nos olhos e sorri grande para ela, mas o sorriso dura pouco, pois sem motivo aparente ele começa a chorar.


A menina não entende o que está acontecendo e teme descobrir o que se passa, seria outra morte? Talvez de sua avó, que morava longe, mas claramente era muito amada tanto pelo seu pai quanto por ela... 


Rebecca se aproxima do pai, e o abraça de lado. De início o pai aceita o carinho da filha, mas logo depois se esquiva, se levantando abruptamente do sofá e com pouco equilíbrio se pondo de pé.


 – Pai, eu posso te ajudar, você não precisa disso.  – Rebecca diz ao se levantar e tentar tirar o copo da mão de seu pai. Porém ele não aceita e quase empurra a filha para defender seu copo de bebida. Naquele momento a garota percebe que está perdendo o pai para o álcool novamente. O pavor domina sua mente. 


Tudo menos isso! - ela repetia constantemente em sua mente.


 – Você não pode ajudar, você só pode atrapalhar, só isso!  – com a voz claramente embriagada ele diz.

 – Você pode voltar para a clínica, eu juro que não conto para ninguém.  – a menina insiste.


 – Que clínica, garota?  – ele se vira para a filha e berra.  – Não tem clínica, não tem nada, acabou tudo! Estamos falidos… Falidos!


Rebecca não podia acreditar no que o pai dizia… Ela sabe que não deveria desejar algo assim, mas ela queria que seu pai estivesse muito, mas muito bêbado mesmo, e que tudo que ele dizia fosse delírios de sua mente embriagada.


Para que não ficassem dúvidas, Rebecca não perde tempo e corre até seu quarto para pegar seu Ipad, lá ela entra no aplicativo de seu banco e, ao ver o seu saldo, ela se senta a cadeira para que não caia direto ao chão. Trinta reais e nada mais..


Não concordando com aquilo, Rebecca decide entrar na conta do pai, ela sabe a senha dele, então nem mesmo precisa sair do lugar. Rebecca se choca ao ver que o estado da conta do pai está pior do que a dela, apenas doze reais.


As mãos de Rebecca tremem e seus olhos embaçam, ela começa a chorar compulsivamente. Mesmo vendo os números, a garota não consegue crer que isso realmente está acontecendo. Seu pai deve ter alguma outra conta, uma conta escondida, e nesta conta deve haver muito dinheiro, dinheiro suficiente para salvá-los.


Rebecca volta à sala, mas não encontra o pai.



Desesperada ela percorre todo o apartamento, e a cada cômodo vazio, mas cheio de tristeza, ódio e desespero, seu coração fica. Não há nenhum funcionário, não há mais ninguém ali. Ela está totalmente sozinha.


O seu mundo está caindo, ela não sabe como agir, não sabe onde está seu pai, não sabe como chegaram a este ponto, não sabe como será o amanhã...





Capítulo de Secrets surpresa para vocês, espero que gostem, na quarta-feira teremos mais ;)


quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Capítulo 2: O Segredo de Sara (Pare 2) - (Secrets)

Os dois passam a tarde a conversar, e apesar de Heitor deixar bem claro que não queria que ela fosse para o caminho errado, mas apenas que ela se libertasse, ela acabou bebendo um pouco, apenas para se sentir mais relaxada. Heitor a acompanhou.


No início os assuntos saíram mecanicamente, eles não tem muita coisa em comum, e o longo relacionamento de intrigas não permitia que as conversas fluissem, contudo, aos poucos eles acham pequenos assuntos que rendem e faz com que o momento juntos se tornasse mais agradável.


Quando o sol se põe, eles decidem sair e irem a um barzinho. Lá os dois dançam até não mais sentirem os pés e acabam bebendo até não mais conseguirem pronunciar seus nomes propriamente.


Sara se diverte como nunca, ela sentia falta disso. Desde os 15 anos ela sempre aproveitava os fins de semana nas melhores e mais caras boates da cidade. Bebia muito e tudo utilizando sua carteira de identidade falsa. Isso tudo sem seus pais nem mesmo desconfiarem, o que não era uma tarefa difícil, dado a pouca atenção que ambos davam a ela.


Já é madrugada quando eles decidem pegar um táxi para voltarem para casa, mas Heitor, num último surto de consciência, decide levar Sara para casa onde vive com seus avós e seu irmão, pois sabe que se a moça chegar na casa dela nesse estado, caso os pais dela estivessem por lá, poderiam não gostar.


