domingo, 6 de julho de 2014

6. Encarar a realidade – The Big Apple



Eu, novamente, não consegui dormir, mas desta vez não era só pela tristeza do luto, desta vez também tinha ansiedade.
Eu não sei o que acontece nessas investigações, o mais próximo de filmes que eu vi sobre isso foi o Inspetor Bugiganga, e, por motivos óbvios, eu não acredito que aquele filme condiga com a realidade. Mas, mesmo não tendo ideia do que aconteceria, eu não me arrependo da minha decisão, eu realmente quero estar na investigação, eu quero poder acompanhar tudo, mas eu não podia negar que a aproximação da hora marcada me fazia sentir com falta de ar.

Assim que o despertador tocou acordei, revirei-me na cama e decidi que novamente faltaria a aula, era a última semana, não havia mais provas, apenas alguns trabalhos para serem entregues. Eu não posso dizer que minhas notas estão ótimas, mas dá para recuperá-las no próximo semestre. Virei-me novamente na esperança de cochilar mais um pouco, não havia muito que eu havia conseguido cochilar um pouco, foi um alivio para meu corpo cansado, se eu pudesse ter mais um pouco desta sensação...



_ Senhorita Demetria? – acordei com alguém me chamando e pelo tom da voz, não era a primeira vez que me chamava. _ Senhorita Demetria? – chamou-me novamente. Abri os olhos e vi que era Karla, me surpreendi, não era muito comum vê-la fora da cozinha.
_ Karla?
_ Estão chamando a senhora na sala.
_ Me chamando? Quantas horas são?
_ Duas da tarde.
_ O que? – levantei-me instantaneamente. Era para ser a penas um cochilo!
Meus olhos nem mesmo tinham se acostumado direito com a luz do dia, nem meu corpo estava totalmente desperto, ainda assim eu fiz um esforço para começar a tirar minha camisola enquanto andava até meu armário e pegava a primeira blusa que vi na frente.
_ Senhora? – repetia Karla. _ O que eu devo dizer para o rapaz? – perguntou. Só depois de falar duas vezes que parei para prestar atenção no que ela dizia.
_ Karla, que rapaz? – perguntei.
_ O rapaz que está te chamando. Porque tão literal?
_ Quem é o rapaz?
_ Não sei, ele disse que tinha um encontro marcado com você hoje, mas que não apareceu. – respondeu. É o Joseph.
_ Ah meu Deus! – em um impulso corri para fora do meu quarto e fui em direção para a sala de estar.
Encontrei-o de pé, meio que sem jeito, bem ao lado do sofá. Ele me olhou e ficou parado feito uma estatua. Á primeiro momento eu pensei que eu o tinha assustado com minha aparição desajeitada, mas logo após percebi o que era. Eu ainda estou de camisola.
_ Fiz mal em vir aqui? – perguntou.
_ Não, claro que não, você fez bem, me desculpa, é que eu...
_ Dormiu mais que a cama? – concluiu o que eu não consegui e deu um sorriso fraco.
_ É. - confirmei. Formou-se um silêncio incomodo.

_ Demi? – era Lara que surgiu do nada. _ Quem é ele? – perguntou.
_ Eu sou...
_ Amigo de Nicholas. – interrompi-o antes que ele falasse mais do que deveria.  Lara pareceu desconfiada e continuou olhando para ele, como se esperasse por uma confirmação.
_ Joseph, amigo de Nicholas. – ele confirmou e apresentou-se para um aperto de mão. Lara correspondeu o comprimento de maneira seca e rápida, o que foi bem estranho, já que ela sempre foi receptiva e dócil, mas tudo estava tão confuso e mudado nesses últimos dias...
_ E isso são modos? – falou olhando-me de cima a baixo.
_ Eu já ia me trocar Lara. Mas quero leva-lo ao quarto de Nicholas antes.
_ Eu posso fazer isso por você. – disse pegando-o pelo braço.
_ Pode deixar que eu o levo. – falei, pondo-me na frente deles. Lara soltou-o e olhou-me com um olhar reprovativo.
_ Logan é um bom rapaz Demetria, mas não abuse. – disse.
_ Eu não estou fazendo nada de mal. – falei, mas ela me apenas me ignorou saindo em direção da cozinha.

_ Isso foi bem tenso. – falou Joseph do meu lado. Olhei-o sem saber se ficava nervosa ou se ria. No final acabei apenas pegando-o pelo braço e puxando-o até o quarto de Nicholas.


Assim que Nicholas me viu entrando com Joseph sem seu quarto, ele tirou seu casaco e colocou-o em mim. Hey, estamos no século 21, uma mulher de camisola não é mais ultrajante.
_ Demi, o que é que está acontecendo?
_ Nada. – falei. Nicholas olhou para Joseph.
_ Quem é ele? – perguntou.
_ Aparentemente sou seu amigo. – falou Joseph, antes que eu conseguisse abrir a boca.
_ Joseph, o detetive. – falei.
_ Oh. – pareceu surpreso. _ É ele? – perguntou descrente.
_ Sim, ele. – confirmei.
_ Quantos anos você tem? – perguntou.
_ O suficiente. – respondeu Joseph, tedioso.
_ Olha, Nicholas, eu preciso me trocar, tentem não se matar, e não deixe ele falar com a Lara. – falei e larguei-os lá, sem esperar por alguma resposta.


Quando cheguei a meu quarto e abri meu armário tive uma desconfortável surpresa, tudo o que eu via era vestidos, curtos ou com decotes, para mim que sempre achei o meu armário másculo demais para uma menina que tem condições de comprar o que quiser, era surpreendente ver que na verdade ele era completamente normal. Olhei melhor e achei roupas normais para um dia normal, mas nada parecia adequado.
Vestir algo chique demais para ficar em casa? Ou algo desarrumado demais para quem está recebendo uma visita?
 Acabei ficando com a segunda opção, ele já tinha me visto de camisola, descabelada e com remelas nos olhos, nada podia ser pior, podia?
Coloquei uma legging térmica preta, uma blusa banca de manguinha e completei um uma blusa da Gap cinza, pois, mesmo com o aquecedor ligado, eu ainda sentia frio.

