sábado, 10 de janeiro de 2015

27. Diga-me e 28. Ninguém – The Big Apple.


27. Diga-me – The Big Apple

Quando entrei no apartamento fui surpreendida com todos na sala, esperando-me.
_ Demi, por Deus, onde você estava? – perguntou Lara, vindo até a mim e abraçando-me forte.
_ Eu dormi na casa de uma amiga. – menti. _ Eu falei para Lauren. – apontei a ela, quando Lara me soltou.
_ Sim, mas você demorou tanto a voltar. Ligamos para todas as suas amigas mais próximas, nenhuma soube informar seu paradeiro. – ela parecia bem preocupada, me senti uma criancinha ou uma adolescente novamente, precisando de tanto cuidado e preocupação assim. Percebi Lauren e Nick olhando para o casaco em minha mão, Lara não parecia ter reparado e Lucas, pobre Lucas, ele sempre está distraído demais para perceber algo.
_ Eu fui à casa de praia. – resolvi falar a verdade, no fim das contas Lauren e Nick iriam me interrogar mesmo, já que, claramente reconheceram que o casaco era de meu pai, então preferi poupar-lhes o trabalho.
_ Mas... Mas... – começou sem saber o que dizer. _ Você nem mesmo saiu com o carro. – disse, serio que esta era sua preocupação?
_ Por isso demorei. – respondi, aproveitando-me do fato. Ela suspirou, acalmando-se e tornou a me abraçar, desta vez correspondi.
_ Só não faça mais isso, não podemos perder mais ninguém. – acariciou minha face de um jeito tão maternal que estranhei. Lara sempre foi uma boa madrasta, mas agora ela não estava mais agindo como Lara, a madrasta, mas como Lara, a mãe, do mesmo jeito amoroso e natural que ela agia com Lauren e Lucas e totalmente diferente do jeito carinhoso, porem, meio mecânico, que ela sempre me tratou.
_ Também, não é pra tanto. – falei, não era a primeira vez que eu dormira fora e chegara meio tarde. _ Não estamos correndo risco de vida. – ri porem logo parei, quando percebi que ninguém me acompanhou. _ Ou estamos? – perguntei.
_ Lucas, meu amor, você não tem nenhum jogo para jogar? Não quer ler um livro ou quem sabe, dormir? Aproveitar este restinho de férias. – disse, era incrível como Lara sempre que nos quer longe, não tenta disfarçar, já te manda fazer algo que não seja ficar por perto de uma vez. Lucas revirou os olhos, ele sempre é o que sofre mais com isso, e nunca escode a insatisfação de ser o excluído das conversas. Emburrado ele subiu as escadas, provavelmente para seu quarto, onde poderia jogar videogame.  _ Vamos sentar, vamos. – disse, já saindo na frente e se sentando no sofá. Lauren que não parava de olhar para o casaco, se sentou vagarosamente, enquanto Nick apenas se recostou no braço do sofá. Sentei-me ao lado de Lara. _ Hoje nós recebemos um telefonema estranho. – começou a dizer, tentando parecer calma, mas sua voz um pouco tremula e denunciou seu nervosismo.
_ Telefonema estanho? – incentivei-a a continuar.
_ É. – sorriu forçado. _ Era um homem, pelo menos parecia com a voz de um homem, dizendo para que tomássemos cuidado, pois acidentes fatais poderiam acontecer se não ficássemos quietos. – meu coração disparou.
_ Mas pode ter sido um trote, não pode? – perguntei.
_ Sim, eu acreditei que era, mas quando não te achamos entramos em desespero. – agora tudo fazia bem mais sentindo para mim. _ Nós te ligamos e você não atendeu... – falou.
_ Mas eu não recebi nenhuma ligação. – defendi-me, pegando o meu celular em minha bolsa para provar. Ah ótimo. _ Desligado. – vi. _ Sem bateria. – conclui ao tentar ligar e tudo o que apareceu na tela foi a imagem de uma bateria vazia. _ Desculpa, eu nem fazia ideia do que estava acontecendo.
_ Não tens culpa, só vamos nos manter mais em casa nesses próximos dias. Nada de saídas longas, se não recebermos mais nenhum telefonema poderemos nos tranquilizar. Eu acho. – tentou um sorriso. _ No final das contas deve ter sido só um trote mesmo.
_ Próxima segunda as aulas voltarão. – falou Lauren.
_ E amanhã eu já começo no banco, então eu vou ter que sair. – falei. Se eu estou animada? Nem mesmo perto disso, mas era o que meu pai queria, e eu deveria aceitar. Lara suspirou cansada, era muito para ela.
_ Nós veremos sobre isso filha. – disse a Lauren. _ e sobre o banco. – agora era comigo. _ Logan ligou, ele não sabe que achamos que você estava desaparecida, não queríamos desesperar o rapaz também. Ligue para ele, ele disse que quer com você ainda hoje. – ah, que ótimo, Logan. E agora? Como fingir que está tudo bem?
_ Tudo bem, eu vou colocar o celular para carregar e ligarei para ele. – respondi.


(...)


Pior que saber que essa conversa não terminaria tão cedo, era saber que eu teria que encarar outra logo depois. Nicholas demonstrou um interesse quase que urgente em falar comigo, eu não sabia o que ele queria, mas eu o conheço bem o suficiente para saber que não sairia boa coisa dali.
Enquanto isso eu tinha que escutar Logan me passando alguns princípios básicos para que eu não fizesse feio amanhã. Aparentemente, os banqueiros não iriam se sensibilizar com minha perda, nem com minha falta de experiência, no momento em que eu pisasse no escritório do banco, estaria correndo riscos de perder tudo que meu pai construiu.
_ Demi? Demi? Você está prestando atenção? – perguntou Logan e eu despertei dos meus devaneios.
_ Estou... É... Muito número. – tentei justificar.
_ Eu nem cheguei aos números ainda. – falou risonho. Ah que ótimo.
_ É que. – fiz careta. _ Não tem como você comandar tudo e eu só assinar os papeis? – ele hesitou em responder.
_ Ter, tem, mas seria bom se você pelo menos soubesse o que está assinando. – disse por fim.
_ Eu confio em você.
_ Eu sei, mas, de qualquer maneira você vai ter que ir lá, me apresentar como seu representante, e terá que participar de algumas reuniões, você é a maior proprietária de lá, não tem como eu chegar lá como se eu fosse você. – explicou. _ Eu não tenho tanta bunda. – gargalhei. Logan sem duvidas é bem sério, se permite muito pouco a descontração, mas quando se permite não falha em me fazer rir. Talvez eu realmente devesse ficar com ele.
Ele se aproximou para beijar-me, e por um momento eu pensei que tudo seria como sempre, mas algo não estava certo, aqueles lábios não mais me satisfaziam, e pior é que ele parecera perceber. Sorriu fraco ao separarmos os lábios, claramente insatisfeito, e provavelmente desconfiado.
_ Desculpa. – falei.
_ Por quê?
_ Eu não sou a mesma de antes. – falei, eu realmente não era, eu tinha mudado, e talvez eu tenha mudado mais do que pensavam em relação a ele.
_ Eu sei. Você esta passando por um momento muito difícil, Demi. Mas eu estou aqui, e vou esperar por você, vou esperar até que você possa retornar ao que era.
_ Talvez você não devesse.
_ Eu não vou te abandonar justo no momento em que você mais precisa de apoio.
_ Eu não mereço isso.
_ Como não? – perguntou preocupado. Ele se aproximou de mim e abraçou-me forte. _ Demi, eu te amo tá? Eu estou aqui por você.
_ Você diz isso agora. – falei.
_ Eu estarei sempre com você. – falou e apertou-me mais ainda.
_ Você não sabe o que eu fiz. – falei sem pensar e senti meu corpo todo ficar tenso, torcendo para que ele não tenha percebido.
_ Então o que aconteceu? O que eu preciso saber Demi? – perguntou e soltou-me. _ diga-me.

Continua

28. Ninguém – The Big Apple.

Sabe quando você está prestes a fazer algo na qual você sabe que vai se arrepender? Pois é, esse é o momento em que eu me encontro agora.
Logan estava na minha frente, ele esperava por uma resposta, e eu só tinha duas opções: Mentir, e piorar a minha situação, fazendo com que a bola de neve na qual eu me encontro cresça mais. Ou falar a verdade, acabar com o sofrimento e começar com outro.
_ Tem haver comigo? – perguntou ao ver que eu não respondia. _ Eu sei que eu estou sendo insensível. – falou. _ Você assim, sofrendo pelo seu pai, e eu falando sobre o banco, desculpa. – pareceu arrependido. _ Você deve estar me odiando agora... – riu fraco. _ Vamos parar um pouco. Tomar um ar. Vamos sair pra jantar, já tem tempo que não fazemos isso.
_ Eu não sei... – deixa-lo na ilusão de que meu único problema era a morte de meu pai era mais fácil, porem vê-lo assim, tentando me animar, quando eu não estou desanimada, mas sim arrependida, era muito ruim.
_ Vamos, escolha qualquer um, um simples, um chique, sua decisão. – sorriu. Eu podia ver no seu olhar que ele não desistiria de mim, se eu o quisesse longe eu teria que falar a verdade._ Gigino, você ama esse restaurante, esse tempinho pede um italiano, não? – ele sorria esperançoso, eu não conseguiria dizer a verdade.
_ Você espera eu me arrumar? – perguntei, eu teria que acostumar, eu nunca teria Joe, Logan é meu noivo, é com ele que eu devo ser feliz. É com ele que eu serei feliz.


