quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Capítulo 9


Somos quatro. Somos uma família.
Uma mãe, um filho, um pai e um tio. Não importa se para mim e para Jonathan o cargo de parentesco seja distinto, mas eu aceito, pois ali, sentado àquela mesa, comendo aquela comida, eu me sinto em família, eu me sinto bem.
_ Tio, você vai passar muito tempo aqui? – Jonathan pergunta e eu demoro a perceber que é comigo, pois por mais que eu ainda não tenho me acostumado com o fato de ser pai, me acostumei muito menos com o fato de que para ele, eu sou tio.
_Apenas alguns dias. – eu digo. _ Isso lhe incomoda? – pergunto, sei que para Nicholas e para Demetria minha presença não é incomoda, mas ainda não sei nada sobre Jonathan.
_ Não, vai ser legal, eu vou lhe encher de perguntas. – ele diz entusiasmado.
_ Ele tem uma obsessão pelo sobrenatural, e como dizem que pessoas que estão em coma costumam ter experiências do além... – Nicholas explica.
_ Ah sim. – digo como quem não quer nada.
_ Você teve? – Jonathan pergunta afobado.
_ Não. –respondo sem hesitar e recebo um chute de Demi na canela, por baixo da mesa, olho para ela e para Nicholas e os dois parecem não gostarem da minha frieza, olho para Jonathan e vejo que ele esta decepcionado. _ Quer dizer... – assim que digo estas palavras vejo os olhos do garoto se iluminarem de esperança. _ eu pensava que eram sonhos, mas agora que você falou... – minto.
_ Sério?! – vejo seu entusiasmo e isso me faz ficar entusiasmado também, percebo que Demetria gosta de como me saio. _ E como foi? O que você viu? Onde você foi?
_ Jonathan, Jonathan... – Demi o interrompe. _ Perguntas apenas após o almoço, deixe-o descansar um pouco. – Jonathan a respeita e assente.

Após o almoço ajudo Demi com os pratos, Nicholas vai dormir, pois está cansado do plantão que deu no hospital, Demetria faz Jonathan ir fazer suas tarefas da escola.
_ Jonathan é um menino muito bom. – eu digo. _ Te respeita melhor do que eu respeitava minha mãe. – ela ri.
_ Eu acabei virando a mãe general. – ela ri e me passa o prato para que eu seque. _ mas tenho meus momentos de mão divertida, você só não pode ver ainda.
_ E eu não duvido disso. – eu digo.
_ Joseph. – Demi olha para os lados. _ Agora que você já sabe a verdade. – ela quase sussurra. _ O que você pretende fazer?
_ Como assim?
_ Você pode fazer o que quiser, você tem o direito de pedir a guarda dele, você tem como provar paternidade ou você pode simplesmente deixar como está.
_ É isso que você quer? – pergunto. _ Que eu siga sendo apenas o tio que acordou do coma. – ela hesita.
_ Me desculpe. – ela pede. _ Eu... Me desculpe. – pede novamente. _ Ele tinha acompanhamento de uma psicóloga quando menor, eu queria ter certeza que toda essa confusão não prejudicasse ele, sobre o pai ter sofrido um acidente, sobre o homem que o criou como pai não ser seu pai verdadeiro, sobre a família ser toda separada... Isso é tudo o que ele sabe, e ele cresceu bem sabendo apenas disso, eu quero conversar primeiro com a antiga psicóloga dele, para ver como é a melhor forma de contar para ele tudo.
_ Então não é para contar agora?
_ Não hoje.
_ Eu tenho quatro dias, Demi, e eu quero ser o pai dele. – digo. _ Eu estou assustado, mas eu quero isso.
_ Eu sei. – ela diz, percebo que ela se sente incomodada com isso.
_ Eu não acredito nisso, você não quer isso, não é?
_ Eu temo por ele, ele se acostumou a uma realidade e agora ela mudará totalmente...
_ Você teme por ele ou por você?
_ Talvez eu tema por mim também ok? Mas se eu falar com a psicóloga e ela dizer que é o melhor para ele, eu não ligo, eu só peço por um dia. Conheça-o primeiro, converse e faça uma amizade, seja tio, depois, quando der, se torne pai.
_ Tá. Que seja. – digo jogando o prato na pia, quase quebrando-o. _ Desculpa.
_ Você precisa descansar. – ela diz. _ Vou te levar para seu quarto.

