domingo, 13 de julho de 2014

7. Não me solte – The Big Apple

 

Hoje completa um ano da morte de Cory, sem duvidas é uma perda que eu nunca superarei, mas me conformo em saber que, se existe um céu, ele estará lá, olhando por nós, pois ele agora não é só o nosso canadense grandão, baterista, atrapalhado, que não sabia dançar, hoje ele é nosso anjo.







Eu sempre tentei ser o mais perto de responsável e educada possível. Meus pais sempre se orgulharam em poder gabar para os outros pais o fato de que eu nunca cheguei bêbada em casa e que nunca os dei muito trabalho do tipo: passar a noite fora de casa, repetência, envolver-me com drogas... Eu nunca fiz isso me sentindo obrigada, na verdade eu sempre me senti bem em ser boa. Eu sou aquela menina que em todo encontro com amigos dos pais escuta aquela frase: “Continue assim, filha que honra pai sempre recebe muitas graças de Deus.”.
Meu maior pecado havia sido começar a namorar Jacob, ele não era realmente uma má pessoa, mas Joe nunca gostou dele, não posso dizer que minha mãe e meu pai eram a favor do nosso namoro, mas eles eram permissíveis na medida do possível.
O que irrita tanto a todos era o fato de ele ser lutador, apesar da maioria dos lutadores profissionais serem até pacíficos fora dos Ringues, Jacob sempre foi nervosinho, fora e dentro de uma luta. Falar com ele nem sempre era uma tarefa fácil.
No fundo entendo a preocupação de todos, eles tinham medo que um dia Jacob se descontrolasse e descontasse sua raiva em mim. Eu não posso te dizer que isso também não me assustava, muitas vezes eu ficava com medo quando discutíamos, mas Jacob nunca me atacou nem nada, ele sempre se controlou bem, ele sempre foi o mais delicado possível dentro natural brutalidade. No final das contas era apenas preocupação exagerada. Jacob era o melhor que tinha acontecido em minha vida, talvez ele fosse minha graça. Irônico, o meu presente de Deus é justamente o meu maior pecado.

Eu relia as ultimas mensagens que havíamos trocado, a hesitação dele em me responder minha última pergunta era uma afirmação para mim, ele não queria aceitar minha proposta, tudo teria que ser da sua maneira.

                “Nós já tínhamos falado sobre isso Selena” – respondeu-me por fim.
                “Eu sei.” “mas eu não quero passar o natal longe da minha família” – contrapus.
                “Você sabe que eu organizei tudo para irmos embora hoje”
                “Você pode ir, olhar tudo, ver se é como prometeram” – falei. “O natal é depois de amanhã, são só dois dias”.
                “Se você tiver desistido, tudo bem” – eu sabia que ele estava mentindo, ele queria isso mais que eu.
                “Claro que não, eu quero sim, eu só quero me despedir direito, não quero estragar o natal da minha família, você sabe como essa data é importante para nós”.
                “10 da noite, dia 26, eu vou estar te esperando na esquina, se você não aparecer, não terá outra oportunidade.” – apesar de eu saber que essa mensagem tinha sido enviada em um momento de raiva, e que provavelmente ele esmurrou a tela do celular para escrever essa mensagem, eu não pude deixar de sorrir, eu tinha conseguido o que eu queria no final das contas.

Sai do meu quarto e fui para a sala, eu vivi quase toda minha vida por estas paredes, bom, talvez quase toda seja um exagero, mas foram os melhores 6 anos da minha vida, nunca me dei muito bem em Londres, o lugar é lindo, mas sempre fui meio zero a esquerda, aos treze anos consegui acumular apenas uma amizade, que nem era uma amizade de verdade, eu era mais aquela garota que só é chamada quando não tem ninguém mais. Ainda me lembro de quando meu pai falou que viria para Nova Iorque, ele juntou toda família na nossa mesa, ainda me lembro de como todos ficavam apertados naquela casa geminada, todos estavam alegres, mas quando ele deu a notícia todos se silenciaram, foram minutos sem nenhuma palavra ser dita, todos estavam tristes, todos menos eu. Eu não sabia como seria em Nova Iorque, queria conhecer e tal, mas nunca sonhei em mudar para cá, porém, naquele momento, meu desespero por uma mudança era tão grande que eu aceitaria qualquer lugar que ele dissesse. Quando cheguei por aqui, a primeiro momento pensei que minha tormenta apenas tinha mudado de endereço, que tudo continuaria da mesma maneira, mas as pessoas começaram a se aproximar de mim, as vezes era para zoar meu sotaque, outras vezes era para saber como era Londres, no final acabei fazendo amizade e foi aí que descobri minha paixão por modelagem.
Quando comecei a sonhar em ser modelo, meus pais me apoiaram imediatamente. Todos pareceram bem animados no começo, mas aí todos os agentes sempre falavam alguma coisa: “Você tem que ser mais alta” “Você tem que emagrecer” “Seus dentes precisam estar mais brancos”. Foram dois anos complicados, fiz vários tratamentos para os dentes, me enfiem em todos os esportes que meu tempo deixava, e foi também quando fiquei neurótica pela minha alimentação, diminui a quantidade de tudo o que comia, não comia nada sem olhar as calorias, até que passei uma semana a base de água e chá, foi aí que meus pais bateram o pé e proibiram de continuar com meu sonho de modelagem, lembro-me de ter brigado e insistido em continuar, mas quando em uma as minhas aulas de vôlei eu desmaiei e fui parar no hospital, tomando soro na veia por dois dias e tendo psicólogos entrando em meu quarto e cogitando a ideia de me levar para uma clinica de reeducação alimentar, que percebi que talvez fosse melhor eu parar. Eu queria emagrecer e queria entrar no padrão que eles tanto queriam, eu não tinha problemas com comida, eu amo comer, eu sou capaz de comer uma pizza de 8 pedaços sozinha, eu estava sofrendo para sobreviver com tão pouco. Então eu parei com as dietas loucas, mas ser modelo nunca saiu da minha cabeça. Nem meus pais, nem meu irmão, sabem, mas eu já fiz alguns testes depois daquele acontecimento, eu até fui chamada a um deles, mas não fui por medo, mas agora, eu novamente tinha sido chamada para outra agencia, essa era uma muito melhor e a proposta era inacreditável, eu não podia perder mais essa oportunidade.

