Os
dois passam a tarde a conversar e quando o sol já se põe decidem sair e irem a
uma balada. Lá os dois dançam até não mais sentirem os pés e bebem até nem mais
conseguirem pronunciar seus nomes propriamente.
Sara
se diverte como nunca, ela sentia falta disso. Desde 15 que ela sempre
aproveitava os fins de semana nas melhores e mais caras, boates da cidade.
Bebia muito e tudo utilizando sua carteira de identidade falsa. Ela não usava
drogas, mas já havia experimentado. Isso tudo sem seus pais nem mesmo
desconfiarem.
Já
é madrugada quando eles decidem pegar um Taxi para irem para casa, mas Heitor,
num último surto de consciência, decide levar Sara para casa onde vive com seus
avós e seu irmão, pois sabe que se a moça chegar a sua casa nesse estado, seus
pais podem não gostar.
Um
praticamente carrega um ao outro para tentar entrar na casa. Como já é
madrugada, não há muitos funcionários na casa, e ao mesmo tempo em que isso é
bom, pois assim ninguém presenciará esse momento dos dois bêbados, é ruim, pois
não há ninguém que possa ajuda-los a chegar a algum lugar, ou impedi-los de
fazer mais alguma bobagem...
Bêbados
demais para irem muito longe, ambos se jogam no chão da sala de estar.
Sara
ri do seu estado e Heitor a acompanha.
–
Eu sentia falta disso. – ela assume.
–
Você é bem melhor assim. – Heitor fala. – Quando você tentar ser boazinha, você
fica chata, mas assim, se divertindo... – os dois se entreolham intensamente.
Heitor
já sabia desse lado de Sara, ele já havia visto ela em bares e boates antes de
ela começar a namorar seu irmão, mas esta é a primeira vez que Sara vê a Heitor
desta maneira.
E
ela não pode negar. Ela amou este lado dele.
Se
você perguntar a Sara, ela dirá que não sabe como chegou a aquele ponto, talvez
seja a falta de comida no estômago, combinado com o excesso de álcool nas
veias, se quiser, pode levar em conta a saudade que ela sentia dessa liberdade,
mas talvez, o fator determinante fosse o quanto ela desejava que alguém tocasse
seu corpo.
É
algo errado, pecado, mas ela não irá parar.
Seus
lábios tocam ao de Heitor de maneira feroz, seus corpos se conectam numa dança
perigosa, a pele quente e suadas dos dois, mostra o quanto eles se jogaram
nesse ato de traição.
Quando
termina, ambos se jogam ao chão, nus, ofegantes e ainda em êxtase. Não há mais
volta.
Após
o ato consumido, após a respiração normal restaurada, e agora que o frio volta
a tocar suas peles. A consciência pesa.
Meu
Deus, o que fizemos?
Sara se levanta e coloca sua roupa rapidamente, ela não se importa se
está tudo amaçado ou se seu cabelo está desgrenhado, ela simplesmente se veste
e sai correndo para fora da casa. Só quando ela chega ao portão de entrada que
ela percebe que não há ninguém ali para leva-la a sua casa. Ela até pensa, pela
primeira vez, engolir seu orgulho e ir a pé, mas numa hora dessas da madrugada?
A
luz do farol do carro faz com que Sara se afaste e semicerre seus olhos. Há um
carro na porta de entrada, apesar da porta ser de grade e que dê para olhar
para o que está lá fora, ela não reconhece o carro.
Quem
seria?
Sara
pensa que pode engano, que talvez seja algum vizinho parou na porta errada, mas
assim que o portão eletrônico abre, ela percebe que é de alguém que vive na
casa.
Seu
coração dispara.
O
carro entra vagarosamente, o portão é fechado e o motorista freia bem ao lado
de Sara.
Os
segundos que demoram para que a janela do carro abaixe o suficiente para
mostrar quem está dirigindo, parecem horas para Sara.
–
Ricardo? – Sara não consegue crer. – O que você está fazendo aqui? – ela não
consegue esconder isso em sua voz.
Mas
Ricardo também não esperava ver a namorada ali.
–
Sara o que você está fazendo aqui? –
ele pergunta. – Eu moro aqui. – ele responde e logo depois ri.
–
Eu... – Sara percebe que o namorado está prestes a descobrir o que aconteceu
ali. – Eu vim te ver... Mas... E o tufão? – ela pergunta, pois não consegue
formar um desculpa.
