terça-feira, 24 de junho de 2014

4. Em busca da Verdade – The Big Apple




   Ele sorria amigavelmente, mas eu não demonstrava o mesmo.
             Eu não queria ser chata, mas quando Sofia falou sobre o detetive ele me pareceu ser eficiente, mas esse garoto que estava na minha frente não demonstrava ser muito confiável. Eu vou precisar de alguém muito bom e experiente para o trabalho que eu queria, não era apenas um caso de traição, mas de descobrir um autor de um assassinato.

             _ E então? Porque você me chama? – perguntou.
             _ Você é o detetive? – perguntei com um pouco de desdém.
             _ Sou. – confirmou.
             _ Quantos anos que você tem? – perguntei.
             _ 25. Algum problema?
             _ Bom...
             _ Você esperava alguém mais velho?
             _ Pra falar verdade, esperava sim. – ele sorriu.
             _ Eu tenho ótimas recomendações.
             _ Eu sei, te recomendaram muito bem.
             _ Quem me recomendou? – perguntou.
             _ Sofia Vargas. – respondi. Ele deu um sorriso entusiasmado.
             _ Ah! Sofia Vargas, cliente inesquecível.
             _ Inesquecível? – perguntei desconfiada.
             _ Inesquecível. – confirmou. _ uma mulher inesquecível. – olhei-o um pouco assustada.
             _ Vocês...?
             _ Ela é uma mulher bem fiel, já não garanto o mesmo do marido. – deu de ombros.
             _ Você é sempre assim? Tão... – eu não soube terminar a frase.
             _ Eu sei apreciar uma mulher bonita, apenas isso. – declarou.
             _ E esse seu sotaque falso? – perguntei ficando impaciente.
             _ Meu sotaque é inglês. – pareceu ofendido. _ Eu sou inglês. – concluiu. Eu suspirei frustrada, aonde eu tinha me metido? _ Não fique chateada, você também é bonita. – falou. Quem esse cara pensa que é? _ Mas eu tento respeitar as mulheres comprometidas. – disse apontando para meu anel de compromisso.
             _ Sofia é casada.
             _ Mas o marido dela é uma merda, por acaso seu namorado também é?
             _ Não! Ele é um ótimo homem.
             _ Então não precisa ficar ofendida.
             _ Eu não estou ofendida.
             _ Então qual é o seu problema? – exaltou-se.
             _ Meu problema é que eu estou perdendo meu tempo aqui com você. – bati a mão na mesa.
             _ Você me chamou aqui e eu poderia estar atendendo outro cliente. Um cliente que realmente me desse crédito. – contrapôs. Tentei me acalmar, agora ele já estava aqui, eu poderia tentar.
             _ Tudo bem, me desculpe, foi tudo bem inesperado. – comecei. _ eu preciso que você solucione um caso para mim. Um caso de assassinato.
             _ Para isso não existe a polícia?
             _ Eu estou tentando...
             _ Ok, não precisa ficar nervosa.
             _ Eu não estou nervosa! - ok, talvez eu estivesse, mas pudera, meu pai estava morto, um assassino estava solto, e a pessoa que eu estava contando para me ajudar era um merda. _ Meu pai foi assassinado.
             _ Eu pensei que ele tinha se matado. – interrompeu.
             _ Você sabe que meu sou?
             _ Demetria Lovato, filha de Eddie Lovato, banqueiro, morto há... – pareceu para fazer conta. _Três dias?
             _ E ainda assim você me trata assim?
             _ Eu não sou injusto, não trato melhor ninguém só porque minha casa é do tamanho do seu banheiro de empregada.
             _ Eu não estava... Deixa. Meu pai não se matou.
             _ E o que te leva a pensar isso?
             _ Meu pai não se mataria.
             _ Demetria, eu não conhecia seu pai, mas já foi comprovado, eu não te recomendaria...
             _ Eu estou pagando. – interrompi.
             _ E eu estou te ajudando a não gastar dinheiro atoa.
             _ Eu não estou gastando atoa. E se eu estiver, o dinheiro é meu, eu gasto onde quiser.
             _ Isso é uma péssima ideia.
             _ Eu não te contratei para que você me dê opiniões.
             _ Eu ainda não fui contratado. – observou.
             _ E como eu te contrato? – perguntei, pode parecer idiota, mas eu nunca me importei com contratos, no fundo isso é para que eu não me envolvesse em nada de negociações, eu sempre odiei tudo isso.
             _ E quem disse que eu quero ser contratado? – perguntou. Mas o que? _ Olha, admiro sua vontade, mas temos ser racionais, tudo bate: crises na empresa, uma festa em que toda a família está fora, empregados dispensados, ele sozinho, arma encontrada na mão do seu pai, pólvora encontrada na mão do seu pai... Tudo bate.
             _ Quer saber? Se você não quer, não tem problema, eu acho outro alguém.
             _ Porque você quer ser enganada?
             _ Eu só quero uma resposta!
             _ Mas a resposta já foi dita!
             _ Eu preciso de outra opinião. – ele se calou por alguns instantes.
             _ Tem algum suspeito.
             _ Ele ia ter uma reunião com algum empresário...
             _ E então qual é o problema? Foi esse cara.
             _ Foi uma conferencia pela internet.
             _ Oh. – pareceu decepcionado. _ Então... Mas um motivo para pensar que.
             _ Não diga. – interrompi, já prevendo sua conclusão.
             _ Ele pode ter recebido uma noticia ruim.
             _ Ou essa pessoa pode ter aparecido lá e o matado.
             _ Você é insistente, disso não há duvidas.
             _ Digo o mesmo de você.
             _ Tudo bem, você tem um ponto, bem ilusório, mas é um ponto. – falou. _ Eu te ligo. – levantou-se.
             _ Você o que? – perguntei, levantando-me também.
             _ Te ligo.
             _ Eu queria que você me colocasse na investigação.
             _ Como suspeita?
             _ Não,- mas que idiota. _ eu acredito que talvez tenha sido alguém da empresa, e eu posso te colocar lá dentro sem suspeitas.
             _ Você quer me ajudar na investigação?
             _ Sim.
             _ Você é pior do que eu pensava.
             _ Me diga que sim. E me fale o preço, eu pago, eu assino o contrato.
             _ Eu nunca disse que aceitei.
             _ Mas você disse que ia me ligar.
             _ Para dizer se eu mudei de ideia ou não.
             _ Você está negando trabalho?
             _ Eu gosto do que faço, mas não vou perder meu tempo em algo sem futuro. É muito melhor para mim arranjar serviços simples mas que levam a algum lugar.
             _ Você quer viver o resto da vida à procura de marido traidor?
             _ Eu, ao contrario que você, aprendi a me conformar com o que eu tenho.  – e saiu, fui atrás, mas fui impedida no meio do caminho por uma garçonete.
             _ Me desculpe senhorita, mas não pode sair sem pagar.