_ Sonhado acordada? – perguntou minha mãe. Eu sorri para ela.
_ Não, só estou olhando a casa. – ela olhou-me desconfiada.
_ Olhando a casa. – confirmou. _ Vou fazer Brownie. – falou.
_ Oba! Adoro Brownie. Quer ajuda? – perguntei.
_ Se você quiser lavar o que eu sujar. – falou rindo, fiz careta.
_ Acho melhor eu deixar quieto. - falei.
_ Qualquer coisa eu estarei na cozinha. – disse.
_ Tudo bem. – ela saiu logo e eu comecei a andar, não sei por quanto tempo ela estava lá, mas deve ter sido estranho me ver olhando que nem uma idiota para a parede. Mas era incrível, aquelas paredes tinham tanto para contar, após 6 anos no mesmo lugar eu não me importava mais com seus detalhes, mas agora parecia que tudo voltava a ser como vê-la pela primeira vez. Pequena casa e apenas um andar, com uma cozinha, uma sala, três quartos, um banheiro e uma lavanderia. Isso é tudo, nunca houve uma reforma, do jeito que entramos ela está. Os mesmo quartos com papeis de paredes em tons pastel, dos quais eu nunca gostei, mas acabei me acostumando, o mesmo piso de carpete, que hoje contem manchas aqui e ali, o mesmo jardim da frente pequeno e sem nada além de grama, a mesma cozinha apertada, a mesma sala com três janelas desnecessárias, deixando pouca parede para os moveis, a mesma garagem que cabe apenas dois carros, o que me impediu de comprar o meu, já que Joe é mais velho e tirou a carteira primeiro, o jardim pequeno que não tinha nenhuma decoração, sua cerca de arame era tão anti-privativa, que quase nunca íamos para o jardim. Era tudo tão simples, mas tão meu.
Quando percebi, eu novamente estava parada olhando tudo com certa nostalgia precipitada. Eu estava encostada na quina da parede que divide o corredor, que dá para o banheiro, os quartos e a lavanderia, da sala.

Eu já estava até preparada para ir à cozinha, (talvez ajudar a minha mãe não fosse uma má ideia) quando Joe entra estressado, batendo a porta e se jogando no sofá derrotado. Eu não sei qual era o novo caso que ele estava investigando, mas seja lá qual, o estava deixando louco.

_ Tenho autorização para saber sobre a investigação ou essa é uma daquelas tão secretas que nem mesmo eu posso saber. – falei me aproximando dele e sentando no sofá a seu lado.
_ É complicado. – falou.
_ Percebo. – Joe havia saído cedo, mal tinha tomado o café da manhã, e chegara só agora, já era quatro da tarde, ele deveria estar cansado e pela sua feição, também estava frustrado.
_ Eu estou com o caso da minha vida bem em minhas mãos, e tenho um empata pistas no meu pé. – falou.
_ E quem é esse empata pistas.
_ A pessoa que me contratou.
_ Homem ou mulher?
_ Mulher.
_ Fácil, seduz ela, não é isso que você faz com todas? – sugeri, eu sempre achei isso um nojo, mas eu já tinha me conformado, meu irmão era um pegador barato, sempre disposto a uma transa sem compromisso.
_ Ela é noiva. – respondeu.
_ E desde quando você tem essa ética?
_ Ela não é qualquer uma. – ok, eu estou realmente escutando isso?
_ Todas que um dia caíram em sua lábia estão se jogando no chão de inveja. – comentei e ele deu aquele riso safado que sempre dá.
_ Eu não tenho culpa se me amam.
_ Ah, então é isso, você encontrou uma que foi capaz de resistir ao seu charme. – conclui, talvez seja esse o seu estresse, perceber que algumas mulheres podem ser imunes ao seu charme.
_ O assunto é serio Selena. – falou. _ Eu estou em busca de um assassino. – olhou-me. Não havia nenhum tom de brincadeira em sua voz e nenhum sorrisinho safado em sua face.
_ Ela já procurou a polícia por acaso? – quem era ela para colocar meu irmão em busca de um assassino? E se meu irmão corresse perigo ao aceitar tal trabalho?
_ A polícia qualifica o caso como suicido, porém ela acredita que tenha sido um assassinato e quer que eu busque provas, o problema é que todos os suspeitos que eu achei são íntimos ou tem algum tipo de relação, mesmo que distante, dela, e ela não aceita nenhum nome. É como se eu estivesse andando rumo a direção certa, mas estivesse alguém me puxando para trás.
_ Legal.
_ Legal?
_ Diz para ela que não vai querer o caso. Você é detetive, mas nunca fez nada como caçar um assassino, e se ela está te atrapalhando assim é apenas um sinal, esse caso não é para você.
_ Você escutou a parte de que esse é o caso da minha vida?
_ Você escutou a parte de que você está atrás de um assassino? Pode ser perigoso, se matou um, nada impede que te mate também, Joe.
_ Selly, não pira.
_ Eu digo isso várias vezes para você quando se trata de eu ser modelo.
_ Mas você já viu a merda que deu da última vez.
_ E você já apanhou na rua de um marido que descobriu que foi você que o investigou para a mulher.
_ Eu não fui a um hospital por causa disso.
_ Foi sim.
_ Eu não fiquei dois dias internada.
_ Você ficou três dias.
_ Os médicos não queriam me internar em uma reabilitação.
_ Pois deveriam ter te mandado para o hospício. – cruzei meus braços, furiosa, porque ele sempre tinha que ganhar a discussão?
_ Nossa que ácida. – disse, me zoando, fazendo voz de menininha. Eu acabei rindo da sua imitação, se tinha uma coisa que não combinava com Joe era ser gay, sei lá, já estou tão acostumada com ele sendo um garanhão...
_ Você já foi menos ridículo.
_ Ui que louca. – falou, mexendo os braços, feito uma Drag Queen. Eu acabei gargalhando.
_ Sério Joe, isso não combina com você. – falei já sem ar.
_ Que Joe, sua louca. – deu-me um tapinha, cruzou sua perna e fez um biquinho. _ Meu nome é Joana.
_ Ok, agora isso ficou bem estranho. – falei, mas ri do mesmo jeito.
_ Ficou mesmo. – falou ele já se recompondo de maneira rápida.
_ Mas foi bem legal Joana.
_ Eu já voltei a ser o Joe. O Joseph. – deixou claro.
_ Você sempre será minha Joana.
_ Acho que não foi uma boa ideia. – falou claramente se arrependendo.
_ Claro que foi Joana. – continuei zoando.
_ Eu vou voltar a te chamar de Selineura. – falou, relembrando do apelido que ele me deu quando eu comecei a fazer minhas dietas malucas, naquela época eles ainda não tinham ideia do que ia acontecer, então foi tudo uma piada que acabou mal.
_ Por mim tudo bem Joana.
_ Tudo bem Selineura.
_ Tudo bem Joana. – ficamos em silêncio por um tempo, meio que rindo de nós mesmo, nem parecemos os mesmo que nos odiávamos a uns anos atrás.  _ Manda sua lista de suspeitos para ela, deixe que ela mesma leia, se ela não concordar pelo menos você não vai sair tão estressado.
_ Boa ideia Selineura.
_ Eu sei Joana.


...



