quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Capítulo 14 (Último Capítulo)


O dia tinha sido perfeito, tive um momento em família com Jonathan e Demi, brincamos, comemos, conversamos. Havia sido uma experiência boa e natural. Por alguns momentos ficava claro os 14 anos de distancia, ainda tínhamos alguns problemas para nos conectar, ainda estávamos descobrindo o que atraia uns aos outros, o que cada um gostava e o que cada um não gostava. Descobri, por exemplo, que assim como eu, Jonathan não gosta de lentilhas, nem de tomate (a não ser o molho de tomate na pizza), e assim como Demetria, Jonathan ama misturar doce com salgado e cebola, duas coisas que eu nunca fui muito fã, apesar de comer ocasionalmente.
_ Jonathan disse que se divertiu com você e com Demi hoje mais cedo. – Nicholas diz assim que chega em casa, vejo pelo seu olhar o quanto ele está cansado, mas também vejo que ele quer conversar de verdade.
_ Sim, foi muito bom, eu não pensei que isso iria acontecer enquanto eu estivesse aqui. – admito.
_ Você realmente vai embora? – ele pergunta.
_ Eu não sei. – respondo e olho para os lados para ver se estamos realmente sozinhos. Estamos. _ Eu não quero ir, a Demi me ama e...
_ E...?
_ O Jonathan me chamou de pai. – digo e Nicholas ri para mim. _ E isso...
_ Te assusta. – ele conclui quando viu que eu não conseguia finalizar a frase.
_ Muito. – assumo. _ Isso é bobo, eu sei, era tudo o que eu mais queria, mas agora eu estou apavorado.
_ Eu sei como você se sente. – ele se solidariza. _ Quando a Demi disse que ela estava gravida eu tinha acabado de te ver, todo entubado, lá, deitado naquela cama, possivelmente por minha culpa... Cara, eu nunca senti tanto desespero.
_ Como você superou isso?
_ Porque eu vi que era a minha única opção. Eu tinha que ajudar a Demi e se necessário eu teria que ser um exemplo para aquela criança.
_ E você é.
_ Eu tento. – ele diz, tento não se mostrar muito. _ Eu cometi erros de lá para cá, fui imprudente, cabeça quente, como alguns podem dizer, tanto eu quanto Demi fizemos coisas na hora do aperto, corremos riscos, no fim tudo deu certo, mas eu não sei se repetiria tudo, caso eu tivesse a oportunidade de voltar atrás. Eu gosto da minha vida como esta hoje, se nada disse tivesse acontecido eu não teria amadurecido, nem mesmo teria descoberto minha verdadeira vocação. Mas eu também sinto falta do antigo eu, de acampar, ter energia e tempo para escalar montanhas, sinto falta de não temer pular de paraquedas, pois se algo der errado eu tenho muito a perder. Eu sei que o antigo Nick não voltará, e isso pode parecer triste, mas quando eu chego em casa eu percebo que eu posso ser feliz e muito feliz com o que eu tenho aqui, uma grande amiga e fiel escudeira como Demi, um meio filho. – rimos com a forma que ele fala. _ um sobrinho que é um filho maravilhoso, as vezes um pouco rebelde, mas bom, que sabe a hora de parar, que sabe respeitar, que sabe perdoar.
_ Você o ama, não é?
_ Sim. – Nicholas responde sem pestanejar. _ e por ama-lo, que eu te digo, Joseph, você vai sentir muita falta da nossa mãe, não há um dia que eu não sinta falta dela, mesmo após de tudo, mesmo após toda a humilhação, todas as brigas, eu ainda sinto falta dela, e você vai sentir Joe, mas fique, vale a pena, viva o amor que Demi tem para te dar, seja o pai de Jonathan, eu sei que 14 anos é muito, foi uma grande parte da vida deles, da minha vida nem se fala, mas, ainda dá tempo de recuperar.
_ Você acha que mamãe nunca voltará? – pergunto. _A ser como antes?
_ Quando nosso pai morreu e ela pediu a guarda de Jonathan, eu pensei que ela tinha mudado, eu sei que não foi isso, que no fim ela só queria descobrir um contato para poder nos infernizar mais um pouco, mas eu gosto de pensar que no momento em que ela pegou nosso telefone, que ela pensou um pouco, pensou em pedir perdão, pensou em nos pedir para voltar, pensou que sentia nossa falta, que queria sua família de volta, eu gosto de pensar também que com a sua volta que ela vai mudar, que você vai abrir a “porta” do coração da nossa mãe e que ela vai voltar a ser quem era, mas... Eu sou otimista. A Demi não pensa o mesmo que eu. Talvez porque para ela tenha sido pior, ou talvez porque ela não seja otimista. Ou no final eu seja apenas um bobo.
_ Eu quero acreditar que nossa mãe pode mudar. – eu digo. _ Eu quero que ela mude.
_ Você vai acabar voltando, não vai?
_ Eu queria que ela visse meu lado. – digo. _ Mas temo que Demi esteja certa, que se eu for eu não seja mais capaz de voltar. – digo.
_ Isso depende do quão convencido você está de que é você que está do lado certo. – Nick diz.
_ Como assim?
_ Você enganou nossa mãe para chegar aqui porque estava convencido que este era o certo a se fazer, se você voltar para lá é porque você crê que é o certo a se fazer e se você for e conseguir voltar, de duas uma: Ou você a convenceu ou ela não te corrompeu.
_ Eu tenho certeza do que quero. Eu quero minha família, minha família com você, com Demi, com Jonathan e com nossa mãe. – digo.
_ Então vá. – ele diz. _ Eu sei que há pouco lhe pedi para ficar, mas se é isso que você quer e se você acredita que pode fazer isso, vá. Eu te apoiarei no que for preciso.

