domingo, 15 de fevereiro de 2015

39. Começo – The Big Apple



Dormir foi impossível, eu ficava tentando lembrar-me de sinais, qualquer sinal, que me mostrasse que no fundo Logan sempre fora violento e eu que fui cega demais para perceber. Porém nada vinha, tentei lembrar-me das nossas brigas, mas sempre era eu a que brigava e gritava, fazia um escarcéu, enquanto ele escutava impaciente e assim que ele estressava de vez ele saia de perto e me deixava falando sozinha, o que me enfurecia mais ainda, no fim das contas, pouco tempo depois ele estava de volta, e mesmo que fosse eu a culpada, ele era sempre o que pedia desculpas.


Com Nicholas foi um pouco mais fácil enganar, Genevieve emprestou-me um cachecol para que eu usasse no pescoço e escondesse as marcas da mão de Logan, que estavam bem avermelhadas e provavelmente ficariam roxas. Aproveitei-me do frio para justificar o uso e no fim, tudo o que ele sabe é que Logan e eu tivemos uma briga feia, em que muitas ofensas foram trocadas e eu estava devastada. Nick não me perguntou a razão da briga, ele não precisava, ele já desconfiava de Joe e eu, e sabia que Logan descobriria mais cedo ou mais tarde.


_ Você não esta nada bem. – comentou Lauren. Estávamos na mesa do café da manhã, os empregados haviam voltado e com isso o café da manhã parou de ser torradas compradas, frutas e cereais, para bolos, sucos naturais, torradas caseiras e panquecas. Com isso todos resolveram que valia a pena voltar fazer o desjejum juntos. Apenas sorri em resposta, não estava bem mesmo, e nem mesmo conseguia fingir. _ Aconteceu alguma coisa?
_ Ela e Logan terminaram. – respondeu Nick no meu lugar.
_ Jura? – perguntou sem esconder sua felicidade.
_ Sua tristeza me comove. – ironizei.
_ Eu não vejo porque ficar triste. – não tentei responder. _ Você também não deveria ficar triste, não perdeu muita coisa. – deu de ombros.
_ Agora você quer me dizer como ficar? – perguntei impaciente.
_ Tem como vocês não brigarem? Vamos ter um café da manhã em paz? – pediu Lara, que até o momento tinha se mantido calada.
_ Nós não estamos brigando, estamos apenas discutindo.
_ Então discutam longe de mim. – disse seria.
_ Credo mãe. – reclamou Lauren.
_ Lauren, eu estou com uma enxaqueca horrível, tem como você respeitar isso? – perguntou quase explodindo. Lauren revirou os olhos, mas se calou. Como isso, o café da manhã que já estava estranho, terminou tenso e desanimado.



_ Você tem certeza que está bem o suficiente para ir? – perguntou Nick. Eu estava acabando de me arrumar, encontraria com Joe no escritório de Harry daqui a meia hora.
_ Eu só tive uma discussão, não estou doente. – respondi.
_Ah, vai saber, essa sua carranca pode assustar alguém. – disse rindo, não pude deixar de rir também.
_ Que foi? Também acha que eu devo ficar feliz, como se a melhor coisa do mundo tivesse acontecido?
_ Não. – respondeu. _ Eu não espero isso de você, só relaxe um pouco, se for pra ser vocês voltam.
_ Talvez eu não queira voltar.
_ Você não o ama mais?
_ Não. – respondi.
_ Então porque você está tão triste? – suspirei.
_ Porque eu fui boba, Nick.
_ E porque você acha isso?
_ O Logan se mostrou ser uma pessoa completamente diferente no momento da briga, eu nunca o imaginei daquele jeito.
_ E isso tem alguma coisa a ver com sua nova paixão por cachecóis?
_ Ahn? – ele apontou para meu pescoço.
_ Não. – menti.
_ Você não tirou o cachecol desde que chegou do apartamento do Logan. – reparou.
_ É por causa do frio.
_ Você nunca gostou de cachecol, eu me lembro de você ter recusado um que eu te dei de presente.
_ Eu mudei de ideia. E eu não recusei, eu só não usei, mas eu ainda o tenho guardado, vou usa-lo.
_ Ah, claro, mudou de ideia... O frio... Nem está tão frio mais assim, hoje nem nevando está.
_ Mas eu continuo sentindo frio, não está tão quente assim, o céu tá cheio de nuvens, o sol nem consegue nos aquecer.
_ Estranha mudança, mas você sabe o que faz da vida, Demetria, se estiver escondendo alguma coisa eu vou descobrir de qualquer jeito. – disse.
_ Eu não estou escondendo nada.
_ E eu não te conheço.
_ Talvez eu só quisesse um pouco de privacidade.
_ Eu não estou querendo invadir sua privacidade, só quero a verdade.
_ Que verdade?
_ A única que existe, Demi.
_ Eu não menti para você.
_ Então ocultou algo.
_ Você já foi menos chato.
_ E você menos mentirosa.
_ Eu não menti para você. – tornei a afirmar.
_ Menos misteriosa, se assim preferir. – corrigiu-se.
_ Quando for o momento certo eu te falo. – falei, percebendo que eu não o convenceria.
_ E quando esse momento vai chegar?
_ Eu não sei ainda. – respondi. _ Mas esse dia um dia chega.


(...)


Harry estava na porta de seu escritório quando chegamos. Chegamos lá exatamente na hora marcada, desta vez não teria que ser encarada de canto por ele, o que por si só já era um alivio.
_ Sentem-se. – disse. Joe e eu nos sentamos. _ Vocês me chamaram, sei que querem que eu fale sobre os processos de Eddie, mas descobri algo melhor, quer dizer, mais útil para essa... Investigação.
_ Útil? – perguntou Joe confuso.
_ Sim, eu fiquei encarregado de fazer Inventario, e com isso fui ao contador dele, eu não sabia e acredito que o Eddie também não, mas o dinheiro de Eddie vem sendo roubado por cerca de dois anos.
 _ Como assim roubado?
_ O dinheiro que ele recebe estava sendo transferido para outras contas, não se sabe quem são os donos das contas e grande parte das transferências foram feitas para contas no próprio banco, não todas, mas a maioria.
_ Mas como que meu pai não percebeu isso? – estranhei.
_ Aparentemente quem estava transferindo foi esperto, não tirou do salario de seu pai, mas dos extras que mudam de mês em mês, dependendo do tanto que o banco lucra, se ele não estiver muito atento aos números ele pode ser enganado, as transferências não foram grandes, foram poucas quantidades por vez, mas que no final somam uma boa quantia.
_ E esse contador, ele não percebeu nada?
_ Percebeu, e alegou ter avisado a seu pai, porem já fazia um tempo em que todo relacionamento de seu pai com o contador estava sendo feito por um terceiro.
_ Você tem o nome desse terceiro?
_ Sim, ele me informou: Antony Herbert.
_ Ele sabe o nome dos donos das contas?
_ Não, ele sabe os números das contas, mas para saber os donos ele precisa da autorização, ou da Senhorita Demetria ou dos gerentes das agencias as quais as contas foram abertas, já que é uma informação confidencial.
_ Você tem os números aí? Eu posso olhar isso ainda hoje.
_ Os tenho aqui. – disse, entregando-me um papel, ele tinha vários números, organizados em uma lista, sete contas diferente no total.
_ Obrigada Harry, muito obrigada. – agradeci percebendo que eu poderia estar mais perto que pensava de descobrir quem matara meu pai.

(...)

Chegamos ao banco apressados, mal nos aguentávamos de ansiedade, colocaríamos o tal de Antony contra a parede e dele poderiam sair os nomes e desses nomes, se algum batesse com nossos suspeitos, lá estaria o assassino de meu pai, tudo chegaria ao fim, finalmente tudo teria um fim.
_ Olá Senhorita Demetria, precisa de algo?  - perguntou a secretaria, assim que nos viu saindo do elevador.
_ Sim, preciso que chame a minha sala o senhor Antony Herbert. – falei. Joe estava logo atrás de mim. _ Algum problema? – perguntei ao ver sua hesitação.
_ O senhor Antony morreu, senhorita Demetria.
_ Morreu? – perguntei chocada, mas que merda! _ Quando?
_ Ah uns dois anos e meio. – respondeu, Joe e eu nos entreolhamos, então não, não estávamos tão perto assim de uma conclusão.
_ Ele era funcionário do banco, não era? – perguntou Joe, naquela altura não tínhamos mais certeza de nada.
_ Sim, ele era o faxineiro. – respondeu. Joe desesperou-se, quem quer que esteja roubando meu pai, tinha se escondido muito bem. _ Ele era um grande amigo de seu pai, seu pai gostava muito dele, todos gostavam muito dele, ele era um senhor muito simples e divertido. – disse nostálgica.
_ Ele pode ter feito algum trabalho a mais do que ser faxineiro? – perguntou Joe, tínhamos que tirar algo de toda essa história.
_ Não, ele não teria muito que fazer aqui, ele era analfabeto, ele só sabia escrever o nome dele para não ter que assinar tudo com o dedão. – era isso, nós avançamos tanto para parar no mesmo lugar, a revelação de Harry não tinha nos levado ao fim, mas sim ao começo.