A casa é de um andar e meu quarto fica no fundo, vejo que é algo improvisado, pois ali, além da cama, tem mesa de escritório e vários eletroeletrônicos.
Eu deito na cama e permito-me dormir, quando acordo já é noite.
Eu ainda não sei o que dizer, muito menos o que fazer, tudo aconteceu depressa demais. Eu tinha muitas perguntas ainda e pela primeira vez eu senti medo.
Eu pego o telefone e faço a ligação que deveria ter feito antes, mas que não fiz, talvez após conversar com minha mãe eu tome mais coragem para falar com Jonathan, meu filho.
É necessário quatro "bips" para que minha mãe me atenda. Sei que ela espera pela minha ligação e escuto em sua voz pura decepção.
_ Você já sabe onde estou? - pergunto.
_ Infelizmente. - ela responde, sua voz sai chorosa.
_ Eu precisava disso, mãe.
_ E por acaso ficou feliz com que encontrou?
_ Eu tenho um filho, mãe. Eu sou pai. - eu até pensei que tinha me acostumado com a ideia, mas minha voz sai assustada, e ali eu percebo que não ligo para minha mãe porque quero um acerto de contas ou porque quero julgar ou brigar, quer dizer, eu quero fazer tudo isso, o que minha mãe fez foi horrível, mas neste momento eu preciso dela, eu sou pai e eu não faço a mínima ideia do que devo fazer agora.
_ Este filho não é seu é de Nicholas. - ela diz com nojo.
_ Mãe ele é meu, eu sei que é meu.
_ Ela está te enganando de novo, Joseph, volte para casa, vamos esquecer tudo isso, você já teve o que queria.
_ Não mãe, pare com isso! - me irrito, eu preciso dela, mas preciso da mãe que eu conhecia há 14 anos, antes de tudo isso, não da mãe de agora que eu nem mesmo consigo reconhecer. _ Nicholas é tão seu filho quanto eu, e Jonathan é seu neto, seu único neto e eu sou seu filho, filho que precisa de você, mas da você que tu costumava a ser, não esta de agora.
_ Você não vê que eles te enganam? Que seja, o filho é seu, e eles provavelmente lhe encheram a cabeça contra mim, mas será que eles te contaram tudo Joseph?
_ Mãe...
_ Não Joseph, eu fiz coisas que eu me arrependo, mas eu fiz por você, se quer acreditar apenas neles, acredite, mas o que eu fiz, por mais errado que seja, eu faria de novo, quantas vezes fosse necessário.
_ Mãe, eu quero ser pai dele. - eu digo, tentando ignorar tudo o que ela disse, na última esperança de que ela irá se sensibilizar e me ajudar.
_ O garoto sabe sobre você?  - ela pergunta e eu percebo que ela irá me ajudar.
_ Sabe sobre mim, mas não quem eu realmente sou.
_ Claro que não... - minha mãe bufa. _ O menino tem uma vida inteira sem você na vida dela Joseph, como que você pretende virar pai agora? Do nada?
_ Ele é um menino bom, mãe, você iria gostar dele.
_ Não iria não.
_ Ele lembra do papai. - vejo que a surpreendi. _ Meu pai gostava dele, você sabia? - ela hesita em responder.
_ Seu era pai bobo, molenga, não podia ver criança que queria pegar no colo.
_ Então você sabia, e não se interessou no garoto?
_ Ele é fruto de uma traição!
_ Você realmente acredita nisso mãe? Ou você simplesmente se repete pra tentar se justificar?
_ O que você quer de mim? Eu já disse que faria tudo novamente.
_ Tudo isso poderia ter sido diferente mãe.
_ Sim, poderia, se eles não tivessem quase te matado...
_ Se você não tivesse separado nossa família. - corrijo-a.
_ Você me ligou para quê?  Para me julgar? Porque eu fiquei a noite sem dormir preocupada com você.
_ Eu liguei porque quero unir nossa família mãe, e por mais que eu tenha raiva do que você fez, eu quero que você faça parte dela.
_ Não tente Joe. Você vai ter que escolher: ou sua família está aqui ou a sua família é a que está aí. - o silêncio que ficou no telefone decretou o fim da nossa conversa. Eu liguei procurando por ajuda e respostas, e acabei com um dilema maior ainda.
Saio do quarto em que estou e encontro Jonathan na porta, me assusto.
_ Ei. – digo ao perceber que ele me olha, mas não diz nada.
_ Ei. – ele responde. _ Minha mãe disse que você queria conversar comigo.
_ Ela disse? – me surpreendo.
_ Sim. – ele confirma.
_ Tem certeza?
_ Sim, quer perguntar?
_ Não, não. Quer entrar? – pergunto, voltando para o quarto. Ele me segue.
Sento-me na cama e ele se senta a meu lado.
_ Então? – ele quer que eu inicie o assunto. _ Você não quer falar sobre sua experiência no além não é?
_ Bom, podemos falar sobre isso também...
_ Eu sei que você só falou aquilo para me animar. – ele me interrompe.
_ Sabe?
_ Nem todos tem algum tipo de experiência, e não há nada de mal nisso, cada pessoa é uma, talvez você até tenha tido, mas não se lembra. – ele diz com uma maturidade anormal.
_ Bom, me desculpe, eu não queria mentir.
_ Tudo bem, você só quis agradar. – ele dá de ombros. _ Então sobre o quê você quer conversar? – fico sem saber o que falar, por mais que eu agradeça Demetria por ajudar-me a aproximar de Jonathan, eu não me sinto preparado para isso, eu não sei o que perguntar, eu não sei por onde começar... Seria esta a ideia dela? Mostrar-me que não estou preparado para ser o pai de Jonathan, pois nem mesmo conversar com ele eu consigo?
_ O que você sabe sobre mim? – pergunto.
_ Que você sofreu um acidente e que estava em coma. – ele diz sem pestanejar. _ E que você é irmão do meu pai.
_ Você que o Nicholas não é...
_ Meu pai verdadeiro? – ele completa ao ver que me enrolo, pois temo que no fundo ele não saiba, mesmo Demetria tendo garantido que ele sabia. _ Eu sei, mas ele me criou e me registrou como dele, ele me adotou, então ele é meu pai.
_ Mas você não quer saber quem é seu pai? – pergunto.
_ Não sei... Acho que estou bem como estou.
_ E se seu pai quisesse conhecer você? – pergunto. Jonathan para e me olha pensativo, creio que ele esta pensando bem na resposta que me dará, mas o que ele me pergunta me surpreende.
_ Você é meu pai?