Passamos uma noite calma, jantamos todos juntos, conversamos um pouco mais e assim pude conhecer ainda mais Jonathan, Nicholas estava tentando me preencher com o máximo de histórias que eles viveram juntos, como forma de me ajudar conectar mais ainda com meu filho.
Após o jantar Nicholas foi dormir, Jonathan ficou um pouco mais comigo e com Demi, conversamos um pouco mais, porém depois de um tempo ele acabou se distraindo em seu telefone e não demorou muito para ele ir para seu quarto jogar.
Demi e eu fomos ao quarto dela.
Já era tarde, mas eu não tinha sono, olhei para o lado e vi que, mesmo com as luzes já apagadas, ela também ainda estava acordada.
_ Amanhã é o dia. – eu digo e ela olha para mim.
_ O dia? – ela pergunta confusa.
_ Que eu vou embora.
_ O que? – ela, se levanta para sentar-se na cama e liga a luz do abajur a seu lado. _ Você vai embora?
_ Eu estava pensando...
_ Sabe, eu finalmente pensei que seriamos felizes. – ela me interrompe.
_ E seremos, mas...
_ Mas nada Joseph, você quer ir? Você quer abandonar seu filho? Você quer me abandonar? Então vá.
_ Demi, não é assim. – me altero um pouco. _ Eu vou, mas eu volto.
_ Você não sabe.
_ Eu fugi dela uma vez, eu faço isso novamente se for necessário.
_ Não, se você voltar ela vai estar mais atenta, você vai achar que está fugindo novamente, mas vai estar apenas trazendo ela também.
_ Eu só a trarei se ela prometer que vai se redimir.
_ Prometer é fácil Joseph, eu posso te prometer o que eu bem entender. Agora cumprir? Cumprir é algo totalmente diferente.
_ Demi, eu não estou te abandonando. Eu juro.
_ Você não sabe.
_ Você tampouco.
_ Não, eu sei sim, eu sei do que sua mãe é capaz, você que não sabe.
_ Eu também sei que minha mãe não é um monstro. – digo e Demi para por alguns segundos.
_ Não foi isso que eu quis dizer. – ela se mostra arrependida.
_ Eu entendi o que você quis dizer e sim, eu sei que minha mãe fez da sua vida um inferno, mas, ela nem sempre foi um monstro e você sabe disso, você também conheceu o melhor dela.
_ Eu conheci, e realmente achei que esse melhor sobressairia, mas isso não aconteceu, assim como eu não sou a mesma Demetria de antes, a sua mãe não é a mesma de antes, e talvez ela nem mesmo saiba voltar a ser a mesma de antes.
_ Então você quer que eu a abandone? Que eu escolha?
_ Sim. – ela hesita, mas responde.
_ Ela me pediu o mesmo.
_ Não me compare com ela.
_ Qual a diferença?
_ Eu não a machuquei do jeito que ela me machucou.
_ Eu sei, mas ela não sabe disso.
_ Eu não acredito que você está falando isso.
_ Demi, eu quero uma família completa.
_ Você tem.
_ Eu preciso da minha mãe nela.
_ Você que sabe Joseph, é você que esta escolhendo. – ela diz, se vira para o lado, deitando novamente.
_ Demi... – ela desliga o abajur.
_ Boa noite Joseph.

Quando acordamos vejo que Demi ainda não está bem comigo.
Ela passa o café-da-manhã inteiro em silêncio. Jonathan percebe e pergunta e quem entrega a resposta sou eu.
_ Eu vou embora hoje. – digo.
_ Mas por quê? – ele pergunta.
_ Eu preciso conversar com minha mãe...
_ Mas ela não gosta da gente. – ele diz.
_ Porque ela não conhece vocês... E eu vou fazê-la conhecer vocês melhor e gostar de vocês.
_ Eu não quero isso.
_ Jonathan. – quem o reprime é Nick.
_ Ela já tentou nos separar uma vez. – Jonathan se dirige a Nicholas.
_ Isso não vai acontecer novamente. – quem diz sou eu.
_ Isso não é justo. – Jonathan para de comer e cruza os braços. _ Mãe, fale alguma coisa. – ele pede. Demetria olha para ele com um olhar de dor e depois olha para mim e sinto que ela me julga.
_ Eu não posso prendê-lo aqui. – ela diz. _ Ele tomou a decisão dele.
_ Mas...
_ Jonathan, não adianta. – ela grita. _ Agora vê se come e pare de insistir. – o garoto não obedece.
_ Não estou com fome. – sai da mesa e volta a seu quarto.
_ Isso foi exagero, Demi. – Nicholas diz.
_ Quer saber? Eu também perdi a fome. – ela diz, se levanta e também vai a seu quarto.
_ Isso não vai dar certo. – eu digo.
_ Eu converso com eles depois. – Nicholas diz. _ Só prometa que vai fazer sua parte. – ele diz. _ Você vai voltar.
_ Eu vou voltar.

Minha despedida não foi nada como eu pensei que seria, ganhei um abraço rápido de Jonathan e de Demi apenas um adeus, nada mais.
Nicholas me leva até a rodoviária e eu uso parte do dinheiro de Jacob me deu para comprar a passagem de volta, fico feliz ao ver que voltarei com a maior parte sem gastar.
_ Não fique assim, tudo vai dar certo no final.
_ Eles me odeiam agora, não é?
_ Não, eles só estão chateados. Se te consola, saiba que ambos sabem fazer um drama como ninguém. – riu.
_ Sabe. Vá em paz, faça o que você precisa fazer, e volte, vamos estar de braços abertos.
Abraço meu irmão e entro no ônibus.
O ônibus partirá em breve, então me acomodo em minha poltrona.
Percebo que o telefone está vibrando e quando vejo o número me surpreendo. É minha mãe.
_ Oi. – digo.
_ Oi. – sua voz é calma.
_ Aconteceu alguma coisa? – pergunto.
_ Talvez.
_ E o que foi?
_ Eu.
_ O que aconteceu com você? – pergunto, talvez sua voz não estivesse calma, mas sim fraca e ela estivesse doente.
_ Nada de grave. – ela me acalma. _ Demi me ligou. – ela diz.
_ O que?
_ Sim, eu sei, eu também não esperava por isso. – ela diz. _ Ela disse que você esta voltando.
_ Sim. – digo. _ Eu prometi que voltaria.
_ Você disse que queria se dar bem com seu filho. – ela me relembra.
_ E quero. – vejo que o motorista fecha a porta do ônibus, estamos prestes a partir. _ Ele é um ótimo menino, e eu quero que você o conheça.
_ Eu sei. Ela disse o porque de você está voltando.
_ Eu pretendo voltar para cá um dia. – eu digo.
_ Ela me deu o endereço dela. – minha mãe disse.
_ Como assim?
_ Fazer as pazes lhe fará feliz? – ela pergunta.
_ É tudo o que eu mais quero.
_ Eu ainda tenho minha convicção, mas eu te amo, eu quero ver você feliz.
_ Mãe, eu estou entendendo direito? – sinto meu coração disparar.
_ Sim, ela disse estar disposta a me perdoar e eu disse o mesmo a ela.
_ Então...
_ Fique com seu filho, Joseph, eu ainda não estou preparada para vê-los, mas... Eu pretendo ir aí, eu tentarei ser uma boa avó, assim como seu pai foi um bom avô. – ela diz.
_ Mãe, eu te amo. Eu te amo muito.
_ Eu também te amo. Eu te amo muito, meu filho.
Assim que desligo o telefone me levanto e vou até a frente, onde o motorista fica.
_ Abre a porta. – peço.
_ Que? – ele pergunta confuso.
_ Eu não vou mais viajar, abre a porta.
_ Senhor, eu não posso.
_ Abra a porta, por favor, abra a porta, eu preciso sair. – começo a gritar o que o assusta.
Recebo alguns olhares de reprovação dos outros passageiros, mas ignoro.
O motorista abre a porta e eu saio.
Já não estamos na rodoviária, mas estamos perto, ainda posso ver o prédio.
Volto para lá.
Vou até a passarela em que o ônibus em que entrei estava estacionado, na esperança de ver  Nicholas, mas ele já não está mais lá.
Parto então para a entrada.
Quando estou saindo vejo alguém que me parece família, ela está se afastando, indo embora.
_ Demi! – eu grito. Ela olha. Não tinha visto, mas Jonathan também estava com ela, um pouco mais a frente.
Demi volta correndo até a mim, Jonathan também corre a minha direção.
Quando ela chega nos beijamos.
_ Eca. – Jonathan diz, e nos separamos, eu o abraço.
_ Você vai ficar? – ela pergunta.
_ Sim. Seremos uma família. – eu digo.
_ Sempre. – ela diz.
_ Sempre. – eu respondo.