Ah! O Brownie da minha mãe, acredite se quiser, a primeira vez que eu comi um Brownie na minha vida, foi em Nova Iorque, me apaixonei tanto que lembro-me de ter obrigado a minha mãe a aprender a fazer também, e sinceramente? Minha mãe tinha aprendido a fazer com perfeição.

_ Você já comprou o presente da mamãe? – sussurrou Joe ao meu lado, atrapalhando-me na minha viagem dos sabores ao delicia-me com o meu terceiro pedaço de Brownie.
_ Não. – falei de primeira, mas logo depois vi a gravidade. _ Eu não comprei. – arregalei os olhos.
_ Você podia comprar o meu também né? Eu te dou o dinheiro. – falou.
_ Somos péssimos filhos.
_ Nem me diga.
_ Eu nem sei o que comprar pra ela. – falei. _ Já dei tanta bolsa e roupa que nem mais cabe no armário dela.
_ Que tal mudar para sapatos? – perguntou sem muita confiança.
_ Dois sapatos? – perguntei, mamãe não era muito fã de sapato, então um já seria de bom grado.
_ Uma panela?
_ Você está querendo apanhar? – perguntei. _ Eu estou pronta para bater.
_ O que você sugere?
_ Sei lá, talvez um colar simples? Ou...
_ Ou?
_ Ok, eu dou um vestido e você um sapato?
_ Nada de colar?
_ Papai fica com as joias.
_ acha que ele vai acertar?
_ Não. – ele sempre erra. _mas você pode dar umas dicas.
_ E porque não você?
_ Porque eu já vou ter que sair no frio, com as ruas lotadas, para poder comprar os presentes.
_ Mas eu vou ter que pagar pelos presentes.
_ Só o seu. – falei orgulhosa.
_ E com qual dinheiro você vai pagar o seu? Você não trabalha.
_ Eu tenho minhas economias.
_ E como você conseguiu essas economias? – perguntou desconfiado. Eu consegui tirando fotos na seção ‘moda’ de uma revista para garotas adolescentes, do qual você é preconceituoso demais para se quer pensar em tocar, quando passar por uma banca de rua.
_ Todo aniversario eu ganho dinheiro de alguém, venho juntando desde o primeiro. – menti, sempre gastei tudo dois dias depois de ganhei. _ Agora dá para eu comer meu Brownie em paz? – perguntei.
_ À-vontade. – disse.



Já era noite, todos estavam sentados assistindo mais um episódio de The Voice, cada um torcendo pelo seu, todos empanturrados de brownie até o último fio de cabelo, ninguém falava nada, apenas havia o som da TV ligada.
_ Ah não! Não acredito que ele vai sair. – disse minha mãe desolada.
_ Mãe, alguém tem que sair. – disse Joe obvio.
_ Mas já tem tão poucos, podiam deixar ele.
_ O programa já acaba na próxima semana, e se dependesse de você todos os candidatos ainda estariam no programa.
Sinto meu celular vidrar.
                “Já deu o papel para seu pai assinar?” – era Jacob.
_ Você só esta assim porque você estava torcendo para ele. – disse Joe, se direcionando a meu pai, não sei que parte da conversa eu tinha perdido enquanto lia a mensagem.
_ Não era só eu que estava torcendo para ele, sua mãe também.
_ Mamãe torce para todo mundo...
               
“Ainda não.”
                “O cara que vai falsificar a assinatura vai vir amanhã cedo. Você tem que parar de enrolar” – respondeu sem pestanejar.
                “Eu sei, eu vou fazer isso.”
                “Desculpa te pressionar, mas ele vai vir aqui só pra isso, se não tiver nada para fazer vou perder a moral com ele.”
                “Eu sei.” “Mas tem certeza que vai dar certo?”.
                “Claro que vai, o documento que eu te mandei parece profissional e o cara sabe copiar uma assinatura que é uma beleza.”
                “Se formos pegos eu não quero nem pensar no que vai acontecer.”
                “Eu nunca fui pego Sel, e não vai ser agora que serei.”
                “Eu vou mandar ele assinar assim que eu estiver sozinha com ele.”
                “Tem certeza que você vai conseguir isso ainda hoje, não vai?”
_ Selena? – olhei para meu pai, que me chamava, todos olhavam para mim. _ Hey. – ele riu. _ Com quem você está conversando tão distraída. – com meu ex-namorado, que não é ex-namorado, planejando a minha fuga?
_ Com a Ana.
_ Ah, a Ana, acho tão lindo a amizade de vocês duas, manda um beijo para ela. – falou minha mãe feliz.
_ Claro.
                “Vou sim.” – respondi a ele.
                “Você está fazendo certo Selly, quando você estiver nas passarelas do mundo inteiro, você vai ver o quão orgulhosos eles estarão, nem vão lembrar-se disso.” – confortou-me.
_ Ela mandou outro para você. – minha mãe sorriu.
_ Combina com ela de vir aqui, já faz tempo que vocês não se encontram. – disse.
_ Nós vamos combinar sim. – falei.
                “Eu sei.” – respondi. Mas na verdade eu não sabia.


...


_ Pai, posso falar com o senhor? – perguntei timidamente, Joe e mamãe já estavam sem seus quartos, se preparando para dormir, meu pai já até estava de pijama, aqueles listrados, que quase todo velho tem.
_ Claro. – sorriu gentilmente. Meu pai nem sempre foi assim, um distribuidor de sorrisos, só depois que quase perdeu sua vida que ele ficou assim, feliz, valorizando cada momento que tinha, nunca pensei que um acontecimento tão triste pudesse fazer uma diferença tão grande em uma pessoa. _ O que quer? – perguntou.
_ Tem como o senhor assinar esse papel para mim? – perguntei, entregando-o o papel e a caneta, ele começou a ler a folha, e eu engoli o seco.
_ Você vai fazer moda? – perguntou. _ Nunca pensei que era isso que você queria.
_ Não é. – respondi e me arrependi logo depois, ele me olhou um pouco constrangido. _ Já que eu não posso modelar, pelo menos posso fazer roupas para as modelos. – falei, tentando sair do constrangimento.
_ Ah querida. – compadeceu-se. _ Você vai ver que é o melhor para você. – falou, encostou a folha na parede e a assinou-a. Antes de entregar-me a folha, novamente ele sorriu. _ Esse curso vai te fazer bem filha, quem sabe você gosta tanto que próximo ano resolve que vai fazer faculdade de moda?
_ E você iria gostar disso?
_ Claro que sim, eu deixaria você renovar meu armário inteiro. – disse e me abraçou.
_ Obrigada pai. – segurei meu choro ainda em seu abraço. Como eu sentiria falta deste abraço.
_ Obrigada por ser minha pequena. – disse ele. E aí eu não segurei. Comecei a chorar. _ Selena, você esta bem? – perguntou ele percebendo meu choro.
_ Eu estou bem. – falei. _ Por favor. – solucei. _ Não me solte.

