terça-feira, 22 de novembro de 2016

Datas das próximas postagens

Olá a todas, ontem, ao entrar no blogger pelo celular, percebi que quem lê as fics pela versão mobile não consegue visualizar o que tem na barra lateral do blog, pensando nisso, resolvi postar aqui as datas das próximas postagens, já que esta é uma das informações da barra lateral e que creio ser de relevância para quem acompanha a história.
Deixo claro que caso ocorra algum imprevisto, as datas podem ser alteradas, mas a intensão é postar tudo no dia correto:

Próximas postagens:

Capítulo 5 de Encontro com o Passado (23/11)

Capítulo 6 de Encontro com o Passado (28/11)

Capítulo 7 de Encontro com o Passado (1/12 )

Capítulo 8 de Encontro com o Passado (03/12 )

Capítulo 9 de Encontro com o Passado (04/12 )

Capítulo 10 de Encontro com o Passado (06/12 )

Capítulo 11 de Encontro com o Passado (09/12 )

Capítulo 12 de Encontro com o Passado (11/12) - Antepenúltimo Capítulo

Capítulo 13 de Encontro com o Passado (15/12) - Penúltimo Capítulo

Capítulo 14 de Encontro com o Passado (16/12) - último Capítulo


obrigada e boa leitura ;)

