quarta-feira, 13 de maio de 2015

1. "O Elevador" - Não Existem Poesias



30 de abril de 2015

Cinco e meia da manhã. Ainda estava cedo, mas ficar ali olhando para as paredes brancas de seu apartamento, tampouco parecia atrativo. Talvez, chegar mais cedo à escola fosse bom, poderia descansar um pouco antes de dar a sua primeira aula do dia.
Sem mais enrolar, Joseph deu o último gole do seu café, foi ao banheiro, deu uma escovada rápida em seus dentes, voltou para sala, pegou sua mochila, com o material do dia e sua chave.
Antes de sair, verificou se tudo estava no lugar certo, sorriu satisfeito ao ver que estava. Se ele ainda morasse com seus pais, seu padrasto provavelmente riria dele, essa mania de Joe de sempre deixar tudo organizado sempre o pareceu uma piada, já a mãe de Joseph, apesar de achar o seu excesso desnecessário, gostava, afinal de contas era menos trabalho para ela.
Joseph nunca entendeu a dificuldade das pessoas de serem organizadas, para ele organização deveria ser algo bem mais fácil de manter do que a desorganização, pois, se tens tudo organizado, pode encontrar tudo o que você procura; limpar a casa se transforma numa tarefa bem menos árdua, fora que mesmo que esteja tudo sujo, ainda parece estar tudo limpo. Organização era a chave de tudo.
Ao sair, trancou a porta, e antes de ir para o elevador, observou a porta do apartamento ao lado, agora tudo estava bem silencioso, bem ao contrário da noite anterior.

Aquele apartamento estava à venda por meses, ninguém mais achava que seria vendido, e o antigo dono parece ter sentido isso também, pois diminuiu seu preço quase pela metade, e com isso, em menos de três dias, o apartamento foi vendido. Ontem a nova ou o novo vizinho ou vizinha se mudara, e a barulhada de moveis sendo arrastados, de paredes sendo furadas por pregos, atormentaram a noite de sono de Joseph. Se ele fosse menos tímido, reclamaria, mas ele nem mesmo tinha esperanças de tomar coragem de falar, ele não era assim, ficar calado era sua especialidade, a não ser, é claro, durante suas aulas, ele é o professor, ele tem que falar.

Andando apenas alguns passos, Joseph chega a porta do elevador, aperta o botão de decida, e acompanha pelo pequeno monitor, que dizia que o elevador estava subindo para pega-lo.

Blim
As portas do elevador se abrem.
Joseph entra e aperta o botão indicando que quer ir ao térreo. Quando as portas do elevador estão prestes a se fechar, ele escuta um grito fino e desesperado.
“Espere! Segure a porta para mim”.
Joseph, rapidamente põe a sua mão entre o pequeno vão entre as portas, instantaneamente elas param e tornam a abrir.
Na porta está uma garota, parece bem jovem, em suas mãos há vários papeis, mesmo estando com uma bolça grande nos ombros que, aparentemente, está bem vazia.
Ela entre e sorri agradecida a Joseph.
_ Nossa! Muito obrigada mesmo, estou com muita pressa. – falou ela, um pouco ofegante. Joseph apenas sorri, demonstrando que a escutou, mas que não iria criar uma conversação. As portas tornaram a começar a se fechar. _ Você é meu vizinho, não é? – perguntou ela enquanto tentava colocar as folhas todas de uma vez em sua bolça, algumas caíram no chão, outras entraram na bolça toda amaçada. Aquela era uma demonstração clássica de como Joseph estava certo em relação a sua teoria sobre a organização.
Educadamente, Joseph ajudou-a, pegando-a as que caíram e esperando que ela se ajeitasse para entrega-las a ela. _ Obrigada mesmo. – sorriu sem graça. Novamente Joseph só sorriu. _ Você é mudo? – perguntou sem jeito. _ Eu sei algumas coisas na linguagem de sinais.
_ Não. – respondeu Joseph. _ Eu só falo pouco mesmo.
_ É, percebe-se – sussurrou. _ Demetria. – disse ela, estendendo sua mão para um cumprimento. _ Mas, por favor, me chame de Demi.
_ Joseph. – respondeu a seu cumprimento.
_ Você mora no 502 ou no 503? - perguntou ela, tentando manter o assunto. Joseph percebeu que não teria escapatória, enquanto estivesse naquele elevador, ele teria que interagir com aquela garota.
_ 502. – respondeu.
_ Então você é meu vizinho de parede. – disse Demi empolgada. _ Em falar nisso, mil desculpas por ontem a noite. Cheguei do interior, meu pai só poderia me ajudar ontem naquele horário, se não eu teria que montar e carregar tudo sozinha. – falou de maneira tão empolgante que Joseph se perguntou se ele estava enganado e, ao invés de estar demonstrando incomodo, estivesse demonstrando interesse na sua conversa.
_ Sem problemas. – respondeu.
_ Nossa. Você realmente é de falar pouco, não é? – perguntou. E você de falar muito – pensou Joseph.
_ É. – Demi suspirou, percebendo que dali não sairia mais nada.
_ É impressão minha ou esse elevador não está descendo? – perguntou ela. Joe olhou para o painel e percebeu que o elevador estava parado no 3º andar, a porta não dava sinal de que iria abrir.
_ Ah não! – exclamou Joseph. _ O elevador parou. – concluiu frustrado.
_ E você concluiu uma frase com mais de três palavras. – sussurrou Demi, porém não baixo o suficiente. Joseph a encarou já impaciente, mal a conhecia e já não gostava da sua pessoa. Demetria percebeu. _ Tá, desculpa-me, só me ajude a abrir esta porta e assim que eu sair você ficará livre de mim. – falou ela, jogando sua bolça no chão e tentando, inutilmente, abrir a porta sozinha, agarrando as bordas da porta de aço e forçando-as para o lado.
_ Você está louca? – perguntou Joseph, desta vez ele teve que intervir. _ Podemos ligar pelo interfone para a portaria, eles vão nos tirar aqui.
_ Caso você não se lembre, eu estou atrasada.
_ E por acaso você acha que o que você está fazendo vai realmente ser melhor? – perguntou.
_ É alguma coisa. – respondeu Demi irritada. _ Deve ter algum botão para abrir esta porta. – disse ela, vindo até o painel e tirando Joseph de lá. _ será esse? – disse pensativa e quando foi apertar o botão, Joseph agarrou seu braço. Demetria olhou-o assustada.
_ Você, por acaso, é suicida? – perguntou. _ Você por acaso não aprendeu os riscos que sair de elevador assim? Não te ensinaram nada na escola?
_ Não! Estavam mais preocupados em me ensinar Números Imaginários. – respondeu nervosa, se afastando de Joseph, e jogando-se no chão, ao lado de sua mochila.
Joseph preferiu ficar calado na dele, aquele não era o momento para causar confusões.
Joseph apertou o interfone e esperou que alguém na portaria o atendesse.
_ Sim. – Joseph logo reconheceu a voz de Brian, ele era um velho, negro e um pouco acima do peso, um homem legal que trabalha quase que a vida inteira como porteiro do prédio.
_ Oi. Aqui é o Joseph, do 502, estou preso no elevador. – disse.
_ Ah sim, eu percebi que ele parou, não sabia que tinha alguém nele. Eu já liguei para a manutenção, mas eles disseram que só começam a trabalhar às oito da manhã. Tem algum problema? Você acha que consegue ficar aí? – Joseph não respondeu instantaneamente, seu primeiro horário de aula eras às 8:20, o que significava que ou chegaria bem atrasado ou que teria que ser substituído, não era o fim do mundo, não se ele estivesse sozinho, mas três horas preso em elevador junto a uma garota tagarela não seria tão fácil assim.
_ Não! – gritou Demetria do outro lado, Joseph se assustou.
_ Está tudo bem aí? – perguntou Brian preocupado. _ Eu posso tentar olhar em outro lugar, mas a assistência técnica ia nos cobrar uma multa altíssima, você sabe que o Theodor iria ficar uma fera. – Theodor é o sindico do prédio, Joseph não sabia muito bem o porquê ele tinha ganhado. Talvez todos achassem que contenção de custos, sua maior promessa, era uma boa, só que isso significava poucas manutenções, poucas reformas, poucas melhoras, gastos apenas com o imprescindível, tudo bem que isso diminuiu o preço do condomínio, mas valia apena ficar com a fachada de prédio toda suja, um jardim que nem mesmo era mais jardim, um playground que era improprio para as crianças e um elevador que ficava parando quando bem entendia? Naquele momento Joseph agradeceu por não ter dado seu voto a aquele homem, pelo menos não tinha culpa do estado do prédio.
_ Não, está tudo bem, é só uma louca aqui dentro.
_ Eu tenho nome. – reclamou Demi. _ E não é louca. – Joseph deu de ombros.
_ Bom, tudo bem então, qualquer coisa me avisa.
_ Sem problemas Brian, obrigado.
Joseph recostou-se na parede do elevador, olhando para o relógio e percebendo que não tinha nem mesmo três minutos que ele tinha saído de casa, o que o fez perceber que três horas não era tão rápido assim, pelo menos agora aquela garota, Demi, não estava mais o importunando, mas sabe se lá quanto tempo ia durar...

20 minutos.
Exatos vinte minutos.

_ Isso acontece sempre? – perguntou Demi. _ O elevador parar. – completou ao ver que Joseph não entendera.
_ Havia reclamações, mas parar totalmente, nunca. – respondeu, já esperando pela próxima pergunta, mas ela não veio.
Joseph acabou se cansando e sentou-se também, no outro extremo do elevador, não era lá muito conformável, mas não era lá tão ruim.
Ao olhar para Demetria, ele percebeu o porquê do silencio. Ela parecia estar prestes a chorar.
Joseph a preferiria falando, ele era pior para consolar do que para se comunicar.
_ Pelo jeito o seu compromisso é bem importante. – ele comentou.
_ É.- respondeu  cabisbaixa. No fundo, Joseph esperava que, após sua iniciativa, ela voltasse a se animar e novamente não parasse de falar, ele não ligaria, seria até melhor, ele escutaria, ou fingiria que escutaria, não teria problemas, mas para isso? Para isso ele não estava preparado. Demi pareceu perceber seu conflito e sorriu fraco, deixando com que algumas lágrimas saíssem, mas logo ela limpou-as. _ Parece até que mudamos de lado. Você tentando assunto e eu respondendo friamente.
_ Eu não respondo friamente. – tentou defender-se, mas depois sorriu timidamente. Talvez ele não fosse a pessoa mais sensível do mundo, ele sempre foi mais fechado, ninguém soube explicar o porquê, sua infância tinha sido completamente normal, nenhum trauma, nenhum abuso. No fim todos concluíram que era da sua natureza controlar seus sentimentos de maneira tão bruta. Mas Joseph tampouco é um robô, ele tem seus sentimentos, só que tem uma incrível dificuldade de demonstra-las. Demetria concordou, suspirando.
_ Era um tipo de reunião, era bem importante para mim. – respondeu.
_ Um tipo?
_ Não era uma reunião. É que eu sou escritora. – começou. _ Grande parte da minha vida eu só escrevi poesias, acabei vendendo para amigos, conhecidos, algumas eu só postei na internet, mas aí eu resolvi escrever um livro, um romance, e agora estou tentando publicá-lo, só não está sendo tão fácil. Eu consegui com que uma editora, uma das melhores no momento, lesse meu livro, e eles me pediram para levar e era um horário reservado para mim. Mas...
_ E você não pode ligar? E falar que não vai ou que vai chegar atrasada? – perguntou obvio.
Ele não entende. – pensou Demi. Não foi tão fácil assim chegar a aquele ponto. Foram meses sendo uma completa mala sem alça, insistindo todos os dias, mais de uma vez por dia, por mensagens e telefonemas, foram tantos nãos, que Demi perdeu as contas, ela os tinha vencido, literalmente, por cansaço.
_ Não é tão fácil. – respondeu sincera.
_ Mas é tão custoso assim tentar? – insistiu.
Tentar. Tentar era tudo o que Demi fazia nos últimos anos, quem sabe aquele cara, seu vizinho, não tinha razão? Pra quem já tanto tentou, por que não mais uma vez?
Apesar de decidida, ainda um pouco hesitante, Demetria pegou seu celular, num compartimento na frente de sua bolça, discou os números, que de tanto discados, já estavam nas pontas dos dedos e se preparou para a nova maratona de tentativas.

