sábado, 30 de agosto de 2014

11. Eu matei seu pai – The big Apple


Naquela noite eu chorei.
Chorei porque era o primeiro natal que eu passava seu meu pai, chorei porque eu estava sem meus irmãos, chorei porque eu estava sozinha, chorei porque por um momento eu me senti feliz, ao lado de Joe e sua família, mas agora eu estava aqui novamente, órfã e infeliz, sozinha em um apartamento grande demais para ser preenchido só por mim.

(...)

_ Hey, porque você não me acordou ontem? – perguntei, abraçando-o forte. Ele estava na sala, mexia em seu notebook, provavelmente passando as fotos que tirou para adicionar ao seu portfólio.
_ Com ontem você quis dizer hoje às seis da manhã? – perguntou, olhei-o e ele estava derrotado.
_ Você chegou a dormir? – perguntei, se ele chegou às 6 de amanhã e agora era 10, não havia muito tempo para uma dormida.
_ Eu tive o privilegio de dormir por preciosas duas horas antes de ser acordado pelo organizador da festa de ontem, exigindo as fotos paras às 11 de hoje no site. – respondeu claramente nervoso. _ Teria sido mais fácil se junto não viesse uma lista de pessoas que gostariam de receber um Photoshop. – eu ri. _ Está rindo porque não é você que tem que tirar rugas e peso de umas 120 pessoas diferentes. Ah! Tampar carecas também está na lista.
_ Seu eu soubesse mexer no Photoshop eu até te ajudava, mas eu só sei fazer aquelas montagens meio bregas, mas que até ficam legais. – e foi à vez de Nick rir.
_ Bom, já estou quase acabando, não precisa se preocupar. – falou.
_ Você comeu? – perguntei, parte porque eu estava preocupada com ele e parte porque eu estava com fome.
_ Não. – suspirou. _Será que Karla deixou algo?
_ Talvez. – respondi. _ Ela não está muito acostumada a deixar comida pronta, mas você pediu para ela deixar a ceia não pediu? – perguntei.
_Topa comer uma ceia as 10 da manhã? – perguntou um pouco mais humorado.
_ Comida é comida. – respondi. Quem disse que ceia só pode ser de noite? 
_ Você sabe esquentar? – perguntou.
_ É só esquentar mesmo? – perguntei.
_ Acho que sim. – respondeu. Então com essa resposta fui até a cozinha. Eu não sou lá o que se chama de negação para cozinhar, mas eu não sou uma boa cozinheira, eu fico entre o bom e o comível. Tive a sorte de ter dois homens na minha vida que sabem cozinhar bem e me pouparam de tal trabalho.
Perdi um deles.
Ou será que perdi os dois?

Para minha sorte Karla deixou tudo preparado apenas para que eu colocasse no forno ou no fogão, e melhor, ela deixou um bilhetinho em cada recipiente explicando o que faltava a fazer para que ficasse bom.
Peru, purê de batata, stuffing, gravy e uma salada verde fazia parte da refeição principal e como sobremesa ela deixou, um pote de vidro, com vários cookies em formato de arvore de natal. 
Comida demais para só duas pessoas, e boa demais para se recusar.

A comida demorou a ficar pronta, não me culpem, mas mesmo estando pré-cozido, o peru ainda demorou dentro do forno.

Quando tudo terminou, Nick já tinha terminado seu trabalho e pode sentar-se a mesa comigo.
_ Como que foi ontem à noite? – perguntou.
_ Foi legal.
_ Legal?
_ Passei com pessoas bem legais.
_ Você está sendo irônica? – perguntou e eu ri.
_ Não, eu não te contei na hora, mas antes de você sair eu pedi para que o Joe...
_Joe? – interrompeu-me.
_ O Joseph, o detetive, pedi para que ele viesse aqui...
_ Você pediu para ele vir aqui antes de eu sair? – interrompeu-me novamente.
_ Eu não tinha nada para fazer e eu quero terminar esse assunto logo, quanto mais trabalharmos para isso melhor e ele trouxe um monte de novos suspeitos...
_ E você passou o natal com ele?
_ Não, quer dizer, passei com ele e com a família dele. – Nick olhou-me inexpressivo. _ Eles são pessoas muito legais, e ele também é, ele parece ser um chato, mas ele me mostrou ontem que não é um cafajeste, ele tem um lado bem respeitoso dentro dele.
_ Tome cuidado Demi, você mal o conheceu e já está entrando assim na vida dele, isso não é certo, vai saber quem são essas pessoas.
_ Eles me trataram muito bem. – indaguei, Nicholas os conhecia menos que eu, como ele pode falar alguma coisa?
_ Eles sabem quem você é? – perguntou.
_ Como assim?
_ De onde você veio, quem é sua família?
_ Nós preferimos manter o assunto ‘família’ fora da conversa.
_ Por quê?
_ Porque eu os disse que sou órfã... A mãe dele perguntou sobre meus pais e eu respondi que haviam morrido.
_ Sem nomes?
_ Não acho necessário dizer de quem eu sou filha a todo tempo, todo mundo sempre sabe quem eu sou, talvez eles saibam só preferiram não demonstrar.
_ Que seja, só tome cuidado, não se ponha em risco atoa.
_ Eu não estou me pondo em risco, você que está exagerando.
_ Eu não estou exagerando. – defendeu-se.
_ Agindo assim? Achando que vão o que? Me matar? Isso é exagero, eu não sou uma criança, não precisa ficar cuidado de mim como uma.
_ Pois eu tenho que cuidar de você sim, desde que Eddie morreu, você começou a agir como uma criança impulsiva, sem medir as suas ações nem as suas consequências.
_ Nicholas, eu não estou desiquilibrada, eu só quero saber o que aconteceu de verdade.
_ Eu sei, e eu já disse que estou de acordo com que você encontre a verdade, mas isso não significa que você tem que se separar daqueles que realmente se importam com você e se juntar com quem você nem mesmo se importa.
_ Do que você está falando?
_ Você podia ter deixado esse cara cuidar de tudo ou contratado outro alguém, ido com a sua família para a praia, ou então ter ficado com Logan, me diga, você ligou para seus irmãos para saber como eles estão? – não.
_ Porque você está fazendo isso?
_ Eu não estou fazendo nada Demi, você que está, procure pela verdade, mas não se esqueça que não foi só você que perdeu alguém. – suspirei.
_ Eu vou ligar para eles mais tarde. – respondi, Nicholas suspirou insatisfeito.
_ E Logan?
_ Ele que desapareceu, eu não tenho culpa se ele quis se afastar, e eu também pretendo procura-lo.
_ Mais tarde? – perguntou.
_ Você quer que eu saia agora então? – Perguntei nervosa.
_ Não, eu só não quero que esse “mais tarde” se transforme em um “nunca”.
_ Você acha que eu não amo meus irmãos?
_ Eu não tenho duvida que você os ama, só não se esqueça disso. – falou. Eu não esqueci – eu queria dizer, mas no fundo, mesmo que eu não quisesse aceitar e ainda achasse que ele estava exagerando um pouco, ele tem razão, desde que Lara levou meus irmãos para a casa da praia eu não os liguei, mesmo que eu sentisse falta deles eu não os procurei em nenhum momento e com Logan estava sendo o mesmo, reclamava porque ele não me procurava, mas eu tampouco o procurei também. Talvez a morte do meu pai tenha me deixado egoísta... Bom, talvez eu tenha me deixado egoísta...

(...)

Já era quase seis da tarde quando vi o prédio em que Logan mora apontar no horizonte.
Logan não mora muito longe, 14 minutos de carro é o suficiente para eu chegar ao bairro boêmio, East Village.
Logan sempre viveu por ali, pelo menos desde que saiu da casa dos pais. Sempre gostou da movimentação do local. Na sua época mais festeira, quase sempre saiamos para algum barzinho por ali. Bons tempos.

Seu prédio é um típico prédio de arquitetura nova-iorquina, pequenos prédios de tijolinhos marrons (apesar de que no prédio de Logan eles serem vividamente vermelhos) que disputam a atenção do turista com os grandes prédios espelhados e de metais.
Como é feriado e grande parte das pessoas acaba indo para o interior, rapidamente consegui estacionar o carro, olhei para o terceiro andar, onde ele mora, e vi luz acesa, se ele foi passar a véspera de natal com a família, chegou rápido.
 Subi até o seu andar pela escada, eu poderia ter encarado o velho elevador, daquele de grade que fecha manualmente, mas preferi ir a pé, não por medo, mas para que eu tivesse mais tempo para pensar, o que eu iria dizer? Oi, você desapareceu, eu não te procurei, mas estou aqui, pois acho que você está errado em não me procurar.