Continua


Capítulo de hoje postado, amanhã minhas aulas voltam, então não sei quando voltarei a postar, já que essa primeira semana vai ser semana de prova e eu confesso que nem toquei nos meus cadernos nessas férias... Estão assistindo o jogo de hoje? Para quem estão torcendo?
Comentam/avaliem
Bjssss


Carine: Mais um capítulo na visão dela, e aí? Gostou? No próximo capítulo terá mais suspeitos, quem sabe você desconfie de mais alguém... Muito obrigada por comentar. Bjsss
Kika: Vou postar sim, você já tem apostas? Próximo capítulo aparecerão novos suspeitos... Muito obrigada por comentar. Bjsss
Fabíola: kkkkkkkk pois é, Demi cabeça dura, mas deve estar sendo difícil para ela, pois a maioria dos suspeitos são pessoas que ela estima.... Mas quem sabe ela dá uma chance? Posso dizer que Joe não vai deixar ela desistir tão fácil assim não. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Diana: Te entendo completamente, eu também estou assim, pode perceber que estou comentando muito menos no seu blog, quase nunca apareço, mas eu vou sempre tentar aparecer lá. Muito obrigada por comentar. Bjsss

domingo, 6 de julho de 2014

6. Encarar a realidade – The Big Apple



Eu, novamente, não consegui dormir, mas desta vez não era só pela tristeza do luto, desta vez também tinha ansiedade.
Eu não sei o que acontece nessas investigações, o mais próximo de filmes que eu vi sobre isso foi o Inspetor Bugiganga, e, por motivos óbvios, eu não acredito que aquele filme condiga com a realidade. Mas, mesmo não tendo ideia do que aconteceria, eu não me arrependo da minha decisão, eu realmente quero estar na investigação, eu quero poder acompanhar tudo, mas eu não podia negar que a aproximação da hora marcada me fazia sentir com falta de ar.

Assim que o despertador tocou acordei, revirei-me na cama e decidi que novamente faltaria a aula, era a última semana, não havia mais provas, apenas alguns trabalhos para serem entregues. Eu não posso dizer que minhas notas estão ótimas, mas dá para recuperá-las no próximo semestre. Virei-me novamente na esperança de cochilar mais um pouco, não havia muito que eu havia conseguido cochilar um pouco, foi um alivio para meu corpo cansado, se eu pudesse ter mais um pouco desta sensação...



_ Senhorita Demetria? – acordei com alguém me chamando e pelo tom da voz, não era a primeira vez que me chamava. _ Senhorita Demetria? – chamou-me novamente. Abri os olhos e vi que era Karla, me surpreendi, não era muito comum vê-la fora da cozinha.
_ Karla?
_ Estão chamando a senhora na sala.
_ Me chamando? Quantas horas são?
_ Duas da tarde.
_ O que? – levantei-me instantaneamente. Era para ser a penas um cochilo!
Meus olhos nem mesmo tinham se acostumado direito com a luz do dia, nem meu corpo estava totalmente desperto, ainda assim eu fiz um esforço para começar a tirar minha camisola enquanto andava até meu armário e pegava a primeira blusa que vi na frente.
_ Senhora? – repetia Karla. _ O que eu devo dizer para o rapaz? – perguntou. Só depois de falar duas vezes que parei para prestar atenção no que ela dizia.
_ Karla, que rapaz? – perguntei.
_ O rapaz que está te chamando. Porque tão literal?
_ Quem é o rapaz?
_ Não sei, ele disse que tinha um encontro marcado com você hoje, mas que não apareceu. – respondeu. É o Joseph.
_ Ah meu Deus! – em um impulso corri para fora do meu quarto e fui em direção para a sala de estar.
Encontrei-o de pé, meio que sem jeito, bem ao lado do sofá. Ele me olhou e ficou parado feito uma estatua. Á primeiro momento eu pensei que eu o tinha assustado com minha aparição desajeitada, mas logo após percebi o que era. Eu ainda estou de camisola.
_ Fiz mal em vir aqui? – perguntou.
_ Não, claro que não, você fez bem, me desculpa, é que eu...
_ Dormiu mais que a cama? – concluiu o que eu não consegui e deu um sorriso fraco.
_ É. - confirmei. Formou-se um silêncio incomodo.

_ Demi? – era Lara que surgiu do nada. _ Quem é ele? – perguntou.
_ Eu sou...
_ Amigo de Nicholas. – interrompi-o antes que ele falasse mais do que deveria.  Lara pareceu desconfiada e continuou olhando para ele, como se esperasse por uma confirmação.
_ Joseph, amigo de Nicholas. – ele confirmou e apresentou-se para um aperto de mão. Lara correspondeu o comprimento de maneira seca e rápida, o que foi bem estranho, já que ela sempre foi receptiva e dócil, mas tudo estava tão confuso e mudado nesses últimos dias...
_ E isso são modos? – falou olhando-me de cima a baixo.
_ Eu já ia me trocar Lara. Mas quero leva-lo ao quarto de Nicholas antes.
_ Eu posso fazer isso por você. – disse pegando-o pelo braço.
_ Pode deixar que eu o levo. – falei, pondo-me na frente deles. Lara soltou-o e olhou-me com um olhar reprovativo.
_ Logan é um bom rapaz Demetria, mas não abuse. – disse.
_ Eu não estou fazendo nada de mal. – falei, mas ela me apenas me ignorou saindo em direção da cozinha.

_ Isso foi bem tenso. – falou Joseph do meu lado. Olhei-o sem saber se ficava nervosa ou se ria. No final acabei apenas pegando-o pelo braço e puxando-o até o quarto de Nicholas.


Assim que Nicholas me viu entrando com Joseph sem seu quarto, ele tirou seu casaco e colocou-o em mim. Hey, estamos no século 21, uma mulher de camisola não é mais ultrajante.
_ Demi, o que é que está acontecendo?
_ Nada. – falei. Nicholas olhou para Joseph.
_ Quem é ele? – perguntou.
_ Aparentemente sou seu amigo. – falou Joseph, antes que eu conseguisse abrir a boca.
_ Joseph, o detetive. – falei.
_ Oh. – pareceu surpreso. _ É ele? – perguntou descrente.
_ Sim, ele. – confirmei.
_ Quantos anos você tem? – perguntou.
_ O suficiente. – respondeu Joseph, tedioso.
_ Olha, Nicholas, eu preciso me trocar, tentem não se matar, e não deixe ele falar com a Lara. – falei e larguei-os lá, sem esperar por alguma resposta.


