sábado, 7 de dezembro de 2013

6º Capítulo “First Time” – Entre o Céu e o Inferno





Música First Time do Jonas Brothers, sugestão de um leitor anônimo.


Um beijo. Era só isso que eu queria, e eu podia ver que ela queria isso também.
Centímetros, milímetros nos separava, eu podia sentir sua respiração quente em minha pele. Meus pensamentos que me condenavam pela minha ação não podiam me atrapalhar agora, nada poderia nos atrapalhar, a não ser, ela.
_ Vamos atravessar? – disse cortando o clima, ela olhava para baixo, não me deixava fazer contato visual. Eu não respondi. Atravessamos a rua em silêncio, e assim fomos por alguns minutos.
_ Já decidiu para onde quer ir? – tentei quebrar o silêncio.
_ Me desculpe. – pediu. _ Tente me entender. É o melhor para nós dois. – falou, eu não queria admitir, mas ela, mesmo que sem saber, estava totalmente certa. _ Daqui a dois dias você irá embora, tudo vai voltar ao normal, você irá para seus clássicos da Disney e eu voltarei para meu drama mexicano. – rimos.
_ Eu que peço desculpas. Eu prometi para você amizade, te pedi um voto de confiança e, digamos que eu queria ultrapassar os limites da amizade. – falei.
_ Sem problemas. – continuamos a andar, passamos direto da frente da casa de Stripper e consequentemente do hotel em que eu estava hospedado.
_ A sua amiga não gostou muito de mim, não é? – perguntei.
_ Minha amiga?
_ É, aquela, é Marissa o nome dela, não é?
_ A Marissa é minha amiga de infância, ela sabe toda minha história, e sabe muito bem meu dedo podre pra homens. Ela não te odeia, ela só é um pouco protetiva.
_ Ela acha que eu vou te machucar? – perguntei.
_ Não. – aliviei-me. _ Ela tem certeza. – olhei-a e ela sorriu. _ Você que perguntou. – disse levantando as mãos se mostrando inocente.
_ Tudo bem, e você irá escuta-la? – perguntei.
_ Eu devo? – perguntou.
_ Provavelmente.
_ Você pelo menos é sincero, isso lhe torna mais confiável que os outros.
_ Você por acaso já teve muitos? – perguntei.
_ Dois. Um você já sabe a História.
_ E o outro?
_ Conheci assim como eu conheci você, na casa de strippers, ele me prometeu me tirar daquela vida, mas no final das contas eu percebi que ele estava mais interessado em uma escrava sexual que uma mulher. – resumiu.
_ Eu posso te garantir que não é essa minha intensão. – ela apenas sorriu em resposta. _ Você ainda vê o pai da sua filha? – perguntei. Demetria continuou em silêncio. Arrependi-me instantaneamente.
_ Sim. – respondeu.
_ Você ainda o ama? – Demetria hesitou.
_ Eu não o odeio, mesmo depois de tudo. – falou, não havia felicidade em suas palavras.
_ Se ele quisesse voltar, você voltaria?
_ Não. – respondeu sem ponderar. _ Eu não vou dar mais murro em ponta de faca, já cansei de me machucar.
_ Sem duvidas é o mais certo a se fazer. – concordou apenas com um aceno com a cabeça.
_ É aqui que eu fico. – disse, parando em um ponto de ônibus.
_ Pensei que íamos sair. – indaguei.
_ Eu não sei se você escutou bem a parte de que eu tenho uma filha. – contestou.
_ Ela não está com sua mãe? – perguntei.
_ Não, ela esta com uma vizinha minha, é uma idosa que ama crianças, mas isso não significa que eu vá explorar dela. – falou.
_ Mas...
_ Olha...
_ Não. – interrompi. _ Olha você... Eu quero conhecer sua filha. – falei, ela ficou calada.
_ Você o que?
_ Quero conhecer sua filha.  – repeti.
_ Olha, eu te contei toda minha vida, eu estou conversando com você, mas eu não irei te colocar na minha casa, nós acabamos de nos conhecer, eu não sei quem você realmente é. – falou.
_ Eu não sou nenhum ladrão, nem mesmo um tarado ou psicopata.
_ E quem pode me confirmar isso?
_ Você pode simplesmente confiar em mim.
_ Sem querer ofender, mas eu não costumo ter muita sorte nesse assunto, eu não posso confiar em você. – eu respirei frustrado.
_ Você pode ir a policia procurar minha ficha criminal, você verá que ela está limpinha. – falei.
_ O do meu patrão também está, e digamos que ele já derramou mais sangue do que tem no total de estoque de doação aos hospitais.
_ Seu senso de humor é bem questionável. – falei. Demetria riu.
_ Tudo bem, você tem vinte minutos para me levar onde você quer me levar e me fazer confiar em você. – propôs. _ Após esses vinte minutos nós veremos o que acontecerá.