domingo, 20 de novembro de 2016

Capítulo 4



Eu não sabia, mas este dia seria muito especial.
Antes que eu pudesse sair os funcionários fizeram uma pequena festa para mim. Balões, bolo, salgados e refrigerante. Foi à primeira vez em três meses que realmente comi coisas com sabores e temperos fortes. Sem duvidas o dia tinha começado bem.
Após a festa eu, minha mãe e um dos meus primos, Wagner, filho da irmã de meu pai (que de todos, para mim foi o que menos mudou na aparência, sempre alto, sempre forte, moreno, cabelo liso, nunca usa barba, sempre usando terno) fomos até a garagem do hospital. Entro no carro, fico no do passageiro, minha mãe senta no banco de trás e Wagner dirige.
Pelo que lembro o hospital não é muito perto de minha casa, teríamos que atravessar toda a parte central, em que o hospital se localiza, depois mais um bairro e enfim chegaríamos onde moro. Porém me surpreendo quando após duas quadras, meu primo começa a desacelerar o carro e estacionar na rua.
_ Vamos visitar alguém? – pergunto.
_ Não. – ele responde, puxando o freio de mão. _Estamos em sua casa.
Eu não entendo. O que não é algo tão incomum ultimamente. Ainda estamos no centro, em uma parte bem movimentada, fico imaginando porque eu moraria por aqui. Minha mãe sempre adorou nossa casa, ela sempre viveu no subúrbio e nunca quis sair de lá. Meu coração dispara quando me lembro de que Demetria queria viver no centro, ela estava começando a olhar alguns apartamentos nesta região, pois a editora para qual ela trabalhava (ou trabalha, não sei) fica perto daqui, teria ela comprado um? No fim sua ausência no hospital poderia ter algum motivo a mais do que ela simplesmente ter me abandonado. Ela poderia estar em alguma viagem por causa do trabalho, talvez ela esteja temporariamente incomunicável, talvez algo tenha acontecido? Eu não sei, eu ainda não me acostumei com a ideia de que ela realmente me abandonou, apesar de compreender que é a mais provável.
Saio do carro e vejo minha mãe pegando a chave em sua bolsa, gosto de pensar que ela simplesmente tem a copia da chave, mas começo a me sentir um iludido. Demetria tinha ido embora e por algum motivo minha mãe vive aqui, mas... É tão ruim assim sonhar?
Entramos no prédio, e este não é dos melhores, parece sujo, não há porteiro, é abafado.
_ Não há elevador. – minha mãe fala com pesar em sua voz.
_ Eu ajudo. – diz Wagner. Ele fica ao meu lado. _ Se apoie em mim. – Diz e eu faço. Não tenho dificuldades para andar, utilizo a bengala por precaução, pois alguma vez, vezes cada vez mais raras, eu perco o equilíbrio. Mas subir escada ainda é algo me exige muito de mim.
Subimos dois andares e entramos na porta que fica a direita da escada. Minha mãe abre o apartamento, que tem a aparência de ser bem pequeno. Wagner ainda me ajuda a entrar, mesmo não mais precisando de seu apoio.
Ele me leva até o sofá, que fica quase encostado na porta de entrada, apenas um passo nos impede de esbarrar nele. O sofá é o mesmo da casa da minha mãe, a antiga casa de minha mãe, porém aqui só coube uma parte dele, já que este era grande e o apartamento é realmente minúsculo.
A sala é acoplada com uma cozinha bem pequena, e do lado esquerdo tem três portas, onde creio que ficam os quartos e o banheiro. Pelo menos assim espero.
Sento-me no sofá.
_ Tia, precisa de mais algo? – pergunta.
_ Não querido. Muito obrigada por hoje, mas já está tudo bem.
_ Tudo bem, qualquer coisa você sabe onde me encontrar. Tchau Joseph.
_ Tchau Wagner. – Wagner sai e nos deixa sozinho.
_ Wagner é um bom moço, foi de grande ajuda hoje. – minha mãe não se senta. _ Quer sopa?
_ Não, mãe, chega de sopas, fora que ainda estou cheio da festa.
_ Ah sim, claro. – ela sorri. _ quer suco? Algo? Qualquer coisa...
_ É aqui que você mora agora? – pergunto. Ela percebe que quero conversar e não comer ou beber e se senta ao meu lado.
_ É mais perto do hospital.
_ E a casa da família, está com papai? – pergunto, se os dois se separaram provavelmente um teria que sair da casa do outro e talvez minha mãe tenha decidido sair, talvez meu pai tenha construído outra família, o que não é algo bom, pelo menos não para mim, mas, foram 14 anos, é possível que isso tenha acontecido.
_ Vendi.
_ Vendeu? – pergunto chocado. _ Mas aquela casa era da família. – insisto. _ Eu nasci naquela casa.
_ Eu sei, mas... Foi necessário.
_ Papai aceitou isso?
_ Precisávamos do dinheiro.
_ Para quê? – pergunto e ela hesita. _ Mãe, foi por mim?
_ Depois de um tempo o plano de saúde parou de cobrir sua internação... – começa. _ o bairro era muito valorizado, a casa estava em ótimo estado, nos redeu muito dinheiro. – mais um efeito colateral do meu acidente. Eu causei tristeza a essa família, eu separei a minha família.
_ Há quanto tempo?
_ 9 anos. – ela responde. _ Seu primo nos acolheu, ele mora no apartamento de cima, é no ultimo andar, então é maior que este, depois de pouco tempo esse apartamento vagou. O preço não era muito alto, compramos. – eu não digo nada. _ Parece ruim, mas a nossa casa era longe, era uma viagem todos os dias para chegar ao hospital, morar aqui me economizou muito tempo, e o apartamento é bom, o prédio parece ruim, eu sei, mas o apartamento é bom. – ela garante.
_ Papai não aceitou isso, não é? Por isso vocês se separaram. – concluo, olho a minha mãe, ela me olha em choque, peguei-a de surpresa. _ Não é mãe?
_ Porque você acha que nos separamos? – ela pergunta. _ Seu pai sempre foi o amor da minha vida, e ele também sempre nos amou, ele também viu a necessidade de mudarmos para cá, não digo que ele ficou feliz, ele sempre foi acostumado a ter quintal, poder dar churrascos no fim de semana, mas ele sabia que precisávamos mudar.
_ Então porque ele não está aqui? Porque você fica nervosa e triste quando fala dele? Na verdade, porque todos te deixam nervosa? Nicholas, Demetria...
_ Ah, por favor, Joseph, lá vem você, sempre com Nicholas, sempre com Demetria. – ela se estressa. _ Demetria está no seu passado, passado Joseph, você recebeu uma nova oportunidade, você pode recomeçar sua vida com outro alguém, e você insiste em Demetria.
_ Eu só queria conversar com ela, eu já entendi que ela foi embora mãe, eu já entendi. Mas a nossa... Separação não aconteceu como esperávamos... Eu só queria ver como ela está...
_ Bem, ela está bem. – minha mãe grita. _ Bem e longe de nós. Se ela quisesse te ver ela veria.
_ Ela sabe que acordei? – minha mãe hesita.
_ Deve saber. – dá de ombros.
_ Mãe...
_ Eu já falei para você parar com essa bobagem Joseph, você não sabe de nada, você não sabe o que ela fez.
_ Como você espera que eu saiba o que aconteceu se você não me diz nada?
_ Ela te traiu, ela te abandonou, ela enganou a nós todos. – ela diz.
_ Como assim? – pergunto.
_ Eu pensava que Demetria era uma pessoa e no fim ela era alguém totalmente diferente, precisou passar por uma tragédia para descobrir quem ela verdadeiramente era. Você está feliz agora Joseph?
_ Ela me traia? – pergunto.
_ Esquece-a. – minha mãe pede. _ Pelo amor de Deus, Joseph, esquece-a. – eu não falo nada por alguns segundos.
_ E Nicholas?
_ Outro traidor... Outro que nos abandonou... Foi embora, como sempre fazia, nunca conseguiu se responsabilizar pelo que fez.
_ Como assim se responsabilizar?
_ Ele te fez isso...
_ Mãe, eu... Nicholas é seu filho também.
_ E você acha que eu não sei disso?
_ E você o culpa pelo que aconteceu comigo? – nunca escutei um absurdo tão grande em minha vida.
_ Você sempre foi responsável, nunca andou sem cinto de segurança, sempre na velocidade correta, nunca falou no telefone ao dirigir, mas... Naquele dia, Nicholas e Demetria, tudo o que eles fizeram foi te encaminhar para o caminho errado, eles fizeram isso a você Joseph.
_ Eu que atendi ao telefone, eu que acelerei o carro, eu que não prestei atenção no que deveria, eu que bati o carro.
_ Porque você se deixou levar por eles!
_ Mãe! – grito, agora eu entendia tudo. Demetria não me traiu de verdade, nem mesmo me abandonou foi minha mãe a culpou pelo que me aconteceu, por isso ela deve ter ido embora, e o mesmo serve para Nicholas. _ Eu não acredito que você é minha mãe. Você não era assim.
_ Assim como Joseph? Justa?
_ Isso não é ser justa, culpar a inocentes, afasta-los, você... Foi por sua culpa que eles não vieram me visitar, não é?
_ Não diga o que você não sabe Joseph.
_ Não, eu sei muito bem o que estou falando. Você os afastou. – digo. Minha mãe se levanta, e vai para a cozinha, com dificuldade, me levanto também e vou atrás dela. _ Você fica nervosa ao falar sobre eles, porque você os culpa e você deve ter os infernizado tanto que eles foram embora. – digo.
_ Cale sua boa Joseph.
_ Eles nem devem saber que eu acordei. Por isso eles não vieram. Ninguém me abandonou ninguém me traiu. Você que os afastou. – eu me seguro para não explodir. _ E papai? O que ele fez? Você também acha que ele foi culpado? Porque você o afastou? Pelo menos para ele você teve a decência de falar que eu acordei? – grito.
_ Seu pai morreu Joseph. – minha mãe grita e começa a chorar compulsivamente. _ Seu pai morreu!