Bati na porta e não demorou muito para que eu escutasse o barulho das chaves virando, será que ele estava esperando alguém? Será o motivo de ele ter se afastado de mim é porque tem outra?
Todas as minhas conspirações de noiva neurótica foi por água abaixo quando ele abriu a porta.
Barba por fazer, olhos inchados – como de quem não dorme há tempo ou de quem chorou demais – cabelo desgrenhado, vestia apenas uma cueca samba-canção, parecia mais magro. O que tinha acontecido com ele? Não havia nem passado uma semana direito.
_ Ah. – disse decepcionado. _ você.
_ Logan, o que esta acontecendo. – ele não disse nada, apenas se virou, deixando a porta aberta para que eu pudesse entrar.
Se ele estava mal, nem sei como descrever seu apartamento, que antes sempre foi organizado e super bem cuidado e agora se via lixo no chão, objetos caídos, folhas rasgadas, jornais intocados espalhados por toda a parte.
Logan se sentou no seu sofá, que tinha um rasgo imenso em seu estofo, deixando que a espuma aparecesse. Como aquele rasgo apareceu? O sofá é novo – ou era – Logan não tem nenhum animal que pudesse estragar seus moveis...
_ Logan
_ Não. – interrompeu-me. _ Eu sei. – eu estava de pé em sua frente, mas ele não olhava para mim, apenas para o chão.
_ Sabe do que Logan?
_ Você sabe, não sabe?
_ Logan, você está bem? Você está usando alguma coisa? – talvez fossem drogas, nunca pensei que ele usaria, mas vai que ele tenha se tornado um drogado e esteja se perdendo por isso.
Ele levantou apressado, quase me empurrando, foi para trás do sofá, seu olhar estava assustado, não me atrevi a chegar perto. Eu não sabia o que estava acontecendo com ele, mas eu posso afirmar que ele não está bem.
_ Desculpa Demetria. – Demetria?
_ Pelo amor de Deus, Logan, o que está acontecendo?
_ Eu sou um monstro.
_ Pare de me enrolar, o que aconteceu?
_ Eu, Demetria, fui eu. – disse aterrorizado, como se tentasse convencer não só a mim, de que ele é culpado por algo, mas a ele também.
_ Você?
_ Eu matei seu pai.

Continua

Próxima postagem será na sexta-feira. Responderei aos comentários no próximo capítulo. 

sábado, 16 de agosto de 2014

10. Estou Ferrado – The Big Apple


 capitulo especialmente dedicado ao nosso Joe Jonas, pelos seu aniversario foi ontem mais o que vale é a intenção  parabéns pelos seus 25 aninhos Joseph Adam Jonas!!!! 




Eu não sabia como Demetria reagiria a minha casa e família, sem duvidas seria bem diferente do que ela é acostumada, ela vive em um apartamento de luxo, a mesa em sua sala provavelmente cabe um banquete de natal com comidas refinadas, e os presentes que ela troca entre familiares devem ser mais caros que meu carro. Ainda me surpreendo dela não ter hesitado ao ver meu carro, um Volvo V70 de segunda mão, sendo que os carros em sua garagem eram de Jeep Grand Cherokee pra cima.
Não falamos muito no caminho, a não ser ela, que parecia bem preocupada. Perguntava de diferentes maneiras a mesma pergunta: “Será que seus pais não vão achar ruim de eu ir?”, “Você avisou para seus pais, ele podem não gostar da minha presença”, “Eu não trouxe nada para sua família, será que eles não vão me achar uma folgada?” e “Se você perceber que eles não gostaram de mim, me dá um sinal que eu saio ok?” e tudo o que eu pude dizer foi: “Sim” “Avisei” “Eles vão gostar de você” “Tá”.
Assim que parei o carro na frente de minha casa, suspirei, olhei-a e ela sorriu para mim, meio tímida e tensa. Ela estava bem simples, bem mais do que quando eu a vi pela primeira vez, mas também, ela deixou que eu determinasse o que seria apropriado para se vestir, e sinceramente? Eu não sou lá muito ligado em moda, para mim ela estava bem quando eu cheguei, no final ela pôs uma calça jeans preta, com uma bota cano longo com um salto, não muito alto, e trocou a blusa de lã por um casaco de couro, que ela me garantiu ser falso, não que eu me importe muito com isso, mas ela disse que nunca compraria um de pele real, grandes coisas, não duvido nada que come todo tipo de animal que lhe apresentarem – pensei no momento. Ela havia deixado seus cabelos loiros soltos, eles pareciam particularmente bonitos hoje, sei lá, parecia ter um brilho que não tinha antes, será que foi uma hidratação? É isso que mulheres fazem pra deixar o cabelo bonito, não é?
_ Pronta? – perguntei.
_ Sim. – respondeu. Desliguei o carro, sem coloca-lo na garagem, se Demetria quisesse ir embora, eu não a impediria. Saímos do carro quase que sincronicamente.
Abri a porta de casa e fui recebido pela minha mãe, que logo me abraçou, não percebendo a presença da Demi atrás de mim.
_ Não se atreva a sair numa véspera de natal como essa, nunca mais, olha a geada que está caindo! – xingou-me, nem parecia a mesma que estava me dando abraços tão apertados momentos atrás.
_ Mãe – tentei interrompe-la.
_ E que roupa é essa? Você não saiu com essa roupa daqui.
_ Mãe, mãe, por favor...
_ O que foi menino? E esse cabelo? Que cabelo é esse? – eu não podia ver Demetria atrás de mim, mas eu sabia que ela estava rindo nesse momento. Tentei desvencilhar do abraço de minha mãe e me virei para que ela pudesse perceber Demetria atrás de mim. _oh. – pareceu surpreendida.
_ Mãe, essa é Demetria. – falei. Ela olhou para mim e no mesmo instante eu percebi o que ela queria dizer “Como você trás uma pessoa, pessoa não, uma garota para cá, sem me avisar?” Logo depois ela deu um sorriso a Demetria, ajeitou seu avental e foi até a Demetria para abraça-la, e foi correspondida.
_ Muito prazer te conhecer. – disse após abraça-la, e começou a segurar sua mão. _ Você é uma garota muito bonita. – disse e olhou para mim. “Ah não mãe, não é isso”.
_ Muito obrigada. – disse Demetria gentil. _ É um prazer lhe conhecer também.
_ Vamos, entre, a casa não está muito arrumada, Joe não me avisou com antecedência que você vinha, mil desculpas... – continuou segurando a mão de Demetria e guiando-a para dentro de casa, como se fossem melhores amigas, ou pior (e o que pelo jeito minha mãe pensa que é) como se fossem sogra e cunhada.

Deixei que minha mãe e Demetria se conhecessem sem atrapalhar.

_ Onde está Selena? – perguntei a meu pai, que encontrei na sala, ele estava terminando de ajeitar os presentes debaixo da arvore.
_ Está ajudando sua mãe na cozinha. – respondeu, mas continuou me olhando com cara estranha. _ Que cabelo é esse? – Será que todo mundo vai falar do meu cabelo?
_ Longa história.
_ Você vai tirar foto da família assim? – perguntou.
_ Eu vou ver se dou um jeito nisso. – falei apontando para minha cabeça. Ele riu.
_ Espero que esse penteado não tenha sido muito caro.
_ Eu não fui a um salão pai.
_ Hum. – e riu novamente.
_ Que saco em pai? – reclamei o que o fez rir mais ainda. Deixei-o sozinho e fui em direção do meu quarto, mas antes fui interceptado por Selena que saiu da cozinha exasperada.
_Quem é ess... – parou e olhou-me.
_ Longa história. – falei ao perceber seu olhar para meu cabelo. _ E aquela é Demetria.
_ Eu sei o nome dela, mamãe fez questão de repetir isso vezes o suficiente. – sussurrou, pois estávamos perto da porta da cozinha (onde que parece que Demetria e minha mãe estavam). _ Você está namorando? – perguntou ao ver que eu não iria falar mais nada.
_ Não!
_ Pois então é melhor você esclarecer as coisas para mamãe. – revirei os olhos. _ mas espere até o final do natal. – falou. _ Ela parece bem feliz com a possibilidade de você ter tomado jeito na vida.
_Ah que ótimo. – falei me arrependendo de ter convidado Demetria.
_ Ela é a tal cliente? – perguntou.
_É.
_ Parece uma patricinha com esse cabelo de Barbie.
_ Ela não é patricinha.
_ Vai defender ela vai? – perguntou.
_ Eu só não acho que ela seja chata, você vai poder conhecer ela durante esse jantar e vai ver isso... E vocês poderiam se dar bem juntas, ela faz moda. – falei.
_ E?
_ Papai me falou que você irá fazer um curso, se você gostar você poderá fazer faculdade de moda e ela poderá te dar várias dicas legais. – Selena apenas olhou para o chão,  ela não estava tão feliz assim, e eu sabia qual era o motivo, ela pode até fazer moda, mas o ela nunca desistirá de fazer modelagem.
_ É. – deu de ombros. _ Talvez... Mas eu prefiro que você vá arrumar esse cabelo, porque você tá horrível.
_ Isso é inveja do meu cabelo. – brinquei.
_ Depois reclama se eu te amo de Joana. – e riu.
_ HAHA engraçadinha, entra pro circo. – falei e comecei a ir para meu quarto, antes que eu fosse obrigado a escutar mais alguma piadinha.
_ Você vai rir disso quando chegar a seu quarto. – escutei-a gritando atrás de mim.
É. Talvez eu ria.
É. Talvez eu tenha rido.