Vinte minutos, era tudo ou nada. Minha cabeça procurava alguma coisa, algo... Preciso fazer algo.
Se eu estivesse em Utah eu a levaria em uma das suas praças ou talvez em um bar, quem sabe em um dos seus charmosos restaurantes, se fosse em Lewis eu a levaria a cabana de Lia, um restaurando chique até demais para a cidade, tinha até mesmo aparecido na TV uma vez, mas não, eu estava em Las Vegas, não conheço nada de Las Vegas e não ajuda nada o fato de ela já conhecer aqui.
Demetria me olhava com o olhar de vitória, era claro que ela estava se divertindo com isso, ela sabia que ia ganhar.
_ Você não faz ideia para onde me levar, não é? – perguntou. Confirmei. _ Quando você está disposto a gastar comigo? – perguntou.
_ Pensei que não fosse mulher de se importar com dinheiro.
_ Pensou errado, hoje estou afim do torrar a grana de um homem. – riu.
_ Você está abusando da minha amizade. – brinquei.
_ E você da minha boa vontade. – retrucou. _ Você pode me levar para o seu hotel se você quiser. – falou, eu hesitei. _ Eu não irei para cama com você, eu não sou assim. – deixou claro. _ Você tem cara de ser rico, aposto que seu hotel é um luxo. – concluiu.
_ Tem um casino lá dentro, acho que as lembranças não lhe farão bem.
_ Você tem intensão de jogar até ter que vender até a roupa do corpo? – perguntou.
_ Eles não deixam apostar dinheiro, só fichas. – respondi.
_ Você fala assim como se as fichas não fossem compradas com dinheiro. – deu de ombros.
_ Eu não sou muito chegado em jogos. – falei.
_ Seus minutos estão passando. – falou.

(...)

_ Bem conveniente. – disse Demetria, assim que chegamos ao hotel. _ Despedida de solteiro com o hotel na frente de uma casa de strippers.
_ Foi bem conveniente para mim. – Demetria riu.
_ Você é sempre assim tão bobo? – perguntou.
_ Se eu falar que sim, você vai confiar em mim? – ela apenas riu em resposta.
_ Você já foi ao topo desse hotel? – ela perguntou sorrindo, assim que passamos pela porta, ela não me olhava, estava olhando para o teto, que tinha sanca com imagens de anjos esculpidos em dourado. 
_ Não. – respondi sem entender o porquê da pergunta.
_ Eu fico impressionada com vocês, ricos. – disse como se ela estivesse se referindo a pessoas de outra espécie. _ Se hospedam em um hotel caríssimo e cheio de coisas lindas para se ver, mas mal saem do quarto.
_ E você por acaso já foi lá? – perguntei.
_ Sim, meu pai me levou lá, ele queria fazer minha festa de sweetsixteen* no lugar em que tivesse a melhor vista para toda Las Vegas. – falou. _ E de acordo com ele a vista deste hotel é incomparável. – eu podia ver o sorriso dela enquanto falava do pai.
_ E sua festa foi aqui? – perguntei.
_ Eu não sei como as coisas funcionam no seu mundo de fantasia, mas no meu, quando se é filha de uma babá e de um pai mecânico que gasta tudo o que ganha com jogos, não há como gastar vinte mil só para alugar um lugar para uma festa. – falou, apesar o fato ser triste, ela não parecia decepcionada, parecia até mesmo levar na brincadeira.
_ Isso foi horrível por parte do seu pai, lhe fazer visitar lugares para sua festa e depois não fazê-la.
_ Meu pai antes de tudo era um sonhador, ela tinha realmente esperança de ficar rico jogando, talvez ele pensasse que conseguiria me dar uma festa se ele tivesse um dia de sorte na mesa de jogo. – disse. _ Mas sabe de uma coisa? Eu, meus pais e meus três melhores amigos, sentados naquela lanchonete, empanturrados de batata frita e sanduiches, gargalhando enquanto tomávamos o nosso Sundae, é uma das melhores recordações da minha vida. Eu nunca precisei mais do que aquilo. – sorriu.
_ Eu acho que eu nunca vou lhe entender.  Você é realmente tão conformada com as coisas que te acontece? Você não se revolta pelas coisas que você não teve? – perguntei.
_ Ficar revoltada não vai me ajudar muito.
_ Ou você simplesmente resolveu esconder tudo?
_ É assim que você pretende me conquistar? – perguntou.
Para mim ficou obvio naquele momento, ela se esconde.

(...)