Sara argumenta, ou pelo menos tenta argumentar, dizendo que os pais nem mesmo a veriam e que não prestariam atenção nela, contudo ela está muito alterada para conseguir convencer ao cunhado. Heitor dá apenas o seu endereço ao taxista.


Um praticamente carrega um ao outro para entrar na casa. Como já é madrugada, não há muitos funcionários ali, apenas alguns poucos seguranças, que não deixam de perceber a cena, mas em respeito, não dizem nada (apesar de que provavelmente falarão sobre isso nos bastidores da mansão); e uma faxineira que já deve estar repousando no pequeno quarto dos fundos.


Se Sara estivesse apenas um pouco mais sóbria, ela entraria em desespero, tentaria comprar o silêncio dos funcionários e faria de tudo para que nada daquilo saísse dali, ela jamais permitiria que esse assunto corresse o risco de chegar aos ouvidos de Ricardo, mas este não é o caso agora.


Ao mesmo tempo em que o pouco número de funcionários trabalhando na casa é bom, pois assim quase ninguém presencia esse momento lamentável, é ruim, pois não há ninguém que possa ajudá-los a chegar a algum lugar, ou impedi-los de fazer mais alguma bobagem…


Bêbados demais para irem muito longe, ambos se jogam no chão da sala de estar.


Sara ri do seu estado e Heitor a acompanha.


– Eu sentia falta disso. - ela assume.


– Isso é tão errado. - Heitor lamenta. – Mas você é bem melhor assim… Quando não tenta ser perfeitinha. Sendo uma santinha você fica chata, mas assim, se divertindo…- os dois se entreolham intensamente.


Heitor já sabia desse lado de Sara, ele já havia visto ela em bares e boates antes dela começar a namorar seu irmão, mas esta é a primeira vez que Sara vê a Heitor dessa maneira, e ela não pode negar: ela também amou este lado dele.


– Eu realmente gosto do seu irmão… Mas eu não sei exatamente o porquê. - ela enfim confessa.


– Meu irmão gosta de você. - Heitor diz. – De verdade… Me desculpe pelo que eu falei hoje cedo, sobre ele aparentemente não gostar de quem você é …- Sara agora fita o teto da sala. – Eu aposto que ele não ligaria de você sair com suas amigas ou usar roupas curtas ou maquiagem forte se não fosse meus avós.


– Você nunca se curvou às regras de seus avós.


– Quando meus pais morreram eu já tinha 11 anos, minha mãe sempre fez de tudo para que eu e meu irmão tivéssemos toda a liberdade que ela não teve por causa dos meus avós. Eu fui criado livre, nada de igreja todo fim de semana, regras para vestimenta, regras de como falar, de como agir, do que ser, do que pensar… Nada disso! Eu tive isso por 11 anos, eu tive a chance de criar meus próprios desejos, pensamentos, personalidade… Eu não bebo por causa de rebeldia, é frustração, porque eu não só perdi meus pais, eu também perdi minha liberdade completa, quem eu era… Já o Ricardo não, quando eles morreram ele tinha só 4 anos, tudo o que ele sabe sobre nossos pais é o que eu conto. O trauma de perdê-los foi tão grande que ele apagou praticamente tudo o que viveu antes dos 4 anos de idade da mente. - Heitor faz uma pausa, ele começa a chorar e Sara se aproxima dele numa tentativa falha de consolá-lo. – Para Ricardo a realidade que nossos avós o impuseram é a que existe, ele realmente foi criado assim, ele não experimentou a liberdade que eu experimentei… Já se fazem 14 anos, mas eu nunca superei, e eu nunca esquecerei. - Ele suspira entre as lágrimas.


– Porque você continua aqui? Se te faz tão mal? Você já é maior de idade, pode seguir sua vida… - Sara pergunta olhando fixamente para Heitor, que desvia o olhar, envergonhado.


– Parece bobo, e talvez seja, mas… Eles são tudo o que eu tenho… Meu irmão e meus avós… Sem eles eu não tenho mais ninguém. - ao terminar de falar Heitor toma coragem para olhar para Sara, que o olha com compaixão, algo que surpreende até mesmo a ela, que não consuma ter esse tipo de sentimento.


Eles ficam em silêncio por alguns segundos, apenas se olhando. Sara toma a iniciativa e o abraça. Heitor retribui.