(...)

Eu não podia ser injusta, Logan estava tentando. Sempre em que saíamos era a mesma coisa, no começo ele tentava um assunto, mas logo depois me enchia com coisas do banco, eu nunca me importei, afinal de contas eu o amava e eu também o enchia com coisas sobre a faculdade, provavelmente ele sabe sobre ícones da moda mais que muitas mulheres por aí. Porem hoje não, hoje ele simplesmente apagou o assunto “banco” da nossa conversa e se concentrou em me falar sobre coisas aleatórias, ele se deixou relaxar.
_ Um dia, nós dois iremos comer uma massa italiana, na Itália. E aí poderemos ver se essa aqui dá jus ao nome.
_ Por acaso você está duvidando da qualidade do macarrão? – perguntei.
_ Ah, sei lá, sempre dizem que o original é melhor. – deu de ombros, enquanto enrolava mais macarrão no garfo. _ Queria saber como que se pode existir uma versão melhor dessa macarronada.
_ Bom, estou disposta a me sacrificar a uma viagem até a Itália por isso. – falei e ele riu.
_ Que tal na nossa lua de mel? – perguntou sugestivo.
_ Não sei, pensei que pudéssemos ir antes.
_ Por quê? Você acha que vamos demorar muito se fossemos para lua de mel?
_ Teríamos que nos casar primeiro.
_ Eu sei, e podemos olhar isso. – falou.
_ Você está me pedindo em casamento?
_ Você aceitaria se eu pedisse?
_ Logan, nós conversamos sobre isso. – tentei falar sem que eu acabasse machucando-o. _ Casamento só depois de eu me formar, e se possível já esta trabalhando.
_ Você ainda vai continuar estudando? – perguntou. _ Quero dizer... O banco pode ocupar uma boa parte do seu tempo, mesmo você não sendo tão ativa por lá. – hesitei, eu não tinha pensado nisso, na verdade, eu não estava pensando em nada.
_ Você acha que eu não consigo?
_ Bom, não é que eu ache que você não consiga, só acho que você vai se esgotar muito com isso.
_ E você acha que eu conseguiria programar um casamento com tudo isso? – perguntei.
_ Bom, você tem sua irmã e sua madrasta e tem minha mãe também, você juntas conseguiriam. Eu acho.
_ Você nunca teve pressa para se casar, o que mudou?
_ Eu me arrependo de já não está casado com você. Sabe, eu sei que seu pai adoraria ter te levado ao altar. Eu poderia muito bem ter dado esta experiência para ele, mas eu não fiz... Eu me arrependo por isso.
_ Você não deveria se sentir assim.
_ Então case comigo? Eu faço um pedido formal a sua família, faço algo mais lindo que o que Sam fez para Camilla, caso você prefira... Só, aceite. – pedira, largando o garfo no prato, já quase vazio. E pegando minha mão firmemente. Travei, eu não queria aquilo, não agora, eu ainda estava com Joe em minha mente, eu não podia casar com ele, não enquanto no meu pensamento outro homem estivesse dominando.
_ Logan, tem como você só esperar mais um pouco? Meu pai acabou de morrer, não vai ser legal começar a planejar uma festa, não tão cedo. – tentei justificar e pude sentir seu desapontamento.
_ Eu não vou te obrigar a nada Demi, tenha seu tempo, eu te espero.


(...)


Quando cheguei em casa, tudo o que eu queria era desmoronar em minha cama e dormir, o dia tinha sido longo demais, eu não aguentaria mais uma surpresa. Agora, vai dizer isso a Nick...

_ Tá, continue deitada, mas fique a acordada, o que eu tenho pra dizer é importante. – disse.
_ Tá, vai, fala. – desisti.
_ Primeiro, eu não creio nessa história que você foi à casa de praia sozinha. – começou. _ Mas isso é assunto para outra noite, uma em que você não esteja tão cansada.
_ Então, o que você quer? – perguntei, tentando não dar muita importância ao primeiro assunto, no fundo eu sabia que seria difícil enganar Nick, tentar fugir também não adiantaria.
_ Sobre o telefonema de hoje. – falou. _ Você não acha suspeito esse telefonema? – perguntou.
_ Como assim?
_ Você esta fazendo aquela investigação, não está?
_ Sim.
_ Demi, você talvez esteja se metendo com gente mais perigosa do que nós possamos imaginar. E se algum suspeito já esteja tentando, por medo, parar essa investigação? – levantei-me, e sentei-me na cama.
_ Mas, não tem muita gente que saiba sobre isso, só entrevistamos um suspeito e, até mesmo Joe o colocou como inocente.
_ Tem certeza que não tem muita gente sabendo sobre isso?
_ Não, só eu, você, o Joe, a Lara, e talvez a família do Joe, mas não acho que eles saibam o suficiente. Ah e o Logan. – terminei. _ Isso é muito? – perguntei sem jeito.
_ O Logan não comentou com alguém do banco? Pode ter sido muito bem alguém do banco, se eles descobrem algo assim...
_ Não, o Logan não faria isso. – tentei defende-lo.
_ Tem certeza?
_ Ele não é de fazer fofocas.
_ Talvez seja melhor você averiguar sobre isso Demi, eu não creio que essa ligação tenha sido um trote, como a Lara quer acreditar. – disse preocupado. _ Você tem que perceber que essa investigação pode estar pondo a vida de todos em risco. Demi, é a vida da sua família.
_ Então o que você me sugere?
_ Só fique quieta sobre isso, já tem gente demais envolvida, deixe com que Joe olhe isso, ele é o profissional. E tome cuidado. Estamos em um momento em que ninguém é confiável. Simplesmente, ninguém.

Continua.
Novos capítulos postados, espero que vocês tenham gostado.

Milena: Espero que goste destes capítulos também. Muito obrigada por comentar. Bjsss

Caah: como prometido, postei, espero que tenha gostado destes capítulos. Muito obrigada por comentar. Bjsss

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

25. Que seja assim e 26. Quem manda – The Big Apple

25. Que seja assim – The Big Apple

Acordar após a noite que tive foi incrível. Eu nunca pensei que iria sentir o que eu senti com Demi, poderia muito bem ter sido só sexo, mas não, ela não tinha sido como as outras que passaram por minha vida. É estranho e bem clichê, mas algo a mais acontecera debaixo daqueles edredons. Algo muito maior que apenas um sexo por diversão.
E o problema é exatamente esse.
Se antes eu já me sentia agarrado a ela. Agora está bem pior.  
_ Hey, você acordou. – ela apareceu na porta do quarto, ela vestia uma calça jeans clara e um moletom maior que ela, o que a deixou... Fofa... Pois é, acabo de pensar na noite quente que tive com ela e ela vem toda fofa. Como te entender Demetria?
_ Acordei, e você não estava do meu lado. – falei, fazendo bico, fingindo decepção. Ela deu uma risada fraca, olhou para o chão, tímida, mas logo retornou o olhar para cima, porém, nesse exato momento percebi que algo estava errado. Levantei-me.
_ Fui até a praia um pouco. – suspirou. _ pensar... – concluiu. Fui até a ela, e vi seus olhos vermelhos.
_ O que está acontecendo? Você está bem? – perguntei preocupado. Será que eu tinha feito algo errado? Será que ela está chorando de arrependimento? Ela deu um sorriso fraco que saiu tão forçado que meu coração até mesmo doeu. Ela não estava nada bem, e eu podia ser culpado pela tristeza dela.
_ Não é nada. – falou. Segurei em suas mãos.
_ Você está arrependida? – perguntei, ela pareceu parar para pensar.
_ Não é isso Joe, é... É o lugar. – olhou em volta. _ Ontem parecia que tudo estava tão bem, mas... Mas hoje, acordar, olhar pra fora... Foi uma lembrança atrás da outra. Foi como se meu cérebro estivesse esperando que eu vesse meu pai lá na cozinha, todo mundo esperando por um café da manhã preparado por ele, e todos sabendo que logo após nós iriamos pra praia, passar um dia brincando... Perceber que não, foi meio que um choque. Eu estou enchendo minha cabeça com tanta coisa que... Nem mesmo passei pelo luto direito, eu... Eu nem mesmo me toquei que meu pai morreu... Eu... Eu. –ela começara a chorar e eu fiquei sem reação, ela parecia estar sentindo uma dor inexplicável, e não é por menos, ela perdera o pai. Tentei abraça-la, e por um momento ela deixou, mas logo começou a me afastar. _ Eu... Vou tomar um banho. – disse aos soluços. _ Você pode andar por aí. – saiu sem nem mesmo me dar uma chance de resposta. Não que eu tivesse uma.