_ Wow. – o topo do hotel era simplesmente incrível. Era totalmente espelhado e com o sol já posto se podia ver todas as luzes de Las Vegas brilhando. O vidro da janela era perfeitamente cristalino, produzia a ilusão que não havia nada entre o espectador e a paisagem, que era capaz de dar vertigem até mesmo quem não tinha medo de altura. Não tinha muitas pessoas por lá, apenas um casal de adultos que estavam sentados um sofá de três lugares, de couro preto.
O piso era de mármore branco, de tão limpo chegava a brilhar. Um grande lustre de cristais iluminava bem no centro do salão, no canto direito havia um pequeno bar, em que se via varias qualidades de bebidas, alcoólicas ou não, maquinas de café, balinhas e biscoitos doce em vasilhames de vidro.
_ Sinto muito pela sua festa não ter sido feita aqui. – falei. _ Iria ser uma festa linda.
_ Não sinta. – pediu educadamente. _ Não tome a dor dos outros, não faz bem. – olhei-a, mas ela não pareceu perceber, ela olhava fixamente para frente, para o lado de fora.
_ Eu disse isso por...
_ Educação. – interrompeu-me. _ Eu lhe agradeço por isso. – ela ainda não olhava para mim. _ Eu e as meninas que trabalhamos na casa de strippers, em uma tentativa de divertir um pouco no trabalho costumamos observar os nossos clientes. – falou olhando para mim pela primeira vez desde que chegamos ao salão. _ Avaliamos como seria ele na vida pessoal. _ Na maioria das vezes eu falo que são fracassados, que provavelmente são péssimos de cama, que vivem bêbados, ou que são homens que se acham de mais, chatos e arrogantes. – riu fraco. _ Eu nunca avaliei um homem bem. –fez-se silêncio.
_ Posso saber qual é minha avaliação? – perguntei.
_ Mistério.
_ O que? Não quer me dizer? – perguntei sem entender.
_ Não, não é isso, você é um mistério. – explicou. _ Você não parece fracassado, nem mesmo arrogante, bêbado, e não parece ser um broxa. – falou. Eu gargalhei, e ela me acompanhou logo após. _ Você é um mistério, tem algo em você que o torna confiável, que o torna diferente, que me faz gostar de estar do seu lado, de conversar com você, de ter coragem de me abrir com você, mas há algo, algo que eu não sei explicar que me diz “afaste-se”. Você é muito perfeito.
_ Isso é um problema?
_ Sim. – respondeu e tornou a olhar para frente. _ Eu não acredito em perfeição. – falou.
_ Eu não sou perfeito. – falei.
_ Eu sei. – disse.
_ Você deveria enfrentar esse seu medo. – falei tocando em sua mão, ela pareceu bem surpresa com minha ação.
_ Eu não sei de que medo estais falando.
_ Do seu medo de se apaixonar.
_ Eu não tenho medo de me apaixonar – defendeu-se.
_ Então o que lhe impede de se apaixonar por mim agora, nesse momento? – perguntei. Demetria olhou para baixo. Quando tornou a olhar para mim ela parecia distraída, como se nem mesmo me visse em sua frente, tinha um sorriso fraco de iluminava seu rosto e certo brilho no olhar.
_ 6ª Sinfonia de Beethoven. – sussurrou. Eu nem mesmo tinha percebido, mas embutidas no teto havia caixas de som que tocavam não muito alto alguma música. _ Foi umas das musicas dançada pelas bailarinas no dia que meu pai me levou para ver o espetáculo. – disse e seu sorriso aumentou. _ 14 minutos de pura magia.

Peguei a mão direita de Demetria e pus em meu ombro esquerdo, ela me olhou como se tivesse acabado de acordar de um sonho, eu ainda segurava sua mão direita.
_ Eu não sei dançar balé. – falei. _ Mas sei dançar um pouco de valsa. – falei e comecei a guia-la pelo salão. _ Imagine que essa é a sua dança de Sweetsixteen. – falei, Demetria fechou os olhos e instantaneamente começou a sorrir. Ela parecia leve e feliz e eu me derreti mais ainda, eu provavelmente me odiaria pelo que eu estava fazendo, mas eu estava apaixonado por Demetria, não mais pela mulher sexy ou pelo prazer que ela poderia me dar, mas por Demetria em si, a cheia de azar, a que tem medo de se apaixonar, por aquela que agora com um sorriso no rosto imaginava algo que não teve, enquanto eu a guiava ao som de Beethoven. Eu a beijei, Demetria não se afastou, apenas se entregou, correspondendo aos meus movimentos, já não dançávamos, estávamos lá, apenas sentindo um ao outro, a música ainda tocava de fundo, mas só o beijo nos importava naquele momento. Assim que separamos os nossos lábios, segurei o rosto de Demetria, com cuidado para não machuca-la. _ Vamos brindar a uma boa vida. Deixe-se ir e liberte sua mente, deixe a batida dessa música ser seu destino. Não se prenda mais, bem aqui e agora é onde deveríamos estar. Faça parecer como a primeira vez.