Quando voltei ao quarto de Nicholas, os dois estavam em completo silêncio. Nicholas estava sentado na mesa de computador, enquanto Joseph estava encolhido no meio da bagunça, sentado no sofá de dois lugares do quarto.
_ Vamos? – perguntei sorrindo. Joseph se levantou prontamente, parecendo bastante aliviado com minha chegada. Nicholas também se levantou.
_ Posso falar com você Demetria? – perguntou. Demetria. Lá vem bronca. _ A sós. – completou e olhou para Joseph, que timidamente se retirou e ficou esperando na porta.
Aproximei-me de Nicholas e ele me olhou serio antes de começar a falar.
_ Despeça esse cara. – disse.
_ Nicholas, qual é o seu problema?
_ O meu problema é que não há como ele conseguir resolver este caso.
_ Você nem o conhece. – contrapus, mesmo sabendo que eu também não o conhecia.
_ Perdi o interesse no momento em que ele falou “A madrasta da Demetria é muito gostosa para uma mulher mãe de dois filhos.” – imitou-o irritado. Nicholas tem uma qualidade que eu sempre admirei em um homem, um respeito enorme pelas mulheres. Ele jamais assoviaria para uma mulher na rua e a chamaria de ‘gostosa’ ou ‘gatinha’ ou qualquer outra coisa que pudesse constrangê-la, e, jamais, em hipótese alguma, mandaria uma mulher ir lavar roupa ou falaria que mulher só pode ‘dirigir’ fogão. Ele é tipo aquele cara em que machistas chamam de bixa ou boiola, mas também é o tipo de cara que eu acho mais machão. O comentário de Joseph sem duvidas foi uma ofensa para Nicholas, pois Lara não era qualquer uma, ela é da família, isso o atingia em dobro.
_ Eu vou falar com ele sobre isso.
_ Eu posso arranjar outro detetive, bem mais confiável. – falou e deu uma rápida olhada para Joseph que continuava na porta me esperando. _ E bem mais educado.
_ Se ele der mais uma mancada eu dispenso ele. – falei sem muita vontade. Não sei porque, mas no fundo eu queria que Joseph resolvesse o caso. Eu sei que no primeiro encontro que tive com ele pensei o mesmo que Nicholas: Ele não é capaz de resolver um caso como esse. Mas eu estava tão ansiosa por tudo que resolvi que o melhor a se fazer era dar uma chance, afinal de contas, como ele iria provar que era capaz se ninguém desse uma chance?
_ Promete?
_ Prometo. – respondi. Nicholas não pareceu tão satisfeito, mas eu sabia que ele tinha cedido. _ Ele não deve ser tão ruim assim, eu tive recomendações. – falei.
_ Se você falar que foi uma mulher que o recomendou, eu juro que vomito. – apenas olhei para ele, sem dizer nada e ele fingiu que ia vomitar, entendendo meu silêncio como um sim.
_ Para de ser bobo Nicholas. – falei rindo.
_ Vê se toma cuidado. – falou e deu outra breve olhada da Joseph, que continuava do mesmo jeito.
_ Eu sempre me cuido. – respondi.




_ Aqui é o escritório. – falei abrindo a porta, Joseph entrou, mas não deu muitos passos, apenas o suficiente para que eu pudesse fechar a porta atrás dele. _ Onde ele morreu. – completei, ao vê-lo observando a mancha de sangue no tapete.
_ Porque não tiraram o tapete? – perguntou.
_ Tiraram para lavar. – falei e fui até seu lado. _ Mas Lara pediu para que voltassem com ele, queria que tudo continuasse em seu devido lugar. – falei. Era difícil para eu entrar ali. Os policiais não haviam deixado que eu subisse ao apartamento enquanto o corpo dele estava aqui, mas infelizmente fui bombardeada com fotos dele morto na internet e TV, por mais que eu tentasse fugir, sempre tinha alguém que me fazia lembrar esta tragédia em minha vida.
_ Pretendem fazer deste o santuário dele? – perguntou.
_ Não. – respondi. _ Eu nem sei o que vai acontecer com esse apartamento. – Joseph me olhou sem entender o que eu quis dizer. _ Lara pretende mudar para a casa da praia amanhã. – respondi sua pergunta não perguntada.
_ Você vai também? – perguntou preocupado.
_ Não. – respondi com um aperto no coração. _ Pelo menos não sem ter uma resposta sobre a morte do meu pai. – completei.
_ Então é melhor começarmos. – disse.
_ É.