Sem ter o que fazer, e com Demi demorando demais no banho, se é que ela realmente foi apenas tomar um banho, após passar pela cozinha e atacar a fruteira, comecei a andar pela casa.
Eu não tinha percebido ontem à noite como a casa era grande, bem maior que a cobertura em que ela vive e com um numero desnecessário de quartos.
Quando fiz o caminho de volta, percebi algo que não tinha antes, um dos quartos não era exatamente um quarto, mas sim um escritório, pelo jeito o pai de Demi não tinha um real descanso nem em uma praia como essa.
Quase que por instinto entrei no escritório, eu não esperava encontrar grande coisa, para falar a verdade, não parecia que eu encontraria grandes coisas por lá. O escritório é quase igual o da cobertura, as mudanças ficam com os títulos do livro na estante e a grande janela aberta atrás da grande mesa em qual ele se sentava, isso deixava o ambiente bem mais iluminado e calmo.
Olhando tudo parecia estar em seu devido lugar, provavelmente quem cuida dessa casa, mesmo na ausência dos donos, são bem organizados. Senti-me na cadeira que ele deveria sentar, e surpreendi-me com seu conforto. Em cima da mesa, além de seu computador, que estava desligado, só havia um envelope preto, pude ler seu nome escrito em uma letra bonita prateada na parte de trás. Provavelmente deveria ser um convite, talvez de um casamento ou algo assim. Por curiosidade, peguei o envelope que tinha sido já aberto.
Talvez fosse o destino mostrando que eu ainda deveria ter esperança, me mostrando que eu talvez eu estivesse seguindo o caminho certo, me colocando novamente na rota.
Dia 16 de novembro, data da festa de aniversario de Wilmer Valderrama. Um dos maiores suspeitos. Aniversario dele um mês antes da morte de Eddie. A arma que Logan comprou, poderia muito bem ter sido para dar um presente a Wilmer. A história fechava. Agora só faltava investigar os fatos.

Corri para o quarto de Demi e a encontrei terminando de colocar um casaco, que parecia meio masculino e grande demais nela, logo percebi que se tratava, provavelmente, de um casaco de Eddie. Ela se assustou com minha entrada desesperada.
_ Demi. Eu tenho uma nova pista, e eu acho que você vai gostar.



(...)


Aos poucos Demi pareceu melhorar, ela segurava o casaco de Eddie que pegara na casa de praia, como se o casaco fosse protege-la, eu queria falar com ela, mas nós não sabíamos tão bem como agir dentro do carro. E agora? Acabou? Passamos uma noite juntos, transamos e...? Seria assim? Ela voltaria para o noivo e eu para... Casa dos meus pais? Agora era a minha vez de ficar mal.


_ Eu juro que eu te conto tudo, eu vou gravar no meu celular.
_ Mas eu quero entrar. – disse. Estávamos os dois no estacionamento do prédio em que Wilmer trabalha.
_ Ele não vai crer que sou da policia se você entrar junto.
_ Então não fale que você é da policia, você não é policial.
_ Mas para fazer um questionamento a ele, sem que isso envolva um pedido judicial ou advogado do lado, eu tenho que ser policial.
_ Mas eu quero ir. – bateu o pé.
_ Tá, tá, tá. – concordei já irritado. Não teria jeito de eu convence-la a esperar no carro. _ Mas só hoje e nunca mais.
_ Mas quando eu te contratei eu falei que queria acompanhar a investigação de perto. – reclamou.
_ Eu sei, mas o seu de perto não deveria ser tão perto. Isso pode atrapalhar tudo.
_ Mas você concordou.
_ Se eu estivesse fazendo meu trabalho do jeito que eu costumo fazer, você só me veria duas vezes: No dia da contratação e no dia que você me pagar após eu lhe entregar o resultado. Você saber os nomes de suspeitos e fato de eu estar disposto a te mostrar todas as gravações que eu fizer só mostra que eu estou te incluindo na investigação. – exaltei-me um pouco.
_ Mas isso não basta para mim.
_ Por hoje eu deixo passar, mas a partir das próximas, o meu jeito de te incluir, vai ter que te bastar.  
_ Sabe, você já foi bem mais legal. – reclamou.
_ Bom, muita coisa mudou.
_ Eu sei, muita coisa mudou! Principalmente depois que você entrou na minha vida!
_ Ah, me desculpe ok? Já que pelo jeito a culpa é minha. – é, agora estávamos brigando.
_ Talvez seja, se você não fosse tão... Tão... – ela parecia estar tendo muita dificuldade para terminar a frase ou talvez estive se censurando para não falar alguma besteira. _ Nós mal nos conhecemos, e... Eu transei com você ontem! Eu nem mesmo sei onde eu estava com a cabeça. – exasperou.
_ Você talvez não saiba, mas eu sei exatamente onde eu estava com a minha. – ela olhou-me assustada. É, eu tinha falado merda. Mas por incrível que pareça, ao invés de ficar mais brava ela começou a rir.
_ Mas que merda Joe. Você poderia ser menos insensível. – falou, assim que ela se recuperou da crise de riso, eu acabei relaxando e rindo também.
_ Eu não sou insensível, eu estou falando a verdade. E se você quer saber mais, eu não me arrependo dessa noite que tivemos, foi a melhor que eu já tive. – acabei liberando tudo. Ela olhou para frente, fitando a vaga a nossa frente, vazia. Naquele momento senti que tinha falado demais e arrependi-me.
_ Essa noite que tivemos. – falava baixo, quase que não a escutei direito. _ me fez repensar muito sobre minha relação com Logan. – concluiu.
_ E qual é o seu pensamento final?
_ Eu pensei em terminar com ele, mas... – claro que teria um ‘mas’, sempre tem que ter um ‘mas’, _ eu tenho uma relação com ele, uma relação de anos, eu estou noiva dele, eu não posso larga-lo por algo indeterminado. Eu não posso me separar dele se for só transas ocasionais, se for para me separar, eu quero ter a segurança que terei você a meu lado, mas seriamente ao meu lado, eu quero poder confiar que você terá olhos apenas para mim, assim como o Logan tem para mim. – fiquei meio surpreso com sua proposta. Então era assim, ela se separava de Logan no momento em que eu prometesse ser seu namorado, o namorado mais fiel possível, mas e ela? Eu realmente poderia confiar nela? Se ela esta traindo Logan por mim, quem pode me dar 100% de certeza que eu não serei traído também? Ela?
_ Eu gosto de você, gosto até demais para falar a verdade e sinceramente? Isso me irrita muito, eu não deveria ter esse tipo de sentimento por você.
_ E porque não?
_ Porque isso me faz querer ter um relacionamento com você e eu não posso. – fui sincero, eu queria ser o namorado de Demi, queria poder chama-la de minha, queria poder sair de mãos dadas com ela sem medo de ser reconhecido, e sem temer as consequências negativas que isso nos causaria. Mas eu também queria tê-la sabendo que ela realmente seria minha, que ela não me trairia com nenhum outro.
_ Eu me separo do Logan e nós poderemos... – começou a dizer animada e eu a interrompi antes que aquilo piorasse e me fizesse mudar de ideia.
_ Não é isso Demi, eu entendi muito bem essa parte, mas... Você quer esse monte de garantias e o que você tem para me oferecer?
_ Como assim?
_ Você quer que eu só tenha olhos para você, que eu me envolva em algo sério, que eu seja seu, você quer que eu seja o novo Logan, mas olha o que está acontecendo com ele? Ele é o tudo de bom, mas isso não o impediu de estar sendo traído, quem pode garantir que eu não vou acabar do mesmo jeito se eu me relacionar com você? Eu não quero ser o bobo desta historia.
_ Mas Joe. – pareceu chocada com minhas palavras.
_ Essa é a realidade Demi, você não confia em mim 100%, tanto que você está exitosa em largar Logan por mim exatamente por isso, pois você não acha que eu seja capaz de manter um relacionamento serio e eu não posso reclamar, eu já dei motivos para isso, mas eu também não posso confiar em você, e você também não pode reclamar, você me deu motivos para isso. Eu sou seu amante.
_ Foi a primeira vez que eu o traio, eu não faço isso, eu não sou isso que você está pensando. – defendeu-se.
_ Pois é, e você gostou, você está gostando, o que te impede de fazer isso novamente?
_ Se eu tivesse gostando tanto quanto você acha, eu não estaria tentando resolver isso.
_ Eu não realmente vejo como você está tentando resolver isso.
_ Eu estou querendo me separar dele por você, eu quero parar de trai-lo para ficar com você, isso não é resolução o suficiente para você? – esbravejou.  
_ E talvez você devesse mesmo se separar dele, pois se você quer larga-lo assim é porque você não o ama de verdade, pois se eu disser que não vou ficar com você, você irá continuar com ele, sem amor. Ou sei lá, talvez o não amado aqui seja eu, talvez você só queria trocar, sei lá, quem sabe eu sou melhor na cama, não é? – ela ficou vermelha de raiva.
_ Quer saber? Esquece, esqueça tudo! – tirou o cinto de segurança. _ E vamos logo, temos uma investigação a fazer, já tá mais que na hora disso terminar de uma vez. – abriu a porta do carro, saiu, e bateu-a com força. Pelo retrovisor pude vê-la indo até o elevador que nos levaria até o andar em que Wilmer trabalha. Ela não olhou para trás, nem mesmo para checar que eu a acompanhava. Eu realmente a tinha irritado, agora, após ver o resultado das minhas palavras, percebo que fui duro até demais com ela, mas talvez assim fosse melhor. Nós dois juntos não funcionaria, e eu estava facilitando pro lado dela, não deixando com que ela se envolvesse mais por mim, com o tempo eu sei que a esquecerei também, é só terminarmos essa investigação, será melhor assim. É bem melhor que seja assim.