*Sweetsixteen: É a festa de 16 anos para americanos e canadenses, que equivale a de 15 anos, aqui no Brasil. É a festa mais importante para as garotas.
CONTINUA

Bom galera, esse foi o capítulo de hoje, não foi o melhor da fic, mas espero que tenham gostado. Boas noticias, dia 16 entrarei de férias e isso significa de terei mais tempo para escrever, assim postarei mais rápido, e também voltarei a comentar nas fics, coisas que eu parei por motivos de tempo.
Não se esqueçam de comentar/avaliar.
Bjsss

Kika: Muito obrigada. Minha mãe me deu o sound nessa semana, isso que dizer que eu vou entrar mais cedo e terei mais chances de ficar bem perto da grade, então estou mais ansiosa ainda :D Eles realmente foram burros, mas fazer o que? Quem sabe eles resolvam voltar um dia, pelo menos para uma apresentação especial, sei lá, tipo, comemoração de sei lá quando anos de criação da banda... Eu não sei, espero que façam algo juntos no futuro... De nada, você mereceu o selinho... Muito obrigada por comentar. Bjsss
Shirley: Fico muito feliz em ler seu comentário, muito obrigada mesmo pela compreensão e pelo apoio. Hahahaha suas ideias são muito boas mesmo e não acredito que não tens boas ideias para suas próprias fics, aposto que se eu ler vou adorar, mande o link? Só terei tempo para ler quando entrar de férias, mas se já quiser mandar ;) Muito obrigada por comentar. Bjsss
Mayla: Agradeço muito por você ter tirado um tempinho para ler minha fic. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Yumi H e Rafa S: Olá, senti sua falta aqui no blog, se bem que eu também não estou mais tão presente no seu :\ desculpe-me. Muito obrigada pelo selinho e por comentar. Bjssss

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Selinho

Queria agradecer a Estela pelo selo, muito obrigada. 


Regras:
- Tem que passar a tag para 5 blogs;
- Repassar com o selinho (imagem);
- Colocar o link de quem criou e de quem passou;
- Assim que receber a tag, tem que repassa-lo no prazo de 1 semana;
- Avisar ao blog que tem tag para eles;
- Tem que criar 5 perguntas das quais os blogs escolhidos terão de responder;

Quem Criou: Lado Negro
Quem passou: Don't say goodbye

1-      Um casal que você goste sem ser Jemi, Niley/Nelena/Miam, Jelena.
Robsten, Dilmer (sem xingamentos por favor), Frazul, Pablochi, Everlark/Peennis (não pensem em merda por favor) e Carlesme
2-      Que género de livro gosta mais?
Ficção, romance e mistério.
3-      Cite 3 músicas de cantores diferentes que goste.
Coming Down – Five Finger Deth Punch, In Case – Demi Lovato, Numb – Linkin Park
4-      Qual a sua matéria favorita?
Filosofia e história.
5-      O que acha desses anónimos que fazem comentários maldosos?
Só pessoas que não tem o que fazer na vida fazem comentários maldosos, espero que os pais esqueçam de pagar a internet deles u.u

Minhas perguntas

1.       Um dia inesquecível.
2.       O que você jamais fazia?
3.       O que lhe faz ser especial? (Algo que você tem ou faz que lhe defina ou que lhe diferencie das pessoas que lhe rodeiam)
4.       Você se lembra de quando recebeu seu primeiro comentário do blog? Se sim, como você se sentiu?
5.       Qual foi a coisa mais estranha que você já fez na vida?


repasso para:

domingo, 1 de dezembro de 2013

5º Capítulo “Fly with me” – Entre o Céu e o Inferno


Venho informar que o capítulo anterior foi escrito com a ideia dada pela leitora Shirley Barros. Obrigada. 