...

             Sem duvidas meu dia não tinha começado bem, e no fundo eu não esperava que algo de bom acontecesse, o que claramente não aconteceu.
             Não apareci na faculdade, não estava com cabeça para ver ninguém, sei que seria bom, distrair um pouco, mas talvez eu quisesse sofrer, talvez eu quisesse ficar no luto e senti-lo com toda a força. Talvez eu não quisesse ficar bem...

             _ Você não tomou café com a gente, nem almoçou. – reclamou Lucas.
             _ Desculpa Lucas, eu tive que sair.
             _ Você também não quer mais ficar aqui, não é? – perguntou.
             _ Venha. – pedi, eu estava no meu quarto, como grande parte do meu tempo ultimamente. Ele entrou e se sentou na cama, distante. _ Eu não disse isso. Eu sempre saí muito.
             _ Mas ninguém quer ficar mais aqui, mamãe também não esta parando em casa e agora ela quer nos levar para ficar na casa de praia. – falou.
             _ Ela quer o que? – surpreendi-me.
             _ É, ela disse que seria melhor se fossemos para lá.
             _ Mas ela não pode fazer isso.
             _ Eu já estou férias na escola, você nessa semana entra de férias na faculdade, nós iriamos para lá de qualquer jeito. Só que ela quer ir para não voltar.
             _ Eu vou falar com ela, ela vai mudar de ideia.
             _ E se for melhor irmos mesmo? – perguntou.
             _ Eu também não quero ficar mais aqui, tudo me lembra dele.
             _ Talvez mudar de apartamento não fosse uma má ideia. Mudar para a casa da praia iria complicar tudo, você e a Lauren teriam que mudar de escola, a própria Lara teria que sair do emprego... É calor do momento. O clima aqui está ruim, mas vai melhorar.
             _ Você acha que um dia vai melhorar? – não acho.
             _ Claro que vai. – ele não pareceu tão convencido, mas assim como ele, eu também não estava. _ Eu vou lá falar com a Lara, ok? Quer vir comigo? – perguntei.
             _ Não, eu vou para o meu quarto. – falou, olhei-o com um olhar triste, era sempre assim, nossos quartos haviam se tornado refúgios. _ Vai ter maratona de Naruto na TV. – disse como se quisesse se justificar.
             _ Tudo bem, mas tarde eu passo no seu quarto para um beijo de boa noite. – falei. Ele deu um sorriso de canto e saiu.

            
             Não achei Lara no quarto, mas sim no escritório do meu pai, eu não tinha entrado lá desde o dia de sua morte, mesmo depois de ter sido lavado o tapete ainda tinha a marca de seu sangue, o mais obvio seria tirá-lo, mas por alguma razão Lara queria que tudo continuasse da mesma maneira que estava.
 Ela se assustou quando me viu.
             _ Demi.
             _ Oi Lara, eu queria conversar com você. – falei. Ela estava sentada na mesma cadeira que meu pai se sentava.
             _ Entre. – disse. Fiquei em duvida, talvez fosse melhor irmos para outro lugar da casa, mas não adiantava fugir, adianta? Entrei apenas um pouco, de todos os cantos do apartamento, aquele era o que eu mais temia por agora, não sentei, apenas cruzei meus braços, como se isso pudesse me proteger ou me dar forças para aguentar firme.
             _ Lucas me disse que você quer mudar para casa da praia.
             _ Sim. – pareceu aliviada. _ Não esta fazendo bem ficar aqui. – falou.
             _ Durante as férias tudo bem, mas viver lá? É muita mudança para eles Lara.
             _ Eu sei, e eles estão precisando disso, nós estamos precisando disso. – ela gesticulava muito com as mãos.
             _ Eles vão ficar longe de todos que conhecem, dos amigos... Não é hora para isso.
             _ Eles podem fazer novos amigos e hoje, com o mundo tão conectado, não será um adeus.
             _ E eu? – perguntei.
             _ Oh Demetria, eu sempre cuidei de você e não será agora que eu vou te abandonar, você pode ter crescido, mas eu quero que você vá junto.
             _ Não é tão fácil para mim, mudar de faculdade? Existe todo um processo trabalhoso em cima disso, e isso vai atrapalhar toda a investigação...
             _ Investigação?
             _ Eu vou investigar a morte de meu pai.
             _ Você o que? Demi... Você... Você enlouqueceu? – perguntou se levantando da cadeira.
             _ Não, eu não acredito que ele tenha se matado, eu quero saber o que realmente aconteceu.
             _ Demi. – ela se aproximou de mim e tocou em meu rosto. _ Eu sei que não esta sendo fácil para você. – soltou-me. _ Eu era a esposa de Eddie, eu deveria ter visto que ele estava mal e eu não vi, eu não consegui ajuda-lo, mas aconteceu e eu não posso voltar atrás, eu estou tentando com todas as minhas forças não desmoronar, eu estou tentando seguir em frente e você quer mexer em tudo.
             _ Eu só quero uma resposta.
             _ Você já tem uma: Eddie se matou.
             _ Eu não aceito essa resposta.
             _ Eu não vou deixar que você mexa na memoria do seu pai desse jeito Demetria.
             _ O que você teme?
             _ Eu não tenho nada a temer Demetria, eu só quero ter um pouco de paz nessa família e isso não vai acontecer enquanto não pararmos de olhar para o que aconteceu. Nós temos que aceitar e seguir em frente.
             _ Eu não vou aceitar enquanto não saber a verdade. – Lara ficou rígida.
             _ Nós vamos para a casa de praia na quarta-feira, logo após a leitura do testamento, estamos combinadas? – perguntou-me firme.
             _ Eu não vou. – vi seu maxilar enrijecer. Ela andou mais perto de mim e quando estávamos cara a cara disse:
             _ Se você não for, esqueça-se de mim e de seus irmãos. – antes que eu pudesse reagir ela saiu do escritório. Não é possível que ela esteja falando serio? Porque ela não quer me ajudar? Eu entendo que ela esteja se sentindo mal ou até mesmo culpada, será que ela não vê que eu estou na mesma situação? Eu também queria ter ajudado. Eu perdi meu pai, nunca se substitui um pai, o que há de mal em querer saber a verdade? E se toda a investigação dar no mesmo qual é o problema? Eu só quero uma segunda opinião.
            