Olhar era até agoniante, quanto sugeriu para que ela tentasse; Joseph não sabia o quão penoso seria o processo:
Na primeira tentativa, após ficar escutando musiquinha de espera, ela entrou em um longo processo de perguntas do atendimento eletrônico. No final, quando ia ser encaminhada para a atendente, o telefonema caiu.
Na segunda tentativa ela foi um pouco mais longe, o atendente chegou a atendê-la, mas mandou-a para outro departamento, e nesse momento a chamada foi encerrada novamente.
Na terceira tentativa ela chegou a ser encaminhada, mas quem a atendeu a fez esperar por quase dez minutos e novamente o telefonema caiu.
Na quarta tentativa ela nem mesmo chegou a falar com o primeiro atendente.
Agora cá estávamos com a quinta tentativa, a mais promissora até agora, ela tinha acabado de passar para a terceira atendente, se ela conseguisse resolver seu problema antes de um: O telefone caísse novamente, dois: Os últimos centavos de crédito no celular de Demi acabassem. Tudo seria, por fim, resolvido.
Da próxima vez que alguém dissesse a Joseph que não é tão fácil assim, ele ficaria quieto e concordaria.
_ Sim, sou eu. – disse Demi tão alto que assustou a Joseph. Parece que tinha sido atendida. _ Ah sim, era às 5:50. – Demi esperou pela resposta. _ Sério? Nossa, que ótimo! Muito obrigada mesmo. – disse quase que tornando a chorar. _ Eles disseram que não tem problema, que eu posso só entregar e eles lerão sem minha primeira apresentação. – disse empolgada, assim que desligou seu celular.
_ Isso é realmente ótimo. – disse Joseph, ele até que demonstrou um pouco de animação por ela. Mas nem era porque leriam seu livro, mas porque ela não tinha mais que ficar ligando para eles. Aquilo chegava a ser um desrespeito com a garota.
_ E você? – perguntou ela. _ A onde você vai chegar atrasado hoje?
_ Umm, talvez eu não chegue atrasado. – respondeu.
_ Não? – perguntou surpresa.
_ Vou ao trabalho, mas só preciso estar lá as 8:20.
_ E você estava saindo às 5:30 da manhã? – perguntou com certo choque.
_ Parece tão ruim assim?
_ A escola que você trabalha fica muito longe? – perguntou.
_ Fica a duas quadras, uns quinze minutos à pé.
_ Não parece. É. – respondeu.
_ Mais imagine se eu tivesse deixado para sair quase na hora de chegar lá, eu estaria preso aqui e não chegaria. – contrapôs. _ Sem ofensas.
_ Bom, na verdade não, alguém, provavelmente eu, teria entrado aqui e ficado presa, e você teria decido as escadas, e ainda assim chegado a tempo.
_ Talvez fosse meu destino fosse ficar preso neste elevador, e ao sair mais cedo eu impedi que meu destino me atrapalhasse de ir ao trabalho.
_ Você sempre age assim?- perguntou.
_ Assim como?
_ Tão, ah, sei lá, sempre saí mais cedo?
_ Talvez não tão cedo, normalmente eu saio as 6 mesmo, mas hoje eu acabei acordando mais cedo.
_ E o que você faz?
_ Sou professor.
_ Sério? – perguntou empolgada. _ Eu passei uma boa parte da minha vida achando que ia me tornar professora, mas no fim descobri que não tenho muita paciência para explicar. – fez careta.
_ Às vezes é difícil, mas ou você se controla ou vai ter que enfrentar um processo. Advogados são caros. – riu e Demi o acompanhou.
_ E você dá aula de que? – perguntou. Joseph hesitou por alguns segundos.
_ Matemática. – Demi corou instantaneamente, sabia que tinha falado merda.
_ Sabe, matemática até que é legal...- tentou se consertar. _ Só não é pra mim.
_Você é das letras e eu sou dos números. – resumiu Joseph. Demi apenas concordou com um sorriso. O silêncio retornou por alguns minutos. Mas logo Demi retomou um assunto.
_ Posso te chamar de Joe? – perguntou.
_ Não. – respondeu quase que sem pensar.
_ Por quê?  - perguntou surpresa com a resposta dele.
_ Qual o problema com Joseph?
_ É muito grande. Tipo Demetria. – exemplificou. _ Joe é simples. Simples as vezes é melhor.
_ Eu ainda prefiro Joseph.
_Eu vou te chamar de Joe. – disse desafiadora.
_ Eu não vou responder.
_ Você vai.
_ Vou não.
_ Vai sim.
_ Quantos anos você tem?
_ Quantos anos você tem?
_ Sou mais velho que você.
_ Homens amadurecem mais devagar.
_ você que está me desafiando com um “vai sim” – imitou uma voz infantil.
_ E você está me desafiando com um “vai não” – imitou-o.
_ Você é extremamente infantil. – falou Joseph.
_ Não seja tão duro consigo mesmo.
_ Não sou duro comigo mesmo. – defendeu-se.
_ Você não se permite nem mesmo ter um apelido.
_ Eu gosto do meu nome do jeito que é.
_ Careta.
_ Eu estava começando a gostar de você.
_ É? – perguntou Demi sorrindo indicativa.
_ Não desta maneira. – Demi apenas levantou a sobrancelha direita. _ Na verdade eu te odeio agora.
_ Ódio é uma palavra forte. – Joseph não respondeu. _ Você deveria relaxar.
_ Não. – disse. _ Não aceitarei suas ervas. – Demi gargalhou.
_ Ervas? – perguntou ainda em meio as risadas.
_ Relaxar? Eu trabalho com jovens, sei como vocês relaxam hoje em dia.
_ Quantos anos você acha que eu tenho. – recuperou seu folego.
_ Você é jovem, aposto que...
_ Que...? – incentivou. 
_ Que... Que usa... – Demi voltou a rir.
_ Sabe, na verdade eu iria te sugerir música, ou yoga, mas se prefere as ervas. – tornou a rir.
_ Não foi nada engraçado. E me desculpe se ofendi ao dizer que... Que usava...
_ Não me ofendeu, não sou tão travado quanto você.
_ Não sou travado.
_ Acho que vamos nos dar bem. – disse divertida.
_ Nós já não estamos nos dando bem. – respondeu Joe, quer dizer, Joseph.
_ Para mim estamos. Você é engraçado.
_ Não foi você que disse que eu sou travado.
_ É exatamente isso que te faz engraçado. É fácil te provocar.
_ E é exatamente o que te faz tão chata, você provoca demais.
_ Você pode me provocar também se quiser. – Joseph não disse nada, nem Demi.

_ Quantos anos você tem? – perguntou Joseph, após se acalmar um pouco.
_ Chuta.
_ Você não pode só responder? – Joseph odiava quando as pessoas pediam para ele chutar algo.
_ Vou fazer 20 daqui a exatos dois meses. E você?
_ Farei 28 daqui a exatos seis meses e... – pensou um pouco. _ quatro dias.
_ Você é jovem para ser professor.
_ Nem tanto.
_ A maioria dos meus professores eram velhos a beira da morte.
_ Você é sempre tão delicada?
_ Eu não estou brincando, minha professora de biologia teve um infarto dez minutos após sair da minha sala.
_ Sua sala deveria ser horrível.
_ Dizem que era a pior daquele ano.
_ Algo me diz que você era uma das que punham o terror.
_ Na verdade não, eu era totalmente antipopular e tímida, eu tinha apenas uma amiga.
_ E o que mudou?
_ Apesar de tímida no último ano do colegial eu comecei a namorar, ele era do time de basquete da escola, eu comecei a me soltar um pouco, parecer um pouco com o que eu sou hoje... No final daquele mesmo ano descobri que ele não namorava só a mim.
_ Lamento por isso.
_ Sabe qual foi a justificava para a traição dele? Que eu era tímida demais.
_ E você mudou por ele?
_ Não, mudei por mim, ser tímida demais, quieta demais, aceitar tudo é penoso. Uma hora se cansa e nessa hora você só tem duas opções, ou fica louco ou muda. Primeiro eu fiquei louca, mas depois eu mudei. E essa sou eu agora. – Joseph riu.
_ É uma história e tanto para uma pessoa tão jovem.
_ Você também deve ter uma história. - esperou por uma resposta. _ Não quer conta-la.
_ Não tenho.
_ Como não? E seu tempo de adolescente rebelde? Todos nós temos.
_ Eu não tenho. Eu sempre fui o que você foi no passado.
_ Nenhum amor?
_ Não.
_Coração quebrado?
_ Não.
_ O que você fez durante esses 28 anos então? – perguntou Demi realmente curiosa.
Haviam questões de aritmética que realmente pegavam Joseph de jeito, mesmo sendo formado e sempre estar fazendo cursos de aprimoramento, alguns problemas exigiam o máximo dele para serem resolvidas. Porém, nem mesmo o pior dos problemas que ele já tinha resolvido o pegara tão desprevenido. O que você fez durante esses 28 anos? Nem mesmo ele sabia. Joseph não tinha histórias para contar, ele sempre foi o mesmo, sempre foi sozinho, sempre foi parado, nada demais acontece em sua vida.
_ Estudei? – arriscou.
_ Uau. – respondeu Demi com um pesar. O silêncio voltou a reinar, e pela primeira vez aquele silêncio incomodava a Joseph, pois ele sabia o que ele significava: ela o estava achando estranho. Tudo bem que todos sempre o acharam estranho, mas por algum motivo, ela o achar estranho o incomodava bastante. _Você é daqui? – perguntou Demi, surpreendendo Joseph. Demetria queria saber sobre ele, queria entende-lo, no fundo, quem sabe, até mesmo muda-lo?
_ Sou.
_ Sempre morou aqui, neste prédio?
_ Não, me mudei há uns dois anos.
_ Por quê?
_ Meus pais acharam que era melhor.
_ Por quê?
_ Eles acharam que isso me ajudaria a me socializar.
_ E ajudou?
_ Não. – sorriu fraco.
_ Comigo foi bem diferente, meus pais não queriam que eu viesse de jeito nenhum.
_ Você disse que seu pai te ajudou... – lembrou-a.
_ Porque ele não tinha outra opção. Apesar de que meu pai nem foi o maior problema, ele não queria, mas nunca me impediu. Já minha mãe... – Demi olhou para baixo, claramente triste. _ Ela nem se despediu de mim.
_ Lamento.
_ Ela não fez por mal. – tornou a olha-lo. _ Eu era a princesinha dela. Ela só não queria se separar.
_ Você vai ficar aqui por definitivo?
_ Até que eu publique o livro, sim. – responde. _ Eu até que gosto dos prédios, da movimentação da cidade, mas meu lugar é no interior, andar pelas viniculturas, ficar na varanda de casa, ao lado da minha família...
_ Espero que você publique rápido então. – desejou Joseph.
_ Nossa. Você quer realmente se livrar de mim. – Joseph corou.
_ Não. – respondeu apressadamente. _ Não é isso. – ele queria se consertar. Demi riu de seu desconserto.
_ Não te julgo, eu posso ser bem chata. – riu fraco. _ Mas te juro, eu fico mais suportável com o tempo.
_ É. Você... Parece até mais legal agora. – admitiu.
_ Não comemore, eu posso muito bem estragar esse momento. – Joseph não disse nada, mas Demi riu. _ Mas eu vou tentar não fazer isso. – Joseph expirou o ar que nem mesmo sabia que estava segurando.
O interfone do elevador tocou, Joseph se levantou e atendeu-o.
_ Sim, aqui é o Joseph.
_ Ah sim senhor Joseph, a manutenção chegou, já, já vocês sairão daí. – disse Brian.
_ Ótimo. Muito obrigada Brian. – agradeceu Joseph e desligou. _ Chegaram mais cedo. – observou Joseph, olhando para seu relógio de pulso que marcava 7:13.
_ Ah, que pena, queria tanto que você se atrasasse. – lamentou Demi. Ela temeu que ele a achasse chata por fazer tal brincadeira, mas, para sua surpresa, ele riu. Talvez ele não fosse tão travado assim.

