domingo, 25 de janeiro de 2015

33. Acho que estou amando – The Big Apple



Meu coração estava a mil, eu sabia que esse encontro não seria nada amigável, e as chances de tudo ficar pior do que já estão eram enormes.

Meu dia tinha começado angustiante, a primeira noticia que recebi, enquanto eu ainda tomava meu café da manhã, era que Joe havia conseguido marcar uma entrevista com ela, eu não queria ir, falei para ele que não queria, mas ele disse que havia prometido minha presença e que ela só havia aceitado falar nessas condições. Mas afinal das contas, o que ela queria comigo? Não é ela que me odiava? Que odiava a meu pai? Odiava ao ponto de se tornar uma das suspeitas da morte dele?
Passei pelo escritório do banco quase que voando. Escutei Logan explicando as clausulas que ele achava que mereciam maior atenção, e que seria bom negocia-las melhor, esperei pelo advogado do banco, repassei as recomendações da mesma maneira que Logan havia me passado, e assim, em pouco menos de uma hora e meia de “trabalho” saí de lá e voltei para casa.
Desta vez um dos seguranças nos acompanhava, era o mesmo que tinha invadido meu quarto no primeiro dia. Apesar da tensão pelo encontro, o jeito em que Joe e o segurança – que a proposito se chama Samuel –, se olhavam era ridiculamente engraçado. Samuel com o seu jeito sério, calado e carrancudo, o encarava pelo retrovisor toda vez que tinha que parar no sinal, já Joe, tentava parecer tão ameaçador quando o segurança, mas no final das contas só parecia bravo demais, e sei lá era engraçado de vez em quando.

_ Tem como você ficar no carro? – perguntou Joe, assim que chegamos à porta da casa de minha avó, ao Samuel.
_ Não. –respondeu com sua voz grossa. _ Mas ficarei distante de onde vocês vão conversar. – completou depois. Joe suspirou frustrado.
_ A primeira coisa que vou fazer quando terminarmos aqui é ir conversar com Lara, vamos descobrir quem telefonou e acabar com isso logo. – sussurrou Joe em meu ouvido. Eu ri, se tinha alguém que estava odiando os seguranças, sem duvidas era ele, isso tudo porque não é ele que tomou um susto ao sair do banho enrolada na toalha e deu de cara com um cara como o Samuel, fazendo uma vistoria surpresa, pois escutou um barulho estanho vindo do meu quarto, quando na verdade era que eu tinha deixado a janela aberta e deu uma ventania que derrubou meu abajur no chão.
Vocês fazem ideia do quão constrangedor isso é? E eu não sei o que é pior, o fato em si ou ele totalmente tranquilo sobre isso. Não era para ele estar constrangido também? Só eu que tinha que passar por isso? Caramba!


A casa da minha avó era atípica para aquela região de Nova Iorque. Tudo bem que aquela era uma área mais residencial em que o maior prédio era um de três andares e que grande parte das casas tinham jardim e quintal. Bem diferente de onde eu moro, em que tudo é prédio e concreto.
Quando você via por fora, provavelmente até acharia que estava abandonada, não que ela estivesse feia, mas pela quantidade de plantas, mal se via a casa, arvores e diferentes flores cresciam no jardim da frente, e eu sabia por vaga lembrança da última vez que estive nessa casa – se não me engano quando tinha apenas quatro anos – que o fundo da casa era maior ainda, quase que parecia um sitio no meio da cidade.

Batemos a campainha e quem atendeu foi uma jovem ruiva cheia de sardas, que se apresentou como empregada da casa, ela não tinha muito cara de quem era empregada, parecia jovem demais para isso, tinha cara de quem ficaria o dia inteiro em casa no computador.
Ela nos guiou até uma sala grande em que Linda, sentada em uma poltrona rustica de madeira, com almofadas de estampa de flores. Ela escutava uma música na qual eu não reconheci, mas sabia que era bem antiga, e balançava a cabeça junto ao ritmo da musica, bem suavemente.

_ Linda. – chamou a garota ruiva, despertando minha avó de seu transe. Ela olhou para a garota e com o gesto de mão a dispensou.
_ Vou ficar atrás da porta. – disse Samuel. _ Qualquer coisa é só gritar. – falou sem prestar atenção em mim ou em Joe, mas revistando com um olhar a sala.
_ Tudo bem. – falei, fazendo-o perceber que só esperávamos por ele, para poder começar a conversa. Samuel saiu e fechou a porta. Alguns segundos de silêncio até que Joe começou.
_ Senhora Devonne...
_ Shiiiiiiii. – interrompeu. Ela se levantou e por um instante fiquei me perguntando se aquilo era possível. Ela tinha 82 anos, como que ela podia ter aquele corpo? Sério, ela tinha um corpo melhor que o meu, e sério, ela nem tinha tanta ruga assim, claro que tinha umas e outras, mas sério, para uma mulher com tal idade ela estava bem até demais. À passos rápidos ela foi até o vitrola e o desligou e  depois veio até a mim e tocou delicadamente em meu rosto, fiquei sem reação. _ Tão parecida. – disse meio que pra si mesmo. _ Chega ser amedrontador. – arregalou os olhos. E na mesma rapidez que ela foi até a mim, ela andou até um estante, pegou um porta-retratos e me trouxe. Colocou o porta-retratos ao lado de meu rosto e se dirigindo a Joe perguntou:
_ Olhe! Não é a mesma coisa? – Joe olhou e meio indeciso se deveria falar ou não disse meio inseguro:
_ Sim, são iguais.
_ 19 anos, não é garota?
_ É. – confirmei.
_ Mesma idade dela quando tirou esta fotografia. – disse e virou a fotografia para mim. Eu já tinha visto fotos de minha mãe, grande parte delas quando ela já estava quase na idade de me ganhar, nenhuma dela tão jovem. Sem duvidas ela era bem parecida comigo, talvez penas a cor dos cabelos mudara um pouco, já que o meu, originalmente, é castanho – apesar de fazer alguns anos que só o uso loiro – e o de minha mãe ser um castanho bem claro, quase que loiro. Eu podia ver que as sardas que por anos eu quis tirar, mas no final acabei aceitando, tinham vindo dela, que tinha um rosto mais sardento que o meu. Porém do resto, o formato do rosto, o olhar, a boca, o nariz, tudo dela, tudo exatamente igual ao dela. Era realmente amedrontador. Linda pegou a fotografia de minha mão, meio que sem pedir e a abraçou. Agora, enquanto ela caminhava de volta a sua poltrona, seus passos já não eram mais rápidos, eram lentos e penosos. _ Sentem-se – disse com uma voz baixa. Joe e eu sentamos em um sofá que era do mesmo estilo de sua poltrona, um do lado do outro, perto até demais, mas eu não reclamei, no fundo eu queria que ele estivesse perto mesmo, eu precisaria do seu apoio naquele momento. _ Pode falar. – olhou para Joe.
_ Como a senhora sabe, estamos aqui pois estamos fazendo uma investigação sobre a morte de Eddie...
_ Querem saber o porquê ele se suicidou? – perguntou o interrompendo novamente. _ Tristeza. Sabiam que pessoas que se suicidam são tristes? – ela nem mesmo tentava disfarças a ironia em sua voz. _ Talvez até mesmo tristeza por culpa, culpa por ser um assassino.
_ Meu pai não é um assassino. – tentei manter minha voz calma, mas não posso negar que aquela mulher, em poucos segundos, tinha me tirado do sério.
_ Vai tomar a culpa por ele? Afinal de contas foi para você nascer que ela morreu, não foi? Você é tão culpada quanto ele. – agora sim ela me atingira no mais profundo, isso é algo na qual me culpo desde pequena, era difícil lidar com o fato que sua mãe deu a vida por você, meu pai sempre tentou me dizer que não, até mesmo fiz alguns anos de psicólogo para tentar entender que o que acontecera fora uma fatalidade, mas era difícil, pois era obvio que se eu nunca tivesse existido, minha mãe provavelmente ainda estaria viva. Senti Joe se aproximar mais ainda de mim, para manter o papel de profissional, ele não poderia demostrar sentimento ali, mas eu sabia que ele queria, pois ele sabia que nesse momento eu já estava a ponto de chorar.
_ Seria bom se a senhora se calasse e me deixasse falar, afinal de contas sua situação não está nada boa. – falou Joe de maneira grossa, Linda arregalou o olho para ele.
_ Como assim minha situação não está nada boa? Tenho culpa se é essa a única verdade?
_ Você tem culpa sim de não aceitar que o que aconteceu foi uma fatalidade, tem culpa de por não respeitar a ultima decisão da sua filha, tem culpa por rejeitar o que há de mais precioso que sua filha deixou. – disse Joe em minha defesa.
_ O que há de mais precioso que minha filha deixou foram seus livros que ela nunca publicou por causa dessa daí. – olhou-me com nojo. _ E por causa daquele suicida.
_ Pois para sua filha o bem mais precioso foi Demetria, pois ela não hesitou em nenhum momento em desistir da carreira pela filha, pois para a sua filha, ter uma filha era o mais importante. E se você realmente a amasse seria uma avó que preste. – podia perceber que ele estava ficando alterado, eu sabia que não era função dele me defender, mas eu estava me sentindo tão mal, que eu nem mesmo conseguia reagir por mim mesma, nenhuma palavra saía da minha boca, nenhuma lágrima saía dos meus olhos, tinha um vazio tão grande em meu peito que eu me sentia aos poucos sendo engolida por ele, eu só queria desaparecer, dormir e nunca mais acordar.
_ Não tenho culpa se minha filha gostava de fazer escolhas erradas.
_ E ela não tem culpa por ter tido uma mãe como você. – podia ver Joe ficando vermelho de raiva e não digo menos por Linda, eu podia ver que ela estava a ponto de explodir. Eles ficaram em silêncio para respirarem e se acalmarem.
_ Fui a melhor mãe que pude. – sua voz agora estava mais serena. _ e mesmo assim ela não pensou em mim.
_ E por causa disso você não pensa nela por 19 anos.
_ Não há um dia em que eu não pense nela. – defendeu-se.
_ Não a conhecia, mas duvido que seja dessa maneira que ela gostaria de ser lembrada. – Joe também falava com mais calma.
_ Não os deixei vir aqui para me ofenderem.
_ Nem eu trouxe minha cliente aqui para que ela fosse humilhada. Você não disse que era para esse proposito que você exigia a presença dela.
_ Queria vê-la. Queria comprovar o que sempre dizem: que ela é a cópia de minha filha, eu queria ver frente a frente, apenas isso.
_ E agora que a viu, pode cooperar? Pode me deixar fazer o meu trabalho?
_ Já disse o que acho.
_ Cale a boca. – falou Joe já irritado novamente. _ Não lhe fiz nenhuma pergunta ainda, então não avance.
_ Você deveria ser mais educado.
_ Digo o mesmo a senhora. – eu já não aguentava aquela brigalhada, será que isso não teria fim? _ Suspeita-se que a morte de Eddie não tenha sido suicídio, mas sim um assassinato...
_ Pois que descubram o assassino, preciso saber a quem agradecer. – interrompeu-o novamente.
_ Pois então a senhora deve agradecer a si mesma, suponho.
_ Como? – pareceu assustada.
_ A senhora é uma das principais suspeita. Sempre o odiou e nunca negou, evidentemente comemora sua morte, e já o ameaçara por várias vezes, sendo que o ameaçaste em rede nacional.
_ Estais é louco, eu não mataria ninguém. – defendeu-se.
_ Pois há um ano não tinha esse mesmo discurso, o que mudou? O medo de ser presa?  
_ Não direi nada sem consultar meu advogado. – falou.
_ Sabes que estais bem encrencada, não sabe?
_ Não sei de nada rapazinho.
_ Pois deveria saber, pois você está.
_ Como eu já disse, eu não falarei mais nada sem a presença do meu advogado, então sugiro que vocês se retirem. – falou, levantando-se e a passos rápidos indo até a porta parar abri-la, indicando sua urgência para que nós saíssemos de lá.
Não insistimos, Joe pegou minha mão, e assim fomos embora.
Não perguntei o que ele achava, na verdade não falei nada. Apenas chorei em seu ombro durante todo o percurso de volta a casa.