Eu ia saindo do escritório, quando senti meu celular vibrando no bolso da minha calça. Olhei e era uma mensagem:
                             “Começaremos a investigar amanhã, nos encontramos no mesmo lugar amanhã as onze?”
             Não pensei duas vezes antes de responder.
                             “Combinado, amanhã as onze.”
             Meu coração saltou, era o detetive Joseph, ele iria investigar, nós iriamos investigar, com o apoio de Lara ou sem ele, eu sairei em busca da verdade.

Continua

Peço desculpas por estar demorando a postar mesmo estando de férias, pensei que entrar de férias iria me dar mais tempo para escrever, mas esqueci-me de contar com minha criatividade que resolveu tirar uma folga também :\
Ainda assim espero que tenham gostado. Comentem/avaliem
Bjssss

Kika: Então espero que essas férias sejam a melhor de todas, também estou tentando aproveitar minhas férias ao máximo. Espero que tenha gostado, muito obrigada, bjsss.
Giovanna: Que bom que suas notas estão boas, e então o que achou do primeiro encontro entre a Demi e o Joe? Espero que tenha gostado, muito obrigada, bjsss.
Fabíola: No fundo Logan é uma boa pessoa, só que tenho que admitir, o Joe é melhor... Espero que tenha gostado, muito obrigada, bjsss.

Carine: Tentei postar o mais rápido possível e espero que você tenha gostado, muito obrigada por comentar, bjsss. 

quarta-feira, 18 de junho de 2014

3. O prazer é meu – The Big Apple




Narrar os próximos acontecimentos, sem duvida, será a coisa mais difícil que farei em toda minha vida.

Assim que Lara desligou o celular criou-se um silêncio na mesa, todos podiam sentir que havia algo errado, o olhar de Lara não deixava duvidas, seja lá o que Pablo tenha dito, havia sido ruim, muito ruim.
Lara respirou fundo e forçou sorriso.
_ Demi, Logan, vocês podem vir comigo ali por um instante? Sofia, Camilla, Sam, vocês se importam em ficar com os meninos? – perguntou educadamente.
_ Não tem nenhum problema.  – respondeu Camilla prontamente.
_Mas mãe, por que você não quer falar comigo presente?
_ Lauren, minha querida. – disse levantando-se e indo até a filha. _ Fique com seu irmão um pouco. – falou e saiu em disparada.
Sofia (sim, ela resolveu nos seguir), eu e Logan, saímos atrás, tentando acompanhar o ritmo dela, mas o salão de festa estava cheio e esbarrávamos em outros convidados, recebíamos olhares impacientes em troca.


Assim que chegamos ao saguão, pouco antes de chegarmos a porta de entrada/saída, ela parou e se dirigiu a Logan.
_ Peça para que tragam seu carro. – falou com urgência.
_ Lara, o que esta acontecendo? – perguntou Sofia, Lara a olhou assustada, nem percebeu que ela também havia vindo atrás dela. Ela hesitou, olhou para mim e eu senti um nó na minha garganta.
_ Eddie. – suspirou. _ parece ele levou um tiro.



...


Assim que chegamos ao prédio, saltei do carro mesmo sem ele estar devidamente estacionado, quase cai com o desespero, combinados com o salto; vi dois carros de policia e uma ambulância, entrei na portaria e lá havia um policial que me impediu de continuar subindo, Lara me alcançou logo depois, e nos duas, completamente desesperadas, começamos a gritar que éramos da família, imploramos por alguma informação, mas o policial não dizia nada além de “Vocês não podem subir” e “Não posso passar nenhuma informação”. Senti a mão de Logan me puxando para um abraço, senti meu olho ardendo, lágrimas caiam descontroladamente.

Eu não queria perder meu pai.

Eu não posso perder meu pai.


...


_ Sentem-se, por favor. – falou o Delegado Alfred. Depois de fazermos um escândalo querendo entrar no apartamento, a policia, que já estava no local, nos retirou de lá, também não foi uma tarefa fácil, se não fosse por Logan eu provavelmente teria sido algemada.
Logan e Sofia haviam voltado para a festa, ficariam lá e tentariam acalmar Lauren e Lucas, que não paravam de ligar e mandar mensagens atrás de respostas, ele não faziam ideia do que havia acontecido, deveriam estar agoniados por qualquer informação.
Eu e Lara sentamo-nos nas cadeiras que estavam à frente da mesa do delegado. A sala dele é pequena, cheia de papeis, armários cobriam grande parte da parede, e a janela fechada dava direto para um muro.
_ O que aconteceu com meu pai? – perguntei sem esperar muito. Ele suspirou.
_ Senhorita Demetria, certo? – perguntou, assenti fervorosamente. _ Recebemos uma ligação...
_ Eu sei que receberam uma ligação, eu quero saber o que aconteceu com meu pai. – falei, quase gritei, interrompendo-o.
_ Delegado, por favor, só fale que meu marido está bem. – a voz de Lara era chorosa, ele torcia por uma boa noticia, mas claramente já esperava uma ruim.
_ Ele levou um tiro... Na cabeça... Ele não resistiu.


...


Minha criação foi basicamente feita por meu pai, cresci vendo nele o herói que toda a criança vê, a diferença, talvez, seja que ele nunca deixou de ser meu herói, mesmo tendo crescido, continuei a ver meu pai como um grande homem, um homem de honra, um homem no qual se inspira...
Quando se assiste filmes ou desenhos ou se lê sobre heróis, pode se ter certeza de uma coisa, o heróis pode se machucar, pode sofrer, quase perder, ou até mesmo perder (nem que seja por apenas um momento), mas o herói, ele é imbatível.

Heróis não morem.


...


Rostos conhecidos e desconhecidos passavam perante o caixão, alguns paravam por mais tempos, as mulheres com roupas elegantes, choravam, homens de terno, alguns usavam óculos, talvez para esconder os olhos vermelhos de choro ou para esconder a falta de sentimento. Era claro que nem todos ali realmente estavam tristes. A maioria, arrisco-me a dizer, estavam apenas para fazer pose.
Muitos dizem que atrás de um grande homem, sem há uma grande mulher, mas, o que se esquecem de dizer, é que ao seu lado, sempre há um falso ou um traidor.


...