Eu não sabia o que fazer. Molhar o cabelo de novo? Nesse frio?
Troquei de roupa e coloquei uma calça de moletom Ecko que já tenho a tanto tempo, mas que é confortável demais para se parar de usar, fora que não tem nenhum rasgo, só está com o preto meio desbotado, coloquei uma camiseta de pijama (sei que esse jantar vai terminar tarde e colocando a camiseta do pijama eu economizo tempo no final da noite), e para não fazer feio com Demetria, coloquei uma blusa de moletom fechada cinza por cima. Para completar eu coloquei uma toca preta, pois assim disfarçaria o meu cabelo à lá Emo.

(...)

_ Joe! Porque você está vestido assim? – sussurrou perto de mim, ela, Selena e, por incrível que parece, Demetria, estavam a por a mesa, cheia de comida tipicamente natalina, tanto dos Estados Unidos, quanto da Inglaterra.
_ Qual é o problema da minha roupa?
_ Isso não é roupa que se use hoje. – olhei para meu pai com um chinelo de dedo, e uma blusa de lã vinho e verde com um veado em branco no meio; Selena, assim como eu, usava uma calça de moletom e uma blusa de pijama, (eu pelo menos tinha me preocupado em colocar uma blusa encima do pijama), e minha mãe estava como sempre, um vestidinho, sempre com estampas delicadas, agora ela tinha tirado o avental.
_ Eu não vejo nenhum problema em usar essa roupa. – falei.
_ Temos visita. Visita que você trouxe.  
_ Serio isso mãe? É Natal, estamos em família. – falei e me arrependi quando vi seu sorriso brilhante (ela levou isso para um lado que não deveria). _ Tudo bem que tem a Demetria, mas ela não liga pra isso.
_ É. Demi é realmente uma ótima garota. – sorriu e se sentou a mesa.
_ Demi?
_ É. – sorriu. _ Demi. – repetiu. Minha mãe tinha conhecido ela há 20 minutos e já estava chamando-a de Demi? 
A mesa redonda da casa tinha seis cadeiras, cada um se sentou e eu fiquei entre me sentar ao lado de Selena e Demetria.
_ Desculpe-me pelo seu cabelo. – sussurrou Demetria
_ Sem problemas. – sorri e ela me correspondeu.

Fizemos uma oração e começamos a comer, minha mãe toda hora conversava com Demetria. Perguntava se estava gostando da comida, e ela, como sempre muito educada, respondia que sim. O que era a mais pura verdade, minha mãe cozinha maravilhosamente bem, e em épocas festivas, como as do final do ano, ela capricha ainda mais.
_ Sua família não se incomoda com você esta passando o natal aqui sem eles? – perguntou.
_ Minha madrasta e meus irmãos foram passar o natal na casa de praia da família.
_ Mas e sua mãe e seu pai?
_ Mãe. – reclamei, será que ela podia ser menos inconveniente?
_ O que foi Joe? – perguntou desentendida.
_ Está tudo bem. – falou Demetria ao meu lado.
_ Meus pais já faleceram. – respondeu e deu um sorriso fraco logo depois, eu percebi que seus olhos encheram de lágrimas, mas ela segurou e apenas continuou a sorrir, enquanto minha mãe se desculpava pela garfe. _ Não tem problema Denise, você não sabia disso, não precisa se desculpar. – respondeu.
_ Você tem casa de praia é? – perguntou Selena, interrompendo a lamentação. Mas sem duvidas eu preferia a lamentação à Selena provocando. _ Você também tem casa de campo? – seu tom era completamente provocativo, como se ela mesma não fosse ter casas espalhadas por todo lugar se tivesse o dinheiro que a família da Demi, digo, Demetria, tem.
_ Não, mas temos uma fazenda no Texas, quase não usamos, meio que ficou só dos empregados mesmo. – respondeu inocente.
_ Tanta gente aí sem casa né.
_ Selena. – exaltei-me.
_ Ela tem razão Joseph, existe muita gente sem casa.  Mas também não é assim, nós pagamos pela casa e existem empregados que moram lá, nós abrigamos eles na nossa casa e ainda pagamos por isso.
_ Viu Selena. – falei. _ Não fala o que não sabe.
_ Desculpe, eu não tive a intenção... – começou Demetria.
_ Que isso, a Selena que tem que saber a ter respeito com os outros. – falou minha mãe. O clima ficou meio ruim depois dessa, mas logo tudo melhorou, meu pai estava estranhamente bem humorado, e, aparentemente, a mistura de piadas ruins com um vinho meia boca termina com um bando de adultos rindo como crianças.

Jantamos e comemos a sobremesa umas três vezes, até que estávamos cheios demais até para respirar fundo, conversamos sobre assuntos variáveis, mas o tópico “pais ou família de Demetria” foi respeitado, apenas quando Nicholas ligou que o assunto resurgiu um pouco, mas tudo sobre ela e a relação com seu primo, nada de pais ou madrastas.

_ Vamos lá, todos aqui para a foto da família. – disse meu pai, a câmera, que compramos já faz uns três anos, estava no pedestal, minha mãe, eu e Selena já estamos posicionados em nossos lugares tradicionais ao lado da arvore de natal. Fazemos isso todos os anos no natal, desde que nasci temos fotos na mesma posição, salvo a penas as duas primeiras, que tirei no colo da minha mãe. Temos um álbum na qual colocamos todas as fotos, não sei exatamente o porque disso ter começado, mas nunca reclamei, era até legal ver nossa evolução como família.
Demetria ficou no canto da sala, apenas nos vendo organizarmos. Ela parecia feliz, ou talvez bêbada demais para ficar triste, mas talvez seja a primeira, bebemos bastante vinho, mas ninguém tinha pagado mico nem mesmo caído do nada, então significa que, as coisas podem até está meio que rodando, mas não estamos tão bêbados assim.
_ Vem Demi. – chamou minha mãe. Demetria apenas fez que não com a cabeça.
_ Vem logo garota. – meu pai a puxou.
_ Mas a foto é da família.
_ E você é família agora. – engoli o seco.
_ Pai, não.
_ Pare de falar e sorria para a câmera. – disse se colocando ao lado de minha mãe e quase que jogando Demetria ao meu lado. Selena me olhou com o um olhar nada satisfeito e eu podia sentir o olhar apreensivo de Demetria. Calei-me e apenas sorri.
Bip. Bip. Bip. Flash.

(...)


Já era quase duas da manhã quando Demetria quis ir embora, minha mãe falou que era cedo, meu pai pediu para que ela dormisse em nossa casa (provavelmente no meu quarto, enquanto eu passaria a noite no sofá), já Selena... Bom, Selena é a Selena, não parece ter se dado muito bem com Demetria no começo, mas depois ambas até trocaram algumas palavras, sem nenhuma briga nem indireta, o que foi um alivio.

_ Eu adorei te conhecer Demi. – falou minha mãe a abraçando. _ Venha mais vezes, trás seu primo também, ele parece ser um bom rapaz. – falou.
_ Claro Denise. – sorriu. _ Basta Joseph me convidar.
_ Pois ele vai convidar sim. – falou, já como se estivesse me dando uma ordem. Demetria sorriu e olhou-me de canto. _ Cuide bem dela Joseph, me avise quando chegar a sua casa. – falou.
_ Muito obrigada. – sorriu. _ Irei lhe avisar sim.
_Bom, vamos, porque essa despedida já durou tempo demais. – falei. Meu pai e Selena tinham sido bem mais rápidos nesse ponto.
_ Pare de ser chato Joe. – reclamou minha mãe e Demetria riu a vontade, levando a minha mãe a fazer o mesmo. Essas duas juntas não é o que eu chamo de boa ideia.
_ Ele tem razão, já está tarde, é melhor eu ir e deixar vocês descansarem.
_ Nem estou cansada.
_ Mas ela esta certa. Você trabalhou o dia inteiro. – falei, minha mãe suspirou.
_ Bom, então vá, mas não se esqueça de me ligar, nem de voltar. – mais um abraço.

(...)