Eu e Joseph nos sentamos no sofá de couro falso marrom, que fica no canto do escritório, logo ao lado da estante de bebidas. – é, aparentemente é crucial para grandes empresários ter um copo de Uísque sempre a mão. – ele pegou um bloquinho de notas e uma caneta. No bloquinho havia várias coisas escritas, segurei-me para não ler.
  _ Vamos começar pelo principal. – falou. _ Pela lista de suspeitos.
_ Ok.
_ Eu fiz algumas pesquisas...
_ Você realmente está interessado no caso não é? Fez pesquisas, veio até aqui porque eu faltei ao encontro. – falei interrompendo-o e me arrependendo logo após.
_ Eu precisava fazer uma pesquisa para ver que não era um caso perdido e... – hesitou. _ Eu sabia que você queria muito isso, sua falta não seria por um motivo bobo, por isso te procurei aqui.
_ E no final das contas foi porque eu dormi demais.
_ Você não parece ter dormido muito ultimamente, você ter dormido a mais hoje não é um erro tão grave. – falou.
_ Como você sabe que eu não tenho dormido muito ultimamente?
_ Me desculpe, mais isso não é muito difícil de perceber. – ótimo, todo mundo pode ver minhas olheiras.
_ Como você descobriu onde moro?
_ Essa foi a parte mais fácil. – falou. _ Fora que seu endereço nunca foi muito secreto. – completou. _ Mas alguma pergunta?
_ Não, me desculpe.
_ Sempre problemas. – disse e olhou para o bloquinho em sua mão. _ Edgar Loveslen. – disse.
_ O senhor Loveslen? Não.
_ Ele é o segundo dono do Banco, ele poderia muito bem querer ser o dono de todo o banco, e a morte do seu pai pode tornar isso uma tarefa bem fácil e lucrativa.
_ Claro que não, ele podia muito bem negociar com meu pai.
_ A morte do seu pai fez com que os investidores ficassem receosos, o banco vale muito menos agora do que antes, ninguém sabe quem será o novo líder e até que um nome seja declarado o banco pode entrar em falência, Loveslen tem nome no mercado, e ele é um gênio, ele pode comprar o banco por um terço do que ele vale hoje e pode fazer com que o banco cresça tanto quanto cresceu com seu pai. Seria uma jogada de mestre e muito lucrativa.
_ Eu me recuso acreditar que ele tenha feito um plano tão... – eu não conseguia nem terminar a frase.
_ Ele estava na festa? – perguntou Joseph.
_ Eu... – hesitei. _ Não me lembro de tê-lo visto. Mas isso não significa nada. – Joseph me olhou como se eu estivesse errada. _ Ele estava no velório.
_ Isto também não significa nada. – falou.
_ Ele não matou meu pai.
_ Você realmente quer tirá-lo da lista?
_ Sim. – respondi sem pestanejar.
_ Tudo bem. – ele riscou seu nome do bloquinho. _ Juan Gaus.
_ Ele foi o antigo motorista doo meu pai, ele não iria matar ele, foram anos de serviço.
_ Juan sofreu um acidente no carro do seu pai. – tentou justificar-se.
_E meu pai pagou pela recuperação dele.
_ Foi um braço quebrado.
_ Meu pai pagou o gesso que usaram nele.
_ Ele processou o seu pai e seu pai ganhou, ele quase foi deportado de volta para o México.
_ Ele queria processar meu pai sendo que ele que tinha culpa, ele bateu o carro por estar em alta velocidade e ele estava usando o carro fora da hora de serviço.
_ Ele alegou que as alegações de seu pai eram falsas.
_ Mas a pericia comprovou que ele estava em alta velocidade.
_ Ele acredita que a pericia foi comprada e que era falsa.
_ Não tem como um pericia ser fraudada. – contrapus já nervosa.
_ Você está alegando o mesmo que ele agora. – falou com uma voz calma que só me irritou mais ainda.
_ É diferente. – gritei. _ O velocímetro do carro travou na hora da batida, está lá, a velocidade do carro, era muito acima do que a rodovia permitia.
_ Não é diferente Demetria. – a tranquilidade em sua voz era a chama da minha raiva. _ A pólvora está na mão de seu pai, toda bala deixa um pequeno rastro de pólvora na mão do atirador quando é disparada. – parou de falar e olhou para mim, eu sentia meu sangue correr por todo o meu corpo, meu coração acelerado de raiva.
_ Talvez ele seja um suspeito a se levar em conta. – falei, o mais calma que consegui. Joseph ignorou meu nervosismo e apenas fez um ‘V’ ao lado do nome de Juan.
_ Linda Devonne. – ok, esse cara é doido.
_ Você sabe que ela é minha avó, não sabe? – perguntei, respirando fundo.
_ Sei. – disse apenas.
_ Sogra do meu pai.
_ Ex-sogra. – corrigiu-me. Continuei a tentar me controlar em silêncio. _ Ela odeia seu pai... Odiava.
_ Ela não seria capaz de mata-lo.
_ Ela o culpa da morte da sua mãe. E em uma entrevista jurou vingança.
_ Foi no calor do momento.