– Porque você me aconselhou a soltar meu cabelo? - Sara pergunta após o fim do abraço. Heitor parece não entender sua pergunta de primeira. Apesar de manterem uma conversa, ambos ainda não estavam sóbrios. – Hoje cedo, quando você…


– Porque eu sei que você gosta dele solto. - Heitor a interrompe, respondendo sua pergunta. Logo após ele soluça.


– E como você sabe disso? - insiste.


– Antes do meu irmão… - ele a fita e sorri fraco. – Você sempre usava ele solto.


– Seu irmão não gosta do meu cabelo solto. - lamenta.


– Ele é besta. Você fica bem melhor com ele solto. - Heitor garante.



Mais uma vez o silêncio impera. Sara sente que deve retornar para sua casa, mas seu desejo é de continuar ali, junto a Heitor.


Heitor se mostra ser o típico bêbado carente e novamente se acomoda num abraço com Sara, que não reluta em tê-lo em seus braços.


Se você perguntar a Sara, ela dirá que não sabe como chegou àquele ponto, talvez seja a falta de comida no estômago, combinado com o excesso de álcool nas veias, se quiser, pode levar em conta a saudade que ela sentia dessa liberdade, junto com o momento honesto e sensível que ambos acabaram de trocar, mas talvez, só talvez, o fator determinante fosse o quanto ela desejava que alguém tocasse seu corpo.


É algo errado, pecado, mas ela não irá parar.


Assim que separam o abraço, ambos continuam próximos um do outro, próximo demais... Os olhares se intensificam. Heitor já não chora e o olhar de Sara não demonstra mais compaixão, mas sim desejo. A proximidade diminui e em questão de segundos seus lábios tocam ao de Heitor de maneira feroz, seus corpos se conectam numa dança perigosa, a pele quente e suadas dos dois mostra o quanto eles se jogaram nesse ato de traição.


Naquele momento nenhum dos dois se importaram com funcionários ou familiares, nada os parava. Apenas o desejo e a loucura consumia os dois.


Quando termina, ambos se jogam ao chão, nus, ofegantes e ainda em êxtase. Não há mais volta.


Após o ato consumido, após a respiração normal restaurada, e agora que o frio volta a tocar suas peles. A consciência pesa.


Meu Deus, o que fizemos?






segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Capítulo 2 - Confronto entre Agentes (A Origem de Lincoln Campbell)

A última missão havia sido um fracasso, nem Rosalind nem o presidente estavam satisfeitos com o que estava acontecendo. Ao mesmo tempo em que o time liderado por Luther Banks, um homem branco, careca, com feição séria e carrancuda, que é antigo amigo de Rosalind nos seus tempos de serviços no FBI; estava a cada dia resgatando mais e mais humanos modificados, contendo-os, impedindo que eles se tornassem uma grande ameaça a população geral e lhes dando a oportunidade de serem salvos num futuro, se possível, próximo; o número de corpos encontrados com um buraco no meio do peito, demonstrava que o projeto estava falhando, e isso não poderia continuar desta maneira.


Um dos privilégios do novo cargo foi uma lista atualizada de informações consideradas as mais sigilosas de todo o governo. Uma delas, em questão, fez o estômago de Rosalind contorcer, Coulson estava vivo, ele foi trazido de volta a vida por ordens de Nick Fury. Ela não estava triste por isso, mas saber que um recurso como este existe e o mesmo nunca foi apresentado ao restante do mundo, que nunca foi apresentado a seu marido, a machucou...


Focando, porém, na parte que realmente importa, Rosalind sabe que Coulson está por trás dos humanos modificados que ela não foi capaz de salvar, sabe também que o mesmo coordena a SHIELD, mesmo a agência sendo considerada extinta pela população em geral. Rosalind não sabe quais são as intenções de Phill Coulson com os humanos modificados, mas sabe que ele parece ter muito interesse nessas pessoas, e estava constantemente a atrapalhando em capturá-los. Rosalind também sabe que ele sabe sobre a U.A.C.A. e consequentemente sobre ela e tem consciência de que o mesmo estava investigando-a.

– E o que você pretende fazer? - Luther a questiona.