Continua

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Capítulo 8



Já estou na minha segunda xicara de chá de camomila, mas ainda não sinto o efeito calmante que dizem que este chá dá.
_ Quando Nicholas vai chegar? – pergunto.
_ Não sei, acho que ele não vai conseguir sair do trabalho agora. – Demetria, que está sentada ao meu lado no sofá, responde.
_ Nicholas está trabalhando sério agora? – pergunto.
_ Se eu te contar o que ele é agora você não iria acreditar. – ela se permite sorrir pela primeira vez desde que eu cheguei aqui.
_ Eu acabei de descobrir que tenho um filho, não acho que o trabalho de Nicholas vai me surpreender muito. – digo.
_ Ele se tornou médico. – Demetria diz e eu engasgo com o gole de chá.
_ Ele é o que? – pergunto e Demetria gargalha, eu nem mais lembrava como sua gargalhada é boa de ouvir, é o tipo de risada que te faz querer rir também, não importa o quão estranho seu dia esteja.
_ Ele ainda é residente, deve estar no fim do plantão dele hoje, mas nunca se sabe, se surgir uma emergência talvez ele fique um pouco mais no hospital.
_ Inacreditável. – digo.
_ Quatorze anos. – ela me relembra.
_ Quatorze anos. – concordo. _ Terei que espera-lo para ter mais explicações? – pergunto após mais um gole de chá.
_ Não. – ela diz, colocando sua xicara na mesa de centro._ O que você quer saber primeiro.
_ Como isso aconteceu?
_ Isso o que?
_ Você ter um filho meu? Quer dizer, eu sei como, mas... Você sabia da gravidez desde o inicio?
_ Não, claro que não. – ela mexe a cabeça negativamente. _ Eu estava tão fora do controle por causa do casamento depois por causa do acidente que eu nem mesmo parei para olhar para mim, eu podia ver que estava engordando, eu passava mal, tinha enjoos, mas eu pensei que era estresse, porém um dia eu desmaiei e me levaram para o hospital e foi quando descobri que eu estava gravida de cinco meses.
_ cinco meses?
_ Não me pergunte como eu não percebi, eu sei, eu achei que o médico estava brincando comigo, eu estava mais gorda, mas eu não parecia grávida. – diz. _ Quando finalmente me convenceram que era verdade, eu entrei em desespero, sem saber o que fazer, eu não tinha feito nenhum exame, não me cuidei nem um pouco, e eu tinha bebido álcool nesse meio tempo, não muito, porém bebi. Por algum milagre tudo deu certo, tudo saiu certo, ele nasceu saudável e bem gordo. – eu acabo sorrindo ao vê-la contar tudo isso. Demi se levanta e vai até a estante que fica ao lado do porta-retratos que tem uma foto minha. Ela pega um álbum de fotografia, volta e se senta a meu lado. Ao abrir o álbum vejo o bebê.
_ Quando você diz gordo, não estava brincando. – eu digo e ela ri fraco.
_ O parto ia ser normal, mas quando os exames mostraram o provável peso dele, eu desisti e praticamente obriguei o doutor a fazer uma cesariana. – ela diz. _ 4,8 quilos de bebê, imagina isso? – ela vai passando as fotos. As fotos dele no hospital, logo após o parto, ele tomando o primeiro banho, no colo de Demi, no colo da mãe de Demi, no colo de...
_ Meu pai? – pergunto chocado, não esperava ver uma foto dele com meu filho.
_ Seu pai.
_ Meu pai o conheceu então. – concluo e isso me faz sentir bem, não sei por quê.
_ Sim, seu pai foi o melhor avô que ele conseguiu ser, enchia ele de carinho e de presentes, mas até do que deveria. – ela diz.
_ E minha mãe sabia disso?
_ Não sei. – Demi responde. _ Creio que sim, não é como se seu pai fizesse isso as escondidas.
_ Minha mãe nunca quis nada com ele? – pergunto.
_ Não.
_ Desde o inicio?
_ Sim.
_ Mas qual é a razão disso? Como um simples acidente se tornou uma briga incurável entre você e minha mãe? – pergunto, ela não parece gostar muito de como eu coloquei a situação, mas ela aceita e responde.
_ Quando eu e Nicholas nos aproximamos.
_ E como isso aconteceu? Você e o Nicholas...
_ Logo após o acidente todos ficaram devastados, principalmente eu e o Nick, nós dois nos sentíamos culpados, eu por te lhe apressado, Nicholas por ter te ligado enquanto você estava dirigindo... Foi um momento muito complicado para nós e isso nos aproximou muito. Nós entendíamos o sofrimento um do outro melhor que as outras pessoas.
_ Você sabe que não é culpa de vocês, não sabe?
_ Joseph, eu passei os primeiros anos após seu acidente atormentada, não tinha uma noite se quer que eu não chorasse e me perguntasse o porquê. Hoje eu estou melhor, podemos dizer que superei... Eu tive tempo para pensar, eu me arrependo muito, eu era uma Demetria, e quando comecei a organizar o casamento virei outra e eu não me orgulho disso. – eu ri fraco, pois tenho que concordar com ela nesta parte. _ Hoje eu sei que não tenho 100% da culpa, Nicholas também tem e você também tem, eu não sei dizer quem tem mais culpa, ou talvez eu saiba, mas prefira fingir que não.
_ Você não precisa se sentir assim.
_ É difícil Joseph, porque querendo ou não eu causei isso em sua vida e na minha.
_ Eu queria que tivesse sido diferente.
_ Eu também. – ela assume. _ A minha proximidade com Nicholas gerou alguns comentários, pois, assim como nós nos culpávamos, outros nos culpavam tanto quanto...
_ Minha mãe? – eu pergunto.
_ No inicio não, ela foi até bem compreensiva, tudo ficou complicado quando eu descobri que estava gravida, tudo melhorou para mim, pois eu sabia que se o pior acontecesse, eu tinha uma continuação de você dentro de mim, mas acho que piorou para o Nick, ele literalmente pirou, ele se sentiu na obrigação de lhe... Substituir. Ele entrou na faculdade de Direito, assim como você, ele vendeu todas as roupas molambentas que ele costumava usar, trocou tudo, até mesmo as amizades, ficou irreconhecível, claramente infeliz, mas a mudança de postura dele parecia agradar aos outros, sua mãe parecia mais confortada, menos triste... Só que, claramente, o falatório se intensificou. Quando fizemos o chá de bebê do Jonathan, sua prima, a Laura, você se lembra dela?
_ Sim. – respondo. _ Minha prima de segundo grau.
_ Ela mesma. Ela compareceu a festa, eu já sabia que ela era uma das que estavam a falar sobre minhas costas, mas não liguei, eu realmente queria que todos começassem a ver em Jonathan uma esperança, eu queria reunir a família, era como se Deus tivesse me dado a oportunidade de me redimir. Porém ela resolveu fazer um discurso para todos que estavam lá ouvir, e começou a insinuar que o filho era de Nicholas, e que nós já tínhamos um caso mesmo antes do seu acidente, e que Nicholas estava mudado assim por causa disso, pois o filho era dele e como pai ele teria que ser mais responsável e eu só falei que era seu para sair como a boazinha da história.
_ Eu não acredito que ela fez isso...
_ Alguns que estava presentes discutiram com ela, em minha defesa, mas muitos, principalmente do seu lado da família concordou, depois daquele diz nada mais foi igual. Sua mãe não tomou um lado logo de cara, mas eu percebi que ela se afastou, não tinha mais o mesmo interesse no neto como tinha antes, ela também começou a encher Nicholas de perguntas, como se tentasse fazê-lo confessar, o que claramente não aconteceu, pois não existia nada entre a gente. A não ser a culpa. – ela faz uma pausa. _ As coisas começaram a ficar um pouco complicado com o nascimento do Jonathan, o Nicholas encarnou o papel de pai e isso foi a gota d’água para que os que desconfiavam, começarem a confirmar. Eu tentei relevar, foi difícil, até mesmo meus pais que me deram todo apoio desde o inicio desconfiaram por um momento, sua mãe se afastou de Nicholas, não fez nada de mal, mas ela parou de falar com ele. Eu acreditava que tudo ia passar com o tempo, e de certa forma passou, sua mãe nunca mais foi a mesma, mas aos poucos ela foi afrouxando, seus familiares me ignoravam, mas eu tinha os meus e seu pai nos dava suporte o suficiente para todos, mas quando Jonathan completou dois anos eu quis coloca-lo em uma creche, eu estava vivendo as custas dos meu pais, o Nicholas começou a fazer estagio na empresa do seu tio, que além do seu pai era o único por parte da sua família que nos aceitou, e ele me dava praticamente tudo o que ganhava como se fosse pensão, mas os seus pais estavam apertados também, sem condições de pagar o hospital, eu precisava voltar a trabalhar e pra isso precisava deixar o Jonathan numa creche, quando eu fui matricula-lo eu descobri que precisava de algum documento, e eu não havia registrado ele ainda, pois, eu queria que você pudesse registra-lo, mas você não acordava. Hoje eu vejo que foi algo bobo, mas na época era importante para mim.  