_ Ela jurou vingança em uma entrevista feita há um ano, a sua mãe morreu há 19 anos... Não foi no calor do momento.
_ Ela já tem quase 90 anos, deve estar acabada, como ela mataria um homem?
_ Você não vê muito ela, não é? – perguntou. Ah sei lá, a última vez que eu vi ela eu tinha o que? Dois anos de idade... Claro que eu não a vejo muito.
_ Isso faz alguma diferença?
_ Eu não sei o que ela toma, mas até onde eu sei, mesmo estando com 82 – deu grande ênfase a sua idade. E daí se não sei a idade dela? Eu não disse 90, eu disse quase 90. _ Ela está com uma saúde invejável. E parece que além da aposentadoria, ela ganha uma mesada do seu pai, ela teria condições de contratar alguém mais jovem.
_ Você acha que ela contratou um matador de aluguel?
_ É uma hipótese.
_ Eu não sei, ela é... Minha avó. – falei com um aperto no coração.
_ Me desculpe, mas vocês duas não parecem ter muito do que se chama ‘relação de avó de neta’.
_ Talvez ela também me odeie e me culpe. – minha voz saiu monótona e sem energia.
_ Eu não sei o que aconteceu, mas não é sua culpa. – falou, olhei-o e ele sorriu para mim.
_ Próximo da lista. – falei ignorando-o. Ele hesitou.
_ Lara Lovato. – olhei-o já cansada de seus suspeitos fajutos.
_ Me diz que foi uma piada.
_ Desculpe-me Demetria, mas eu me vejo na obrigação de suspeitar de todos. Lara era a esposa de Eddie, eu sei, mas no caso de sua morte ela receberia do seguro o equivalente a 14 milhões de dólares parcelados em três anos, isto é quase 4,7 milhões por ano. É um número tentador.
_ Ela poderia ter muito mais se ele tivesse vivo. E ela não é assim. – voltei a elevar minha voz, apesar de ainda não estar gritando. _ Ela nunca pediu nada de meu pai, o casamento deles foi com separação total de bem e ela ainda trabalha como enfermeira...
_ Em que hospital? – interrompeu-me.
_ No mesmo que sempre trabalhou.
_ Em que hospital? – repetiu.
_ Eu não sei.
_ Em que horário ela trabalha?
_ Isso depende, na maioria das vezes é no turno da noite, mas ela já trabalhou no turno da tarde e da manhã também.
_ Tem certeza que era por trabalho?
_ Eu não admito que você fale assim dela. – apontei o dedo em sua face. Linda face, diga-se de passagem.
_ Você realmente tem uma boa relação com ela?
_ Claro que tenho, ela me criou como filha, desde que eu era pequena.
_ Você a chama de mãe?
_ Isso não vem ao caso.
_ Porque hoje vocês estavam tão hostis?
_ Desde a morte do meu pai nossa relação de desgastou um pouco...
_ Ela não quer que você investigue a morte do seu pai. – concluiu. _ Por isso não disse que eu era um detetive, mesmo que a ajuda dela fosse imprescindível.
_ Ela se sente culpada.
_ Ah não me diga. – disse sarcasticamente.
_ Próximo da lista. – gritei. Ele olhou-me nervosos.
_ Você não está ajudando Demetria.
_ Próximo da lista.
_ Logan James Bache.
_ Ah não, chega por hoje. – levantei-me do sofá. _ Ele é meu noivo. – gritei.
_ Nome muito cotado como sucessor do seu pai.
_ Ele estava do meu lado na festa.
_ Tem uma boa aquisição econômica, poderia muito bem contratar alguém.
_ Cale a sua boca. – gritei. Ele ainda estava sentado no sofá com o bloquinho na mão, como se tudo estivesse normal. _ Saia da minha casa. – exigi. Ele, com movimentos lentos demais para minha pouca paciência, guardou o bloquinho em sua maleta e se levantou.
_ Para quê você me contratou afinal? Para brincar com a minha cara?
_ Para quê você veio? Para ofender a todos que me acercam? – Ele se aproximou de mim, senti o cheiro de seu perfume que era levemente doce, mas que combinava com ele, não o deixava com jeito de ‘sensível demais’ e nem o fazia parecer ‘bruto demais’ era como se o perfume equilibrasse os dois extremos.
_ Você sempre se surpreende com o fato de eu ser muito jovem, mas se esquecem de que o que faz um bom detetive não é a idade, mas sim a capacidade de deixar de lado o sentimento e encarar a razão e a logica, você não vai conseguir nada se continuar a defender aqueles que você ama, muitos inimigos sorriem para você e te promete fidelidade eterna, e esses são bem piores do que aqueles que dão a cara à tapa e se mostram inimigos de verdade.
_ Você não pode sair acusando qualquer um sem provas.
_ Você por acaso abriu sua mente para ver as provas? – perguntou. Calei-me furiosa. Provas? Tudo que ele trouxe foram especulações ridículas. _ Eu volto. – falou após perceber que eu não iria respondê-lo. _ Quando você estiver realmente pronta para encarar a realidade. 