Música Fly with me dos Jonas Brothers, sugestão da leitora Beatriz Carolina

Aos poucos Demetria foi abaixando a guarda, relaxando, e me dando a chance de conhecê-la um pouco melhor, não só a parte ruim, mas também a parte boa.
Quando mais ela falava, mas eu começava a admirá-la, não só pela sua clara beleza, ou por ela ter a capacidade de passar de mulher sexy para uma mulher bonita, mas também pelo fato de ser uma lutadora.
Nossas vidas são completamente diferentes, nós não vemos o mundo com os mesmo olhos.
Eu nasci em uma família estruturada, a única pessoa que me entreguei de corpo e alma nunca tinha me decepcionado, meus familiares eram todos saudáveis, meu trabalho era o que eu queria, meus problemas parem pó perto dos problemas dela, porém, mesmo assim, ela se mostra tão forte quanto eu, se eu passasse por ela na rua, jamais pensaria que ela tem uma história tão penosa.
Eu queria poder saber o que é viver a vida dela, queria saber o que é enfrentar as suas dificuldades, queria poder ver o mundo pelo seu ponto de vista. Parece algo bem retardado de ser querer, principalmente quando se lembra que a história é triste, mas eu queria poder entender seus medos e preocupações, queria poder entender de onde ela tira a força para continuar tão viva e iluminada, mesmo a com a escuridão lhe atormentando, eu queria poder saber o que eu devo fazer para que ela esqueça do passado e que acredite só mais uma vez.
_ Meu horário já deu, preciso ir trabalhar. – anunciou ela. Eu mal tinha visto o tempo passar.
Ela começou a se levantar da mesa.
_ Ei, espere. – pedi. _ Você sai a que horas? – perguntei. Ela sorriu tímida.
_ Pensei que você havia dito que desistiria de mim quanto lhe contasse minha história. – falou.
_ Acho que não foi o suficiente ainda. – falei, levantando-me também. Ela revirou os olhos.
_ Saio às seis.
_ Você me permitiria que eu lhe levasse para um jantar, como amigos. – deixei claro.
_ Não. – respondeu.
_ Não?
_ Eu tenho uma filha para criar.
_ Leve-a também, eu adoro crianças. – na verdade eu nunca tinha me relacionado com crianças, nem mesmo meu irmão mais novo, quando ele nasceu eu estava na pré-adolescência, eu poderia muito bem ter ajudado a cria-lo e a educa-lo, mas preferi deixa-lo para lá, eu tinha mais o que fazer da vida, nunca cuidei dele nem mesmo um dia em toda sua vida. Nem mesmo sei se um dia eu já tinha carregado um bebê no colo.
Demetria riu como se eu tivesse acabado de falar a maior besteira. Depois olhou para mim e tornou a ficar seria.
_ Você não estava brincando, não é? – perguntou.
_ Não, eu não estava. – respondi. Ela suspirou.
_ Olha, você é legal, você realmente me surpreendeu, mas...
_ Amizade. – lembrei-a, ela hesitou.
_ Isso não vai funcionar.
_ O que você tanto teme? – perguntei. _ Eu não sou igual aos outros.
_ Você mesmo disse que já decepcionou alguém que amava. O que te diferencia então? – perguntou.
Touché, no que eu era diferente? Demetria viveu rodeada por homens com vícios, em jogos, drogas, homens que a olhava apenas com segundas intenções, homens que a tratavam como objeto. Eu não queria Demetria só para ir para cama, pelo menos não nesse exato instante, não posso negar, as fantasias que me passam pela cabeça só de relembrar dos momentos naquela casa de stripper não são nada puras, mas eu queria conhece-la ainda mais, queria ajuda-la, queria poder fazê-la realmente feliz. Eu queria estar pra sempre com ela, estar do lado dela me fazia bem. É algo extranho nem mesmo com Rachel eu me sentia assim, eu tinha duvidas, o para sempre com ela não era algo que me deixava animado, mas com Demetria era outra coisa.
_ Nada. – respondi. Demetria pareceu surpresa com minha resposta, provavelmente ela esperava alguma promessa, ou que eu dissesse algo ao meu favor, mas eu fui sincero.
_ Eu menti quando disse que te achei chato desde o primeiro momento. – falou ela, após um tempo de silêncio. _ Você é legal, é bem melhor que eu esperava. – disse com um meio sorriso na cara.
_ Isso significa que você vai sair comigo hoje? – perguntei.
_ Isso significa que há uma possibilidade.
_ Eu estarei aqui as seis para te buscar. – insisti. Demetria riu e abaixou a cabeça. Eu estava indo rápido, mas eu não tinha o tempo a meu favor.
_ Eu tenho certeza que estarás. – disse ela, se afastando.
Eu não podia ver se ela estava feliz ou não, uma barreira tinha sido construída ao seu redor, ela tinha um claro medo de se entregar e eu estou consciente disso, mas uma parte de mim me dizia que de alguma maneira ela estava tentando deixar-me entrar em sua barreira. Eu não era um viciado em jogatina, nem mesmo um drogado, mas eu também machucaria seu coração. Eu não merecia a sua confiança, mas lá estava ela, atrás do balcão; amarrando o seu avental vermelho, com uma imagem um pouco brega ou infantil demais para meu gosto, – de uma xicara de café branca com uma carinha feliz, e com bracinhos, um deles estavam levantados e sua mão fazia um joinha para cima, chegava a ser cômico, de baixo tinha o dizer Cafeteria Lopes. – Ela me olhava, assim que retribuí seu olhar ela sorriu. Eu correspondi.

(...)

Eu não deveria estar fazendo isso, o tempo todo eu tentei me distrair, esquecer, eu poderia perder a hora, podia fingir que nada tinha acontecido, ia ser o melhor para ela, ia ser o melhor para mim, ia ser o melhor para Rachel. Eu já tinha ido longe demais, continuar por esse caminho era contra tudo aquilo que eu tinha sido criado para.
Não pense.
Não pense.
Lembre-se: Escute o diabinho.
Não pense.
Haja.


Cinco de cinquenta e três, lá estava eu, mais uma rua eu atravessava, duas lojas me separavam da lanchonete que Demetria trabalha, eu estava perto, mas ainda havia tempo para dar a volta e esquece-la.
Joseph, não pense.
Não pense.

Meus passos começaram a ser mais lentos, como se minha mente estivesse automaticamente tentando me fazer voltar a trás.

O lado de fora da cafeteria estava cheio de gente, na sua maioria adultos, casais, as cadeiras de madeira, o muro natural, as luzes da cidade que começavam a sobressair, a partir do momento que o sol ficava mais baixo no horizonte, fazia um clima um pouco chique e talvez até mesmo romântico, não era algo como os filmes, mas tinha um charme.
Entrei no bar tentando parecer normal, meu coração batia a mil por hora, eu estava louco para poder vê-la novamente e mais a adrenalina de saber que o que eu estava fazendo era errado não ajudava muito nesse momento.