FIM

Oi gente, sei que estou postando atrasado, mas eu não consegui terminar este capítulo a tempo, eu queria colocar muita coisa e tive que me reprogramar para não ficar muita coisa de uma vez só, mas não ficar um fim sem sentido nenhum. 
Queria agradecer a todos que acompanharam esta história, foi pequena, mas que gostei muito de fazer.
Espero que tenha gostado do final e em breve chegarei com novidades.

Muito obrigada por tudo

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Melhores 2016: Resultado

Gostaria de agradecer a todos que votaram em mim por mais um ano, cada voto significa muito para mim e cada vitória me faz perceber que estou no caminho certo. Espero poder continuar contando com vocês e espero sempre evoluir para que os votos sejam cada vez mais merecidos.
Obrigada a todos



Capítulo 13 (Penúltimo Capítulo)




Eu tinha pouco tempo, e eu queria resolver tudo antes que eu tivesse que voltar para minha cidade. Porém nada estava funcionando. Estou de novo com Demi e este sempre foi meu objetivo, mas isso foi antes de eu descobrir que tinha um filho também, no momento em que descobri sobre Jonathan meu objetivo se tornou voltar com Demi e ser o pai de Jonathan, porém esta segunda parte estava complicada, ele mal falava comigo, com Demi ele estava um pouco mais aberto, mas frio, ela não consegui muita coisa também, talvez apenas para nos irritar ou desestimular, ele só sedia com Nicholas. Nick esta fazendo o que pode para nos ajudar, mas por conta de seus horários no trabalho, e fato de que ele sempre chega bem cansado em casa, ele não pode ficar o tempo todo mediando entre nós e Jonathan, então tudo estava correndo muito devagar e cada dia ficava mais certo que eu teria que voltar para casa sem nenhuma conclusão.
_ Como ele está hoje? – pergunto a Demi.
_ Fazendo birra. – Demi responde.
_ Você acha que eu devo desistir?
_ Não, eu conversei com a antiga psicóloga dele pelo telefone e ela disse que isso é normal, que devemos ter paciência, não forçar. – Demi diz. _ Ele irá lhe aceitar. – ela garante.
_ Eu tenho que voltar para casa. Eu tenho sessão de fisioterapia, eu não posso faltar.
_ Você acha que sua mãe lhe deixará voltar para cá?
_ Eu não sei como vai ser com ela, não falo com ela desde que toda essa confusão aconteceu.
_ Talvez o Nicholas consiga uma vaga para você na fisioterapia daqui por um bom preço. – Demi sugere.
_ Isso significa que eu nunca mais veria minha mãe...
_ Eu não quero que você a abandone, como mãe eu não desejo isso para ninguém, mas eu não quero te perder novamente e eu tenho a impressão que se você for eu não lhe verei novamente. – ela diz e eu não sei como responder. _ O Nicholas tem uma vida aqui, assim como o Jonathan, mudar com o Jonathan de cidade seria possível, mas ruim, porém separa-lo do Nick? Eu não teria coragem de fazer algo assim.
_ Eu entendo.
_ Talvez possamos visitar...
_ Demi. – interrompo-a. _ Eu entendo e admiro o que você está tentando fazer, mas é como minha mãe disse, eu tenho que decidir. – eu digo.
_ Isso é injusto.
_ Mas é o que temos. – digo. _ Eu não gosto disso também, mas, pelo menos por agora é isso que temos.
 _ Sabe? Vamos afastar isso... Esta conversa não está nada animada. – ela diz. _ Eu tenho um plano e acho que vai funcionar.
_ E do que se trata?
_ Você terá o Jonathan, e será mais rápido que você pensa.

Eu não sabia como tínhamos chegado até aqui, até alguns minutos atrás Jonathan mal olhava para nós, mas agora ele está todo feliz, empolgado.
Estávamos na frente do lugar em que brincaríamos de PaintBall. Eu nunca tinha feito isso antes e sem duvidas não estava na melhor forma para isso, mas eu faria de tudo para conquistar o garoto e se para isso eu tivesse que ir até o meu limite, eu iria.

A roupa de proteção é um pouco pesada, mas nada que me prejudicasse demais, eu pego a arma que nos dão e vou para onde vamos brincar, Demi e Jonathan já estão lá, apenas me esperança, seriamos dois contra um, eu e Demi contra Jonathan. Nicholas não pode vir, pois ainda estava no hospital.