Continua

Como todos estão? Demorei a postar, mas em compensação o capítulo ficou um pouco maior, espero que vocês tenham gostado.
Não se esqueçam de comentar/avaliar.
Bjssss


Kika: muito obrigada, qualquer dia vou postar uma foto dela J ainda assim agradeço, pois principalmente agora que o número de comentários está menor, é sempre uma alegria receber um, e é sempre bom agradecer a aqueles que te fazem alegre. Muito obrigada por comentar. Bjssss
Carine: Gostou da Selena, já digo que no próximo capítulo ela vai aparecer novamente. Espero que tenha gostado. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Fabiola: kkkkkkkk espero que tenha gostado desde capítulo tanto quanto você gostou do anterior. Coitada mesmo, mas ele tem seus motivos, mas a Selena não vai desistir do sonho tão fácil.  Bom, não posso falar que não nem que sim porque isso tirar a graça, mas você pode fazer sua aposta, agora tem até mais nomes para se suspeitar, e olha que é só o começo ainda kkkkk. Muito obrigada por comentar. Bjssss.

domingo, 29 de junho de 2014

5. Em busca de um assassino – The Big Apple



Cheguei a minha casa e fui recebido pela minha querida – e curiosa – irmã menor.
                _ Onde você estava? – perguntou.
                _ Não era em casa, como pode ver. – respondi tirando o casaco e o jogando de qualquer jeito no pequeno armário logo na entrada da casa.
                _ Sair de casa tão cedo, deve ter sido uma pessoa, digo, uma mulher de muito poder, se é que me entende. – falou sapeca.               
                _ Na verdade eu não entendo. E você não deveria pensar coisas assim, você ainda é uma criança.
                _ Criança Joe? Sério isso? Eu não sou mais criança.
                _ Selena você sempre será um criança.
                _ Uma criança que já beija na boca e que já...
                _ Me poupe das porcarias que você faz com aquele brutamonte. – interrompi-a antes que me arrepende-se do que vinha depois. Sai para meu quarto, mas pude ouvir seus passos apressados atrás de mim.
                _ Então você não quer saber sobre a última novidade? – perguntou, parei onde estava e olhei-a. Que não seja casamento, que não seja casamento, minha pequena não pode casar com aquele merda.
                _ Nos separamos. – se isso for sonho não me acorde. _ Pode comemorar. Você sempre quis isso mesmo. – falou, ela não parecia realmente triste, mas podia sentir que ela não estava totalmente bem.
                _ É claro que isso merece uma comemoração. Jantaremos chinesa hoje e por minha conta. – sorri. Ela virou os olhos. _ Porque vocês se separaram? – perguntei.
                _ Talvez Deus tenha escutado suas orações?
                _ Bom, em alguma vez isso tinha que acontecer, não é? – respondi, Selena suspirou e deu um sorriso falso. _ Mas serio. O que foi que aconteceu? – falei me aproximando dela, dando um abraço de lado e guiando-a a meu quarto, ela começou a me acompanhar sem hesitar.
                _ Ele esta me proibindo de tentar seguir carreira de modelo.
                _ E por acaso alguém está te apoiando? – perguntei sincero, ninguém da família queria que ela fosse modelo, só uns amigos dela, tão sonhadores e inocentes quando ela, que achavam isso uma boa ideia.
                _ Não, mais eu não vou ficar com alguém que ameaça se separar ou me prender dentro de casa se eu tentar seguir em frente.
                _ Prender dentro de casa? – não há como negar, era uma ótima ideia.
                _ Cala a boca Joe. – ela de deu um leve tapa na barriga. _ E eu não sei qual é problema de vocês... – resmungou, assim como sempre fazia quando era esse o assunto.
                _ Eu não quero que você viva de água e drogas, vomitando o que não tem na barriga, só para tirar meia dúzia de fotos.
                _ Joe, eu não tenho problemas alimentares nem com drogas, e nem vou ter, você podia confiar um pouco em mim. – saiu do abraço e parou na minha frente, bem diante a porta do meu quarto, cruzou os braços e ficou séria.
                _ Selena, da última vez que te levamos a uma agencia, o cara falou que você tinha que emagrecer, você ficou louca fazendo umas dietas estranhas sendo que você já é magra.
                _ Eu tinha 14 anos Joe, eu era influenciável. – justificou-se.      
                _ E se o agente falar a mesma coisa? Eu sei que você vai fazer a mesma palhaçada.
                _ Eu sei os limites do meu corpo agora. Joe isso foi há cinco anos.
                _ Isso foi há cinco anos.
                _ A maioria das modelos de sucesso, na minha idade, já estava com carreiras internacionais – disse sem esconder a frustração.
                _ Mais um motivo para você desistir. – ela não respondeu, apenas colocou uma carrancuda na cara, se virou pro quarto dela – que fica bem ao lado do meu – e entrou batendo a porta com toda a força.
                Eu odiava isso, eu não queria ser o vilão da história, Selena é minha pequena, minha irmã mais nova, e eu, pelo menos por agora, tenho uma boa relação com ela, parece até injusto destruir isso por uma bobagem. Tudo bem que tiveram tempos em que eu não gostava dela, quando descobri que eu iria ter uma irmã e não um irmão foi uma loucura, eu não queria uma menina eu queria um menino, e quando ela nasceu fiz questão de não ajudar em nada, e ainda reclamar, hoje tenho pena dos meus pais, deve ter sido complicado me aguentar naquela época, mas desde que meu pai ficou doente eu me senti na responsabilidade de me aproximar dela, e mesmo agora que ele está curado eu ainda faço da minha missão protege-la. Ela tem tudo para ser modelo, ela é bonita e esse é seu sonho, mas deixa-la sucumbir em um mundo em que a imagem vendida é quase impossível, em que mulheres e até mesmo homens se tornam doentes no objetivo de chegar ao corpo perfeito, até que morrem sem conquista-los, pode parecer paranoia da minha parte, afinal de contas, nem todas as modelos são doentes ou morrem de anorexia ou bulimia, mas o índice é alto de mais para ser ignorado ou subestimado.
                _ Brigou com Selena novamente? – perguntou minha mãe, virei-me e vi-a com um cesto de roupas.
                _ Ela e a ideia de ser modelo novamente. Sempre acaba assim. – dei de ombros.
                _ Tenha mais paciência Joe, não é fácil para ela. – falou compreensiva.
                _ Eu sei, mas o que eu posso fazer?
                _ Deixe-a sonhar um pouco, sonhar nunca fez mal. – falou.
                _ Já está na hora de pô-la o pé no chão. – minha mãe riu, ela também não queria que Selena fosse modelo, mas de todos era a mais compreensiva, não queria, mas aceitava e se por acaso Selena pedisse ajuda, provavelmente ajudaria, mesmo contra sua própria vontade. Minha mãe, Denise, sempre foi assim, ela sempre mimou a mim e a Selena desde que cumpríssemos regras simples, nós teríamos tudo o que quiséssemos.
                _ E está na hora de você aprender a por sua roupa suja no cesto. Eu não vou ficar procurando por elas no seu quarto, vai saber o que posso encontrar.
                 _ Câmeras, muitas câmeras. – falei. Ela riu e fez uma cara de desconfiada.
                _ Leve suas roupas para a lavanderia enquanto eu estiver lá, se por acaso quiser elas limpas.
                _ Não precisa ficar com medo de entrar mãe.
                _ Se não levar você mesmo vai lavar. – falou saindo e ignorando a minha tentativa de fazê-la pegar as roupas e poupar-me do trabalho. Não acho que minha mãe seja empregada, mas eu sempre fui meio preguiçoso em tarefas de casa e quanto menos eu fazer, melhor para mim.

                O dia passou bem pacato, passei boa parte da minha tarde no meu quarto jogando videogame, eu sempre fui aqueles nerds que jogam o dia inteiro, não sou bom em matemática e nunca fiz uma faculdade, mas me mande jogar qualquer jogo que eu arraso.  Porém, hoje, eu não estava indo bem, eu só pensava na conversa que tive mais cedo, com Demetria Lovato, filha do falecido Eddie Lovato. Lovatos, atuais donos do Banco WNNLive, o banco do qual eu acumulo ódio e gratidão ao mesmo tempo.
                 Meu pai passou sua vida inteira trabalhando no WNNLive, nunca teve grandes oportunidades, passou sua vida inteira trabalhando quase como um escravo, o salário era pouco, mas o trabalho era muito, quantas vezes meu pai chegou cansado e com papeis de baixo do braço, ele podia não estar mais lá, mas ainda tinha muito trabalho a fazer... Motivos para que Eddie tenha sido assassinado por um empregado insatisfeito é grande, esse pouco caso com os funcionários do banco é histórico, mas todos aceitam tal humilhação na esperança de ser um próximo Eddie, todos ainda acreditam que se esforçassem um pouco mais ainda seriam donos do banco, seriam ricos. E foi nessa ganancia que meu pai adoeceu e foi parar no hospital, e foi justo nesse momento, em que eu me tornei um dos vários haters do Banco WNNLive, que eles se mostraram não serem tão ruins, assim que souberam da doença do meu pai, pagaram um plano de saúde para ele, não tenho duvidas de que sem esse plano de saúde meu pai não estaria vivo hoje, o contrato do meu pai não incluía auxilio doença, eles poderiam ter simplesmente deixa-lo morrer. Para mim foi como um “Hey, nós ferramos sua vida, então vamos tentar ajudar agora para não ficarmos como os caras ruins”.
                O que eu deveria levar em conta?
                Eles destruindo meu pai ou eles salvando o meu pai?