Continua


Babbi: Como ele lidará com as mortes e nascimentos é algo que descobriremos logo no próximo capítulo, muitas emoções ainda ;) Muito obrigada por comentar. Bjsss

Nessa: Postado ;) Obrigada por comentar.  Bjsss

domingo, 13 de novembro de 2016

Capítulo 3



Nesta noite não dormi, simplesmente não consegui, afinal de contas eu já havia dormido por quatorze anos, mais de uma década perdida deitado nesta cama de hospital. O que eu perdi? Quem eu perdi? Demetria ainda me ama? Ela ainda me espera? E minha família? Meus pais estão bem? E meu irmão, meu Deus, meu irmão, o que Nick fez de sua vida? Ele já não é um moleque, mas ele estaria ainda irresponsável como antes ou teria se tornado um homem de vez?
Entro na sala do psicólogo que vai me atender, assim que o vejo, percebo que não quero falar com ele, eu simplesmente não conseguiria fingir que não sei se nada ou passar por várias consultas, eu quero sair daqui, rever a minha família.
_ Bom dia. – ele diz.
_ Bom dia. – respondo.
_ Joseph, eu sei que os últimos dois dias foram cansativos, eu não gostaria de lhe fazer passar por mais estresse, mas terei que lhe forçar um pouco...
_ Eu já sei que perdi quatorze anos da minha vida, pode pular esta parte. – digo e o pego de surpresa.
_ Quem lhe falou?
_ Não interessa. – digo um pouco bruto. _ perdão, eu não quero soar como um idiota, só que prometi que não falaria. – justifico-me.
_ Infelizmente você recebeu a noticia de uma forma que não é a mais correta, mas espero que possamos continuar nossas seções sem mais atrapalhações.
_ Porque preciso destas seções? – pergunto.
_ Foi quatorze anos, Joseph, muita coisa aconteceu. – ele diz. _ Você precisará se adaptar a um novo mundo.
_Eu só quero ver minha família, com o resto eu me adapto depois.
_ E você os verá, mas você foi dormir em uma década e acordou em outra, o mundo andou, as coisas não estão mais como antes, você logo poderá sair deste hospital, e eu preciso lhe preparar para o que vai encontrar.
_ Algo de ruim aconteceu com minha família?
_ Muita coisa aconteceu, coisas boas e ruins, Joseph, e não apenas com sua família. Acalme-se. Dê-me à oportunidade de lhe ajudar, percebo que você não está muito aberto a minha ajuda, mas eu preciso que você me dê uma chance. Você é um milagre, seus exames físicos e neurológicos foram ótimos, a única coisa que você precisará fazer, além de passar por mim, será a fisioterapia, para que você recupere os músculos que perdeu e assim volte a andar, volte a segurar coisas com sua mão, levantar seus braços sem ter que se esforçar tanto, todos os movimentos que lhe parecem quase impossível hoje em dia... Eu posso te ajudar na sua parte mental, mas isso só poderá acontecer quando você perceber que precisa se abrir, precisa permitir que eu o ajude.
_ Me desculpe. – peço. _ Eu... Não sei por que estou agindo desta forma.
_ Você passou por muita coisa, é compreensivo seu comportamento, uma das minhas funções é fazer com que tudo o que você terá que enfrentar daqui para frente, seja menos traumático. – apenas concordo.
_ O que mudou? – pergunto agora calmo.
_ O que não mudou? – ele sorri. _ Bom... Tudo bem, você provavelmente está querendo saber sobre sua família. – ele para alguns segundos. _ Sua família não é a mesma que você deixou.
_ Alguém morreu? – pergunto, segurando para não fraquejar. Ele não diz nada de imediato, apenas olha para alguns papeis em sua mão.
_ Talvez... – ele começa.
_ Isso quer dizer um sim, não é? Você não hesitaria em falar um não. – digo.
_ Eu não estou aqui para lhe dar notícias ruins, estou aqui para lhe preparar para as mudanças. – ele diz. _ E sim, talvez você tenha perdido alguns familiares.
_ Alguns? – deixo minha voz de desespero transparecer. _ Então mais de um morreu? – pergunto.
_ Eu não falei em morte, Joseph, há muitas maneiras de se perder pessoas... Foram 14 anos, você pararia 14 anos da sua vida, esperando por alguém, sendo que todos que estão a sua volta dizem que não vale a pena? – ele pergunta.
_ O que você quer dizer com isso?
_ As chances de uma pessoa acordar do coma após alguns dias são promissoras, após alguns meses pode acontecer, após um ano, é difícil, após o quinto, raríssimo, após do decimo?... Nenhum médico aqui acreditava que você acordaria, alguns familiares acreditavam que desligar as máquinas que o mantinha vivo, era a melhor opção, menos gastos, menos desgaste, menos sofrimento...
_ Queriam me matar?
_ Quase ninguém acreditava que você estava realmente vivo. – responde.
_ Minha mãe estava aqui...
_ Ela nunca deixou de acreditar.
_ Só ela?
_ Não, mas sem duvidas ela foi a que mais lutou para que mantivessem seu tratamento, contra tudo e contra todos, ela não iria deixar suas maquinas serem desligadas.
Minha conversa com o psicólogo não rendeu muito mais do que isso, e talvez eu devesse ficar feliz, pelo menos minha mãe estava ali.
Volto para o quarto e lá a enfermeira me alimenta com uma sopa, insossa, nada agradável de comer, mas como, estou com fome e preciso me recuperar o mais rápido possível.
 Assim que termino de comer, tenho minha primeira boa notícia dos últimos dias. Verei minha mãe.