Continua

Como prometido, postado, e então, quem vocês acham que estava roubando o Eddie?
Façam suas apostas.
Bjsss

Caah: kkkkkk por enquanto o Joe nem desconfia, mas quando descobrir... Espero que tenha gostado. Obrigada por comentar. Bjsss
Milena: Pior que a Demi continua a esconder tudo, mas vamos esperar para ver o que ela vai fazer... Espero que tenha gostado. Obrigada por comentar. Bjsss

Kah: Pode ser que tenha sido ele, é uma grande suspeito, e suas suspeitas podem aumentarem ainda mais nos próximos capítulos. Espero que tenha gostado. Obrigada por comentar. Bjsss

domingo, 8 de fevereiro de 2015

38. Venha me buscar (parte 2) – The Big Apple



Saiu sem pensar, não foi por querer, eu não medi minhas palavras, saiu tão automaticamente que demorou alguns segundos para que eu percebesse que eu realmente tinha falado isso. Já para Logan foi bem mais rápido, no mesmo instante ele parou e olhou-me, eu pude ver o ódio crescendo em nele.  

Ele agarrou-me pelo pescoço, apertando-o, comecei a lutar contra ele, empurrando-o, mas o fato dele estar por cima contou contra mim, eu já podia sentir a falta de ar, meu corpo ficando fraco. Talvez esse fosse meu fim, que bela maneira de morrer, sendo estrangulada pelo seu próprio... Noivo?
Antes que minha visão ficasse turva ele soltou-me, talvez ele tenha acordado para o que estava fazendo, ele saiu da cama atordoado, colocando suas roupas todo desajeitado, enquanto eu lutava apara voltar ao normal, mas antes mesmo que eu conseguisse ele puxou-me pelo cabelo e tacou-me na cama novamente.
_ Eu não acredito. – gritou. _ Quer dizer. – riu nervosamente. _ Era obvio não era? Que eu sou um chifrudo?
_ Logan, não...
_ Cale a boca. – berrou e veio pronto para bater-me, encolhi-me toda. Eu sei que ele estava nervoso, mas eu nunca tinha imaginado Logan dessa maneira, ele nunca foi violento, nunca, jamais e agora ele simplesmente estava assustador, nunca o vi daquela maneira, meu coração estava acelerado, eu estava com medo, com um medo que nunca senti igual, eu mal conseguia reagir de medo, eu podia tentar revidar, provavelmente não iria adiantar muito, ele é mais forte que eu, no máximo que eu podia fazer era me defender e torcer para que ele me deixasse ir. Olhei-o e ele parou no meio do caminho, não iria me bater. _ Por quê? – perguntou por fim, como se estivesse se rendendo. _ Por que, Demi? – tornou a perguntar. _ Por quê? – berrou e veio ate a mim, arregalei meus olhos de medo.
_ Eu não... – eu não conseguia nem mesmo falar, tinha medo de que ele ficasse mais irritado e tornasse a querer me bater.
_ Sabe? – sugeriu. Apenas fiz que sim com a cabeça. _ Eu sei que eu fiquei afastado depois da morte do seu pai, mas... Isso Demi? O que custava pedir para que eu me reaproximasse? O que custava esperar por mim? Eu esperei por você! – berrou e eu me afastei, jogando-me no chão com medo, ele não fez menção de seguir-me, por isso parei. _ Eu esperei por você, eu tive toda a paciência do mundo, porque eu sabia que você estava mal, que você precisava. Você tinha acabado de perder seu pai, como, como que você...? – ele não consegui falar. _ Vocês realmente se conheceram agora? Há quanto tempo?
_ Foi.
_ Foi o que? – gritou.
_ Agora. – falei com medo. _ Foi só agora.
_ Só? – perguntou incrédulo. Aproveitei-me da sua pausa para pegar as roupas que estavam no chão. _ O que você está fazendo? – perguntou. Acabei apenas me cobrindo com a roupa.
_ Me vestindo. – respondi, meu coração estava tão acelerado que já estava doendo. _ Eu vou embora. – tentei dizer da maneira mais calma possível, não queria que ele se enfurecesse novamente. Ele não disse nada.
Comecei a vestir-me apressada, e no desespero acabei me atrapalhando, era como se tudo estivesse se encaminhado para dar errado, minhas mãos tremiam tanto que eu não conseguia vestir minha calça, mal tinha conseguido colocar minha calcinha e como resultado, eu nem mesmo estava próximo de estar vestida e Logan reapareceu na minha frente, ele nem mesmo parecia ele. Seu olhar era assustador, aquele não era Logan, não o Logan que eu conhecia.
_ Logan, por favor, sai. – eu estava quase chorando de pavor.
_ Eu posso ter feito muita coisa, Demi, coisas que eu me arrependo muito. Eu posso não ser uma boa pessoa, mas eu nunca te traí, no momento em que eu me comprometi com você, eu fui fiel. – ele não gritava, mas ainda parecia assustador. _ Foi por isso que você não aceitou meu pedido de casamento? – perguntou. _ Não foi?
_ Eu não ia conseguir me casar com você sabendo do que eu fiz.
_ Mas conseguia ficar comigo? Conseguia me ver apaixonado por você e não me dizer nada? Conseguia ir para cama comigo? Conseguia dizer que me ama?
_ Eu... – parei.
_ Você o que? – perguntou ao ver minha hesitação.
_ Eu não disse. – ele chegava cada vez mais perto e eu ficava com mais medo.
_ Não disse? Não disse o que? – ele me olhava nos olhos, engoli o seco. _ Você vai me responder ou vai me fazer tirar a resposta à força?
_ Eu... Eu não disse que... Te amo. – olhei-o e percebi que eu tinha acabado de decretar a minha morte. Instantaneamente levantei-me e corri, eu nem mesmo sei de onde consegui força para fugir, mas lá estava eu, tentando correr o mais rápido possível, eu segurava minhas roupas comigo, só queria sair dali. Logan veio atrás e quando eu já estava na sala, quase conseguindo alcançar a porta, ele me pegou, empurrando-me contra a parede, parei na parede bem ao lado da porta, tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Logan chegou por trás, pressionando-me mais contra a parede. _ Logan, você está nervoso, vamos conversar depois, me deixe ir embora.
_ Eu te amei Demetria, eu te amei muito. – abriu a porta e empurrou-me para fora.

Demorei um pouco para conseguir me acalmar, vesti-me quando consegui fazer com que minhas mãos parassem de tremer.
_ Você está bem? – perguntou uma mulher mais velha, ela era baixinha e tinha os cabelos totalmente brancos, sem nem um fio preto ou cinza, abrindo a porta logo ao lado do apartamento de Logan. Engoli o choro e sorri.
_ Estou. – tentei parecer convincente.
_ Você quer entrar? Quer um copo de água?  
_ Não obrigada. – levantei-me.
_ Desculpe-me, vi como Logan a jogou para fora. Não sei o que aconteceu, mas não acho certo o que ele fez. Se você precisar de algo... – talvez fosse o jeito fofo dela, ou a minha tristeza, ou quem sabe os dois, eu comecei a chorar, chorar descontroladamente, a senhora veio e abraçou-me, não fez perguntas, não disse nada, apenas abraçou-me.

Entrei em seu apartamento e era tudo meio cheio, arrumado, porém cheio, quadros, esculturas, fotos, e sofás em excesso.
Ela me deu um chá de camomila e enquanto eu tomava a xicara, ela sentou-se em sua cadeira de balanço e começou a bordar.
_ Obrigada. – falei colocando a xicara no centro de mesa.
_ De nada. – sorriu. _ Seu nome?
_ Demetria. – respondi. _ O seu?
_ Genevieve. – respondeu. _ Pode deixar que eu darei uma bronca naquele menino, onde já se viu tratar uma garota tão bonita de maneira tão bruta?
_ Não precisa, sério, no fundo eu também tenho culpa.
_ Nada que você tenha feito justifica violência.
_ O que eu fiz foi realmente sério e o magoou muito.
_ Novamente: Nada que você tenha feito justifica violência. Se você acredita que você tem alguma culpa, então tome cuidado. Pode cair em uma grande cilada.
_ Ele não é assim, ele nunca foi. Logan sempre foi sensível, um anjo de pessoa. Eu nunca o imaginei daquela maneira. – meus olhos se encheram de lágrimas.  
_ É no nosso pior que conhecemos o pior das outras pessoas, talvez ele nunca tenha sido violento, porque nunca passou por uma situação que o provocasse tal reação. – disse. Parei, talvez ela estivesse certa, talvez Logan sempre tenha sido assim, eu só nunca soube.
_ Tem como eu fazer uma ligação? – perguntei. _ Esqueci meu celular na casa dele e não quero voltar lá.
_ Claro. – e sorriu.