Quando começamos eu fiquei totalmente perdido, eu sai atirando sem saber para onde, provavelmente acertei a Demi, mesmo ela sendo do meu time.
Jonathan sem duvidas era bom nisso, ele sumia e aparecia no meu campo de visão com agilidade e quando não me acertava, passava de raspão, mesmo com a roupa de proteção, os tiros que acertam doem.
No fim era obvio quem tinha ganhado, eu basicamente acertei a Demi, e ela fez o máximo para acertar ao Jonathan e teve algum sucesso, mas nada comparado ao que ele fez, ele me acertou em cheio por varias vezes e sem duvidas acertou a Demetria também.
No fim do jogo ele já começara a conversar com a gente, mas para rir da nossa derrota, mas já era algo, fomos a uma lanchonete perto do local e fizemos a festa.
X-burgueres, porções de batata e onion rings, milk shakes, tudo o que não se deve comer, mas que é bom demais para se recusar. No fim eu nem mesmo sabia como me colocar de pé, comi tanto que ao me levantar me curvei para frente.
Para fazer a digestão, fomos passear no parque, o dia estava fresco, era um ótimo dia para ficar ao ar livre.
_ Porque vocês dois não brincam de futebol americano? – Demi pergunta, quando já estávamos a um bom tempo por lá.
_ Não sei se consigo. – digo.
_ Você arremessava bem quando mais novo. – ela insiste.
_ Eu posso pegar. – para minha surpresa, Jonathan também quer isso. Olho para Demi e ela sorri para mim.
_ Posso pegar a bola e a luva no carro. – ela diz. Olho para Jonathan e ela não demonstra tanto, mas vejo que ele está feliz.
_ Sim. – eu digo. _ Claro que quero. – falo. _ Eu não sei se ainda rebato bem...
_ Pior que a mamãe você não é. – ele diz.
_ Ei. – Demi reclama e ri. _ Eu estou aqui ok?
_ Mas você é bem ruim. – ele diz e ri também.
_ É porque isso que não devemos dar açúcar aos filhos, eles perdem a noção do perigo. – Demi diz olhando para mim e ri, eu riu junto.
Enquanto Demi se levanta e vai até onde estacionou o carro para pegar a luva e a bola para jogarmos eu tento puxar conversa com Jonathan.
_ Muito obrigada por isso. – digo e ele dá de ombros. Temo que eu tenha estragado tudo ao tentar falar algo, mas depois de alguns segundos é ele quem começa a conversa.
_ Você vai ficar?
_ Não sei ainda.
_ Se você ficar, você vai permitir que o Nicholas continue com a gente?
_ Claro, ele é meu irmão e de certa forma, ele também é seu pai, eu devo muito a ele. – digo.
_ Você e mamãe estão juntos?
_ Sim.
_ Ela parece feliz. – ele repara.
_ E eu pretendo mantê-la assim, feliz, eu quero fazê-la feliz.
_ Então fique. – ele diz e sinto que é o que ele deseja, principalmente quando ele termina de falar, me surpreendendo como nunca fui surpreendido. _ Fique, pai.


Continua

Estamos de volta, espero que tenham gostado.

Um feliz 2017 para todos.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Capítulo 12 (Antepenúltimo Capítulo)





O taxi chega e Nicholas se despede de mim, ele fala o endereço para o motorista e partimos.
Minha perna não para de mexer, sinto-me nervosos, ansioso, sei que Demi esta brava comigo, mas também sei que ela me ama e isso é tudo o que eu preciso saber.
Sinto como se o caminho para chegar fosse infinito, só quero chegar logo.
Assim que ele para na frente da casa de Demetria, pago com o cartão que Nicholas me emprestou para isso.
Bato na porta e quem abre é Demi.
_ Você não deveria estar aqui.
_ Você quer que eu esteja aqui. – eu digo.
_ Não, não quero.
_ Sim, você quer.
_ Não, não quero. – dou um passo para ficar mais próximo dela e ela não se afasta.
_ Vamos parar com isso, já perdemos muito tempo.
_ Eu quero que você vá embora. – ela insiste, eu me aproximo mais ainda, e ela dá um passo para trás, agora estou totalmente dentro da casa, viro-me apenas para fechar a porta. _ Joseph...
_ Shhhh. – peço para que ela se cale. _ Não. – digo e ela para, olho para ela e vejo em seus olhos a mesma Demi que eu sempre amei, não importa que se passaram 14 anos, não importa nada, eu ainda a amo.
 Toco na corrente em seu pescoço e puxo para fora e como Nick havia dito, lá estão as alianças. Volto meu olhar para ela, e sei que ela não mais irá fugir.
_ Onde está Jonathan? – pergunto.
_ No quarto, eu o mandei estudar, mas eu tenho certeza que ele deve estar jogado LOL, ou alguma coisa do tipo.
_ Você sabe que eu não faço a mínima ideia do que seja isso, não é?
_ Eu também não sei, mas posso te dizer que nos dá pelo menos uns 20 minutos sem criança perturbando. – ela diz.
_ Acho que dá.  – digo.
_ Vai ter que dar. – ela diz.
Se ambos concordamos, não há mais por que esperar. Largo a bengala no chão e jogo Demetria contra parede.
Beijo-a com intensidade e ela corresponde.
_ No meu quarto. – ela diz quando nos permitimos separar por alguns segundos. Ela deixa que eu me apoie por trás dela, aproveito-me e vou dando leves beijos e chupões em seu pescoço.
Chegamos ao quarto e Demi me joga na cama.
_ Tem certeza que aguenta? – ela pergunta.
_ Não pergunte, eu não quero pensar. – respondo.
Demi sobe sobre mim e começa a tirar minha blusa, ela deposita beijos sobre minha barriga a medida que ela me despia. Ela tocava algumas das cicatrizes que eu tinha, e as acariciava. Depois ela tirou sua blusa e sutiã e permitiu que eu levantasse meu tronco para que eu pudesse me sentar e beija-la pelo busto.
Trocávamos caricias como nunca antes. Era como se estivéssemos tentando redescobrir o corpo um do outro, capturar as diferenças que os 14 anos separados havia deixado.
Demi me puxa, para que eu me levante e retira minha calça e cueca, o seu toque me deixa arrepiado, volto a deitar-me e ela volta a acariciar-me, nossas respirações já estão descompassadas e ainda nem mesmo começamos a parte ágil e feroz.
Ela se levanta para tirar sua calça e depois sua calcinha.
Demi comanda os movimentos, primeiramente lentamente, estamos nos reconhecendo, nos reconectando novamente.
Eu já estava vivo dentro dela, e ela começou a acelerar.
Tentávamos não fazer barulho, pois Jonathan estava no quarto ao lado, mas às vezes um deixava escapar algum gemido.
Quando estávamos prestes a chegar ao ápice, Demi diminuiu o ritmo, na tentativa de prolongar nosso momento.
Quando o momento chegou foi quase simultâneo. Demi deixa seu corpo cair todo sobre o meu e me beija. Sorrimos.

Agora estamos deitados um entrelaçado ao outro. O silêncio persiste, porém é um silêncio bom.
_ Você quer ser o pai de Jonathan? – ela pergunta.
_ Sim. – eu respondo.
_ Eu vou lhe ajudar. – eu sorrio. _ Seremos uma família. – ela completa. Eu olho para ela e sinto meu coração batendo forte de felicidade. _ Você veio ao encontro do passado, mas vai sair com a garantia de um futuro.
_ Um futuro ao seu lado. – eu digo.
_ Sempre. – ela diz.
_ Sempre. – eu confirmo.