Quando cheguei a meu quarto e abri meu armário tive uma desconfortável surpresa, tudo o que eu via era vestidos, curtos ou com decotes, para mim que sempre achei o meu armário másculo demais para uma menina que tem condições de comprar o que quiser, era surpreendente ver que na verdade ele era completamente normal. Olhei melhor e achei roupas normais para um dia normal, mas nada parecia adequado.
Vestir algo chique demais para ficar em casa? Ou algo desarrumado demais para quem está recebendo uma visita?
 Acabei ficando com a segunda opção, ele já tinha me visto de camisola, descabelada e com remelas nos olhos, nada podia ser pior, podia?
Coloquei uma legging térmica preta, uma blusa banca de manguinha e completei um uma blusa da Gap cinza, pois, mesmo com o aquecedor ligado, eu ainda sentia frio.

Quando voltei ao quarto de Nicholas, os dois estavam em completo silêncio. Nicholas estava sentado na mesa de computador, enquanto Joseph estava encolhido no meio da bagunça, sentado no sofá de dois lugares do quarto.
_ Vamos? – perguntei sorrindo. Joseph se levantou prontamente, parecendo bastante aliviado com minha chegada. Nicholas também se levantou.
_ Posso falar com você Demetria? – perguntou. Demetria. Lá vem bronca. _ A sós. – completou e olhou para Joseph, que timidamente se retirou e ficou esperando na porta.
Aproximei-me de Nicholas e ele me olhou serio antes de começar a falar.
_ Despeça esse cara. – disse.
_ Nicholas, qual é o seu problema?
_ O meu problema é que não há como ele conseguir resolver este caso.
_ Você nem o conhece. – contrapus, mesmo sabendo que eu também não o conhecia.
_ Perdi o interesse no momento em que ele falou “A madrasta da Demetria é muito gostosa para uma mulher mãe de dois filhos.” – imitou-o irritado. Nicholas tem uma qualidade que eu sempre admirei em um homem, um respeito enorme pelas mulheres. Ele jamais assoviaria para uma mulher na rua e a chamaria de ‘gostosa’ ou ‘gatinha’ ou qualquer outra coisa que pudesse constrangê-la, e, jamais, em hipótese alguma, mandaria uma mulher ir lavar roupa ou falaria que mulher só pode ‘dirigir’ fogão. Ele é tipo aquele cara em que machistas chamam de bixa ou boiola, mas também é o tipo de cara que eu acho mais machão. O comentário de Joseph sem duvidas foi uma ofensa para Nicholas, pois Lara não era qualquer uma, ela é da família, isso o atingia em dobro.
_ Eu vou falar com ele sobre isso.
_ Eu posso arranjar outro detetive, bem mais confiável. – falou e deu uma rápida olhada para Joseph que continuava na porta me esperando. _ E bem mais educado.
_ Se ele der mais uma mancada eu dispenso ele. – falei sem muita vontade. Não sei porque, mas no fundo eu queria que Joseph resolvesse o caso. Eu sei que no primeiro encontro que tive com ele pensei o mesmo que Nicholas: Ele não é capaz de resolver um caso como esse. Mas eu estava tão ansiosa por tudo que resolvi que o melhor a se fazer era dar uma chance, afinal de contas, como ele iria provar que era capaz se ninguém desse uma chance?
_ Promete?
_ Prometo. – respondi. Nicholas não pareceu tão satisfeito, mas eu sabia que ele tinha cedido. _ Ele não deve ser tão ruim assim, eu tive recomendações. – falei.
_ Se você falar que foi uma mulher que o recomendou, eu juro que vomito. – apenas olhei para ele, sem dizer nada e ele fingiu que ia vomitar, entendendo meu silêncio como um sim.
_ Para de ser bobo Nicholas. – falei rindo.
_ Vê se toma cuidado. – falou e deu outra breve olhada da Joseph, que continuava do mesmo jeito.
_ Eu sempre me cuido. – respondi.




_ Aqui é o escritório. – falei abrindo a porta, Joseph entrou, mas não deu muitos passos, apenas o suficiente para que eu pudesse fechar a porta atrás dele. _ Onde ele morreu. – completei, ao vê-lo observando a mancha de sangue no tapete.
_ Porque não tiraram o tapete? – perguntou.
_ Tiraram para lavar. – falei e fui até seu lado. _ Mas Lara pediu para que voltassem com ele, queria que tudo continuasse em seu devido lugar. – falei. Era difícil para eu entrar ali. Os policiais não haviam deixado que eu subisse ao apartamento enquanto o corpo dele estava aqui, mas infelizmente fui bombardeada com fotos dele morto na internet e TV, por mais que eu tentasse fugir, sempre tinha alguém que me fazia lembrar esta tragédia em minha vida.
_ Pretendem fazer deste o santuário dele? – perguntou.
_ Não. – respondi. _ Eu nem sei o que vai acontecer com esse apartamento. – Joseph me olhou sem entender o que eu quis dizer. _ Lara pretende mudar para a casa da praia amanhã. – respondi sua pergunta não perguntada.
_ Você vai também? – perguntou preocupado.
_ Não. – respondi com um aperto no coração. _ Pelo menos não sem ter uma resposta sobre a morte do meu pai. – completei.
_ Então é melhor começarmos. – disse.
_ É.