_ Muito obrigada pelo jantar. – falou, já estávamos a um quarteirão de seu apartamento.
_ Muito obrigada por ter sido tão legal.
_ Que foi? Pensou que ia dar uma de patricinha rica na sua casa? – perguntou risonha.
_ Bom... Era uma possibilidade. – respondi com medo dela se sentir ofendida, mas na rápida mirada que dei a ela não senti que ela ficou mal por isso.
_ Você não me conhece tanto assim, eu não sou mimadinha, talvez um pouco mimada, mas eu sei me comportar bem. – falou.
_ Eu aprendi isso hoje. – falei.
_ Isso ajudará muito nesse nosso caso.
_ Pois é.
_ Nicholas vai rir muito e ficar muito bravo quando eu lhe contar sobre o jantar.
_ Porque? – perguntei. O prédio dela já estava a nossa vista, mas por algum motivo eu não queria que estivesse, passei grande parte do dia com ela e não pareceu o suficiente.
_ Ele vai rir porque você não é esse garanhão todo...
_ O que? –perguntei e ela riu.
_ Calma. – riu mais um pouco. _ É que desde o nosso primeiro encontro você se mostrou ser um tarado, só me respeitou por causa do meu noivo, mas nem mesmo minha madrasta você perdoou. – falou. _ E o Nicholas não gostou muito disso, mas você não é isso. – falou, estacionei na porta de seu prédio, mas ela nem pareceu perceber, continuou a falar. _ Você tem uma família linda e trata seus pais e sua irmã bem, você é gentil, você só não gosta de mostrar isso geralmente. – falou. Fiquei em silêncio por um tempo, sem saber o que dizer. Talvez ela tivesse razão.
_ E porque ele ficaria nervoso?
_ Porque você foi um dos que mais bebeu vinho e agora vem me dirigir até em casa, eu poderia ter sofrido um acidente. – eu ri.
_ Sou um ótimo motorista, vendo em dobro então, ninguém me segura. – rimos.
_ Tem certeza que se arisca a voltar? Na hora que o Nicholas voltar pode te levar, ele provavelmente não bebeu. – perguntou.
_ Não precisa, eu estou lucido o suficiente. –respondi.
_ Bom, vou ser obrigada a fazer o mesmo que sua mãe então e lhe obrigar a mandar uma mensagem quando chegar em sua casa.
_ Se eu lembrar. – respondi.
_ Que bonito da sua parte. – ri fraco e nos silenciamos, ela olhou para fora e sem muito entusiasmo.
_   Muito obrigada pelo dia de hoje. – disse por fim e saiu sem dizer mais nada, estranhei, pensei que teríamos uma despedida mais... Mais... Não sei, não era essa que eu estava esperando. Acho que um ‘tchau’ ou um ‘Até logo’ não faria mal depois do dia que tivemos.

 Esperei até que ela tivesse entrado totalmente em seu prédio antes de dar partida ao carro.

(...)

Quando cheguei em casa Selena já estava sem seu quarto, meu pai e minha mãe estavam terminando de arrumar a cozinha.
_ Boa noite pai, boa noite mãe. – falei.
_ Boa noite filho. – respondeu meu pai.
_ Adorei a garota filho. –falou minha mãe.
_ Você sabe que ela não é minha namorada, não sabe? – perguntei, ela deu um sorriso triste.
_ Sei, mas eu ficaria muito feliz que fosse. – respondeu. Eu fiquei parado sem saber o que dizer, não sabia que minha mãe queria que eu arranjasse uma namorada. _ Tenha uma boa noite meu filho. – falou. Eu apenas sorri e fui para meu quarto.
Tirei a blusa de frio, o sapato e a toca, ficando com a calça e a blusa do pijama. Deitei-me em minha cama e mandei a mensagem a Demetria.
“Cheguei, são e salvo.” – escrevi. Não demorou muito para receber uma resposta.
“Você lembrou de mim *-*” – eu ri sozinho.
“Nah, você lembrou-se da minha mãe?”
“Claro que lembrei.”
“Boa noite então”
“Boa noite Joseph”
“Aqui, já que estamos virando amigos, você pode me chamar de Joe, caso queira”.
“Tudo bem Joe, você tem meu alvará para me chamar de Demi.”
“Isso era tudo o que eu queria.” – respondi.
“Não há duvidas de que era.” – respondeu e a conversa terminou conversa aí.

No escuro, olhando para o teto eu comecei a pensar no dia de hoje. E naquele momento percebi que estava ferrado. Eu tinha gostado muito de ficar ao lado da Demi, e eu estava sentindo falta dela, pior, talvez eu tenha gostado um pouco dela. É. Estou ferrado.

Continua

Demorei mais que o necessário para postar, mas tenho bons e maus motivos, os bons é o de sempre, escola e cursos, o mau é que o meu tempo livre fiquei votando nessas premiações que a Demi está participando e isso além de esta tirando uma boa parte do meu tempo, está me fazendo raiva, já que ela esta perdendo quase todas :\
em falar em votar, quem tem twitter ou instagram ajuda ela aí nessa votação: http://www.mtv.com/ontv/vma/2014/best-lyric-video/ ela está super querendo ganhar e nada melhor que nós darmos isso a ela de presente de aniversario né?
Bom, aqui está o capítulo espero que tenham gostado, era para ter sido postado ontem, já que foi o aniversario do Joe, mas mesmo tendo passado, o capítulo fica em homenagem a ele. Vou tentar postar no dia do da Demi também, mas também n sei como vai ser.
Bjsssss

A Lenda de Flogside: Muito obrigada, fico feliz que esteja gostando, espero não decepcionar, já que é minha primeira história escrita nesse gênero. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Kika: bom, nos próximo dois capítulos você poderá tirar ainda mais conclusões, novas hipóteses serão apresentadas. Espero que tenha gostado do capítulo, muito obrigada por comentar. Bjsss
Gi Galan: Divulgado.
Fabíola: kkkkkkk bom, vai saber quem é o assassino, se houve um assassino, claro. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Carine: kkkkkk ok, ele foi bem fofo mesmo, pelo jeito nosso garanhão também ficou com pena dela e a convidou para o natal na família. E calma muié, seu desejo foi atendido kkkkkkkkk. Muito obrigada por comentar. Bjssss
Anômimo: Fico muito feliz em saber que você gosta das minhas fics. Muito obrigada por comentar. Bjsss

quinta-feira, 31 de julho de 2014

9. Minha Família – The Big Apple



Tic-tac, tic-tac, tic-tac...
 Eu aos poucos me acostumava com o silêncio daquele apartamento, mas, se acostumar, não significa que doa menos. 
Nicholas havia ficado comigo durante todo o tempo, mas isso não acalmava a situação. Eu estava sem meu pai e agora sem meus irmãos também, tudo se encaminhava para um desastre.


_ Ah não. – disse Nicholas, olhando a tela do computador, estava lendo seus e-mails do trabalho. _ Me escalaram para fotografar a festa de natal do governador esse ano. – disse.
_ Você odeia quando te pedem para fotografar esses tipos de eventos. – lembrei-me.
_ Acho que vou recusar. – falou.
_ Mas você também me disse que é o tipo de trabalho melhor remunerado nessa sua profissão.
_ É, mas... Sei lá, queria passar esse natal aqui. – falou. _ Fora que está muito encima da hora, dez da noite eu tenho que já estar lá.
_ Te mandaram esse e-mail só hoje? – perguntei.
_ Não. – respondeu. _ Foi há três dias, mas ainda assim, eu só li hoje, é isso que conta.
_ Vai Nick, nem mesmo vamos ter natal aqui nesse ano mesmo. – dei de ombros.
_ E é mais um motivo para eu ficar aqui. – falou.
_ Vai, eu vou ficar bem. – ele fez uma careta. _ Não perde essa oportunidade por mim não.