Continua


Então é isso galera, última postagem de hoje e última do ano. Espero que vocês tenham gostado de tudo e que espero que vocês tenham um bom fim de ano e um ótimo 2017.
No próximo ano finalizaremos esta fic e já estou pensando em várias histórias novas para vocês, espero que vocês possam continuar me acompanhando.
Muito obrigada por tudo

♥ ♥ ♥ ♥

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Capitulo 11



Se Demi não tivesse tão apressada para chegar, eu provavelmente não teria conseguido acompanha-la. Mas ela poderia ficar discutindo comigo, então teve que me aceitar. Porém ela me trata com silêncio total, e isso me faz arrepender um pouco.
_ Senhorita Demetria, pode entrar. – a secretaria a chama, eu levanto junto, Demetria para e me olha, mas releva e não me impede de entrar com ela.
 Entramos na sala da diretora e ela me olha sem entender nada.
_ Ele é o Joseph, ele é irmão do Nicholas e só veio me acompanhar. – Demi explica.
_ Sim, claro, seja bem vindo à Monteith High School. – a diretora me cumprimenta.
_ Obrigada.
_ Bom, Demetria, nós sempre nos encontramos por bons motivos e eu realmente não sei o que dizer, aconteceu alguma coisa para que o Jonathan agisse desse jeito? – ela pergunta. Demi olha para mim com um olhar recriminatório. Eu não consigo sustentar meu olhar, olho para o chão.
_ Eu também não sei. – Demi responde. _ Eu peço perdão, o outro garoto, ele está bem?
_ Ele teve o braço esquerdo deslocado, mas vai ficar bem. – responde a diretora.
_ Meu Deus. – Demetria leva as mãos à cabeça, sem reação.
_ Demetria, eu conversei um pouco com o Jonathan, ele não quis se abrir muito, pode ser uma fase, algo da adolescência, isso acontece, mas outra pessoa foi machucada nesta história, seja lá o que esteja acontecendo, precisa parar. – a diretora diz.
_ Eu sei. – a voz de Demi sai fraca. _ Eu vou resolver o mais rápido difícil.
_ Eu terei que dar uma suspensão para ele de uma semana.
_ Mas é a semana de prova. – Demi arregala os olhos.
_ Eu sei, mas eu preciso fazer algo.
_ Não pode ser nada mais? Ou pelo menos que a suspensão seja em outra semana? – Demi pede.
_ Demetria, me desculpe, se tivesse sido um empurrão, um xingando o outro... Mas ele teve que ir para o pronto-socorro. Como que eu vou explicar para os pais do garoto que eu não fiz nada?
_ Mas eu não estou pedindo para que não o puna, só que não o prejudique nas provas, ele vai tomar recuperação final, provavelmente em várias matérias, isso pode significar reprovação direto.
_ Isso significa que no próximo semestre ele deverá se esforçar muito mais.
_ Meu Deus. – Demi volta a se desesperar, eu fico sem saber o que fazer, observando a tudo sem reação.
_ Ele estará lhe esperando na enfermaria. – a diretora diz e entendemos que devemos sair.

Saímos da diretoria e percebo que Demi começa a ficar furiosa.
_ Me desculpe, Demi, eu não quer....
_ Cale a boca Joseph. – ela diz e eu me calo.
Encontramos Jonathan de braços cruzados do lado de fora da enfermaria. Demi para frente a ele, os dois se encaram bravos.
Ele tem um curativo na testa.
_ Você vai perder a semana de prova, provavelmente o ano, valeu a pena?
_ Sei lá, valeu? – Jonathan a encara.
_ Jonathan, porque você está agindo deste jeito? – Demi pergunta, mas depois olha para mim. _ Jonathan – ela volta para o filho. _ eu sei que a gente precisa conversar sobre isso, tudo bem? Mas eu preciso que você entenda a gravidade do que você fez, um garoto foi parar no pronto-socorro porque você brigou com ele.
_ Porque ele era um molenga e chato.
_ O que ele fez com você? Você não é assim. Você é um garoto bom.
_ E você é uma mãe que nem mesmo sabe me dizer de qual dos irmãos eu sou filho! – Jonathan grita e sai, deixando-me sozinha com Demi.
Demi fica paralisada e eu boquiaberto.
_ Demi eu...
_ Não Joseph – ela me interrompe e se vira para mim. _ Eu não te amo mais.
Agora quem sai é ela e quem fica paralisado é eu.

Sinto-me pior quando não encontro o carro de Demi, ela me deixou para trás, ela sabe que eu não conheço a cidade e que não sei como voltar para sua casa.
Volto para dentro da escola, e vou até a secretaria, talvez eles me deixem usar o telefone, não sei se tenho algum telefone decorado, mas talvez eles me deem o telefone de Demi ou de Nick.
Assim que chego a secretaria me chama pelo nome e me entrega um papel.
_ Demetria pediu para que você vá a este endereço. – diz. Agradeço.
Uso o telefone para olhar no mapa, ver se o endereço fica longe, e vejo que está perto, apenas uma esquina de distancia. Fico aliado, pois eu não tinha trazido nenhum dinheiro, não havia como pegar um taxi ou um ônibus, caso fosse longe.

Assim que chego, vejo que fui mandado a um hospital, era algum tipo de brincadeira? Piada de Demetria?
_ Vocês não conseguiram ficar um dia como juntos como uma família. Sério? – Nicholas aparece do lado de fora, ele usa jaleco e isso me parece tão estranho, ainda é complicado aceitar que meu irmão irresponsável e aventureiro se tornou médico.
_ Não sei se quero falar com você agora.
_ Claro, porque um garoto de 14 anos falou que me viu dormindo no quarto da sua quase esposa. Joseph, cale a boca, vamos entrar. – Nicholas diz.
_ Então ele não estava falando sério?
_ Joseph, cale a boca. – ele ri. _ Vamos. – ele entra e eu o sigo.