_ Conheci Eddie há muito tempo, me arisco a dizer que daqui sou o que o conheço há mais tempo. – disse Louis no altar, o padre havia dado espaço a ele, para que ele lesse sua carta fúnebre a meu pai. _ Quando o conheci Eddie ainda tenha 18 anos, dividia seu tempo entre o estudo, trabalhar como entregador de jornal e como atendente do Mcdonalds, eram tempos difíceis para ele, mas ele nunca desistiu. Com 20 ele terminou os estudos e conseguiu ser contratado como atendente em uma das sedes do Banco WNNLive, ninguém dava muito credito a ele, nem mesmo eu, ele era novo demais, tinha pouco que havia se formado, mas Eddie não deu a mínima para as previsões negativas, ele continuou e em dois anos ele se tornou gerente daquele mesmo banco em que começou, daí ninguém mais foi capaz de para-lo, cinco anos depois ele já tinha acesso direto a diretoria do banco na sua sede matriz, nesse meio tempo ele tinha casado e a sua mulher estava gravida, eram anos de ouro... Em nove anos ele havia conseguido chegar a um ponto em que muitos passam a vida para conseguir. Altos e baixos ocorreram depois disso, e mesmo os tempos mais triste de sua vida não o enfraqueceu. O que me lembro é que depois, após apenas mais cinco anos ele estava comprando, com um dinheiro e empréstimo feito em um banco adversário. – algumas pessoas deram risos abafados, muitos achavam a sua ação uma jogada de mestre, nunca deixaram que essa sua ‘travessura’ fosse esquecida. – 52% do Banco em que começou com um mero atendente desacreditado. Hoje ele é dono de 98%. – Louis parou um pouco, olhou para baixo e fechou os olhos, Louis realmente foi um grande amigo do meu pai, um que estava aqui com sentimentos verdadeiros. _ Eddie não merecia morrer. – disse e deu uma nova pausa. Lucas estava em meu colo, se agarrava a mim e não parava de chorar, Lauren, que estava do meu lado, segurava sua mão, ela claramente fazia um esforço enorme para não fazer um escândalo, mas eu podia ver seus olhos vermelho e inchados, cheios de lágrimas. Lara era outras que se segurava para não cair no choro, não estava conseguindo êxito, mas entre todos nós, era a que mais conseguia se controlar. _ Eddie foi um exemplo de superação, o que ele deixou para todos nós nunca será apagado. Prefiro acreditar que Eddie não morreu, apenas resolveu descansar. – a voz de Louis falhou, era claro que tentar se enganar não adiantava. _ Adeus meu grande amigo, até breve. – falou ele, olhando para meu pai no caixão. Algumas pessoas o aplaudiram enquanto ele saia do altar e o padre retomava seu lugar.
_ Agora, gostaria de dar a palavra para a família de Eddie, sua esposa e seus filhos. – falou. Levantamos vagarosamente, não deveríamos estar fazendo isso, não é algo com que sonhe no seu dia a dia, ninguém quer isso. Lara foi à frente, ela tinha o papel na qual ela escreveu sozinha tudo o que queria, nem eu nem meus irmãos tivemos cabeça para escrever algo. Lucas ainda se agarrava ao meu colo, segurei-o mesmo ele estando pesado, ele já não era tão criança assim, mas nesse momento ele nunca pareceu tão pequeno e indefeso.

_ Muitos de vocês conhecem o Eddie apenas como o homem pobre que ficou milionário, mas nós conhecemos o outro lado dele, um lado pouco visto, o lado pai e o lado marido. Nesses dois assuntos Eddie nunca falhou. Ele nunca ia dormir ou foi trabalhar sem dizer que me amava, sempre se preocupou comigo, sempre fez questão de estar ao meu lado, acompanhou a gestação dos meus dois filhos e fez o que podia para me ajudar no parto, ele nunca deixou que nada faltasse... Com pai, ele foi o mais perfeito que podia ser. Ele os educou sempre se lembrando de ensina-los o que é simplicidade, deu todas as oportunidade necessárias para que eles tenham um futuro brilhante, nunca faltou a um aniversario, a um almoço em família, a uma apresentação na escola... Eddie foi um homem sem igual, insubstituível, e nada do que eu diga aqui conseguirá medir sua generosidade, sua força e a falta que ele fará para todos nós. Eddie foi o eixo da nossa família. E agora Eddie será a luz que nos guiará, pois eu sei que ele nunca vai nos deixar...


...


_ Eu comprei pizza. – disse Nicholas, meu primo que veio para ficar conosco no apartamento por alguns dias. Nicholas sempre tenta animar a todos, e nesse momento ele estava se esforçando ao máximo, mas é claro que não adiantava muito. E ele sabia muito bem disso, ele também perdera o pai há dois anos, o meu tio, foi um tempo bem difícil para ele, assim como agora esta sendo para nós.
_ Posso comer no quarto? – perguntou Lucas desanimado.
_ Vamos comer na mesa, como sempre Lucas. – respondeu Lara firme.
_ Mas... – ele hesitou. _ Eu não gosto mais de comer na mesa... Papai não está mais lá.
_ Ele sempre fez questão de que todos sempre se sentassem a mesa na hora da refeição e vamos continuar fazendo isso Lucas. – disse Lara. _ Não vamos perder o que ele nos ensinou. – disse pondo fim a discussão.


Talvez eu tenha que concordar com Lucas, comer no quarto teria sido bem melhor, normalmente, em pleno almoço de domingo estaríamos comendo e sorrindo e conversando, saboreando a comida de papai, mas agora estávamos comendo uma pizza comprada em outro lugar, que não era ruim, mas não substituía o que nosso pai fazia, em silêncio, cada um comia olhando para o prato, olhar um para o outro era motivo de choro, pois a tristeza estava estampada na expressão de todos. O único barulho era dos talheres tocando o prato.

...

