terça-feira, 21 de novembro de 2017

20. Ligações Perigosas

A conversa com Sara havia sido complicada para Rebecca. A menina tentou fazer com que a ameaça sofrida por Sara fosse o único assunto, mas assim que Sara chegou a uma solução: confrontar a empregada, Eleonora, a amiga se acalmar e varias perguntas foram feitas, e a garota teve grande dificuldade para arranjar respostas:
                “Porque você não a aula hoje?” – Sara perguntou.
                “Eu não estava me sentindo bem”. – respondeu.
                “Seu pai está bem? Ele parecia um pouco estranho quando entrei...”.
                “Ele também está mal... Na verdade ele está se recuperando de uma virose, acho que ele passou algo para mim”.
                “Você irá fazer algo para seu aniversário? Falta tão pouco tempo e você ainda não falou nada”. – e foi nesse momento que Rebecca sentiu seu corpo enrijecer, com todos os problemas que ela está enfrentando, ela se esqueceu de algo simples, mas muito importante, seu aniversário.
                Geralmente Rebecca contrata uma organizadora para produzir sua festa de aniversário. Todas as festas de sua vida foram grandes, exorbitantes: bolos gigantes, super atrações, salão de festa, buffet caríssimo... Tudo que o que ela quisesse; tudo de melhor que o mundo pudesse oferecer; tudo que o dinheiro pudesse pagar. O problema é que agora Rebecca não sabe nem se conseguirá comprar um Cup Cake em uma loja qualquer.
                “Acho que desta vez não farei nenhum festa.” – ela disse.
                “Com assim não? Está acontecendo algo mais?”
                “Não, claro que não, só não quero fazer uma grande festa dessa vez, acho que percebi que isso é algo não tão necessário na minha vida... Sério, na maioria das vezes chamamos pessoas que nem gostamos muito...”.
                “Para mostrar para elas o quão divas nós somos”. – Sara a interrompe.
                “Eu sei, mas...”.
                “Rebecca, eu não creio que você está fazendo isso... Quer saber, já está muito encima da hora para fazer sua festa, então você fará sua festa junto com a minha, será algo único e lindo e será grande e perfeito.”
                “Você... Fará uma festa para você nesse ano?”
                “Claro que vou, em breve estarei livre disso que tem na minha barriga e eu serei livre para fazer a maior festa de aniversario já feita no mundo inteiro.” – Sara sorri e Rebecca tenta acompanhar, mas não consegue, pois ao contrário da amiga, ela não vê uma saída para sua situação atual.
                Assim que Sara foi embora de seu apartamento, Rebecca põe-se a pensar sobre suas opções. Sobre a festa não tinha mais jeito, ela não tinha como organizar algo decente e muito menos dinheiro para isso. Ela teria como pagar sua matricula, mas não conseguiria comprar seu material escolar, o que a faria ser expulsa novamente. A última opção seria a mais fácil e difícil de fazer ao mesmo tempo, não voltar para escola e utilizar o dinheiro que sobrou para manutenção da casa, como pagar as futuras contas e manter a geladeira abastecida. Porém, se escolher a última opção, Rebecca estará fadada a ser descoberta, todos saberão que seu pai está falido.
                Lucas estava fora de cogitação, a última conversa que teve com o garoto deixou isso bem claro. Ele agora tem nojo dela e não a chamará mais para trabalhar com ele. Para manter as aparências Rebecca tinha apenas uma opção, a pior, a mais humilhante, mas a única.
                Ela toma um longo banho, se preparando mentalmente para o que ela poderia vir a enfrentar. Não se esforça muito para encontrar uma roupa.
                Mesmo sabendo que deveria economizar, Rebecca chama um táxi. Transporte público ainda não é uma opção para ela.
                Assim que entra no local, Rebecca põe sua máscara e respira fundo antes de adentrar ao salão. Assim que a vê, Virginia vai até seu encontro e não parece gostar muito de tê-la ali.
                – Pensei que tínhamos um acordo. Você não voltaria enquanto não se tornasse maior de idade. – Virginia a puxa para o corredor novamente, longe da vista dos clientes.
                – Pensei que você gostasse, você disse que os clientes gostam...
                – Meus clientes ainda vão aparecer sem menores de idade por aqui, a questão é que com você aqui eu corro o risco de ser presa.
                – Eu preciso do dinheiro.
                – Então procure um emprego.
                – É o que eu estou fazendo.
                – Isso aqui não é um emprego para você... Eu te ajudei da última vez, escolhi um cliente que eu sabia que não a machucaria, mas eu não vou ficar passando a mão na sua cabeça, se você insistir em voltar, eu não garanto que o seu próximo cliente será gentil. – Rebecca pondera, mesmo com os avisos de Virginia, ela não sabe o que esperar.
                – Eu preciso do dinheiro. – insiste.
                – É por sua conta e risco, garota. – Virginia a alerta pela última vez.
                – Eu já me decidi. É o que eu quero.
               
                Lucas passou horas olhando para aquele número no papel, sua mente trabalhava em várias hipóteses, explicativas que livrariam a irmã de ser uma traidora, mas é claro que a coceirinha na ponta da orelha não o deixou. E se no fim das contas a irmã tivesse armado para ele? E se todo o seu desespero fosse encenação? Ou até mesmo arrependimento. Será que ela também havia sido enganada?
                Lucas tenta lembrar-se da noite do acidente, ele se lembra de ter trancado a irmã no banco de trás do carro, ele não ficou observando-a para ver se ela ligou para alguém ou se havia se comunicado com alguém de alguma maneira. Ele apenas dirigiu e ignorou seus protestos e desespero. Mas aquele era o número dela, disso ele não tinha dúvidas, e se está no papel é porque aconteceu.
                O garoto disca para o número que se comunicou com a irmã, mas desliga a chamada antes que faça uma besteira. Talvez falar com Jade fosse uma ideia melhor, confronta-la seria algo mais direto, ele teria as respostas que precisava e ela não teria como fugir, mas... Ele tampouco teve coragem, logo ele, que nunca temeu nada, que nunca titubeou, agora não tinha audácia suficiente para falar com a irmã mais nova.
                Ele decide novamente discar o número. Poderia ser arriscado, dar um tiro no próprio pé, ligar para o número marcado no papel, mas seria mais fácil confrontar quem quer que seja pelo celular do que ir até o quarto ao lado e colocar a irmã contra a parede.
                Duas chamadas é tudo o que precisa para que a ligação seja atendida e assim que Lucas escuta o ‘alô’ do outro lado, ele sente arrepios. Ele deve estar enganado. Isto não fazia nenhum sentido.
                – Ricardo? – ele diz no susto, sem querer acreditar que a ele tenha sido dirigido o telefonema de sua irmã e muito menos que tenha sido ele a fazer denuncia do acidente.
                – Sim, eu mesmo, com quem eu falo? – Ricardo confirma e Lucas desliga a ligação sem conseguir dizer nenhuma palavra, nem mesmo respirar direito ele consegue. O choque é grande demais, só não maior do que a falta de entendimento sobre o que acabou de acontecer.

Continua




Peço perdão pelo meu desaparecimento, a união de projetos paralelos, trabalho, mais estudo para o Enem, me deixou sem tempo para escrever ou posta algo, ainda assim eu espero que tenham gostado do capítulo.
Bjsss


Mirela: Não precisa pedir desculpas, lhe agradeço demais por sempre tirar um tempinho para ler minha história e comentar. Agora fiquei curiosa para saber suas teorias kkkkk, mas espero poder lhe surpreender em alguns pontos. BJss