No final das contas Nicholas aceitou tirar as fotos na festa, enquanto ele começava o lento processo de limpar as lentes de suas maquinas fotográficas, super profissionais e caras, eu fui para meu quarto. Pela primeira vez desde semana passada eu liguei o computador e entrei em minhas redes sociais, ainda não sei se foi a melhor opção, o monte me mensagens de força me fizeram bem e mal ao mesmo tempo, as palavras eram reconfortantes, mas também era como uma maquina do tempo, me levava diretamente para o velório de meu pai, a última vez que o vi.
Meu celular vibrou no criado mudo, peguei-o e era uma mensagem de Joseph. Confesso que pensei que ele nunca mais voltaria a falar comigo, mas cá estava ele novamente.
                      “Próximo da lista, diga apenas sim ou não (sim, se for suspeito, não, se não for): Andrea Lonis”
Andrea Lonis era a secretaria do meu pai que havia sido demitida três semana antes de sua morte, pois, descobriu-se que ela estava vazando informações confidenciais do banco para outras pessoas, como investidores e pessoas de outros bancos. Não sei se ela teria coragem de matar meu pai, mas ela era uma mulher perigosa.
                      “Sim” – Respondi.
                      “Certo, próximo: Henry Black.”
Henry Black é um ex investidor do banco de meu pai, tirando o pai de Camilla, ele era o que mais investida. Porém, por ironia do destino, ou não, resolveu que não iria só investir em banco para acumular riquezas, mas que também iria apostar em jogos, infelizmente não se deu muito bem nessa nova empreitada, vendo que estava perdendo todo seu dinheiro, recorreu ao banco de meu pai em busca de um empréstimo, meu pai deu o empréstimo, mas Henry não conseguiu pagar as prestações, e teve sua conta cancelada e seus bens tomados.
                      “Sim”
                      “Mariah Benvides”
Mariah Benvides é a prima de segundo grau de Lara, essa história já mais complicada, já que, quando aconteceu, eu ainda era muito pequena, só sei que Mariah se apaixonou por meu pai antes de Lara, mas, como dá para perceber, foi Lara que se casou com meu pai, e isso causou um grande reboliço na família. Ainda assim não creio que o ressentimento tenha sido tão forte e tão duradouro.
                      “Não” – respondi. “Você gostaria de vir aqui?” – perguntei. Eu queria saber o porque de suas suspeitas e como ele as conseguiu, pois, muitas delas foram particulares, nunca saiu na imprensa nada sobre Mariah ou sobre Andrea.
                      “Quero passar o natal vivo” – respondeu.
                      “Prometo não te matar, já me conformei com o fato de você ser quem é” – falei.
                      “Sabia que você não ia resistir ao meu charme”
                      “Não é pra tanto, é só que prefiro que seja uma conversa cara a cara, não te contratei para ficar trocando mensagens comigo” – reclamei.
                      “Em uma hora estarei aí.” – disse.
                      “Ok” – respondi.
Desliguei meu notebook, e levantei-me, eu tinha uma hora para ir de lixo ambulante a alguém apresentável, afinal de contas, não seria nada legal Joseph chegar aqui e me ver com: os olhos inchados, cabelo desarrumado, e com uma blusa que é três vezes o meu tamanho.
Tomei um banho e lavei a cabeça o mais rápido possível, escovei meus dentes, e me enrolei na toalha. Fui para meu quarto e tremi de frio, tinha deixado a minha janela do quarto aberta e o vento frio após ter saído de um banheiro quentinho não foi nada agradável. Levei mais uma jatada de vento frio quando me aproximei da janela para fecha-la.
Voltei-me para meu armário e coloquei uma calça de malha preta, ela é mais junta, então não fica ruim, e fora que eu estou em casa, e a ordem do dia é ficar confortável e não super produzida.  Coloquei uma blusa vermelha de manga, que tem três botões, deixei os três abertos e peguei uma blusa de lã preta quem tenho já nem sei a quantos anos, mas que nunca deixou de ser confortável.  Dei uma secada no meu cabelo, já que a combinação de frio mais cabelo molhado não traria bons resultados.


_ Você já está indo? – perguntei, ao ver Nick na sala. _ Vou aproveitar uma carona com Pablo, e fora que vou ter que olhar as condições de luz de lá...
_ O Pablo já está indo não é? – perguntei, esquecendo-me que hoje era véspera de natal, todos iriam mais cedo para suas casas.
 _ É, todos já foram, só ele ainda está aqui. Eu pedi para Karla deixar uma refeição já pré-feita, assim que eu chegar dessa festa, nós esquentamos tudo e teremos nosso natal. – sorriu grande. Eu correspondi.
_ Vai demorar muito para chegar? – perguntei. Ele coçou a cabeça e fez cara feia.
_ É.
_ Esse é significa quantas horas? – perguntei com a mão na cintura.
_ Umas quatro ou cinco da manhã. – falou. _ É uma ótima hora para começar um jantar de Natal, te juro, já fiz isso outras vezes e olha que a comida era ruim, e não comida da Karla. – falou e eu sorri.
_ Será legal tentar, só não sei se eu conseguirei acertar o garfo na boca, já que nessa hora eu já estou desmaiada na cama. – falei.
_ Eu te acordo. – falou e riu.
_ Não se atreva. – gargalhei.
_ Lembre-se, Natal é um dia de paz, não se pode bater no primo. – falou de um jeito que me lembrou de quando eu era pequena e as professoras ditavam as regras da escolinha, tipo: Não bater nos amiguinhos, não mostrar a língua, levantar a mão quando quiser falar...
_ Lembre-se – comecei a falar, imitando-o. _ Natal é um dia de paz, não se pode acordar a prima. – ele gargalhou.
_ Mas é muito preguiçosa viu (?) – disse gargalhando fraco.
_ Eu não sou preguiçosa, só acho que o sono de qualquer pessoa deve ser respeitado.
_ Claro. – falou ironicamente.
_ Nem adianta negar, você sabe que concorda comigo. – falei e ele só sorriu.

_ Senhor Nicholas, eu já estou indo, o senhor quer que eu te leve a festa mesmo? – perguntou.
_ Ah, sim, quero. – respondeu atrapalhado e virou-se para mim. _ As meia noite em ponto eu te ligarei ok? – disse me abraçando. _ Não esteja dormindo. – beijou-me no topo da cabeça.
_ Tenha uma boa festa Nick.
_ Tenha um bom... – ele hesitou sem saber o que dizer. _ Uma boa noite. – sorriu e eu correspondi. Deixei-o ir sem falar de Joseph, sabia que se falasse ele iria implicar e acabar ficando.

Eu não sei exatamente o que significa uma hora no mundo de Joe, mas no meu mundo uma hora significa sessenta minutos, e não oitenta minutos ou mais. Eu estava andando de um lado para o outro da sala, pronta para atender o interfone do porteiro perguntado se eu permitiria a entrada de Joseph, mas nada, nem sinal daquele homem. Fui ao meu quarto, peguei meu celular para ver se ele tinha desistido de vir e, nada, nenhuma mensagem.

Voltei para a sala a passos lentos, mas assim que escutei o interfone comecei a correr feito uma louca.
_ Sim.
_ Joseph Jonas quer subir. – falou.
_ Pode deixar passar. – respondi e o porteiro desligou a chamada, ele sempre era assim, economizava o máximo de palavras e gentilezas possíveis.
Foi diretamente abrir a porta, quanto menos enrolação, melhor seria. Não demorou muito para que as portas do elevador se abrissem e mostrasse uma figura cômica. Cabelos molhados grudados na testa e nuca, o casaco preto pingando no carpete do corredor, e ao andar seu sapato fazia um barulho engraçado, ele estava totalmente encharcado.
_ Parece que a neve veio acompanhada de chuva desta vez.



