quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Capítulo 9


Somos quatro. Somos uma família.
Uma mãe, um filho, um pai e um tio. Não importa se para mim e para Jonathan o cargo de parentesco seja distinto, mas eu aceito, pois ali, sentado àquela mesa, comendo aquela comida, eu me sinto em família, eu me sinto bem.
_ Tio, você vai passar muito tempo aqui? – Jonathan pergunta e eu demoro a perceber que é comigo, pois por mais que eu ainda não tenho me acostumado com o fato de ser pai, me acostumei muito menos com o fato de que para ele, eu sou tio.
_Apenas alguns dias. – eu digo. _ Isso lhe incomoda? – pergunto, sei que para Nicholas e para Demetria minha presença não é incomoda, mas ainda não sei nada sobre Jonathan.
_ Não, vai ser legal, eu vou lhe encher de perguntas. – ele diz entusiasmado.
_ Ele tem uma obsessão pelo sobrenatural, e como dizem que pessoas que estão em coma costumam ter experiências do além... – Nicholas explica.
_ Ah sim. – digo como quem não quer nada.
_ Você teve? – Jonathan pergunta afobado.
_ Não. –respondo sem hesitar e recebo um chute de Demi na canela, por baixo da mesa, olho para ela e para Nicholas e os dois parecem não gostarem da minha frieza, olho para Jonathan e vejo que ele esta decepcionado. _ Quer dizer... – assim que digo estas palavras vejo os olhos do garoto se iluminarem de esperança. _ eu pensava que eram sonhos, mas agora que você falou... – minto.
_ Sério?! – vejo seu entusiasmo e isso me faz ficar entusiasmado também, percebo que Demetria gosta de como me saio. _ E como foi? O que você viu? Onde você foi?
_ Jonathan, Jonathan... – Demi o interrompe. _ Perguntas apenas após o almoço, deixe-o descansar um pouco. – Jonathan a respeita e assente.

Após o almoço ajudo Demi com os pratos, Nicholas vai dormir, pois está cansado do plantão que deu no hospital, Demetria faz Jonathan ir fazer suas tarefas da escola.
_ Jonathan é um menino muito bom. – eu digo. _ Te respeita melhor do que eu respeitava minha mãe. – ela ri.
_ Eu acabei virando a mãe general. – ela ri e me passa o prato para que eu seque. _ mas tenho meus momentos de mão divertida, você só não pode ver ainda.
_ E eu não duvido disso. – eu digo.
_ Joseph. – Demi olha para os lados. _ Agora que você já sabe a verdade. – ela quase sussurra. _ O que você pretende fazer?
_ Como assim?
_ Você pode fazer o que quiser, você tem o direito de pedir a guarda dele, você tem como provar paternidade ou você pode simplesmente deixar como está.
_ É isso que você quer? – pergunto. _ Que eu siga sendo apenas o tio que acordou do coma. – ela hesita.
_ Me desculpe. – ela pede. _ Eu... Me desculpe. – pede novamente. _ Ele tinha acompanhamento de uma psicóloga quando menor, eu queria ter certeza que toda essa confusão não prejudicasse ele, sobre o pai ter sofrido um acidente, sobre o homem que o criou como pai não ser seu pai verdadeiro, sobre a família ser toda separada... Isso é tudo o que ele sabe, e ele cresceu bem sabendo apenas disso, eu quero conversar primeiro com a antiga psicóloga dele, para ver como é a melhor forma de contar para ele tudo.
_ Então não é para contar agora?
_ Não hoje.
_ Eu tenho quatro dias, Demi, e eu quero ser o pai dele. – digo. _ Eu estou assustado, mas eu quero isso.
_ Eu sei. – ela diz, percebo que ela se sente incomodada com isso.
_ Eu não acredito nisso, você não quer isso, não é?
_ Eu temo por ele, ele se acostumou a uma realidade e agora ela mudará totalmente...
_ Você teme por ele ou por você?
_ Talvez eu tema por mim também ok? Mas se eu falar com a psicóloga e ela dizer que é o melhor para ele, eu não ligo, eu só peço por um dia. Conheça-o primeiro, converse e faça uma amizade, seja tio, depois, quando der, se torne pai.
_ Tá. Que seja. – digo jogando o prato na pia, quase quebrando-o. _ Desculpa.
_ Você precisa descansar. – ela diz. _ Vou te levar para seu quarto.