Assim que minha mãe entra no quarto, vejo o quanto ela mudou, antes do acidente ela era uma coroa enxuta, cabelo castanho e liso, sempre arrumada; levemente cheinha, sem rugas, mas agora seu cabelo está com a raiz toda branca, seu cabelo parece grande e está amarrado. Ela tem muitas rugas e olheiras, está muito magra e sua boca está fina, ela veste um vestido largo, que parece caber duas dela dentro dele. Fico surpreso, seria apenas a passagem do tempo, ou seria eu? Eu a fiz sofrer e por isso o tempo lhe castigou tanto? Ela sorri e começa a chorar, ainda na porta.
_ Mãe. – eu digo, tentando ignorar sua clara mudança física, pois eu tampouco estava como antes, para ser bem sincero, eu estava bem pior, minha mãe pelo menos está de pé, magra, porém ainda tem seus músculos.
_ Meu filho. – ela vem até a mim e me abraça, vejo que ela não fica a vontade, pois tem que se curvar, já que estou sentado na cadeira de rodas. Ela me abraça forte e mesmo um pouco desconfortável, ela não me solta rápido.
Quando me solta ela começa a tocar meu rosto, minha testa, minhas sobrancelhas, minha bochecha, que agora está murcha, meu queixo...
_ É você meu filho. – ela chora. _ Você está acordado. – deixo-a chorar e me tocar o quanto quiser.
_ Eu estou mãe, eu estou acordado.

1 mês depois

Em um mês eu pude perceber muita coisa, uma delas é que Demetria não mais me esperava, ela não veio me visitar nenhuma vez e sempre que eu tocava em seu nome, minha mãe ficava nervosa e mudava de assunto. Também não vi meu pai, nem mesmo Nick, creio que minha mãe e meu pai se separaram, pois ela ficar chateada ao falar sobre ele. Segundo ela, Nick se mudou para longe, percebo que eles também não devem estar muito bem, pois ela também fica nervosa ao falar sobre ele.
Recebi algumas visitas de primos, e alguns amigos, meu tio, o que me contratou em sua empresa, foi o último a vir me visitar. Ele foi um pouco frio durante sua visita, e foi perceptível que ele e minha mãe não mais se davam bem. Ao sair do hospital eu teria muita coisa para descobrir.
Outra coisa que percebei foi que ir ao psicólogo não me traria notícia, pelo menos não da minha família. Porém sei sobre todos os presidentes que perdi: GorgeW. Bush e Barack Obama duas vezes, se bem que quando eu sofri meu acidente eu vi o primeiro ano de mandato de Bush, sei que Donald Trump será o nosso novo presidente. Sei quais são os novos ídolos da música, e quais são os novos estilos da moda, o que mudou muito, descobri novas gírias, mas nada me surpreendeu mais do que a tecnologia, nada mais de teclas ou celulares robustos, agora são finos e se eu quiser fazer algo eu toco na tela, imagina isso? Eu toco na tela, CD? DVD? Aparentemente quase ninguém mais compra CDs e o DVD foi substituído por Blu Ray, os computadores agora não são mais de CPU, mas sim notebooks, e segundo meu psicólogo até mesmo estes começaram a serem obsoletos. É tanta coisa...
Na fisioterapia descobri o quanto poder andar é algo valioso, depois de duas semanas finalmente consegui sair da cadeira de rodas, mas apenas para começar a usar o andador (e isso me fez sentir um velho). Agora já posso carregar coisas leves, como livros, copos, pratos, me alimentar, na seção de ontem eu consegui levantar por longos três segundos um peso de 2kg, o que deixou a todos muito felizes, principalmente eu.

2 meses depois

Eu já estava cansado, três meses dentro de um hospital não é algo fácil, minhas seções com o psicólogo estava ficando mais espaçadas, apenas uma vez por semana, já minha fisioterapia estava ficando mais e mais pesada. Eu pouco via o Doutor Jacob, mesmo ele quase sempre vindo me visitar depois de seu expediente.
Eu já não estava mais no andador, mas sim na muleta, mas os fisioterapeutas estavam começando minha transição para a bengala.
Eu ainda estava magro, mas agora estou forte, consigo levantar mais de 7kg de peso.

Nesses últimos três meses minha mãe ficou no hospital todos os dias, não demorou muito para ela revelar que não estava mais trabalhando.

Eu já conhecia praticamente a todos do hospital, de funcionários a pacientes. Eu claramente tinha perdido pessoas importantes na minha vida, mas aqui, nessas paredes brancas eu também havia conhecido pessoas que gostaria de levar para esse retorno de vida.

Faz apenas duas semanas que tive autorização para ver TV. E esta também mudou, as imagens tem mais resolução, tudo parece mais tecnológico.