O hospital é grande, porém menor do que eu estava.
Vamos até a cafeteria que fica no segundo andar, está bem vazio.
_ Você quer algo? – Nicholas pergunta.
_ Que você me responda.
_ Dia ruim?
_ Nicholas... – começo a reclamar, mas ele me interrompe.
_ Joseph, você pode ter ficado em coma por 14 anos, mas isso não te dá aval para se tornar burro. – fico surpreso da forma em que ele põe a situação.
_ Ele disse...
_ Joe, quando ele nasceu eu criei ele, quando eu cheguei nessa cidade aquela casa tinha dois cômodos, o banheiro, e o quarto que também era sala e cozinha, com o tempo fomos ampliando e reformando a casa, mas até a uns oito anos atrás havia apenas dois quartos, um pro Jonathan e um que eu dividia com Demi, depois eu construí aquele escritório me que você está dormindo e comecei a dormir lá, depois eu construir mais um quarto, era maior, num ponto melhor, então me mudei de quarto de novo.
_ Então...
_ Então nada, Joseph, depois que eu construí meu quarto teve algumas vezes sim que eu dormi no mesmo quarto que a Demi, mas não foi porque eu estava tendo nada com ela, mas sim porque ela estava triste por alguma razão e precisava de alguém, um amigo.
_ Eu... Eu não sei o que dizer.
_ Que tal, desculpa?
_ Me desculpe.
_ Não para mim. – ele diz.
_ Ela me odeia.
_ Ela não te odeia.
_ Ela disse que não me ama mais.
_ Ela te ama.
_ Não, você não entende, ela disse.
_ Joe, você reparou que ela usa um corrente? O tempo todo? – ele pergunta e eu paro para tentar puxar na memoria.
_ Sim?
_ Então da próxima vez repare. – ele diz.
_ E o que isso tem haver?
_ Geralmente a parte final da corrente fica escondida na blusa, por isso você não deve ter percebido nada, mas naquela corrente ela carrega a aliança de vocês, as duas alianças.
_ As nossas alianças? – pergunto sem crer no que Nicholas diz.
_ Sim, ela nunca se separou das alianças e se você entrar no quarto dela, a foto na escrivaninha? Sua foto. Eu já namorei, já quase noivei, eu já me separei, fui corno. – rimos. _ Hoje estou... Ficando novamente, mas ela nunca quis mais ninguém, ela nunca olhou para mais ninguém, ela sempre esperou por você. Ela pode estar brava, e por isso ela disse o que disse, mas ela te ama Joseph, ela sempre te amou.


Continua

Capítulo 10




_ Porque você acha isso? – tento disfarçar, prometi a Demetria esperar, não posso fazer isso com ela.
_ Minha mãe disse que meu pai sofreu um acidente e por isso não podia me ver, e você sofreu um acidente e ficou em coma, e você agora chega me fazendo perguntas... – Jonathan é esperto e já tinha ligado os pontos, eu poderia mentir para ele, tentar falar que era pura coincidência, mas isso poderia prejudicar nosso relacionamento no futuro, não poderia? _ E o Nicholas é seu irmão, faria mais sentido do porque ele ter me adotado.
_ Para você está tudo bem? – pergunto, não quero que ele fique bravo nem comigo, nem com Demi ou Nick. Ele balança os ombros.
_ Acho que sim. – eu não sei o que dizer, ele parece não se importar, o que parece bem estranho para mim, ele acabou de descobrir a verdade sobre seu pai e ele está tranquilo? Será que ele já desconfiava?
_ Se você pudesse não falar nada com sua mãe, só por hoje, ela... Ela não queria que você soubesse assim... – peço.
_ Tudo bem, o jantar já passou mesmo, não é como se eu fosse conversar com ela.
_ Já é muito tarde? – pergunto.
_ Já é quase uma da manhã. – responde.
_ E você está acordado numa hora dessas por quê?
_ Não estou come muito sono. – dá de ombros.
_ Sua mãe não lhe disse que eu queria falar com você, não é?
_ Não. – ele assume.
_ Então você mentiu para mim?
_ Você também mentiu sobre o além. – ele me acusa, mas depois se recompõe. _ Mas você queria falar comigo, não queria? – pergunta.
_ Sim. – digo.
_ Então no fim eu só te ajudei.
_ Você me quer ter como pai? – pergunto.
_ Você parece legal. – Jonathan diz. _ Mas eu gosto do Nicholas. – eu entendo o que ele quer dizer, eu poderei me aproximar dele, mas está bem claro que Nicholas sempre será seu pai.
_ Eu não pretendo lhe afastar dele. – eu digo. _ Nem de sua mãe.
_ Mesmo se a Denise pedir? – ele pergunta e eu não entendo.
_ Como assim?
_ Se a sua mãe pedir para que você pegue minha guarda, você vai negar?
_ Você conhece minha mãe?
_ Mais o menos, eu já a vi uma vez... – ele diz.
_ No enterro do vovô.
_ Você foi?
_ Sim, meu pai, quer dizer... Meu...
_ Pode continuar a chama-lo de pai, tudo bem. – eu digo, não posso exigir que ele mude o seu habito de um dia para o outro, por mais que eu queria que ele um dia seja capaz de me chamar de pai.
_ Meu pai me levou. – ele diz.
_ E porque você acha que minha mãe iria querer sua guarda?
_ Porque ela já quis antes?
_ Como assim?
_ Sei lá, sua mãe é louca. – a maneira em que ele fala lembra o lado cômico de Demi, se eu não tivesse tão chocado com o que ele me disse, eu teria rido.
_ O Nicholas e sua mãe, eles tem algo? – pergunto.
_ Eles não dormem mais juntos, então acho que não.
_ Não dormem mais? Então eles já dormiram juntos? – pergunto e sinto medo da resposta.
_ Sim.


