quarta-feira, 4 de junho de 2014

1. Eu nunca vou te abandonar – The Big Apple



Meio dia de uma sexta-feira de dezembro, a neve – tão adorada pelos turistas. – só fazia mais complicada nossa vida, botas zanzam de um lado para o outro, a sujeira da própria cidade faz com que a neve se torne amarronzada/acinzentada, escavadeiras abriam caminho para os carros após uma nevasca inesperada durando a manhã. Olhei para o meu relógio de pulso e me recostei mais no banco do carro, graças ao engarrafamento chegaria tarde em casa. É, esse é mais um dia comum em Nova Iorque.

_ Nós não vamos chegar para o almoço. – disse Pablo, o meu motorista.
_ Eu amo Nova Iorque, mas odeio seus engarrafamentos. – falei.
_ Se você quiser ler ou escutar música, talvez o tempo passe mais rápido. – disse com um sotaque latino forte. Suspirei, gosto de ler e amo música, mas naquele momento nada disso parecia legal o suficiente.
_ Acho que vou tentar dar um cochilo. – falei. _ Talvez até consiga dormir mesmo. – Pablo deu uma risada.
_ Quando chegarmos, eu te acordo. – falou.
_ Obrigada. – falei, afundando ainda mais no banco do carro, apoiando minha cabeça na janela fechada. Fechei meus olhos e comecei a tentar dormir.
De inicio nada aconteceu, fiquei escutando o barulho de buzinas, de passos, de conversa, dizem que Nova Iorque é uma cidade que não dorme, mas ela não dorme porque o barulho nunca cessa.
Demorei um pouco, tive até a oportunidade de sentir o carro andando por, sei lá, quase meio metro, o que já foi um avanço incrível. Mas enfim comecei a dormir, foi uma dormida sem sono e embalada pelo barulho da grande metrópole na qual vivo.



Só acordei com Pablo me chamando.
_ Senhorita Demetria? – disse. _ Senhorita Demetria, nós já chegamos. – vagorosamente eu acordei, olhei para o lado, tentando me localizar e reconheci o estacionamento do prédio em que vivo. _ Desculpe lhe acordar, mas acho que seria melhor você dormir em seu quarto. – disse educadamente.
_ Não tem problema nenhum. – falei, me recompondo. _ Eu devo estar uma destruição.
_ Você parece mais aquelas atrizes que sempre acordam radiantes nos filmes. – falou.
_ Obrigada, mas você só fala assim porque nunca me viu acordando de um sono realmente pesado. – falei, ele riu. _ Então vamos?
_ Sim senhora.
Saímos do carro, Pablo insistiu para me ajudar com minha bolsa e outros materiais de estudo, mas não permiti, sei que ele tinha ordem de fazer tudo o que lhe fosse mandado, mas sempre achei o excesso de educação e mordomia um pouco de exagero, afinal de contas, eu não morreria por carregar minhas próprias coisas, nem mesmo por receber uma tirada, e isso é totalmente normal, eu sempre faço isso com todo mundo – bom, na verdade eu faço isso apenas com meus amigos mesmo – mas também sempre recebi no mesmo nível. Entramos no elevador, ele apertou o último numero do painel, 75, a cobertura do prédio de luxo, que fica à apenas uma quadra do Central Park, da grande janela da sala até que dá para apreciar uma parte do seu verde – que agora está branco, por causa da neve – e ver um pouco da sua movimentação, mas digamos que mesmo sendo um prédio alto, os outros prédios vizinhos não deixavam a desejar, tampando uma boa parte da visão.
Apesar do grande número de andares a serem transpassados, rapidamente chegamos ao último andar, assim que as portas do elevador se abrem, damos de cara com um pequeno corredor, todo branco, de mármore no chão e de paredes simples, o que se destaca é apenas a grande porta de madeira, com alguns detalhes de vidro.
Pablo abriu a porta para que eu entrasse, está é outra mordomia que me irritava, mas que neste momento era bem-vinda, dado ao grande número de coisas que eu estava carregando.
Quando entrei, não vi ninguém na sala, então fui direto para meu quarto. Apesar de estar estudando moda e ter condições de ter o quarto dos sonhos, meu quarto é bem comum e bagunçado, a única decoração que tem é um adesivo bem grande atrás da porta banca, de uma arvore toda preta, no geral o branco prevalece, sendo quebrado apenas pelos moveis que eram de madeira e pela minha colcha da cama que, hoje, é vermelha. Mesmo sendo simples, eu gosto desta bagunça organizada, as coisas podiam até estarem espalhadas, mas eu sabia sempre sabia onde encontra-las...