(...)


Eu sempre soube que minha avó não gostava nem de mim nem de meu pai, mas o fato de eu não ter tido muito contato com ela me fez crer que talvez não fosse algo tão grave assim, mas hoje eu tinha visto que não, ela não só não gostava da gente, ela nos odiava com todas as suas forças. Era demais para mim, eu estava sem meus dois pais e acabara de descobrir que eu nunca teria uma avó.
Joe ficou comigo por um bom tempo, mas saíra a pouco, não sem dizer que iria pedir para que Nick viesse ficar comigo, falei que não era necessário, mas ele não escutou, digo isso porque Nick acabara de entrar no meu quarto e me vendo naquele estado ficara sem reação por um tempo.


Aos poucos Nick me fizera voltar a conversar, ele me distraia um pouco com assuntos alternados, eu não estava feliz, ainda sentia um vazio enorme, mas aos poucos eu sentia como se o buraco diminuísse.
_ Eu sei que é um péssimo momento, mas eu queria falar sobre certo assunto com você.
_ Qual? – tentei mostrar interesse, mas minha voz monótona entregou que na verdade eu não estava tão interessada assim.
_ Promete não rir... Quer dizer, não me zoar.
_ Hoje é seu dia de sorte, não estou em condições de fazer nada disso. – falei.
_ Bom, é estranho vindo de mim, você me conhece bem e tudo. – ele estava bem sem jeito. _ Mas é, tipo, eu acho que estou amando.

Continua

Olá, capítulos postados, um na data certa e outra na errada, me desculpem, mas é porque me atrasei na revisão das duas.
Bom, o que acharam? Já desconfiam mais de alguém com as dicas do Juan? Não? Acham que pode ter sido a Linda? Não? E o Nick apaixonado, vocês já sabem por quem? Comentem J


Caah: Nossa até lembrete? Pelo jeito você está gostando mesmo em? Bom, ano passado esqueci pagar lá o boleto e por isso não fiz, me arrependo até hoje disso, já que se eu tivesse feito talvez tivesse me dedicado mais nesse ano, mas já que não deu fazer o quê né? Que curso você quer fazer? Sobre sua suspeita, pode ser ou não ser, se seguirmos o raciocínio do Juan é uma boa aposta, já que a Lara é alguém próximo, mas vai saber... Obrigada por comentar. Bjsss
Nessa: Nossa que legal, e está gostando do curso? Bom, espero que tenha gostado deste capítulo, mesmo ele sendo meio drepe , muito obrigada por comentar. Bjsss

Milena: Parece que os seguranças estão fazendo sucesso por aqui em? Kkkkk vamos ver o que eu arranjo pro Logan depois, pode ser que ele termine bem, mas pode ser que não também, só depois vamos descobrir. Espero que tenha gostado do capítulo. Obrigada por comentar. BjssS

sábado, 24 de janeiro de 2015

32. inimigo está a seu lado (parte final) – The Big Apple


Eu não sabia onde que Joe estava com a cabeça ao crer que Juan poderia nos trazer alguma novidade. Na verdade eu não sabia onde eu estava com a cabeça ao crer no Joe crendo que Juan poderia nos trazer alguma novidade.
Não, eu não estou sendo chata, tenho minhas razões para crer que havia me metido em uma grande roubada.

O lugar era abafado e cheirava a cerveja barata, ainda assim estava cheio, pior, as únicas mulheres que havia ali, além de mim, eram três garçonetes, que pareciam tão irritadas, que senti medo até de chegar perto... Bom, na verdade tinha outras mulheres por ali, todas totalmente tontas de bêbada, um delas caída, quando eu digo caída, eu falo largada no chão, totalmente desajeitada; outra estava encima de uma mesa ameaçando fazer strip-tease. Concluindo, a única mulher que não estava nem bêbada nem estressada ali, era eu. Pensando bem, a única mulher que não estava bêbada ali, era eu.

Joe havia me tirado de casa as oito de quarenta da noite para me trazer a um bairro desconhecido, mas que não me parecia nem um pouco seguro, e não sem antes me fazer ter uma discussão com Lara no telefone, exigindo que ela proibisse que os seguranças fossem comigo e que não me seguissem. Se eu soubesse que era pra cá que ele estava me trazendo, eu teria feito era o contrario, eu teria exigido a presença daqueles malas. Os olhares que estava recebendo de alguns homens eram aterrorizantes, nunca me senti tão assustada, era como se a qualquer momento eles fossem me atacar.

Encontramos Juan no balcão do bar e ele estava praticamente irreconhecível. Ele parecia bem mais velho, tinha barba por fazer, os dentes estavam amarelados, duas entradas de careca em sua cabeça, ele, que sempre, no trabalho, vestia um terno feito sobre medida, agora estava com uma blusa de manga comprida xadrez toda remendada e um calça jeans com a aparência de ser muito velha, fora que por ser de lavagem clara evidenciava algumas manchas não muito bonitas.
_ Pequena Lovato. – sorriu. Quando ele trabalhava como motorista da família, ele costumava chamar a mim e a meus irmãos de Pequena/Pequeno Lovato. _ Você então é Joseph, o qual me ligou? – Joe confirmou com uma aceno de cabeça.
_ Tem como a gente sair daqui? – perguntei sendo direta, eu não suportaria ficar ali por muito mais tempo. Juan pareceu parar para pensar um pouco, logo pegou um copo que estava a sua frente no balcão, cheio do que para mim era cerveja, e bebeu tudo em apenas um gole. ELE ESTÁ BEBENDO! COMO QUE VOU LEVAR ELE A SÉRIO?
_ Vamos lá fora. –falou. _ É mais fresco. – fresco? Ele tem consciência que está 12 graus lá fora?
Tá, melhor o frio que ficar aqui sobre o olhar desses homens nojentos.