Eu corri atrás e para que eu conseguisse registra-lo no seu nome eu precisaria entrar na justiça, o que levaria tempo e dinheiro, duas coisas que eu não tinha. Seu pai resolveu que iria registra-lo, porém sua mãe não gostou da ideia, então o Nicholas resolveu que ele iria registrar, assim o Jonathan teria todos os direitos como seu filho, era como se você estivesse registrando, pois era o mesmo sobrenome... Quando sua mãe descobriu ela pirou. Para ela esta era a prova que faltava, os familiares que já nos atormentavam foram para cima de nós. Sua mãe que já não falava mais com o Nick, começou a brigar constantemente com ele e com seu pai, ela também começou a me difamar pela vizinhança, alguns vizinhos se afastaram de nós, eu recebia olhares horríveis quando eu saia de casa, nenhuma mãe deixava o filho brincar com o Jonathan, não foi uma época muito boa... Sua mãe infernizou tanto seu tio, que ele acabou despedindo o Nick, e como ela já não estava muito feliz, ele acabou desistindo da faculdade já quase no final, no fim foi trabalhar num bar...
_ No bar da Marissa? – pergunto, interrompendo-a.
_ Sim. – ela responde. _ Foi com ela que conseguiu meu endereço, não foi? – pergunta com um tom de humor na sua voz.
_ Sim. – ela ri fraco.
 _ Ela nunca aceitou muito bem minha decisão... – ela para um pouco, mas volta a contar sua história. _ Com o dinheiro que estava ganhando no bar Nicholas saiu de casa e alugou um apartamento pequeno na parte baixa da cidade, era um lugar horrendo, mas era o que ele podia pagar... Depois de um tempo eu acabei me mudando junto a ele, pois eu não aguentava mais viver na minha casa, e essa foi a melhor e pior decisão que eu já tomei na minha vida. Foi uma semana, uma semana inteira de paz, sem nenhum olhar recriminatório, sem ligações no meio da noite, sem ninguém gritando na porta da minha casa, sem ver o carro do meu pai sendo pichado com palavras infames ao meu respeito...
_ O que? – eu não consigo acreditar. _ Minha mãe fez tudo isso?
_ Eu não digo que foi tudo sua mãe, mas muitas dessas coisas foi ela. Joseph, quando eu digo que sua mãe pirou não estou falando que ela fechou a cara para mim um dia e ficou por isso mesmo, ela pirou, ela transformou minha vida num inferno, eu tinha medo dela, eu tinha pesadelos com ela. – vejo que ela não mente, e isso me assusta mais ainda. _ Eu não sei como descobriram nosso endereço, mas alguém contou. A única coisa que me recordo é de acordar com o barulho de vidro quebrando e de o Jonathan chorando, gritando, a testa dele sangrando... Quando fui ao quarto dele, havia uma pedra no chão, e nele um papel, no papel estava escrito: Vadia traidora. – ela para um pouco, percebo o quão é difícil para ela contar esta parte e a entendo, eu não vivi nada disso, mas eu sinto medo e raiva ao escuta-la. _ Nicholas correu com o Jonathan para o hospital e para nossa sorte a pedra passou de raspão, o machucado era superficial, mas era claro que eu não conseguiria mais viver desta maneira. Eu liguei para um primo distante meu, que vive nesta cidade, e perguntei se ele poderia me abrigar, ele aceitou me receber junto a Jonathan, no mesmo dia eu parti para cá com apenas meus documentos os documentos do Jonathan e algumas mudas de roupa para nós dois. Meus pais, alguns parentes que ainda apoiavam-nos e alguns amigos, todos juntaram dinheiro, e com esse dinheiro, após alguns meses, o Nicholas veio para cá e comprou essa casa, na época ela era horrível, mas era o que dava. O meu primo que era professor conseguiu um desconto para que Nicholas cursasse técnico em enfermagem, na época acho que ele não se animou muito, mas tinha desconto e ele precisava de emprego, acabou que ele adorou o curso, conseguiu emprego no hospital, depois fez enfermagem na faculdade federal, e há sete anos ele conseguiu entrar na faculdade de medicina. – ela suspira no final e eu suspiro junto. Não foram 14 anos, foram OS 14 anos.
_ Eu ainda não acredito que isso tudo aconteceu enquanto eu dormia encima de uma cama.
_ Não foi sua culpa.
_ Nem sua...
_ Joseph eu admiro o que você está tentando fazer aqui, e é melhor você parar por aí. – ela diz. _ Eu passei os últimos 14 anos pensando sobre tudo. Eu não tenho culpa sozinha, mas tenho culpa, eu coloquei sobre você uma pressão imensa, eu lhe fiz fazer coisas que você não faria...
_ Você mudou muito... – concluo.
_ O tempo faz isso com a gente, você logo estará mudado também. – ela diz. _ Sua mãe está com você? – ela pergunta após soltar um suspiro pesado.
_ Ela nem mesmo sabe que estou aqui.
_ Você deveria falar para ela.
_ Depois de tudo o que você disse? Tudo o que eu menos quero é falar com ela. – digo. Eu não queria acreditar que minha mãe tinha capacidade para fazer tudo isso, mas tudo batia, a forma em que todos insistiam em dizer que havia uma explicação, a forma em que todos pareciam querer proteger Demi de mim, a forma em que Demi descreveu o que passou... Era difícil de entender...
_ Joseph, eu não digo que a entendo totalmente, nem que a perdoo, mas o que ela fez, ela fez por desespero, assim como eu, sua mãe queria te defender, ela queria... Ela queria que aqueles que lhe prejudicaram pagassem, e eu entendo essa parte, ela veio para cima das pessoas erradas, mas ela fez o que uma mãe em desespero faz. Assim como eu também agi em desespero por várias vezes, eu larguei todos os que eu conhecia para trás, apenas para proteger meu filho, por temer pela segurança dele, alguns me chamariam de doida, de exagerada, mas eu temi pelo meu filho e sua mãe temeu por você. – Demi diz. _ fora que... Eu e o Nicholas estamos a anos reformando essa casa para que ela fique apresentável, as janelas ainda são novas e não são blindadas. – ela diz com um tom de humor e eu riu. _ Eu realmente não quero saber de pedras voando para dentro da minha casa novamente.
_ Ela não vai descobrir onde estou. Eu custei conseguir seu endereço.
_ Eu não duvido muito que sua mãe colocou um rastreador em você. – sinto como se ela estivesse mostrando um pouco do que ela era antes, séria, porém sempre humorada.
_ Eu não saberia o que dizer. – confesso.
_ Não precisa ser agora. – Demi diz compreensiva. _ Você deve estar cansado da viagem... Eu vou fazer algo para você comer. – diz se levantando.
_ Não precisa.
_ Você acabou de sair do hospital, e fez uma longa viagem, você precisa de alguma sustância nesse corpo. – ela insiste.
_ Você sabia que eu sai, você sabe que eu sai a pouco tempo. – concluo após sua fala.
_ Eu recebi algumas informações sobre você, não nego, se você quiser brigar, fique a vontade. – saber disso agora me incomoda, eu sei que ela tem que se esconder da minha mãe, mas uma ligação, isso era tudo o que eu precisava...
_ Não, não vou brigar... – digo e ela sorri.
_ Eu sei que falhei com você.
_ Não. – eu a interrompo. _ Você tinha seus motivos. – digo. _ E eu os aceito. Mas eu preciso lhe fazer uma pergunta...
_ Talvez não seja o melhor momento. – ela diz.
_ Eu preciso saber...  – escuto a porta se batendo. Nicholas aparece na sala, afobado, ele praticamente não mudou, o cabelo continua o mesmo, sem barba, mesma cara de bebê que eu costumava zoar, talvez ele tenha ganhado um pouco de peso, mas seria apenas esta a diferença.
_ Eu sei que você deve estar querendo me matar, mas irmão, eu te amo tanto. – ele diz e começa a chorar compulsivamente.