_ Ei Demi. – cumprimentou-me Lucas, meu irmão mais novo, filho da minha madrasta, Lara, com meu pai. Ele estava parado na porta do meu quarto, vestia roupas pesadas de inverno, mesmo estando dentro de casa com o aquecedor ligado.
_ Ei Lucas, entra aí. – falei. Ele entrou e me deu um abraço. Minha relação com meus dois irmãos mais novos, Lucas e Lauren, é bem complicada – apesar de eu achar que toda relação de irmão é complicada – os mesmo tempo em que nos odiamos, nos amamos, mas se eu fosse comparar, eu era mais próxima de Lucas de que de Lauren, não acho que tenha um motivo para isso, mas é como se ela não me quisesse muito por perto, ao contrario de Lucas que nunca recusava atenção. _Vai sair? – perguntei, levando em consideração seus trajes.
_ Vou à loja com a mamãe. – respondeu. _ Papai resolveu que eu também terei que ir a festa de fim de ano de hoje. – completou.
Ah, a festa de fim de ano...
É hoje!
É Hoje?
Ai meu Deus! É hoje!
Eu tinha me esquecido completamente da festa.
_ Você tinha se esquecido, não é? – perguntou.
_ Sim. – confirmei.
_ Você também não queria ir, não é?
_ Eu ainda não quero. – respondi, a festa era apenas para empresários, investidores, banqueiros  e políticos ricos e metidos que só sabem me olhar com segundas intensões.
_ E se falássemos com o papai? – perguntou esperançoso.
_ Isso alguma vez adiantou? – perguntei. Ele parou um pouco.
_ Você vai querer ir comprar roupa também? – perguntou claramente decepcionado.
_ Agora não, vou ver se tenho algo aqui... Fora que estou morrendo de fome, vou ter que pedir para requentarem a comida.
_ Tudo bem. Até mais tarde. – disse saindo.
_ Até mais tarde, - falei sem saber se ele me escutou.



Saí até a cozinha, em busca do que comer.
A cozinha é uma parte de luxo no apartamento, é um grande espaço com tudo o que há de mais moderno para a cozinha. Isso acontece porque, apesar de termos duas cozinheiras, meu pai ama cozinhar, final de semana ele tira a gravata de banqueiro e põe o avental de chefe e sempre há algo novo e extremamente delicioso para nós.
_ Veio almoçar, senhorita Demetria? – perguntou Karla, ele é a cozinheira mais velha da casa, morena, baixinha, um pouco acima do peso, sempre vestia saia ou vestido por baixo do avental, era de falar pouco, mas sempre é muito carinhosa e cozinha muito bem.
_ É. – respondi. _ Não cheguei a tempo do almoço. – falei.
_ Guardei um prato para você. – disse, abrindo a geladeira. _ Vou esquentar aqui. – disse pondo micro-ondas.
_ Obrigada. – ele não respondeu, mal pareceu me escutar.  _Onde está papai? – perguntei, após um tempo de silêncio.
_ Ele também não veio almoçar hoje, saiu cedo para o escritório. – respondeu.
_ Que estranho, ele sempre volta para almoçar.
_ Talvez ele tivesse alguma reunião... – o bip do micro-ondas soou e ela voltou para o aparelho e tirou meu prato, fumaça saia da comida e o cheiro era ótimo, senti minha barriga roncar, sabia que eu estava com fome, mas nem sabia que era tanta. _ Ele já deve estar chegando. – falou e pôs o prato na bancada a minha frente. Tinha batata puré, frango assado, uma salada de tomate e alface. Tudo bem saudável, no estilo Lara de ser. Desde que ela casara com meu pai, decretou uma lei: nada de comida gordurosa. Essa regra só era quebrada por meu pai, que todo final de semana prepara pratos com muito sabor e calorias.
_ Depois ligo pra ele. – falei. _ Caso ele não chegar.

Fui para o salão de refeições, sentar-me por lá sozinha era péssimo, todos os dias sempre nós juntávamos a família e todos os empregados, todo mundo falava, ria, contava sobre o começo do dia, era algo animado, sem regras de etiqueta, sem diferença entre ninguém, tipo, você é da família, você não é, você é empregado, eu sou patrão. Essa era apenas uma demonstração do quão simples meu pai é, não importa o quão rico ele seja hoje, ele nunca perdeu a simplicidade do tempo em que ele ainda era pobre, do tempo em que lutou para crescer, e esse é um ensinamento que ele sempre fez questão de passar para todos os filhos.
Comi rapidamente, nem mesmo senti direito o gosto da comida. Assim que acabei, deixei meu prato na cozinha, não vi Karla por lá, então peguei um copo, enchi de suco de laranja (totalmente natural – essa foi outra exigência de Lara). Quando cheguei à sala, ia direto pegar o telefone, para ligar para papai, mas nesse exato momento ele chegou.