                Desliguei o videogame e abri o notebook, comecei a pesquisar sobre o Banco WNNLive, sobre Eddie e sobre sua família e após ler todas os artigos que pude encontrar, percebi que talvez Demetria não estivesse tão enganada, se apenas com uma pesquisa na internet eu achei 12 pessoas que teriam motivos de sobra para querer matar Eddie, o que mais poderia estar escondido entre os próprios familiares e no banco? Quantos inimigos a mais Eddie poderia ter cultivado? Até onde os inimigos dele chegariam?
                Pensei em como investigar isso mudaria minha vida, eu não estou com nenhuma investigação por agora, a última ligação que recebi tinha sido há duas semanas, um serviço pequeno e com remuneração baixa, Demetria seria a chave para que eu me tornasse um detetive renomado, eu me tornaria o detetive dos milionários.
                Peguei meu celular e enviei uma mensagem para Demi:
                               “Começaremos a investigar amanhã, nos encontramos no mesmo lugar amanhã as onze?”
                Não demorou muito para que recebesse uma resposta:            
                               “Combinado, amanhã as onze.”
                É isso, eu acabara de entrar em um desafio, amanhã sairei em busca de um assassino.

Continua

Capítulo postado, espero que gostem, como perceberam nesse capítulo tivemos a visão de Joe e não a de Demi como nos ouros capítulos, e já aviso que vai ter muito disso nesta fic, as vezes a história será contada por Demi, as vezes por Joe, talvez até por Selena e por Nick, já que eles também terão papel de destaque nesta fic.
Não se esqueçam de comentar/avaliar.
Bjsssss

Giovanna: Muito obrigada pelos elogios, espero sempre poder fazê-los jus, fico muito feliz que tenha gostado do encontro e espero que tenha gostado deste capítulo também, obrigada por comentar. Bjssss
Kika: Que linda sua tatuagem, eu também tenho uma no pulso, só que não é Stay Strong, é um clave de sol (não é aquela que esta no instagram, aquela é de caneta kkk, mas é igual aquela) bom, espero que tenha gostado deste capítulo, muito obrigada por comentar. Bjsss
Carine: kkkkk pode ser, vai saber? Mas você vai ver que ainda tem muitos suspeitos, faça sua aposta, espero que tenha gostado do capítulo, muito obrigada por comentar. Bjsss
Fabiola: Você não é a única que está suspeitando dela, mas ainda tem muita história pela frente, pode ser que você mude ou não de ideia, kkkkkk vejo que tu é apaixonada pelo Joe, espero que tenha gostado deste capítulo, muito obrigada por comentar. Bjssss

terça-feira, 24 de junho de 2014

4. Em busca da Verdade – The Big Apple




   Ele sorria amigavelmente, mas eu não demonstrava o mesmo.
             Eu não queria ser chata, mas quando Sofia falou sobre o detetive ele me pareceu ser eficiente, mas esse garoto que estava na minha frente não demonstrava ser muito confiável. Eu vou precisar de alguém muito bom e experiente para o trabalho que eu queria, não era apenas um caso de traição, mas de descobrir um autor de um assassinato.