Eu e Joseph nos sentamos no sofá de couro falso marrom, que fica no canto do escritório, logo ao lado da estante de bebidas. – é, aparentemente é crucial para grandes empresários ter um copo de Uísque sempre a mão. – ele pegou um bloquinho de notas e uma caneta. No bloquinho havia várias coisas escritas, segurei-me para não ler.
  _ Vamos começar pelo principal. – falou. _ Pela lista de suspeitos.
_ Ok.
_ Eu fiz algumas pesquisas...
_ Você realmente está interessado no caso não é? Fez pesquisas, veio até aqui porque eu faltei ao encontro. – falei interrompendo-o e me arrependendo logo após.
_ Eu precisava fazer uma pesquisa para ver que não era um caso perdido e... – hesitou. _ Eu sabia que você queria muito isso, sua falta não seria por um motivo bobo, por isso te procurei aqui.
_ E no final das contas foi porque eu dormi demais.
_ Você não parece ter dormido muito ultimamente, você ter dormido a mais hoje não é um erro tão grave. – falou.
_ Como você sabe que eu não tenho dormido muito ultimamente?
_ Me desculpe, mais isso não é muito difícil de perceber. – ótimo, todo mundo pode ver minhas olheiras.
_ Como você descobriu onde moro?
_ Essa foi a parte mais fácil. – falou. _ Fora que seu endereço nunca foi muito secreto. – completou. _ Mas alguma pergunta?
_ Não, me desculpe.
_ Sempre problemas. – disse e olhou para o bloquinho em sua mão. _ Edgar Loveslen. – disse.
_ O senhor Loveslen? Não.
_ Ele é o segundo dono do Banco, ele poderia muito bem querer ser o dono de todo o banco, e a morte do seu pai pode tornar isso uma tarefa bem fácil e lucrativa.
_ Claro que não, ele podia muito bem negociar com meu pai.
_ A morte do seu pai fez com que os investidores ficassem receosos, o banco vale muito menos agora do que antes, ninguém sabe quem será o novo líder e até que um nome seja declarado o banco pode entrar em falência, Loveslen tem nome no mercado, e ele é um gênio, ele pode comprar o banco por um terço do que ele vale hoje e pode fazer com que o banco cresça tanto quanto cresceu com seu pai. Seria uma jogada de mestre e muito lucrativa.
_ Eu me recuso acreditar que ele tenha feito um plano tão... – eu não conseguia nem terminar a frase.
_ Ele estava na festa? – perguntou Joseph.
_ Eu... – hesitei. _ Não me lembro de tê-lo visto. Mas isso não significa nada. – Joseph me olhou como se eu estivesse errada. _ Ele estava no velório.
_ Isto também não significa nada. – falou.
_ Ele não matou meu pai.
_ Você realmente quer tirá-lo da lista?
_ Sim. – respondi sem pestanejar.
_ Tudo bem. – ele riscou seu nome do bloquinho. _ Juan Gaus.
_ Ele foi o antigo motorista doo meu pai, ele não iria matar ele, foram anos de serviço.
_ Juan sofreu um acidente no carro do seu pai. – tentou justificar-se.
_E meu pai pagou pela recuperação dele.
_ Foi um braço quebrado.
_ Meu pai pagou o gesso que usaram nele.
_ Ele processou o seu pai e seu pai ganhou, ele quase foi deportado de volta para o México.
_ Ele queria processar meu pai sendo que ele que tinha culpa, ele bateu o carro por estar em alta velocidade e ele estava usando o carro fora da hora de serviço.
_ Ele alegou que as alegações de seu pai eram falsas.
_ Mas a pericia comprovou que ele estava em alta velocidade.
_ Ele acredita que a pericia foi comprada e que era falsa.
_ Não tem como um pericia ser fraudada. – contrapus já nervosa.
_ Você está alegando o mesmo que ele agora. – falou com uma voz calma que só me irritou mais ainda.
_ É diferente. – gritei. _ O velocímetro do carro travou na hora da batida, está lá, a velocidade do carro, era muito acima do que a rodovia permitia.
_ Não é diferente Demetria. – a tranquilidade em sua voz era a chama da minha raiva. _ A pólvora está na mão de seu pai, toda bala deixa um pequeno rastro de pólvora na mão do atirador quando é disparada. – parou de falar e olhou para mim, eu sentia meu sangue correr por todo o meu corpo, meu coração acelerado de raiva.
_ Talvez ele seja um suspeito a se levar em conta. – falei, o mais calma que consegui. Joseph ignorou meu nervosismo e apenas fez um ‘V’ ao lado do nome de Juan.
_ Linda Devonne. – ok, esse cara é doido.
_ Você sabe que ela é minha avó, não sabe? – perguntei, respirando fundo.
_ Sei. – disse apenas.
_ Sogra do meu pai.
_ Ex-sogra. – corrigiu-me. Continuei a tentar me controlar em silêncio. _ Ela odeia seu pai... Odiava.
_ Ela não seria capaz de mata-lo.
_ Ela o culpa da morte da sua mãe. E em uma entrevista jurou vingança.
_ Foi no calor do momento.
_ Ela jurou vingança em uma entrevista feita há um ano, a sua mãe morreu há 19 anos... Não foi no calor do momento.
_ Ela já tem quase 90 anos, deve estar acabada, como ela mataria um homem?
_ Você não vê muito ela, não é? – perguntou. Ah sei lá, a última vez que eu vi ela eu tinha o que? Dois anos de idade... Claro que eu não a vejo muito.
_ Isso faz alguma diferença?
_ Eu não sei o que ela toma, mas até onde eu sei, mesmo estando com 82 – deu grande ênfase a sua idade. E daí se não sei a idade dela? Eu não disse 90, eu disse quase 90. _ Ela está com uma saúde invejável. E parece que além da aposentadoria, ela ganha uma mesada do seu pai, ela teria condições de contratar alguém mais jovem.
_ Você acha que ela contratou um matador de aluguel?
_ É uma hipótese.
_ Eu não sei, ela é... Minha avó. – falei com um aperto no coração.
_ Me desculpe, mas vocês duas não parecem ter muito do que se chama ‘relação de avó de neta’.
_ Talvez ela também me odeie e me culpe. – minha voz saiu monótona e sem energia.
_ Eu não sei o que aconteceu, mas não é sua culpa. – falou, olhei-o e ele sorriu para mim.
_ Próximo da lista. – falei ignorando-o. Ele hesitou.
_ Lara Lovato. – olhei-o já cansada de seus suspeitos fajutos.
_ Me diz que foi uma piada.
_ Desculpe-me Demetria, mas eu me vejo na obrigação de suspeitar de todos. Lara era a esposa de Eddie, eu sei, mas no caso de sua morte ela receberia do seguro o equivalente a 14 milhões de dólares parcelados em três anos, isto é quase 4,7 milhões por ano. É um número tentador.
_ Ela poderia ter muito mais se ele tivesse vivo. E ela não é assim. – voltei a elevar minha voz, apesar de ainda não estar gritando. _ Ela nunca pediu nada de meu pai, o casamento deles foi com separação total de bem e ela ainda trabalha como enfermeira...
_ Em que hospital? – interrompeu-me.
_ No mesmo que sempre trabalhou.
_ Em que hospital? – repetiu.
_ Eu não sei.
_ Em que horário ela trabalha?
_ Isso depende, na maioria das vezes é no turno da noite, mas ela já trabalhou no turno da tarde e da manhã também.
_ Tem certeza que era por trabalho?
_ Eu não admito que você fale assim dela. – apontei o dedo em sua face. Linda face, diga-se de passagem.
_ Você realmente tem uma boa relação com ela?
_ Claro que tenho, ela me criou como filha, desde que eu era pequena.
_ Você a chama de mãe?
_ Isso não vem ao caso.
_ Porque hoje vocês estavam tão hostis?
_ Desde a morte do meu pai nossa relação de desgastou um pouco...
_ Ela não quer que você investigue a morte do seu pai. – concluiu. _ Por isso não disse que eu era um detetive, mesmo que a ajuda dela fosse imprescindível.
_ Ela se sente culpada.
_ Ah não me diga. – disse sarcasticamente.
_ Próximo da lista. – gritei. Ele olhou-me nervosos.
_ Você não está ajudando Demetria.
_ Próximo da lista.
_ Logan James Bache.
_ Ah não, chega por hoje. – levantei-me do sofá. _ Ele é meu noivo. – gritei.
_ Nome muito cotado como sucessor do seu pai.
_ Ele estava do meu lado na festa.
_ Tem uma boa aquisição econômica, poderia muito bem contratar alguém.
_ Cale a sua boca. – gritei. Ele ainda estava sentado no sofá com o bloquinho na mão, como se tudo estivesse normal. _ Saia da minha casa. – exigi. Ele, com movimentos lentos demais para minha pouca paciência, guardou o bloquinho em sua maleta e se levantou.
_ Para quê você me contratou afinal? Para brincar com a minha cara?
_ Para quê você veio? Para ofender a todos que me acercam? – Ele se aproximou de mim, senti o cheiro de seu perfume que era levemente doce, mas que combinava com ele, não o deixava com jeito de ‘sensível demais’ e nem o fazia parecer ‘bruto demais’ era como se o perfume equilibrasse os dois extremos.
_ Você sempre se surpreende com o fato de eu ser muito jovem, mas se esquecem de que o que faz um bom detetive não é a idade, mas sim a capacidade de deixar de lado o sentimento e encarar a razão e a logica, você não vai conseguir nada se continuar a defender aqueles que você ama, muitos inimigos sorriem para você e te promete fidelidade eterna, e esses são bem piores do que aqueles que dão a cara à tapa e se mostram inimigos de verdade.
_ Você não pode sair acusando qualquer um sem provas.
_ Você por acaso abriu sua mente para ver as provas? – perguntou. Calei-me furiosa. Provas? Tudo que ele trouxe foram especulações ridículas. _ Eu volto. – falou após perceber que eu não iria respondê-lo. _ Quando você estiver realmente pronta para encarar a realidade. 