Do lado de fora tinha uma mesa de madeira, sentamos nos bancos, Joe do meu lado e Juan a minha frente.
_ Desculpa estar desse jeito, estava fazendo uns serviços, não tive oportunidade de ir a minha casa me trocar. – falou. Não atrevi-me a perguntar que serviços ele estava fazendo para se vestir dessa maneira, era obvio que ele não era mais motorista, e, no fundo, achei melhor não mencionar isso. _ Mas é bom. – ele sem duvidas tinha bebido bastante, porém falava lucidamente, na verdade ele parecia estar bem lucido. Vai saber como... _ Já faz um tempo que queria falar com você, Pequena Lovato, mas tive medo que você não quisesse me receber. Mas como foi você que me procurou... Melhor não perder muito tempo. – sorriu fraco, ele parecia estar ficando um pouco apreensivo.
_ Você disse que tinha algumas coisas para falar... – incentivou Joe, ao ver que ele parou. _ Sobre Eddie...
_ É, tenho. – pausou. _ Bom, eu trabalhei um bom tempo com ele. E quando aconteceu o acidente eu fiquei muito irritado, mas eu nunca o odiei, ele foi um muito bom patrão comigo, me ajudou muito todas as vezes que precisei. – pude perceber que ele perdera um pouco do sotaque hispânico, sotaque no qual eu amava quando menor, sempre ficava tentando imita-lo, mas claro que não saia nada com nada. _ Mas Eddie, o que tem de bom, tem de azarento. – tentou rir, mas quando viu que nem eu nem Joe o acompanhamos, parou. _ Já o vi, por varias vezes, preocupado por alguém o ter apunhalado pelas costas. E quando eu digo isso, não falo só por funcionários ou outros banqueiros, sócios. Na verdade, esses que deveriam ser os “temidos” foram os que menos traíram seu pai. Amigos, ou pelo menos os que se diziam ser amigo sempre foram os piores.
_ O que você quer dizer com isso? Você acha que quem matou Eddie pode ter sido alguém que ele achava ser um amigo? – perguntou Joe.
_ Claro. – disse. _ Naquele velório dele lá. – disse olhando diretamente para mim. _ A maior parte dos que estavam ali já o traíram de alguma forma. Eddie era rodeado de falsos, quanto mais de perto você olhar, maior sua chance de encontrar o assassino dele. – disse firme.
_ E você tem nomes? Os que você acha que seriam capazes de algo assim? – Juan riu como se Joe lhe tivesse feito uma pergunta idiota.
_ Todos aqueles que um dia frequentaram a casa dele e desapareceram por não declarada razão.
_ Mas você acha que essas pessoas seriam capazes de matar meu pai? Eles já o tinham traído, não precisavam mais fazer algo assim. – indaguei.
_ Ah Pequena Lovato. – disse como se estivesse com pena de mim. _ Você não faz ideia de quanta maldade às pessoas são capazes de fazer. Muitos deles temiam seu pai, pois sabiam que se ele abrisse a boca poderiam ser presos ou até perder tudo o que tem.
_Mas meu pai nunca faria isso, tanto que ele não o fez.
_ Se existe uma coisa aterrorizante, é a paranoia. Quando você faz uma coisa muito ruim, você não fica com medo de descobrirem? – perguntou. Claro que sim, no momento eu estou sobre essa pressão, para falar a verdade, quase todo mundo já sabia ou pelo menos desconfiava sobre meu envolvimento com Joe, menos Logan, e a cada dia eu pisava em ovos, temendo que alguém abrisse a boca ou que eu deixasse escapar algo sem querer.
_ Sim, mas eu não mataria alguém por isso. – respondi.
_ Talvez seus erros não sejam tão grandes. – contrapôs.
_ Quando você diz erros o que você quiser? – perguntou Joe.
_ Roubos, grandes roubos. Pessoas usavam da bondade do seu pai para engana-lo, seu pai muitas vezes teve o nome relacionado em coisas sujas, pois pessoas os colocavam. Seu pai quase já foi preso. – disse me fitando. _ ele nunca falou isso, mas ele já esteve prestes a ir para cadeia por causa de um amigo que o envolveu em um esquema de lavagem de dinheiro... Olhe com o advogado do seu pai, ele vai saber informar melhor que eu.
_ O Harry. – falei. _ ele não informou nada no dia da leitura do testamento.
_ Ele não iria mencionar se não tivesse um motivo muito bom. – disse Joe. _ Você acha que consegue falar com ele?
_ Sim, eu ligarei para ele amanhã. – confirmei.
Fiquei tentando assimilar as coisas aos poucos, e todos nós ficamos em silêncio por um tempo, era como se todos estivessem pensando sobre isso.
_ Se eu fosse você investigava a todos, até mesmo os que ficaram por perto. – por um lado, Juan fazia todo o sentido, mas no fundo parecia paranoico demais. Como que tudo isso poderia estar acontecendo com meu pai, bem ao meu lado, e eu simplesmente nem mesmo desconfiar? _ Não poupe ninguém.
_ O que você acha dos familiares? Estávamos suspeitando de Linda. – perguntou Joe.
_ Senhora Devonne? – perguntou surpreso. _ Bom, ela definitivamente é uma suspeita. Pensava em outras pessoas, mas Linda é uma pessoa em potencial.
_ Eu acho isso um exagero. – resolvi opinar. _ minha avó não faria isso. Eu sei que ela odiava meu pai, mas ela não faria isso.
_ Se eu fosse você não a defendia tanto assim não. Ela te odeia também. – disse e me atingiu em cheio. Joe olhou-me esperando pela minha reação, mas eu não fiz nada, não havia nada a se fazer, era a verdade. _ Me desculpe. – falou. _ Eu falei sem pensar.
_ Tudo bem. – sorri, mesmo sabendo que minha voz entregava a minha tristeza.
_ Se te serve de consolo, eu a acho uma boa suspeita, mas não creio que tenha sido ela. Pelo menos não para mim.
_ Então quem você acha que foi? – perguntou Joe.
_ Desculpe-me, mas não vou dizer, não quero acusar ninguém, não tenho nenhuma prova contra essa pessoa.
_ Você sabe que isso faz com que você pareça estar blefando, não sabe? – atiçou Joe.
_ Eu sei. – disse sem hesitar. _ Não estou aqui tentando convencer ninguém, só quero alerta-los. Principalmente a você, Pequena Lovato, pois o inimigo está a seu lado.

Continua
Ei pessoal, esperem mais um pouco que logo posto o próximo capítulo.

Resposta aos comentários no final do capítulo 33

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

30. Confiança e 31. Inimigo a seu lado (parte 1) – The Big Apple

30. Confiança – The Big Apple

Quando parei Edgar conversar, ele não disfarçou a insatisfação. Mas deixou, tanto que eu, quanto Joe, adentrássemos a sua sala.
_ Espero que sua visita não seja por causa da minha duvida sobre suas propostas. – disse após servir a si mesmo um pouco de uísque. Ele chegou a nos oferecer, mas nós recusamos.
_ Não é sobre isso. – falei. _ Eu não sou uma ditadora, não vou fazer represálias com quem não concordar comigo. – ele sentou-se em sua poltrona.
_ Fico feliz em escutar isso. Não adiantaria muito você ser uma ditadora por aqui. – disse um pouco hostil.
_ Eu entendo suas suspeitas sobre minha capacidade, senhor Edgar, eu não tenho a formação nem a experiência necessária para chegar nesta posição que ocupo agora.  Mas você vai ter que aceitar. Porque é assim que vai ser. – falei, tentando ser elegante, mas saiu um pouco rude. No fundo nem liguei, dar umas alfinetadas nele era até justificável. Homem chato.
_ E por acaso eu não estou te aceitando? – perguntou como eu o tivesse ofendido. _ Tens que entender que aceitar é uma coisa, fazer de sua vida aqui no banco mais fácil é outra. Tratar-lhe-ei da mesma maneira que trato qualquer um. Tenho que desconfiar quando necessário, eu já investi muito dinheiro aqui e não é porque já estou a colher meus lucros, que ligo menos para o futuro deste banco. – Joe cruzou a perna direita, e ali eu soube que deveria começar, ele dissera que esse seria um dos sinais que ele me daria para fazer algumas perguntas. Algumas perguntas ele tinha me passado, caso eu precisasse e achasse conveniente inventar outras na hora, ele havia me dado aval.
_ É sobre isso que me preocupa um pouco. – falei. _ Você é o segundo maior dono do banco, abaixo de mim você é o líder. Com a morte do meu pai, as coisas poderiam ou melhorar ou piorar para o senhor. Algo me diz que a vontade de meu pai para que eu assumisse o lugar que ele deixara é considerado uma piora para você. – ele hesitou.
_ Confesso que a decisão dele me causou espanto e apreensão. Mas não quero taxar sua chegada como uma piora, pelo menos não por agora.
_ Mas você preferiria ter se tornado o dono majoritário do banco, não?
_ Seria o mais justo, mas a vida não é justa, então... – deixou por aberto.
_ E se eu... Fazer algo errado, ver que não consigo. Você compraria minha parte?
_ Claro. – disse sem hesitar. _ E para você ver que não sou tão mal assim, compraria pelo preço de mercado quando o banco estava em alta, agora estamos desvalorizados, o preço esta baixo, mas eu não seria tão mal com você e com sua família. – hesitei a continuar, senti como se ele já estivesse fazendo a proposta, como se já tivesse pensado naquilo há muito tempo, e agora só estivesse esperando o inevitável.
_ Você parece bem seguro de uma desistência de Demetria. – disse Joe a meu lado. Edgar olhou-o como se o tivesse percebido apenas agora.
_ E você é?
_ Ele Joseph Jonas. – falei, recuperando-me. _ Dado minha deficiência por não saber tudo sobre como gerenciar um banco, estou montando uma equipe de confiança para ajudar-me. Logan, todos sabem que será meu porta-voz e maior aliado, mas também tenho Joseph, ele será outro a me ajudar com tudo aqui dentro. – Edgar examinou com um olhar Joe de cima a baixo.
_ Fico feliz que esteja tão preocupada em fazer um bom serviço e que se acerque de pessoas confiáveis. Espero poder entrar nesse grupo, em breve.
_ Talvez. – falei, mas em minha mente tudo o que eu queria era dizer umas boas verdades a ele. Ficamos em silêncio por um tempo. _ senhor Edgar, eu não posso deixar de perceber que você e meu pai, apesar de trabalharem juntos, nunca foram muito chegados, você raramente aparecia em nossas festas... Como era a relação de você e meu pai? – ele pareceu estranhar minha pergunta, mas respondeu.
_ Sempre admirei Eddie, mas não vou falar que éramos melhores amigos, convivíamos bem. – falou. _ Apenas isso. –finalizou. _ Posso saber o porquê da pergunta?
_ Quero saber quem são os verdadeiros amigos do meu pai aqui dentro, pode me ajudar na hora de decidir a quem confiar. – respondi e pelo que pude ver, ele entendeu muito bem a indireta.
_ Então espero que você faça boas escolhas, você irá precisar.