Continua

26.  Quem manda – The Big Apple

Controlar a raiva bem no seu momento auge chega até ser doloroso, tudo que eu queria fazer agora era gritar, bater, quem sabe chorar? Mas com quem? Nem mesmo o causador da minha da minha raiva deveria pagar por isso, pois a culpa era toda minha, eu que tinha sido a idiota da história, eu poderia muito bem ter continuado firme no que eu creio, eu poderia ficado quieta no meu canto, não ter-me deixado levar por uma tentação idiota.

_ Posso ver seu distintivo? – perguntou a secretaria de Wilmer, que não parava de me fitar de canto, como se estivesse desconfiada da minha presença junto a Joe, o investigador policial. Joseph mostrou o seu distintivo, o qual eu sabia que era falso, mas que foi bom o suficiente para enganar a secretaria, que se levantou para ir até a sala de Wilmer. _ Esperem só um pouco. – falou simpática, simpatia cinicamente falsa que toda secretaria parece adquirir após alguns meses de trabalho.
Enquanto ela foi até o escritório do patrão, Joe aproveitou-se para aproximar de mim, continuei com os braços cruzados e decidida a não dar o braço a torcer.
_ Eu pergunto e você fica quieta. – disse. Eu sabia que ele gostaria de uma resposta, como um “sim, tudo bem”, mas ficar calada foi a maneira que eu encontrei de não acabar me exaltando novamente.
A secretaria volta e com o mesmo sorriso forçado nos informa que Wilmer nos esperava em seu escritório.

Sem duvidas o prédio era bem maior por dentro do que por fora se fazia parecer, provavelmente o escritório todo em vidro desce esta impressão, já que dizem que muitas janelas e espelhos dão a ilusão de mais espaço. Wilmer nos recebeu na porta, cumprimentando Joseph com um aperto de mão. Antes de cumprimentar-me ele hesitou e olhou-me de maneira estranha.
_ Senhorita Lovato. – parecia indeciso sobre minha identidade, mas estendeu sua mão para cumprimentar-me. _ Acertei? – perguntou, quando o cumprimentei com o aperto de mão.
_ Acertou. – confirmei. Ele arqueou a sobrancelha com minha resposta, claramente surpreso com minha presença.
_ Podem sentar-se. – apontou para as cadeiras frente a sua mesa de trabalho, lá tinham três cadeiras, Joe sentou na mais para esquerda, e eu, após pular a cadeira ao seu lado, sentei-me na mais a direita. Distancia era a regra da vez, quanto maior, melhor.
Ele se sentou em sua cadeira, que era igual a nossa. Apesar de ser um escritório gigantesco, tudo era bem simples e minimalista, principalmente se comparado a de meu pai, que era também era grandioso, talvez não tanto quanto o de Wilmer, mas sem duvida era bem mais luxuoso, com moveis de lojas conceituadas, tecnologia de ponta, e outro bens por lá guardado, de preço inestimável...
_ A que devo a visita de um... Investigador policial, certo? – perguntou, dirigindo-se a Joseph.
_ Sim senhor.
_ Provavelmente essa foi uma pergunta bem idiota de se fazer. – falou, interrompendo Joe, que ia começar a falar. _ Dado que a filha do senhor Lovato está aqui também. Não é muito mistério o contesto desta reunião urgente, sem horário marcado... Querem beber algo? – ele não parava de falar.
_ Pelo jeito o senhor não tem muita pressa. – observou Joseph, fazendo-o, por fim, parar de falar.
_ Vocês deram sorte, hoje não tenho nenhuma reunião marcada, começo de ano, férias. – revirou os olhos. _ Ninguém está muito afim de trabalhar. – Joe pegou sua pasta, a mesma que ele sempre levava quando nos encontrávamos para falar sobre a investigação, pasta que eu nem mesmo percebera que ele havia trazido. De dentro dela, ele tira um gravador e põe encima da mesa, logo após pega seu bloquinho de notas, o mesmo que ele usara para escrever os nomes dos suspeitos, e uma caneta.
_ Mas e você? Não tem interesses em fazer uma viajem? Afinal de contas, é férias.
_ Gosto de ficar aqui. – respondeu, ajeitando-se na cadeira. _ Nova Iorque tem tudo, se eu quiser ir a China, tenho um bairro todo para isso, quiser ver gente falando outra língua é só ir à Times Square ou no Central Park, numa época dessas é cheia de turistas, não há nada que o mundo possa me oferecer lá fora que eu não encontre aqui.
_ Novos ares... Novas paisagens.
_ Por causa do meu trabalho já fui obrigado a passar muito tempo da minha vida viajando. Viajar virou meu trabalho, ficar aqui se tornou minhas férias. Fiz-me mais claro?
_ Sem duvidas. – respondeu Joseph, e anotou algo em seu bloquinho.
_ Perguntar sobre viajem vai realmente ajudar na investigação? Você poderia ir muito bem até a pergunta principal...
_ Não é o senhor que não estava com pressa? O que o fez mudar de ideia?
_ Eu continuo sem ter pressa, só creio que seu tempo não deveria ser gasto com perguntas bobas...
_ Não há do que se preocupar Valderrama, eu também tenho o dia livre hoje. – Wilmer pareceu odiar a notícia, e por algum motivo, eu estava com ele.
_ Então que seja, mais alguma pergunta inútil, senhor investigador?
_ Você parece estar tendo certa dificuldade em me chamar de investigador, posso saber o motivo? Não gosta de policia?
_ Não sou muito chegado a polícia, já tive certos encontros com tais, que me deixam com receio, mas não é esse minha razão de hoje.
_ Problemas com policia? – perguntou Joe, tentando fazer com que ele falasse mais sobre isso.
_ Sou filho de imigrantes, meu pai não foi o homem mais adorável do mundo. Chegar aonde cheguei é quase um milagre. – falou Wilmer. _ Policiais não são muito chegados em imigrantes, somos visto sempre como potenciais ladrões ou traficantes e infelizmente quase sempre nós somos. Não que você saiba, imigrantes europeus não tem o mesmo azar. – Joseph ignorou a fala de Wilmer.
_ Mas você se manteve um homem honesto pelo que vejo.
_ Fiz o melhor que pude para manter-me no caminho certo.
_ Então qual é o seu problema comigo?
_ Não é com você, exatamente. É que vocês dois... – fez careta. _ Vocês realmente querem que eu acredite que você é um investigador da polícia?
_ Ele tem idade o suficiente para isso. – falei, defendendo-o, mesmo sabendo que ele não merecia. Wilmer riu fraco e Joe olhou-me repreensivo. Eu deveria estar quieta – lembrei-me. – mas era difícil fingir-se de invisível quando você não é.
_ Não digo pela idade, senhorita Lovato, digo, pois nunca soube que uma cidadã, comum, pudesse acompanhar uma investigação assim... Tão de perto. – afundei-me na cadeira, como Joe havia dito, as pessoas desconfiariam dele se eu estivesse junto.
_ Ela está sendo uma grande aliada nesta investigação. – disse Joe, sem perder a postura séria. _ Por ser uma investigação fechada, sem grandes alardes a imprensa, apenas em conjunto com os familiares, não cremos que haja tanto problema assim. Isso aqui não precisa ser tão sério ou regrado, finjamos que é apenas uma conversa entre amigos. – falou como se desse de ombros.
_ O problema é que eu não costumo ter conversas com meus amigos que possam me levar para cadeia.
_ E por acaso você deve temer ir para cadeia?
_ Talvez. Querendo ou não eu estou em desvantagem aqui. Fui inimigo do senhor Lovato por muito tempo e estou faturando com a morte dele, sem duvidas vão sempre suspeitar de mim, pelo menos enquanto não acharem o real assassino.
_ Posso perceber que você não crê que ele tenha se matado.
_ Claro que não. – respondeu sem hesitar.
_ E porque não?
_ Eu não conhecia muito o Eddie, mas ele não tinha jeito de quem desistiria da vida. Apaixonado pela família. – disse e olhou-me, dando um sorriso fraco, quase como se sentisse por mim, mas sentisse de verdade, não era fingimento. _ Banqueiro dedicado, bom no que fazia... Se ele realmente era depressivo a tal ponto, ele sabia esconder muito bem. – falou. _ Ele parecia ser bem feliz. – completou, meio que pensativo.
_ Você fala que não conhecia muito bem o senhor Eddie, mas não posso deixar de observar que você convidou o senhor Lovato para o seu aniversário.
_ Sim. – respondeu.
_ Mas se vocês eram inimigos...
_ Sim. – respondeu. _Quer dizer. – pareceu confuso. _ Não exatamente. Nós fomos inimigos, mas no meio do ano passado fomos obrigados a nos juntarmos e com isso ficamos mais amigos. Tornamo-nos colegas.
_ E o que os obrigou a juntarem?
_ O governo concedeu ao meu banco e ao bando de Eddie os direitos sobre um banco de pequeno porte falido. Com isso tivemos que nos juntar para fazer a separação do quê iria ser comandado por mim e o que seria por ele. O banco nos separou, e também foi o banco que quase nos uniu.
_ Ele compareceu a sua festa? – perguntou Joe.
_ Ele foi apenas de passagem, ele teria um jantar em família, algo assim, e não pode ficar muito.
_ Ele lhe deu algum presente?
_ Sim.
_ Qual?
_ Uma arma.
_ Qual?
_ Winchester.
_ Poderia dar mais informação sobre a arma?
_ Na verdade é uma revolver. Revólver Colt Single Action Frontier, caliber 22. – respondeu tranquilo. Tentei manter-me tranquila também, assim como Joe, que não demonstrara nenhum sentimento, mas era difícil, essa era a mesma arma que Logan comprara.
_ Sei que o senhor é um amante da caça esportiva. Você usa tal revolver para caça?
_ Não, foi uma arma criada a muito tempo como arma para militares, não é de caça. Guardo como parte da minha coleção.
_ Você tem uma coleção de armas?
_ Sim, Eddie acertou em cheio no presente, a linha Colt Single é quase um clássico, a demanda é grande, é um tipo de arma disputada entre os colecionadores.
_ Se eu lhe disser que a arma que atirou em Eddie foi uma Colt Single? – Wilmer arregalou os olhos assustados.
_ Pelo jeito minha situação está bem complicada, não é? – perguntou.
_ Não sei, onde você estava no dia da morte do senhor Lovato?
_ Em uma festa, na mesma festa em que ele iria. – disse. _ Eu tenho como comprovar. Tenho fotos. – ele se desesperara um pouco.
_ Ficou lá até o fim da festa? – perguntou.
_ Sim, quase até o fim, para dizer a verdade. Já era mais de meia noite quando voltei para casa.
_ Você por acaso acha que alguém possa ter pegado sua arma e utilizado dela para lhe incriminar?
_ Não, minha casa é bem segura, câmeras por todas as partes, a não ser que fosse algum empregado, mas para isso todos deveriam se envolver. – suspirou, ele não mais demonstrava a tranquilidade de antes, saber mais sobre os fatos parece tê-lo deixado bem atordoado. _ Eu não o matei. – falou firmemente. _ Sei que tudo indica para mim, mas eu juro por tudo que não sou assim. Muitos me acham ruim e frio por caçar, mas eu nunca matei uma vida humana e jamais faria, principalmente agora que estávamos nos dando bem. Se fosse para mata-lo, o teria feito há uns três anos atrás, naquela época nós estávamos no auge das nossas brigas. – Joe começara a anotar em seu bloquinho novamente. _ Devo começar a olhar com meu advogado?
_ Talvez fosse bom deixar o numero dele no numero de urgência. – confirmou Joseph.
_ Eu não o matei. – murmurou inconformado.
_ Relaxe um pouco, você não é o único suspeito. Vamos olhar os outros antes de te importunar de novo. – Wilmer não pareceu muito convencido, mas concordou com a cabeça.
_ Eu estou disposto a ajudar na investigação, caso queiram, mais que nunca quero que essa investigação termine logo. – disse.
_ Sem problemas senhor Wilmer, saberei onde lhe encontrar. – sorriu, fechou o bloquinho, desligou o gravador e levantou-se. Levantei-me junto e Wilmer também levantou-se.
Após Wilmer nos levar até a porta do escritório e termos uma breve despedida, comecei a reavaliar tudo o que acontecera e todos os fatos que ele relatara. Percebi que não seria tão fácil assim, eu costumava a não gostar de Wilmer, nunca cheguei a falar com ele, pelo menos não antes de hoje, mas eu sabia de sua briga com meu pai, por isso o odiava de qualquer jeito, porém, hoje, após falar com ele, percebi que talvez ele não fosse o monstro que eu imaginava, algo me fazia crer nele mais do que eu queria crer.
Ele poderia tanto ser o culpado, seria tão mais fácil, acabaríamos com isso de uma vez. Mas não, ele pareceu tão real...