Peguei o telefone e liguei diretamente para o celular de Nick, ele seria o que mais manteria a calma e fora que era o número mais fácil e por isso era um dos poucos que eu tinha decorado.
Demorou um pouco para que ele me atendesse, talvez porque ele não reconheceria o número e por isso pensaria duas vezes antes de atender.
Comecei a ficar nervosa, eu nem mesmo sabia o que diria a ele, não queria assusta-lo, mas eu não tenho duvidas que ele irá me pedir explicações.
_ Alo? – atendeu desconfiado.  
_ Nick, sou eu Demi.
_ Demi? Porque você está me ligando de um número estranho?
_ É... Não me faça perguntas, só. – voltei a chorar, nem mesmo sei por que. Mas será que eu não podia agir normalmente? Que merda!
_ Demi? Demi, o que foi? Demi, o que está acontecendo? Onde você está? – eu podia ver a preocupação em sua voz.
_ Venha me buscar Nick, por favor. Venha me buscar.
Continua

Olá, esse é o final do capítulo que eu postei na última segunda, como vocês podem perceber deu a louca no Logan, e agora, o que vocês acham que a Demi vai fazer? Ela vai ter dó dele? Vai dizer a verdade a Nick?
Nessa última semana comecei a fazer cursinho, por isso o capítulo demorou mais para sair, por agora postarei apenas nos domingos, caso eu não conseguir, tentarei avisar.
Comentem.
Obrigada.

Caah: kkkkk e aí, ainda está com pena do Logan? Espero que tenha gostado do capítulo, obrigada por comentar. Bjsss
Nessa: kkkk realmente a Demi fez besteira, mas quem sabe isso a tenha feito acordar e largue o Logan de uma vez? Obrigada por comentar. Bjsss
Fernanda: Ei xará, definitivamente fodida kkkkkk É, pelo jeito o plano de conversa e terminar amigavelmente falhou. Obrigada por comentar. Bjsss

Kah: postado, espero que tenha gostado. Obrigada por comentar. Bjsss 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

37. Venha me buscar (parte 1) – The Big Apple


Um dia de folga, bom, folga para mim. Joe continuaria na investigação, hoje ele iria se dedicar a descobrir quem fez o telefonema anônimo, a conta de telefone não ajudou muito, deu como chamada privada, ele disse que ainda assim seria capaz de encontrar de onde a chamada tinha sido feita, então deixei por ele mesmo.


Ao olhar-me no espelho não pude me reconhecer, era como se eu estivesse mais velha, eu já tinha reparado nisso antes, mas é como se um dia tivesse o efeito de cinco anos. Era como se não adiantasse o quanto eu me arrumasse, as roupas de marca não faziam diferença, e não ajudava muito eu ter passado a noite em claro, as palavras de Lara martelavam em minha cabeça, será mesmo que eu estava prejudicando tanto assim a toda a minha família? Se eu parasse, as coisas realmente melhorariam?
Não posso negar que fui até o quarto de Lauren durante a noite, já se passavam de três da manhã e eu pude escutar seu choro, era um choro doloroso. Como ela conseguia esconder todo esse sofrimento durante o dia? Ou será que ela não escondia, só eu que não percebi? Será que eu sou uma irmã tão ruim assim?

_ Algum problema? – perguntou Logan, chegando por trás e me entregando uma taça de vinho. Ele estava tentando ao máximo criar um clima relaxado e romântico, seu apartamento de nada parecia com a alguma vez que estive nele, agora tudo estava arrumado, nada fora do lugar.  _ Não para de olhar no espelho, mas não dá um sorriso ao contemplar sua beleza. – disse e deu-me um beijo na bochecha.
_ Talvez porque eu não esteja vendo essa tal beleza que você está dizendo. – respondi.
_ E eu te digo que é impossível você não ver.
_ Ah. – fingi dar de ombros. _ Eu só devo estar um pouco cansada mesmo. – dei um gole no vinho e logo fiz careta. _ Seco. – ele riu, ele sabia que eu nunca gostei de vinho seco.
_ Vai combinar perfeitamente com o que tem para o nosso almoço, que, diga-se de passagem, está muito bom.
_ Almoço? – virei-me para ele. _ Você cozinhou? – perguntei surpresa.
_ Mmmm, na verdade eu comprei em um lugar em que faz uma comida ótima. – assumiu. _ É aqui perto, abriu há pouco tempo, mas já conquistou meu coração.
_ Terei que disputar espaço no seu coração com esse restaurante? – perguntei, ele sorriu.
_ Não, o seu lugar aqui. – disse levando sua mão direita até o coração. _ já está mais que garantido.
_ Brega, clichê, e um pouco gay. – ri.
_ Romântico, sedutor, e você amou. – corrigiu-me, apenas ri em resposta.


(...)

Logan não mentira quando elogiara o restaurante, as massas e as opções de queijos lotaram a mesa de quatro lugares de Logan. Não comi o tanto que queria, mesmo estando no apartamento dele, não conseguia tirar a tristeza da minha mente, eu não consegui relaxar totalmente, minha mente não estava ali.
_ Tem certeza que não quer mais nada? – perguntou Logan.
_ Tenho.
_ Não gostou?
_ Está tudo ótimo, é só que eu estou meio desanimada mesmo.
_ Tem certeza? Eu posso pedir algo que você goste mais. – disse.
_ Sério, não precisa se preocupar. Você só deu o azar de me pegar em um dia ruim. – sorri fraco.
_ Que tal um filme de comedia? Acha que ajuda?
_ E você tem algum filme de comedia aí? – perguntei sabendo da sua preferencia exclusiva por documentários.
_ Não exatamente. – disse risonho. _ Mas eu, nesses dias, achei um filme que você deixou aqui já faz um tempo e que eu sei que você ama.
_ Qual? – perguntei curiosa.
_ Meninas Malvadas.
_ Logan! – gritei instantaneamente. _ Você disse que eu não tinha esquecido aqui, eu fiquei louca atrás desse filme, eu comprei outro! – dei-lhe um tapa no braço e ele gargalhou.
_ Eu não sabia que estava aqui, descobri ontem arrumando o apartamento.
_ Mentiroso, eu sei que você sabia que estava aqui. Eu sei que você adorou esse filme. É um clássico da nossa geração. – ele riu.
_ Já ouvi o mesmo para Titanic.
_ Titanic não chega nem perto. – falei, sério, nunca fui tão apaixonada assim com Titanic, é bonito e tal, mas sei lá, Meninas Malvadas é Meninas Malvadas, simples assim.
_ Resumindo, isso foi um sim?
_ Você ainda duvida? – ele sorriu.
_ Vai lá para o quarto, só vou guardar as coisas na cozinha, pode ser? – piscou.
_ Ok, senhor galanteador. – sorri.


(...)


Mal estava no meio do filme quando Logan começou a mostrar certos interesses, eu recusei, dei a desculpa de estar a assistindo o filme, mas o motivo maior era que eu não queria, eu não sentia mais o mesmo por Logan, eu sei que teria que redescobrir aquele sentimento antigo, cedo ou tarde eu teria que fazer isso, mas não seria algo do dia para o outro.

Quando o filme acabou eu não tive uma desculpa para dar. Eu sei, eu poderia muito bem dizer que não queria, mas a culpa que eu já carregava dentro de mim e o medo dele desconfiar me fez ceder. Não é comum eu fazer isso, para falar verdade eu nunca fui disso, mas eu também nunca estive com medo de ser descoberta.

Não posso negar, a cada toque, a cada investida, a cada beijo, eu me lembrava da noite que tive na praia com Joe, era difícil concentrar-me em Logan, mas ainda assim tentei dar o máximo de mim, ele não podia perceber que eu não estava ali, ele não merecia isso, naquele momento eu era o problema.

Fechei os olhos, tentei sentir aquele momento, e no fim das contas deu certo. Deu certo da maneira errada.
Foi mais forte que eu, ao me relaxar minha cabeça novamente se voltou a Joe, porém foi bom, eu podia sentir agora o prazer que eu deveria ter sentido desde o começo. Entreguei-me mais, agora nada mais era forçado, meus gemidos eram reais e eu queria mais.
_ Mais. – pedi e ele respondeu indo mais rápido e profundamente. Gemi de prazer. _ Isso, isso. – disse com os dentes cerrados. _ Isso Joe.

Continua

Olá gente, sei que esse capítulo deveria ter sido postado no sábado, mas infelizmente não pude, já vem um tempo em que não estava me sentindo muito bem, com uma dor e dormência na parte esquerda do corpo, não sei o porque, mas de sexta para sábado os sintomas se intensificaram e acabei não conseguindo terminar o capítulo. Já estou um pouco melhor.
Esse capítulo ia ser em uma parte só, mas isso é o que já tinha deixado pronto e acho que parou em uma parte que deixa um arzinho de suspense, então decidi deixar por isso mesmo, só revisar e postar.
Não sei exatamente que dia postarei o próximo capítulo, acredito que antes de sexta-feira.
Obg.