Continua

Este é o primeiro capítulo dos dois que serão postados ainda hoje.


Babii: Agora você já sabe de toda a história (ou não, vai saber...) Que legal, eu acho que você deveria investir, eu comecei a escrever compondo musicas que sempre foi minha grande paixão, depois dei uma passada em poesias, mas não fiquei por muito tempo, depois vim me ariscar na história longa e também me apaixonei. Muito obrigada por comentar.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Capítulo 7



_ Jonathan, vá até a casa de Donna, peça carona a ela. – Demetria diz ao filho sem tirar os olhos de mim.
_ E se ela não estiver lá?
_ Vá a pé. – ela se irrita e olha para ele.
_ Mãe!
_ Vá Jonathan! – o garoto bufa e aceita.
_ Tchau mãe. – ele a dá um abraço rápido e Demetria o retribui sem jeito. _ Tchau tio. – diz e eu não consigo responder.
Respiro fundo para retomar o controle de minha mente.
Eu fico fitando Demi, eu não consigo reagir, ela parece acompanhar o filho com o olhar, mas a todo o momento olha para mim, ela ainda parece assustada, mas a cor já voltou a seu rosto.
_ Me falaram que existe uma explicação. – eu digo, após verificar que o garoto está longe. _ Existe mesmo? – eu seguro o choro, não quero me desesperar. Tudo bem, segundo todos, existe uma explicação, mas aquele garoto chamou o Nicholas de pai e a Demetria de mãe, como manter a mente aberta?
_ Meu Deus, Joseph. – eu consigo sentir uma pontada de desespero em sua voz. _Você não deveria ter vindo aqui assim. – ela diz.
_ Existe uma explicação ou não? – eu grito e isso a assusta. Ela olha para as casas ao lado, provavelmente preocupada que os vizinhos me escutem.
_ Entre Joseph. – pede.
_ Existe uma ex...
_ Existe! – desta vez quem grita é ela, impedindo que eu repita a pergunta. _ Agora entre! – ordena séria, talvez o fato de ser mãe o tenha tornado mais autoritária, pois ela jamais falaria assim comigo antes, mas também, creio que ela nunca teria feito isso que ela fez comigo antes. Ou eu estaria enganado, e no fundo Demetria e meu irmão sempre estiveram a me trair?
Eu entro.
Assim que passo pela porta há um pequeno e apertado corredor, onde posso pendurar casacos, mas como está quente e não tenho nenhum casaco, não deixo nada. Demetria me guia até a sala de sua casa.
A sala é simples e pequena, uma TV suspensa na parede, de baixo da TV há uma lareira a gás, há dois sofás, um de quatro lugares e um de dois, ambos parece bem confortável, o lugar é bem iluminado.
_ Sente-se, eu vou ligar para o Nicholas.
_ Eu só quero a explicação.
_ E eu vou lhe dar, mas eu quero ligar para o Nicholas primeiro. – diz sem muita paciência.
_ Eu não quero vê-lo.
_ Você não sabe se quer vê-lo.
_ Agora você sabe o que eu quero ou não ver? – pergunto._ Pois eu não queria ver aquele garoto. – confesso talvez um pouco bruto demais.
_ Pois então você não deveria ter aparecido aqui sem avisar. – diz e o jeito que ela fala me assusta. Ela havia mudado e muito.
_ Se eu tivesse avisado você me deixaria vir? – pergunto.
_ Não. – ela não hesita.
_ Eu precisava falar com você.
_ E você vai, mas eu vou ligar para o Nicholas primeiro.
_ Eu já disse que não quero vê-lo, só quero saber qual é a explicação.
_ Se você quer realmente que eu lhe explique você terá que fazer o que eu digo. – diz e começa a ligar para Nicholas, ignorando-me.
Eu não quero ver Nicholas, mas aceito. Enquanto Demi espera que ele a atenda. Vou para o sofá, mas um detalhe na parede me chama a atenção.
É um porta-retratos grande. No meio há uma letra “I” em preto e um coração vermelho, ao redor do “I” e do coração há espaço para 6 fotos, um dos espaços está vazio, há duas fotos de Demi, uma antiga, de como ela era quando eu estava prestes a casar com ela, de cabelo longo e castanho escuro, a outra é de como ela está hoje, de cabelo curto e preto, uma foto do garoto que vi na porta, Jonathan, uma foto de Nicholas, que creio ser recente, pois ele usa um terno e a única vez que o vi de terno foi na hora de experimentar o traje para meu casamento. Mas o que me surpreende é uma foto minha, é uma foto que nem mesmo lembro quando tirei, mas é minha.