_ O que você achou? – perguntei a Joe, que hesitou antes de responder-me.
_ Sinceramente? Inocente. – respondeu. _ Eu sei que tudo aponta para ele, mas para mim, ou ele é um ótimo ator, ou é apenas muito azarado.
_ Ele pareceu realmente assustado com a possibilidade de ser o assassino. – comentei. _ Eu gostaria de não dizer isso, mas, eu também acho que ele é inocente. – a porta do elevador se abriu, entramos e ele apertou o botão do estacionamento. _ Qual é o próximo suspeito?
_ Edgar Loveslen.
_ Mas...
_ Eu sei que você não acredita muito na culpabilidade dele, mas eu insisto em uma entrevista.
_ Tudo bem. – concordei, talvez fosse bom escuta-lo um pouco, pelo menos no que se diz a investigação.
_ Você irá me ajudar novamente.
_ Mas você disse que eu estar perto iria atrapalhar...
_ Eu sei, só que desta vez é diferente.
_ O que mudou?
_ Você disse que quer participar, não é?
_ Sim. – confirmei.
_ Você agora é a nova dona do banco, não é?
_ Sim.
_ Você agora mandará nele, você é a chefe. Faça uma reunião com ele, fale que eu sou um ajudante seu, eu me encarrego de te mostrar o que você tem que perguntar, eu fico lá observando e lhe ajudando, quando necessário. Nós vamos entrevista-lo e ele nem mesmo vai perceber. – a porta do elevador se abriu e saímos.
_ Você está querendo que eu o entreviste? – perguntei chocada. Como assim? Eu não saberia me controlar ou me impor como Joseph faz.
_ E porque não? Você é a chefe, é você quem manda.
Continua
Ei gente, desculpa, eu fui passar o domingo na casa da minha avó e atrasei aqui para vocês, mas como prometido postei os dois capítulos.
Espero que tenham gostado.

Comentem e até dia 9 J

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Melhores de 2014



Olá, gostaria muito de agradecer a todos que votaram por mim. São dois anos escrevendo, e essa é a primeira vez que fui indicada a uma premiação, sem duvidas um reconhecimento como esse só me faz querer melhorar ainda mais. Sei que podem achar bobo eu ficar tão feliz por um segundo lugar, mas ao olhar com as autoras que eu estava disputando e por, como já disse, ter sido minha primeira nomeação, para mim já foi um grande prazer e honra.
Volto a agradecer a vocês, pois sem vocês não estaria aqui nesse blog. Agradeço também ao Rui e Diana (Blog) e a Marina (blog) por pensarem em mim nas indicações.

Maratona de Janeiro

Ei galera, aconteceu um incidente, então os capítulos sairão mais atrasados que o planejado por mim no inicio, mas o importante é que vão sair. Posto abaixo as datas de postagens da maratona de janeiro:

Capitulo 25 e 26 – dia 04/01/2015 > aqui < 
Capitulo 27 e 28 – dia 09/01/2015
Capitulo 29 – dia 13/01/2015
Capítulo 30 – dia 17/01/2015
Capítulo 31 – dia 21/01/2015
Capítulo 32 – dia 22/01/2015
Capítulo 33 – dia 23/01/2015
Capítulo 34 – dia 26/01/2015
Capítulo 35 – dia 29/01/2015

Capítulo 36 e 37– dia 31/01/2015


sábado, 27 de dezembro de 2014

24. Última Noite – The Big Apple



Constantemente em nossa vida somos postos a teste, alguns, os mais religiosos, acreditam que Deus nos planta teste para descobrir se somos realmente merecedores do céu ou não, eu não gosto muito desta ideia, acredito que se nós nos envolvemos em alguma merda é unicamente por nossa culpa, e se não somos capazes de resisti-la, também é por nossa própria fraqueza. Eu sempre resisti muito bem às tentações, e não foi por falta de oportunidades, por ser rica, sempre fui rodeada por amigos de famílias ricas, que cresceram crendo que estão acima da lei, o que no fundo, não deixa de ser mentira. Drogas, rachas, pequenos roubos... Para tudo isso eu já fui chamada, nunca aceitei, com o tempo tais convites pararam, pois aprendi a me afastar dessas pessoas.
Quando Joe apareceu em minha vida, a primeiro momento pensei que nada de extraordinário aconteceria, a não ser o fato de descobrir o assassino de meu pai, mas em pouco tempo esse meu pensamento se tornou errôneo e eu me deixei levar por uma tentação que eu nunca imaginei que me deixaria cair por.
A traição.
Trair não é bonito, na verdade é bem burro, é bem simples, se você quer ficar com uma pessoa, fique, mas se você já estiver comprometida com outra pessoa, decida-se. É um pensamento simples, mas que, por motivos tolos, eu não consigo seguir.

Eu já havia cometido o mesmo erro duas vezes. E agora, prestes a cometer pela terceira vez, tudo o que eu quero é continuar, mas tudo o que eu me digo é que essa será a última vez.

Um dia. Por um dia eu esqueceria Logan. Por um dia Logan não faria mais parte de minha vida. Por um dia Joe seria o único.