_ Eu não acredito que meu pai tenha se matado. – falei com Nicholas, agora já era tarde, quase sete da noite, todos estavam isolados em seus quartos, Nicholas estava conversando comigo, eu não conseguia dormir desde o acontecimento, meus olhos ardiam, meu corpo estava cansado, mas eu não conseguia relaxar, minha mente não parava de lembrar-me do que aconteceu, meu pai morreu, eu nunca mais o veria.
_ Nem eu creio que ele tenha o feito, mas... – hesitou. _ Foi o que o laudo acusou Demi. – disse delicadamente.
_ Eu não acredito nesse laudo. – falei.
_ Demi...
_ Eu sei que meu pai não se mataria Nick. – insisti.
_ Não há nada que possamos fazer Demi.
_ Eu preciso provar que meu pai não se matou. – encolhi-me ainda mais na cama, agarrando meus joelhos, Nick acariciava minha cabeça.
_ E como você pretende fazer isso Demi? – perguntou.
_ Não sei. – respondi frustrada.
_ Deixe quieto Demi, agora é seguir em frente. – disse.
_ Não Nicholas, eu não vou seguir em frente enquanto não saber a verdade. – falei, levantando-me.
_ E se a verdade for que ele cometeu suicídio?
_ Não é. – afirmei. _ Eu preciso honrar o nome do meu pai, provar que ele não se matou, não posso deixar que este seja o último feito dele.
_ Então é isso que você teme? Que todos se lembrem do seu pai como aquele que suicidou? – perguntou.
_ Não. – respondi. _ Eu só não quero que creiam em uma mentira, meu pai não se mataria.
_ Dizem que o banco estava em crise...
_ Meu pai não se mataria por isso! – exasperei. Vi a expressão assustada de Nicholas e tentei me controlar. _ Meu pai já passou por muito e sabia se virar bem, se o banco fechasse amanhã ele ainda teria condições de se virar, abrir um supermercado, não sei, vendesse esse apartamento, tirasse todo mundo dos cursos...
_ Talvez ele não quisesse isso.
_ E por acaso é melhor então se matar e deixar os filhos sofrendo assim? Nós não morreríamos se morássemos em um lugar menor, ou se ficássemos sem nossos cursos, se não tivéssemos empregados para nos servir, isso não nos faria falta, mas ele faz. – falei. Nicholas se levantou e me abraçou.
_ Você realmente quer buscar uma resposta não é? – perguntou.
_ Sim. – respondi enquanto voltava a chorar, minhas lágrimas molhavam sua camisa.
_ Você sabe o que fazer?
_ Não. – minha voz saia cortada pelo soluço.
_ Aceita uma dica? – perguntou me guiando até a cama novamente, sentei-me e tornei a encolher-me. Assenti sem dizer nada. _ Procure um detetive, algo assim, se seu pai foi realmente assassinado e nenhum legista conseguiu achar nada que comprovasse, é porque foi um crime muito bem planejado, você ou eu sozinhos não conseguiremos nada. – sugeriu.
_ Você vai me ajudar?
_ Eu estou nessa com você Demi, eu estou torcendo para que você esteja certa no final. – falou.
_ Obrigada primo.
_ Sem problemas prima, mas eu só te peço uma coisa. – falou.
_ O que?
_ Se o detetive confirmar o que os legistas já disseram, você vai aceitar e deixar isso para trás. – hesitei. _ Demi, eu também perdi um pai, eu já senti a sua dor, e eu só consegui me recuperar quando aceitei que não tinha mais volta, eu aceitei o que aconteceu. Você precisa fazer o mesmo.
_ Assim que eu tiver uma resposta eu aceitarei. – garanti.


...


Nicholas já havia ido para seu quarto e eu ainda não conseguia dormir, pensei no que Nick tinha sugerido. Um detetive, mas onde arranjar um detetive? Pensei e pensei até me lembrar de Sofia. Ela havia mencionado sobre um detetive na festa.
Peguei meu celular no criado mudo, ignorei as várias mensagens deixadas, que não me faziam nada melhor, achei o numero de Sofia e liguei. Demorou para que atendesse, mas logo pude escutar sua voz meio sonolenta.
_ Hola?
_ Sofia? Oi? Sou eu Demetria. – falei.
_ Demetria? Oh minha menina, aconteceu algo? Dígame que te pasa
_ Não, é... Não aconteceu nada mais. Eu só queria te pedir algo.
_ Claro, querida.
_ Você pode me passar o telefone do tal detetive que você falou?
_ Detetive? Logan está te traindo? – perguntou alarmada.
_ Não, não é isso Sofia... só me passe o número, por favor.
_ Tudo bem, espere só um pouco, eu vou pegar no número, mas que aquele hombre estiver te traído eu vou dar uma lição nele, tudo bem minha querida?
_ Tudo bem Sofia. – respondi e arisquei um breve sorriso no final.
A linha ficou muda por um tempo, mas logo ela voltou.
_ Pode falar? – perguntou.
_ Uhum. – confirmei. Anotei os números enquanto ela falava.
_ Era só isso, minha querida? – perguntou.
_ Só isso mesmo, muito obrigada Sofia.
_ De nada minha querida.


...

Acordei cedo e ignorei o café-da-manhã, saí direto para o lugar que havia combinado com o detetive, por mensagens, na noite anterior, eu não sabia se ele realmente iria comparecer, mas torci para que sim.
Dispensei Pablo e dirigi até Stumptown Coffee Roasters, onde marque o encontro, o lugar não é nem longe nem perto, fica na 18W com 29th.
Assim que cheguei sentei-me, um garçom veio me atender e eu pedi apenas um café puro, eu estava encapotada com várias camadas de roupas, não apenas pelo frio, mas também para que não fosse reconhecida tão fácil.
Eu olhava para o relógio a cada segundo, eu não conseguia me acalmar, meu café chegou, mas nada do detetive, eu comecei a estressar-me com seu atraso.


_ Psiu. – escutei alguém do meu lado, mas ignorei, não deveria ser para mim. _ psiu. – insistiu e olhei para minha direita. Havia um garoto, não deveria ter mais de 24 anos, ele sorriu para mim e eu fiquei sem entender nada. _ Olá. – disse. Ignorei-o e virei-me para frente, pelo canto do olho o vi levantando, assustei-me quando ele se sentou na minha frente na mesma mesa. Ele até que estava elegante vestido formalmente com um casaco longo por causa do frio, talvez fosse um estagiário em alguma empresa. _ olá. – repetiu. _ meu nome é Joseph, sou o detetive. – não falei nada. _ O prazer é meu.

Continua

 Capitulo postado, enfim Joseph apareceu, espero que tenham gostado.
Não se esqueçam de comentar e avaliar
Bjsssss