Caah: Sem duvidas é de se suspeitar desse desabafo dela, vai que sua aposta esteja certa? Bom, obrigada por comentar. Bjsss

Milena: KKKK Se eu te dizer que a confusão só tá começando? Mentira, quer dizer, verdade, ah sei lá, até eu tó confusa kkkkk. Capítulo postado. Obrigada por comentar. Bjsss

sábado, 31 de janeiro de 2015

36. Tome Cuidado – The Big Apple




O hesito a responder a pergunta só me fez ficar mais nervosa e desconfiada, e se Joe tivesse razão desde o começo em desconfiar dela?
Lara estava de pé no meio do escritório do apartamento, de braços cruzados e claramente incomodada.
_ Eu não cuidei disso. – respondeu por fim.
_ E quem cuidou então? – perguntou Joe.
_ O advogado da família, Harry. – respondeu, ela parecia triste, não sei se tinha acontecido algo mais ou se as perguntas que a estavam deixando assim.
_ O advogado? Porque ele?
_ Eu ia cuidar disso, mas eu não estava em condições, pedi a ele que ficasse responsável sobre tudo, e ele fez.
_ Você acredita que ele pode estar envolvido nessa fraude? – Joe havia explicado superficialmente tudo a Lara, não falou exatamente o que ocorreu, mas a fez entender que houve irregularidades no laudo do meu pai e que isso pode ter dado um falso resultado.
_ Não. – disse sem pensar duas vezes. _ Confio em Harry de olhos fechados, se realmente houve fraude nesse laudo, foi outra pessoa.
_ Você desconfia de alguém?
_ Não. – respondeu. Joe ficou em silêncio, apenas olhava para ela, eu não consegui ler sua expressão, mas algo me dizia que ele estava ficando irritado com Lara.
_ Vocês recentemente receberam uma chamada anônima, em que ameaçava vocês de morte, depois disso você contratou seguranças, tirou seus filhos da escola, mas aparentemente você não se preocupa muito em sair a todo o momento.
_ Os empregados ainda estão de férias, eu estou tendo que fazer tudo o que eles faziam inclusive as compras, por isso tenho que sair, não dá para mandar os seguranças fazerem isso.
_ Tem certeza? – perguntou.
_ Claro! Você acha que algum segurança seria capaz de comprar absorventes para três mulheres? – perguntou obvia, me fazendo rir e a Joe ficar vermelho. Descruzou os braços.
_ Eu não estava falando disso. – defendeu-se Joe, após voltar a sua coloração normal.
_ Então...?
_ Só você atendeu o telefonema, e não denunciou, mas ainda assim fez um escarcéu.
_ Você desconfia que o telefonema seja uma farsa. – concluiu Lara.
_ Sim. – confirmou Joe.  Lara suspirou, redeu-se a pressão de Joe e começou a falar.
_ Eu não sei se você percebeu, mas eu estou tentando me manter afastada de tudo. Não quis contestar a história de suicídio, mesmo não crendo nisso, não quero denunciar o telefonema...
_ Eu sei. – interrompeu Joe. _ Por isso você hoje é uma das principais suspeitas. – vi os olhos de Lara se arregalar de espanto, talvez ela não tivesse percebido que a sua recusa em ajudar só estava a enterrando cada vez mais em suspeitas.
_ Nem você nem Demi têm filhos e por isso eu entendo a falta de receio de vocês em procurar o assassino de Eddie. – fez uma pequena pausa. _ Você mesmo acabou de dizer que quem matou Eddie pode ter comprado um delegado e um médico legista. Quem quer que seja o assassino, é perigoso e poderoso. E se por acaso essa pessoa saber que corre risco de ser descoberto? Se essa pessoa resolver machucar algum dos meus filhos, e isso incluiu você Demetria. – disse olhando no fundo dos meus olhos. _ Se já matou o Eddie o que o impede de matar meus filhos ou até mesmo a mim? Eu prefiro ficar quieta, fingir que Eddie se matou a correr o risco de perder mais alguém nessa família. – os olhos de Lara se encheram de lágrimas. _ Eu não aguento perder mais alguém!
_ O que faz você pensar que o assassino já tem conhecimento da investigação?
_ Ah não sei, quem sabe o fato de eu ter recebido um telefonema ameaçando a vida de todos aqui? – questionou irônica? _ Vocês dois estão caçando um assassino sem nem mesmo se darem conta do risco que estão se pondo. Vocês estão procurando um assassino, e quando acharem, o que farão? E se a policia resolver que vão investigar por si mesmo ao invés de prender a pessoa de uma vez? E se nesse meio tempo essa pessoa resolver se vingar?
_ Depois do que descobri ontem, eu comecei a trabalhar lado a lado com a polícia, eles estão informados sobre minha investigação e isso ajudará muito quando eu chegar a uma conclusão.
_ E se esse novo delegado ou até mesmo algum policial ser um informante? Parece paranoico, mas depois do que você me falou quem me garante algo?
_ Ninguém te garante nada. – respondeu.
_ Nós só queremos justiça pela morte do meu pai. – resolvi falar.
_ E quanto sangue você está disposta a derramar por essa justiça? – perguntou Lara séria. _ Você realmente acha que está preparada para isso Demi?
_ Eu... – tentei começar, mas fui interrompida por ela.
_ Não, você não está. Eddie criou você e seus irmãos em uma caixa de cristal, ele nunca disse nada para vocês, ele fez de tudo para que o mundo parecesse o mais próximo de conto de fadas. Eu sempre o critiquei por fazer isso, eu queria colocar vocês a par de tudo, fazer vocês viverem no mundo real, mas nunca consegui. Eu sei pelo que seu pai passou, eu sei pelo inferno que aquele banco é, aquele lugar é um ninho de cobras, eu nunca vou entender o porquê ele te jogou naquele lugar. – ela se desesperou. _ Você tem que vender sua parte, sair de lá, nem que isso signifique que nossa vida de luxo tenha que acabar. Você não sabe do que aqueles homens são capazes por um punhado de dinheiro. Você não sabe o que seu pai já teve que enfrentar, não havia um mês em que alguém não apunhalasse seu pai pelas costas ou tentasse derruba-lo, Eddie era teimoso, ele podia se aposentar, largar tudo, mas ele queria ficar lá e olha a onde isso o levou? Ele está morto por causa disso, e você está seguindo os mesmos passos dele. É como se vocês esqueceram que existem mais do que vocês mesmo nessa família. O Lucas não sai mais do quarto, fica o dia inteiro naqueles jogos, parece normal, mas eu sei que ele está se jogando nos jogos para se “esquecer” do que está acontecendo na vida real, como se fosse a forma dele de se perder nesse mundo, uma fuga, a Lauren, você sabe que a Lauren sempre foi mais arredia, nunca se abriu muito, mas agora ela está tão... Tão carente. – teve dificuldades em achar uma palavra. _ Por um lado parece bom, mas ela está tão frágil, implorando por qualquer tipo de afeto, nós temos sorte por ela está nos procurando, mas quem nos garante que ela não pode procurar por outro alguém? Eu estou cansada de toda noite passar pela porta dela e escuta-la chorando. Toda noite desde a morte do seu pai, a única noite em que ela não chorou foi no dia em que dormiu com você. Eu sei que você está sofrendo Demi, e eu não duvido nada que assim como a defesa de Lucas é os jogos o sua é essa investigação.  – ela suspirou derrotada, se recostando na mesa de meu pai. _ Eu não aguento mais. – disse olhando para o chão. _ Eu estou tentando ser forte por vocês, mas eu não aguento mais. Isso é uma tortura para mim Demetria. Eu já estou no meu limite, eu não aguento mais nada, eu juro que eu não aguento. – começou a chorar compulsivamente. Pela primeira vez eu senti a verdade em Lara desde a morte de meu pai, era como se todo o muro que ela construiu, e que nos fazia pensar mal dela, tivesse sido derrubado de uma vez só. Eu comecei a me sentir mal por exigir tanto dela, ela não precisava passar por isso tudo sozinha, eu deveria estar ajudando ela, mas eu preferi me ausentar. Eu queria desistir naquele momento, abraça-la e dizer que não haveria mais investigação e seu inferno estava acabando, porém ao mesmo tempo eu senti que eu não podia fazer isso, estava tão perto, nunca estivemos tão perto, desistir agora era como soltar um peixe que já estava mordendo a isca.
_ Já passamos por tanto em tão pouco tempo, Lara, desistir agora seria burrice. – tentei justificar-me. Ela me olhou com os olhos ainda mareados.
_ Eu não mando em você Demetria, faça o que você quiser. Só não me peça ajuda, nem que eu fale mais do que já falei, eu tentarei proteger vocês a todos os custos, pois assim como eu amo Lauren e Lucas eu a amo também, eu só quero que isso tenha um fim, e que no fim todos estejam bem.
_ Eu juro que ninguém mais vai se machucar Lara.
_ Não Jure Demetria, ninguém aqui sabe até onde isso vai nos levar. Só... – ela olhou-me desesperançada, eu sei que ela queria que eu parece, eu sei que ela achou que eu iria parar, talvez eu realmente fosse teimosa ou egoísta demais. _ Tome cuidado.