(...)

_ O que você acha? – perguntei já no escritório do meu pai... Digo... Meu escritório.
_ Eu não digo que ele seja culpado, mas algo nele diz que a morte do seu pai não foi uma tragédia, é como se ele simplesmente nem ligasse.
_ Você acha que devemos deixa-lo na lista?
_ Eu vou investigar um pouco mais sobre ele. Fazer uma pesquisa básica, mas vamos continuar com as entrevistas, pode ser que as pesquisas não me levem muito longe. – respondeu. _ E sobre Ivan Blackenwood, assim que ele voltar das férias, nós falaremos com ele, eu não tinha pensado nele, mas é um ótimo suspeito.  
_ E quem nós vamos investigar agora? – perguntei.
_ Está gostando é? – perguntou ele, vendo minha animação.
_ É interessante. – tentei disfarçar meu interesse. Ele riu.
_ Interessante... É uma boa interpretação do que é a vida de um detetive, interessante... O próximo é Juan Gaus. E sim, eu insisto em investigar sobre ele.
_ Você acha que ele vai nos acrescentar em algo nessa investigação?
_ Se tem algo que eu aprendi é que não podemos subestimar ninguém, ele pode parecer ter um motivo bobo, mas vai saber, para ele pode não ter sido tão bob assim. É bom não ignorar essas pessoas.
_ tudo bem.
_ Se você não quiser, eu posso ir sozinho.
_ Não, vai ser legal eu ir. Eu posso não posso? – perguntei.
_ Pode. – ele sorriu. _ Só que eu queria ir hoje, tem como você sair daqui? Agora?
_ Agora? Eu mal cheguei. – falei. Sabia bem que eu ainda teria que olhar alguns contratos e assinar alguns papeis, Logan iria me explicar melhor do que se tratava quando chegasse as minhas mãos.
_ Sei. – disse pensativo. _ Que tal hoje à noite?
_ Hoje à noite? Vamos fazer uma investigação, hoje à noite? – perguntei desconfiada, já não tínhamos feito besteiras demais?
_ Se eu conseguir marcar com ele, sim. – confirmou como se não fosse nada demais. _ Que foi? Esta com medo de andar comigo de noite? Eu juro que não vou te morder. – falou. _ Não desta vez.
_ Joe! – ele gargalhou.
_ O que? Eu estou mentindo? – perguntou em meio as suas gargalhadas. _ Foi um erro, mas não precisa ser colocado como assunto proibido, ou precisa? Foi bom, não foi?
_ Não estou aqui para aumentar seu ego masculino, Joseph.
_ Dado a sua resposta posso concluir que você iria dizer que foi muito bom, que foi ótimo, melhor até que com o careta do seu namorado. – falou.
_ Não o chame de careta, e ele é meu noivo, não namorado! Você por acaso está bêbado? – perguntei.
_ Não! – respondeu. _ Por acaso eu estou com cara de quem bebeu? – pareceu ofendido. _ Eu só quis descontrair um pouco. – deu de ombros. _ Mas pelo jeito você não quer nem pensar nesse assunto.
_ Foi você que me rejeitou Joe. – falei.
_ Eu não te rejeitei, eu só disse que não podemos ter algo sério.
_ Você deveria saber que eu não quero ficar mais de brincadeira.
_ Eu sei. – disse._ por isso respeitei sua decisão de ficar com o Logan. – concluiu e suas palavras atingiram meu coração em cheio. Ele realmente não ligava e não queria nada sério.
_ Agradeço a sua consideração. – falei, tentando me mostrar tão fria quanto ele. _ Agradeceria ainda mais se esse assunto fosse esquecido, certos erros são melhores escondidos e esquecidos. – completei. Ele hesitou um pouco antes de começar a falar.
_ Você tem que entender algo Demi, nós dois não podemos nos dar algo que seria fundamental em uma relação. – esperou pela minha reação. _ Confiança.



31. Inimigo a seu lado (parte 1) – The Big Apple

Quanto mais Logan me explicava, pior parecia ficar, era muita coisa para entender em muito pouco tempo, eu não fazia a mínima ideia se assinar tais contratos realmente trariam avanços para o banco. Eu tinha, naquele momento, muito poder em minhas mãos, eu podia fazer um contrato bom o suficiente para fazer com que o banco voltasse a crescer, mas também podia assinar aqueles papeis e acabar com tudo, e dar o gosto de vitória a pessoas como Edgar.
_ Se você estivesse na minha posição, qual você assinaria? – perguntei a Logan, ele pareceu decepcionado com minha pergunta. Mas também, pudera, ele passara mais de uma hora explicando cada proposta, tentando ser o mais simples possível, tirando termos que eu não conhecia e as traduzindo para um vocabulário que eu entendesse, fazendo comparações até meio idiotas, mas que me ajudaram em algumas situações. Ele estava tentando fazer com que eu me envolvesse mais, entendesse mais, tomasse as decisões por conta própria.
_ Bom, é como eu disse. – começou desanimado. _ esse é um contrato bom por agora, só que ele é em longo prazo, se no futuro não foi mais rentável estaremos presos a ele por causa do acordo, mas sem duvidas por uns sete, nove meses, no mínimo, vai ser bem lucrativo, no mais teríamos que contar com a sorte. Já esse outro é ao contrario. – disse pegando a outra pilha de papeis. _ assina-lo agora seria um risco, não é uma jogada tão boa, mas é promissora, aos poucos essa empresa vem conseguindo seu espaço e crescendo bastante, filiarmos a marca pode nos trazer lucros no futuro, mas muito provavelmente não agora.
_ É. – falei, pra mim não ajudara nada, ou eu fazia uma escolha que falisse com o banco agora e talvez o levantasse depois ou eu dava um bom lucro para o banco agora e o falia depois.
_ Você realmente não vai decidir não é?
_ Eu realmente preciso decidir?
_ Sim, pois necessitamos de contratos como estes para nos reerguer, todo contrato é um risco, mas são necessários.
_ E se eu fizer algo errado Logan?
_ Você acha que seu pai nunca errou? – perguntou de volta. _ Ele já assinou contratos que só deram prejuízos, não trouxeram nenhum avanço se quer. Errar não é o fim do mundo Demi. – Logan podia não estar percebendo, mas o conselho dele não só me servia para essa situação.
Suspirei.
_ Você não vai fazer isso por mim, não é? – perguntei.
_ É isso mesmo que você quer?
_ Por agora sim. – ele acabou desistindo, pegou a primeira pilha de papeis e colocou na minha frente.
_ Nossa situação não está muito boa por agora, essa empresa está em alta e pode nos dar muito lucro. Precisamos disso, se por acaso depois começar a dar prejuízos, se estivermos melhor não vai ter muito problema, fora que se melhorarmos podemos receber propostas melhores, com isso um lucro segura uma perda... É disso que nós precisamos. – eu podia ver que ele estava insatisfeito, eu poderia ter tido o mesmo raciocínio que ele teve, mas simplesmente preferi não ter. _ Seria bom você ler as clausulas.
_ Você não disse que o advogado do banco ia fazer isso?
_ Demi. – reclamou exausto.
_ Tá, tá bom. Quanto tempo eu tenho pra ler isso?
_ Se possível até amanhã. De manhã.
_ Logan! São quase cinquenta folhas.
_ Você tem quase um dia.
_ Quase, não é um dia.
_ E por acaso você tem algo para fazer hoje?
_ Talvez.
_ Pra onde? – perguntou desconfiado.
_ Acredite ou não, o banco não é o meu único problema.
_ Sabe o que é o real problema, Demi? É que para você o banco é um problema. Enquanto você enxergar o banco dessa maneira você não vai conseguir decidir nada por si só. – falou um pouco alterado. _ Eu sei que é difícil, eu sei que você não gosta, mas se for para continuar assim, talvez fosse melhor você contrariar a vontade do seu pai e vender sua parte. Edgar sem duvidas adoraria comprar, até mesmo Ivan, não que ele mereça, mas... Compradores não vão faltar. – As palavras dele atingiram-me em cheio, mas o que ele queria afinal? Pode parecer que não, mas eu estava dando o meu máximo ali.
_ Eu não pedi para estar aqui Logan, eu não pedi para meu pai morrer, eu não pedi para que ele me colocasse nesse cargo. Você fala assim, mas isso é mais que questão de boa vontade. Eu não tenho o conhecimento básico Logan. Você está tentando me passar tudo, eu sei, mas eu não vou aprender em dois dias, você precisou ficar anos na faculdade, eu vi você indo à minha casa toda semana, às vezes mais de uma vez na semana, tirando duvidas com meu pai. – naquele momento meus olhos já ardiam, minha voz estava tremula, não demoraria muito para que eu começasse a chorar. _ Eu não entendo de números, tudo parece demais para mim, eu nem sabia que essas coisas envolviam tanto dinheiro! – nem sei se ele ainda entendia o que eu falava, mas ainda assim continuei. _ Eu não vou negar, eu queria que você resolvesse tudo e eu só assinasse no final, eu não quero me envolver nesse mundo. Eu não sou desse mundo! Eu só quero o meu pai! – minha visão já estava embaçada pelas lágrimas que jorravam sem controle, mas pude sentir seu abraço, era o que ele podia fazer, e nada mais, ele não podia trazer meu pai de volta. Ninguém pode. E essa é uma realidade que eu teria que conviver com.