Saímos do café meio que sem rumo, não poderíamos ir para lugares que poderíamos encontrar alguém, desta vez não poderíamos deixar ninguém nos ver, outras pessoas não seriam tão boas quanto Sam, Camilla ou Nick, e muito menos tão animadas quanto Lauren.
_ Eu sei de um lugar. – falei, estávamos rodando a cidade no carro de Joe, e o mais fofo de tudo, era que toda a hora que o sinal fechava, ele passava o tempo inteiro com a mão direita sobre a minha. Nem mesmo me lembro da ultima vez que Logan fez algo assim comigo. Joe estava fazendo com que tudo parecesse mais calmo, menos perigoso, menos errado. Quem olhasse de fora realmente acharia que somos namorados, estávamos agindo com um casal, e um casal dos mais apaixonados. _ É meio longe, e provavelmente isso nos custaria mais que um dia. - sorri sugestiva. Já que seria a ultima vez, porque então limitar a tão pouco tempo?
_ De quanto tempo a mais estamos falando? – perguntou, entendendo minha jogada.
_ Bom, cerca de três horas se o transito estiver bom. – falei e esperei uma reação dele, ele pareceu ainda estar tranquilo com a ideia. _ E como já está bem tarde, até chegarmos lá já será noite, então poderíamos passar a noite lá e voltamos de manhã.
_ E onde seria? – perguntou.
_ Na casa de praia, fica em East Hampton e agora no inverno todas as casas vizinhas estão vazias, e os empregados ainda estão de férias, só voltarão na próxima semana, muita pouca gente fica por lá, só quem realmente vive lá. É um ótimo lugar. – tentei fazer com que a ideia soasse tão boa quanto parecia ser para mim.
_ Você não vai arranjar problemas por isso?
_ Não, digo que vou dormir na casa de alguma amiga e estarei livre, não que eu realmente precise dar satisfações a alguém, afinal de contas, já sou maior de idade. – Joe riu. _ Quê?
_ Isso foi bem fofo. – falou. Levantei a sobrancelha direita.  _ Parece aquelas garotinhas mimadas que acabaram de completar maior idade e acham que já podem fazer qualquer coisa, mas acabam não fazendo nada, pois dependem do dinheiro dos pais. – riu.
_ Talvez eu seja assim. – falei e ele parou de sorrir sem graça. Bom, eu ainda dependo do dinheiro do meu pai, e se dependesse dele, eu iria ser a pessoa mais mimada do mundo, faltou muito pouco pra que eu não virasse uma patricinha.
_ Eu não acho que você seja assim. Você só falou como se fosse. – tentou defender-se. Não que fosse necessário, eu não havia ficado chateada, afinal de contas, eu não me achava uma patricinha, e quando eu consegui minha maior idade eu não saí fazendo merdas, na verdade essa era primeira merda que eu estava fazendo desde então. _ E mesmo se você fosse. Eu gosto de você do jeito que você é. – falou, e desta vez eu que ri. _ Quê? Não acredita é?
_ Foi engraçado você tentando se justificar. Eu não me senti ofendida não tá? – sorri e ele sorriu também.
_ Tá, tá, vamos parar de rir um do outro. – disse com um sorriso fraco e eu o percebi ficando um pouco vermelho. _ Me diga como chegar à casa de praia, e... – hesitou. _ Vamos passar uma noite juntos. – sorriu.
_ Ok. – sorri de volta e comecei a guia-lo.


Durante o caminho foi meio complicado arranjar um assunto que durasse, pois tudo nos levava de volta para a investigação ou sobre Logan, dois assuntos que eu queria evitar. Eu queria ter uma noite feliz, uma noite realmente feliz, lembrar-me da morte do meu pai ou que eu estava a trair meu noivo não me daria felicidade, mas sim tristeza e vergonha.

_ E o que ela respondeu? – perguntou Joe, sobre a mensagem que mandei a Lauren, explicando o porquê não dormiria em casa, claramente não lhe disse a verdade, mesmo sabendo que ela adoraria. Eu ri.
_ Não sei quem é mais curioso, você ou ela. – ele olhou-me de relance com cara de deboche. Eu ri. Era estranho, estávamos indo para passar uma noite secreta juntos, portanto, somos amantes, mas sei lá, é assim que uma relação de amantes acontece? Ao mesmo tempo em que parecíamos apenas um casal apaixonado (o que eu ainda não consegui decidi se realmente é) parecíamos como dois amigos bobos (e que talvez pudéssemos ser, se nós tivéssemos mais tempo de convívio) _ Ela perguntou na casa de qual amiga eu vou dormir. – respondi a sua pergunta. Já estávamos na costa de Nova Iorque, se continuássemos na mesma velocidade, em menos de meia hora chegaríamos a East Hampton.
_ E o que você vai responder? – perguntou.
_ Eu já te disse que você é curioso? – ri e ele acabou rindo também.
_ Só checando. – defendeu-se.
_ Bom, já que é assim, eu vou simplesmente responder que não é da conta dela.
_ Uma flor de delicadeza. – disse irônico.
_ Não duvido nada que você e Selena não se respondem da mesma maneira. – falei. Lauren e eu sempre nos tratamos meio que ironicamente demais, só que antes da ironia era bruta e sempre acabava numa briga, porem agora que estamos nos aproximando mais, nos conhecendo mais, as ironias passaram a serem piadas, por mais que talvez tenham um fundo de verdade, agora simplesmente não doía mais, riamos apenas, nada de briga. É tudo tão mais fácil. Como eu me arrependo de não ter começado essa paz bem antes.
_ Eu só pensei que duas meninas ricas e bem educadas fossem mais afáveis.
_ E eu posso lhe garantir que duas meninas ricas podem ser tão brutas quanto qualquer um. – falei, e sinceramente? Ricos apenas sabem esconder melhor suas sujeiras e falta de educação, pois vivemos da aparência, mas entre o nosso meio, com os mais chegados, podemos ser um poço de má educação.
_ E qual ser o seu nível de má educação? – perguntou.
_ Ah, sei lá, qual é o seu? – dei de ombros.
_ Desde que mudei para cá eu participava assiduamente a um campeonato de cuspe a distancia. – falou todo orgulhoso. 
_ Eu participei já de um campeonato de custe a distancia também, foi na terceira série, praticamente todos os meninos da turma estavam lá, só eu e mais uma menina que participamos. Eu fiquei em quarto lugar.
_ Eu comentei que o ultimo campeonato foi feito no quarto de um dos meus amigos. E não foi mirando para a janela. – falou. Ew. Ele riu da minha cara de nojo. _ Ah sim! Essa última vez foi ano passado. – complementou.
_ Quando você fala ano passado...
_ Sim, o ano que terminou há dois dias.  Mais precisamente em julho. – meu deus, homens, tão imaturos.
_ Bom. – tentei começar, por algum motivo, por mais nojento que fosse, estava legal falar sobre suas porqueiras, quase como uma disputa para descobrir quem era mais nojento. _ Se eu tomar coca eu arroto o dia inteiro. E eu não sei arrotar pra dentro, nem mesmo baixo. – ele gargalhou.
_ Sexy. – Desta vez eu que não me segurei. Sem duvidas, muito sexy.
_ Eu sabia arrotar o alfabeto das vogais. Hoje em dia não tenho mais folego pra isso.
_ Folego? Não seria, gases? – perguntei.
_ Não, gases eu tenho de sobra. – respondeu. Revirei os olhos.
_ Você está se mostrando um porco humano.
_ E como você acha que eu estou me sentindo em relação a você agora? – perguntou.
_ Ah. – dei de ombros. _ Também sou humana.
_ Eu sei. –disse. _ Só que vocês, mulheres, sempre parecem ser bem mais...
_ Mais...
_ Ah sei lá, nem parece que você fazem essas coisas. – disse. _ Sempre tão educadas e delicadas e cheias de si. Nós homens que somos os porcos da sociedade. – eu ri.
_ Pois saída que somos como vocês, só que fomos educadas a não sair gritando nossas nojeiras em publico. – ele riu.
_ Então quer dizer que toda mulher é nojenta? – ri da sua conclusão.
_ Tanto quanto qualquer homem. – respondi.
_ Você está me fazendo olhar para todas as mulheres de maneira bem mais diferente. – falou.

(...)

_ A vista daqui é linda. – estávamos na varanda do primeiro andar da casa de praia. Pegamos um colchão de casal do quarto de visitas, uns travesseiros, improvisamos uma fogueira que apagou rápido, já que o vento gélido nos castigava, e acabamos nos cobrindo com camadas e camadas de edredons, toucas, luvas, meias e blusas de frio. Aqui não estava nevando como em Nova Iorque, pelo menos não por agora, mas o vento estava bem mais forte, o fazia que a sensação de frio fosse igual ou até maior. _ Esse mar. As pedras do outro lado. Dá pra ver até um farou. Pequeno, mas dá pra ver.
_ Meu pai já nos levou no farou uma vez, aquele farou já esta abandonado há um tempo, aqui não tem muita rota de navios nem de nenhum outro barco então... Mas foi um dia muito legal, nem mesmo Lucas tinha nascido e a Lauren era bem miúda ainda.
_ Você deve ter boas lembranças daqui. – disse ele.
_ Muitas. – confessei. _ A maioria com meu pai mesmo.
_ Deve ser péssimo para você estar aqui então.
_ Não. – falei. _ Por incrível que pareça é bom. Eu gosto de lembra-lo, gosto de lembrar-me sua vida, isso me faz perceber que foi tudo real e que eu ainda posso lembrar-me dele. O problema é que sempre acabo me lembrando de que ele morreu. Lembrar-me da sua morte que é péssimo para mim. – Joe aconchegou-se mais a meu lado e abraçou-me bem forte.
_ Então vamos pensar em coisas boas.
_ Por exemplo?
_ Vamos pensar em nós dois aqui. Nessa praia maravilhosa, sozinhos, uma noite inteira só para nós dois. – ergueu-se sobre mim e demos um selinho. _ Parece bom o suficiente?
_ Me parece mais que bom. – respondi. Ele sorriu.