Continua

Olá meu povo, capítulo de hoje postado, vai ter mais um daqui a algumas horas.
Eaí vocês acreditam na Lara ou acham que é apenas um teatrinho dela?
Comentem ;)

Nessa: Ainda bem que gostou, espero que goste deste capítulo aqui também, daqui a pouco tem mais. Obrigada por comentar. Bjsss
Caah: Bom, planos eu até tenho, pretendo falar melhor mais pra frente, já que nesse ano ainda não tenho ideia de que rumo vou seguir e tudo aqui vai depender disso, mas se tudo der certo vai ter mais fics sim J. Obrigada por comentar. Bjsss

Kah: Olá, fico muito feliz em saber que você gosta das minhas histórias. Obrigada por comentar. Bjss

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

35. Para sempre? – The Big Apple



Recebi sua mensagem, às 6 da manhã, e fiquei preocupada no mesmo instante, eu não sabia exatamente o que esperar, mas eu sabia que seria algo que poderia mudar todo o rumo da nossa investigação.

Ele chegou ao apartamento com as mesmas roupas do dia anterior, parecia muito cansado, como se mal tivesse dormido, ou nem mesmo tivesse dormido.

_ Você quer alguma coisa? Você parece tão cansado. – perguntei preocupada. Ele fechou os olhos, exausto.
_ Talvez um... Café não fizesse mal. – disse pausadamente. Eu queria rir, mas acabei ficando foi mais preocupada.
_ Sente-se aí, eu vou te trazer uma bela xicara de café. – falei e fui até a cozinha, peguei uma caneca e enchi até o topo com café.

_ Vai levantar um difundo? – perguntou Nick entrando, do nada, na cozinha, ele sorria de um canto a outro, feliz até demais para o seu nível normal de felicidade. Eu sabia o porquê, mas naquele momento tive que deixar isso de lado, depois falaria com ele.
_ Quase isso. – respondi saindo às pressas para a sala novamente.

Após beber a caneca cheia de café como se estivesse bebendo água, Joe começou a explicar o motivo da mensagem.
_ Depois que eu saí daqui ontem, eu decidir pesquisar um pouco mais, como prometido pesquisei sobre Edgar...
_ E? Deu alguma coisa? – perguntei.
_ Não. No fim das contas ele é só um idiota mesmo. – disse.
_ Então é isso? – perguntei decepcionada.
_ Não, claro que não. Eu fui até a delegacia que foi responsável pela primeira investigação, consegui uma autorização para ler todos os laudos e foi aí que tudo começou a mudar. – parou.
_ Fala. – pedi já impaciente, para quê tanto mistério? Pude perceber que Joe não gostou nada da minha impaciência, no fim das contas ele ainda estava sonolento demais para agir rapidamente.
_ Não houve nenhuma vistoria nas câmeras do prédio, essas câmeras poderiam denunciar a chegada de alguém, se alguém realmente esteve aqui, e, se esteve, a que horas foi embora, nem mesmo o porteiro foi entrevistado, quer dizer, ele foi entrevistado, mas a entrevista dele não foi anexada no laudo, ele poderia ter visto alguém entrando e saindo e poderia muito bem ter dito isso, mas ninguém sabe de nada. – disse. _ e o pior. – continuou. _ a autopsia do seu pai foi feita em duas partes, o que por si só já é bem entranho, o primeiro laudo foi feito por uma doutora chamada Elisabeth Stewart, ela chegou a coletar sangue, para saber se seu pai tinha ingerido algo antes de morrer, álcool, ou talvez até tivesse sido envenenado... Os resultados também não foram adicionados ao laudo, então não se sabe se teve algo, o segundo legista foi um homem chamado Steven Davies, tudo o que ele colocou no laudo foi que a bala foi disparada a cerca de dois centímetros de distancia da cabeça do seu pai e que havia vestígios de resto de pólvora na mão e que a única marca de digital encontrada era a de seu pai, o que categorizava suicídio.
_ Você acha que ele estava mentindo? Que esse legista não é confiável?
_ Não exatamente. Ele pode estar certo, o que me intriga é que a ama foi inspecionada, tem no relatório que o numero da arma estava raspado, o que categoriza como arma de criminoso, arma comprada ilegalmente, mas ainda assim não investigaram mais a fundo, no momento em que Steven colocou o caso como suicídio, eles ignoraram tudo o que dizia o contrário, arquivaram os laudos e não falaram mais nisso, é como se a investigação tivesse parado por algo de força maior. Apesar do que foi escrito por Steven, todo o resto indica que há algo mais que apenas um suicídio. E a entrevista não aparecer no laudo, nem o interesse do delegado em olhar as câmeras, é muito suspeito, o laudo do seu pai pode ter sido burlado, e pior, a investigação sobre a morte dele pode ter sido interrompida sem nenhum motivo aparente. Quem matou seu pai pode ter feito com que a investigação parasse. – afirmou Joe, eu fiquei chocada, então era pior que de pensávamos.
_ E o delegado? Você não perguntou para ele o porquê? Ele deve estar envolvido nisso, não?
_ A estranheza não para por aí, o delegado que cuidou disso tudo pediu afastamento e desapareceu.
_ Desapareceu?
_ Sim, o delegado de agora assumiu o posto há dois dias, perguntei aos policias sobre o antigo delegado, todos falam que ele desapareceu, consegui uma autorização para ir até a casa do antigo delegado e entrevista-lo, e quando cheguei lá os vizinhos me disseram que ele havia mudado, ele com a família inteira, ninguém sabia informar para onde ele havia mudado. Tudo o que me disseram foi que ele fez as mudanças às pressas.
_ Então ele foi comprado. – concluí.
_ Todo o processo de investigação sobre a morte do seu pai pode ter sido comprada, Demi, de investigadores, a legista, a policiais, todo podem ter sido comprados.
_ E agora? Como vamos descobrir quem?
_ Primeiro temos que olhar uma coisa, quem da família estava cuidando da investigação?
_ Eu não sei, na verdade eu nem mesmo sabia que houve uma investigação, tudo o que eu recebi foi o final disso tudo, a causa da morte como suicídio.
_ Você acha que a Lara saberia dizer? – perguntou.
_ Bom, eu acho que o problema maior mesmo é ela dizer algo, desde o começo ela não aceita essa investigação, eu não sei se ela vai querer ajudar.
_ Nesse exato momento nós teremos que insistir, principalmente porque mais que nunca ela é uma suspeita.
_ Você...? – não consegui fazer a pergunta.
_ Na maioria das vezes quem cuida do processo de investigação é alguém da própria família, ela pode muito bem ter sido a responsável pelo processo parar, Demi, Lara pode estar envolvida nisso. Eu sei que você não gosta de pensar nisso, mas ela é uma forte suspeita.

(...)


_ Ela saiu. – disse Lauren, dando de ombros.
_ Para onde? – perguntei
_ Não sei. Ela fala para nós não sairmos, mas desde daquele telefonema ela não para em casa. – olhei para Joe e ele me olhou de volta como se dissesse “A situação da sua madrasta está cada vez pior.”.
_ Você sabe se ela saiu há muito tempo? – Lauren parou para pensar.
_ Na verdade eu nem vi ela hoje, só sei que ela saiu porque um dos seguranças não está aqui, então... – suspirei frustrada.
_ Tá, obrigada, se ela voltar tem como você me avisar? Ou falar com ela que eu estou a procurando?
_ Se eu fizer isso você separa do Logan para ficar com esse bonitinho aí do seu lado? – perguntou.
_ Lauren! – ela gargalhou, e Joe gargalhou junto. Mas não é possível, nem caindo pelos cantos de sono ele podia perder a oportunidade de rir? E Lauren? Será que ela não podia ver que o momento pedia seriedade?
_ Ele gostou da ideia. – apontou Lauren e Joe, ainda na onda da minha irmã, fez um joinha com a mão.
_ Desisto de vocês dois. – falei e fui para meu quarto, deixando Joe para trás.



