Lucas
freia. Assim que o carro, que estava em alta velocidade, para por completo, já
se passaram quilômetros do local do acidente. Os irmãos estão sentados,
assustados, dentro do carro.
–
Vamos voltar. – Jade diz.
–
Não. – Lucas diz.
–
Se for só um animal, tudo bem, mas se for alguém, temos que voltar, nós podemos
ajudar. – Jade insiste.
–
Jade...
–
Lucas. – ela o interrompe. – Precisamos voltar.
Lucas
religa o carro e coloca ré, ele vai com cuidado, até voltar para o local.
Chegando,
os dois saem do carro.
O
local está catastrófico, há marcas de pneu de carro na pista e no canteiro dá
para ver um carro todo amassado, batido em uma árvore, que com o impacto quase
tombou, dá para ver a raiz saindo, içando o carro, colocando-o em uma posição
estranha.
–
Eu não fiz isso tudo. – Lucas não quer crer.
–
Não, não foi mesmo. – Jade garante. – Foi rápido, mas era uma pessoa ou um
animal, não um carro.
–
Me ajude. – eles escutam uma voz fraca. Eles olham para frente, e alguns passos
à frente, encontram uma pessoa, jogada ao chão, há muito sangue. Eles correm
até lá. – Ajude minha mulher. – o homem, que agoniza no chão, implora.
–
Eu fiz isso? – Lucas pergunta.
–
Lucas, isso não é hora. – Jade o critica.
–
Não. – o homem responde, com a voz fraca. – Ajude minha mulher. – ele implora e
para subitamente. Lucas o toca no pescoço do homem, tentando achar seu pulso,
como não encontra pega diretamente no pulso do dele e novamente não encontra
nenhum sinal.
–
Acho que ele está morto. – Lucas diz e Jade entra em choque.
–
Ele falou sobre a mulher dele. – a garota comenta, após se acalmar. Lucas se
levanta, vira para trás e olha para o carro batido no canteiro. Jade acompanha
seu olhar e corre até lá.
Sai
fumaça da parte da frente do carro.
–
Temos que tira-la de lá. – a garota diz já se jogando no carro, tentando pegar
a mulher, que está inconsciente.
Jade
entra pelo banco do motorista, que está arrancada, a parte do motorista está
quase intacta, a árvore pegou bem o meio do carro.
–
Jade cuidado. – Lucas não a ajuda. – Esse carro pode pegar fogo. – ele a alerta.
–
Mais uma razão para tira-la daqui.
–
Se resgarmos ela, ou chamarmos a polícia, eles vão querer saber o que
aconteceu. – Lucas teme.
–
E daí? Não somos os culpados pelo acidente. – a garota tenta puxar a mulher
pelo braço, mas ela está presa às ferragens.
–
Não temos como provar isso. – Lucas altera seu tom.
–
Lucas. – a menina sai do carro e olha para o irmão. – Qual é o seu problema? –
pergunta.
–
Eu bebi. – ele assume.
–
Você está bêbado? – a irmão arregala os olhos.
–
Não. – ele não hesita em responder. – Eu ainda estou lúcido, não bebi demais, mas,
se fizerem o teste do bafômetro, o numero que vai dar não vai ser pequeno o
suficiente. – ele começa a se desesperar. – Nosso pai Jade, ele não pode saber
disso. – ele fala. – Mas se chamarmos o resgate, isso vai sair para imprensa,
você sabe disso.
–
Lucas, eu acho que ela está viva. – ela começa a tremer. – Não podemos deixa-la
aqui.
–
Não podemos regatá-la. – Lucas insiste.
–
Eu não posso abandona-la. – Jade bate o pé e volta a adentrar no carro e tenta
novamente puxa-la, desta vez ela usa mais força.
A
força extra que Jade usa, começa a fazer efeito, o corpo da mulher começa a mover.
Para a surpresa da garota, a mulher abre os olhos.
–
Meu marido? – ela diz num sussurro sofrido.
Jade
não responde.
–
Fique calma, vamos te tirar daqui. – Jade diz. –
Lucas. –ela grita. – A mulher está viva. Ajude-me.
Lucas,
a contragosto, se aproxima da irmã e a ajuda a puxar a mulher, que começa a
gritar de dor.
–
Puxe mais, Lucas. – Jade pede.
–
Meu bebê. – a mulher berra e isso faz com que Jade e Lucas parem. Jade olha
para a barriga da mulher e ela está claramente grávida.
–
Lucas, ela está gravida. – Jade o alerta. Lucas se desespera e sai do carro.
–
Eu não consigo. – ele diz. Jade segue tentando ajudar a mulher.
A
fumaça que sai da parte da frente do carro se intensifica, e Lucas vai até a
frente destruída e percebe que há um inicio de incêndio. Sem pestanejar ele
volta a ajudar a irmã.
–
O carro vai explodir. – ele grita e Jade começa a puxar mais forte. Há muito
sangue e a mulher, mesmo sem forças, começa a tentar ajuda-los, suas pernas
finalmente saem da parte da frente do banco e eles se esforçam para tira-la
completamente.
O
calor começa a ser sentido dentro do carro e o fogo aumenta.
Há
muito desespero.
–
Isso não vai dar certo. – Lucas grita e para de puxar a mulher e começa a puxar
somente a irmã.
–
Para, Lucas, você está me atrapalhando. – ela reclama.
–
Não vamos conseguir. Vocês vão morrer. – ele berra.
O
fogo aumenta, assim como a fumaça, que começa a fazer todos tossirem.
–
Eu não posso deixa-la. – ela grita.
–
Eu não vou deixar você se matar por uma estranha. – ele a agarra pela cintura e
a puxa para fora com muita força. Jade briga, e não se desgruda da mulher grávida.
–
Pare. – ela começa a chorar.
–
Não. – Lucas dá um soco forte na costela de sua irmã, que geme de dor. Isso a
faz fraquejar e brevemente soltar a mulher e Lucas aproveita esse momento e
volta se agarrar a irmã pela cintura e a tira do carro.
–
Não, Lucas, não! – ela berra, se esperneia e chora. Lucas não a solta e a puxa
para longe do carro.
O
fogo se intensifica e a mulher dentro do carro berra, pede por socorro.
–
Lucas, não faça isso, não faça isso, por favor, não faça isso! – Jade está
desesperada.
Lucas
a joga dentro de seu conversivo, fecha a porta, trancando-a.
Ela
chuta a porta do carro e tenta abri-la.
Lucas
entra no outro banco e tranca os dois dentro dele. Ele liga o carro e acelera
cantando pneu.
–
Ela vai morrer, Lucas. – a irmã desaba em lágrimas.
–
Não podemos ajuda-la. Não mais. – ele diz.
–
Como você pôde fazer isso? – ela pergunta. – Precisamos chamar alguém.
–
Esqueça isso, Jade. – ele ordena. – Esqueça!
Continua
Capítulo postado. Espero que gostem.