Eu não consigo dormir direito, fico pensando que estou vivendo em uma montanha-russa, uma hora sinto-me traído por Demetria, depois me sinto traído por minha mãe, e agora volto a me sentir traído por Demetria, cochilo de leve de vez em quando, mas passo a maior parte da noite acordado.
Sinto o efeito disso de manhã, quando vejo já são 8 da manhã, levanto-me depressa, vou até a cozinha e encontro Demetria começando a tirar a mesa do café-da-manhã.
_ Cadê o garoto? – pergunto.
_ Bom dia também. – ela diz.
_ Cadê o garoto? – ela para e me olha desconfiada.
_ Foi para a escola. – responde.
_ Que história é essa que minha mãe queria a guarda dele?
_ Ah. – ela relaxa. _ Logo após a morte do seu pai ela pediu a guarda dele.
_ Você disse que ela nunca teve interesse nele.
_ E nunca teve mesmo, ela entrou na justiça com um pedido de guarda, com isso conseguiu meu telefone e eu fui obrigada a voltar para aquela cidade, junto a Nicholas e Jonathan, e para quê? Para nada! Ela nem mesmo compareceu perante o conciliador. Mas meu telefone? Esse aí ela compareceu direitinho. – ela diz.
_ E porque você não me falou essa parte? Porque eu devo confiar nisso agora?
_ Pergunta para ela, ou pergunta para o Nicholas...
_ Para o Nicholas, seu amante?
_ Joseph, serio?
_ Ele disse que vocês dormiam juntos. – digo.
_ Como assim “ele disse”? – arrepio-me ao perceber a mudança em sua voz e postura. Pronta para atacar. _ Quem te disse tudo isso? Não foi sua mãe? – ela pergunta, dando-me a chance de concertar tudo isso, mas eu não arredo o pé, desta vez eu quero a verdade, não importa o quanto doa.
_ Foi ele, Jonathan me disse.
_ Você contou para ele?
_ Ele já sabia, eu não precisei dizer nada.
_ EU TE PEDI APENAS UM DIA JOSEPH, um dia!
_ Ele apareceu de noite no meu quarto, eu não ia falar, não era minha intensão...
_ Você não podia ter feito isso. – ela grita, posso ver que ela está desesperada.
_ Ele ficou bem. – digo para acalma-la.
_ Não Joseph, você não o conhece, ele estava estranho hoje cedo, eu pensei que era por causa das provas, mas não... Eu não acredito nisso!
_ Ele ficou bem, ele aceitou bem, eu juro!
_ Eu já disse que você não o conhece! Você não sabe o que é Jonathan bem e Jonathan mal! Você não sabe de nada Joseph! Nada! – tremo de medo, eu nunca, nunca vi nem mesmo imaginei ver Demetria tão nervosa e gritando tão alto.
Eu fico sem saber o que fazer, eu quero contesta-la, mostrando que sei sim, mas eu na verdade não sei, fora que ao vê-la daquele jeito, raivosa, vermelha de raiva, sinto que se eu respirar um pouco mais alto eu ganharei um soco na cara.
Demetria se apoia na mesa, respira fundo, tenta se acalmar.
_ Não foi por mal. – digo ao ver que ela começa a retomar seu controle. _ Eu vim na esperança de poder recomeçar com você e eu sei que até então eu não tenho feito por merecer, mas eu tinha essa esperança, mas para isso eu preciso saber. Quem você ama? – Demi suspira e olha para mim, vejo que ela vai responder, mas antes o telefone toca. Ela hesita, e decide atender a chamada.
Ela me deixa sozinho na cozinha e vai até a sala pegar o telefone.
_ Alo? – escuto ela atender. _ O que? – sinto a urgência em sua voz, alguma coisa ruim aconteceu.

Continua

Babii: Denise realmente surpreende cada dia mais. Muito obrigada por comentar ;) 
Marina: Muito obrigada por avisar ;)



quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Capítulo 9


Somos quatro. Somos uma família.
Uma mãe, um filho, um pai e um tio. Não importa se para mim e para Jonathan o cargo de parentesco seja distinto, mas eu aceito, pois ali, sentado àquela mesa, comendo aquela comida, eu me sinto em família, eu me sinto bem.
_ Tio, você vai passar muito tempo aqui? – Jonathan pergunta e eu demoro a perceber que é comigo, pois por mais que eu ainda não tenho me acostumado com o fato de ser pai, me acostumei muito menos com o fato de que para ele, eu sou tio.
_Apenas alguns dias. – eu digo. _ Isso lhe incomoda? – pergunto, sei que para Nicholas e para Demetria minha presença não é incomoda, mas ainda não sei nada sobre Jonathan.
_ Não, vai ser legal, eu vou lhe encher de perguntas. – ele diz entusiasmado.
_ Ele tem uma obsessão pelo sobrenatural, e como dizem que pessoas que estão em coma costumam ter experiências do além... – Nicholas explica.
_ Ah sim. – digo como quem não quer nada.
_ Você teve? – Jonathan pergunta afobado.
_ Não. –respondo sem hesitar e recebo um chute de Demi na canela, por baixo da mesa, olho para ela e para Nicholas e os dois parecem não gostarem da minha frieza, olho para Jonathan e vejo que ele esta decepcionado. _ Quer dizer... – assim que digo estas palavras vejo os olhos do garoto se iluminarem de esperança. _ eu pensava que eram sonhos, mas agora que você falou... – minto.
_ Sério?! – vejo seu entusiasmo e isso me faz ficar entusiasmado também, percebo que Demetria gosta de como me saio. _ E como foi? O que você viu? Onde você foi?
_ Jonathan, Jonathan... – Demi o interrompe. _ Perguntas apenas após o almoço, deixe-o descansar um pouco. – Jonathan a respeita e assente.

Após o almoço ajudo Demi com os pratos, Nicholas vai dormir, pois está cansado do plantão que deu no hospital, Demetria faz Jonathan ir fazer suas tarefas da escola.
_ Jonathan é um menino muito bom. – eu digo. _ Te respeita melhor do que eu respeitava minha mãe. – ela ri.
_ Eu acabei virando a mãe general. – ela ri e me passa o prato para que eu seque. _ mas tenho meus momentos de mão divertida, você só não pode ver ainda.
_ E eu não duvido disso. – eu digo.
_ Joseph. – Demi olha para os lados. _ Agora que você já sabe a verdade. – ela quase sussurra. _ O que você pretende fazer?
_ Como assim?
_ Você pode fazer o que quiser, você tem o direito de pedir a guarda dele, você tem como provar paternidade ou você pode simplesmente deixar como está.
_ É isso que você quer? – pergunto. _ Que eu siga sendo apenas o tio que acordou do coma. – ela hesita.
_ Me desculpe. – ela pede. _ Eu... Me desculpe. – pede novamente. _ Ele tinha acompanhamento de uma psicóloga quando menor, eu queria ter certeza que toda essa confusão não prejudicasse ele, sobre o pai ter sofrido um acidente, sobre o homem que o criou como pai não ser seu pai verdadeiro, sobre a família ser toda separada... Isso é tudo o que ele sabe, e ele cresceu bem sabendo apenas disso, eu quero conversar primeiro com a antiga psicóloga dele, para ver como é a melhor forma de contar para ele tudo.
_ Então não é para contar agora?
_ Não hoje.
_ Eu tenho quatro dias, Demi, e eu quero ser o pai dele. – digo. _ Eu estou assustado, mas eu quero isso.
_ Eu sei. – ela diz, percebo que ela se sente incomodada com isso.
_ Eu não acredito nisso, você não quer isso, não é?
_ Eu temo por ele, ele se acostumou a uma realidade e agora ela mudará totalmente...
_ Você teme por ele ou por você?
_ Talvez eu tema por mim também ok? Mas se eu falar com a psicóloga e ela dizer que é o melhor para ele, eu não ligo, eu só peço por um dia. Conheça-o primeiro, converse e faça uma amizade, seja tio, depois, quando der, se torne pai.
_ Tá. Que seja. – digo jogando o prato na pia, quase quebrando-o. _ Desculpa.
_ Você precisa descansar. – ela diz. _ Vou te levar para seu quarto.