Mais um dia amanhece e eu me preparo para a rotina que virá, porém antes mesmo do café da manhã, Jacob entra em meu quarto, fico surpreso, pois geralmente ele vem durante a noite.
_ Joseph, nosso homem milagre. – ele ri. Ganhei esse apelido por aqui, pois todos acreditam que o que aconteceu comigo (acordar do coma após 14 anos, sem sequelas sérias), é um milagre, e eu não duvido que seja mesmo. Eu até mesmo dei uma entrevista para o jornal local que se interessou pela minha história.
_ Olá doutor. – digo. _ Veio cedo hoje. – reparo.
_ Sim, vim cedo, mas existe um motivo especial, não estou aqui apenas como amigo, mas principalmente como seu médico. – ele diz.
_ O que aconteceu? – pergunto preocupado.
_ Nada de ruim. – ele não hesita em me acalmar. _ Trago boas notícias. – ele diz. _ Você ganhou sua alta, Joseph, você já pode voltar para sua casa.

Continua


Babii: triste mesmo, e como você disse, Demi não está mais com ele. Bom, agora Joseph tem 37 anos. Obg por comentar ;)

Diana: Sim, bem triste para ele, mas aos poucos ele vai se acostumando e vai descobrindo o que perdeu. Obg por comentar ;)