–
Decidi vir de carro, eu não queria ficar lá por mais um dia. – ele se explica.
–
Mas e o tufão? – ela insiste.
–
Eu peguei a rota por outro estado, não passei nem perto dele. – ele responde
calmo, pois crê que isso a acalmará. – Amor, você está bem? – ele pergunta, desligando
o carro e fazendo menção de sair do carro, mas Sara segura a porta, para que
ele não a abra e o mantem lá dentro.
–
Eu estou bem. – ela diz, e se afasta, pois teme que ele sinta o seu hálito alcoólico.
– Eu vim esperar por você, mas eu estava um pouco cansada, acabei dormindo, só
acordei agora e me assustei por já ser noite.
–
Já é madrugada, Sara. – Ricardo diz, ele também estranha o fato da namorada ter
se sentindo tão cansada, não é como se ela fosse uma pessoa atarefada, mas ele
tenta relevar, pode ser que tenha algo mais que ele não saiba... Talvez ela
tivesse doente, isso explicaria a aparência pálida dela.
–
Madrugada? – Sara se faz de desentendida.
–
Você deve ter dormido muito bem. – Ricardo ri e Sara acaba dando um sorriso de
alivio. Ele acreditou na história.
–
Você pode me levar para casa? – Sara pede, pois sabe que se Ricardo entrar em
sua casa agora, pode encontrar o irmão deitado nu na sala e toda sua história
iria por água a baixo.
Ricardo
faz uma careta, ele estava cansado, havia passado mais de sete horas dirigindo,
tudo que ele mais queria era dormir.
–
Meus pais não podem saber que dormir fora de casa, pior, que dormi na sua casa.
– ela o alerta. E isso faz com que Ricardo esqueça seu sono.
–
Entre. – ele diz e já liga o carro.
No
caminho Sara pergunta sobre a viagem do namorado e finge prestar atenção no que
ele fala, sorri quando ele diz sobre os prazeres do trabalho voluntario. Ela se
esforça ao máximo para que ele não suspeite de nada.
Assim
que Ricardo a deixa em sua casa, Sara liga para Heitor, para alerta-lo sobre a
chegada do irmão, mas o rapaz não a atende.
O
medo volta a tomar conta de Sara, e tudo que ela pode fazer agora é rezar por
um milagre, apesar de saber que não se encontra numa posição favorável para ter
suas preces atendidas.
Os
dias passam e aos poucos Sara vai se esquecendo do que aconteceu. Nem ela nem
Heitor se falam mais, mas fica bem obvio, pelo carinho de Ricardo, que o irmão
dele não o revelou nada. Ela até pensa em falar com Rebecca, quando a amiga
finalmente resolve reaparecer, mas não tem coragem, principalmente porque vê
que a amiga não está bem.
Sara
decide que este será seu segredo.
Mas
o destino não parece querer seguir seus planos. Apenas um dia antes da volta as
aulas, ela recebe a notícia que não queria receber.
Sara
está em seu quarto, ainda em choque, sua face está toda molhada e ela sente
muita dor de cabeça.
É
o fim, ela pensa.
E
quando ela acha que não pode mais piorar, Eleonora, a empregada, entra a seu
quarto, fecha a porta e a olha com o olhar assustado, de dentro de uma sacola
ela retira o que Sara menos queria ver.
Aquilo
foi encontrado no banheiro de Sara, enquanto Eleonora o limpava, a empregada
sabia que era da menina e sabia que isso colocaria a garota em maus lenções no
momento em que seus patrões descobrissem, e pior, os pais de Sara sempre
confiaram que Eleonora tomasse conta da garota, no fim, a empregada também
levaria a culpa.
–
O faço com isso? – Eleonora pergunta apavorada.
Sara
volta a chorar compulsivamente, no desespero, cheia de culpa e raiva Sara dá um
soco em sua própria barriga.
–
O que eu faço com isso? – ela se pergunta. – Eu não posso ter um filho. –
Eleonora vai até a menina.
–
Eu posso te ajudar com isso. – ela diz e Sara a entende.
–
Este vai ser o nosso segredo. – Sara exige ainda aos prantos.
–
Este será o nosso segredo. – Eleonora confirma.
Continua
Gente, capítulo postado atrasado, mas postado.
Espero que
gostem.
Comentem o que acharam.