(...)

Depois do meu desabafo, acabei vindo para casa, Logan me trouxe e disse que iria ler tudo e me traria amanhã para assinar. Eu não queria parecer folgada, nem mesmo exploradora, ele tinha mais coisas para fazer no banco, e eu estava empurrando para ele o meu trabalho também, mas eu não tinha cabeça para ficar lendo clausulas, fora que eu não saberia apontar o que estava certo ou errado, a não ser que fosse algo ridicularmente obvio.
Cheguei à minha casa e Lara nem meus irmãos estavam, Nick me disse que elas estavam resolvendo o problema da escola deles, aparentemente Lara queria coloca-los para estudar em casa. Achei um absurdo, mas dado ao telefonema que recebermos talvez fosse melhor assim por agora.
_ Ela contratou alguns seguranças, dois deles foram que eles. – disse Nick, com a boca meio cheia, mastigando um pão com geleia e creme de amendoim.
_ Eu não ligava de esperar você mastigar para me dar essa noticia. – falei, ele riu.
_ Eu achei importante te dizer logo, antes que você esbarre com um dos seguranças tentando entrar no seu quarto antes que você, só pra checar que não há risco. – agora já tinha engolido.
_ Você tá brincando né? – perguntei. Isso aí já é piração.
_ Não, fizeram isso comigo. E não duvide que farão isso com você. E não se preocupe, eles surgem do nada. Tipo ninjas. – falou fazendo movimentos (meio lentos demais e delimitados, pelo prato em sua mão e o resto do seu sanduiche na outra) de luta.
_ Ah ótimo, não faltava mais nada. – reclamei, deixando-o pra trás e indo até meu quarto. Queria um banho, precisava de me jogar na cama. Apagar por um bom tempo.



Dito e feito, eu estava a dois passos da porta do meu quarto, quando me surge um homem gigantesco (provavelmente gigantesco até mesmo para padrões normais, dado que sou baixa e quase todo mundo é grande demais para mim), vestido de terno, passando em minha frente, e abrindo a porta e entrando primeiro.
_ Ei, não precisa ficar revistando nada aqui não, eu sei que não tem nada! – ignorando-me completamente, ele se abaixa para ver o se tem algo, ou alguém, debaixo da cama. Vendo que não ia adiantar reclamar, esperei que ele fizesse sua vistoria e me deixasse sozinha.
Após olhar até mesmo dentro do meu closet, ele saiu.
Eu fui direto para o banheiro, tomei um banho de banheira, quando saí coloquei a roupa mais confortável que consegui achar e joguei-me na minha cama.

(...)

_ Demi! Demi! Ei, Demi! – eu podia escutar uma voz me chamando, parecia ser Nick. Por um momento pensei que fosse um sonho, mas depois percebi que os cutucões que eu estava sentindo no meu ombro estavam doendo, e por mais que um sonho pudesse ser real, não acho que conseguisse chegar a tanto.
Acordei até meio zonza, meio que sem saber onde eu estava.
_ Que? Que?! Que?! – eu abanava minha mão, tentando bater na mão de Nick que ainda me chacoalhava na cama, mas acabei só acertando o ar.
_ O Joe está aí fora, e é melhor você acordar logo, antes que os seguranças tentem atingir ele com uma arma de choque.
_ Ah, fala pra eles o deixarem entrar. – falei quase voltando a fechar os olhos, eu tinha dormido tão rápido e tão profundamente que meu corpo simplesmente se recusava a acordar e eu não ia fazer muito esforço para contradizê-lo. Provavelmente o fato de na hora eu não ter entendido a gravidade da situação fosse por isso.
_ O Joe está aqui por você, os seguranças não vão o deixar entrar se não for por sua permissão, não adianta eu falar nada. – meus olhos quase se fecharam de novo. _ Demi! – senti meu corpo se mexendo e só acordei quando senti o baque do meu corpo no chão.
_ Porra Nicholas.
_ Acordou agora?
_ Tem outro jeito? – estressei-me. Cadê a paz nessa casa?
_ Dá para você ajudar aquele seu detetive lá? – perguntou também alterado.
_ Me ajuda levantar pelo menos, seu mal educado. – falei, já levantando minhas mãos para que ele me puxasse para cima.

Sai do quarto bufando.
Mas que merda o Joe estava fazendo aqui? Não tínhamos marcado nada! E que merda esses seguranças tem na cabeça? Agora eles que decidem quem entra e quem não entra? Que inferno!
Quando cheguei à sala, a cena foi “linda”, a porta estava semiaberta, tinha dois seguranças interceptando a passagem de Joe, que mal conseguira sair do elevador. Um dos seguranças era o mesmo que entrou no meu quarto, o outro eu não tinha visto ainda, ele era menor que o outro em altura, porém parecia mais másculo.
Cheguei perto deles e praticamente esguelhei:
_ O deixem entrar caramba! – os dois olharam para mim de cima a baixo e se afastaram. Joe ajeitou seu terno e olhando feio para os seguranças entrou no apartamento sem nem mesmo dar um “oi”. Quanta educação. Já é a segunda vez que ele me tira o direito de dormir.


_ Mas que história de ‘seguranças’ é essa agora? – perguntou assim que entrei na sala. Ele gritava, provavelmente, ainda muito irritado.
_ Oi, eu vou bem, obrigada. – já bastava eu e Nick de nervosos aqui, não precisávamos de mais um.
_ Tá, que ótimo. – deu de ombros. _ Dá pra responder?
_ É por causa de uma ligação anônima aí, parece que nos ameaçaram, e aí a Lara pirou e contratou esses brutamontes aí.
_ AH que ótimo! Vocês foram ameaçados! Você pretendia me contar? – pareceu indignado.
_ Ah sei lá, deve ter sido um trote. – eu já tinha coisa demais na minha cabeça, não dava pra lembrar tudo.
_ Sendo um trote ou não, eu deveria ter sido informado.
_ Ah você não é um detetive? Descubra então! – gritei. Estávamos discutindo e nem mesmo sei o porquê.
_ Que foi? Tá de TPM é?
_ Ah você entra aqui sem dizer um ‘oi’, começa a gritar que nem um louco, e da um monte de patada, mas se eu revido na mesma moeda eu estou na TMP, cale a boca!
_ Eu fui barrado na sua porta, e me ameaçaram com uma arma de choque. – justificou-se, ainda gritando.
_ Eu estava dormindo! – gritei mais alto ainda. _ Me jogaram no chão! – sinceramente? Acho minha justificativa tão válida quanto a dele.
_ Uau. – no nervosismo nem mesmo percebi que Nick estava lá e que presenciara toda a briga. _ Emocionante.
_ Eu não estaria assim se você não fosse tão bruto. – falei e ele riu.
_ Foi necessário. –defendeu-se. Não estávamos gritando.
_ Necessário nada! – bufei. _ Afinal de contas, o que você esta fazendo aqui? – perguntei para Joe.
_ Se você atendesse seu celular você saberia.
_ Talvez eu só quisesse um pouco de paz. – reclamei.
_ Pois não vai ser agora que tu vai ter isso. Temos uma hora para chegar à onde entrevistaremos o Juan.
_ Sério que você acordou para isso? Você poderia ter ido sozinho, ele não vai nos levar a nada.
_ Se eu fosse você não ficava tão segura assim.
_ Ah não, porque?
_ Conversei com ele um pouco por telefone e ele pareceu saber demais. Ele pode nos trazer muitas informações novas.
_ Ele pode estar blefando. – dei de ombros.
_ Se tem uma coisa que você deve aprender sobre empregados. Eles sempre sabem demais. – olhei-o em duvida.
_ Nisso ele tem razão, Demi. – meteu-se Nick.
_ Tá. Espere-me um pouco.