Continua

Como todos estão? Demorei a postar, mas em compensação o capítulo ficou um pouco maior, espero que vocês tenham gostado.
Não se esqueçam de comentar/avaliar.
Bjssss


Kika: muito obrigada, qualquer dia vou postar uma foto dela J ainda assim agradeço, pois principalmente agora que o número de comentários está menor, é sempre uma alegria receber um, e é sempre bom agradecer a aqueles que te fazem alegre. Muito obrigada por comentar. Bjssss
Carine: Gostou da Selena, já digo que no próximo capítulo ela vai aparecer novamente. Espero que tenha gostado. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Fabiola: kkkkkkkk espero que tenha gostado desde capítulo tanto quanto você gostou do anterior. Coitada mesmo, mas ele tem seus motivos, mas a Selena não vai desistir do sonho tão fácil.  Bom, não posso falar que não nem que sim porque isso tirar a graça, mas você pode fazer sua aposta, agora tem até mais nomes para se suspeitar, e olha que é só o começo ainda kkkkk. Muito obrigada por comentar. Bjssss.

domingo, 29 de junho de 2014

5. Em busca de um assassino – The Big Apple



Cheguei a minha casa e fui recebido pela minha querida – e curiosa – irmã menor.
                _ Onde você estava? – perguntou.
                _ Não era em casa, como pode ver. – respondi tirando o casaco e o jogando de qualquer jeito no pequeno armário logo na entrada da casa.
                _ Sair de casa tão cedo, deve ter sido uma pessoa, digo, uma mulher de muito poder, se é que me entende. – falou sapeca.               
                _ Na verdade eu não entendo. E você não deveria pensar coisas assim, você ainda é uma criança.
                _ Criança Joe? Sério isso? Eu não sou mais criança.
                _ Selena você sempre será um criança.
                _ Uma criança que já beija na boca e que já...
                _ Me poupe das porcarias que você faz com aquele brutamonte. – interrompi-a antes que me arrepende-se do que vinha depois. Sai para meu quarto, mas pude ouvir seus passos apressados atrás de mim.
                _ Então você não quer saber sobre a última novidade? – perguntou, parei onde estava e olhei-a. Que não seja casamento, que não seja casamento, minha pequena não pode casar com aquele merda.
                _ Nos separamos. – se isso for sonho não me acorde. _ Pode comemorar. Você sempre quis isso mesmo. – falou, ela não parecia realmente triste, mas podia sentir que ela não estava totalmente bem.
                _ É claro que isso merece uma comemoração. Jantaremos chinesa hoje e por minha conta. – sorri. Ela virou os olhos. _ Porque vocês se separaram? – perguntei.
                _ Talvez Deus tenha escutado suas orações?
                _ Bom, em alguma vez isso tinha que acontecer, não é? – respondi, Selena suspirou e deu um sorriso falso. _ Mas serio. O que foi que aconteceu? – falei me aproximando dela, dando um abraço de lado e guiando-a a meu quarto, ela começou a me acompanhar sem hesitar.
                _ Ele esta me proibindo de tentar seguir carreira de modelo.
                _ E por acaso alguém está te apoiando? – perguntei sincero, ninguém da família queria que ela fosse modelo, só uns amigos dela, tão sonhadores e inocentes quando ela, que achavam isso uma boa ideia.
                _ Não, mais eu não vou ficar com alguém que ameaça se separar ou me prender dentro de casa se eu tentar seguir em frente.
                _ Prender dentro de casa? – não há como negar, era uma ótima ideia.
                _ Cala a boca Joe. – ela de deu um leve tapa na barriga. _ E eu não sei qual é problema de vocês... – resmungou, assim como sempre fazia quando era esse o assunto.
                _ Eu não quero que você viva de água e drogas, vomitando o que não tem na barriga, só para tirar meia dúzia de fotos.
                _ Joe, eu não tenho problemas alimentares nem com drogas, e nem vou ter, você podia confiar um pouco em mim. – saiu do abraço e parou na minha frente, bem diante a porta do meu quarto, cruzou os braços e ficou séria.
                _ Selena, da última vez que te levamos a uma agencia, o cara falou que você tinha que emagrecer, você ficou louca fazendo umas dietas estranhas sendo que você já é magra.
                _ Eu tinha 14 anos Joe, eu era influenciável. – justificou-se.      
                _ E se o agente falar a mesma coisa? Eu sei que você vai fazer a mesma palhaçada.
                _ Eu sei os limites do meu corpo agora. Joe isso foi há cinco anos.
                _ Isso foi há cinco anos.
                _ A maioria das modelos de sucesso, na minha idade, já estava com carreiras internacionais – disse sem esconder a frustração.
                _ Mais um motivo para você desistir. – ela não respondeu, apenas colocou uma carrancuda na cara, se virou pro quarto dela – que fica bem ao lado do meu – e entrou batendo a porta com toda a força.
                Eu odiava isso, eu não queria ser o vilão da história, Selena é minha pequena, minha irmã mais nova, e eu, pelo menos por agora, tenho uma boa relação com ela, parece até injusto destruir isso por uma bobagem. Tudo bem que tiveram tempos em que eu não gostava dela, quando descobri que eu iria ter uma irmã e não um irmão foi uma loucura, eu não queria uma menina eu queria um menino, e quando ela nasceu fiz questão de não ajudar em nada, e ainda reclamar, hoje tenho pena dos meus pais, deve ter sido complicado me aguentar naquela época, mas desde que meu pai ficou doente eu me senti na responsabilidade de me aproximar dela, e mesmo agora que ele está curado eu ainda faço da minha missão protege-la. Ela tem tudo para ser modelo, ela é bonita e esse é seu sonho, mas deixa-la sucumbir em um mundo em que a imagem vendida é quase impossível, em que mulheres e até mesmo homens se tornam doentes no objetivo de chegar ao corpo perfeito, até que morrem sem conquista-los, pode parecer paranoia da minha parte, afinal de contas, nem todas as modelos são doentes ou morrem de anorexia ou bulimia, mas o índice é alto de mais para ser ignorado ou subestimado.
                _ Brigou com Selena novamente? – perguntou minha mãe, virei-me e vi-a com um cesto de roupas.
                _ Ela e a ideia de ser modelo novamente. Sempre acaba assim. – dei de ombros.
                _ Tenha mais paciência Joe, não é fácil para ela. – falou compreensiva.
                _ Eu sei, mas o que eu posso fazer?
                _ Deixe-a sonhar um pouco, sonhar nunca fez mal. – falou.
                _ Já está na hora de pô-la o pé no chão. – minha mãe riu, ela também não queria que Selena fosse modelo, mas de todos era a mais compreensiva, não queria, mas aceitava e se por acaso Selena pedisse ajuda, provavelmente ajudaria, mesmo contra sua própria vontade. Minha mãe, Denise, sempre foi assim, ela sempre mimou a mim e a Selena desde que cumpríssemos regras simples, nós teríamos tudo o que quiséssemos.
                _ E está na hora de você aprender a por sua roupa suja no cesto. Eu não vou ficar procurando por elas no seu quarto, vai saber o que posso encontrar.
                 _ Câmeras, muitas câmeras. – falei. Ela riu e fez uma cara de desconfiada.
                _ Leve suas roupas para a lavanderia enquanto eu estiver lá, se por acaso quiser elas limpas.
                _ Não precisa ficar com medo de entrar mãe.
                _ Se não levar você mesmo vai lavar. – falou saindo e ignorando a minha tentativa de fazê-la pegar as roupas e poupar-me do trabalho. Não acho que minha mãe seja empregada, mas eu sempre fui meio preguiçoso em tarefas de casa e quanto menos eu fazer, melhor para mim.