A cafeteria não tinha mudado em nada, o que é obvio, a não ser o fato de agora ter muito mais pessoas, e de que o cheiro de café havia amenizado, dando espaço ao para o cheiro de assados. Um grupo de jovens reunidos em uma mesa fazia barulho um pouco exagerado...
Quando encontrei Demi, ela estava tirando os pratos e copos de uma mesa que havia acabado de desocupar, ela estava tão distraída que nem me percebeu, nem mesmo quando eu estava do seu lado, ela passou por mim como se eu fosse qualquer um.
Cheguei a pensar que ela tinha desistido de me dar uma oportunidade, mas assim que ela saiu da parte da cozinha, já sem nenhum prato ou copo na mão, parou de trás do balcão ela me olhou. Eu sorri medroso, se ela tornasse a me ignorar...
Espere... Foi o sinal que ela fez com a mão.
Meu sorriso aumentou instantaneamente.


_ Então, onde você quer que eu te leve? – perguntei, agora estávamos saindo da cafeteria, Demetria estava do meu lado, parecia um pouco cansada, mas ainda sim parecia feliz, não estava tão arredia a mim. Ela estava me deixando entrar.
_ Eu pensei que você iria me fazer uma surpresa. – disse e sorriu.
_ Bom, você conhece Las Vegas melhor que eu, eu realmente não faço ideia de onde te levar. – ri tímido. Demetria parou e olhou para mim.
_ Eu menti para você – falou. _ Na verdade, não foi uma mentira, eu só escondi um fato. – corrigiu-se. _ Eu conheço Utah. – falou. Eu respirei aliviado, sua pausa me sugeriu que ela escondia algo bem mais grave. _ Minha mãe nasceu lá, eu já fui lá quando eu era bem pequena, eu devia ter uns... Seis anos. – tornarmos a andar. _ Aparentemente a família da minha mãe queria fazer um casamente arranjado, ela não aceitou e fugiu, quando descobriram que minha mãe tinha se casado e tido uma filha eles meio que a deserdaram, e as coisas não ficaram muito melhor quando descobriram que meu pai era um viciado em jogatina e que eu me perdi na vida. – falou.
_ Você ainda tem tempo de se reencontrar. – falei.
_ Eu gosto disso em você. – falou, olhei para ela sem entender. _ Você já eu um homem, mas ainda tem um pouco da criança interior, o que acredita no amor, que acha que mudar de vida é algo fácil, que confia nas pessoas, não as juga na primeira impressão. – falou. _ Nós crescemos de maneira bem diferente e isso fica obvio quando eu observo você. – concluiu.
_ Eu posso te ensinar a ser assim como eu. – falei. _ Eu posso ser seu Peter Pan e você minha Wendy. – ela gargalhou.
_ Perdoe-me se estou a destruir sua infância, mas Peter Pan e Wendy não existem, são apenas parte de uma história para crianças. – falou.
_ Nós podemos então fazer esta história se tornar real. – falei.
_ Você só tem mais dois dias aqui, não faça promessas.
_ Eu não estou fazendo promessas. - paramos no sinal.
_ Dois dias é muito pouco tempo.
_ Então vamos para o tempo.
_ Isso é impossível.
_ O impossível é questão de opinião.
_ Isso não tem lógica.
_ Você tem medo. – falei. Ela não disse nada, ela sabia que eu estava certo. _ Nós já passamos muito tempo um longe do outro, mas agora nós estamos exatamente no lugar em que precisamos. Um do lado do outro. – ela sorriu.
_ Joseph...
_ Não. – falei interrompendo-a. _ Não me negue um sim. – aproximei-me mais dela, o sinal ficou verde para os pedestres, mas nós não nos mechemos um centímetro, nós estávamos apenas olhando um para outro, fixados. _ Apenas voe comigo.
CONTINUA

Por favor, não me matem, vocês não sabem o quanto eu estou mal por só estar postando agora, eu realmente não estou conseguindo conciliar meu horário, minha vida está meio desastrosa com essa confusão e isso está claramente influenciando negativamente o blog, eu não irei desativa-lo nem exclui-lo, mas é mais que obvio que agora as coisas serão assim, demorarei a postar, não porque eu goste, eu amo postar e ver as suas reações, seus comentários, ver o blog crescendo, amo poder ler a fic de vocês e comentar, mas realmente está difícil para mim, peço mil perdões.
Bjsss