– Deixarei que ele me investigue. - responde. – criarei uma rotina pelas próximas semanas, com uma brecha em que ele poderá se mostrar para mim, mas claro, nesse momento preciso ter uma pequena equipe na retaguarda, sempre em disfarce, para me proteger e contra-atacar, caso seja necessário. Quero surpreendê-lo. Quando ele achar que me pegou, na verdade eu o terei pego.

– E se ele desconfiar? Perceber que é uma armadilha? - Luther sabe do prestígio que Coulson tem e duvida que um plano tão simples pode funcionar.

– Phill é um agente excepcional, contudo é sentimental. Seus sentimentos o torna descuidado. Algo me diz que os humanos modificados para ele é muito mais que apenas parte do trabalho. Ele irá cair. - Rosalind não pestaneja.


Sua confiança se torna sustentável mais rápido do que se espera, após dias a fio mantendo uma rotina especial, totalmente planejada para que Coulson aparecesse, o mesmo aparece.

Nos últimos dias Rosalind, religiosamente, pegava a mesma linha de metrô todas as noites, ao fim do seu expediente, o vagão que ela usava, era esvaziado de civis e para distração, agentes disfarçados simulavam serem passageiros. Havia um intenso cuidado para que alguns agentes saíssem ou entrassem no metrô em estações alternadas, evitando que uma ligação entre eles e Rosalind fosse detectada. Hoje, porém, havia a presença de dois intrusos. Coulson, de meia idade e cabelos ralos e castanho escuro, sua feição é dócil mesmo quando ele está sério, olhos escuros e sem barba;  e um homem de estatura mediana, cabelos loiro escuro, de cavanhaque e feição séria. Os dois homens, agentes da SHIELD, simulavam não se conhecerem, assim como Rosalind e os outros 12 agentes disfarçados dentro do vagão.

Luther tinha dificuldade de acreditar que o tão famoso e estimado Coulson poderia agir de forma tão amadora. Como ele trouxera o reforço de apenas um agente? Rosalind é uma boa espiã, tem boas técnicas de combate, ela poderia derrotá-los numa luta, talvez não sem muito esforço, mas ela poderia escapar dos dois se assim desejasse.

Enquanto Rosalind simula estar respondendo a emails em seu tablet, sentada sozinha em um banco do metrô, Coulson decide interceptá-la. Ele e seu outro agente se levantam e caminham até Rosalind, que ao percebê-lo se aproximando, não esboça nenhuma surpresa.

– É uma pessoa difícil de localizar. - Coulson diz num tom seguro, porém discreto, ele claramente não quer causar alarde entre os outros passageiros.

– É sério? - Rosalind ironiza. – Pois localizá-lo não foi problema nenhum. - nesse exato momento os "passageiros" do metrô se revelam agentes, apontando suas armas em direção aos dois agentes da SHIELD, deixando-os sem ter como fugir.


Enquanto os seus agentes disfarçados algemam Coulson e o outro agente da SHIELD, que agora ela sabe que se chama Hunter e que se trata de um britânico com um humor bem ácido. Rosalind inicia sua conversação.

– Eu teria enviado um carro, mas, então, teria desconfiado de alguma coisa, Sr. Coulson.

– E como é que lhe devo chamar? - Coulson não reluta, parece inclusive bem tranquilo com toda a situação, mesmo estando cheio que agentes armados, preparados para qualquer ação dele. – Senhora Kinley? Senhora McBride? Tantos nomes falsos, por onde escolher...

– Me chame de Rosalind.

– Rosalind... Sei que é esse o nome que utilizou na NASA.

– Na NASA, eles têm o hábito de utilizar apelidos, na verdade. - a agente não tem pressa em tirar a verdade de Coulson, ela sabe que tem o controle da situação e que o fará falar quando quiser. – Toda essa história de mentalidade do exército está tão profundamente enraizada.

– E, de alguma forma, você parece estar ligada ao Departamento de Defesa...

– A Exploração Espacial e o Departamento de Defesa já não trabalham separadamente. - explica.

– E também não gostam de compartilhar informações... Você tem a tendência de desaparecer, e depois materializar-se no interior de uma agência rival. Sinto que estou falando com um fantasma.

– E eu estou a falar com um cadáver. - Rosalind não hesita e Coulson parece surpreso, pela primeira vez desde que começaram a conversar. – Você não é o único que fez suas pesquisas.

– Parece que não mesmo. - Coulson concorda.