_ É por isso que ele me reconheceu? – pergunto quando Demi chega a meu lado.
_ Sim. – ela responde.
_ Ele sabe quem eu sou?
_ Sim.
_ Sabe quem eu fui para você? – pergunto sendo mais especifico.
_ Não. – eu começo a rir, mas não porque acho algo engraçado, mas sim de nervoso.
_ Claro que não, não é? Ficaria mal falar que você quase se casou com um irmão, que largou ele em coma e foi se casar com o outro e depois teve um filho, construiu uma família. – digo nervoso.
_ Eu não me casei com o outro. – ela diz com a voz firme e calma, olhando para mim fixamente.
_ Mas teve um filho do outro.
_ Eu não tive filho do outro.
_ A não? Então existe um terceiro?
_ Não existe um terceiro. – enquanto eu vou me estressando e aumentando o volume de minha voz, Demetria segue com a voz firme e calma e isso me irrita ainda mais.
_ Então como você me explica isso? Pois aquele garoto chamou o Nicholas de pai.
_ Porque Nicholas o criou como filho. – ela explica.
_ Então ele é o pai. – fico mais nervoso com sua enrolação.
_ Teoricamente, mas não biologicamente.
_ Acho que você esqueceu-se de avisar isso para o garoto. - ironizo.
_ Não esqueci não. Jonathan sabe que Nicholas não é o pai dele, mas como eu disse: Nick o criou como filho. E Jonathan o chama assim por conveniência. – eu viro a cara, nervoso, tudo parece mentira, minha mãe tinha razão Nicholas e Demetria eram dois traidores.
_ Eu não te abandonei porque quis.
_ Ah sim claro, foi somente porque minha mãe lhe acusou de ser uma traidora, aí o que você fez? Traiu-me!
_ Eu nunca te traí! – altera um pouco a voz. _ Você não faz ideia do que eu passei. – sua voz volta ao normal.
_ Claro que não, eu não sei mesmo, mas já está bem claro que você me abandonou porque sabia como todos iriam ficar quando descobrissem do seu caso com Nicholas. Assim como minha mãe deve ter descoberto, não é? É por isso que ela ficava daquele jeito quando eu tocava no seu nome ou no nome do Nicholas...
_ Eu não tenho nenhum caso com Nicholas, nem mesmo tive nada com Nicholas...
_ Pare de mentir! – berro.
_ Pare de gritar! – ela grita de volta.
_ Porque vocês fizeram isso comigo? – eu pergunto e Demi bufa.
_ Joseph! Não é o que você está pensando...
_ Isso é exatamente o que traidores dizem quando são flagrados.
_ Eu não flagrada, você não viu nada, você mesmo chegou falando que existe uma explicação, mas você simplesmente não me deixa explicar!
_ Então me explique! Existe uma explicação, não existe? Então vamos, me dê essa tal explicação! – sei que estou sendo grosso, mas não consigo me segurar.
_ Eu preciso que você se acalme primeiro. – ela diz.
_ Eu não vou me acalmar. Se ponha no meu lugar!
_ Não seja irracional, Joseph, o que eu vou te falar... Eu... Eu preciso que você se sente.
_ Eu não vou me sentar! Eu acabei de descobrir que você tem um filho com meu irmão, eu acho que aguento uma explicação, seja lá que merda que você irá me falar. – ela fita a bengala em minha mão e hesita. _ A bengala não é nada, eu aguento! – insisto e jogo a bengala no chão com força, arrependo-me instantaneamente, mas uso toda minha força para me manter ereto e não deixar que ela perceba.
Demi, calmamente, se abaixa e pega a bengala na mão.
_ Ele tem 14 anos. – ela diz e estende a bengala para que eu pegue.
_ O que? – meu peito aperta e sinto que devo ceder e pego a bengala para voltar me apoiar sobre ela.
_ Ele tem 14 anos. Nasceu na manhã dia 30 de maio de 2002. A manhã mais conturbada, mas a melhor de minha vida – seus olhos lagrimejam e meu queixo volta a cair. _ Seis meses e quatro dias, cinco horas e doze minutos após seu acidente. – ela faz uma pausa. _ Sim eu contei. – Eu não sei como estou, mas sinto como se eu não fizesse mais parte do meu corpo, eu não sinto nada, mas ao mesmo tempo sinto tudo ao mesmo tempo. _Nasceu saudável, de nove meses. – conclui.
Minha mente entra em colapso, tentando fazer as contas.
Meu acidente aconteceu no dia 26 de novembro de 2001, eu acordei no dia 29 de agosto de 2016, sendo preciso, fiquei em coma por 14 anos e 9 meses e 3 dias. Jonathan nasceu em maio, então hoje tem 14 anos e cinco meses e 3 dias de vida, se colocamos mais 9 meses na conta, no total é, mais o menos: 15 anos e dois meses desde o inicio de sua vida, o que significa que Demi já estava gravida quando eu me acidentei.
_ Ele... Demi... – eu não sei o que dizer, nem mesmo o que pensar. _ Ele é...
_ Seu filho. – ela completa.

Continua

Oi gente, sei que não tinha capítulo programado para hoje, mas, considere como se meu espirito natalino vindo átona, então, considerem como meu presente de natal para vocês.
Espero que gostem.


