Durante as férias
O
tempo passava vagarosamente na casa de praia da família de Lucas. Toda a
animação e curtição do inicio do verão tinha acabado e a medida que a volta as
aulas se aproximava, menos ele tinha o que fazer naquele fim de mundo.
–
Você está assim por causa da garota, não está? – Jade, sua meia irmã, senta-se
ao seu lado no sofá e pergunta.
–
Não sei do que você está falando. – ele responde sem muita delicadeza.
–
Então este desânimo é graças ao seu negócio, por estar longe dele... – a menina
sugere.
–
O que você acha que esta fazendo? – ele se levanta e olha furioso para a irmã.
–
Tente enganar a nosso pai, não a mim. – ela não parece se sentir intimidada.
–
Você pode até ter se metido na minha família, mas isso não te dá autorização
para se meter na minha vida. – ele grita.
–
Eu não me meti na sua família, sou tão filha do senhor nosso pai, quanto você.
–
Você não passa de um erro que ele cometeu num verão qualquer e teve que assumir
para não prejudicar a própria carreira. – diz rápido e bruto, como se tentasse
que cada palavra fosse um soco na irmã.
–
Posso ser fruto de um adultério, mas você é fruto de uma mentira. E é isso que
você é, Lucas. – se levanta, ficando quase a altura do garoto. – Você é uma
mentira.
–
Eu vou acabar com você.
–
Tente, seu traficante de merda. – ela o desafia. – Lembre-se sempre, se você
tentar me derrubar, você vai cair junto. – ameaça.
Lucas
perde a fala, não pode negar a força que a irmã mais nova possui.
–
Eu vou embora desse lugar. – ele fala sem paciência.
–
Eu vou junto. – a menina diz.
–
Ei, eu estou saindo daqui para me livrar de você. – Lucas reclama. – Você não
desconfia não é?
–
Eu também quero ir embora.
–
Então arranje outro alguém para te levar. – dá de ombros e parte para seu
quarto.
–
Mas você está indo para o mesmo lugar que eu. – a garota vai atrás.
–
Eu não vou levar você. Eu não quero ficar perto de você.
–
Vai sim. – Lucas acelera o passo para entrar em seu quarto.
–
Você não manda em mim, eu mando em
você. – diz.
–
Você pode até querer mandar em mim, mas caso não se lembre, eu tenho algo
contra você. – Lucas dá meia volta.
–
Você vai para o inferno, sabia? – a garota ri.
–
Se você me levar para casa antes. – dá de ombros.
Enquanto
Jade vai para o seu quarto, Lucas entra no seu. Ele bate a porta, nervoso, esta
havia sido a pior férias de sua vida, e grande parte desse desastre se dá
graças a sua meia irmã, Jade, fruto de uma traição de seu pai. Lucas nunca
perdoou o pai, principalmente quando o mesmo decidiu que reconheceria e criaria
a garota. Sua mãe aceitou, não porque tem bom coração, mas porque não tinha
outra opção.
Lucas
coloca as suas roupas na mala rapidamente e assim que termina de apronta-la,
volta a sala. Quando vê que a irmã não desceu, pensa em ir embora sem ela, mas
teme que suas ameaças se concretizem, o garoto estava faturando bem nesse seu
negócio, ele não podia arriscar ser preso ou perder sua nova fonte de renda.
A
demora da irmã incomoda a Lucas que, enquanto a espera, toma um copo de Uísque.
Seria
uma viajem de quatro horas de carro, já havia se passado a primeira hora e
nenhum dos dois falavam nada. Lucas se concentrava em dirigir seu conversível e
Jade escutava música em seu Iphone.
Após
a segunda hora de viagem, Lucas resolveu fazer uma parada numa lanchonete que
avistou na rodovia. O lugar não era o tipo de estabelecimento que os irmãos
costumavam frequentar. Ambos estão acostumados a lugares luxuosos, com cardápio
exclusivo e clientes quase que seletos. Ali, havia todo tipo de pessoa, o
cardápio era diversificado, porém a maioria das opções é gordurosa, mas, pelo
baixo preço cobrado, nem Lucas nem Jade podia reclamar.
Após
saírem de lá, o céu já está totalmente escuro. Lucas resolve acelerar mais,
pois quer chegar ainda hoje em sua casa.
–
Porque você faz isso? – Jade havia se cansado de escutar música e resolveu
irritar o irmão.
–
Fazer o quê? – ele pergunta, por incrível que pareça, paciente.
–
Vender drogas. – ela diz e ele fica em silêncio. – Você sabe que isso é arriscado,
não sabe? – ela insiste.
–
Você é feliz em ser uma marionete do papai? – ele pergunta e desvia seu olhar,
brevemente, para olhar a irmã. Ela hesita em responder.
–
Ele só quer o nosso melhor.
–
Tem certeza disso? Ou você só está replicando o que ele sempre diz? –
questiona.
–
Ele é bom. – ela fala. – Ele tem uma maneira ruim de demonstrar, mas ele é bom.
–
Eu não estou falando que nosso pai é ruim, mas ele é um ditador, se eu
conseguir me sustentar sozinho, não precisarei me curvar mais a ele. – Lucas diz.
–
Você já vai herdar a empresa, quando ele se aposentar, todo o império dele será
seu. – a irmã fala.
–
Nosso pai nunca vai se aposentar. – o menino diz nervoso. – Ele fala isso para
nos iludir, mas ele não vai deixar nada em nossas mãos.
–
Ele não vai deixar nada em minha
mão, na sua talvez. – ela diz.
–
Porque você acha isso? Você é a princesinha dele. – Lucas desdenha.
– Eu sou a garota que ele teve que “assumir” para não sujar a imagem
da empresa. Ele é meu pai biológico, mas eu serei obrigada a passar a vida
falando que ele é meu pai adotivo, que eu sou fruto do seu grande coração e não
de uma traição dele. – a menina começa a se alterar. Lucas não diz nada, nunca
viu a irmã falar daquela maneira.
–
Você se importa com isso? – ele pergunta com a voz terna.
–
Não finja que se importa. Você, assim como sua mãe, nunca me aceitaram. Nem
mesmo nosso pai me aceita, eu sempre serei o fardo da família, nunca serei
parte dela. – sua voz vai enfraquecendo no fim.
–
Eu não te odeio. Sabe? – ele se arrepende de ter tratado a irmã de maneira tão
bruta durante as férias. – Você só é meio chata... – ele brinca e ela ri.
–
Você também é bem chato. – a garota se defende. – Acho que tá no sangue, pois
nosso pai também é. – Lucas gargalha e no fim, suspira.
–
Eu sei que é perigoso. –assume. – Mas eu sou cuidadoso. – garante.
Nesse
momento, o celular de Lucas, que estava na parte de cima do painel do carro
escorrega e cai no chão, bem no seu pé, e ele, no impulso, olha para baixo e
tira a mão do volante, para tentar pegar.
–
Lucas, não! – Jade grita, mas já é
tarde demais.
Lucas
atropelou algo, ou alguém.
Continua
Peço perdão pela demora em postar, comecei a trabalhar na semana
passada e isso tirou o tempo que eu tinha para escrever, devo começar a postar
menos durante a semana, mas prometo continuar postando.
Postarei a parte dois desse capítulo agorinha mesmo.
Espero que gostem.
Comentem.