_ Não era para você ficar tão nervosa. – disse Joe, entrando em meu quarto, depois de um tempo.
_ Eu não estou nervosa. – defendi-me. Tudo bem, eu estava um pouco.
_ Posso entrar? – perguntou.
_ Nenhum segurança te impedindo. – falei e ele riu fraco.
_ Ainda bem, não estou em condições físicas de dar uns golpes de caratê neles.
_ Sem duvidas você iria derrubar eles se estivesse nas suas condições normais. – falei irônica.
_ Claro que eu iria, corria até o risco de machuca-los gravemente. – disse ele também irônico, rimos, e ele se aproximou de mim. _ Posso deitar também? – perguntou.
_ Não sei, será que eu confio em você? – ele riu.
_ Hoje eu estou bonzinho. – falou, já tirando seu sapato e deitando-se a meu lado.
_ Você passou a noite inteira olhando isso, você fez bastantes avanços. – falei. Ele se se acomodou mais, tirando o casaco.
_ Uma coisa foi levando a outra, quando vi já tinha amanhecido. – falou.
_ Obrigada por se dedicar tanto.
_ É meu trabalho. – sorriu fraco.
_ Eu não te agradeci por ontem, por ter me defendido.
_ Eu não podia a deixar falando daquela maneira com você. Você não merece isso. – eu sorri fraco, nem mesmo sei se ele viu, já que seus olhos começaram a pesar e eu podia ver que ele logo acabaria dormindo. Vendo-o assim, tão sereno, e tão cansado após se dedicando tanto, me fazia ficar mais e mais caída por ele. Eu sei que eu não podia, que o nosso não só não existia como era impossível, mas meu coração parecia insistir que a nossa história valia a pena. Comecei a acaricia sua cabeça, fazendo-o cafune. _ Isso não vale. – disse com a voz fraca.
_ O que não vale é você fingir que estava dormindo e não estar. – falei, mas não parei de fazê-lo cafune. Ele riu.
_ Sabe? Gostei disso... – sua voz ia sumindo a cada palavra e seu corpo relaxando mais e mais. _ Eu me vejo tendo isso... Por muitas mais... Vezes. – a voz sumiu. Com a respiração mais profunda, vi que ele agora estava realmente dormindo. Não sei se ele estava muito consciente do que havia me dito, mas eu estava, e mal ele sabia que eu também sentia o mesmo, eu também me via assim, ao lado dele, fazendo-o cafune enquanto ele dormia profundamente, eu me via assim, deitando-me ao lado dele, por muito mais vezes, quem sabe até... Para sempre?

Continua

Olá pessoal, como prometido, mais um capítulo. Com esse capítulo vocês já podem tirar três conclusões:
1.       Demi já tá mais que apaixonada por Joe.
2.       Eles estão bem perto de descobrir o assassino.
3.       A fic está chegando ao fim.
Não sei exatamente quantos capítulos faltam, provavelmente não mais que 12, mas não posso garantir muito agora, pode ser menos ou mais, vocês saberão mais pra frente.
Bom, espero que tenham gostado do capítulo.
Bjsss


Anônimo: kkkk sem duvidas Selena tava com fogo ali, mas até que foi bom, pois se dependesse só do Nick estariam enrolando até agora. Obrigada por comentar. Bjsss

Anônimo: Entendo seu ponto de vista, já tinha percebido isso também, tanto que estou tentando dar uma acelerada aos poucos para que a história comece a andar e ficar mais interessante. Obrigada pela critica. Bjsss

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

34. Me beija logo – The Big Apple



Já havia um tempo em que estávamos conversando, e aos poucos, o que parecia ser uma amizade instantânea, se tornou mais forte, em um dia parecia tudo normal e no outro eu já podia perceber as mudanças, eu queria sempre estar me comunicando com ela, toda hora, tudo me lembrava dela, mesmo as pequenas coisas, eu lá ia eu correndo telefonar ou mandar uma mensagem a ela, dizendo que algo me fez lembrar dela. No começo eu não liguei muito, somos amigos, nos temos assuntos em comum, mas depois eu percebi que algo estava estranho demais, eu tenho outros amigos e amigas, mas nunca tratei uma amiga como trato Selena, é diferente, é como se com ela o nível fosse outro, mas como isso é possível?

_ Pode ser que sim. – disse Demi, dando de ombros. _ Vocês não se conhecem tão bem assim, então não dá para garantir nada, mas sem duvidas, pelo que você falou, ela é bem especial para você.
_ Você não gostou muito da ideia, não é?
_ Sei lá, eu sei que ela não gosta muito de mim e é claro que isso me incomoda um pouco, mas quem tem que gostar é você, ela não vai ser minha namorada.
_ Mas você preferiria que eu desistisse?
_ Só é... Estranho...
_ O que? O fato de você estar com o irmão dela? – Demi levantou-se instantaneamente da cama, assustada.
_ O que você disse?
_ Que vocês estão ficando. – reafirmei.
_ Nick, eu tenho namorado!
_ Eu sei.
_ Então porque você fica dizendo que estou com Joe? – ela tentou parecer despreocupada, até tornou se deitar, mas eu a conheço bem demais para cair nos seus truques.
_ Porque é algo obvio. – disse. _ Não é muito difícil de perceber que você tem, se não tem, estão prestes a ter algo.
_ Nós não estamos tendo nada, Nick. – disse.
_ Mas já tiveram? – perguntei.
_ Já. – assumiu.
_ E...?
_ Não temos mais. – novamente fingia uma falsa despreocupação.
_ Mas você o ama? – ela hesitou.
_ Você estava falando sobre você, porque mudou? – mudou de assunto, claramente incomodada. Então sim, ela ainda o amava.
_ Demi...
_ Nick, sério, os meus rolos já foram resolvidos, agora está na hora de resolver os seus. – eu ri. _ Então você esta gostando da Selena?
_ Eu não sei. – respondi. _ Eu acho que sim. É diferente sabe? Eu quero estar com ela, eu gosto de estar com ela. – Demi sorriu.
_ E ela? – perguntou.
_ Não sei.
_ E você vai falar com ela?
_ Não sei.
_ Porque não? – perguntou. _ Você vai falar que ‘não sabe’, não é? – no fim das contas, assim como eu conheço Demi muito bem, ela me conhece tanto quanto.
_ É. – ri fraco. _ Eu acho que ela ainda gosta do Ex dela, eles terminaram meio... Estanho... Não teve um termino. Ele simplesmente desapareceu e ela foi orgulhosa demais para procurar. Mas eu tenho a impressão que se ele voltar e pedir perdão eles voltam.
_ Não se ela tiver encontrado alguém a dê o valor que ela merece. – olhei-a nos olhos e pude perceber que ela, apesar de não ser grande amiga de Selena, me dava todo o apoio para que eu me declarasse.
_ Ela vai rir da minha cara. – falei.
_ Oh meu Deus! Eu estou escutando isso de Nicholas Lovato?
_ Demi, sério, não fica brincando comigo.
_ Você definitivamente está apaixonado, Nick. A última vez que te vi agindo assim você tinha o que? Uns 14 anos? – eu ri lembrando-me.
_ É, minha paixonite que eu queria chamar para a formatura.
_ E você lembra o que eu te disse para fazer?
_ Falar com ela.
_ E o que aconteceu?
_ Ela aceitou, nós dois fomos coroados rei e rainha do baile.
_ Então...?
_ É bem diferente agora, e daquela vez foi só para um baile, nós quase não falamos depois daquilo, e para ser mais traumático ainda, um mês depois ela começou a namorar sério com outro cara que eu odiava. – Demi gargalhou. _ Demi!
_ Assim como agora não é um baile de formatura, agora também não se trata de uma menina de 14 anos que mal sabe o que é o amor ainda.
_ Você também já teve sua paixonite de 14 anos viu? – lembrei-a.
_ Eu sei e sabe do que? Eu realmente não sabia o que era amor naquela época. – eu ri. _ Você quer que eu pergunte algo ao Joe?
_ Não! – ela riu. _ Ele vai querer me matar!
_ Só uma sugestão.
_ Sugestão negada.
_ Então o que você quer que eu faça?
_ Me ajude?
_ E eu não estou te ajudando?
_ Eu fui mais prestativo quando foi você e o Logan.
_ A única coisa que você me disse foi para esperar por ele.
_ E funcionou, não funcionou? No final ele veio até você. Imagina se você tivesse feito às loucuras que você queria fazer? Você ia assustar ele.
_ E eu estou falando para agir. A Selena pode estar na mesma posição que eu estava: esperando.
_ Mas...
_ Mas nada Nick, você nunca foi um bundão, não comece a agir como um.
_ Você é ótima com conselhos. – falei irônico.
_ Não adianta, eu sei que você gostou desse empurrãozinho final.
_ Talvez... – admiti.
_ E então? Quando você vai falar com ela? – perguntou.
_ Hoje.


(...)


Provavelmente o que mais surpreendeu de tudo, foi a boa vontade dos pais de Selena, eu sabia que ela estava de castigo e por isso não saia de casa se não fosse acompanhada de um deles, e com o fato de já ser quase sete da noite, pensei que seria impossível conseguir algo, porém, delimitando apenas algumas regras, eles me permitiram sair com ela. Claramente isso só foi possível porque Joe não estava em casa.