             _ E então? Porque você me chama? – perguntou.
             _ Você é o detetive? – perguntei com um pouco de desdém.
             _ Sou. – confirmou.
             _ Quantos anos que você tem? – perguntei.
             _ 25. Algum problema?
             _ Bom...
             _ Você esperava alguém mais velho?
             _ Pra falar verdade, esperava sim. – ele sorriu.
             _ Eu tenho ótimas recomendações.
             _ Eu sei, te recomendaram muito bem.
             _ Quem me recomendou? – perguntou.
             _ Sofia Vargas. – respondi. Ele deu um sorriso entusiasmado.
             _ Ah! Sofia Vargas, cliente inesquecível.
             _ Inesquecível? – perguntei desconfiada.
             _ Inesquecível. – confirmou. _ uma mulher inesquecível. – olhei-o um pouco assustada.
             _ Vocês...?
             _ Ela é uma mulher bem fiel, já não garanto o mesmo do marido. – deu de ombros.
             _ Você é sempre assim? Tão... – eu não soube terminar a frase.
             _ Eu sei apreciar uma mulher bonita, apenas isso. – declarou.
             _ E esse seu sotaque falso? – perguntei ficando impaciente.
             _ Meu sotaque é inglês. – pareceu ofendido. _ Eu sou inglês. – concluiu. Eu suspirei frustrada, aonde eu tinha me metido? _ Não fique chateada, você também é bonita. – falou. Quem esse cara pensa que é? _ Mas eu tento respeitar as mulheres comprometidas. – disse apontando para meu anel de compromisso.
             _ Sofia é casada.
             _ Mas o marido dela é uma merda, por acaso seu namorado também é?
             _ Não! Ele é um ótimo homem.
             _ Então não precisa ficar ofendida.
             _ Eu não estou ofendida.
             _ Então qual é o seu problema? – exaltou-se.
             _ Meu problema é que eu estou perdendo meu tempo aqui com você. – bati a mão na mesa.
             _ Você me chamou aqui e eu poderia estar atendendo outro cliente. Um cliente que realmente me desse crédito. – contrapôs. Tentei me acalmar, agora ele já estava aqui, eu poderia tentar.
             _ Tudo bem, me desculpe, foi tudo bem inesperado. – comecei. _ eu preciso que você solucione um caso para mim. Um caso de assassinato.
             _ Para isso não existe a polícia?
             _ Eu estou tentando...
             _ Ok, não precisa ficar nervosa.
             _ Eu não estou nervosa! - ok, talvez eu estivesse, mas pudera, meu pai estava morto, um assassino estava solto, e a pessoa que eu estava contando para me ajudar era um merda. _ Meu pai foi assassinado.
             _ Eu pensei que ele tinha se matado. – interrompeu.
             _ Você sabe que meu sou?
             _ Demetria Lovato, filha de Eddie Lovato, banqueiro, morto há... – pareceu para fazer conta. _Três dias?
             _ E ainda assim você me trata assim?
             _ Eu não sou injusto, não trato melhor ninguém só porque minha casa é do tamanho do seu banheiro de empregada.
             _ Eu não estava... Deixa. Meu pai não se matou.
             _ E o que te leva a pensar isso?
             _ Meu pai não se mataria.
             _ Demetria, eu não conhecia seu pai, mas já foi comprovado, eu não te recomendaria...
             _ Eu estou pagando. – interrompi.
             _ E eu estou te ajudando a não gastar dinheiro atoa.
             _ Eu não estou gastando atoa. E se eu estiver, o dinheiro é meu, eu gasto onde quiser.
             _ Isso é uma péssima ideia.
             _ Eu não te contratei para que você me dê opiniões.
             _ Eu ainda não fui contratado. – observou.
             _ E como eu te contrato? – perguntei, pode parecer idiota, mas eu nunca me importei com contratos, no fundo isso é para que eu não me envolvesse em nada de negociações, eu sempre odiei tudo isso.
             _ E quem disse que eu quero ser contratado? – perguntou. Mas o que? _ Olha, admiro sua vontade, mas temos ser racionais, tudo bate: crises na empresa, uma festa em que toda a família está fora, empregados dispensados, ele sozinho, arma encontrada na mão do seu pai, pólvora encontrada na mão do seu pai... Tudo bate.
             _ Quer saber? Se você não quer, não tem problema, eu acho outro alguém.
             _ Porque você quer ser enganada?
             _ Eu só quero uma resposta!
             _ Mas a resposta já foi dita!
             _ Eu preciso de outra opinião. – ele se calou por alguns instantes.
             _ Tem algum suspeito.
             _ Ele ia ter uma reunião com algum empresário...
             _ E então qual é o problema? Foi esse cara.
             _ Foi uma conferencia pela internet.
             _ Oh. – pareceu decepcionado. _ Então... Mas um motivo para pensar que.
             _ Não diga. – interrompi, já prevendo sua conclusão.
             _ Ele pode ter recebido uma noticia ruim.
             _ Ou essa pessoa pode ter aparecido lá e o matado.
             _ Você é insistente, disso não há duvidas.
             _ Digo o mesmo de você.
             _ Tudo bem, você tem um ponto, bem ilusório, mas é um ponto. – falou. _ Eu te ligo. – levantou-se.
             _ Você o que? – perguntei, levantando-me também.
             _ Te ligo.
             _ Eu queria que você me colocasse na investigação.
             _ Como suspeita?
             _ Não,- mas que idiota. _ eu acredito que talvez tenha sido alguém da empresa, e eu posso te colocar lá dentro sem suspeitas.
             _ Você quer me ajudar na investigação?
             _ Sim.
             _ Você é pior do que eu pensava.
             _ Me diga que sim. E me fale o preço, eu pago, eu assino o contrato.
             _ Eu nunca disse que aceitei.
             _ Mas você disse que ia me ligar.
             _ Para dizer se eu mudei de ideia ou não.
             _ Você está negando trabalho?
             _ Eu gosto do que faço, mas não vou perder meu tempo em algo sem futuro. É muito melhor para mim arranjar serviços simples mas que levam a algum lugar.
             _ Você quer viver o resto da vida à procura de marido traidor?
             _ Eu, ao contrario que você, aprendi a me conformar com o que eu tenho.  – e saiu, fui atrás, mas fui impedida no meio do caminho por uma garçonete.
             _ Me desculpe senhorita, mas não pode sair sem pagar.


...

             Sem duvidas meu dia não tinha começado bem, e no fundo eu não esperava que algo de bom acontecesse, o que claramente não aconteceu.
             Não apareci na faculdade, não estava com cabeça para ver ninguém, sei que seria bom, distrair um pouco, mas talvez eu quisesse sofrer, talvez eu quisesse ficar no luto e senti-lo com toda a força. Talvez eu não quisesse ficar bem...

             _ Você não tomou café com a gente, nem almoçou. – reclamou Lucas.
             _ Desculpa Lucas, eu tive que sair.
             _ Você também não quer mais ficar aqui, não é? – perguntou.
             _ Venha. – pedi, eu estava no meu quarto, como grande parte do meu tempo ultimamente. Ele entrou e se sentou na cama, distante. _ Eu não disse isso. Eu sempre saí muito.
             _ Mas ninguém quer ficar mais aqui, mamãe também não esta parando em casa e agora ela quer nos levar para ficar na casa de praia. – falou.
             _ Ela quer o que? – surpreendi-me.
             _ É, ela disse que seria melhor se fossemos para lá.
             _ Mas ela não pode fazer isso.
             _ Eu já estou férias na escola, você nessa semana entra de férias na faculdade, nós iriamos para lá de qualquer jeito. Só que ela quer ir para não voltar.
             _ Eu vou falar com ela, ela vai mudar de ideia.
             _ E se for melhor irmos mesmo? – perguntou.
             _ Eu também não quero ficar mais aqui, tudo me lembra dele.
             _ Talvez mudar de apartamento não fosse uma má ideia. Mudar para a casa da praia iria complicar tudo, você e a Lauren teriam que mudar de escola, a própria Lara teria que sair do emprego... É calor do momento. O clima aqui está ruim, mas vai melhorar.
             _ Você acha que um dia vai melhorar? – não acho.
             _ Claro que vai. – ele não pareceu tão convencido, mas assim como ele, eu também não estava. _ Eu vou lá falar com a Lara, ok? Quer vir comigo? – perguntei.
             _ Não, eu vou para o meu quarto. – falou, olhei-o com um olhar triste, era sempre assim, nossos quartos haviam se tornado refúgios. _ Vai ter maratona de Naruto na TV. – disse como se quisesse se justificar.
             _ Tudo bem, mas tarde eu passo no seu quarto para um beijo de boa noite. – falei. Ele deu um sorriso de canto e saiu.