Carine: Nossa aí sim é ruim, eu pelo menos entrei de férias e pra mim esta está sendo a única vantagem mesmo... Bom, já que não podemos fazer nada, espero que pelo menos tenha gostado deste capítulo. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Kika: hahaha espertinha, então somos duas de férias, curta bem elas ok? Espero que também tenha gostado deste capítulo. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Giovanna: Nossa que chato, só dia 7? :o Bom, espero que esteja indo bem nas provas, e também espero que tenha gostado deste capítulo. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Fabíola: kkkk o Logan é gente boa, só meio chato, você ainda vai ter muitas razões para ama-lo e odiá-lo ao mesmo tempo dentro desta fic. Espero que tenha gostado do capítulo. Muito obrigada por comentar. Bjssss

quinta-feira, 12 de junho de 2014

2. Algo não está certo – The Big Apple






Quando cheguei ao estacionamento, logo vi o carro de Logan, o carro da família também estava estacionado logo atrás.
_ Onde está seu pai? – perguntou Lara.
_ No escritório. – respondi. _ Parece que vai ter que ir depois. – Lara suspirou frustrada, ela odiava isso, no fundo ela tinha razão, apesar já namorar meu pai há 15 anos, ela nunca conseguiu que os boatos de que ela só está com ele por causa do dinheiro fosse extinto. Isso tudo era resultado de dois acontecimentos: 1º Ela é doze anos mais jovem que ele (o que para mim é totalmente irrelevante, qual é o problema afinal?) 2º Lauren ter nascido exatamente 9 meses após o casamento deles (isso também não é muito relevante para mim, a vida intima do meu pai não me convém, mas se ele engravidou Lara tão rápido, o problema é deles) mas muitos dizem que Lauren não é filha do meu pai e sim de algum amante, e acho que não ajuda muito ela parecer tanto com a mãe, porém que acho que ela puxou a altura do meu pai, quinze anos e já é alguns centímetros maior que eu. Muitos não a respeitavam quando ela aparecia em público sozinha, com meu pai as pessoas costumam fingir respeita-la um pouco mais.
_ Ele disse o quanto vai demorar? Eu posso espera-lo.
_ Eu não acho que ele queira que esperemos, mas você pode tentar.
_ Será que ele deixa nos ficarmos? – perguntou Lucas, saindo de dentro do carro, ele e Lauren já estavam sentados, apenas Pablo e Lara que estavam de pé do lado de fora.
_ Lucas, não insista mais. – pediu Lara, claramente frustrada.
_ Vamos, eu fico com você. – ela sorriu fraco. _ Se ele demorar muito nós voltamos.
_ Tudo bem. – respondeu. _ Lauren, entre, já estamos indo. – falou.
Eu entrei no carro de Logan e fui recebi com uma cara de tédio.
_ Pensei que isso não ia acabar nunca.
_ Deixe de ser chato Logan.
_ Acredite, não sou eu o chato aqui.
_ Eu também te amo Logan.
_ Eu não estava me referindo a você – falou, entendendo minha ironia na última frase.
_ É melhor irmos, Logan.
_ Não é para você ficar chateada comigo. – falou.
_ Eu não estou. – e isso é verdade, eu realmente não estava chateada, eu já tinha me acostumado com o jeito de Logan.
Ele deu partida no carro sem dizer nada.
Não o julgue mal, Logan não é uma má pessoa, ele é meio chato ás vezes, mas todo mundo tem seu lado ruim. O problema de Logan é sua anti-socialidade, problema só superando quando se trata da sua própria família, eu ou meu pai.  Confesso que no começo isso me irritava bastante e tentei fazê-lo mudar, mas percebi que ele era feliz assim, força-lo a se enturmar só o fazia mal. No mais ele é o cara mais perfeito que você pode arranjar hoje em dia, carinhoso, lembra-se das datas comemorativas, tipo começo de namoro, primeiro beijo – bem melhor que eu, que só lembro do aniversario dele – tem a aprovação da família, é trabalhador, tem um boa condição de vida – o que indica que ele não está comigo só pelo dinheiro – bonito – quando eu digo bonito, eu não estou falando apenas bonito, mas sim bonito mais alto que eu (o que não é lá muito difícil) olhos esverdeados, cabelo castanho claro (com o topete tipo Elvis) sempre andava elegante, nunca gritava e sempre tentava não brigar, se ele percebi que uma briga estava prestes a ocorrer ele simplesmente fazia como agora, se calava.


...


A festa não seria muito longe, moro na 3rd Ave com E 85th St, chegar até a 5ª Avenida, onde fica o Plaza Hotel (onde será a festa) não é muito complicado, se não fosse considerado garfe, eu nem iria de carro.
Assim que chegamos ao hotel pudemos ter uma pequena demonstração da festa, os manobristas trabalhavam feito loucos, estacionavam um carro mais luxuoso que o outro, mas afinal, toda a nata americana estaria aqui hoje, políticos, banqueiros, grande investidores, grandes empresários, o nível era elevado, tão elevado que artistas pop ou atrizes e atores do momento não dariam jus ao lugar, apenas reais milionários entrariam por aquelas portas nesta noite, a não se que você fosse o garçom.

Logan ajudou-me a sair do carro e entregou a chave para o manobrista, pude ver o carro da família chegando logo atrás, Pablo ajudou Lara a sair e no mesmo instante, vários fotógrafos montaram nela. Eu podia até ser filha mais velha do grande banqueiro, mas os olhares da mídia sempre se recaiam a mulher dele, eles não falam abertamente, mas todo mundo sabe que eles estão sempre a espera de um escorregão dela, sempre a espera de um grande barraco, uma notícia bombástica, não duvido nada que amanhã vai ter manchetes para todo lado do tipo “Lara Lovato chega desacompanhada do marido em festa” e com um subtítulo “Será o fim do casamento” “Qual o motivo da briga?”. Eu sempre achei isso ridículo, Lara começou a namorar meu pai quando eu tinha quatro anos, e sempre foi muito carinhosa comigo, me criou como se eu fosse sua filha de sangue e nunca fez diferença entre mim, Lucas ou Lauren, sempre ajudava as pessoas, nunca pedia dinheiro a meu pai, casou-se com separação total de bens e não quis parar de trabalhar como enfermeira. Mesmo assim, as pessoas sempre falavam que seus atos de bondade não passavam de fingimento.

_ Você poderia pelo menos fingir que está animada? – perguntou Logan, dando o braço para que eu me agarrasse a ele.
_ Nem estão olhando para mim direito, não preciso dar-me ao trabalho. – respondi.
_ Não é só aos paparazzi que você tem que fingir. – falou.
_ Lá dentro eu me viro. – dei de ombros. Começamos a subir as escadas da entrada do hotel.
Plaza Hotel não tem apenas nome, o lugar é realmente fantástico, já viajei por muitos lugares em minha vida, já me hospedei em hotéis super luxuosos, mas confesso que  este hotel sempre me tirava o folego.
Quando entramos no salão de festas pude ver que quem decorou o lugar fez tudo pensando em deixar o salão ainda mais bonito, combinando os detalhes clássicos e elegantes da estrutura do salão com o moderno das festas de hoje, pontos de luzes lilás, fazia uma mescla com o mármore e os detalhes em ouro do hotel, grandes arranjos com rosas brancas, distribuídos em mesas redondas pelo salão... Era tanto para pessoas que nem mesmo se importavam.
Como se podia era de esperar, a maioria dos presentes eram homens, brancos e mais velhos, não me considero feminista, apesar de grande parte das minhas ideias coincidirem com a ideologia do feminismo, mas sempre achei tão injusto e revoltante o fato de grande parte dos grandes empresários serem homem, há mulheres com grandes e ideias e capacidade em todo o mundo, mas nunca são escutadas ou dadas ao valor que merecem, e é melhor eu nem começar a falar sobre racismo, hello nosso presidente é negro, porque o único negro que vejo nessa festa é o garçom? Minhas observações podem parecer chatas e revoltadas, mas é assim que me sinto toda vez que venho a festas dos amigos do meu pai, é como se eles instigassem o mais irritante que há em mim.