Talvez não tenha sido a melhor escolha, o frio parecia estar ficando mais forte, mas Selena não demonstrava se importar muito, na verdade parecia se divertir como uma criança. O parque não estava muito cheio, o que era ótimo, pois as filas para entrar nos brinquedos estavam menores.

Depois de dois algodões doces, pipoca, e ela ter me feito tentar acertar as argolas nos pinos para ganhar um urso de pelúcia gigante (o que não deu muito certo, já que não sou bom de mira, então o urso teve ser o pequeno mesmo), decidi que era a hora de dizer.

_ Selena? – ela olhava distraída para um malabarista que surgiu do nada e fazia malabares com pinos em fogo, outras pessoas também parar para apreciar seu show. Ela olhou para mim sorrindo, ela estava se divertindo e eu que a estava proporcionando isso, no final, mesmo que ela dissesse não, só aquele sorriso teria feito tudo valer a pena. _ Eu queria conversar com você.
_ Tudo bem. – não deu tanta importância.
_ Seria melhor se fosse num lugar mais quieto. – falei.
_ Nós podemos ir andando, se você quiser. – disse. Começamos a andar, segurei em sua mão e ela estava gelada.
_ Sua mão está fria, você está com frio? Quer meu casaco? – perguntei, ela riu.
_ Não, não precisa, não é pelo frio, às vezes minha mão fica fria mesmo. – sorriu tímida. _ e então? – perguntou assim que adquirimos certa distancia do movimento de pessoas no parque.
_ Eu posso te pedir uma coisa antes?
_ Pode.
_ Você não vai fugir me prometa que não vai fugir, você vai apenas dizer o que quiser doa a quem doer. – percebi que ela começou a ficar desconfiada.
_ Nick, você está começando é a me deixar com medo.
_ Não, não é pra temer é só que... É... É complicado.
_ Complicado?
_ Eu gosto de você. – soltei de uma vez, sabendo que se eu enrolasse mais ia acabar não falando nada ou a deixando mais confusa ainda.
_ Eu também gosto de você. – disse ela, segurando minha mão mais forte.
_ Não... Quer dizer sim... Mas não tão sim... – bendita hora que fui seguir o conselho de Demetria. _ É como eu disse...
_ Nicholas. – interrompeu-me. _ Eu entendi. – falou e com sua mão gelada agarrou meu queixo obrigando-me a olhar diretamente para ela. _ Eu gosto de você também. – repetiu.
_ Mas é... – será que ela realmente estava me entendendo?
_ Cala a boca – interrompeu-me novamente. _ Me beija logo.

Continua
Oi, HAPPY LOVATIC DAY atrasado, mas vindo de mim isso já é até normal.
Capítulo hoje focou em Nelena, não nego ficou meio fraco, mas é o que deu pra hoje.
Espero que tenham gostado.

Aé. Mas tarde tem outro capítulo, e nele responderei os comentários. 

domingo, 25 de janeiro de 2015

33. Acho que estou amando – The Big Apple



Meu coração estava a mil, eu sabia que esse encontro não seria nada amigável, e as chances de tudo ficar pior do que já estão eram enormes.

Meu dia tinha começado angustiante, a primeira noticia que recebi, enquanto eu ainda tomava meu café da manhã, era que Joe havia conseguido marcar uma entrevista com ela, eu não queria ir, falei para ele que não queria, mas ele disse que havia prometido minha presença e que ela só havia aceitado falar nessas condições. Mas afinal das contas, o que ela queria comigo? Não é ela que me odiava? Que odiava a meu pai? Odiava ao ponto de se tornar uma das suspeitas da morte dele?
Passei pelo escritório do banco quase que voando. Escutei Logan explicando as clausulas que ele achava que mereciam maior atenção, e que seria bom negocia-las melhor, esperei pelo advogado do banco, repassei as recomendações da mesma maneira que Logan havia me passado, e assim, em pouco menos de uma hora e meia de “trabalho” saí de lá e voltei para casa.
Desta vez um dos seguranças nos acompanhava, era o mesmo que tinha invadido meu quarto no primeiro dia. Apesar da tensão pelo encontro, o jeito em que Joe e o segurança – que a proposito se chama Samuel –, se olhavam era ridiculamente engraçado. Samuel com o seu jeito sério, calado e carrancudo, o encarava pelo retrovisor toda vez que tinha que parar no sinal, já Joe, tentava parecer tão ameaçador quando o segurança, mas no final das contas só parecia bravo demais, e sei lá era engraçado de vez em quando.

_ Tem como você ficar no carro? – perguntou Joe, assim que chegamos à porta da casa de minha avó, ao Samuel.
_ Não. –respondeu com sua voz grossa. _ Mas ficarei distante de onde vocês vão conversar. – completou depois. Joe suspirou frustrado.
_ A primeira coisa que vou fazer quando terminarmos aqui é ir conversar com Lara, vamos descobrir quem telefonou e acabar com isso logo. – sussurrou Joe em meu ouvido. Eu ri, se tinha alguém que estava odiando os seguranças, sem duvidas era ele, isso tudo porque não é ele que tomou um susto ao sair do banho enrolada na toalha e deu de cara com um cara como o Samuel, fazendo uma vistoria surpresa, pois escutou um barulho estanho vindo do meu quarto, quando na verdade era que eu tinha deixado a janela aberta e deu uma ventania que derrubou meu abajur no chão.
Vocês fazem ideia do quão constrangedor isso é? E eu não sei o que é pior, o fato em si ou ele totalmente tranquilo sobre isso. Não era para ele estar constrangido também? Só eu que tinha que passar por isso? Caramba!


A casa da minha avó era atípica para aquela região de Nova Iorque. Tudo bem que aquela era uma área mais residencial em que o maior prédio era um de três andares e que grande parte das casas tinham jardim e quintal. Bem diferente de onde eu moro, em que tudo é prédio e concreto.
Quando você via por fora, provavelmente até acharia que estava abandonada, não que ela estivesse feia, mas pela quantidade de plantas, mal se via a casa, arvores e diferentes flores cresciam no jardim da frente, e eu sabia por vaga lembrança da última vez que estive nessa casa – se não me engano quando tinha apenas quatro anos – que o fundo da casa era maior ainda, quase que parecia um sitio no meio da cidade.

Batemos a campainha e quem atendeu foi uma jovem ruiva cheia de sardas, que se apresentou como empregada da casa, ela não tinha muito cara de quem era empregada, parecia jovem demais para isso, tinha cara de quem ficaria o dia inteiro em casa no computador.
Ela nos guiou até uma sala grande em que Linda, sentada em uma poltrona rustica de madeira, com almofadas de estampa de flores. Ela escutava uma música na qual eu não reconheci, mas sabia que era bem antiga, e balançava a cabeça junto ao ritmo da musica, bem suavemente.