Seja lá o problema que o elevador tinha, renderam bons 30 minutos para que fosse consertado.
Assim que foram liberados daquele cubículo, Joseph e Demetria se despediram com uma promessa.
_ Nos vemos mais tarde? – perguntou ela.
_ Nos vemos mais tarde. – Ele confirmou.


Para Joseph o dia seria longo, as quintas-feiras eram temerosas. Se durante a manhã ele só tinha 4 horários de aula, durante a tarde seriam longas 6 aulas, sem nenhum intervalo, uma aula após outra, era quase um contra peso a segunda-feira, que ele tinha apenas duas aulas, durante os dois últimos horário da manhã. Porém hoje não era segunda-feira, hoje é quinta-feira, seriam longas horas vendo aquelas paredes que, do chão até metade da parede, era azul, e da metade da parede até o teto, era branca. Os mesmo alunos desinteressados, com alguns poucos minis Josephs.

Apesar de tudo Joseph gostava. Dar aula era mais que um trabalho, era algo que o dava prazer.  
_ Bom dia. – cumprimentou o professor de Ed. Física ao entrar na apertada sala dos professores.
_ Bom dia. – respondeu Joseph. O professor o olhou suspeito e saiu pegando alguns papeis. Joseph estranhou sua reação a principio, mas depois ele percebeu, ele o tinha respondido. Joseph nunca respondia. Geralmente sua primeira palavra do dia era um Peguem seus livros e abram na pagina tal, quando entrava na sala de aula, nada mais, porém hoje, hoje ele já tinha falado tanto, mais do que ele costumava falar, era estranho. Muito estranho.


Aquele não era o dia de Demetria, ela custara para perceber aquilo, ainda assim no fundo ela torcia por uma mudança. Ela já estava sentada na recepção por mais de duas horas e nada de chamarem-na, ela, após tantas tentativas, havia se acostumado a esperar, mas a cada nível que ela subia menos paciência ela parecia ter, era tão difícil assim pegar a impressão de seu livro? Ela não ligava de não ter a entrevista, não se importava de não poder entregar seu livro na mão do editor, tudo o que ela queria era que eles o lessem, seria isso algo tão difícil?
Bom.
Ela só teve uma resposta após mais três horas de espera.
E no fundo ela gostaria de nunca ter recebido resposta nenhuma.  
“Perdoe-nos, mas nossa funcionaria se enganou, não poderemos receber seu livro sem uma entrevista, ligue-nos amanhã e tente marcar novamente.” – informou a secretaria com um sorriso penoso, e que deixou Demetria a beira de um ataque de nervos.

Ela chorou, chorou e chorou. Aquela era sua primeira grande chance e tinha sido desperdiçada por pura preguiça.
Mas que merda de elevador! Qual é o problema da escada em Demetria? Que merda de prédio! Que merda de funcionaria! Que merda de editor! Que merda de tempo! Mas que merda! Que grande bola de merda!
Demi sabia que tinha que ir encontrar sua amiga de infância assim que saísse da editora, mas ela claramente esperava por boas novas, coisa que Demetria não teria. Então ela decidiu apenas que vagaria pela cidade sem um rumo certo, não avisaria a ninguém, apenas pendularia por aí, se ela se perdesse... Bom, ela não estava se importando com isso nesse momento. Ela só precisava sair andar e tentar parar de chorar.


Joseph jogou-se em seu sofá sentindo todo o seu corpo doer ao relaxar-se, o último horário de aula havia sido muito estressante, a turma estava descontrolada, mal conseguiu dar a matéria, logo a época de prova chegaria e ele teria que escutar reclamações de pais furiosos dizendo que ele não passou a matéria e ela foi cobrada. Há algo pior que pais que preferem defender o filho encrenqueiro a escutar o professor? 
Ele suspirou.
Fechou os olhos, ele não dormiria, mas ajudaria a relaxar mais, talvez um chá fosse bem vindo, uma bela xicara de chá de camomila.
Joseph se levantou e foi até a cozinha, botou uma água para ferver, e quando ia pegar o pacotinho com chá, alguém bate em sua porta.
Se a sua resposta de Bom dia ao professor de Educação física tinha sido estranha, imagina alguém batendo em sua porta? Ninguém batia a sua porta, a não ser seus pais, duas vezes por ano: em seu aniversário e no dia de ação de graças.

_ Ei. –sorriu fraco. _ Trouxe esses biscoitos, como pedido de desculpas por ter sido tão chata hoje de manhã. – Joseph deixou-a entrar.
_ Você não foi tão chata assim. – defendeu-a.
_ Nossa, pensei que você morasse sozinho. – falou ela, entregando-o os biscoitos que pareciam ser caseiros.
_ Eu moro.
_ Sua empregada deve ser muito boa. – comentou, seguindo-o até a cozinha.
_ Não tenho empregada. – respondeu e olhou-a esperando sua reação. Demi não escondeu sua surpresa, como um homem conseguia deixar um apartamento tão limpo e organizado assim? Não são eles os desorganizados? Demi nunca conseguiria manter um apartamento assim, sendo que esse era o esperado para ela.
_ Você é o cara mais... Intrigante que já conheci.
_ Alguns me acham estranho.
_ Também. – riu.
_ Vou fazer chá, quer?
_ Ah, não, obrigada, eu já estou indo, só vim entregar os biscoitos mesmo, foi minha mãe que fez.
_ Pensei que ela não queria que você viesse.
_ Ela não queria, mas ainda assim mandou comida caseira par quase dois meses. – sorriu. _ Ela sabe que eu sou péssima na cozinha e ela jamais permitiria que eu sobrevivesse a base de Fast-food.
_ Mães... – Joseph riu.
_É. – Demi riu também.
_ E como foi na editora? – Demi hesitou triste. Suspirou.
_ No fim das contas a funcionaria me passou informação errada. – respondeu. Joseph parou de abrir o pacote, sem reação.
_ Me desculpe.
_ Não é sua culpa.
_ Claro que é. Seu eu não tivesse insistido você não teria ido.
_ Ainda assim não foi sua culpa. Você só queria me ajudar. – sorriu. _ Bom, eu já vou indo, espero que goste dos biscoitos.
Joseph a acompanhou até a porta, mas ao fecha-la ele não retornou a cozinha, ele continuou lá, com seu coração partido por aquela garota, não era justo brincar com seu sonho daquela maneira.
Meio que por impulso, pela primeira vez em toda sua vida Joseph tomou partido, abriu sua porta, foi até a porta de Demi e bateu duas vezes, só quando ele escutou o barulho do trinco abrindo que ele percebeu a loucura que estava fazendo.
_ Ei. – ela riu ao ver sua expressão de perdido. _ Quer alguma coisa? – Joseph respirou fundo tomando coragem.
_ Sabe, Joe parece legal. – sorriu. Aquela não era qualquer frase, aquela era o começo de uma grande mudança. De uma grande história, de um grande problema.

CONTINUA

Primeiro capítulo postado, eu espero que tenham gostado.
 Comentem J

Bjssss 

terça-feira, 12 de maio de 2015

Olá minhas queridas leitoras, hoje as meia noite postarei o primeiro capítulo da minha nova fic, mas antes eu gostaria de dar alguns avisos e responder a algumas perguntas.
Primeiro, o casal secundário será Camilla e Sam, desta vez trabalharei com eles bem melhor que da última.
Segundo, os capítulos agora serão maiores que o comum, acho que isso pode tanto ajudar quanto prejudicar na fic, já que pode ficar chato ao passar do tempo, mas é um risco que quero correr, pois estou testando meu potencial para projetos maiores.
Terceiro, tentarei sempre atualizar os dias de postagem na caixa lateral, lá você poderão ver as postagens do mês.
Quarto, percebi uma diminuição nos comentários aqui no blog, não obrigarei nenhum de vocês a comentarem, mas se você leu um capítulo e puderem comentar eu agradeceria muito, não precisa se identificar, comentários são bons para ajudar a autora melhorar na escrita, preciso saber se vocês estão gostando ou não, o que eu devo mudar... E só com seus comentários poderei melhorar.
Bom, acho que os avisos mais importantes já foram postos aqui.
Obrigada a todos.
Até logo.
Bjssss

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Sinopse de “Não Existem Poesias”



Joseph é um professor de matemática, de uma pequena escola fundamental, na cidade de São Francisco, Califórnia. Tímido e sozinho pode-se dizer que ele não tem amigos, apenas conhecidos. Conformou-se com sua vida solitária, e se entregou de corpo e alma a seu trabalho. 
Tudo ia bem até que, de maneira bem inusitada, uma escritora/poetisa entrou em sua vida e a bagunçou por completo. 
Cabe a ele decidir se entregar a um amor, ou de comprovar que em sua vida não existem poesias.  

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Próxima Fic

Olá a todos, estou aqui para dar mais informações sobre a próxima fic. O nome será “Não existem Poesias”. Não posso dizer se vai ser uma fanfic mesmo ou uma mini-fic. Estou querendo fazer algo bem menor, já que a história será bem simples.
 Começarei a postar só depois dos dias das mães, já que, como estava indecisa sobre fazer ou não mais uma fic, não tenho nada pronto, desde sinopse à designe do blog, tudo será feito durante as próximas semanas.
Mesmo não estando nada pronto, já posso adiantar algumas coisas: Como na última fic, prometi a leitora Estela, que iria trabalhar com Camilla Belle e Sam Claflin como casal, mas acabei não conseguindo desenvolver algo prestável, nesta próxima fic eles será o casal secundário. Como já sabido, o casal principal será Joe e Demi.
Estou aceitando sugestões, mas não garanto que usarei, pode ser que eu use em outra fic ou talvez, se caber, uso nesta mesmp, mas é como eu disse, não garanto que usarei, porém estou sempre aberta às criticas e as sugestões.
Creio que a sinopse eu ainda consiga postar nesta semana, mas não é uma promessa, só garanto postagens aqui no próximo mês.
Muito obrigada.  

Até breve.


sábado, 25 de abril de 2015

45. Amor – The Big Apple (último Capítulo)


Duas semanas, duas semanas suportando vê-la por apenas 15 minutos por dia, sendo que na maior parte dos dias, por estar sentindo muitas dores ou por estar muito fraca, ela nem mesmo estava acordada. 15 minutos era pouco, pouco demais, eu queria mais, queria poder abraça-la sem ter medo de machuca-la, queria poder responder a suas perguntas sem medo de que isso piorasse seu caso, eu queria poder dizer que a amo sem eu ter medo de que ela me rejeitasse. É horrível ter medo, mas medo era tudo o que eu tinha por agora.