_ Quer mais? – perguntei a Joseph, ele ainda tremia um pouco, mesmo eu tendo dado as roupas de Nick (que coube perfeitamente nele) para ele se trocar e secado o cabelo dele com um secador, o que foi bem hilário, pois ele, no inicio, se recusou a deixar que eu fizesse, mas após ter uma crise de espiro e perceber que passar a toalha não estava adiantando muito, deixou. Até que ele estava certo em não me deixar querer secar seu cabelo, pois agora ele está com um cabelo de Emo ou se preferir no melhor estilo Justin Bieber no começo de carreira, só que moreno. Eu tinha feito chocolate quente para ele (e para mim também, claro) e ele havia tomado seu copo sem pestanejar.
_ Tem mais? – perguntou.
_ Quando se trata de chocolate eu não economizo.  – respondi. E ele sorriu e entregou-me seu copo para que eu posse mais para ele.
Fui a cozinha, e coloquei mais tanto para mim quanto para ele. Voltei e ele estava sentado, meio espremido no canto do sofá.
_ Quer que eu aumente o aquecedor? – perguntei, entregando-lhe o copo.
_ Não precisa, eu já estou melhor. – falou. Sentei-me a seu lado.
_ E então? Quais são os próximos da lista? – perguntei.
_ Ah sim. – disse pegando sua maleta que estava no chão ao seu lado. Ele tirou o mesmo bloquinho da última vez, que, surpreendentemente, estava completamente seco e o abriu. A Lista agora estava cheio de anotações, feitas em letras minúsculas, tanto que não consegui ler, só sabia que eram palavras. _ Bob Labealth. – falou.
Labealth é definitivamente um suspeito, rico, já foi acusado de vários crimes: Direção perigosa; assedio sexual, agressão a dois funcionários e desacato a autoridade. Como sempre teve bons advogados, sempre escapou na melhor, a maior pena que ele já pegou foi fazer trabalho voluntario por três meses. Meu pai e Bob nunca foram amigos, na época que meu pai começou a comprar parte do banco, Labealth era um dos donos, tinha cerca de 20% do banco. Meu pai conseguiu 28% do banco, na mesma época de Bob foi acusado de assedio sexual sua primeira medida foi tentar tira-lo do banco, alegando que o escândalo do qual ele estava envolvido afastaria os investidores. Bob tinha influencia, mas meu pai tinha mais poder que grande parte dos outros donos, e com isso Labealth foi expulso. Naquela época Bob jurou vingança. Demorou, mas talvez tenha cumprido.
_ Acho que de todos, ele é o maior suspeito.
_ Também acho. – disse e fez um ‘+’ ao lado de seu nome. _ Gabriel Couric.
Gabriel trabalha no banco e vive se metendo em confusões por lá, ele é um dos proprietários de um das sedes do banco aqui em Nova Iorque, o maior deles, diga-se por sinal. Ele nunca escondeu sua ganância, sempre quis conquistar mais espaço entre os outros proprietários, mas nunca conseguiu, pois, ele é ótimo em economia, mas péssimo em outras áreas. Uma vez Gabriel quase conseguiu comprar uma segunda sede do banco, mas meu pai, sabe se lá porque, vetou a venda. Gabriel ficou furioso e houve uma briga conturbada entre os dois. Pode parecer estupido e não render tal suspeita, mas isso tudo aconteceu a uma semana antes da morte de meu pai, Gabriel poderia muito bem ter feito isso, a reunião que meu pai falou, poderia muito bem ter sido com Gabriel, os dois ainda estavam discutindo naquela época.
_ Sim, Gabriel também é um ótimo suspeito. – falei.
_ Não tenho tanta certeza, apesar da história de briga entre os dois, Gabriel me parece um babaca. – falou.
_ Ainda assim, eu não conheço muito Gabriel, mas ele estava com um ódio de meu pai. – falei. _ E meu pai disse que teria uma reunião, podia ser muito bem com Gabriel. Eles sempre estavam tendo reuniões, Gabriel queria que meu pai mudasse de ideia, e eles sempre acabavam brigando no final. Poderia muito bem ser essa a situação.
_ É, sem duvidas um ótimo suspeito. – falou e também fez um ‘+’ ao lado de seu nome. _ último da lista: Wilmer Valderrama. – falou.
Wilmer Valderrama, único proprietário do segundo maior banco do País, e maior inimigo de meu pai, ambos nunca se deram bem, nem mesmo se deram uma chance. Wilmer é conhecido por ser ótimo no gatilho, pois passa todos os seus finais de semana caçando. Apesar de os dois não terem históricos de brigas, Valderrama ainda é um suspeito a ser levado a serio.
_ Sim. – respondi apenas. Naquele momento deu um pique de luz. Assustei-me. A luz voltou por alguns segundos, mas logo se apagou novamente. Desta vez não voltou.
_ Acho que a tempestade prejudicou a energia. – falou.
_ Aff. Ótimo dia para isso acontecer. – falei, por causa da tempestade o dia parecia mais escuro o que realmente deveria estar. Eu quase não enxergava Joseph a minha frente.
_ Acho que não tem como continuar.  – concluiu. _ Terei que ir para minha casa. – falou.
_ Não sei como. – falei.
_ Como assim?
_ Não tem como você sair daqui. – falei ele desbloqueou a tela do seu celular, dando uma pequena luminosidade no ambiente.
_ O que você disse? – perguntou sem crer em minhas palavras.
_ O elevador não funciona sem luz. – respondi.
_ Eu desço de escada.
_ Não tem escada.
_ Que? Como assim não tem escada? – levantou-se. _ Se acontecer um incêndio o que vocês fazem? Morrem?
_ Dizem que o elevador daqui tem alguma proteção contra incêndio então não seria perigoso pega-lo em meio a um incêndio. Eu nunca testei e não pretendo também. – sua expressão era engraçada, parecia descrente, confuso e com raiva.
_ Você só pode estar brincando com minha cara.
_ Nope. – respondi. Aparentemente minha calma só o irritava mais. É meu amigo, o mundo dá voltas...
_ Aqui não tem gerador de energia?
_ Ummm
_ Você não sabe, não é? – perguntou ao ver minha hesitação em responder.
_ Se a luz voltar rápido quer dizer que sim. – falei. Ele suspirou bravo.
_ Que merda de prédio. – falou.
_ É um dos mais caros de Nova Iorque ok? – levantei-me também.
_ E ainda assim é uma merda. – quase gritou.
_ E é nessa merda que você vai ter que ficar até a luz voltar. – gritei. Ele olhou-me serio.
_ Você está fazendo isso de proposito não é? Só porque da ultima vez eu acusei seu namoradinho e sua madrasta.
_ Você realmente acha que eu ia me dar ao trabalho?
_ Você me odeia e do nada me chama aqui?
_ Eu te chamei porque eu tinha duvidas e queria que você me respondesse cara a cara! – ele desbloqueava a tela do celular toda vez que apagava, e cada vez parecia mais bravo.
_ Aé? Então cadê as perguntas? – perguntou. Oops.
_ Se você acha que eu estou mentido, fique a vontade, vá lá fora, tente sair daqui, ache a escada. – nós dois nem mais falávamos, mas sim gritávamos.
_ Pois é isso que eu vou fazer. – disse e se dirigiu para fora estressado. Deixei-o ir sem segui-lo, queria ver ele quebrar a cara e voltar todo arrependido pedindo abrigo.

Um minuto...

Dois minutos...

Três minutos...

Quatro minutos...

Cinco minutos...
Será que ele tinha conseguido sair daqui?
Fui até a porta e encontrei-o sentado (lê-se jogado), no chão do corredor, claramente derrotado.
_ Eu avisei. – falei.
_ Eu sei. – disse entre dentes.
_ E porque não entrou de volta? – perguntei.
_ Para não te dar o prazer de falar – fez uma breve pausa. _ “Eu avisei”.
_ Eu falei do mesmo jeito. – sorri.
_ Percebi. – ficou mais bravo ainda.
_ Ei, nós vamos ter que nos dar bem, e já que você vai ter que ficar aqui...
_ Não obrigado.
_ Acalme-se estressadinho... O aquecedor do prédio todos está desligado, você deve estar morrendo de frio, mesmo estando agasalhado. – falei. _ E para nossa sorte aqui tem uma lareira que é tanto elétrica quanto manual, pelo menos podemos nos aquecer. – sorri tentando parecer convidativa, mas ele continuou com a cara de bosta. _ Eu vou fazer mais chocolate quente. – tentei melhorara a oferta. Joseph suspirou e se levantou, abri espaço para ele voltar.


Lareira ligada, canecas cheias de chocolate quente, estávamos ambos sentados no chão, lado a lado, de frente a lareira e com um silêncio meio chato... O porteiro já tinha nos informado que: O gerador tinha mantido todo o prédio com energia por uns quinze minutos, mas teve sobrecarga, já que ninguém nesse prédio economiza luz. – palavras do porteiro. Que abuso, se tivessem me avisado eu tinha desligado as coisas desnecessárias...

_ Desculpa por lhe fazer perder sua véspera de Natal aqui. – falei, tentando quebrar o gelo, já era quase oito da noite.
_ Meus pais vão me perdoar... Em algum dia... Eu espero.  – segurei o riso. _ Você ia passar o seu Natal sozinha?
_ É, com Lara e meus irmãos na praia e Nick trabalhando... – eu tive tempo o suficiente para falar sobre os últimos acontecimentos.
_ Mas e Logan? – perguntou.
_ Provavelmente esta na fazenda dos pais.
_ Provavelmente?
_ Ele sempre passa o Natal por lá.
_ Mas nesse ano, com o acontecido, teria sido legal dele ficar.
_ Eu sei. – falei. _ Na verdade eu nem sei do paradeiro dele.
_ Como assim?
_ Eu não o vejo nem falo com ele desde o velório. – Joseph não disse nada, mas eu sabia o que ele estava pensando._ Eu sei: Suspeito. – falei.
_ Demetria, quando eu falei que ele era suspeito não foi tão sério assim, minhas suspeitas com ele foram bobas.
_ Mas faz sentido, meu pai morreu e ele desaparece. Eu não acredito em coincidência Joseph...
_ Ele não tem um motivo real para matar seu pai.
_ Mas, não faz sentido o desaparecimento dele. – suspirei frustrada.
_ Você por acaso o procurou? – perguntou. Hesitei.
_ Não.
_ Então não o culpe, talvez ele esteja tentando te dar um espaço, para superar.
_ Me dando um espaço? Eu não pedi para ele me dar um espaço.
_ Mas talvez ele ache que você precisa. – falou. Suspirei.
_ Eu tentarei após o natal. – falei. Ficamos em silêncio por um tempo. _ Obrigada, pela ajuda, você dá um ótimo conselheiro amoroso. – ele riu.
_ E olha que eu odeio essas coisas de romance. – disse.
_ Isso porque você nunca se apaixonou de verdade.
_ E agradeço a Deus por isso. – falou convicto.
_ Quero estar presente no dia que você se apaixonar, só para ver a sua cara de bobo.
_ HAHA. – brincou, mas no final acabamos rindo de verdade. De repente a luz voltou, meus olhos arderam, pois a luz da lareira estava fraca e não me preparou o suficiente para a claridade que o exagerado de luzes na sala provocaria. E pelo jeito que Joseph estava piscando os olhos rapidamente, ele também sentiu o mesmo que eu.
_ Bom, acho que agora você vai poder voltar para casa... E não perdeu sua véspera de natal todo aqui. – falei e sorri, fingindo uma alegria, claro que eu queria que ele fosse, mas eu tinha gostado desse nosso momento aqui, não tínhamos brigado, conversamos pouco, mas o que conversamos foi legal, teria sido legal passar mais tempo assim com ele.
_ Pois é, levantou-se. Posso ir com a roupa do seu primo? – perguntou. Levantei-me também.
_ Claro. – Eu o acompanhei até a porta e ele já ia saindo quando se virou e propôs.
_ Você quer ir passar o natal em minha casa? Eu te trago de volta.
_ Eu? Tem certeza? – perguntei.
_ Porque não?
_ Pelo que você falou é uma festa bem particular da sua família... – falei. Ele sorriu.
_ Hoje você também poderá fazer parte da minha família.

