domingo, 26 de julho de 2020

1. You Are (parte 1)




“No momento em que a vi pela primeira vez eu tive a certeza que eu tinha encontrado a pessoa certa. Não, não estou falando que foi amor à primeira vista, afinal já estávamos conversando pela internet havia um bom tempo, a sua insegurança conseguia ser maior que a minha, e não a julguei por isso, há tantas histórias com fins desastrosos, trágicos,  é difícil confiar assim, 100% em alguém que você conheceu virtualmente. Contudo aquele encontro serviu para que eu percebesse que a partir daquele momento você sempre estaria na minha vida, nem que fosse apenas uma amizade, aquele seria um encontro de muitos que ainda viriam. 
No final eu não estava errado, três meses após nosso primeiro encontro eu já estava te pedindo em noivado, sempre fui ansioso, e como tinha toda a certeza de que era você quem eu sempre esperei, não enrolei ao me ajoelhar na sua frente e declarar-me. Você sorria, seus olhos castanhos que na luz do sol brilham e ficam cor de mel, estavam marejados, você sempre foi assim, emocionada até demais, não é necessário muito para te fazer chorar, assim como não é tão difícil te fazer gargalhar. 
Você aceitou.
Primeiro você me conquistou com sua conversa animada. Suas mensagens sempre eram positivas e você sabia o que me dizer nos momentos certos, eram quase um contrapeso a mim, que sempre fui muito reclamação. Você me obrigava a ser mais positivo, a olhar o lado bom das coisas que eu achava ruim. Nem sempre funcionava, mas amenizava muito essa minha negatividade. Depois quando te vi ali, ao vivo, de perto, não vou mentir. Não preciso mentir! Você conseguia (e ainda consegue) ser mais linda ao vivo. Fotos ou chamadas de vídeo não lhe fazem jus. Seu cabelo castanho levemente ondulado que vai até os ombros, suas tímidas sardas ao redor do nariz, sorriso largo, dentes perfeitos, filha de dentista, tem uma mania até meio neurótica com os cuidados com dentes; eu não sou alto, você também não é, isso facilitou bastante as coisa para gente; com traços naturalmente delicados… Você é perfeita do jeitinho que você é, com seus vestidos floridos, de todos os tipo, longos, curtos, com manga, rendados, bordados… Flores são sua paixão, por isso posso dizer que nunca errei um presente, bastava passar numa floricultura, das flores mais simples até as mais frondosas, você gosta de todas. 
Você trabalha com arte, na galeria que você trabalha, um quadro (do qual não faz muito sentido para mim) pode custar três vezes o meu salário do mês. Você sempre ri quando falo que vou comprar uma tela em branco e jogar tintas de cores aleatórias e tentar vender, ficar rico; depois de rir você diz que eu deveria tentar, pois aqueles riscos que para mim seriam aleatórios podem dizer muito sobre o que sinto, revelar o que guardo por dentro. Talvez um dia eu o faça, e espero que você possa ver o quanto eu te amo.
Meu trabalho não exige muita imaginação, ou o aflorar do sentimento como o seu, conserto computadores, celulares, TVs, algo mecânico, o que me move é a curiosidade do algo novo, uma nova tecnologia, procurar resolver um enigma, descobrir com precisão um defeito e consertá-lo. Mundos diferentes, mas nos complementamos, não há disputas sobre qual é a melhor visão, quem está certo, quem tem razão, as diferenças não sobrepõem nosso amor. Simples assim, somos um para outro e assim sempre seremos...” 
Palmas solitárias ecoaram pelo pequeno quarto.. 
– Cara, ela vai adorar. – Carlos é um gordinho, moreno, com cabelo cacheado que vai até um pouco abaixo de sua orelha. Meu amigo de infância, crescemos na mesma rua, quem nos via sempre juntos poderia até cogitar a possibilidade de sermos irmãos ou primos, mas as diferenças físicas eram gritantes. Carlos desde pequeno era gordo e baixo, já eu parecia ser alto, pelo menos quando comparado a ele. Magricelo, com braços finos e dois gravetos como perna, branco feito leite. Hoje nós dois parecemos bem menos bizarros, continuo branco feito leite, mas não sou mais tão magro, não pareço tão desengonçado como antes, tive azar de crescer apenas até os 12 anos, o que pouco a pouco me tornou o mais baixinho, já Carlos cresceu até os 15. Frequentamos as mesmas escolas, passamos toda a infância nas mesmas salas de aula, só nos separamos quando ele foi para faculdade de biologia e eu fiquei no curso de técnico de computação. Ainda assim, três anos atrás eu o procurei para falar sobre ela, sobre nosso primeiro encontro, falar sobre a mulher que em breve chamarei de esposa: Clarisse.
– ficou perfeito. - Carlos encerra as palmas. 
Em conjunto decidimos não escolher muitos padrinhos para o casamento, apenas um padrinho do meu lado, e uma madrinha do lado dela.
– Na verdade eu ainda não tinha terminado. – digo um pouco sem jeito.
– Sério? – agora ele também parece sem jeito. – relaxa cara, tá perfeito, ela vai amar, tenho certeza que ela vai inundar aquele altar, vai por mim. – ele se aproxima mais de mim, segura meus ombros e sorri confiante, tentando passar um pouco da sua confiança para mim. – Só está meio grande. – ri. – eu ainda quero ir para festa hoje. – acabo relaxando e rindo também. 
– Acho que empolguei na escrita dos votos. – confesso. – Há muito a se dizer sobre ela, sinto como se nada que eu dissesse fosse o suficiente. 
– Ah, cara. – ele ri extremamente empolgado. – você muito apaixonado. – gargalha. 
– Eu estou me casando, claro que estou apaixonado. – Carlos se apruma e me olha orgulhoso. 
– Eu estou muito feliz por vocês. - diz. – Sério, vocês serão muito felizes, e como padrinho eu vou testemunhar isso. - nos abraçamos fortemente, ele já estava há pelo menos duas horas tentando me acalmar, o nervosismo e a ansiedade estavam tomando conta de mim, hoje seria um dia importante na minha vida, e eu só queria que tudo fosse perfeito. 

Clarisse havia sido a responsável por planejar tudo, e claro, as flores eram predominantes na decoração, no altar, entre os banco, por toda parte…
A expectativa é imensa, os convidados chegam aos montes e assim como eu, anseiam para ver a noiva. Meus pais se juntam a Carlos na tentativa de me manter sereno, mas tudo some no momento em que escuto a primeira nota da marcha nupcial, ela chegou, ela está vindo. 


– Clarisse Almeida Paes, você aceita o Lucas como seu legítimo esposo?
– Aceito!
– Lucas Augusto Ramos Santana, você aceita a Clarisse como sua legítima esposa? 
– Aceito. 

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