                O dia passou bem pacato, passei boa parte da minha tarde no meu quarto jogando videogame, eu sempre fui aqueles nerds que jogam o dia inteiro, não sou bom em matemática e nunca fiz uma faculdade, mas me mande jogar qualquer jogo que eu arraso.  Porém, hoje, eu não estava indo bem, eu só pensava na conversa que tive mais cedo, com Demetria Lovato, filha do falecido Eddie Lovato. Lovatos, atuais donos do Banco WNNLive, o banco do qual eu acumulo ódio e gratidão ao mesmo tempo.
                 Meu pai passou sua vida inteira trabalhando no WNNLive, nunca teve grandes oportunidades, passou sua vida inteira trabalhando quase como um escravo, o salário era pouco, mas o trabalho era muito, quantas vezes meu pai chegou cansado e com papeis de baixo do braço, ele podia não estar mais lá, mas ainda tinha muito trabalho a fazer... Motivos para que Eddie tenha sido assassinado por um empregado insatisfeito é grande, esse pouco caso com os funcionários do banco é histórico, mas todos aceitam tal humilhação na esperança de ser um próximo Eddie, todos ainda acreditam que se esforçassem um pouco mais ainda seriam donos do banco, seriam ricos. E foi nessa ganancia que meu pai adoeceu e foi parar no hospital, e foi justo nesse momento, em que eu me tornei um dos vários haters do Banco WNNLive, que eles se mostraram não serem tão ruins, assim que souberam da doença do meu pai, pagaram um plano de saúde para ele, não tenho duvidas de que sem esse plano de saúde meu pai não estaria vivo hoje, o contrato do meu pai não incluía auxilio doença, eles poderiam ter simplesmente deixa-lo morrer. Para mim foi como um “Hey, nós ferramos sua vida, então vamos tentar ajudar agora para não ficarmos como os caras ruins”.
                O que eu deveria levar em conta?
                Eles destruindo meu pai ou eles salvando o meu pai?

                Desliguei o videogame e abri o notebook, comecei a pesquisar sobre o Banco WNNLive, sobre Eddie e sobre sua família e após ler todas os artigos que pude encontrar, percebi que talvez Demetria não estivesse tão enganada, se apenas com uma pesquisa na internet eu achei 12 pessoas que teriam motivos de sobra para querer matar Eddie, o que mais poderia estar escondido entre os próprios familiares e no banco? Quantos inimigos a mais Eddie poderia ter cultivado? Até onde os inimigos dele chegariam?
                Pensei em como investigar isso mudaria minha vida, eu não estou com nenhuma investigação por agora, a última ligação que recebi tinha sido há duas semanas, um serviço pequeno e com remuneração baixa, Demetria seria a chave para que eu me tornasse um detetive renomado, eu me tornaria o detetive dos milionários.
                Peguei meu celular e enviei uma mensagem para Demi:
                               “Começaremos a investigar amanhã, nos encontramos no mesmo lugar amanhã as onze?”
                Não demorou muito para que recebesse uma resposta:            
                               “Combinado, amanhã as onze.”
                É isso, eu acabara de entrar em um desafio, amanhã sairei em busca de um assassino.

Continua

Capítulo postado, espero que gostem, como perceberam nesse capítulo tivemos a visão de Joe e não a de Demi como nos ouros capítulos, e já aviso que vai ter muito disso nesta fic, as vezes a história será contada por Demi, as vezes por Joe, talvez até por Selena e por Nick, já que eles também terão papel de destaque nesta fic.
Não se esqueçam de comentar/avaliar.
Bjsssss

Giovanna: Muito obrigada pelos elogios, espero sempre poder fazê-los jus, fico muito feliz que tenha gostado do encontro e espero que tenha gostado deste capítulo também, obrigada por comentar. Bjssss
Kika: Que linda sua tatuagem, eu também tenho uma no pulso, só que não é Stay Strong, é um clave de sol (não é aquela que esta no instagram, aquela é de caneta kkk, mas é igual aquela) bom, espero que tenha gostado deste capítulo, muito obrigada por comentar. Bjsss
Carine: kkkkk pode ser, vai saber? Mas você vai ver que ainda tem muitos suspeitos, faça sua aposta, espero que tenha gostado do capítulo, muito obrigada por comentar. Bjsss
Fabiola: Você não é a única que está suspeitando dela, mas ainda tem muita história pela frente, pode ser que você mude ou não de ideia, kkkkkk vejo que tu é apaixonada pelo Joe, espero que tenha gostado deste capítulo, muito obrigada por comentar. Bjssss