O beijo começou quase como automaticamente. Estávamos perto demais para tentar resistir, não havia ninguém por perto, porque não?
Quando o beijo começou a ficar quente demais, percebi que talvez fosse uma boa ideia parar, mas estava tão bom...
Aos poucos minha mente foi relaxando e me deixei levar, deixei-me ir pelo momento de prazer que Joe estava me proporcionando. Desliguei minha mente, e não parei, nem mesmo quando as coisas começaram a ir longe demais.


A luz da lua e as fracas luzes vindas de dentro da casa eram tudo o que nos iluminava agora. A nossas peles descobertas vez e outra eram chicoteadas pelo vento, o contraste do vento frio em nossas peles quentes nos fazia arrepiar.
Os movimentos começaram calmos, mais por parte de Joe que meus, eu queria mais, eu pedia por mais, meu corpo pedia por mais, porém ele não sedia, ele queria aproveitar, aproveitar a cada momento, a cada pequeno espasmo que meu corpo dava quando ele investia em mim mais profundamente.
Minhas unham começaram a gravar em suas costas mais a fundo, e seus lábios começaram a tocar-me em lugares diferentes, beijos e chupões, amanhã, se o dia não ficasse frio, eu teria sérios problemas em esconder as marcas que provavelmente por ali ficariam. Ele descia do meu pescoço até o bico do meu peito, enquanto isso mantinha um ritmo nas investidas, cada vez mais profundas, eu podia sentir que ele já estava quase perdendo o controle, logo ele se renderia também.

Nossas testas estavam encostadas, os nossos suores se misturavam, o ritmo agora era bem mais rápido, os gemidos bem mais altos, a respiração bem mais ofegante. Logo chegaríamos ao ápice.

Joe chegou ao orgasmo um pouco antes que eu, mas logo depois eu estava tremendo em seus braços.

Se tiver sido errado ou não, não mais me importava. Foi naquele momento que descobri que é nos braços de Joe que me encontro. Aquela não podia ser nossa última noite. Essa não seria nossa última noite.

Continua

Ei galerinha, computador está de volta e o capítulo tá aí. Demorou, mas vamos lá, teve uma espécie de hot aí, foi fraquinho, mas teve, então vamos dizer que compensou.
Não falei aqui, mas tomei lindas duas recuperações finais, matemática e química, fiz a última prova no dia 23 e agora dia 30 saberei se vou passar ou não. E como agora estou realmente livre da escola pretendo fazer uma maratona nessas férias, começarei os capítulos amanhã mesmo e na segunda postarei os dias da maratona.
Como podem ver Joe pegou a Demi de jeito agora e pelo que se pode ver ela vai dar um adeus ao Logan... Ou será que não? Ela vai preferir continuar traindo ele? Façam suas apostas.
Outra coisa, amanhã (28/12) será o último dia de votação, então se puderem entrar ou > aqui < ou > aqui < e na categoria de “Melhor História/Fanfic escrita” votarem em mim: “The Big Apple de Nanda Carol.” Agradeceria muito.
Espero que tenham gostado do capítulo.
Comentem J
Bjssss

Nessa: Ei, demorei, mas está aqui, espero que tenha compensado a demora. Não vai ter maratona de natal, mas vai ter de ano novo ok? Obrigada por comentar. Bjsss
Milena: Fico feliz que tenha gostado, espero que tenha gostado deste capítulo também. Obrigada por comentar. Bjsss
Caah: Fico feliz que tenha gostado, demorei, mas postei e espero que tenha gostado deste capítulo também. Obrigada por comentar. Bjsss
Cassia: Pelo que se pode ver ela aceitou até demais kkkkk. Espero que tenha gostado deste capítulo. Obrigada por comentar. Bjsss

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

23- mais feliz possível - The big apple



    Eu sempre tive muitas certezas em minha vida. Algumas não deram certo e me obrigaram a mudar de pensamento. Mas uma das minhas certezas nunca falhou, "eu nunca me agarraria a ninguém, nada de namoros sérios, apenas ficadas ocasionais, mas nada de amor, nada de lembrar de uma pessoa, pensar na pessoa". Essa minha idéia não é por mal, não sou mal amado e nem mesmo tive decepções amorosas, para falar a verdade, é sempre eu que decepciono. O fator que me faz tão "desgarrado" é que sei que não acharei a pessoa na qual valha a pena me agarrar por. Não me leve a mau, nem mesmo eu sou uma pessoa que valha a pena agarrar-se por.
    Eu tenho como exemplo de casal, meus pais, os dois estão casados há anos, tiveram suas brigas, mas sempre se mantiveram juntos, um amor de juventude que resiste até hoje. Amor como esse não se encontra todo dia, principalmente por agora, que amores eternos duram nem mesmo um mês.
   Pus como objetivo em minha vida, apenas me relacionar com alguém, se eu percebesse que eu poderia criar um relacionamento tão duradouro quanto os dos meus pais. Se eu não percebesse isso, não teria dúvidas, não passaria de uma noite de diversão.
Por bons anos segui isso a risca, cheguei a ter uns rolos, namoros que duraram mais que deveriam, pegadas boas demais que acabei repetindo, mas nunca, nunca me agarrei a ninguém. Nunca perdi noite pensando em nenhuma mulher, por mais bonita que ela fosse, jamais passei por isso.  Nunca, até algumas semanas atrás.

   Ah Demetria. Porque você?

   Era incrível, parecia até que ela nasceu exatamente com essa missão. Tirar minha certeza, fazer-me mudar novamente de idéia.
   Ela não é a pessoa certa pra mim, não que eu seja o melhor para ela, pois sei muito bem que eu não sou a pessoa certa pra ela. Logan é o homem ideal par ela, ele parece ser bem leal e serio, e Demi merece isso. Eu não sou assim, ainda mais sabendo que nem ela mesmo é.
   Tudo bem, o beijo que trocamos foi a primeira caída dela nesse mundo de traição. Mas se ela fez isso com ele, logo com ele, nada impediria que ela fizesse isso comigo também, e como já disse, se eu for construir uma relação seria, quero estar com alguém sério, quero ter alguém que posso confiar totalmente. E Demi, infelizmente, não é essa pessoa.
   Mas como eu queria que fosse, como eu queria que ela fosse mulher pela qual eu me comprometeria.

   Ah Demetria. Porque você?



   A manhã do dia dois acordou lentamente, tudo começou a funcionar, mas todos ainda pareciam estar de ressaca, tudo calmo demais, lento demais... Bom, quando digo que tudo estava calmo demais, lento demais, eu não coloco minha irmã na lista.
Acordei as oito da manhã, sem nenhuma pressa de me levantar, mas acabei me levantando, hoje eu teria que voltar a meu ritmo normal, teria que conversar com Demetria, teria que saber se ainda investigaríamos a morte de seu pai ou não.
  Quando vi apenas meu pai na mesa com o café da manhã quase que só aos restos, sendo que nesse horário, o café ainda estaria quentinho, com a variedade que minha mãe sempre gostou de esbanjar na mesa, perguntei a meu pai o que ocorrera.
   _ Sua mãe e sua irmã foram até aquela revista lá. Vão refazer o contrato.
   _ já estão olhando isso? O Ano mal começou.
   _ temos que garantir né? Já que prometemos, vamos cumprir.
   _ ainda acho isso errado. - falei.
   _ o que ela fez foi errado e ela não merecia isso agora, mas não vamos perder sua irmã novamente. Uma vez já foi o suficiente.
   _ também acho que já foi o suficiente ver ela ir parar no hospital por uma vez. Ver ela morrendo...
   _ Joe, ela já cresceu, amadureceu, e agora nós sabemos o que fazer, saberemos identificar os sinais de que algo não está certo.
   _ há três dias atrás ela estava desaparecida. Isso é nós sabendo identificar os sinais de que algo está errado? Ela fugindo de casa é ela sendo madura?
  _ Eu não nego que é irresponsável, mas isso só me mostra que ela está lutando pelo que quer, da maneira errada, mas está tentando. Ela é jovem, erra mesmo. É natural. Eu mesmo cometi meus erros quando jovem. Sua mãe está de prova. - sorriu.
   _ é impressão minha ou vocês estão apoiando ela nessa palhaçada.
   _ não foi essa a exigência dela?
   _ não. Eu não estou falando do que ela pediu. Eu estou falando do  fato dela ter desaparecido. - exasperei. _ parecem que vocês estão aplaudindo ela enquanto ela faz as bobeiras dela.
   _ sabe qual é o seu problemas, Joseph? Você se tornou pai demais, você se esqueceu que é irmão.
   _ do que você está falando?  - perguntei.
   _ quando eu adoeci você se obrigou a tornar-se homem, a crescer demais, você começou a agir como pai da Selena, não mais como irmãos. Você ainda é jovem, ainda dá tempo de recuperar.
  _ o que você quer em? Que eu volte a ser um moleque?
  _ você era um porre, não há como negar. Vocês brigavam muito e era bem chato, mas vocês estavam sendo irmãos, estavam vivendo o seu tempo. E hoje, vocês não brigam como antes, o que no fundo é um alívio, mas, pelo menos você, não vive mais no seu próprio tempo. Você se tornou um homem de trabalho rápido demais, quer se tornar um grande detetive rápido demais, é como se não fossem haver muitos amanhãs para que você  realize seus sonhos, você parece até mesmo... - pausou. _ parece tanto a mim. - seu olhar ficou triste. _ não quero que você vá para no hospital por trabalhar demais. Comecei a ver a vida e a dá-la valor tarde demais, precisei quase morrer e tirar a sua juventude para começar a dar-me o descanso que eu mereço. Não faça o mesmo que eu. - disse.
   _ e o que você quer que eu faça então pai? Largue tudo? Pare de trabalhar? Que vá viver as suas custas?
   _ não. Você nem mesmo saberia mais viver assim. Só gostaria que você relaxasse um pouco.
   _ eu estou relaxado! pai. - ele riu.
   _ tecnicamente você está. Mas você deveria se pressionar menos, se aventurar mais... - ele parecia estar tendo dificuldades em me explicar. _ faça o seguinte. Hoje. Você tem 24 horas para fazer algo inconseqüente. Erre. Faça algo que eu lhe julgaria mal se você fizesse normalmente. Só por hoje, você tem carta livre.
    _ isso é besteira. - sorri. Que idéia era essa agora?
    _ não, não é. Na verdade é uma ótima idéia, aproveita que você não está ocupado em alguma investigação, cometa um erro. Claramente que não estou te dando aval para matar. Isso não.
    _ e pra roubar? - brinquei.
    _Bom, não acho que você conseguiria, mas se for isso que você quer. Vá. Só me diga a onde foi depois, pra eu devolver o dinheiro. - gargalhamos. Meu pai reclamava, mas no fundo somos iguais. Ele sempre foi certinho, bem mais certinho que eu. Tudo bem que ele pode ter aprontado antes, assim como ele dissera, mas desde que eu me lembro, ele sempre foi correto com tudo o que fazia, sem descansos, ele sempre foi o homem mais correto e honesto que eu já vira.
    _ vou pensar na sua sugestão, pai.
    _ viu? Esse é o começo do problema. Você vai pensar. - disse levantando as sobrancelhas.