– Aos olhos do público, a SHIELD já não existe. E você foi morto muito antes da agência para a qual trabalhava ter sido encerrada... Mas, ainda assim, ambos ressurgiram das cinzas... Se eu não estivesse tão intrigada, estaria aterrorizada.

– Sinto que nada a assusta. - Coulson retruca.

– Não é verdade. - Rosalind confessa. – Mas, certamente, não me sinto intimidada pelo fato de ter andado a vigiar o meu caminho habitual para casa, recorrendo a técnicas de intimidação do KGB.

– Eu não saberia disso. Não passei tanto tempo como você a trabalhar com a Contra-inteligência Russa.

– E eu não passei tempo algum no Tahiti, embora tenha ouvido dizer que é um lugar mágico. - novamente Rosalind pode perceber que surpreende Coulson com uma informação que deveria ser confidencial. – Vamos concordar que nós dois apreciamos um bom segredo, embora os meus aparentem ser insignificante perto dos seus

– Tem que acompanhar os tempos, Roz. Você não vai querer ficar ultrapassada - Coulson mostra o seu humor.

– Por isso que eu planejo prendê-lo... Para que isso pare de acontecer.

– Temos duas equipes em posição na próxima parada, senhora. - Luther informa a Rosalind.

– Isso é uma equipe para cada um de nós. - Hunter, que até então se mantivera bem quieto, destaca o óbvio. – Mais uma vez, matemática.

– Eu espero que possamos continuar a nossa conversa num local mais íntimo. - Rosalind ignora a intromissão de Hunter.

– Terei prazer em responder a qualquer pergunta que venha ser necessário para você, o encerramento não me parece ser necessário.

– Muito gentil da sua parte ser tão acolhedor, mas então, me diga. Onde você está a escondê-los? - Rosalind se levando do banco do metrô e se aproxima mais de Coulson. – Estes humanos modificados são uma ameaça, e eu fui encarregada de neutralizar essa ameaça.

– "Custe o que custar" parece ser a frase que vem a seguir. - Coulson a interrompe. – E para quem você trabalha?

– Senhor Coulson, são os outros que respondem a mim... As leis da natureza mudaram, e até que as leis humanas façam refletir isso, apenas poderemos fazer aquilo que nos parece correto.

– Creio que concordo. - ele responde.

– Eu sei que você concorda.Então... compreendo o rastro de corpos que anda deixando para trás. Os mortos não me interessam. Quero aqueles que você protege.

– Mortos? Eu não matei ninguém. - Coulson parece realmente confuso. – Tivemos desaparecimentos antes que pudessemos protegê-los.

– Então como você me explica os cadáveres que encontramos atingidos por algum tipo de arma energética?

– Não foi a SHIELD! - garante.

– Nem nós. - Rosalind responde.

– Ainda estamos a ser cautelosos e ironicos ou, de repente, estamos sendo honestos? - Coulson pergunta.

– Se você não está matando aqueles indivíduos, então, quem está? - Rosalind sente um leve medo pelo desconhecido.


Os celulares de Rosalind e Coulson começam a tocar no mesmo instante.

– Se nós dois estamos recebendo uma chamada, então acho que sabemos do que se trata.

– Me dê licença. - Rosalind irá atender a ligação; para isso ela muda para o outro vagão, garantindo a privacidade que necessita para o assunto que provavelmente trataria. Por mais que os dois agentes da SHIELD estejam cercados e, ao que tudo indica sejam inocentes a respeito dos cadáveres, ela ainda quer manter as informações em sigilo.

A notícia não podia ser pior, um dos humanos modificados atacara um hospital, e deixou o local destruído. Se não bastasse isso, outros dois humanos modificados também foram avistados no mesmo complexo hospitalar.

Rosalind não tem muito tempo para arquitetar um plano para tentar capturar os três humanos antes que fosse tarde demais, pois um barulho vindo do vagão em que ela estava a conversar com Coulson chama sua atenção e quando ela retorna ao mesmo percebe que os dois agentes, de forma inexplicável, conseguiram fugir.





Olá, espero que todos tenham tido um bom feriado, venho com mais um capítulo de A Origem de Lincoln Campbell, para aqueles que já assistiram a série, podem perceber que as falas foram tiradas do próprio episódio e será assim que pretendo fazer nessa história, contanto o que vimos e o que não vimos ser retratado na série. 
Espero que gostem, amanhã tem mais postagens, então, não sumam ;)
bjsss
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