Kika: Eu vi!! Perfeito!! Tipo quando eu vi pela primeira vez eu nem acreditei, é o clipe mais diferente dela, aí eu fiquei maltratando o replay hahahaha. Eu consegui e minha mãe também comprou o sound pra mim, eu tó tão feliz, ela disse até que ia comprar o meet, mas só que esgotou antes que pudéssemos comprar, mas ainda sim, eu tó muito feliz, mas posso esperar pelo dia. Eu realmente espero que ela faça um tour por aí, ela vai muito pouco a europa, eu tenho certeza que ela iria gostar de fazer shows por aí. Bjsss
Shirley Barros: Pois é, estou usando sua ideia mesmo, agradeço muito pela sugestão, sempre que você quiser dar ideias será muito bem vinda. :D Awn você me deixa muito feliz por isso, não sabe como fico feliz por fazer um capítulo onde você goste. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Estela: Concordo plenamente, muito obrigada pelo selinho. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Duda Marques: Awn sua linda, você que é fofa, eu também amo suas fics. Awn você também conseguiu ingresso? Que legal! Eu vou no de BH. Muito obrigado por comentar. Bjsss
Lali: Tudo bem linda, eu também estou devendo comentários na sua fic na verdade estou devendo comentários em todas as fics que leio :\ , mas muito obrigada mesmo pelo carinho. Muito obrigada por comentar. BJsss 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

4º Capítulo “Paradise” – Entre o Céu e o Inferno




Música Paradise do Coldplay, sugestão da leitora Beatriz Carolina.

Ela não pareceu me perceber, não até eu estar perto o suficiente para toca-la no braço. Ela me olhou assustada.
_ Ei, eu preciso conversar com você. – falei, tentando acalma-la.
_ Me solte. – disse séria.
_ Prometa que não irá fugir. – pedi. Ela não respondeu. Receoso eu soltei-a. Ela não fugiu, apenas cruzou os braços acima do peio.
_ Você é o doido que me atacou ontem, não é? – perguntou.
_ Não sou doido e nem lhe ataquei! – defendi-me.
_ Ah não?
_ Não, eu queria apenas lhe tocar.
_ Ah! Agora é assim que se chama?
_ Eu... Eu...
_ O que foi? O gato quis tocar sua língua? – ironizou.
_ Dá pra parar? Eu só quero conversar com você.
_ Você não sabe o quanto eu odeio quando vocês chegam e acham que pode me ter na mão. Olha aqui. – disse, descruzando os braços e apontando o dedo em minha cara – o que era bem engraçado, já que ela era, pelo menos, vinte centímetros mais baixa que eu –._ Eu não vou pra cama com você. – disse e se virou pronta para entrar na casa de strippers.
_ Eu não quero te levar pra cama! – falei, apesar de que não ter tanta certeza da minha sinceridade naquele momento. _ Eu quero conversar. – novamente a peguei pelo braço. Ela olhou-me nervosa. 
_ Vá a um asilo, velhos amam conversar e estão sempre solitários. – disse fazendo força para se soltar.
_ Eu quero conversar com você! Será tão difícil assim? – perguntei.
_ Se você achou que eu seria fácil só porque sou uma stripper se enganou feio. Prostitutas são um pouco mais fáceis que strippers. – disse.
_ Você está me entendendo errado. – disse. _ Eu juro que não irei lhe agarrar ou tentar transar com você, eu só queria falar com você, nós podemos ser amigos. – falei, ela me olhou estranho e logo começou a rir.
_ Oh você é gay?
_ Não!
_ Sem problemas, eu posso falar para seus amigos que você é um garanhão, não é a primeira vez que me pedem isso. – falou. _ Mas eu realmente acho que se abrir honestamente com eles seria o melhor a se fazer.
_ Não! Não! Não! – falei soltando-a sem muita delicadeza.
_ Calme-se rapaz, também não é pra tanto, se quer continuar nessa farsa, tudo bem. – falou.
_ Eu não sou gay! – gritei. Um casal de idosos que passavam na calçada do nosso lado olhou-nos assustados. Respirei fundo. _ Olha, vamos recomeçar. – falei calmo. _ Prazer, meu nome é Joseph. – falei estendendo-lhe a mão, ela ficou olhando-me sem reação, parecia desconfiada, ao perceber que ela não me cumprimentaria abaixei a mão.
_ Hoje eu estou de folga, só vim pegar o minhas coisas e meu dinheiro de ontem, me espere aqui e vamos ver o que acontece. – falou nem um pouco animada e entrou sem dar-me a chance de agradecê-la.



Assim que ela entrou eu parei para pensar no que eu estava fazendo, o que eu realmente queria com ela?
A aliança em meu dedo começou a ferver como brasa, eu pensava em Rachel ansiosa para o casamento, em meus pais orgulhosos da minha escolha, e onde eu estava? Eu estava em Las Vegas de joelhos por outra qualquer que eu nem mesmo conhecia.
Eu tinha penas duas opções. Ficava ou ia embora, minha parte consciente dizia para eu ir, mas a outra parte dizia para eu ficar, como se fosse um anjinho e um diabinho um em cada ouvido, eu sabia muito bem que o anjinho estava me mandando ir embora e que o diabinho era quem me pedia para ficar, e eu também sabia que eu deveria escutar apenas ao anjinho, mas ao invés disso ou tirei minha aliança do dedo e coloquei no bolso da minha calça. Não pense. Haja.  Escute ao diabinho.