_ Joe! Joe! – entrou Selena correndo dentro do meu quarto, claramente muito empolgada. _ Ela recebeu alta. Ela saiu do hospital. – levantei-me da cama em um pulo, sem saber se comemorava ou se ia direto vê-la. No fim das contas, acabei abraçado Selena, o mais forte que pude. Nem sei o porquê exatamente. Mas eu estava feliz. Há melhor maneira de mostrar essa felicidade?

Sei que Demi mereceria mais, porém na ansiedade acabei nem mesmo me ajeitando direito, do jeito que eu estava eu sai até seu apartamento. Sorte minha que o transito resolveu colaborar, nenhum engarrafamento, tudo bem que não era hora do rush, mas Nova Iorque é Nova Iorque, uma cidade que sempre está na hora do rush.

Assim que entrei no elevador percebi que eu não sabia exatamente o que fazer. Bom, eu já tinha vindo a este lugar por várias vezes, mas desta vez era bem diferente, a minha desculpa de ser o detetive não mais era válida, meu trabalho ali tinha acabado. Eu não sabia se eu seria bem recebido, bom, sei que não seria muito mal recebido, mas e se ela não quisesse me ver? Ela sem duvidas estava cansada, havia acabado de sair do hospital, não era o melhor momento para visitas.
As portas se abriram.
Tarde demais.
Não poderia ser tão ruim assim não é?
O jeito era me preparar para um sim e para um não.


_ Joe. – cumprimentou-me Nick, todo animado. Mas percebi que ele olhava para trás, ansioso, como se esperasse por mais alguém.
_ Olá Nick. – cumprimentei-o, chamando sua atenção novamente para mim. _ Ela não pode vir, ela tem um ensaio fotográfico hoje. – falei, já sabendo quem ele esperava.
_ Ah sim. – riu sem graça. _ Veio ver a Demi, não é? – perguntou.
_ É. – admiti.
_ Ela está no quarto dela. Pode ir. – deu de ombros.
_ Sério? – perguntei. Tão fácil assim?
_ Sério. – sorriu.
_ Ela não está cansada, nem nada?
_ Ela teve duas semanas de descanso, Joe, na verdade ela está insuportável. – riu. _ O que? Tá com medo? – perguntou ao ver-me hesitar.
_ Não... É... Da última vez que nos vimos... – Nick começou a rir. _ Que? – perguntei confuso.
_ Você acha que ela liga para aquela briga depois disso tudo? Na verdade ela também quer te ver, agradecer por não ter parado quando ela pediu. – explicou. Sem perceber acabei sorrindo bobo. Nicholas viu e sorriu para mim.


Sua porta estava aberta, vi-a de pé, ao lado da janela, ela não me viu entrar.
_ Demi. – falei tão baixo, que quase saiu como um sussurro, o que não impediu que ela se assustasse. _ desculpa. – pedi.
_Não. – sorriu e veio até a mim. _ Não precisa pedir desculpas. Oi Joe. – abraçou-me. _ É muito bom te ver. – disse ainda no abraço, hesitei em corresponder, tinha medo de machuca-la, ainda podia ver os vários arranhões, o antebraço direito todo sobre o gesso, e logo a cima da sua sobrancelha um longo ponto feito pelos médios, que provavelmente deixaria uma bela marca para qual ela levaria por toda a vida. Não que isso fosse tirar sua beleza. Ela seguia tão linda. _ Não precisa ficar com medo. – apertou-me mais forte. _ Os médicos disseram que eu sou forte como um touro. – riu.
_ Isso é ótimo. Você deu um susto e tanto. – falei e nos separamos do abraço. Ela riu fraco.
_ Digamos que também levei bastantes sustos.
_ Não tenho duvidas disso.
_ Mas o que mais me incomoda é que ninguém aqui quer me dizer nada. Será você o que vai finalmente tirar minha angustia?
_ Eles talvez tenham um motivo para não dizer nada.
_ No começo tinham recomendações médicas, mas agora eu estou liberada e bem.
_ Se está tão bem, porque eles ainda não te dizem nada?
_ Sei lá, superproteção?... Vamos lá Joe, eu preciso saber, eu não te contratei para que eu fosse a última a saber de tudo. – suspirei. Não era justo deixa-la sem respostas.
_ Até onde você sabe? – perguntei.
_ Traição da Lara com o Lawrence, Lucas talvez não ser filho do meu pai, Lawrence culpado. Lara sabia de tudo... Isso.
_ Já é a maior parte. – sorri, mas ela não me acompanhou com a mesma empolgação. _ Não quer sentar?
_ Passei duas semanas numa cama, o que eu menos quero agora é sentar ou deitar. Ficar de pé parece até um presente... E dos mais valiosos. – disse. _ Mas se você quiser sentar. Sinta-se a vontade. – completou.
_ Vou te acompanhar de pé. – falei. _ Preparada? – perguntei. Ela apenas assentiu ansiosa. _ Lawrence foi preso, o julgamento vai ser daqui umas três semanas e ele vai ser mantido em custodia até lá... Os advogados e os polícias estão escondendo um pouco o caso da mídia, tudo o que se sabe é que Lawrence e seu pai tiveram um desentendido e Lawrence o matou e armou tudo para que parecesse um suicídio. Não se sabe sobre o Lucas, nem mesmo o Lucas sabe, todos concordaram que seria melhor para o garoto não saber que era o motivo da briga.
_ Isso é ótimo. – sorriu. _ Não precisavam ficar fazendo tanto drama. São boas noticias.
_ Não é só isso, Demi. – falei.
_ Há mais algo para acontecer? Para mim parece até bem resolvido. Só precisamos nos concentrar no que dizer a ele sobre a Lara, já que ela deve pegar algum tempo na cadeia também.  – Parecia tão injusto com ela. Seu mundo havia mudado muito em tão pouco tempo, e ela nem mesmo tinha ideia de como tudo era diferente agora.
_ Eu acho que isso não vai ser preciso. – falei.
_ Por quê? – hesitei e ela se aproximou mais, bem intrigada com minha hesitação. _ O que vocês inventaram?
_ A Lara. – suspirei, já esperando pelo seu desapontamento. _ Ela não será presa.
_ Como assim não? Ela sabia de tudo! – esbravejou se afastando e retornando para mais perto da janela. _ Ela pode ter até mesmo o ajudado!
_ Lawrence confessou que Lara sabia de tudo, mas negou que ela o ajudou. E Lara confirmou isso.
_ Mas se ela sabia! Ela era cúmplice.
_ Lara alegou que não o denunciou por causa da ameaça que Lawrence fez. Isso a tornou uma vitima.
_Não! Essa ameaça não foi real, eles combinaram isso! – ela parecia tão nervosa, que até mesmo temi continuar a falar e ela acabar descontando sua raiva em mim.
_ Não há provas disso, Demi. A ligação foi gravada e nela ele realmente a ameaça. Lawrence confirmou e Lara também confirmou. Não há o que se fazer. Lawrence ainda ama sua madrasta, e vai protegê-la, mesmo que isso o leve para uma prisão perpetua. – ela olhou para fora da janela frustrada, sabendo que nem toda a justiça que ela tanto procurara iria ser cumprida.
_ E onde que ela está? – perguntou sem olhar para mim.
_ Acho que na casa da praia. Ou em outro apartamento. Eles acharam melhor afasta-la daqui por agora. Lauren também não está muito receptiva com ela, e Lucas parece estar querendo afastar-se também, mesmo sem saber o porquê devesse. Talvez esteja só copiando a Lauren. – falei. Ela não disse nada por longos minutos.
_ O Logan. – falou como se a ideia tivesse acendido em sua cabeça. Ela pareceu tão empolgada. Seria triste desaponta-la novamente. _ Ele sabe de tudo. Lawrence o confessou que Lara sabia de tudo. Ela pode testemunhar contra ela. Eu sei que ele faria isso para... Sei lá... Diminuir a pena dele. Afinal de contas ele me raptou e... Você sabe que é ele que estava roubando a conta do meu pai? A pena dele vai ser imensa, se ele falar algo, quem sabe a diminuem um pouco. – falou tão rápido, que teve que respirar bem fundo ao final, para recuperar o folego.
_ Isso não vai acontecer, Demi.
_ Ah não. – ela sabia que dali viria outra decepção. _ O que aconteceu desta vez? Ele fugiu? Conseguiu não ser preso? – perguntou deixando demonstrar seu desespero.
_ Ele... – como dizer? Eu não queria parecer grosso, tudo bem que não me sentia mal, mas não precisava agir como alguém sem sentimentos. _ No acidente. – tentei recomeçar. _ vocês dois foram resgatados bem rapidamente, mas no caminho do hospital o Logan sofreu uma parada cárdica e não... Não resistiu. – ela não disse nada, apenas tapou sua boca com uma das mãos e fechou seus olhos. Sua expressão era de dor. Eu não queria que ela se sentisse assim, para ser bem sincero, não acho que Logan merecesse seu sofrimento. Tentei apagar este último pensamento. Eu não precisava sentir ciúmes de um morto.
_ Eu acho que... – começou já deixando algumas lágrimas tímidas saírem de seus olhos. _ talvez fosse uma boa ideia me sentar. – vagarosamente ela andou até sua cama e se sentou lá. Seu luto era silencioso e incomodo. Não mais por ciúmes da minha parte, mas por ser tão sem reação. Se ela gritasse ou avançasse até a mim, seria tão mais fácil acalma-la. Como acalma-la, fazê-la se sentir melhor, se ela já estava calma?
Aproximei-me de sua cama e não tive nenhuma resistência. Sentei-me a seu lado, acompanhei-a em seu silêncio, respeitando-a. E assim passamos alguns minutos. Durante esses minutos, comecei a questionar o que eu estava fazendo ali, o meu plano era diferente. Eu queria me declarar, eu tinha minhas duvidas e medos, mas ao vê-la no hospital, tão frágil, pensar que por pouco eu poderia tê-la perdido para sempre, me fez perceber algo, algo que eu não conseguia ver quando ela estava bem ao meu lado, forte, bem e disposta a abrir mão de toda uma relação por mim. Eu a amo. Eu não queria perdê-la, eu não queria deixá-la, eu não queria que nossas visitas fosse exclusivamente por causa do namoro de Selena com o Nick, eu queria que nossos encontros fossem para nós, queria poder vê-la todos os dias, queria poder toca-la todos os dias, eu a queria para mim e também queria que eu fosse dela. Mas agora, como fazer isso? Eu acabara de dizer a ela que seu noivo tinha morrido. Eu não sabia muito bem dos sentimentos da Demi para com Logan, eu torcia para que após tudo o que aconteceu seu sentimento fosse de ódio. Mas ela estava chorando por ele, não estava? Isso significava que ela não o odiava, e, pior, isso poderia significar que ela ainda o ama.
É, e agora Joseph?