Continua
Olá a todos, vocês devem ter percebido que não postei no dia que prometi, mas desta vez não foi por falta de criatividade ou por problema no computador, mas sim por que eu mesma quis. Sei que não sou a única escritora de fics a reclamar, mas ainda assim, isso frustra. Muitos já me disseram seus motivos, mas e os outros? Porque o número de comentários tem diminuído tanto? É a fic? Sou eu?
Eu sempre gosto de ler suas opiniões e amo receber suas sugestões, sinto muita falta de entrar aqui no blog e ter o prazer de lê-los, mas isso não está tão legal quanto antes. No último capítulo recebi dois comentários, tenho muito a agradecer a Kika e a Fabíola, por favor, não pensem que eu estou a desmerecê-las, agradeço a vocês por tirarem um pouco do seu tempo para comentar, mas eu confesso que me acostumei a receber dois comentários só no primeiro dia de postagem e não dois comentários no total.
Se for questão de tempo, eu peço então para os que não comentam que pelo menos avaliem, para quem não sabe como é só marcar nas “Reações”:   
                                            Pois pelo menos assim saberei genericamente o que vocês acharam do capítulo, não demora nem mesmo dois segundos direito, mas já vai melhorar bastante já que nem isso eu estou vendo ultimamente.
Peço perdão se estou parecendo chata, mas nesse ano eu estou fazendo o meu melhor para tentar entregar os capítulos, estou no 3º anos, o Enem tá chegando, eu tenho cursos na maioria dos dias da semana, eu escrevo no tempo que sobra entre os estudos, eu queria conseguir postar com mais frequência, mas se eu começar a escrever só por entregar, todo o prazer de escrever vai se perder, e não foi para isso que eu criei esse blog.
Não sei se o problema é a fic, sei que ela esta andando meio devagar, mas é porque eu achei que essa história precisava ser assim, já que há muitos acontecimentos, posso tentar acelera-la um pouco e diminui-la, mas isso faria com que eu cortasse alguns personagens da história, mas se vocês preferirem assim, eu faço.
Obrigada, até o próximo capítulo.




Kika: Esse são os suspeitos, pelo menos os que Joe achou, e aí, desconfia de algum? Muito obrigada por comentar. Bjssss

Fabíola: kkkk realmente ela é assim mesmo, bom, pode ser que sua mudança de ideia seja apenas um truque, o que você acha? Muito obrigada por comentar. Bjssss

segunda-feira, 21 de julho de 2014

8. De braços abertos – The Big Apple



Super Divulgação: http://historiasdasilvia.blogspot.com.br/ < super indico esta fic.


Mais uma vez eu me olhava naquele espelho e me fazia a mesma pergunta, você vai conseguir sobreviver pelas próximas 6 horas?
Uma blusa de frio branca de gola alta, um casaco por cima, preto, calça jeans, bota preta, cabelo solto, era incrível como eu parecia mais velha, era como se eu tivesse dormido uma garotinha e acordado uma mulher, para onde foi à garotinha? Eu a queria de volta.


Madame Catherine College¹ não é uma faculdade muito concorrida, talvez os poucos cursos que oferece atrapalhe o seu crescimento, mas também, um prédio estilo gótico de quatro andares, bem em E 33rd St com a 5th Ave, espremidos entre os outros edifícios, as possibilidades de crescimento eram pequenos. Mas o que Madame Catherine tem de pequeno, tem de exclusivo. Apenas pessoas ricas estudam lá, não existe bolsista nem desconto, lá, ou você tem, ou você não entra. Simples assim.
Eu nunca me encantei muito por esta universidade em particular, mas Senhora Lorene – ou se preferir, tataraneta de Madame Catherine, fundadora da universidade da qual estudo – foi uma das clientes de meu pai, quando ele ainda era gerente de banco, aparentemente eles construíram certa amizade, amizade forte o suficiente para que meu pai me jogasse para a universidade da qual ela é diretora atualmente, a universidade de sua família, que passa de geração a geração.

O fato de eu ter faltado as duas primeiras aulas da semana não foi exatamente pela tristeza, é mais por culpa do fato de que eu odeio quase todo mundo por ali, é uma escola de riquinhos, de riquinhos insuportavelmente chatos, poucos se salvam, fora que ter aula na semana de natal é injusto, as férias terminariam bem no dia 24, impossibilitando a todos de viajarem para curtir o natal, não que eu vá curtir o natal desse ano, meu natal havia sido cancelado semana passada.


Quando cheguei tudo ocorreu como o esperado, pessoas me olhavam com cara de pena enquanto eu passava pelos corredores, mas hora e outra, alguma pessoa que se achava intima o suficiente aparecia para me dar os pêsames.


Assim que a professora de História da Moda entrou na grande sala, com exatos 65 alunos ela logo pediu os trabalhos, um texto de no mínimo duas folhas manuscrito, sobre a moda dos anos 60. Eu havia passado minha noite tentando fazer um bom trabalho, afinal de contas, esta era uma matéria que esta me deixando em risco de ser reprovada, Sra. Smith, é aquele tipo de professora que faz tudo o que pode para te ferrar, e ela já havia me ferrado bastante durante o ano.

Com o passar dos horários fiquei aliviada ao perceber que nenhum professor ou aluno quis tocar no assunto “Morte de Eddie Lovato”. Os olhares não se sessaram, mas com o tempo pararam de incomodar tanto, é apenas questão de ignorar. Eu repetia para mim toda hora.


_ Demi? – já estava saindo do prédio depois do dia exaustivo, mas quando reconheci a voz não hesitei em virar-me para trás e cumprimenta-la.
 _ Camilla. – falei e sorri. Camilla Belle, assim como eu, foi ‘jogada’ pelo seu pai nessa faculdade, sendo que o curso dela, jornalismo, é não é lá grandes coisas por aqui, no começo do ano quase tinha sido cancelado por falta de aluno.
_ Não pensei que você voltaria tão cedo. – falou.
_ Trabalhos. – resumi.
_ Ah, claro, os benditos trabalhos que marcam propositalmente perto das férias.
_ Pois é. – falei sem muito entusiasmo, nem era por culpa dela, mas o dia tinha sido meio cansativo, e eu estava sentindo falta da proteção da minha casa, das paredes do meu quarto, da minha cama.
_ Eu estava pensando em ir a sua casa, mas...
_ Você sempre será bem vinda. – falei, percebendo sua indecisão.
_ Eu sei, mas, talvez esse seja um momento da família.
_ Eu nem sei mais se ainda há uma família.
_ Oh Demi. – abraçou-me. _ Lara e as crianças devem estar arrasadas.
_ Lara quer mudar-se. – falei e ela soltou-me do abraço e olhou-me espantada.
_ Para muito longe? – perguntou claramente preocupada.
_ Para a casa de praia. – respondi.
_ Bom, pelo menos eu poderei te visitar de vez em quando. – sorriu fraco.
_ Eu não sei se eu vou.
_ Você pretende ficar aqui? Deixar eles?
_ Não sei. – suspirei. _ Podemos mudar de assunto?
_ Claro. – ela sorriu. Ela também estava incomodada com o assunto, não tanto quando eu, mas, incomodada.
_ E como está o Sam? – ela sorriu boba, como que ela ainda se nega a dizer que está apaixonada por ele?
_ Ele vai vir me buscar hoje, alias. – disse olhando para o relógio. _ Ele já está atrasado. – falou.
_ Como sempre. – ela riu e eu a acompanhei.
_ Você vai querer carona? – perguntou. _ Quando ele chegar.  – completou.
_ Não, Pablo já está me esperando. – falei, ela olhou para o outro lado da rua e percebeu o carro da família estacionado.
_ Ah, estou te atrapalhando não é?
_ Ah sim claro que você está. – rimos. _ Você nunca vai ser uma atrapalhação Camilla.
_ Awn sua linda. – sorriu. _ Mas vou te deixar ir, pois nada como um carro quentinho nesse frio. – falo.
_ Eu estou sentindo falta mesmo é da minha cama. – comentei.
_ Eu que o diga. – rimos. _ Depois do natal eu passo lá viu? – abraçou-me novamente.
_ Sem problemas. Vai ser ótimo ter aquelas noites de amiga novamente. – correspondi ao abraço.
_ Dessa vez só filme de comedia. – falou.
_ Fechado.


...


Se eu achava que iria voltar para casa, enganei-me, havia esquecido completamente que hoje seria o dia da leitura do testamento. Pablo levou-me diretamente para o escritório do advogado da família Harry Alder. Harry é um homem velho, com os cabelos totalmente branco, alto e bem magro, quase esquelético, sua figura é meio assustadora, mas a sua elegância, fora do comum, é hipnotizante, sempre bem vestido, coluna reta, voz na altura certa, nunca grita, nunca fala baixo demais, sempre autoritário, sério, nunca faz piadas e tem certa neura com horários, tudo sempre tem que ser pontual, atrase e se prepare para receber olhares reprovativos.
E sim, é esse exatamente esse olhar que eu estou recebendo agora.