Continua
Oi povo do meu coração, não me matem, sei que estou postando tudo nas datas erradas, mas eu juro que todos os capítulos prometidos para esse mês, sairão ainda nesse mês, atrasados ou não, eu os postarei.
Acho, só acho, que no próximo capítulo vocês conseguirão ter uma ideia melhor de quem pode ter sido o assassino, ou quem sabe ficarem mais confusos.
Como estou postando nos dias errados, mudarei o esquema aqui. Os capítulos 32 e 33 sairão no dia 24, os outros continuarão na mesma data, pelo menos por agora.
Espero que tenham gostado dos capítulos, muita briga, muito choro, mas é isso aí mesmo kkkk
Bjssss

Caah: Também não estava ligando muito não, isso até eu deparar com minha nota deplorável e perceber que se eu quiser estudar esse ano, vou ter que pagar faculdade, coisa que eu não tenho a mínima condição financeira de fazer. Mas, fazer o que? Estudar mais nesse ano e tentar pro ano que vem novamente. Kkkk Acho que todo mundo tá ficando com peninha do Logan, no fundo ele é uma boa pessoa. Só temos que ver para qual lado o coração pende mais. Obrigada por comentar. Bjsss
Nessa: Sortuda em? Eu só no próximo ano mesmo, já que com minha nota, o mais perto que chego é da porta mesmo. Mas é isso aí, você faz o que? ~curiosa aqui ~. Espero que tenha gostado do capítulo. Obrigada por comentar. Bjsss
Anônimo: Olá, demorei, mas postei, espero que goste. Obrigada por comentar. Bjsss
Milena: kkkkk que maldade no coração, olha como o Logan é fofo kkkkk (brincadeira). Bom, vai dar uma peninha por agora, mas vai que no final ele também fique bem? Pode ser uma opção ;) Obrigada por comentar. Bjsss

Anônimo: Capitulo postado. Obrigada por comentar. Bjsss 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

29. Ter-te de volta. – The Big Apple



Eu podia ver os olhares, grande parte desconfiados, alguns tentavam disfarçar, fingiam estar concentrados em suas tarefas diárias, mas eu podia sentir suas fitadas em mim, eu podia sentir a pressão encima de mim, Logan tinha alerdado sobre isso, eu só não podia imaginar que seria tão forte assim.
Agarrei-me mais a Logan, que estava ao meu lado, sei que era uma péssima maneira de mostrar autoridade, mas minhas pernas estavam tremula, e preferi passar por medrosa a ser lembrada por ter caído de cara no saguão. Nem mesmo quando entrei no elevador, só eu e Logan, o soltei. Ah, porque meu pai fizera isso comigo?
_ Hey, você está indo bem, amor. – disse Logan, pegando carinhosamente em meu queixo, fazendo-me olhar em seus olhos. _ Esta será a parte mais difícil, assim que isso acabar você vai ver como tudo ficará bem mais natural.
_ Você fala assim porque você está acostumado. – reclamei.
_ E você por acaso se esqueceu de que eu já tive uma primeira vez aqui também? – perguntou sorridente. _ Eu ainda me recordo bem do dia, todos aqueles olhares de desdém, ninguém acreditava que eu daria conta de algo aqui, todos achavam que estava aqui só por ser seu namorado. Eu me lembro de ter passado por esse saguão sozinho, às pressas, quando cheguei ao escritório do seu pai, ele percebeu minha preocupação, sentou comigo, me deu um conselho e graças a isso estou aqui.
_ E qual foi o conselho dele? – perguntei, se o ajudou me ajudaria também. Logan gargalhou e eu estranhei.
_ “Ligue o foda-se, faça o melhor que puder, e espere que o seu melhor seja bom o suficiente para calar a boca desses invejosos lá fora.” – eu ri, só podia ter sido meu pai, os melhores conselhos sempre viriam dele.
_ Me parece um ótimo conselho a se seguir. – comentei.
_ Então, esta mais confiante?
_ Não exatamente.
_ E por quê?
_ Porque ele te disse isso porque sabia que você daria conta do recado, já eu... – as portas do elevador começaram a se abrir, estávamos no andar em que o escritório se localizava. Eu podia ver que o movimento de pessoas aqui era bem mais fraco, mas ainda assim, era o suficiente para que eu sentisse meu coração tornar a acelerar.
_ Seu pai me colocou aqui porque acreditava que eu era bom o suficiente. E se ele te colocou aqui, é porque ele também acredita no mesmo.


O escritório do meu pai continuava intocável, da mesma maneira que o vi da última vez, só que o mais importante ali faltava. O vazio era desconfortante, e cabia a mim preenche-lo.
Logan e Marcelle, a secretaria de meu pai, uma mulher baixinha, conseguiu até ser mais baixa que eu, com o cabelo cor acobreado, liso, na altura dos ombros. Ela vestia um terninho cinza claro, com uma saia da mesma cor. Eu não sabia qual era a sua idade, sua pele até que não tinha rugas, o que me indicava que não era muito velha, mas sempre que sorria, surgia marcas de expressão, como pé de galinha em seus olhos, e sua boca me parecia meio murcha, talvez ela fumasse, e isso explicaria muito bem o porquê dela exalar um cheiro de menta tão forte, ele deveria estar tentando esconder o cheio de cigarro. Eles me apresentaram melhor o banco, dizendo o que acontecia em cada parte e em cada andar, fui apresentada a alguns funcionários e reapresentada a outros. Havia sido divertido, principalmente quando eu esquecia que eu que iria comandar aquilo tudo, o prédio era muito bonito e moderno, deveria ser legal vir trabalhar aqui, claramente que no meu caso isso custaria um pouco mais para se tornar divertido.
Claramente que meu momento diversão iria acabar a reunião com alguns investidores, os outros três donos minoritários do banco, e alguns sócios, começaria em poucos minutos. Logan e eu repassávamos algumas informações que eu deveria saber e fingir que intendia. Claramente que eu adoraria que o eu pudesse decorar um texto em que tudo o que eu precisasse falar estivesse escrito, mas era obvio que não funcionaria; os investidores, sócios e donos minoritários não seguiram meu texto. Eu teria fazer aquilo por mim mesmo.
Assim que saímos do escritório em direção à sala de reunião, fomos interceptados por Marcelle.
_ Perdão Senhorita Lovato, mas tem um rapaz no saguão querendo subir, ele disse que foi requisitado pela senhorita, só que não tem nada marcado na agenda. – disse indicando a agenda em sua mão.
_ Quem é? – perguntei.
_ Seu nome é Joseph Jonas. – disse. Olhei a Logan e seu olhar não era nada agradável, seu maxilar parecia tenso. Ah que merda, Joe tinha que me aparecer logo agora?
_ Ele não foi chamado. – disse Logan.
_ Logan! – reclamei.
_ Ele não tem nada a fazer aqui, Demetria.
_ Sim, ele tem. – tentei manter a voz serena, não queria que Marcelle presenciasse uma briga de casal.
_ Não, ele não tem, negue a entrada dele. – ordenou Logan. Marcelle hesitou, esperava por minha confirmação.
_ Diga-o que soba e que me espere no escritório. – falei e ela consentiu. Não sei se foi coisa da minha cabeça, mas podia jurar te escutado Logan rosnar, sem dizer nada, ele simplesmente saiu em direção à sala de reunião. Agora sim, mais que nunca, era eu por eu.

A reunião não tinha sido boa, eu podia ver no olhar deles, na hora da despedida, que eu não os tinha convencido muito, porem, mesmo não sendo experiente, consegui rebater a todos, mostrar minha opinião e meus planos. Eu não mudaria muito no banco, queria deixar o mais parecido com que o meu pai havia deixado, mas algumas mudanças deveriam acontecer, pois todo ano o mundo muda e novas ideias tem que chegar, para que o banco não fique dito como, ultrapassado, enfrentei um pouco de resistência as minhas ideias com dois dos nove investidores, e também com ninguém mais ninguém menos que com Edgar Loveslen.