_ Eu não deveria estar chorando por ele, não é? – perguntou, dando um sorriso fraco. Isso me fez questionar se ela poderia ler minha mente, ou pelo menos adivinhar o que eu estava pensando.
_ Ele foi seu namor... Noivo. – corrigi-me. Fui bonzinho demais? Fingido demais? Merda, quem eu queria enganar? Eu não queria que ela chorasse por ele!
_ Isso não apaga o fato dele ter sido um idiota. – disse e pós sua mão sobre a minha, que estava pousado no pequeno espaço que havia entre nós, no colchão. _ Mesmo antes de tudo isso, ele era um idiota. Roubou minha família. Enganou-me. Machucou-me...
_ Se você sabe disso tudo, porque choras?
_ Talvez eu ainda acreditasse nele. – parecia decepcionada consigo mesma, por pensar assim. _ A morte é algo tão definitivo, não há chances, isso não te assusta? – perguntou.
_ Não sei, nunca pensei nisso.
_ Eu também não, mas eu quase morri. E tudo o que pude pensar foi em tudo o que eu poderia ter feito e não fiz, em tudo o que eu poderia ter vivido e não vivi. Eu não iria feliz. Se eu morresse ali, eu não morreria feliz com tudo o que aconteceu comigo, nem com tudo o que eu deixei. – disse.
_ Está é uma conclusão bem triste de se ter. – falei.
_ Sem duvidas... E você? Se este fosse seu último dia na terra, você iria feliz? – perguntou.
_ Não completamente.
_ Por quê?
_ Eu não vivi tudo o que eu poderia ter vivido, não experimentei tudo o que eu queria. Eu não vivi o amor.
_ E o que falta para você viver o amor? – perguntou, olhando diretamente a mim.
_ Você dizer que me ama também. – falei sem nem mesmo pensar nas palavras. Percebi que ela se assustou um pouco com minha resposta, mas disfarçou, ou pelo menos tentou. Arrependi-me imediatamente. Mas assim que ela sorriu para mim e levou sua mão a meu rosto, acariciando-me, esqueci-me de qualquer arrependimento, aquilo valia a pena.
_ Só não invente de morrer, tá? – e antes que eu pudesse respondê-la, ela tascou-me um beijo, sem hesitações, e eu correspondi, passei meus braços a sua cintura, trazendo-a até a mim. Aquele beijo era a resposta para todas as minhas perguntas, e o ponto final para todos os meus medos, e também um novo paragrafo em minha vida.
Terminamos o beijo, com pequenos selinhos.
Ao olha-la vi que ela sorria em meus braços. Seus olhos ainda estavam vermelhos pelo choro, mas seu sorriso era real, o que me fez sorrir também.
_ Você iria achar ruim se nós mal começássemos este relacionamento e eu já te pedisse algo?
_ Relacionamento? – ri esperançoso. E ela riu também.
_ Não venha me dizer que você teve este trabalho todo para só um beijo? – perguntou rindo.
_ Não, claro que não. – respondi defensivo. _ Mas pode pedir, seu desejo é uma ordem. – ela sorriu e acariciou-me mais uma vez.
_ Me tira daqui? Só um pouco. Me leve para algum outro lugar? Ar livre. – pediu.
_ Eu não acho que você possa sair daqui. – respondi.
_ Sem querer fazer comparações ridículas, mas Logan conseguiu me tirar daqui com dois três seguranças na minha cola, o que você consegue fazer com um primo e dois irmãos me vigiando? – perguntou, desafiando-me.
_ Para onde? – perguntei, aceitando a desafio.
_ Você dirige, você que escolhe. – sorriu.
Já que é assim...


Sair não foi complicado, digamos que, como protetores, Nick, Lauren e Lucas eram uns verdadeiros fracassos, conseguimos sair sem encontrar ninguém pelo caminho.
Pelo menos desta vez o porteiro mostrou um pouco de eficiência, questionando-a se ela estava bem e se realmente queria sair comigo, não me senti ofendido nem nada, no fundo sabia que era o melhor.


Programei para que aquele dia fosse divertido, mas não cansativo, sabia que ela havia passado por muito em muito pouco tempo, exigir demais dela, tanto fisicamente quanto emocionalmente não era meu plano. Algo simples era melhor.
Primeiro paramos em supermercado, falei para que ela comprasse o que quisesse, e digamos que ela exagerou na quantidade. Balas, chicletes, chips, e umas quatro latinhas de Coca Cola Cherry.
_ Onde você pretende enfiar tudo isso? – perguntei, enquanto eu pagava tudo. _ Não acha um pouco demais, para só nós dois?
_ Eu passei duas semanas inteiras comendo apenas uma sopa insossa e sem sal, meu corpo implora por gordura, diabetes e colesterol. – eu ri com a maneira que ela falou, e olhando de canto de olho, pude ver que a moça do caixa também riu.


_ High Line Park. – disse ela, admirada, olhando para todos os detalhes, das artes nas paredes dos prédios, as flores plantadas nos jardins improvisados. _ Sabia que eu nunca tinha vindo aqui? – perguntou sorridente.
_ E você ainda se considera uma nova-iorquina? – brinquei.
_ Nunca ninguém me levara para lugares como estes. – disse.
_ Eu acho que intendi a indireta. Você queria algo mais sofisticado, mas do seu nível. – falei, tentando pensar em algum lugar melhor.
_ Eu não estou falando isso. Não comece com isso de nível, Joe, eu não ligo para nada disso, e gostaria muito que você também não ligasse. – repreendeu-me. _ Eu sempre quis vir para essas áreas da cidade, ser mais da cidade. Sabe? É tão bonito aqui e ao mesmo tempo em que é tranquilo é tão movimentado.
_ Estamos em um parque, encima de uma avenida. – sorri.
_ Deve ser lindo o por do sol por aqui. – ainda faltavam umas três horas para o sol começar a se pôr, o que me indicava que ela tinha gostado do local e queria passar todo aquele dia comigo. Era bom saber que ela queria o mesmo que eu.
_ Durante a noite o efeito de luzes aqui deixa tudo bem bonito também. – falei.
_ Então não posso perder. – sorriu o sorriso mais lindo que alguém poderia dar.
_ Você sabe que eu te amo? – ela sorriu tímida e olhou ao chão.
_ Eu também te amo, e muito. – falou, após alguns segundos.
_ Você ainda duvida que eu te ame de verdade, não é? – perguntei e ela pareceu indecisa ao responder.
_ É só estranho, Joe, nós dois, no começo, parecíamos tão nada a ver, eu era noiva e você... Você queria curtir, e não escondia isso. – sorriu fraco, esperando uma reação minha, que não veio. _ e agora, eu estou apaixonada, você está apaixonado, foi tão rápido, as vezes penso que estou sonhado.
_ Então eu te pergunto se isso aconteceria em seus sonhos. – falei e corri até as grades de limite da ponte.
_ Joe! Você vai cair Joe! – veio Demi atrás de mim, desesperada tentando me puxar de volta pela camisa. _ Eu te pedi para não morrer!- eu gargalhei.
_ Nova Iorque, grande maça.  – Comecei a gritar para quem quisesse ouvir. _ Eu estou apaixonado. Apaixonado pela mais linda nova-iorquina que já pisou nesta terra. Estou apaixonado por Demetria Lovato. A garota que ainda sorri o sorriso mais lindo do mundo, mesmo após passar por tanta coisa ruim. A garota que conseguiu transformar um cara que não queria se envolver com ninguém, em alguém dependente dos seus abraços e beijos. É a essa garota que eu entrego o meu coração. – Olhei para ela e ela ria grande, tinha o rosto vermelho pela timidez. Algumas pessoas que também estavam no parque olhava tudo encantados e curiosos, um carinha até mesmo filmava. Pulei de volta para a ponte e me aproximei de Demi, até que eu pudesse agarra-la em meus braços. _ Promete cuidar do meu coração? – perguntei.
_ Se você prometer cuidar do meu. – respondeu e eu sorri, dando-lhe um beijo logo em seguida. Ignoramos os aplausos e suspiros de quem estava em volta vendo tudo aquilo. Se eu contasse achariam até mesmo que eu estava mentindo, afinal de contas isso só acontece em filmes, não é? Mas aqui é Nova Iorque, a cidade em que tudo pode acontecer, principalmente o amor.


Fim


Aqui acaba a história, fazendo um apanhado de tudo, posso dizer que fiz o melhor pude, mas que poderia ter sido bem melhor. Tentei fazer algo novo, na qual não tinha experiência: Mistério. No final acabou não funcionando muito bem e ficou como um romance mesmo. Tentei fazer uma história com muitos detalhes e acabou que alguns personagem não foram bem trabalhados e sumiram, tivemos também capítulos com pouco acontecimentos, fracos. Porém, ainda assim consegui bastantes seguidores e muitos comentários positivos, o que me faz acreditar que não tenha ficado tão ruim assim. Mas talvez o melhor tenha sido o fato de ninguém acertou quem era o assassino, tudo bem que o culpado foi bem fora de tudo, mas eu realmente tinha pensado nele desde o começo, claro que pretendi trabalha-lo melhor na história, porém, ao perceber que a fic estava ficando longa demais e nada estava andando, acabei cortando várias etapas.
Bom, agora já foi...
Espero que tenham gostado deste final...
Agradeço a todos pelo carinho e paciência que tiveram comigo durante essa fic, confesso que desde o ano passado venho tendo dificuldades para escrever, graças aos estudos, curso e minha busca por um emprego, isso afetou diretamente na atividade aqui no blog, até mesmo venho pensando em parar de escrever, dar um tempo para por minha vida no lugar novamente e voltar quando tudo estiver mais tranquilo. Porém, escrever vem sendo para mim um momento de relaxamento, algo que eu faço por hobbies e que não me vejo parando por agora, por isso, venho confirmar a existência de uma próxima fic, ela será bem mais simples e acredito que será assim por agora, fics menores e mais simples para que eu consiga postar com mais frequência.
Farei um próximo texto explicando tudo melhor.
Muito obrigada.
Bjsss

Caah: Bom, acabou mais não é o fim kk. Muito obrigada por ter me acompanhado durante está fic. Bjss.

Kah: Pois é, no final acabou que ela realmente estava envolvida. Muito obrigada por ter me acompanhado durante está fic. Bjss