      É, talvez o velho tenha mesmo razão.


   Decidir o que fazer, no fim das contas, não fora tão difícil assim. Eu poderia ter escolhido outras coisas, erros menos complicados, mas esse era o único erro que eu, não só me permitiria a cometer, mas o único que eu queria. E, ah, como eu queria.

   Quando liguei para Demi, de primeira ela não atendeu, eu entendi o recado, ela não queria falar comigo, mas decidi ser chato e retornei a ligar. Desta vez ela atendeu.

    Ela pareceu bem hesitosa em me encontrar, mas no fim ela concordou de me encontrar no mesmo café que nós encontramos da primeira vez.
   


      Cheguei no café meia hora antes da hora combinada, eu estava tão ansioso que não conseguir ficar em casa, esperando, tudo bem que eu teria que esperar por ela aqui também, mas saber que eu estava lá, que não me atrasaria, que me acostumaria com o lugar, e que poderia repassar com tranqüilidade, na minha mente, tudo o que eu queria falar com ela, me confortava um pouco.
      Tão idiota.
        Mas esse é o efeito que Demetria tem em mim.

      Não ajudava muito ela estar atrasada, já não agüentava mais tomar xícaras de café, e após a quarta xícara, eu já podia sentir até a dilatação dos meus olhos. Batendo o pé ritmicamente, por debaixo da mesa, eu contava os minutos. Será que ela tinha desistido? Ela poderia muito bem ter desistido, depois do que eu fiz no ano novo, porque ela não desistiria?

    Quando vi ela se aproximando da minha mesa, meu coração disparou, mas por incrível que pareça, eu me acalmei, pois ela estava ali, ela tinha vindo, ela não desistiu.
     
   
       Não foi exatamente o que eu esperava. O comprimento foi básico, um "oi" de um lado e um "oi" do outro, nem mesmo um "tudo bem?" Pra dizer que tentamos. Os primeiro cinco minutos olhando um para o outros, em silêncio, nenhum dos dois sabia como começar. E eu achando que ia ser fácil. Eu sabia o que eu queria, tinha passado as últimas hora repassando tudo em minha cabeça, mas agora tudo era real demais, vê-la em minha frente mudou tudo.

    _ e então? - começou por fim. _ encontrou algo mais sobre meu pai? - perguntou após receber seu capuccino.
     _ eu irei amanhã até a delegacia, pedirei para olhar os relatórios, fotos, depoimentos, que foram feitos naquele dia. - respondi. _ acredito que assim terei mais detalhes!me será bem melhor.
     _ legal. - falou e deu um sorriso nervoso. _ foi pra isso que você me chamou?
     _ não. - respondi.
     _ então?
     _ temos algo em aberto, Demi.
     _ ah sim. - suspirou e murchou seu corpo ao expirar. Era óbvio que ela não queria entrar naquele assunto, mas também estava bem claro que iríamos, ela querendo dou não. _ sobre isso! me desculpe, Joe.
     _ desculpa?
     _ é. - confirmou.  _Desculpe-me pelo beijo.
     _ você não precisa se desculpar, Demi! eu também queria aquele beijo.
    _ eu sei. - sorriu fraco. _ mas isso causou todo aquele desconforto. E agora, mal sabemos como agir frente ao outro.
     _ talvez se parássemos de nós sentirmos mal por termos nos beijado.
     _  cometemos um erro, Joe, nós vamos nos sentir mal. - disse óbvia.
     _ você gostou? - perguntei.
     _ que? - pareceu desconcertada com a pergunta.
       _ você gostou do beijo? - ela hesitou.
     _ gostar não faz disso menos errado, Joe. - respondeu.
     _ mas você gostou? - insisti.
    _ foi bom. - assumiu com dificuldade. _ Mas isso só torna tudo pior. Caso você no se lembre, eu sou noiva.
     _ eu sei. - falei percebendo que ela não iria recair desta vez e que eu nem mesmo tinha o direito de ficar bravo, ela estava fazendo o que deveria fazer. Eu é que estava a atrapalhando. Eu realmente não a merecia. E, ao contrário do que eu pensava. Ela não me merece, não por ela não ser digna de um relacionamento sério, mas porque ela merece algo muito melhor, algo que eu não posso lhe dar.
     _ você está querendo algo mais que ser meu detetive, não é? - perguntou após ficarmos em silêncio por um tempo.
      Sim, eu queria. Mas eu sabia que eu não podia. Porém por hoje, só por hoje, só agora, eu queria que ela se esquecesse do Logan, e que se deixasse errar ao meu lado novamente.
     _ fique tranqüila, não vou lhe obrigar a nada. Não sou assim.
     _ eu sei. - respondeu. _ você é um bom homem.
     _ é. "Bom" vai ter que me bastar por agora. - murmurei.
     _ não pense que esta sendo fácil para mim. - falou.
     _ não? Pois é o que parece.
     _ pois não estou, Joe. Você realmente acha que sou tão fria para, depois de um beijo como aquele, ficar bem? Não sentir nada? Não começar a duvidar sobre tudo?
     _ você dúvida sobre algo? - sem perceber, alegrei-me com a possibilidade.
     _ eu não vou negar. - parou, se acomodou melhor a cadeira. _ você mexe comigo! e por varia vezes nesses ultimo dias eu fiquei em dúvida sobre seguir ou não com meu relacionamento com Logan. Eu por várias vezes pensei em larga-lo por você. - olhou para o lado, envergonhada.
     _ e o que lhe impede? - perguntei, ela hesitou.
     _ tudo Joe. Não ter certeza sobre nós, precisar dele, mais que nunca, Eu já ser noiva dele e... Nada seu... Lara me torrando a paciência... - suspirou. _ o universo não nos quer juntos, Joe.
      _ então vamos lutar contra o universo.
     _ lutar contra o universo só vai nos fazer machucar.
    _ eu não ligo de me machucar se eu estiver ao seu lado.
    _ nós mal nos conhecemos, isso não está certo.
    _ então vamos fazer o errado. - eu não deveria estar insistindo. Mas agora eu sabia que o sentimento era recíproco, eu não poderia deixá-la ir.
     _ você é louco. - sorriu.
     _ e você? Seria louca comigo?
     _ se eu dissesse que sim, o que você faria?
     _ lhe faria a mulher mais feliz possível.
                  Continua

           Ei galera, meu note ainda não chegou do concerto, então, para não prejudicar muito a vocês nem a fic, resolvi rescrever o capítulo pelo iPad e postar, por isso o capítulo ficou com uma formatação estranha, e provavelmente vai ter alguns erros, não gramaticais, mas é porque o iPad me corrige automaticamente e nem sempre eu percebo e até mesmo quando eu repassei posso ter deixado passar alguma coisa. O capítulo não ficou exatamente igual a que estava no meu note, mas chegou bem perto, ficou menor que deveria, mas é porque eu não tive muita paciência de escrever por aqui, me desculpem, mas eu prefiro escrever por teclas de verdade. Bom, espero que me entendam e que, apesar de tudo, tenham gostado do capítulo, não responderei os comentários hoje, no próximo capítulo que eu postar eu respondo todos. Obrigada.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Olá leitores (as), estou devendo um capítulo para vocês e venho aqui explicar o porquê. Meu computador ta no concerto. Acho que até quarta já o terei de volta e como o capítulo já estava pronto, postarei assim que tê-lo em mãos. Agradeço pela compreensão e paciência. Até mais. Bjss