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Capitulo 2


Eu estava confuso, pouco se falava sobre o que havia acontecido. Os médicos me tratavam de maneira estranha, como se estivessem tomando cuidado com que iriam falar, eu ia de sala em sala, fazendo vários exames, e o que mais me incomodava em tudo isso era o fato de que eu só conseguia sair de um lugar para outro na cadeira de rodas.
O primeiro dia foi estressante, mas nada se compara com o que eu vi quando a noite chegou.
Uma enfermeira me ajudou a despir-me, o que pra mim foi humilhante. Ela mantem um sorriso simpático, mas eu não tenho mais energia para retribui-la. O Box do banheiro do hospital é grande, grande o suficiente para que eu, a cadeira de rodas especial para banho, em que eu estou sentado, e a enfermeira possamos entrar nele sem ficarmos apertados. Uma pia num canto, um vaso sanitário no outro e, pela primeira vez, vejo um espelho, ele é pequeno, mal deve ter meio metro, mas ainda assim, consigo ver-me. Não vejo meu corpo completo, apenas do inicio do meu quadril até o meio de meu pescoço.
Fico olhando-me por vários segundos até concluir que o que vejo é real, aquele no espelho realmente sou eu.
Nunca fui musculoso, nem tampouco eu era gordo, mas nunca me vi assim, praticamente pele e osso.
_ Me traga aquele espelho. – peço a enfermeira, ela me olha e seu olhar é de compaixão. _ Traga-me aquele espelho. – repito, ao perceber que ela hesita.
_ Ele esta pregado na parede. – ela responde calma. _ Depois o deixaremos se olhar no espelho. Mas primeiro, vamos tomar banho?
_ O que aconteceu comigo? – pergunto, ignorando sua última fala.
_ Você sofreu um acidente. – ela responde.
_ Mas o que mais? Porque eu estou assim? – insisto já irritado.
_ Amanhã o doutor falará com você...
_ Não! – grito. _ Porque eu não vi ninguém? Onde está minha mãe? Meu pai? Meu irmão? Minha noiva?
_ Senhor Jonas, eu sei que você está estressado, o dia hoje foi cansativo, mas amanhã será bem melhor...
_Porque eu não ando?
_ É algo temporário. – diz, pela primeira vez, realmente me respondendo. _ Vamos para o banho? – pergunta e eu me sinto como um bebê.
Estou cansado, deixo que ela me lave. Não consigo olha-la a nenhum momento, mesmo sabendo que ela provavelmente já está acostumada a essas situações.
Após o banho ela me seca e me ajuda a por uma roupa, que não é muito agradável, é o tipo de roupa que todo paciente por aqui usa, parece uma camisola, porém, digamos que, a parte de trás é mais ventilada do que eu gostaria que fosse.
Volto para meu quarto, apenas para ser deitado na cama, que não é nada confortável e voltar a ser espetado por várias máquinas que me monitorariam.
_ Posso ligar a televisão? – pergunto a enfermeira antes que ela me deixe sozinho. Ela hesita.
_ Podemos colocar algum filme, caso você prefira. – ela responde.
_ Não precisa tanto incomodo. – digo. _ Eu assisto qualquer coisa que estiver passando mesmo. – completo.
_ A televisão aqui tem uma imagem péssima. – ela sorri nervosamente. _ talvez um filme da sua escolha seja melhor.
_ Eu não sei qual filme escolher. – digo um pouco impaciente. _ Pode me trazer um jornal, uma revista, um livro? Qualquer coisa que me distraia. – peço.
_ Irei providenciar. – sorri e sai do quarto.
Maldita hora que não desacelerei o carro para entrar naquela curva. Demetria deve estar com raiva, e pela imagem que vi no espelho, receio que tenhamos que cancelar o casamento, eu não poderia subir ao altar parecendo uma caveira.
_ Olá, Joseph. – entra o mesmo médico que me acompanhou durante todos os exames, ele agora não está usando seu jaleco. Ele sempre parece feliz, sempre sorridente, sempre entusiasmado, queria acompanha-lo nesta alegria, odeio ser o chato, mal humorado do lugar.
_ Olá, doutor. – digo, não com o mesmo animo dele, mas sorrindo, falsamente, mas o que vale é a tentativa, não é?
Ele se senta na cadeira ao lado de minha cama.
_ Estou fora do meu turno agora. – ele diz. _ pode me chamar de Jacob. – diz, não digo nada, apenas concordo. _ Sabe Joseph, eu não deveria conversar com você agora, pois provavelmente o deixarei mais confuso ainda, tenho consciência que estou colocando a carroça na frente dos bois, mas você me tornou um homem melhor, eu precisava falar com você. – fico sem ação e ele ri. _ Eu falei que lhe deixaria confuso. – volta a ri e eu acabo rindo junto, e desta vez verdadeiramente. _ Você é jovem, e muito escutei falar sobre você, enquanto cuidei de seu caso. Um cara ovo, mas com a vida inteira já programada, você era um jovem até mesmo bem sucedido, eu já tinha me formado quando você chegou aqui, isso é obvio, – ri fraco. _ mas eu não tinha metade da maturidade que você possuía. Quando meu chefe me colocou no seu caso, eu me senti poderoso, eu apenas tinha duas semanas de serviço e já seria colocado em um caso grave. Eu fiz o meu melhor, claro, mas ali eu vi o quanto eu não era o que eu pensei que era. Eu não sou um herói, nem O Imbatível Jacob, o amor que tinha a sua volta era algo que eu nunca tive. A força que você teve eu não sei se eu teria, eu tive tempo para refletir sobre o porquê de eu ter decidido ser médico, e percebi que era muito mais do que mostrar um diploma, ou poder me exibir com meu jaleco, ser chamado de doutor, eu me formei para salvar vidas como a sua, Joseph, salvar pessoas boas como você. – demoro um pouco para começar a falar, após Jacob finalizar.
_ Eu fico lisonjeado com suas palavras, eu não fazia ideia que tinha causado tal impacto. – digo. _mas... Eu realmente estou confuso. – completo. _ E eu nem mesmo sei com o quê. – ele ri.
_ Eu sei, eu estou me adiantando, amanhã será um dia cheio, não farei plantão como fiz hoje, mas ficarei com você apenas durante a noite, eu queria falar com você enquanto você está mais calmo.
_ Eu sinto como se todos estivessem me escondendo algo. – confesso. _ Cadê minha mãe? Eu escutei a voz dela ontem, doutor, porque eu não a vi hoje? E meu pai? Meu irmão? E minha noiva? – meu coração se parte ao me lembrar de Demetria, eu queria tanto vê-la.
_ Sua mãe estava aqui ontem, foi ela que nos alertou sobre o seu despertar. – ele afirma. _Mas hoje precisávamos que você fosse inteiramente nosso, mas você verá sua mãe. Não se preocupe.
_ E os outros?
_ Amanhã você passará por um psicólogo, ele poderá lhe esclarecer melhor, e logo após você poderá rever sua família. – ele diz.
_ Não. Eu já estou farto disso. Doutor há algo errado aqui. – me seguro para não chorar, todo o cansado, a falta de rostos conhecidos, o que eu vi no espelho, minhas pernas, eu me sinto tão frustrado, vazio, sozinho e pior, me sinto enganado, ninguém me diz nada, eu só quero saber o que aconteceu. _ Diga-me algo, eu... Porque meu corpo está assim? Estou puro osso, meu corpo inteiro dói, porque tantos exames? Porque eu não posso andar? Nem mesmo televisão eu posso ver! Eu só quero a minha família, eu só quero a verdade.
_ E você a terá, mas apenas quando estiver pronto.
_ Doutor, você acabou de me dizer que me considera, você diz que eu lhe ajudei, por favor, se eu realmente signifiquei ou significo algo em sua vida, me diga o que aconteceu, e eu não falo sobre o acidente, pois eu sei disso, eu me lembro de bater o carro. Eu quero saber o que aconteceu após isso, eu quero saber o que tanto me escondem.
_ Você diz que se lembra do acidente. – ele começa. _ e depois? O que mais você se lembra?
_ Nada, apenas de ter acordado aqui, preso por um monte de fios.
_ O que você acha que aconteceu?
_ Doutor... – quero começar a reclamar.
_ Apenas responda. – ele me interrompe.
_ Eu desmaiei, e fui internado aqui, é isso? – pergunto quase certo que não é só isso.
_ Você entrou em coma, Joseph. – ele diz, após pensar um pouco. Fico sem reação, meu queixo até cai um pouco, em coma? Meu Deus, isso quer dizer que meu casamente pode até mesmo já ter passado e isso justificaria as dores no corpo, o emagrecimento e a fraqueza.
_ Por quantos dias? – pergunto na esperança de que tenha sido no máximo cinco dias, e assim eu ainda teria dois dias para me recuperar e me casar com Demetria.
_ Muitos. – ele responde, fazendo com que toda minha esperança se esvaísse.
_ Quantos meses? – pergunto, sentindo um nó na garganta.
_ Você receberá mais informações amanhã, seu psicólogo é um dos melhores do estado, ele sem duvidas falará melhor com você. – diz.
_ Doutor, quantos meses? – insisto e ele hesita e muito. _ por favor.
_ Isso pode me custar caro, Joseph. – ele diz.
_ Por favor, eu prometo não falar com ninguém.
_ Duvido muito. – ele diz.
_ Um ano? – pergunto e torço para que ele comece a rir e me diga que é uma grande brincadeira, ele parece ser do tipo que ama pregar peças a todos.
_ Não Joseph... Foram quatorze.
_ Meses? – pergunto, não querendo aceitar outra possibilidade.