segunda-feira, 13 de abril de 2015

44. Tudo o que vi – The Big Apple (Penúltimo Capítulo)


A ansiedade tomava conta de mim, já se passara mais um dia sem respostas, e eu seguia aqui, presa nesse deposito sujo, mas agora tudo poderia mudar, o poder que ele estava me dando era bem maior do que eu pensei que poderia receber. Seria fácil eu sair do plano, mais fácil do deveria ser. Eu sabia que ele estava desesperado, se não ele jamais me pediria que fizesse isso, porém nesse exato momento, eu era seu crime e também a sua salvação.
_ Sim, com quem eu falo? – perguntou a voz do outro lado do telefone.
_ Aqui é a Demetria Lovato. – informei. Minha voz saiu um pouco tremula, mas torci para que isso não me entregasse.
_ Pois não, o que precisa?
_ Preciso falar com o Carlos Berry. – falei.  Carlos Berry era o terceiro mais importante naquele banco, não cheguei a falar com ele pessoalmente, mas, segundo Logan, ele seria o único capaz de tirar o nome de Logan da linha de fogo, o problema era, Berry e Logan tinham uma história de inimizade, caso fosse o pedir algo, ele não o daria, mas eu como dona majoritária do banco, poderia conseguir algo.
_ Espere alguns segundos. Verei se ele pode lhe atender. – O olhar de Logan era apreensivo. Tentei evita-lo, para não ficar mais nervosa do que eu já estava. O barulho do Banco ficava destorcido no viva-voz. _ É ela. É ela. – escutei alguém sussurrar. Tencionei-me, Logan também ficou tenso, mas não fez nada. _Senhorita, ainda está no telefone? – perguntou após alguns segundos de espera.
_ Sim. – respondi.
_ Pode repetir seu nome, por favor? – pediu a atendente. Olhei a Logan e ele acenou que “não”
_ Há algum problema? – perguntei, tentando evitar responder.
_ Só quero uma confirmação. – disse a atendente. Logan, sem esperar pela minha reação, tirou o celular da minha mão, desligou-o, e o jogo-o no chão.
_ Vão me descobrir. – gritou. _ Já descobriram a ele, e agora serei eu! Eles nos rastrearam, aquele idiotas nos rastrearam! – encolhi-me no meu canto. Agora já não estava amarrada na cadeira, mas sentada em um colchão de ar que não estava completamente cheio. Aos poucos Logan estava tentando deixar-me confortável. Não sei se por bondade ou por agradecimento, afinal de contas, eu iria tirar a investigação do nome dele, bem, iria, não vou mais.
_ Talvez não. – tentei dizer, mas minha voz saiu como um sussurro.
_ Eu fui idiota. – riu nervosamente_ Completamente idiota. Arrisquei o que eu não podia ter arriscado. – ele esbravejava excessivamente, o que me deixou apreensiva. _ Você. – disse apontando para mim e dei um salto de susto no mesmo lugar. _ Você vai ligar para Lauren, ou para a Lara, para o Nick se você quiser. – ele estava bem nervoso. _ Você vai dizer que está bem, que estava nervosa, que fugiu, mas que está bem. – e se jogou ao chão, procurando pelos pedaços de seu celular. No final não tinha quebrado muito, mas agora tinha uma bela de uma rachadura na tela. _ Ligue! – gritou ao ver-me sem reação.
_Logan, se eles já estão no banco, é obvio que eles estão e minha casa também. – falei.
_ Mas você vai falar que está bem.
_ Usando seu número de telefone? – perguntei e ele tornou a desesperar-se.
_ Meu Deus, mas que merda! – Eu sei que eu deveria ter ligado, entregando-o logo, mas ele tinha uma coisa que eu queria e só após ele me entregar à informação que eu queira eu iria poder me deixar ser livre. _ Nós temos que sair daqui. – disse. Assustei-me com seu olhar, ele parecia desesperado demais, e isso não era um bom sinal. Seja lá o que ele estava pensando em fazer, não iria ser bom. _ Vamos! – gritou do nada e veio até a mim, segurou-me firme pelo meu pulso e puxou-me. Senti meu braço destroncando e uma dor muito forte passou pelo meu ombro, isso não pareceu impedir Logan em nenhum momento. Ele não quis pegar nada que estava por ali, a não sua chave do carro e... Bom, eu.
No fim das contas, eu não estava tão presa assim, sempre que Logan entrava ele deixava a chave da porta do deposito na própria fechadura.  Assim que ele abriu a porta já estamos do lado de fora, o sol foi bem em meus olhos deixando-me cega, meu olho ardeu como nunca, fechei os olhos e como naquele momento Logan corria, deixei que ele me guiasse, correndo o risco de tropeçar e me machucar.
Não demorou muito para que entrássemos no carro, abri uma pequena fresta dos meus olhos e percebi que aquele não era o carro de Logan, era outro bem menos confortável. Parecia uma caminhonete, ou algo do tipo.
Nem mesmo tive tempo de colocar o sinto e Logan já havia pulado para dentro do carro e ligando-o, saindo a toda velocidade.
Assim que senti meus olhos se acostumando com o dia claro, abri-os e percebi que estávamos na rodovia, o que é logico, já que nunca estivemos fora dela.
_ Onde estamos indo? – perguntei.
_ Norte, quanto mais norte melhor. – respondeu. Estávamos a toda velocidade. O barulho do motor era bem alto, o que me incomodava muito.
_ E quando vamos parar? – perguntei.
_ No Canada.
_ Canada? – perguntei assustada.
_ Lá nós vamos nos hospedar em algum hotel, só para descansar e depois iremos para qualquer país que seja antiamericano suficiente para não aceitarem um pedido de deporte.
_ Logan, você pode estar exagerando, podem não terem conseguido rastrear o telefonema.
_ Não Demi, foi tempo o suficiente! Ontem eu fui a sua casa durante a noite, os policiais estavam lá, eles grampearam o telefone, e quando o telefone tocou a eles mandaram que Nick  atendesse e que não deixasse a pessoa desligar em menos de 20 segundos. Eu não sabia que eles tinham ido ao banco também, pensei que eles tinham ficado só na sua casa.
_ E o que você pretende? Ficar fugindo? Sério?
_ Me dê outra opção então. – gritou.
_ Voltar Logan, eu posso mentir se você quiser, e não dizer nada sobre o sequestro. – falei, sem saber se eu seria capaz de mentir sobre isso.
_ Ah sim, claro, todos vão crer, principalmente agora que você deu um telefonema pelo meu telefone. – disse claramente irritado com minha ideia._ Você quer voltar porque não vai ser você a presa.
_ Então me deixe voltar e vá para o Canada sozinho.
_ E porque eu faria isso? Você é meu curinga.
_ Um curinga, isso é tudo?
_ Isso é tudo que você se deixa ser. – disse. _ Você poderia ser o amor da minha vida se você quisesse.
_ E é assim que você pretende me conquistar?
_ E o que você quer que eu faça então? – perguntou claramente frustrado.
_ Diga-me quem matou meu pai e me deixe ir. – Logan riu.
_ Não é assim que funciona Demi.
_ Eu fiz a minha parte. Eu mereço receber respostas.
_ Fez sua parte? Meu pescoço ainda esta na reta!
_ Eu não tenho culpa de você não ter olhado se os policiais estavam no banco. – irritei-me. Logan pareceu pensar em minha resposta.
_ 2007. O que estava acontecendo neste ano? – perguntou.
_ Logan, só me responda. – será que ele não poderia apenas me dar uma simples resposta?
_ Eu estou tentando. – alterou-se. Considerando nossa velocidade naquele momento, percebi que não seria mal manter-me quieta. _ Eu quero que você entenda a história, e ela começa, quer dizer, o conflito começa em 2007. Agora me responda. O que estava acontecendo em 2007?
_ Não sei. – respondi sem entusiasmo.
_ Pense. – respondeu seco e obriguei-me a lembrar-me de algo marcante. _ Na sua família, não tente lembrar-se de coisas da economia ou alguma coisa no noticiário. Concentre-se na sua família. – pensei por mais alguns segundos, mas logo me lembrei.
_ Nascimento do Lucas. – afirmei.
_ Isso. Nascimento do Lucas. – disse e parou.
_ E? – incentivei-o a continuar.
_ Uns dois anos antes do nascimento do seu irmão, o casamento do seu pai e sua madrasta entrou em uma crise, seu pai não sabia explicar exatamente porque, mas no final de 2006 ele descobriu. Lara estava traindo ele. No começo ele pensou em separar-se dela, mas logo depois Lara descobriu que estava gravida. Ela alegou não saber quem era o pai e com isso Eddie decidiu esperar. Quando Lucas nasceu, Eddie já estava tão envolvido com a gravidez de Lara que decidiu não separar dela, registrou Lucas e não faz nenhum exame de DNA.
_ Com quem Lara traiu meu pai? – perguntei, tentando manter-me calma.
_ Lawrence. – respondeu. Senti meu sangue ferver em minhas veias.
_ Lawrence? – gritei, o que assustou a Logan. _ Eu não acredito. Como que aqueles dois tiveram coragem! – eu sentia um nojo tão grande de pensar em todos os momentos em que estivemos no mesmo teto, em todo o momento que pensei que Lara amava meu pai ou que Lawrence era de confiança.
_ Posso continuar? – perguntou, receoso.
_ Vai. – respondi, já me preparando para o pior.
_ Lawrence por um tempo deixou quieto, mas já faz uns três anos que ele retornou exigindo um exame de DNA, querendo reconhecer Lucas como filho.
_ Uma pergunta. – interrompi-o. _ Quando Lucas nasceu o caso de Lara tinha com Lawrence, acabou?
_ Segundo todas as fontes, sim. – respondeu.
_ Quais fontes?
_ Seu próprio pai, Lawrence... – respondeu e esperou um pouco pela minha reação, não houve nenhuma. _Algo mais?
_ Não.
_ Eddie sempre teve medo de Lucas não ser seu filho, ele ama aquele moleque, era obvio que ele não queria correr o risco de perder a guarda do garoto, então recusou. Isso causou fúria em Lawrence, e eles vinham brigando desde então. – fez uma breve pausa quando ultrapassou um carro. _ Não faz muito tempo que Eddie decidiu denunciar Lawrence por estar o ameaçando, Lawrence estava conseguindo, com seus advogados, evitar um confronto na justiça, mas em novembro do ano passado foi marcada uma audiência.  Lawrence ficou extremamente irritado com a iniciativa do seu pai que começou a atormenta-lo mais ainda. Na última semana de vida de seu pai, eles tiveram uma briga muito forte, até mesmo violenta, Lawrence saiu na pior, e depois de toda esta raiva acumulada ele resolveu cumprir as ameaças. Planejou tudo para que parecesse um suicídio e fim da história.
_ Como você descobriu tudo isso?
_ Uma parte seu pai mesmo compartilhou, outra parte descobri com o próprio Lawrence.
_ Como você conseguiu estas informações de Lawrence?
_ Todo homem tem seu preço.
_ Como ele conseguiu que parecesse um suicídio? – perguntei.
_ Eles realmente tiveram um encontro naquela noite, Lawrence fingiu querer uma reconciliação. Quando chegou lá, continuou fingindo uma amizade, até que Eddie ofereceu-o Whisky, o que é bem normal, você sabe. Aparentemente seu pai se distraiu de seu copo por algum tempo, tempo suficiente para que Lawrence colocasse um sonífero na bebida do seu pai, seu pai nem desconfiou, tomou, desmaiou, e com isso Lawrence, pegou uma arma que havia comprado ilegalmente, usando uma luva, para não deixar vestígios, matou seu pai, e colocou a arma na mão do seu pai, para que parecesse suicídio. Não foi muito difícil no final.
_ Quanto você deu a ele para que ele confessasse? – perguntei.
_ Eu prometi dar a ele informações sobre sua investigação com aquele lá. – disse.
_ Só? – perguntei surpresa.
_ Ele já tem dinheiro, não há dinheiro que eu pegue que o compre.
_ Pegue? Não seria roube?
_ Eu prefiro o termo pegue, soa mais simpático. – sorriu, mas não respondi, não estava no clima para sorrisos.
_ Na investigação Joe comprovou que a investigação da policia pode ter sido comprada. Você sabe algo sobre isso?
_ A última autopsia foi feita pelo primo de Lawrence, então não foi muito difícil.
_ Mas e as câmeras? As entrevistas que desapareceram? – eram tantas perguntas, e Logan parecia saber tanto...
_ Câmeras: O chefe de segurança foi comprado. Entrevistas: O delegado foi comprado. Eu já disse Demi, todo mundo tem seu preço, e quando se tem dinheiro, não é tão difícil de encontra-lo.
_ E Lara, ela sabia sobre o assassinato?
_ Segundo Lawrence, ela não sabia que ia acontecer, mas após o ocorrido, ela soube.
_ E nem falou nada. – falei, mas para mim mesmo que para ele.
_ Se ela falasse algo, tudo ia vir à tona Demi, imagine como o Lucas se sentiria?
_ Ele não pode saber sobre isso. Lawrence tem que conseguir escapar. – falei, sentindo um aperto no meu coração por ter que abrir mão do meu objetivo de justiça a morte do meu pai. Logan não disse nada, e quando o olhei vi que ele estava bem tenso, talvez fosse pela fuga, mas ele não estava assim antes. _ Por favor. – comecei já segurando o choro e a fúria. _ Não me diga...
_ Pelo jeito você contratou um bom detetive. – foi tudo o que ele disse.
Eu não sei o que mais me doía, saber que agora Lucas saberia da verdade e isso o machucaria muito, ou saber que eu poderia estar livre agora, no fim das contas eu não teria necessitado de Logan para saber da verdade. E agora tão pouco sei o que posso fazer.
_ Você poderia ter me dito! – berrei.
_ Eu não vou deixar você voltar Demi.
_ Ela o ajudou em algo? –perguntei. _ Lara, ela sabia de Lawrence, ela o ajudou?
_ O telefone de ameaça, é falso, os dois só armaram aquilo para que você parasse de investigar sobre a morte de Eddie. Os seguranças na verdade eram pagos por Lawrence. – suspirei fundo sentindo a dor de ter sido tão enganada.
_ Ah mais algo que eu precise saber? – perguntei.
_ Acredito que não.
_ Ele está preso?
_ Sim, e Lara sobre custodia. Estão querendo incrimina-la como cúmplice, mas por enquanto ela está presa preventivamente e só. Nick está com seus irmãos. – disse, já se antecipando a minha próxima pergunta.
_ Deixe-me voltar, Logan, eles precisam de mim. – choraminguei.
_ Não, Demi, não! – não consegui dizer mais nada, o choro por fim tomou conta de mim, deixei-me ser levada, eu sabia que eu tinha que fazer algo, impedir que ele me levasse longe demais, mas naquele momento o choro era a minha única opção.