_ Você foi bem. – disse Logan, aproximando-se de mim, quando eu já saia da sala de reuniões, para ir até o escritório novamente, onde Joe me esperava.
_ Não sei se eles acham o mesmo. – falei.
_ Eles só não querem dar o braço a torcer. Você sabe, eles já são meio velhos e não admitem ainda que uma mulher possa mandar neles. – disse. Olhei-o, claro que tinha que ter algo assim, não era por bobagem que eu nunca gostei de nenhum deles.
_ Talvez eu seja a mulher errada para mostra-lhes que eles estão errados.
_ Você debateu bem com eles, eu acho que você vai conseguir calar a boca deles em questão de pouco tempo.
_ É. – falei não muito convicta e apertei o passo.
_ O que ele faz aqui? – perguntou. Eu não precisei do nome para saber de quem ele falava, afinal de contas a presença dele também não me saia da cabeça. O tom de Logan era calmo, provavelmente a reunião tinha sido o suficiente para que ele esfriasse a cabeça.
_ Vamos investigar algumas pessoas aqui dentro. – respondi.
_ Você pode me falar quem? – ele acompanhava meus passos, já estávamos perto do escritório.
_ Não. – respondi. Olhei-o de canto de olho e ele não demonstrou estar ofendido com minha resposta, mesmo que fosse compreensivo que ele estivesse.
_ Posso indicar um suspeito? – perguntou. Estranhei, ele estava querendo... Ajudar? Pior, ele desconfia de alguém?
_ Pode. – parei para escuta-lo.
_ Ele não está aqui hoje, está de férias, é um dos investidores, ele é bem rico, investe não só aqui, mas em vários outros bancos ao redor do mundo. Ele chama Ivan Blackenwood, não faz muito tempo ele fez uma proposta a seu pai, de comprar uma parte das ações dele no banco, seu pai se recusou.
_ E você acha que ele mataria meu pai por isso? – perguntei.
_ Não. – respondeu obvio. _ O problema é a razão pelo qual seu pai não o deixou comprar nenhuma ação. Todos aqui sabem que ele e seu pai não são melhores amigos, na verdade, se não fosse pelo banco, eles se odiariam. O fato é, Ivan é um homem muito corrupto, seu dinheiro foi adquirido das piores maneiras possíveis.
_ Quando você fala “das piores maneiras possíveis.” O que você quer dizer?
_ Ele está ligado a políticos corruptos. Participa de lavagem de dinheiro, já comprou laranjas para suas falcatruas. Fora que, suspeitam que ele esteja envolvido com quarteis de drogas e seria daí que ele acumulou riquezas.
_ Meu pai sabia disso?
_ Sabia. – respondeu. _ Mas seu pai era um homem corajoso, mesmo sabendo que Ivan é um homem perigoso, abriu um processo contra ele, esse processo era dado como ganho para o lado do seu pai. E isso tiraria milhões de dólares de Ivan.
_ E ele continua a investir no banco? Mesmo com essa briga com meu pai?
_ Sim. O que é bem estranho. Talvez, não sei, pode ser uma hipótese, ele só continue a investir para servir de distração. – choquei-me com a revelação de Logan, meu pai havia sido corajoso, mas sua coragem pode tê-lo levado ao tumulo.
_ Obrigada. – falei. Recuperando-me.
_ Eu estou torcendo para que você ache o assassino do seu pai logo. – disse, ele estava sendo sincero. _ E depois que você fazer a justiça em nome do seu pai. Espero poder ter-te de volta.

Continua

E aí galera? Quem fez enem? Conseguiram ver suas notas? Eu infelizmente já consegui e me arrependo, não fui bem L bom, foi a primeira vez e vamos ver no que dá né?


Nessa: Espero que tenha gostado. Muito obrigada por comentar. Bjsss

sábado, 10 de janeiro de 2015

27. Diga-me e 28. Ninguém – The Big Apple.


27. Diga-me – The Big Apple

Quando entrei no apartamento fui surpreendida com todos na sala, esperando-me.
_ Demi, por Deus, onde você estava? – perguntou Lara, vindo até a mim e abraçando-me forte.
_ Eu dormi na casa de uma amiga. – menti. _ Eu falei para Lauren. – apontei a ela, quando Lara me soltou.
_ Sim, mas você demorou tanto a voltar. Ligamos para todas as suas amigas mais próximas, nenhuma soube informar seu paradeiro. – ela parecia bem preocupada, me senti uma criancinha ou uma adolescente novamente, precisando de tanto cuidado e preocupação assim. Percebi Lauren e Nick olhando para o casaco em minha mão, Lara não parecia ter reparado e Lucas, pobre Lucas, ele sempre está distraído demais para perceber algo.
_ Eu fui à casa de praia. – resolvi falar a verdade, no fim das contas Lauren e Nick iriam me interrogar mesmo, já que, claramente reconheceram que o casaco era de meu pai, então preferi poupar-lhes o trabalho.
_ Mas... Mas... – começou sem saber o que dizer. _ Você nem mesmo saiu com o carro. – disse, serio que esta era sua preocupação?
_ Por isso demorei. – respondi, aproveitando-me do fato. Ela suspirou, acalmando-se e tornou a me abraçar, desta vez correspondi.
_ Só não faça mais isso, não podemos perder mais ninguém. – acariciou minha face de um jeito tão maternal que estranhei. Lara sempre foi uma boa madrasta, mas agora ela não estava mais agindo como Lara, a madrasta, mas como Lara, a mãe, do mesmo jeito amoroso e natural que ela agia com Lauren e Lucas e totalmente diferente do jeito carinhoso, porem, meio mecânico, que ela sempre me tratou.
_ Também, não é pra tanto. – falei, não era a primeira vez que eu dormira fora e chegara meio tarde. _ Não estamos correndo risco de vida. – ri porem logo parei, quando percebi que ninguém me acompanhou. _ Ou estamos? – perguntei.
_ Lucas, meu amor, você não tem nenhum jogo para jogar? Não quer ler um livro ou quem sabe, dormir? Aproveitar este restinho de férias. – disse, era incrível como Lara sempre que nos quer longe, não tenta disfarçar, já te manda fazer algo que não seja ficar por perto de uma vez. Lucas revirou os olhos, ele sempre é o que sofre mais com isso, e nunca escode a insatisfação de ser o excluído das conversas. Emburrado ele subiu as escadas, provavelmente para seu quarto, onde poderia jogar videogame.  _ Vamos sentar, vamos. – disse, já saindo na frente e se sentando no sofá. Lauren que não parava de olhar para o casaco, se sentou vagarosamente, enquanto Nick apenas se recostou no braço do sofá. Sentei-me ao lado de Lara. _ Hoje nós recebemos um telefonema estranho. – começou a dizer, tentando parecer calma, mas sua voz um pouco tremula e denunciou seu nervosismo.
_ Telefonema estanho? – incentivei-a a continuar.
_ É. – sorriu forçado. _ Era um homem, pelo menos parecia com a voz de um homem, dizendo para que tomássemos cuidado, pois acidentes fatais poderiam acontecer se não ficássemos quietos. – meu coração disparou.
_ Mas pode ter sido um trote, não pode? – perguntei.
_ Sim, eu acreditei que era, mas quando não te achamos entramos em desespero. – agora tudo fazia bem mais sentindo para mim. _ Nós te ligamos e você não atendeu... – falou.
_ Mas eu não recebi nenhuma ligação. – defendi-me, pegando o meu celular em minha bolsa para provar. Ah ótimo. _ Desligado. – vi. _ Sem bateria. – conclui ao tentar ligar e tudo o que apareceu na tela foi a imagem de uma bateria vazia. _ Desculpa, eu nem fazia ideia do que estava acontecendo.
_ Não tens culpa, só vamos nos manter mais em casa nesses próximos dias. Nada de saídas longas, se não recebermos mais nenhum telefonema poderemos nos tranquilizar. Eu acho. – tentou um sorriso. _ No final das contas deve ter sido só um trote mesmo.
_ Próxima segunda as aulas voltarão. – falou Lauren.
_ E amanhã eu já começo no banco, então eu vou ter que sair. – falei. Se eu estou animada? Nem mesmo perto disso, mas era o que meu pai queria, e eu deveria aceitar. Lara suspirou cansada, era muito para ela.
_ Nós veremos sobre isso filha. – disse a Lauren. _ e sobre o banco. – agora era comigo. _ Logan ligou, ele não sabe que achamos que você estava desaparecida, não queríamos desesperar o rapaz também. Ligue para ele, ele disse que quer com você ainda hoje. – ah, que ótimo, Logan. E agora? Como fingir que está tudo bem?
_ Tudo bem, eu vou colocar o celular para carregar e ligarei para ele. – respondi.


(...)