_ Isso é hora de chegar em casa senhor Eddie? – perguntei, cruzando os braços e batendo o pé. Ele riu.
_ E se eu disser que foi uma boa razão, sou perdoado? – disse se aproximando sorrindo.
_ Depende... Eu vou saber a razão? – perguntei. Ele suspirou.
_ Não agora. – respondeu.
_ Então não. – fiz bico. (Sim, eu sou um pouco mimada quando quero).
_ Pois eu sei exatamente como lhe animar. – falou. Olhei-o com um olhar desafiador. Ele chegou e me abraçou bem forte.
_ Você está me esmagando, pai. – reclamei. Ele sempre fazia isso, e eu gostava, mas respirar era bem difícil.
Eu, em aspectos de estrutura física, puxei mais minha mãe, baixinha, pouco peito (meu grande complexo), cintura um pouco acentuada, uma bunda grande (é, vamos deixar isso em off) pernas grossa (apesar de no mundo da moda isso ser horrível, eu sempre gostei das minhas pernas) cabelo liso... Já meu pai é tipo um urso, um urso dócil, mas ainda assim, um urso. Ele é todo grande, alto, gordo, com dentes grandes, como eu disse um urso. É o tipo de pessoa que te dá medo à primeira vista, coisa que sempre foi bom para os negócios, mas péssimo para relações pessoais. Mas como também já foi dito, ele é dócil, simples e bem amigável, não havia nada a temer.
_ Você já me perdoou? – perguntou.
_ Perdoei, perdoei sim. – falei e ele continuou no abraço.
_ Sério mesmo? – perguntou me apertando mais. Ele sabia que por mais que pedisse para sair do abraço eu adorava aquilo, sentir o carinho do meu pai era ótimo, sentir-me querida.
_ Eu juro que perdoei. – falei. Ele afrouxou o abraço.
_ Certeza?
_Pai... – reclamei rindo. Ele me soltou, também sorrindo.  
_ Agora sim acredito. – falou.
_ Hum, eu ainda assim quero saber o que é...
_ Eu sei que você quer, afinal de contas você sempre foi minha pequena curiosa.
_ Eu não sou curiosa, só gosto de estar bem informada.
_ A é?
_ Sim.
_ Então, já que você é tão bem informada, sabe se Logan vai te buscar para a festa hoje? – perguntou. Logan é meu namorado, ele trabalha com meu pai, seu cargo ainda é bem pequeno, condiz com sua idade e experiência, mas meu pai é cheio de orgulho dele, sempre fala que foi uma ótima escolha para genro, quando temos essas brigas, comuns de casais, meu pai fica mais triste que eu, às vezes acho que meu pai tem uma queda pelo topete do Logan, mas isso é apenas uma brincadeira interna.
_ Acho que sim. – respondi. _ Não falei com ele hoje.
_ Vocês estão bem?
_ Vai chorar se eu disser que não?
_ Vou. – riu.
_ Estamos bem sim, é só que nossos horários não estão batendo mais como antes, no horário de folga dele eu na faculdade, no meu horário de folga ele está trabalhando. – suspirei.
_ Olharei isso para você. – falou.
_ Também não é para tanto pai.
_ Não quero ser o vilão da história, não irei atrapalhar o casal principal.
_ Você nunca vai ser o vilão da história, pai, assim como eu e Logan não somos o casal principal.
_ Na minha história vocês são.
_ Na minha história você é o herói. – ele sorriu, foi um sorriso tão doce que nem parecia sair de um homem de quarenta anos com quase dois metros de altura.
 _ Espero que você continue sempre achando isso, minha querida. – disse, tornando a me abraçar, mas desta vez sem apertar, era apenas um carinho, o mais puro que um pai pode dar.
_ Você sempre será meu herói pai.
_ Eu te amo querida.
_ Eu te amo mais pai.


A partir daí o dia passou bem rápido, estudei bem rapidamente (digo estudei porque não foi bem um estudo, foi mais um: abra o caderno e finja que está lendo), revirei meu armário em busca de algo que eu pudesse vestir, no convite da festa dizia que é traja esporte fino, tema de fim de ano, o que significa: branco, cores claras, ou se você estiver realmente querendo chamar atenção, um vermelho bem forte; salto e vestido, resumindo, eu teria um trabalho grande para não ficar parecendo uma perua grã-fina, e ainda parecer chique.
No final acabei pegando um vestido, cor creme, longo, de botões no decote, com manga (nesse frio ninguém aguentaria algo diferente), coloquei um cinto preto grosso, para marcar minha cintura, uma bota preta cano longo completou o visual. Passei uma maquiagem bem clean, não para combinar com a roupa ou porque é de costume, mas porque eu sabia quer iria chegar exausta da festa e, quanto mais simples, mais fácil é de tirar depois. Tentei fazer uns cachos em meu cabelo, para não ficar tão simples, no final não ficou a coisa mais linda do mundo, mas deu umas ondas que pareciam até naturais.