Um barulho estranho começou a soar, primeiramente pensei que o motor da velha caminhonete que estávamos estava com algum problema, mas foi só olhar em volta para ver que era algo bem maior.
Um helicóptero vinha em sentido contrario a nós, o helicóptero da policia. Logan começou a frear, mas ao olhar para o retrovisor, voltou a acelerar. Atrás de nós vinham uns três carros de policia, a toda velocidade, com as sirenes ligadas. 
_ Logan, se entregue, é o melhor. – comecei a dizer. Havia uma esperança para mim, os polícias estavam ali por mim. Se eu não estivesse tão chocada com tudo, até mesmo me arriscaria a sorrir.
_ Não! – gritou em completo desespero. Ele acelerava, mas o carro não mais respondia, estava em seu limite. Eu olhava para todo canto tentando uma rota de fuga. Percebi que o carro não estava com as portas trancadas. Eu poderia muito bem acabar caindo e me machucando, talvez até algo pior do que machucar-me, mas ficar ali no carro também era um risco. O helicóptero estava bem baixo, e se aproximando muito rápdo. Era obvio que eles estavam tentando forçar Logan a parar o carro, mas eu estava ali dentro, eu o via, e eu sabia que ele não iria parar. Tudo se encaixava para um desastre.
Talvez, se eu só abrisse a porta, o distraísse o suficiente para que ele desacelerasse, não?
Bom. É minha única opção naquele momento.
Respirei fundo, e abri a porta, instantaneamente Logan largou o volante e agarrou-me.
Claro que esta era a combinação para o desastre.
Ao vir agarrar-me, ele acabou fazendo com que o volante virasse para a direita. Era velocidade demais.
O carro começou a girar. Os barulhos se confundiram em minha cabeça: sirenes, helicóptero, motor, lataria, grito. O aperto de Logan ficou mais leve. Agora estávamos de cabeça para baixo e logo depois de lado, rodando, e assim por umas... Não sei... Três vezes? Talvez mais, porém, não posso dizer com exatidão, a escuridão foi tudo o que vi.

Continua

Oi gente, desculpa por não ter postado no sábado, o tio da minha mãe morreu e com toda esta confusão fiquei sem cabeça para postar algo.
Bom, o último capítulo esta pronto, faltando apenas a revisão, ainda assim postarei só amanhã.
Bjss



Thais: Capitulo postado, e sim, ela ajudou, espero ter tirado as outras duvidas e a história ter se encaixado. Muito obrigada por comentar. Bjss
Kah: kkkk poderia estar bem melhor, mas fico feliz que goste tanto. Capitulo postado. Muito obrigada por comentar. bjjsss
Caah: kk suas duvidas sobre ela no final estavam corretas, bom, achar acharam, só não foi da melhor maneira. Muito obrigada por comentar. bjss

terça-feira, 7 de abril de 2015

43. Arrependida – The Big Apple (Antepenúltimo Capítulo)



O telefonema havia sido bem claro, o que não ficara claro para mim era o que fazer a partir dali.
Eu poderia muito bem deixar o trabalho ser totalmente da polícia, eu sei que eles fariam o que era preciso naquele momento, mas eu não mais sabia em que parte daquela história eu me encaixava agora.
Após a briga que tive com Demetria, eu tinha algo bem claro em minha mente: ela não me queria mais por perto, e talvez, fosse bem melhor assim. Seja lá o que éramos (ex-amantes, amigos, cliente e detetive...) não existia mais.
Mas, mesmo entendendo isso muito bem, eu não podia deixar de ter dúvidas, eu deveria ir até ela, tentar falar? Ou deixaria com que os policiais fizessem isso?

Cheguei à cozinha e lá encontrei Selena e minha mãe, Selena estava recostada na bancada da pia, em sua mão tinha uma maça, na qual só tinha uma mordida. Minha mãe estava começando a fazer o almoço. Percebi que elas estavam conversando antes que eu chegasse, mas assim que entrei elas pararam.
_ Não adianta ficar olhando assim para mim. – falei me direcionando a Selena que me criticava com o olhar, mas minhas palavras também valia para minha mãe, que se estivesse virada para mim, olhar-me-ia da mesma maneira.
_ Você precisa de algo Joe? – perguntou minha mãe sem esconder sua insatisfação.
_ Dá para vocês pararem? – pedi.
_ Por quê? Vai brigar? – perguntou Selena com a sobrancelha direita levantada. Suspirei entediado. Como pude ter uma irmã tão chata?
_ Não. – respondi rispidamente.
_ Ah claro, você só briga com quem não merece...
_ Ainda bem que você sabe que você merece.
_ Bom, não estou te provocando o dia inteiro atoa, né garoto? – deu uma mordida na maça.
_ Você está me provocando? Porque você quer brigar? Não consegue viver sua vida quieta não? – apelei.
_ Eu estou nervosa, nervosa não, furiosa! Eu estou tentando ajeitar minha vida e você faz merda com a sua e me prejudica. – gritou, com a boca ainda meio cheia.
_ Selena! Engula primeiro. – reclamou Denise.
_ Pois é, mal educada. – ri.
_ Pobre de nossa mãe, tem uma má educada com filha e um tapado como filho. – disse.
_ Pois esse tapado aqui vai à casa do namorado da filha mal educada. Mas sem duvidas é tapado demais para levar a irmã junto.
_ Você vai lá? Porque você vai lá e está me impedindo de ir. – veio até a mim com cara de pidona.
_ Talvez, se você merecer, eu te levo.
_ Merecer? – perguntou desconfiada. Confirmei.
_ Ah, Joe, cale a boca! – reclamou. _ E quer saber mais? Você não é quem manda aqui. Eu vou ver o Nick. – bateu o pé. _ E vai ser hoje. – olhou-me com cara de desafio, como se esperasse minha resposta. Olhei para minha mãe, que ria baixo com a cena. Ótimo.
_ Saio em meia hora. –falei._ Vê se não me atrasa.


(...)

A alegria de Selena por ir ver Nick era tão grande que chegava ser contagiante, isso, caso eu não estivesse nervoso demais com toda essa situação. Meu problema não era com Nick, muito menos com o namoro deles, não posso dizer que morro de amores pelo primo da Demi, mas se o namoro deles significar nunca mais ter Jacob na vida da Selena, eu beijaria os pés do Nicholas só para que ele ficasse com ela para o resto da vida.
Meu nervosismo hoje era causado por outra pessoa e por outro motivo: Demetria.
Eu sei que a devia desculpas, assim como também acho que ela me deva, porém eu não quero pedir e algo me diz que ela também não queira.
Eu dirigia sem pressa, apesar de Selena não parar de falar na minha cabeça, por algum motivo creio que escuta-la falando, seja lá o que fosse, era melhor do que me esperava por lá, no apartamento de Demi.

_ Joe? Joe? – olhei para Selena no banco do carona e percebi que ela estava impaciente.
_ Quê? – perguntei.
_ Você não estava me escutando, não é? – perguntou ela claramente decepcionada.
_ Mais o menos, você sabe, preciso concentrar-me na estrada.
_ Estrada? – perguntou nada convencida. _ Você é capaz de dar uma festa de arromba dentro do carro e ainda dirigir sem problemas, eu já andei com você antes ok? Não venha com desculpas esfarrapadas.
_ Tá, fale então, juro estar escutando. – ela seguiu emburrada, mas concordou.
_ Porque você resolveu ir a casa deles, se já tinha prometido não voltar?
_ Eu... Descobri algo.
_ O que? – perguntou curiosa. _ Ah – suspirou assustada. _ Não me diga? – ela entendeu tudo ou ver minha hesitação em falar. _ Você descobriu quem foi? Você descobriu o assassino! – ela quase dava pulinhos de excitação.
_ Não fui eu exatamente, no final das contas quem fez o trabalho foi os policias, eu só... Eu só indiquei que era o certo a se fazer.  Mas ainda assim, mereço minha remuneração, e é isso que irei buscar.
_ Mas que merda, Joe. Do que você está falando? Como assim? Você acabou de encontrar um assassino e você vem me falar de remuneração?
_ E o que mais você quer que eu fale? – perguntoi um pouco alterado pelo seu tom de acusação.
_ Que está feliz? Que você conseguiu o que queria. Que você está indo comemorar, dar as boas novas?
_ Eu acabei de dizer, o trabalho não foi exatamente meu, eu não tenho o porquê ficar tão feliz assim, mas já que você insiste, eu estou feliz! Vou receber uma bolada grande e podemos comemorar em família se você quiser.
_ Foi pra isso então? Foi pra isso que você topou o trabalho? – falou, paramos em um sinal vermelho.
_ E para quê mais você acha que foi Selena?
_ Por que você gosta do seu trabalho?
_ Ah, pare. Você também cobra pelas fotos que você tira, não venha dar uma de boa moça.
_ Eu faria de graça se fosse necessário. – defendeu-se.
_ Bom, me desculpe, senhorita bem feitora, alguns gostam de ter seu próprio dinheiro, gostam de gastar e depois pagar sem precisar pedir para os pais.
_ Ah tá, claro, eu sou a filha exploradora, que extorque seus pais.
_ Eu não quis dizer isso.
_ Ah não? Pois foi exatamente o que você disse.
_ Eu não tenho culpa se você não entende o que eu falo.
_ Claro, eu não entendo o que você fala; a Demi não entendeu o que você falou. Você sabe né? Mulheres... – disse irônica.
_ O que você quer então? Que eu desista? Eu posso dar meia volta. – falei. O sinal tornou a ficar verde, hesitei em seguir e os carros atrás de mim começaram a buzinar. Selena cruzou os braços, emburrada. Acelerei cantando o pneu e chamando atenção dos pedestres.
_ Sabe o que eu quero? Que você pare de fingir para mim. Você ama a Demi, eu não morro de amores por ela e sei muito bem que ela não morre de amores por mim, mas... Vocês se amam. São dois tolos que preferem bater de frente e sofrerem a admitir que se amam.
_ E o que você é agora? Especialista em amores? – perguntei, sem provocação, apenas tentando fazer com que ela pestanejasse, não achasse que havia ganhado, mesmo sendo claro que ela tinha vencido, afinal, ela estava certa.
_ Pode parecer bobo, mas eu sei o que é amar, já amei o cara errado, mas acho que aprendi, eu acredito estar amando o cara certo agora... Bom. – riu nervosa. _ No final eu só queria dizer que sei o que é amar e sei quando alguém está amando e Joe, você lamberia o chão por ela... Estou certa, não estou? – perguntou, ao ver-me hesitando.
_ Tenho minhas duvidas sobre lamber o chão. – ela riu.
_ Mas sobre o resto? – insistiu.
_ É complicado... Acho... – assumi. Estávamos a apenas uma quadra do prédio de Demetria, desacelerei o carro a busca de uma vaga para estacionar.
_ Não tenho duvidas que seja mais fácil que essa investigação que vocês fizeram.
_ A investigação foi concluída, eu e Demi não. – contrapus, finalmente achando a vaga e estacionando.
_ Vocês dois se merecem. – concluiu. _ Um mais cabeça dura que o outro. – eu ri fraco.