_ Quero deixar claro que, quando esse testamento foi escrito pelo senhor Eddie Lovato, ele estava totalmente lucido e consciente física e psicologicamente. – disse, como se em algum momento meu pai tivesse ficado doido. _ Esse testamento é totalmente valido e é sua última palavra, suas vontades devem ser cumpridas assim como é especificado. – falou e abriu o envelope marrom em que se encontrava o testamento.
Era incrível, isso era tudo. O que estava ali é tudo o que meu pai construiu. Tudo o que nos resta de meu pai. Passamos nossa vida toda construindo e acumulando, para que? Para virarmos um pedaço de papel?
 _ Para meu único sobrinho, Nicholas Jerry Lovato, deixo minhas ações em mineração, da quais acredito que são lucrativas o suficiente para dar-lhe uma melhor condição de vida... – olhei para Nick e vi o quão ofensivas eram aquelas palavras ‘melhor condição de vida’ o irmão do meu pai não era rico, e não deixara muito para Nicholas, e com a profissão de fotografo, ele nunca pode se render ao luxo, mas ele sempre foi orgulhoso do que conquistou e lembro-me muito bem dele reclamar com Eddie sempre que meu pai falava que ele deveria se formar em algo que lhe pudesse render um emprego no banco, pois meu pai faria de tudo para coloca-lo no maior cargo possível, pois segundo ele ‘Nicholas tem uma péssima condição de vida’, sendo que Nicholas tem mais condições financeiras do que meu pai tinha no começo de vida. _ E que ainda poderão render-lhe bons lucros por muito tempo. Deixo também minha coleção de quadros, sei de sua paixão pela arte da pintura e fotografia, tenho grandes nomes em minha coleção, acredito que será de bom agrado ao seu gosto tão refinado, mas até que o meu, para tal arte. – pelo menos essa parte ele tinha acertado em cheio. _ Deixo também em sua responsabilidade cuidar de minha mulher e de meus filhos na minha ausência, sei que Lara é uma mulher forte e independente, mas ainda sim, prego pelo seu bem estar, e deixo em sua mão que ela sempre esteja bem. – finalizou. Todos ficaram em silêncio, Lara estava com os olhos mareados e Nicholas meio que sem reação, quadro? Ótimo. Ações? Fazer o quê? Ser o homem da família? Assustador. _ A Lauren Lovato, deixo uma poupança com cerca de 4 milhões de dólares, na qual, espero que seja gasto sabiamente, com estudo ou com urgências financeiras, das quais não creio que acontecerão, mas que não custa prevenir. Deixo a mesma quantidade a Lucas Lovato.  Deixo também, em nome dos meus três herdeiros, a escritura do apartamento em Nova Iorque e a casa da praia, em East Hampton. – finalizou-se a segunda parte. _ A Lara Lovato, deixo uma poupança de 20 milhões de dólares, e também lhe deixo minhas ações no mercado financeiro, sei que é arriscado, graças as crises econômicas que estão afetando ao mundo, mas acredito em sua recuperação sem que haja muitos danos. Deixo-lhe também as joias da família, muitas são de valores altíssimos no mercado, em caso de necessidade, leilões seriam muito lucrativos. Deixo-lhe também como comandante da família, responsável pelos empregados e da casa em si, lembrando que há uma conta especial para gastos como este, que atualmente acumula cerca de 200 mil dólares. – finalizou-se. _ Quero lembrar-te. – disse Harry, agora não lia o testamento. _ que este testamento foi feito há dois anos, os valores claramente estão reajustados e, graças a sua destreza nos negócios, estão maiores dos que os valores ditos nesse testamento. – e sem esperar por uma resposta – não que iria ter alguma – voltou a ler o testamento. _ A Demetria Lovato, deixo-lhe uma poupança de 3 milhões de dólares, creio que seja o suficiente para que termine seus estudos. Deixo-lhe também o meu cargo de proprietário majoritário do Banco WNNlive...
_ O QUE? – interrompi, olhei-o boquiaberta e ele simplesmente deu uma olhada do tipo ‘cala a boca e me deixa terminar de ler’. Todos me olhavam assustados também, como assim eu ser proprietária de um banco? Eu não sei nada de banco, mal sei tirar dinheiro no caixa sem pedir ajuda.
_ Sei que esta missão é bem complicada... – ignorou-me e retomou sua leitura. _ Pois vejo que Demetria não tem nenhum interesse em nada do banco, mas tenho para mim que ela tem o que acho necessário para ser uma boa banqueira, cabeça tão dura quanto a minha, uma intuição que quase nunca falha e bons amigos, amigos que, para minha sorte, tem algum conhecimento sobre como se funciona um banco, – amigos? Porque ele não colocou o nome do Logan logo? _ e que lhe ajudarão a seguir em frente, continuando o legado do banco e fazendo-o crescer mais ainda. – terminou. _ Quero lembrar-te, senhorita Demetria. – olhou-me irritadiço. _ que seu pai estava totalmente lucido e consciente de suas decisões, se quiser vender sua parte, é uma opção bem rentável, apesar de que seu pai há deixado claro que prefere que tome posição no banco e que o continue seu legado.


...


Saímos do escritório de Harry em silêncio, entramos no carro em silêncio, ficamos o caminho todo em silêncio. O silêncio só foi cortado quando chegamos, e vi as malas todas já dispostas na sala.
_ Lara? – deixei que Nicholas e meus irmão entrassem e fosse para outro lugar, deixando-me sozinha com Lara.
_ Eu espero que você já tenha feito as suas também Demetria. – disse, sem eu nem continuar a falar, ela já sabia o que eu iria dizer.
_ Você sabe que eu não vou.
_ Por causa da faculdade. Eu espero.
_ Não.
_ Você então vai continuar essa investigação?
_ Vou. – Lara parecia se segurar. _ Porque você não quer saber da verdade? Porque você se recusa a acreditar que meu pai não se matou.
_ Eu acredito em você ok? Eu não acho que seu pai se matou, eu só. – hesitou. _ Eu só quero que isso acabe. – sua voz saiu fraca. _ Descobrir quem matou seu pai não vai trazê-lo de volta!
_ Mas vai honrar o seu nome! – gritei.
_ Você quer honra-lo ou vinga-lo? – perguntou. Eu não soube responder, o que eu queria no final das contas, vingança? Honra? Qual é a grande diferença no final?
_ Eu quero justiça. – chutei.
_ Tem certeza que é só isso Demetria? – perguntou, mas antes que eu tentasse responder, continuou. _ Você não percebe Demetria? Que todos nós estamos nos perdendo? Perdemos seu pai, eu estou perdendo meus filhos. – suas lágrimas caiam, mas sua voz continuava firme. _ Eles vivem trancados no quarto, mal comem, falam que está tudo bem, mas eu vejo os olhos vermelhos e inchados de chorar e você, você colocou algo na cabeça, e esta se perdendo por causa disso. – falou. _ Eu não se já te perdi completamente, mas eu não vou perder meus filhos. Eu vou para casa de praia, e se você não quiser ir, não vá, fique e encontre o que você tanto quer, seja justiça, honra ou vingança, faça o que bem entender. – falou. _ Eu não te apoio agora, mas quando você quiser voltar a ser aquela menina que eu criei desde pequena, saiba que eu estarei te esperando, de braços abertos.

Continua

Eu sei que esse capítulo não ficou tão bom, mas levando em consideração que estou escrevendo ao invés de estudar, ele até não está tão ruim. Se tudo sair como o planejado, no próximo capítulo terá um momento fofo de Jemi. Comentem.
Bjssss


Kika: Fico feliz que tenha gostado, no próximo capítulo todos os suspeitos, pelo menos os encontrado por Joe, vão ser revelado, e provavelmente você terá mais ideia de quem suspeitar. Muito obrigada. Bjsss
Fabíola: Fique tranquila, pois serão poucos os capítulos narrados por Selena ou pelo Nick (sim, ainda terá capítulos narrados por ele), a maior parte mesmo será na visão da Demi e de Joe. Espero que você tenha gostado. Muito obrigada. Bjsss
Estela: Sem problemas Estela, comente quando quiser e se puder, como já disse, também estou com dificuldades em comentar nos blogs que costumava ler, pensei que ia conseguir fazer tudo nas férias, mas ainda ficou faltando alguns, prometo que sempre que tiver um tempo tentarei ler lá e comentar. Muito obrigada. Bjsss

Silvia: Não precisa de se desculpar, te entendo completamente, apesar de eu ainda receber comentários, tenho percebido um número cada vez menos também, não sei se é a fic ou se são os seguidores mesmo... Divulguei aqui, espero que dê algum resultado, pois tu merece. Muito obrigada. Bjsss.