Nessa: Postado, muito obrigada por comentar

Babii: Olha que você está boa para escrever uma história em? Bom, posso dizer que você acertou em algumas partes aí em? kkkkkk Muito obrigada por comentar. 

sábado, 24 de dezembro de 2016

As Melhores de 2016



Olá gente, pra quem ainda não sabe, fui nomeada para algumas categorias da “As Melhores de 2016”, fico muito honrada por mais uma vez ser lembrada e venho pedir a vocês que votem em mim.
As categorias são as seguintes:

Melhor Estória/Fanfic de 2016:
- Encontro com o Passado de Nanda Carol (Encontro com o Passado)
Melhor Escritor/a:
- Nanda Carol do blogue Encontro com o Passado
Melhor Estória/Fanfic Escrita:
- Encontro com o Passado de Nanda Carol
Estória/Fanfic/Mini Fic de 2015 Nunca Esquecida:
- Não Existem Poesias de Nanda Carol

Claro que se vocês tiverem outros autores(as) que gostem e que estejam concorrendo votem neles também, posso dizer como escritora que receber um voto, um comentário, receber uma mensagem dos seus leitores é uma das maiores satisfações que existe, isso nos dá força para que possamos nos renovar e assim melhorar...
As votações encerram dia 29, sei que estou avisando em cima da hora, mas como falei, fiquei sem notebook, então não pude lhes informar sobre isso antes.
Para votar entrem nesta página: http://criticasdefanfics.blogspot.com.br/2016/12/as-melhores-de-2016-nomeacoes.html e nos comentários deixe seu voto.
No mais, Feliz Natal a todos, que seja um dia repleto de sorrisos, boas noticias e, porque não, várias histórias novas para ler?

Bjss ♥♥♥♥♥

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Capítulo 6

    


Não nego, fico um pouco perturbado com o que Marissa me falou, mas isso não me impede de continuar.

_ Aqui está sua passagem. – Wagner me entrega as passagens de ônibus para cidade em que Demetria vive hoje. Ele está tenso, nervoso, ele sabia que ao me ajudar se colocaria em uma situação complicada com minha mãe.
Estamos sentados no banco de espera da rodoviária, hoje é dia de semana e por isso está vazio.
_ Você pode falar que eu te enganei. Que você descuidou e que fugi. – digo.
_ Sim claro, eu chego lá e digo: Ei tia, sabe seu filho que passou 14 anos em coma, que anda de bengala, que não consegue correr, e também não consegue subir uma escada sozinho, então ele fugiu de mim, um cara que faz uma corrida de 16 km toda manhã, pratica Muay Thai duas vezes por semana, desculpa tá? – ele diz irônico, eu acabo rindo. _ Sua mãe vai me castrar – ele diz.
_ Daqui a cinco dias eu tenho uma fisioterapia marcada, prometo voltar antes. – garanto.
_ Se eu me esconder no inferno sua mãe me acha. Não subestime alguém que largou tudo por 14 anos por vocês. – ele diz e eu fico em sem resposta.
_ Você acha que eu devo desistir?
_ Não, desculpa, é só que... Vai ser difícil ficar aqui e encarar sua mãe, mas você precisa disso Joseph, é necessário. – responde. _ Olha. – ele diz pegando seu celular no bolso de sua calça. _ Pegue. – eu pego. _ É seu agora.
_ Você está me dando o seu celular? – pergunto chocado.
_ Já esta na hora de trocar mesmo, já está ficando ultrapassado, mas pra você qualquer coisa é nova. – diz sério, mas eu acabo rindo, e ele após perceber o que falou começa a rir também. _ A intensão não é ofender, você sabe não é?
_ Não fico ofendido. É a realidade. Meu celular era duas vezes mais largo que o seu e isso de tela Touch? Eu lhe agradeço e tudo, mas nem vou saber como mexer nisso. – confesso.
_ Olha, vou lhe ensinar a dar telefonemas, a receber telefonemas e se localizar no mapa, qualquer outra coisa, pergunte quando chegar ao seu destino, sem duvidas terá alguém até mais entendedor que eu para lhe ensinar mais. – ele diz.
_ Demi agora gosta de tecnologia? – pergunto. _ Ela mal gostava de tirar fotos. – observo e Wagner me olha sério, pensativo.
_ Acho que... Hoje em dia até quem não gosta muito teve que se render a tecnologia. – Ele diz sem jeito.
_ Você acha que ela vai me receber bem?
_ Posso ser sincero? – ele pergunta.
_ Bom, já perguntei, acho que aguento a resposta. – digo não muito seguro.
_ Não me pergunte o porquê, tudo bem?
_ Acho que sim.
_ Não é o suficiente.
_ Não vou perguntar nada. – ele acena com a cabeça e demorar alguns segundos para falar algo.
_ Ela, na medida do possível, vai te receber bem. – ele diz. _ O problema é como você vai receber ela.