(...)

Eu não esperava uma recepção alegre, mas tampouco esperava encontrar o que encontrei.
Após certo problema em conseguir entrar, graças aos seguranças, eu e Selena entramos e encontramos todos ocupados em seus telefones, Lara, acabara de desligar um telefonema e andava de um lado para o outro, Lauren não ligava a ninguém, mas também tinha seu celular na mão, Lucas também segurava seu celular, porém parecia perdido, sem saber o que deveria fazer exatamente, fazia cara de choro, como se estivesse se segurando para não desmoronar, Nick discava para alguém quando chegamos, mas assim que viu Selena, largou o que estava fazendo e veio até a ela. Após a melação, típico de casais jovens, da qual se não estivesse tão intrigado com o que estava acontecendo além do casal apaixonado, teria tido ânsia de vomito, perguntei:
_ O que está acontecendo?
_ Estamos ligando para amigos e conhecidos da Demi. – respondeu Nick, que finalmente parou de beijar (ou melhor, engolir) minha irmã. _ Ela desapareceu tem dois dias e não ligou nem falou nada com ninguém. Estamos desesperados. – senti meu coração parar por alguns segundos, e depois acelerar fazendo com que eu não sentisse só dor emocional, mas também física.
_ Como assim desapareceu? Vocês não têm esses seguranças aí não? – revoltei-me. Nick olhou com um olhar cansado até os seguranças, que fingiram não escurarem minha revolta, mesmo estando perto o suficiente para escutarem.
_ Ela os dispensou por um segundo e no outro... – não terminou a frase.
_ Tá, mas onde ela estava indo? Com quem?
_ Logan. – respondeu Nick. _ Já ligamos para ele, ele disse que não sabia dela, fomos até a casa dele e nada, ela realmente não estava lá.
_ E o prédio, ninguém viu? Esse prédio é cheio de câmeras.
_ Nós pedimos ao porteiro, ele disse que só com a autorização e presença do chefe de segurança do prédio, e ele está viajando, conseguimos falar com ele, mas ele falou que só chega em dois dias, enquanto isso, vamos ter que torcer pelo melhor.
_ Celular? Não tem rastreador.
_ Tem, deu no quarto dela. – respondeu. _ Ela saiu sem nada, só com a roupa do corpo.
_ Vocês já contataram a polícia.
_ Sim, eles já começaram uma investigação, mas até agora nada, nenhuma notícia.
_ Deve ter sido o cara do telefonema anônimo. – disse Lauren choramingando. Lara veio até a ela, e a abraçou. Lara parecia devastada, como se já esperasse o pior.
_ Pois então acho que esse problema estará resolvido. – falei. Todos pararam para me olhar confusos. _ A policia descobriu a origem de telefonema, descobrimos quem é. Em poucas horas ele estará na delegacia.
_ Ele? – perguntou Nick baixo.
_ Sim, ele.
_ Ele quem? – perguntou Lara cuidadosamente.
_ Creio que a senhorita conheça muito bem. – respondi, todos olharam para ela, entendendo menos ainda. Lara não reagiu, não disse nada, se não fosse Lauren se desaproximando dela, ela nem mesmo teria se mexido.
_ O que o senhor esta insinuando? – perguntou já alterada, ao perceber que todos a olhavam com um olhar de julgamento.  
_ Lawrence, conhece esse nome senhorita Lara? – perguntei. Naquele estante, suspiros de pavor rondaram pela sala.

(...)

Ninguém quis esperar, todos saíram do jeito em que estavam para a delegacia, o dia estava quente o suficiente para que casacos não fossem exigidos, apenas uma fina camada de blusas de mangas seria o suficiente para nos manter aquecidos. Lara e Lucas, foram junto aos seguranças em um carro, já Lauren, Selena, Nick e eu fomos em meu carro, a contra meu gosto, o terceiro segurança foi com nós. Lauren sentou-se no banco de passageiros ao meu lado, parecia ainda muito abalada com minha revelação, mas o que mais me intrigava era sua reação, Lara também sentiu isso, todos nós sentimos. Lauren a culpava, Lauren acredita que a mãe também esteja envolvida e não escondia isso. Naquele momento me perguntei se só ela se sentia assim. A única coisa que consegui concluir era que eu também compartilhava do mesmo pensamento.
O transito não ajudou muito, ainda estávamos no começo do caminho quando demos em um engarrafamento, causado por um acidente entre dois carros e uma moto. Por incrível que pareça, o motociclista foi o que se meu menos mal nisso tudo. Após a chegada de guardas de transito ao local, finalmente conseguimos ultrapassar aquela barreira e seguimos até a delegacia.

(...)

A delegacia hoje estava bem cheia, bem mais do que da última vez que estive aqui, uma grande movimentação se concentrava na sala do delegado.
_ Você é o Joseph Jonas, não é? – perguntou um policial, assim que chegamos. Assenti, e ele cumprimentou-me com um aperto de mão. _ Ele está aí. – disse.
_ Lawrence? Lawrence está aí? – perguntou Lauren afobada.
_ Sim. – respondeu o policial.
_ São os parentes do senhor Lovato. – falei ao policial, que parecia bastante surpreso com tanto de pessoas.
 _ Ah sim, compreendo. – disse.
_ E ele já disse alguma coisa? – perguntei.
_ Não, ele está na sala do delegado, mas só vai falar após conversar com o advogado dele.
_ Mas, ele não vai ser solto, vai? – perguntou Nick.
_ Não, fiquem tranquilos quanto a isso. O delegado já declarou a prisão preventiva dele, mesmo que ele não seja o assassino, já é comprovado que ele fez a ameaça.
_ E a Demi? – perguntou Lucas.
_ Bom... Tem uma equipe aqui da policia fazendo uma busca. – falou o policial em um tom mais amigável, para que soasse menos assustador para o garoto. _ Iremos fazer uma busca mais aprofundada no apartamento do ex-namorado dela, no carro dele também, usaremos cães farejadores e luzes infravermelhas desta vez.
 _ Pra quê Luzes infravermelhas? – perguntou Lucas, inocentemente. O Policial olhou para Lara, que o segurava bem a seu lado, como se pedisse autorização para dar mais detalhes.
_ Lucas, o importante é que estão procurando por ela. Não fique enchendo o policial de perguntas. – disse Lara.
_ Mas mãe. – reclamou.
_ Lucas, se “mas”, por favor. – ordenou.
_ Vocês não acham que pode ter sido o proprio Lawrence? Ele é quem ameaçou, não é? – perguntou Nick.
_ Lawrence é o suspeito mais forte, porém a última vez que ela foi vista foi junto ao ex, então é melhor descartar as duvidas. – respondeu. _ Olha, se vocês quiserem esperar na sala de reuniões, não acho que isso vá terminar tão cedo. Se preferirem também podem voltar a casa de vocês, entraremos em contato, sempre que houver novidades. – falou.
_ Eu não saio daqui sem respostas. – disse Lauren firme.
_ Nós vamos ficar. – confirmou Nick.

A sala de reunião ficara a maior parte do tempo bem silenciosa, salvo apenas pequenos momentos de cochichos, trocados principalmente por Selena e Nick. Este silêncio de muito contrastou com o caos fora da sala, bandidos sendo presos; várias chamadas policiais, pessoas querendo fazer bagunça, pessoas chorando, o movimento era intenso, mas ainda assim pude parar para pensar. No fim tudo faria sentido, partindo da conclusão de que Lawrence era mesmo o assassino, Juan tinha realmente acertado. Eu sabia que Lawrence era amigo de Eddie, e também sabia que os dois não tinham mais laços muito fortes há um bom tempo, então eles poderiam ter brigado, vai lá saber o porque e com isso se afastaram, porém o afastamento não tinha sido o suficiente para Lawrence que resolveu mata-lo. O circulo se tocava, mas não fechava, havia uma pequena brecha: O que Lawrence fazia na festa de Ano Novo no apartamento dos Lovato?
Tínhamos aí duas opções, Lawrence aproveitou-se da fragilidade da família e tentou uma reaproximação, talvez para afastar suspeitas, ou talvez, o que seria ainda pior, para causar mais prejuízos? E se o ódio que ele sentia por Eddie fosse grande o suficiente para que ele tentasse algo contra o resto da família de Eddie? Isso explicaria o desaparecimento de Demi, não explicaria?
Mas e se, apenas, e se, Lara também estivesse envolvida? E se, naquele momento eles estivessem comemorando? E se aquele encontro no Ano Novo fosse o fechamento de um contrato entre eles? E se a aparência devastada de Lara, quando cheguei a seu apartamento, fosse, na verdade, a percepção do rumo que sua aliança a Lawrence estava tomando? E se ela souber exatamente o que está acontecendo? Seu abalo pode significar o fim das esperanças para Demi?
Tentei me acalmar, não deixar-me levar por conclusões precipitadas, aquele não era o momento de dar um de detetive. Eu teria que saber esperar, o delegado logo tiraria tais informações, tudo seria explicado.
A movimentação aumentou na sala do delegado e o mesmo policial que havia me cumprimentado mais cedo aproximou-se da sala e disse:
_ O advogado chegou. Agora saberemos a verdade.

O tempo passava bem lentamente, já estávamos a mais de uma hora e meia sem nenhuma novidade, todos estávamos claramente estressados com a situação.  Porque ninguém aparecia para nos dar notícias? Ainda assim, sair não parecia uma opção para nenhum de nós.


_ Senhora Lara Lovato. – chamou o delegado, aparecendo na sala em que estávamos, após mais uma longa espera. _ A senhora poderia nos acompanhar? – aquela não parecia muito uma pergunta, seu tom demonstrava certa obrigação. Dois policiais apareceram atrás dele o que assustou a todos nós. Lara ficou tensa e hesitou a primeiro momento. Todos nós a olhávamos, esperando por sua reação ou resposta. Lentamente ela se levantou a cadeira de ferro, desconfortável, que todos nós estávamos sentados. Lucas a puxou de volta pela alça de sua blusa, ela tirou, gentilmente, a mão de seu filho, fazendo com que ele a soltasse.
_ Mãe, o que está acontecendo? – perguntou ele, começando a chorar.
_ Nada, meu amor. – disse Lara, abaixando-se até a ele, tocando seu rosto, carinhosamente. _ Mamãe te ama, tá? – ele assentiu com a cabeça, porém começou a chorar mais ainda. _ Mamãe te ama demais, e está muito arrependida.

Continua

Olá a todos, peço desculpas pela minha pausa nas postagens, tem muita coisa acontecendo e não ajuda muito eu estar com um bloqueio de criatividade, mas agora estou de volta, a fic já está quase finalizada em meu computador e com isso posso garantir que cumprirei com as datas que pus no último capítulo, como podem ver, a fic está terminando e o assassino foi descoberto, ou não?
Tirem suas conclusões.
Comentem.
Bjsss

Caah: kkkk prometo não mais fazer isso. Obrigada por comentar. Bjsss
Kah: Já posso lhe dizer que esse ‘tudo’ vai bem longe viu? Obrigada por comentar. Bjsss