A casa é de um andar e meu quarto fica no fundo, vejo que é algo improvisado, pois ali, além da cama, tem mesa de escritório e vários eletroeletrônicos.
Eu deito na cama e permito-me dormir, quando acordo já é noite.
Eu ainda não sei o que dizer, muito menos o que fazer, tudo aconteceu depressa demais. Eu tinha muitas perguntas ainda e pela primeira vez eu senti medo.
Eu pego o telefone e faço a ligação que deveria ter feito antes, mas que não fiz, talvez após conversar com minha mãe eu tome mais coragem para falar com Jonathan, meu filho.
É necessário quatro "bips" para que minha mãe me atenda. Sei que ela espera pela minha ligação e escuto em sua voz pura decepção.
_ Você já sabe onde estou? - pergunto.
_ Infelizmente. - ela responde, sua voz sai chorosa.
_ Eu precisava disso, mãe.
_ E por acaso ficou feliz com que encontrou?
_ Eu tenho um filho, mãe. Eu sou pai. - eu até pensei que tinha me acostumado com a ideia, mas minha voz sai assustada, e ali eu percebo que não ligo para minha mãe porque quero um acerto de contas ou porque quero julgar ou brigar, quer dizer, eu quero fazer tudo isso, o que minha mãe fez foi horrível, mas neste momento eu preciso dela, eu sou pai e eu não faço a mínima ideia do que devo fazer agora.
_ Este filho não é seu é de Nicholas. - ela diz com nojo.
_ Mãe ele é meu, eu sei que é meu.
_ Ela está te enganando de novo, Joseph, volte para casa, vamos esquecer tudo isso, você já teve o que queria.
_ Não mãe, pare com isso! - me irrito, eu preciso dela, mas preciso da mãe que eu conhecia há 14 anos, antes de tudo isso, não da mãe de agora que eu nem mesmo consigo reconhecer. _ Nicholas é tão seu filho quanto eu, e Jonathan é seu neto, seu único neto e eu sou seu filho, filho que precisa de você, mas da você que tu costumava a ser, não esta de agora.
_ Você não vê que eles te enganam? Que seja, o filho é seu, e eles provavelmente lhe encheram a cabeça contra mim, mas será que eles te contaram tudo Joseph?
_ Mãe...
_ Não Joseph, eu fiz coisas que eu me arrependo, mas eu fiz por você, se quer acreditar apenas neles, acredite, mas o que eu fiz, por mais errado que seja, eu faria de novo, quantas vezes fosse necessário.
_ Mãe, eu quero ser pai dele. - eu digo, tentando ignorar tudo o que ela disse, na última esperança de que ela irá se sensibilizar e me ajudar.
_ O garoto sabe sobre você?  - ela pergunta e eu percebo que ela irá me ajudar.
_ Sabe sobre mim, mas não quem eu realmente sou.
_ Claro que não... - minha mãe bufa. _ O menino tem uma vida inteira sem você na vida dela Joseph, como que você pretende virar pai agora? Do nada?
_ Ele é um menino bom, mãe, você iria gostar dele.
_ Não iria não.
_ Ele lembra do papai. - vejo que a surpreendi. _ Meu pai gostava dele, você sabia? - ela hesita em responder.
_ Seu era pai bobo, molenga, não podia ver criança que queria pegar no colo.
_ Então você sabia, e não se interessou no garoto?
_ Ele é fruto de uma traição!
_ Você realmente acredita nisso mãe? Ou você simplesmente se repete pra tentar se justificar?
_ O que você quer de mim? Eu já disse que faria tudo novamente.
_ Tudo isso poderia ter sido diferente mãe.
_ Sim, poderia, se eles não tivessem quase te matado...
_ Se você não tivesse separado nossa família. - corrijo-a.
_ Você me ligou para quê?  Para me julgar? Porque eu fiquei a noite sem dormir preocupada com você.
_ Eu liguei porque quero unir nossa família mãe, e por mais que eu tenha raiva do que você fez, eu quero que você faça parte dela.
_ Não tente Joe. Você vai ter que escolher: ou sua família está aqui ou a sua família é a que está aí. - o silêncio que ficou no telefone decretou o fim da nossa conversa. Eu liguei procurando por ajuda e respostas, e acabei com um dilema maior ainda.
Saio do quarto em que estou e encontro Jonathan na porta, me assusto.
_ Ei. – digo ao perceber que ele me olha, mas não diz nada.
_ Ei. – ele responde. _ Minha mãe disse que você queria conversar comigo.
_ Ela disse? – me surpreendo.
_ Sim. – ele confirma.
_ Tem certeza?
_ Sim, quer perguntar?
_ Não, não. Quer entrar? – pergunto, voltando para o quarto. Ele me segue.
Sento-me na cama e ele se senta a meu lado.
_ Então? – ele quer que eu inicie o assunto. _ Você não quer falar sobre sua experiência no além não é?
_ Bom, podemos falar sobre isso também...
_ Eu sei que você só falou aquilo para me animar. – ele me interrompe.
_ Sabe?
_ Nem todos tem algum tipo de experiência, e não há nada de mal nisso, cada pessoa é uma, talvez você até tenha tido, mas não se lembra. – ele diz com uma maturidade anormal.
_ Bom, me desculpe, eu não queria mentir.
_ Tudo bem, você só quis agradar. – ele dá de ombros. _ Então sobre o quê você quer conversar? – fico sem saber o que falar, por mais que eu agradeça Demetria por ajudar-me a aproximar de Jonathan, eu não me sinto preparado para isso, eu não sei o que perguntar, eu não sei por onde começar... Seria esta a ideia dela? Mostrar-me que não estou preparado para ser o pai de Jonathan, pois nem mesmo conversar com ele eu consigo?
_ O que você sabe sobre mim? – pergunto.
_ Que você sofreu um acidente e que estava em coma. – ele diz sem pestanejar. _ E que você é irmão do meu pai.
_ Você que o Nicholas não é...
_ Meu pai verdadeiro? – ele completa ao ver que me enrolo, pois temo que no fundo ele não saiba, mesmo Demetria tendo garantido que ele sabia. _ Eu sei, mas ele me criou e me registrou como dele, ele me adotou, então ele é meu pai.
_ Mas você não quer saber quem é seu pai? – pergunto.
_ Não sei... Acho que estou bem como estou.
_ E se seu pai quisesse conhecer você? – pergunto. Jonathan para e me olha pensativo, creio que ele esta pensando bem na resposta que me dará, mas o que ele me pergunta me surpreende.
_ Você é meu pai?

Continua