_ Logan chegou para te buscar. – falou Lauren. Lauren tem apenas 15 anos, mas tem uma beleza que inveja a qualquer um, inclusive a mim (só para deixar bem claro, eu não a invejo mal, é uma inveja branca), seus cabelos são longos e ondulado, pretos feito carvão, olhos verdes, pele pálida, uma copia da mãe escarrada.
_ Vocês já estão indo? – perguntei.
_ Iremos no carro de trás. – respondeu.
_ Tudo bem, eu já estou indo. – falei, e ela saiu do quarto sem dizer nada. Como eu já havia dito, nossa relação é bem fria, no fundo eu até queria me aproximar dela, mas assim como ela nunca fez esforço para isso, eu também nunca fiz.

Quando saí do quarto, passei pelo pequeno escritório de meu pai, a porta estava aberta, entrei e vi que ele lia uns papeis concentradamente.
_ Pai, você não vai? – perguntei, ele ainda estava com a mesma roupa de hoje mais cedo e não parecia preocupado em descer. Ele pareceu se assustar com minha pergunta, estava tão concentrado no que estava lendo que nem me viu entrar.
_ Já está na hora não é? Eu terei de ir depois, eu vou ter uma reunião via internet agora, coisa rápida, se perguntarem fale que já estou indo. – disse.
_ Nós podemos esperar.
_ Não precisa, Logan já está aí, vocês já estão todos prontos...
_ Mas...
_ Pode dizer a Karla que ela está dispensada? Amanhã é meu dia de cozinhar. – sorriu.
_ Tudo bem. – sorri de volta. _ Não demore muito. Eu te amo pai. – falei me despedindo.
_ Eu te amo filha. – respondeu. Fiz menção de sair, mas ele me chama de volta. _ Você está linda. – falou.
_ Muito obrigada pai, você se lembra desse vestido?
_ Claro, fui eu que te dei. – sorriu. _ Você está tão parecida com sua mãe.
_ Mamãe não está mais aqui pai.
_ Ela sempre vai estar aqui filha, não importa quanto tempo passar. – falou. Desviei o olhar, eu odiava aquele assunto, era uma história que eu não senti que vivi, mas ainda sim é a parte em que eu me torno a vilã.
_ O importante é que você sempre vai estar aqui. – Ele concordou.
_ Eu nunca vou te abandonar, minha princesa.

Continua

Esse foi o primeiro capítulo, tá meio estranho e pode até parecer confuso, já que eu estou tentando mudar um pouco meu jeito de escrita e não sei se vai dar muito certo ainda :\ mas prometo que a partir do próximo capítulo vai ficar mais legal e mais esclarecedor.
Comente o que achou do capítulo ;)
Bjsss


Kika: Espero que tenha gostado do primeiro capítulo, muito obrigada, bjsss
Giovanna: Espero que tenha gostado do capítulo, muito obrigada, bjsss
Carine: Bom, como Nelena vai ser um casal secundário, não vai aparecer tanto, então espero que não fique chato para você. Espero que tenha gostado do capítulo, muito obrigada, bjsss
Milena: Espero que você continue achando o mesmo depois de ler esse capítulo. Muito obrigada, bjsss

Fabíola: Espero que tenha gostado do capítulo também, muito obrigada, bjsss 

7 comentários:

  1. Ta perfeito! Você escreve magnificamente bem <3 posta mais logo, to ansiosa por Jemi. Beijos

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  2. Me.deixou curiosa :) e n se preocupe vc escreve muitoo bem. Posta logo bjs

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  3. Amei esse capítulo! Já quero o Joe (Lindo casa cmg haha) estou ansiosa :)
    Tbm estou curiosa! Eu gosto do jeito que você escreve!! Você escreve super beeem ♥
    Posta maiiiis ♥♥

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  4. Já sei quem morre e já não estou feliz. Que ligação mais tudo na vida. Já gostando muito

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  5. Amei o capítulo. Foi simples mas me deixou curiosa e ansiosa por outro.
    Posta logo!!
    Beijos

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  6. Amei o capítulo. Foi simples mas me deixou curiosa e ansiosa por outro.
    Posta logo!!
    Beijos

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