_ Linda. – chamou a garota ruiva, despertando minha avó de seu transe. Ela olhou para a garota e com o gesto de mão a dispensou.
_ Vou ficar atrás da porta. – disse Samuel. _ Qualquer coisa é só gritar. – falou sem prestar atenção em mim ou em Joe, mas revistando com um olhar a sala.
_ Tudo bem. – falei, fazendo-o perceber que só esperávamos por ele, para poder começar a conversa. Samuel saiu e fechou a porta. Alguns segundos de silêncio até que Joe começou.
_ Senhora Devonne...
_ Shiiiiiiii. – interrompeu. Ela se levantou e por um instante fiquei me perguntando se aquilo era possível. Ela tinha 82 anos, como que ela podia ter aquele corpo? Sério, ela tinha um corpo melhor que o meu, e sério, ela nem tinha tanta ruga assim, claro que tinha umas e outras, mas sério, para uma mulher com tal idade ela estava bem até demais. À passos rápidos ela foi até o vitrola e o desligou e  depois veio até a mim e tocou delicadamente em meu rosto, fiquei sem reação. _ Tão parecida. – disse meio que pra si mesmo. _ Chega ser amedrontador. – arregalou os olhos. E na mesma rapidez que ela foi até a mim, ela andou até um estante, pegou um porta-retratos e me trouxe. Colocou o porta-retratos ao lado de meu rosto e se dirigindo a Joe perguntou:
_ Olhe! Não é a mesma coisa? – Joe olhou e meio indeciso se deveria falar ou não disse meio inseguro:
_ Sim, são iguais.
_ 19 anos, não é garota?
_ É. – confirmei.
_ Mesma idade dela quando tirou esta fotografia. – disse e virou a fotografia para mim. Eu já tinha visto fotos de minha mãe, grande parte delas quando ela já estava quase na idade de me ganhar, nenhuma dela tão jovem. Sem duvidas ela era bem parecida comigo, talvez penas a cor dos cabelos mudara um pouco, já que o meu, originalmente, é castanho – apesar de fazer alguns anos que só o uso loiro – e o de minha mãe ser um castanho bem claro, quase que loiro. Eu podia ver que as sardas que por anos eu quis tirar, mas no final acabei aceitando, tinham vindo dela, que tinha um rosto mais sardento que o meu. Porém do resto, o formato do rosto, o olhar, a boca, o nariz, tudo dela, tudo exatamente igual ao dela. Era realmente amedrontador. Linda pegou a fotografia de minha mão, meio que sem pedir e a abraçou. Agora, enquanto ela caminhava de volta a sua poltrona, seus passos já não eram mais rápidos, eram lentos e penosos. _ Sentem-se – disse com uma voz baixa. Joe e eu sentamos em um sofá que era do mesmo estilo de sua poltrona, um do lado do outro, perto até demais, mas eu não reclamei, no fundo eu queria que ele estivesse perto mesmo, eu precisaria do seu apoio naquele momento. _ Pode falar. – olhou para Joe.
_ Como a senhora sabe, estamos aqui pois estamos fazendo uma investigação sobre a morte de Eddie...
_ Querem saber o porquê ele se suicidou? – perguntou o interrompendo novamente. _ Tristeza. Sabiam que pessoas que se suicidam são tristes? – ela nem mesmo tentava disfarças a ironia em sua voz. _ Talvez até mesmo tristeza por culpa, culpa por ser um assassino.
_ Meu pai não é um assassino. – tentei manter minha voz calma, mas não posso negar que aquela mulher, em poucos segundos, tinha me tirado do sério.
_ Vai tomar a culpa por ele? Afinal de contas foi para você nascer que ela morreu, não foi? Você é tão culpada quanto ele. – agora sim ela me atingira no mais profundo, isso é algo na qual me culpo desde pequena, era difícil lidar com o fato que sua mãe deu a vida por você, meu pai sempre tentou me dizer que não, até mesmo fiz alguns anos de psicólogo para tentar entender que o que acontecera fora uma fatalidade, mas era difícil, pois era obvio que se eu nunca tivesse existido, minha mãe provavelmente ainda estaria viva. Senti Joe se aproximar mais ainda de mim, para manter o papel de profissional, ele não poderia demostrar sentimento ali, mas eu sabia que ele queria, pois ele sabia que nesse momento eu já estava a ponto de chorar.
_ Seria bom se a senhora se calasse e me deixasse falar, afinal de contas sua situação não está nada boa. – falou Joe de maneira grossa, Linda arregalou o olho para ele.
_ Como assim minha situação não está nada boa? Tenho culpa se é essa a única verdade?
_ Você tem culpa sim de não aceitar que o que aconteceu foi uma fatalidade, tem culpa de por não respeitar a ultima decisão da sua filha, tem culpa por rejeitar o que há de mais precioso que sua filha deixou. – disse Joe em minha defesa.
_ O que há de mais precioso que minha filha deixou foram seus livros que ela nunca publicou por causa dessa daí. – olhou-me com nojo. _ E por causa daquele suicida.
_ Pois para sua filha o bem mais precioso foi Demetria, pois ela não hesitou em nenhum momento em desistir da carreira pela filha, pois para a sua filha, ter uma filha era o mais importante. E se você realmente a amasse seria uma avó que preste. – podia perceber que ele estava ficando alterado, eu sabia que não era função dele me defender, mas eu estava me sentindo tão mal, que eu nem mesmo conseguia reagir por mim mesma, nenhuma palavra saía da minha boca, nenhuma lágrima saía dos meus olhos, tinha um vazio tão grande em meu peito que eu me sentia aos poucos sendo engolida por ele, eu só queria desaparecer, dormir e nunca mais acordar.
_ Não tenho culpa se minha filha gostava de fazer escolhas erradas.
_ E ela não tem culpa por ter tido uma mãe como você. – podia ver Joe ficando vermelho de raiva e não digo menos por Linda, eu podia ver que ela estava a ponto de explodir. Eles ficaram em silêncio para respirarem e se acalmarem.
_ Fui a melhor mãe que pude. – sua voz agora estava mais serena. _ e mesmo assim ela não pensou em mim.
_ E por causa disso você não pensa nela por 19 anos.
_ Não há um dia em que eu não pense nela. – defendeu-se.
_ Não a conhecia, mas duvido que seja dessa maneira que ela gostaria de ser lembrada. – Joe também falava com mais calma.
_ Não os deixei vir aqui para me ofenderem.
_ Nem eu trouxe minha cliente aqui para que ela fosse humilhada. Você não disse que era para esse proposito que você exigia a presença dela.
_ Queria vê-la. Queria comprovar o que sempre dizem: que ela é a cópia de minha filha, eu queria ver frente a frente, apenas isso.
_ E agora que a viu, pode cooperar? Pode me deixar fazer o meu trabalho?
_ Já disse o que acho.
_ Cale a boca. – falou Joe já irritado novamente. _ Não lhe fiz nenhuma pergunta ainda, então não avance.
_ Você deveria ser mais educado.
_ Digo o mesmo a senhora. – eu já não aguentava aquela brigalhada, será que isso não teria fim? _ Suspeita-se que a morte de Eddie não tenha sido suicídio, mas sim um assassinato...
_ Pois que descubram o assassino, preciso saber a quem agradecer. – interrompeu-o novamente.
_ Pois então a senhora deve agradecer a si mesma, suponho.
_ Como? – pareceu assustada.
_ A senhora é uma das principais suspeita. Sempre o odiou e nunca negou, evidentemente comemora sua morte, e já o ameaçara por várias vezes, sendo que o ameaçaste em rede nacional.
_ Estais é louco, eu não mataria ninguém. – defendeu-se.
_ Pois há um ano não tinha esse mesmo discurso, o que mudou? O medo de ser presa?  
_ Não direi nada sem consultar meu advogado. – falou.
_ Sabes que estais bem encrencada, não sabe?
_ Não sei de nada rapazinho.
_ Pois deveria saber, pois você está.
_ Como eu já disse, eu não falarei mais nada sem a presença do meu advogado, então sugiro que vocês se retirem. – falou, levantando-se e a passos rápidos indo até a porta parar abri-la, indicando sua urgência para que nós saíssemos de lá.
Não insistimos, Joe pegou minha mão, e assim fomos embora.
Não perguntei o que ele achava, na verdade não falei nada. Apenas chorei em seu ombro durante todo o percurso de volta a casa.


(...)


Eu sempre soube que minha avó não gostava nem de mim nem de meu pai, mas o fato de eu não ter tido muito contato com ela me fez crer que talvez não fosse algo tão grave assim, mas hoje eu tinha visto que não, ela não só não gostava da gente, ela nos odiava com todas as suas forças. Era demais para mim, eu estava sem meus dois pais e acabara de descobrir que eu nunca teria uma avó.
Joe ficou comigo por um bom tempo, mas saíra a pouco, não sem dizer que iria pedir para que Nick viesse ficar comigo, falei que não era necessário, mas ele não escutou, digo isso porque Nick acabara de entrar no meu quarto e me vendo naquele estado ficara sem reação por um tempo.


Aos poucos Nick me fizera voltar a conversar, ele me distraia um pouco com assuntos alternados, eu não estava feliz, ainda sentia um vazio enorme, mas aos poucos eu sentia como se o buraco diminuísse.
_ Eu sei que é um péssimo momento, mas eu queria falar sobre certo assunto com você.
_ Qual? – tentei mostrar interesse, mas minha voz monótona entregou que na verdade eu não estava tão interessada assim.
_ Promete não rir... Quer dizer, não me zoar.
_ Hoje é seu dia de sorte, não estou em condições de fazer nada disso. – falei.
_ Bom, é estranho vindo de mim, você me conhece bem e tudo. – ele estava bem sem jeito. _ Mas é, tipo, eu acho que estou amando.

Continua

Olá, capítulos postados, um na data certa e outra na errada, me desculpem, mas é porque me atrasei na revisão das duas.
Bom, o que acharam? Já desconfiam mais de alguém com as dicas do Juan? Não? Acham que pode ter sido a Linda? Não? E o Nick apaixonado, vocês já sabem por quem? Comentem J


Caah: Nossa até lembrete? Pelo jeito você está gostando mesmo em? Bom, ano passado esqueci pagar lá o boleto e por isso não fiz, me arrependo até hoje disso, já que se eu tivesse feito talvez tivesse me dedicado mais nesse ano, mas já que não deu fazer o quê né? Que curso você quer fazer? Sobre sua suspeita, pode ser ou não ser, se seguirmos o raciocínio do Juan é uma boa aposta, já que a Lara é alguém próximo, mas vai saber... Obrigada por comentar. Bjsss
Nessa: Nossa que legal, e está gostando do curso? Bom, espero que tenha gostado deste capítulo, mesmo ele sendo meio drepe , muito obrigada por comentar. Bjsss

Milena: Parece que os seguranças estão fazendo sucesso por aqui em? Kkkkk vamos ver o que eu arranjo pro Logan depois, pode ser que ele termine bem, mas pode ser que não também, só depois vamos descobrir. Espero que tenha gostado do capítulo. Obrigada por comentar. BjssS