_ Vinho? – perguntou o garçom com uma bandeja com algumas taças e com uma garrafa de vinho, (não sei qual é o nome do vinho, nunca fui muito ligada nesse assunto de bebida).
_ Claro. – respondeu Logan, o garçom o serviu e olhou para mim, apenas neguei com a cabeça e ele se retirou. _ Esse vinho é ótimo, deveria ter pegado. – comentou.
_ Você só está falando isso porque sabe que eu não tomaria e você acabaria pegando minha taça também.
_ Com um bom cavaleiro e uma pessoa consciente de que o desperdício é algo totalmente pecaminoso, eu acho que minha ação seria do seu agrado.
_ Agradeço o seu cavalheirismo e seu bom coração e prefiro reserva-los para uma ocasião mais propicia.
_ Tudo bem. – respondeu, quase como se não tivesse prestado atenção em nem uma palavra do que tinha acabado de dizer. _ Acho que achei nossa mesa, vamos nos sentar? – perguntou.
_ Vamos. – respondi.

Assim que chegamos a mesa vi que Lucas e Lauren já estavam sentados por lá, em sua frente havia um prato que parecia conter um pequeno pedaço de frango, uma coisa verde (que eu acho que é aspargo) e um molho fazendo preto (Shoyu, molho de churrasco, sei lá o que era aquilo) que fazia uma curva no prato. Sentei-me ao lado de Lucas e Logan sentou-se em meu lado.
_ Já que essas pessoas são ricas, porque eles põem tão pouca comida no prato? – perguntou Lucas, ele falou de uma maneira tão inocente que nem parecia que é o mesmo menino que me extorque dinheiro por chegar mais tarde em casa, ou por ter feito uma tatuagem escondida.
_ Talvez eles sejam ricos porque economizam na comida. – falou Logan, ele até que tinha um senso de humor razoável de vez em quando.
_ Nem vale a pena por mais, está ruim de qualquer jeito. – desse Lauren, afastando o prato, sendo que tinha pegado apenas um pequeno pedaço de um franjo pequeno, uma parte do molho, deixando o aspargo intocado.
_ Se eu pedir uma pizza, vão achar ruim? – perguntou Lucas.
_ Quando sairmos daqui comeremos algo em outro lugar Lucas. – falei.
_ Mas eu com fome agora.
_ Enche a barriga de bebida, isso ajuda em momentos como esse. – falou Lauren.
_ Onde está a mãe de vocês? – perguntou Logan, confesso que nem tinha percebi a ausência de Lara, senti-me um pouco envergonhada por isso.
_ Ela foi cumprimentar umas pessoas em outras mesas. – respondeu Lauren.
_ Será que se eu ligar para papai e pedir a ele para trazer algo para comer escondido ele trás? – perguntou Lucas.
_ Talvez. – respondi, meu pai é um homem legal o suficiente para fazer isso._ Mas deixe para fazer isso mais tarde, você pode estar atrapalhando ele numa reunião importante. – completei. Lucas suspirou tediado.
Se você nunca foi à uma festa de grã-finos, comemore, não perde nada, a música é lenta demais para dançar, a comida é pouca demais para se sentir satisfeita, a maioria das pessoas são velhas demais para serem legais e as roupas são caras demais para serem confortáveis (pelo menos deste último tópico eu tinha escapado, reutilizando uma roupa que eu já tinha e não me apertava ou pinicava.)

_ Olhem quem eu achei. – disse Lara, toda empolgada, chegando a mesa. Atrás dela, de mãos dadas, vinha o mais belo casal que você pode imaginar, só tem um problema, eles não parecem perceber isso. Camilla Belle e Sam Claflin, os dois eram amigos de longa data, mas nunca ficaram juntos como namorados, o que sempre foi visto, por aqueles que os rodeiam, como uma grande perda de oportunidade.
Minha amizade com ambos tem uma história bem complicada, tudo indicava que não daria certo, mas no final deu:
Quando meu pai se tornou proprietário majoritário do Banco WNNLive (World, New, Now, Live. Não me pergunte o sentido e o porque dessas palavras, só o real criador do banco – que por sinal já está morto há uns 50 anos – poderia saber responder), o principal investidor em ações para o banco, Jack Routh, quis conhecer meu pai,  e eles se deram muito bem logo no inicio, com isso Jack e sua família começou a frequentar minha casa e vice-versa, vi Camilla por várias vezes, mas nós nunca nos falávamos, naquela época eu tinha 5 anos e ao contrario dela não era nem um pouco tímida, (mas pudera, Camilla é 4 anos mais velha que eu, mas até então só tinha estudado em uma única escola, que era de freiras e só podia estudar garotas) ela era inocente demais, mesmo para mim. Acredito que a assustei, ela estava acostumada com suas amigas educadas, e eu chegando e sabendo falar três palavrões diferentes (Meu pai sempre tentou me educar bem, mas eu tinha mania de não dormir cedo e como tinha uma TV no meu quarto eu ficava vendo séries, e tenho que admitir, naquele horário não passava nenhuma serie que fosse adequada para minha idade).
Acho que demorou quase um ano até que realmente nos aproximássemos, mas também, depois de ela me deu uma chance e tentei me quietar um pouco, nunca mais nos separamos, mesmo nunca tendo estudados juntas e tendo essa diferença de idade, Camilla é minha melhor amiga, ela é como um anjinho em minha cabeça, já eu sou a capetinha na dela, é uma equilíbrio perfeito, uma mais quietinha e outra mais atirada, nunca passávamos do limite quando saíamos juntas; uma cuidando da outra.
Já Sam a história foi um pouco mais fácil. Na verdade ele é vizinho da Camilla, e quando ele fez 11 anos a mãe resolveu chamar toda a criançada da vizinhança para a festa (no fundo era porque não tinha quem chamar mesmo, Sam, hoje, tem um charme de invejar, mas até uns 3 anos atrás ele era o verdadeiro nerd, mas não aqueles nerd bonitinho, ele era aquele tipo de nerd cheio de marcas de espinhas na cara, usava um óculos  gigante e totalmente desproporcional para seu rosto e vestia roupas completamente sem combinação. Não sei o que o fez mudar tanto – talvez até tenha sido Camilla – mas hoje ele nem parece o mesmo) a festa foi bem grande, mas ele claramente não estava aproveitando nada, como a maioria das crianças não o conhecia bem, todas ficaram mais empolgadas em brincar com os vários brinquedos, que a mãe dele alugou, do que a dar atenção a ele. Comovidas, eu e Camilla resolvemos puxar assunto, se você acha que ele ficou tímido se engana, ele pareceu super empolgado quando chegamos nele, daí surgiu o TrioCDS (é idiota, mas foi um momento bem feliz da minha vida).
Nunca nos separamos e aos poucos o trio foi crescendo e era claro a química entre Sam e Camilla, mas como se ignorassem isso, os dois sempre mantiveram apenas uma amizade.
Vendo-os agora, minha vontade de que eles ficassem juntos apenas se fortalecia, Camilla, como sempre, uma verdadeira modelo, vestia um vestido branco que marcava nos lugares certos valorizando seu corpo, seu cabelo castanho escuro, com raiz lisa, mas naturalmente ondulada nas pontas, estava um pouco abaixo do ombro, e Sam, usava um terno sem a gravata, com alguns botões abertos, chique e moderno ao mesmo tempo...
_ Ei Demi. – falou Camilla, levantei-me para cumprimenta-la, cumprimentei Sam logo após e assim que os comprimentos acabaram todos se sentaram.
Começamos a conversar sobre assuntos variados, dos mais sérios (tipo escola, trabalho) aos mais bobos (“Você viu o último episodio de Revenge? Não foi eletrizante?”) por um momento me esqueci do quão desanimada eu estava para vir a essa festa, no fim das contas ela não seria tão ruim assim...