_ Anos.

sábado, 29 de outubro de 2016

Capitulo 1



Meu voo pousa após longos quarenta e cinto minutos de atraso, corro contra o tempo até chegar à esteira das bagagens, estou sem tempo e sei que logo as reclamações começarão.
Minha bagagem ainda não saiu, o que a essa altura parece até mesmo um jogo do destino comigo, logo hoje, um dia tão importante, tudo o que pode dar errado, dá.
A, pelo menos, quinze minutos atras, eu deveria estar entrando no salão da igreja, para ensaiar o meu casamento com a mulher mais linda do universo, Demetria. Já estamos noivos há sete anos, desde quando ainda estávamos no Ensino Médio, foi amor à primeira vista, bom, pelo menos para mim, Demetria nunca escondeu, só começou a gostar de mim após dois meses de convivência diária na escola em que estudávamos. Passamos vários momentos juntos e quando nos formamos decidi pedi-la em noivado. Foi uma verdadeira festa, nossas famílias se deram bem sem nenhum esforço e nossos amigos sempre torceram por nós. Após o noivado a pressão para o casamento foi gigantesca, mas Demetria, sempre decidida e esperta bateu o pé e combinamos que casaríamos apenas após nos formarmos e assim foi. Demetria, no fim do ano retrasado se formou em Jornalismo e eu no fim do ano passado me formei em direito. Hoje ela trabalha em um jornal local e eu trabalho na empresa do meu tio, a empresa é grande, multinacional, sempre há um processo ali, uma audiência aqui, alguma questão burocratística para resolver, portanto, bastante trabalho. Agora mesmo volto de uma sede da empresa na Alemanha, lá tive que representar a empresa em um processo de alguns trabalhadores insatisfeitos com a condições de trabalho, foi um processo difícil e por pouco teríamos perdido, mas conseguimos chegar a um acordo que irá trazer mais custos a empresa, porém não trará grandes prejuízos como daria caso tivéssemos que pagar as indenizações que os trabalhadores pediam.
Como eu disse, o processo havia sido complexo, o que me obrigou há ficar um dia a mais na Alemanha do que o planejado a primeiro momento e como o ensaio do casamento já estava marcado, não havia nada a se fazer, a não ser rezar para que no fim desse tempo de fazer tudo.
Vejo minha mala. Pego-a todo sem jeito e já corro para o estacionamento do aeroporto.
Onde deixei meu carro mesmo?
Apenas uma semana fora de casa e já fico todo perdido.
A7 - lembro-me.
Estacionamento A, vaga 7. Tateio meu bolso em busca da chave enquanto vou em direção a onde deixei meu carro. Encontro à chave no bolso esquerdo da calça.
O celular em meu bolso começa a vibrar, não preciso nem ver para saber quem é.
Encontro meu carro, coloco a chave na fechadura da porta e pego meu celular.
_ Oi meu amor. – digo tentando soar tranquilo, para que, talvez, isso a tranquilize também.
_ Joseph. – ela grita do outro lado. Pelo jeito tentar soar tranquilo não ajudou em nada. _ Onde você está? !
_ Calma, amor, eu já estou indo. – Abro a porta do carro e o alarme dispara, é claro que eu iria esquecer-me de desligar o alarme.
_ Joseph, nem mesmo o padre está aguentando mais esperar, e a filha da Ruth, a Margarida, ela tem escola amanhã cedo, ela precisa ensaiar, Joseph, ela que vai trazer as alianças! – Demetria grita desesperada.
Se há algo que sempre admirei em Demetria era sua calma e capacidade de raciocínio que sempre fez com que ela mantivesse a razão. Isso ate janeiro deste ano. Eu ja tinha me formado e tinha conseguido a vaga na empresa do meu tio, nada mais nos impedia. Então, na segunda semana de janeiro, fomos até a igreja do bairro e marcamos a data, 02 de Novembro, foi aí, nesse exato momento que tudo desmoronou, Demetria continua a mesma em sua essência, mas toda a calma se esvaiu dela tão rápido quanto um balão de ar que foi furado com uma agulha. Se ela não está trabalhando está organizando alguma coisa do casamento, escolhendo convites, vestido, meu terno, convidados, decoração, cardápio da festa, banda ou Dj? Qual melhor salão de festa? Vestido das madrinhas, vestido das daminhas... Ela resolveu fazer tudo sozinha, e a única coisa que pude opinar, foi no cardápio da festa e sabor do bolo, acabou que o bolo foi o sabor que ela escolheu e não o meu, mas um dos pratos principais foi o que eu também queria, então considero como minha contribuição no casamento. Eu até poderia reclamar, mas é o pai de Demetria que estava bancando o casamento praticamente inteiro, do meu bolso  saiu as alianças e meu terno, minha mãe colaborou com o buquê  e parte das flores de enfeite da igreja, todo o resto ficou na conta de meu sogro.
_ Joseph, você esta me ouvindo? – Desligo o alarme, jogo minha mala no banco do passageiro e entro no carro.
_ Estou amor, mais não e pra tanto, só estou quinze minutos atrasado. – digo consciente de que contradizê-la não era a melhor ideia.
_Quinze minutos? QUINZE MINUTOS JOSEPH? O ensaio estava marcado para começar às 19 horas, Joseph!
_ As 19? – pergunto e olho para meu relógio de pulso. São 21h17min, eu estou uma hora e dezessete minutos atrasado. _ Nossa, amor, me desculpe, eu pensei que era as 21. Eu vou chegar o mais rápido possível. – dou partida no carro, coloco na macha ré para sair da vaga em que estacionei.
_ Rápido não é o suficiente. É melhor você aprender a voar, Joseph! – desliga. Sinto que ainda escutarei muita gritaria por parte dela quando eu chegar à igreja, e por pelo menos mais dois dias, eu realmente espero que apos o casamento eu tenha minha calma Demetria que eu conhecia de volta. Amo-a, mas a voz dela quando grita é estridente demais para mim.
Normalmente o caminho do aeroporto até onde moro, que fica apenas dois quarteirões da igreja em que casarei, é de apenas 45 minutos, caso não tenha nenhum transito. Enfio fundo o pé no acelerador, parando apenas nos sinais de transito, provavelmente eu receberei varias multas por excesso de velocidade, mas no momento prefiro paga-las a ter que receber mais um telefonema enfurecido de minha noiva.
O meu celular, que, após ter conversado, ou tentado conversar, com Demetria, joguei em meu colo, volta vibrar. Tento olhar o mais rápido possível para a tela do celular, para ver quem esta ligando. É meu irmão. Tiro a mão esquerda do volante, mas não desacelero.
_ E aí mano Nicholas? – Digo.
_ E aí mano Joseph. Resolvi te ligar após o escândalo de Demetria no telefone. – ele diz rindo.
_ Ela fez isso na frente de todos? – pergunto surpreso, pois sei que ela não é de fazer escândalos em publico.
_ Sim, ela estava no altar, ao lado do padre, com nossos pais e os pais dela vendo, as madrinhas, as damas de honra, resumindo, na frente se todos. – ri. Nicholas é meu único irmão, ele é apenas dois anos mais novo que eu e nossas personalidades, ao mesmo tempo em que parece igual, é totalmente diferente. Temos o mesmo gosto para musica, filme e roupas, mas enquanto eu sou mais responsável, mais caseiro, mais compromissado, Nicholas é um verdadeiro fanfarrão, ja se formou na escola, mas não quis saber de faculdade, vive fazendo concertos em eletrônicos de amigos e conhecidos. Ama uma festa e adora aventuras, escaladas, acampar, coisas que envolvem riscos é sua verdadeira paixão, é extremamente brincalhão e não gosta de regras, provavelmente esta curtindo todo este circo que Demeteia esta aprontando na igreja, são coisas assim que ele ama, uma boa confusão, algo para rir, eu ate achava que era coisa da idade, que o fato dele ser mais novo o fazia instantaneamente menos maturo, mas na idade dele eu já tinha responsabilidades, já estava na faculdade e noivo de Demetria. Nicholas é assim, e duvido que um dia mude.
_ Meu Deus, isso não é nada bom. – digo.
_ Nada bom? Isso é ótimo, gravei tudo, mostrarei para os filhos que vocês terão. – diz rindo.
_ Quando Demetria voltar a si, ela vai querer te matar por ter feito isso. – digo.
_ Vai nada, quando ela voltar para si, ela e querer sumir do mapa. – diz e eu acabo rindo, no fundo ele tem razão, a Demetria que eu conhecia morreria de vergonha por fazer algo assim. _ mas olha cara, eu so queria te acalmar mesmo, ela exagerou um pouco, todo mundo está te esperando um pouco impaciente, mas pra quem já esperou isso tudo, mais meia hora não faz mal. – diz.
_ Você, me acalmando? Você é realmente o Nicholas? – ele ri.
_ E só pra balancear um pouco, imagina dois loucos te apressando?
_ Nem me fale, uma já basta. – digo isso e viro a esquina.
A rua em que viro é estreita, porém de duas mãos, por ter entrado em alta velocidade, sem prestar atenção em nada, não vejo, mas dou de cara com um carro vindo à direção contraria, tento desviar, levando meu carro para mais perto do passeio, mas não consigo frear, vou direto ao muro.