Passo a viagem pensando no que Wagner me disse. A esta altura já tenho algumas certezas, primeiro que Demi não me odeia, apesar de querer certa distancia, e ela também não me abandonou por que cansou de mim, mas sim porque foi obrigada por não aguentar minha mãe, isso me faz sentir certo alivio, pois isso significa que serei bem recebido e que talvez (sim eu sei que é sonhar demais), mas só talvez a gente possa recomeçar. A outra certeza é que algo de estranho, ou pelo menos algo que me chocará aconteceu, e que isso pode fazer com que eu me torne o problema.
Wagner me explicou como fazer telefonemas, usar o mapa e, como demorou para chegar a hora do embarque, a escutar música, ele baixou algumas músicas que eu lembrava de gostar, foram apenas 6 músicas, pois confesso que não lembro da maioria das canções que eu costumava gostar, por conta própria Wagner também baixou mais umas 4 que estão na moda, só para que eu pudesse começar a me atualizar. Marissa foi ao apartamento e pegou algumas roupas de Wagner para que eu pudesse levar, já que as minhas estavam no apartamento com minha mãe e ela ainda não poderia desconfiar. As roupas ficariam largas, disso não tenho duvida, mas pelo menos servem, e acredito que seja melhor largo do que apertado. Os dois me deram 350 dólares para o caso de emergências, sem duvidas eu teria que agradecê-los muito posteriormente.
O ônibus em que estou viaja praticamente vazio, apenas 15, das 38 cadeiras disponíveis, estão ocupadas. Já é noite quando o ônibus sai da rodoviária. Ajeito-me na cadeira para que eu possa dormir, ultimamente não tenho dormido muito, mesmo não tendo muito para fazer e geralmente estar bem cansado, não consigo me relaxar o suficiente para dormir, talvez seja minha cabeça que ainda não aceitou que passei os últimos 14 dormindo. Mas hoje, particularmente, gostaria de dormir, viagem de ônibus por si só já cansa e eu já não estou na melhor da minha forma, eu não quero que a primeira vez que me Demetria me vê em 14 anos, eu esteja parecendo um zumbi.
Não sei em que momento eu dormi, mas sei que cai no sono, pois a viagem que é de 8 horas parece passar em no máximo 2 horas.
Olho no relógio do celular que Wagner me deu e são 6 da manhã.
Demetria sempre foi de acordar cedo, ela nem mesmo precisava de despertador, mas será que ela continua assim?
Ligo para Wagner (na verdade ligo para o número salvo com o nome: Marissa ♥. Wagner havia me dito que eu poderia ligar para ela que um dos dois atenderia) não sei se ele ou ela está acordado, mas sinto que preciso avisa-lo que cheguei e que estou bem.
Ele não demora a atender.
_ Joseph, você chegou?
_ Sim, cheguei. – respondo.
_ Você está bem? – ele parece preocupado.
_ Estou sim, vou para casa da Demi agora. – digo. _ Como está minha mãe?
_ Não sei. – confessa. _ Vim para casa de minha mãe e eu disse que você estava junto comigo, falei que você estava muito chateado, minha mãe está ajudando e por isso ela concordou, mas eu não duvido nada que ela apareça aqui hoje, e se, bom, quando isso acontecer, terei que dizer a verdade.
_ Tudo bem, tente me dar o máximo de tempo possível, eu acredito que resolverei tudo aqui rápido.
_ Joseph, sinceramente? Eu não acho que vai ser algo rápido, você tem muito a conversar. – ele diz.
_ E iremos. – confirmo. _ Muito obrigado por tudo primo. – digo, já com a intensão de desligar.
_ Eu prometi a seu pai que lhe ajudaria, e vou fazer isso. – ele responde. _ E Joe, lembre-se: Existe uma explicação.
Jogo no mapa o endereço de Demetria. Ela mora a uma boa distancia, talvez para o Joe de 14 anos atrás a distancia não fosse um problema, mas hoje já não ando distancias longas, e ter que ficar desfilando por aí com uma bengala não é legal, eu já não sou novo, mas não sou velho o suficiente para andar de bengala, até agora ninguém na rua comentou, mas eu posso ver os olhares estranhos.
Vou até o estacionamento e procuro por um taxi, quando encontro um e digo o endereço torço para que ele não pegue o caminho mais longo, pois o dinheiro que Wagner e Marissa me deu teria que ser suficiente para minha estada aqui. Pois, caso Demi não me quisesse em sua casa eu teria que procurar um hotel e sabe-se lá quanto é a estadia em um hotel nos dias de hoje, fora a passagem de volta, caso tudo desse desastrosamente errado.
A viagem dura pouco mais que vinte minutos, e agora tenho menos 30 reais, deixando com os restantes 320.
A casa em que ela vive é pequena, mas parece boa, o bairro é bem tranquilo e parece ser familiar, isso me faz hesitar, ela tem outra família, é claro que ela tem outra família. Quero dar meia volta, mas o taxi já foi embora e eu já fui longe demais para desistir. Olho no relógio falta 15 minutos para 7 da manhã.
Tento pensar que Wagner e Marissa não me deixariam ir tão longe se esse fosse o caso. Marissa pareceu ainda ser amiga de Demi, a não ser que o atual marido dela seja bem ruim, ela não iria querer que eu atrapalhasse o casal, iria?
Vou até a porta, encosto meu ouvido na porta, se eu escutasse algum barulho eu poderia tocar a campainha, pois saberia que ela estaria acordada.
Não escuto nada, então não bato, mas fico por ali, na porta da frente, eu esperaria por mais alguns minutos antes de tentar novamente.
Talvez eu tenha me distraído olhando pra as casas vizinhas, mas não vejo que alguém abre a porta.
_ Posso lhe ajudar? – pergunta um garoto, ele é jovem, entrando na adolescência.
_ An, me desculpe. – peço. _ Eu acho que estou no endereço errado. – digo e começo a me virar para ir embora, será que eu bati na porta errada? Será que o taxista me trouxe para o lugar certo? Será que Demetria se mudou e não falou com Marissa?
_ Ei, espere. – o garoto me chama, ele ainda está na porta. _ Você é o irmão do meu pai, não é?
_ Como?
_ O irmão do meu pai. Você era o cara que está em coma, quer dizer, que estava em coma. – ele se corrige. Eu fico paralisado, meu queixo cai, minha cabeça dói. _ Nicholas, você é o irmão do Nicholas, não é? – pergunta, tentando ser mais especifico.
_ Sim. – minha voz mal sai, o Nicholas tem um filho? Mas porque diabos estou na casa de Nicholas?
_ Jonathan, você é louco de sair sem sua mochila, como você chega à escola sem seu material, e anda logo você já está atrasado. – grita a voz feminina que eu não esqueceria nem que se passassem 100 anos. Vejo-a apontando na porta, entregando a mochila ao garoto e sinto como se meu coração tivesse parado.
_ Mãe, olha mãe. – o garoto ignora a repreensão da mãe e aponta para mim.
Seus olhos se arregalam a me ver e ela fica totalmente branca, provavelmente estou do mesmo jeito.
_ Joseph? – ela pergunta incrédula.
_ Demetria. – eu digo sem duvidas.


Continua

Babii: Olha que talvez você esteja certa em? Será que a Demi realmente trocou de irmão? Nós próximos capítulos essa história vai se desenrolar melhor. Muito obrigada por comentar
Nessa: Vish, será que se casaram mesmo? Ou será que algo mais aconteceu? Muito obrigada por comentar
Marina: Muito obrigada mesmo ♥♥
Aônimo: Capítulo postado    ;)
Thayla: Não morra, capítulo postado k. Muito obrigada por comentar

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Oi gente,


Antes de tudo, não me matem, meu notebook, que vem me deixando na mão mais do que deveria, deu problemas de novo, como os capítulos já estavam quase todos salvos e prontos, acabei não querendo reescrever no celular, primeiro porque pelo celular eu erro e muito, fora que eu acabaria perdendo a qualidade. Consegui o dinheiro para concertar o note, então agora posso voltar a postar, amanhã postarei o capítulo 6 e na próxima semana, ultima do ano, farei uma serie de maratonas, considerem como presente de natal kkkk
Aqui vão as datas:

Capítulo 6 de Encontro com o Passado (23/12)

Capítulo 7 de Encontro com o Passado (27/12)

Capítulo 8 de Encontro com o Passado (27/12 )

Capítulo 9 de Encontro com o Passado (27/12 )

Capítulo 10 de Encontro com o Passado (29/12 )

Capítulo 11 de Encontro com o Passado (29/12 )

Capítulo 12 de Encontro com o Passado (29/12) - Antepenúltimo Capítulo

Capítulo 13 de Encontro com o Passado (02/01) - Penúltimo Capítulo


Capítulo 14 de Encontro com o Passado (02/01) - último Capítulo