_ Essa é a melhor mesa da festa e me deixam de fora? – perguntou Sofia, chegando totalmente de surpresa. Sofia é uma comedia, colombiana, se casou com um grande empresário americano, super extravagante (ela está usando um vestido vermelho meio transparente, cheio de brilho, com brincos enormes de uma rosa vermelha prendendo o cabelo de lado. Vou tentar não falar muito sobre o salto arranha-céu que ela está usando), assim como Lara sempre foi criticada pelo seu casamento, mas ao contrario da Lara, que fazia de tudo para não aparecer muito e não criar confusão, Sofia sempre respondia a altura “Enquanto eles ficam suando no escritório em pleno verão, eu estou curtindo um sol no melhor hotel de Cancun” fala “Eles morreriam para estar no meu lugar, mas só quem tem poder aqui sou eu” e com o sotaque carregado dela tudo parecia bem mais engraçado.
_ Sente-se Sofia, a festa vai ficar bem melhor se você estiver aqui. – falou Lara. Sofia não pensou duas vezes antes de puxar uma cadeira e sentar-se ao lado de Lara.
_ Lara, minha querida, eu contratei um detetive particular para ver se meu marido está na linha, você sabe como é esses homens não é? E ele é ótimo, é jovem, bonito, discreto e eficiente. Descobri que tem uma piranha correndo atrás dele e ele está gostando. – disse indignada. _ Brian é um desavergonzado, mas ele que não tome cuidado. Eu vou te passar o nome desse detetive, qualquer suspeita de Eddie, ele vai investigar. – falou. Lara começou a rir.
_ Eu tenho um marido de ouro, não irei precisar de um detetive particular. – garantiu.
_ E porque ele não está aqui então?
_ Ele está em uma reunião.
_ Numa hora dessas?
_ Ele é um homem bastante ocupado. – justificou Lara sem jeito.
_ Mande o motorista buscar ele agora. – disse Sofia, entregando seu próprio celular para Lara.
_ Eu acho que ele já foi dispensado por hoje. – disse Lara, Sofia insistiu com o celular na mão. Lara pegou o celular, discou o numero de Pablo e pediu para que ele pegasse meu pai no apartamento. Devolveu o celular a Sofia. _ Feliz? – perguntou.
_ Se tiver uma piranha no meio, nos vamos afasta-la, claro que o Pablo não vai dizer se tiver uma por lá, como sempre homem defende um ao outro...
_ Meu pai não é assim. – disse Lucas um pouco nervoso.
_ Viu? – perguntou Sofia, apontando-o com um exemplo, todos acabaram rindo, menos Lucas que ficou vermelho de raiva.

Passaram-se alguns minutos e o celular de Lara tocou. Ela atendeu:
_ Sim Pablo. – esperou por resposta, aos poucos vi o sorriso em seus lábios desaparecerem, ela pareceu empalidecer, mas logo tornou a ficar normal. _ Você sabe o que fazer Pablo, chame ajuda. – falou rígida. Ela me fitou apreensiva enquanto escutava o que ele dizia em resposta, e eu pude perceber que algo não está certo.

Continua

Como estão? Espero que bem? Já estão de férias? EU ESTOU :D vou enfim poder escrever mais, ler mais, voltarei a ler as fics, voltarei a ver minhas series *--------------*
Espero que tenham gostado do capítulo.
A é, estão animadas para a copa? Confesso que não gosto de futebol e odiei o fato dela esta sendo feita aqui, mas pelo menos isso me deu férias de um mês :p
Bjsss


Giovanna: Muito obrigada, só vai ter o primeiro encontro Jemi no fim do terceiro e durante o quarto capítulo, mas espero que você tenha gostado desse capítulo ainda assim. Muito obrigada por comentar. BJSSS
Carine: Muito obrigada, esse capítulo “mata” um pouco da curiosidade (assim espero) mas no fundo ainda tem um pequeno mistério... Espero que tenha gostado. Muito obrigada por comentar. BJSSS
Fabiola: kkkkk fico muito feliz que você tenha gostado, ele vai demorar um pouquinho para chegar, mas quando chegar ele vai chegar chegando kkkkkkk. Muito obrigada por comentar. BJSSS
Erii: Bom, quem morre não será uma grande surpresa, mas ainda assim haverá um mistério por trás, consegue adivinhar o que é? Espero que tenha gostado. Muito obrigada por comentar. BJSSS
Kika: Que bom que você gostou, espero que tenham gostado deste também. Muito obrigada por comentar. BJSSS
Lulli: Que bom que gostou, espero que tenha gostado deste capítulo também, não sei se esse também vai te deixar curiosa, mas nessa fic, coisas para deixar todos curiosos é o que não vai faltar. Muito obrigada por comentar. BJSSS