Pior que saber que essa conversa não terminaria tão cedo, era saber que eu teria que encarar outra logo depois. Nicholas demonstrou um interesse quase que urgente em falar comigo, eu não sabia o que ele queria, mas eu o conheço bem o suficiente para saber que não sairia boa coisa dali.
Enquanto isso eu tinha que escutar Logan me passando alguns princípios básicos para que eu não fizesse feio amanhã. Aparentemente, os banqueiros não iriam se sensibilizar com minha perda, nem com minha falta de experiência, no momento em que eu pisasse no escritório do banco, estaria correndo riscos de perder tudo que meu pai construiu.
_ Demi? Demi? Você está prestando atenção? – perguntou Logan e eu despertei dos meus devaneios.
_ Estou... É... Muito número. – tentei justificar.
_ Eu nem cheguei aos números ainda. – falou risonho. Ah que ótimo.
_ É que. – fiz careta. _ Não tem como você comandar tudo e eu só assinar os papeis? – ele hesitou em responder.
_ Ter, tem, mas seria bom se você pelo menos soubesse o que está assinando. – disse por fim.
_ Eu confio em você.
_ Eu sei, mas, de qualquer maneira você vai ter que ir lá, me apresentar como seu representante, e terá que participar de algumas reuniões, você é a maior proprietária de lá, não tem como eu chegar lá como se eu fosse você. – explicou. _ Eu não tenho tanta bunda. – gargalhei. Logan sem duvidas é bem sério, se permite muito pouco a descontração, mas quando se permite não falha em me fazer rir. Talvez eu realmente devesse ficar com ele.
Ele se aproximou para beijar-me, e por um momento eu pensei que tudo seria como sempre, mas algo não estava certo, aqueles lábios não mais me satisfaziam, e pior é que ele parecera perceber. Sorriu fraco ao separarmos os lábios, claramente insatisfeito, e provavelmente desconfiado.
_ Desculpa. – falei.
_ Por quê?
_ Eu não sou a mesma de antes. – falei, eu realmente não era, eu tinha mudado, e talvez eu tenha mudado mais do que pensavam em relação a ele.
_ Eu sei. Você esta passando por um momento muito difícil, Demi. Mas eu estou aqui, e vou esperar por você, vou esperar até que você possa retornar ao que era.
_ Talvez você não devesse.
_ Eu não vou te abandonar justo no momento em que você mais precisa de apoio.
_ Eu não mereço isso.
_ Como não? – perguntou preocupado. Ele se aproximou de mim e abraçou-me forte. _ Demi, eu te amo tá? Eu estou aqui por você.
_ Você diz isso agora. – falei.
_ Eu estarei sempre com você. – falou e apertou-me mais ainda.
_ Você não sabe o que eu fiz. – falei sem pensar e senti meu corpo todo ficar tenso, torcendo para que ele não tenha percebido.
_ Então o que aconteceu? O que eu preciso saber Demi? – perguntou e soltou-me. _ diga-me.

Continua

28. Ninguém – The Big Apple.

Sabe quando você está prestes a fazer algo na qual você sabe que vai se arrepender? Pois é, esse é o momento em que eu me encontro agora.
Logan estava na minha frente, ele esperava por uma resposta, e eu só tinha duas opções: Mentir, e piorar a minha situação, fazendo com que a bola de neve na qual eu me encontro cresça mais. Ou falar a verdade, acabar com o sofrimento e começar com outro.
_ Tem haver comigo? – perguntou ao ver que eu não respondia. _ Eu sei que eu estou sendo insensível. – falou. _ Você assim, sofrendo pelo seu pai, e eu falando sobre o banco, desculpa. – pareceu arrependido. _ Você deve estar me odiando agora... – riu fraco. _ Vamos parar um pouco. Tomar um ar. Vamos sair pra jantar, já tem tempo que não fazemos isso.
_ Eu não sei... – deixa-lo na ilusão de que meu único problema era a morte de meu pai era mais fácil, porem vê-lo assim, tentando me animar, quando eu não estou desanimada, mas sim arrependida, era muito ruim.
_ Vamos, escolha qualquer um, um simples, um chique, sua decisão. – sorriu. Eu podia ver no seu olhar que ele não desistiria de mim, se eu o quisesse longe eu teria que falar a verdade._ Gigino, você ama esse restaurante, esse tempinho pede um italiano, não? – ele sorria esperançoso, eu não conseguiria dizer a verdade.
_ Você espera eu me arrumar? – perguntei, eu teria que acostumar, eu nunca teria Joe, Logan é meu noivo, é com ele que eu devo ser feliz. É com ele que eu serei feliz.


(...)

Eu não podia ser injusta, Logan estava tentando. Sempre em que saíamos era a mesma coisa, no começo ele tentava um assunto, mas logo depois me enchia com coisas do banco, eu nunca me importei, afinal de contas eu o amava e eu também o enchia com coisas sobre a faculdade, provavelmente ele sabe sobre ícones da moda mais que muitas mulheres por aí. Porem hoje não, hoje ele simplesmente apagou o assunto “banco” da nossa conversa e se concentrou em me falar sobre coisas aleatórias, ele se deixou relaxar.
_ Um dia, nós dois iremos comer uma massa italiana, na Itália. E aí poderemos ver se essa aqui dá jus ao nome.
_ Por acaso você está duvidando da qualidade do macarrão? – perguntei.
_ Ah, sei lá, sempre dizem que o original é melhor. – deu de ombros, enquanto enrolava mais macarrão no garfo. _ Queria saber como que se pode existir uma versão melhor dessa macarronada.
_ Bom, estou disposta a me sacrificar a uma viagem até a Itália por isso. – falei e ele riu.
_ Que tal na nossa lua de mel? – perguntou sugestivo.
_ Não sei, pensei que pudéssemos ir antes.
_ Por quê? Você acha que vamos demorar muito se fossemos para lua de mel?
_ Teríamos que nos casar primeiro.
_ Eu sei, e podemos olhar isso. – falou.
_ Você está me pedindo em casamento?
_ Você aceitaria se eu pedisse?
_ Logan, nós conversamos sobre isso. – tentei falar sem que eu acabasse machucando-o. _ Casamento só depois de eu me formar, e se possível já esta trabalhando.
_ Você ainda vai continuar estudando? – perguntou. _ Quero dizer... O banco pode ocupar uma boa parte do seu tempo, mesmo você não sendo tão ativa por lá. – hesitei, eu não tinha pensado nisso, na verdade, eu não estava pensando em nada.
_ Você acha que eu não consigo?
_ Bom, não é que eu ache que você não consiga, só acho que você vai se esgotar muito com isso.
_ E você acha que eu conseguiria programar um casamento com tudo isso? – perguntei.
_ Bom, você tem sua irmã e sua madrasta e tem minha mãe também, você juntas conseguiriam. Eu acho.
_ Você nunca teve pressa para se casar, o que mudou?
_ Eu me arrependo de já não está casado com você. Sabe, eu sei que seu pai adoraria ter te levado ao altar. Eu poderia muito bem ter dado esta experiência para ele, mas eu não fiz... Eu me arrependo por isso.
_ Você não deveria se sentir assim.
_ Então case comigo? Eu faço um pedido formal a sua família, faço algo mais lindo que o que Sam fez para Camilla, caso você prefira... Só, aceite. – pedira, largando o garfo no prato, já quase vazio. E pegando minha mão firmemente. Travei, eu não queria aquilo, não agora, eu ainda estava com Joe em minha mente, eu não podia casar com ele, não enquanto no meu pensamento outro homem estivesse dominando.
_ Logan, tem como você só esperar mais um pouco? Meu pai acabou de morrer, não vai ser legal começar a planejar uma festa, não tão cedo. – tentei justificar e pude sentir seu desapontamento.
_ Eu não vou te obrigar a nada Demi, tenha seu tempo, eu te espero.


(...)


Quando cheguei em casa, tudo o que eu queria era desmoronar em minha cama e dormir, o dia tinha sido longo demais, eu não aguentaria mais uma surpresa. Agora, vai dizer isso a Nick...

_ Tá, continue deitada, mas fique a acordada, o que eu tenho pra dizer é importante. – disse.
_ Tá, vai, fala. – desisti.
_ Primeiro, eu não creio nessa história que você foi à casa de praia sozinha. – começou. _ Mas isso é assunto para outra noite, uma em que você não esteja tão cansada.
_ Então, o que você quer? – perguntei, tentando não dar muita importância ao primeiro assunto, no fundo eu sabia que seria difícil enganar Nick, tentar fugir também não adiantaria.
_ Sobre o telefonema de hoje. – falou. _ Você não acha suspeito esse telefonema? – perguntou.
_ Como assim?
_ Você esta fazendo aquela investigação, não está?
_ Sim.
_ Demi, você talvez esteja se metendo com gente mais perigosa do que nós possamos imaginar. E se algum suspeito já esteja tentando, por medo, parar essa investigação? – levantei-me, e sentei-me na cama.
_ Mas, não tem muita gente que saiba sobre isso, só entrevistamos um suspeito e, até mesmo Joe o colocou como inocente.
_ Tem certeza que não tem muita gente sabendo sobre isso?
_ Não, só eu, você, o Joe, a Lara, e talvez a família do Joe, mas não acho que eles saibam o suficiente. Ah e o Logan. – terminei. _ Isso é muito? – perguntei sem jeito.
_ O Logan não comentou com alguém do banco? Pode ter sido muito bem alguém do banco, se eles descobrem algo assim...
_ Não, o Logan não faria isso. – tentei defende-lo.
_ Tem certeza?
_ Ele não é de fazer fofocas.
_ Talvez seja melhor você averiguar sobre isso Demi, eu não creio que essa ligação tenha sido um trote, como a Lara quer acreditar. – disse preocupado. _ Você tem que perceber que essa investigação pode estar pondo a vida de todos em risco. Demi, é a vida da sua família.
_ Então o que você me sugere?
_ Só fique quieta sobre isso, já tem gente demais envolvida, deixe com que Joe olhe isso, ele é o profissional. E tome cuidado. Estamos em um momento em que ninguém é confiável. Simplesmente, ninguém.

Continua.
Novos capítulos postados, espero que vocês tenham gostado.

Milena: Espero que goste destes capítulos também. Muito obrigada por comentar. Bjsss

Caah: como prometido, postei, espero que tenha gostado destes capítulos. Muito obrigada por comentar. Bjsss