Acordo e sinto muitas dores. Minha coluna doe, minha garganta doe, começo a engasgar, abro os olhos e a luz clara irrita meus olhos.
_ Meu Deus, ele acordou, ele acordou. – escuto uma voz gritar, a voz parece ser de minha mãe, porém há algo de diferente, como se ela estivesse um pouco rouca.
Tento vê-la, mas sinto como se todo meu corpo estivesse agarrado a algo. Continuo engasgando e isso me irrita e desespera.
Mãos começam a me tocar. São médicos e enfermeiros. Logo os sinto tirando algo de minha boca, a sensação é horrível, como se estivessem puxando algo de dentro de mim, paro de engasgar. Sinto que eles tiram mais coisas, mas não sei dizer o quê, quero levantar-me, mas a dor é horrível.

_ Olá Joseph. – diz um medico que aparece em meu campo de visão. Ele sorri simpático. Eu não o conheço. _ Bem vindo de volta.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Sinopse de Encontro com o Passado



Joseph está prestes a se casar com a mulher de sua vida, Demetria, porém, antes que ele tenha a oportunidade de subir ao altar e dizer sim, ele sofre um grave acidente que o deixa em coma. Para Joseph, o coma foi como um sono pesado, que durou apenas algumas horas, mas para todos a sua volta já se passaram anos. Joseph não mudou, mas toda a sua vida está diferente.

Nesta historia, Joseph tenta se encontrar em sua própria vida, buscando entender tudo o que aconteceu durante os anos perdidos.