A casa é de um andar e meu quarto fica no fundo, vejo que é algo improvisado, pois ali, além da cama, tem mesa de escritório e vários eletroeletrônicos.
Eu deito na cama e permito-me dormir, quando acordo já é noite.
Eu ainda não sei o que dizer, muito menos o que fazer, tudo aconteceu depressa demais. Eu tinha muitas perguntas ainda e pela primeira vez eu senti medo.
Eu pego o telefone e faço a ligação que deveria ter feito antes, mas que não fiz, talvez após conversar com minha mãe eu tome mais coragem para falar com Jonathan, meu filho.
É necessário quatro "bips" para que minha mãe me atenda. Sei que ela espera pela minha ligação e escuto em sua voz pura decepção.
_ Você já sabe onde estou? - pergunto.
_ Infelizmente. - ela responde, sua voz sai chorosa.
_ Eu precisava disso, mãe.
_ E por acaso ficou feliz com que encontrou?
_ Eu tenho um filho, mãe. Eu sou pai. - eu até pensei que tinha me acostumado com a ideia, mas minha voz sai assustada, e ali eu percebo que não ligo para minha mãe porque quero um acerto de contas ou porque quero julgar ou brigar, quer dizer, eu quero fazer tudo isso, o que minha mãe fez foi horrível, mas neste momento eu preciso dela, eu sou pai e eu não faço a mínima ideia do que devo fazer agora.
_ Este filho não é seu é de Nicholas. - ela diz com nojo.
_ Mãe ele é meu, eu sei que é meu.
_ Ela está te enganando de novo, Joseph, volte para casa, vamos esquecer tudo isso, você já teve o que queria.
_ Não mãe, pare com isso! - me irrito, eu preciso dela, mas preciso da mãe que eu conhecia há 14 anos, antes de tudo isso, não da mãe de agora que eu nem mesmo consigo reconhecer. _ Nicholas é tão seu filho quanto eu, e Jonathan é seu neto, seu único neto e eu sou seu filho, filho que precisa de você, mas da você que tu costumava a ser, não esta de agora.
_ Você não vê que eles te enganam? Que seja, o filho é seu, e eles provavelmente lhe encheram a cabeça contra mim, mas será que eles te contaram tudo Joseph?
_ Mãe...
_ Não Joseph, eu fiz coisas que eu me arrependo, mas eu fiz por você, se quer acreditar apenas neles, acredite, mas o que eu fiz, por mais errado que seja, eu faria de novo, quantas vezes fosse necessário.
_ Mãe, eu quero ser pai dele. - eu digo, tentando ignorar tudo o que ela disse, na última esperança de que ela irá se sensibilizar e me ajudar.
_ O garoto sabe sobre você?  - ela pergunta e eu percebo que ela irá me ajudar.
_ Sabe sobre mim, mas não quem eu realmente sou.
_ Claro que não... - minha mãe bufa. _ O menino tem uma vida inteira sem você na vida dela Joseph, como que você pretende virar pai agora? Do nada?
_ Ele é um menino bom, mãe, você iria gostar dele.
_ Não iria não.
_ Ele lembra do papai. - vejo que a surpreendi. _ Meu pai gostava dele, você sabia? - ela hesita em responder.
_ Seu era pai bobo, molenga, não podia ver criança que queria pegar no colo.
_ Então você sabia, e não se interessou no garoto?
_ Ele é fruto de uma traição!
_ Você realmente acredita nisso mãe? Ou você simplesmente se repete pra tentar se justificar?
_ O que você quer de mim? Eu já disse que faria tudo novamente.
_ Tudo isso poderia ter sido diferente mãe.
_ Sim, poderia, se eles não tivessem quase te matado...
_ Se você não tivesse separado nossa família. - corrijo-a.
_ Você me ligou para quê?  Para me julgar? Porque eu fiquei a noite sem dormir preocupada com você.
_ Eu liguei porque quero unir nossa família mãe, e por mais que eu tenha raiva do que você fez, eu quero que você faça parte dela.
_ Não tente Joe. Você vai ter que escolher: ou sua família está aqui ou a sua família é a que está aí. - o silêncio que ficou no telefone decretou o fim da nossa conversa. Eu liguei procurando por ajuda e respostas, e acabei com um dilema maior ainda.
Saio do quarto em que estou e encontro Jonathan na porta, me assusto.
_ Ei. – digo ao perceber que ele me olha, mas não diz nada.
_ Ei. – ele responde. _ Minha mãe disse que você queria conversar comigo.
_ Ela disse? – me surpreendo.
_ Sim. – ele confirma.
_ Tem certeza?
_ Sim, quer perguntar?
_ Não, não. Quer entrar? – pergunto, voltando para o quarto. Ele me segue.
Sento-me na cama e ele se senta a meu lado.
_ Então? – ele quer que eu inicie o assunto. _ Você não quer falar sobre sua experiência no além não é?
_ Bom, podemos falar sobre isso também...
_ Eu sei que você só falou aquilo para me animar. – ele me interrompe.
_ Sabe?
_ Nem todos tem algum tipo de experiência, e não há nada de mal nisso, cada pessoa é uma, talvez você até tenha tido, mas não se lembra. – ele diz com uma maturidade anormal.
_ Bom, me desculpe, eu não queria mentir.
_ Tudo bem, você só quis agradar. – ele dá de ombros. _ Então sobre o quê você quer conversar? – fico sem saber o que falar, por mais que eu agradeça Demetria por ajudar-me a aproximar de Jonathan, eu não me sinto preparado para isso, eu não sei o que perguntar, eu não sei por onde começar... Seria esta a ideia dela? Mostrar-me que não estou preparado para ser o pai de Jonathan, pois nem mesmo conversar com ele eu consigo?
_ O que você sabe sobre mim? – pergunto.
_ Que você sofreu um acidente e que estava em coma. – ele diz sem pestanejar. _ E que você é irmão do meu pai.
_ Você que o Nicholas não é...
_ Meu pai verdadeiro? – ele completa ao ver que me enrolo, pois temo que no fundo ele não saiba, mesmo Demetria tendo garantido que ele sabia. _ Eu sei, mas ele me criou e me registrou como dele, ele me adotou, então ele é meu pai.
_ Mas você não quer saber quem é seu pai? – pergunto.
_ Não sei... Acho que estou bem como estou.
_ E se seu pai quisesse conhecer você? – pergunto. Jonathan para e me olha pensativo, creio que ele esta pensando bem na resposta que me dará, mas o que ele me pergunta me surpreende.
_ Você é meu pai?

Continua

2 comentários:

  1. É a pergunta ainda não foi feita, a Denise só me faz ter mais ódio dela que mulher sem coração como ela pode fazer o Joe ter que escolher um lado isso é o cúmulo pra mim

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  2. Olá!
    Estou aqui avisando que acabou o tempo para votar na votação As Melhores de 2016, onde estava nomeada. Os votos estão a ser contados e dentro de alguns minutos, ou uma hora talvez, estará postado.
    Link: http://criticasdefanfics.blogspot.pt/

    Boa sorte!

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