            
             Não achei Lara no quarto, mas sim no escritório do meu pai, eu não tinha entrado lá desde o dia de sua morte, mesmo depois de ter sido lavado o tapete ainda tinha a marca de seu sangue, o mais obvio seria tirá-lo, mas por alguma razão Lara queria que tudo continuasse da mesma maneira que estava.
 Ela se assustou quando me viu.
             _ Demi.
             _ Oi Lara, eu queria conversar com você. – falei. Ela estava sentada na mesma cadeira que meu pai se sentava.
             _ Entre. – disse. Fiquei em duvida, talvez fosse melhor irmos para outro lugar da casa, mas não adiantava fugir, adianta? Entrei apenas um pouco, de todos os cantos do apartamento, aquele era o que eu mais temia por agora, não sentei, apenas cruzei meus braços, como se isso pudesse me proteger ou me dar forças para aguentar firme.
             _ Lucas me disse que você quer mudar para casa da praia.
             _ Sim. – pareceu aliviada. _ Não esta fazendo bem ficar aqui. – falou.
             _ Durante as férias tudo bem, mas viver lá? É muita mudança para eles Lara.
             _ Eu sei, e eles estão precisando disso, nós estamos precisando disso. – ela gesticulava muito com as mãos.
             _ Eles vão ficar longe de todos que conhecem, dos amigos... Não é hora para isso.
             _ Eles podem fazer novos amigos e hoje, com o mundo tão conectado, não será um adeus.
             _ E eu? – perguntei.
             _ Oh Demetria, eu sempre cuidei de você e não será agora que eu vou te abandonar, você pode ter crescido, mas eu quero que você vá junto.
             _ Não é tão fácil para mim, mudar de faculdade? Existe todo um processo trabalhoso em cima disso, e isso vai atrapalhar toda a investigação...
             _ Investigação?
             _ Eu vou investigar a morte de meu pai.
             _ Você o que? Demi... Você... Você enlouqueceu? – perguntou se levantando da cadeira.
             _ Não, eu não acredito que ele tenha se matado, eu quero saber o que realmente aconteceu.
             _ Demi. – ela se aproximou de mim e tocou em meu rosto. _ Eu sei que não esta sendo fácil para você. – soltou-me. _ Eu era a esposa de Eddie, eu deveria ter visto que ele estava mal e eu não vi, eu não consegui ajuda-lo, mas aconteceu e eu não posso voltar atrás, eu estou tentando com todas as minhas forças não desmoronar, eu estou tentando seguir em frente e você quer mexer em tudo.
             _ Eu só quero uma resposta.
             _ Você já tem uma: Eddie se matou.
             _ Eu não aceito essa resposta.
             _ Eu não vou deixar que você mexa na memoria do seu pai desse jeito Demetria.
             _ O que você teme?
             _ Eu não tenho nada a temer Demetria, eu só quero ter um pouco de paz nessa família e isso não vai acontecer enquanto não pararmos de olhar para o que aconteceu. Nós temos que aceitar e seguir em frente.
             _ Eu não vou aceitar enquanto não saber a verdade. – Lara ficou rígida.
             _ Nós vamos para a casa de praia na quarta-feira, logo após a leitura do testamento, estamos combinadas? – perguntou-me firme.
             _ Eu não vou. – vi seu maxilar enrijecer. Ela andou mais perto de mim e quando estávamos cara a cara disse:
             _ Se você não for, esqueça-se de mim e de seus irmãos. – antes que eu pudesse reagir ela saiu do escritório. Não é possível que ela esteja falando serio? Porque ela não quer me ajudar? Eu entendo que ela esteja se sentindo mal ou até mesmo culpada, será que ela não vê que eu estou na mesma situação? Eu também queria ter ajudado. Eu perdi meu pai, nunca se substitui um pai, o que há de mal em querer saber a verdade? E se toda a investigação dar no mesmo qual é o problema? Eu só quero uma segunda opinião.
            
Eu ia saindo do escritório, quando senti meu celular vibrando no bolso da minha calça. Olhei e era uma mensagem:
                             “Começaremos a investigar amanhã, nos encontramos no mesmo lugar amanhã as onze?”
             Não pensei duas vezes antes de responder.
                             “Combinado, amanhã as onze.”
             Meu coração saltou, era o detetive Joseph, ele iria investigar, nós iriamos investigar, com o apoio de Lara ou sem ele, eu sairei em busca da verdade.

Continua

Peço desculpas por estar demorando a postar mesmo estando de férias, pensei que entrar de férias iria me dar mais tempo para escrever, mas esqueci-me de contar com minha criatividade que resolveu tirar uma folga também :\
Ainda assim espero que tenham gostado. Comentem/avaliem
Bjssss

Kika: Então espero que essas férias sejam a melhor de todas, também estou tentando aproveitar minhas férias ao máximo. Espero que tenha gostado, muito obrigada, bjsss.
Giovanna: Que bom que suas notas estão boas, e então o que achou do primeiro encontro entre a Demi e o Joe? Espero que tenha gostado, muito obrigada, bjsss.
Fabíola: No fundo Logan é uma boa pessoa, só que tenho que admitir, o Joe é melhor... Espero que tenha gostado, muito obrigada, bjsss.

Carine: Tentei postar o mais rápido possível e espero que você tenha gostado, muito obrigada por comentar, bjsss.