Por alguns minutos pensei que ela tinha me enganado, esperei quase meia hora do lado de fora, até que ela enfim saiu.
Ela olhou-me séria, como se não estivesse nada feliz com minha insistência.

_ Você ainda esta aqui? – perguntou, confirmando o que eu pensava.
_ Você me pediu para esperar.
_ Você poderia ter cansado de esperar e ter ido embora. – falou desanimada.
_ Eu não tinha nada para fazer mesmo. – dei de ombros.
_ Percebe-se.
_ Você parecia mais simpática enquanto dançava. – reclamei.
_ Você me pareceu chato desde o primeiro segundo. – contra-atacou. Suspirei rendendo-me. Comecei a me arrepender de ter insistido tanto nela. Mas o que eu podia fazer? Minha cabeça tinha se fixado nela como se fosse um carrapato. _ Porque você quer tanto conversar comigo? – perguntou. Eu hesitei.
_ Porque eu gostei de você. – falei baixo, mas alto o suficiente para que ela pudesse me escutar. Ela sorriu fraco e relaxou-se.
_ Olha, eu não sei qual é a sua idade, mas eu acho que você já esta grande o suficiente para perceber que as coisas não funcionam assim.
_ Como assim?
_ Você me conheceu ontem, eu apenas dancei para você, não tem como você já gostar de mim. – disse compreensiva. _ Você sentiu uma atração por mim... Quer dizer... Você sentiu uma atração pela mulher que dançou com você, eu nem mesmo sou aquela...
_ Então me deixe conhecer a verdadeira. – pedi, interrompendo-a. Ela olhou-me hesitante, mas calma.
_ Eu tenho outro trabalho em uma lanchonete, como garçonete. – deixou claro. _ Meu turno vai começar daqui à uma hora e meia, são apenas duas quadras de distancia, podemos conversar pelo caminho. – disse gentil.
_ Pra mim parece ótimo. – respondi.

(...)

_ Então, você vai me dizer seu nome? – perguntei após termos andado alguns metros em completo silêncio. Agora estávamos parados no sinal, esperando que ele ficasse verde para os pedestres.
_ Demetria. – respondeu.
_ Demetria. – repeti. Aquele nome me parecia familiar, mas eu não me lembrava de onde. _ Você nasceu aqui? – perguntei, tentando fazer com que a conversa não morresse.
_ Sim. – respondeu sorrindo, como se estivesse lembrando-se de uma boa memoria. _ As pessoas sempre veem Las Vegas como o lugar de casinos, prédios luminosos e altos, casas de strippers... – disse olhando para mim, como se estivesse julgando-me, eu ri tímido. _ E casamentos que podem ser celebrados por Elvis Presley. – eu ri concordando, esse último é o que faz Las Vegas ser Las Vegas. _ Mas existem muitas casas de família por aqui. E eu nasci em uma dessas. – concluiu. O sinal abriu para os pedestres, começamos a andar.
_ E o que aconteceu? – perguntei, não acredito que ela tenha sonhado em virar stripper, se ela era uma, tinha acontecido alguma coisa.
_ Você é de onde? – perguntou, claramente na defensiva.
_ De Utah. – respondi. _ Lewis. Conhece? – perguntei. Ela hesitou.
_ Eu era aquela garota na sala de aula que confundia Washington estado, em que a capital é Seattle, com Washington D.C., capital do país, eu nunca acertava qual era qual.
_ Não lhe culpo esses lugares com nomes iguais dão um nó na minha cabeça. – falei, ela riu tímida. _ Eu, por exemplo, nunca entendi porque o Alasca é um estado americano e não canadense.
_ Eu acho que ninguém nunca entendeu. – riu. Atravessamos correndo outra esquina, antes que o sinal ficasse verde para os carros. _ E o que você está fazendo por aqui? – perguntou.
_ Despedida de solteiro. – respondi.
_ Sua? – levantou uma das sobrancelhas. O anel pesou em meu bolso.
_ Não. – menti.
Por quê?
_ Típico. – disse ela. Ela devia saber que eu estava mentindo. _ Homem vem aqui para fazer uma despedida de solteiros e logo procuram strippers e prostituas, parece que acham que tem que trair antes de começar um relacionamento. A mulher já casa tenho dois chifres enormes na cabeça. – falou. A carapuça serviu mais que bem em minha cabeça.
_ Nem todos são assim, alguns veem obrigados. – tentei defender-me.
_ Não se obriga a quem não quer, se alguém faz algo é porque no fundo quer, a não ser que coloquem uma arma em sua cabeça ou na cabeça de alguém que você ame. – contrapôs. _ Se não tem arma, não tem obrigação. – ela tinha razão. Se eu vim foi porque quis e se eu estava mentindo para ela agora, era porque eu queria.
_ Você faz com que os homens pareçam monstros.
_ O único homem que prestou em minha vida foi meu pai.
_ Talvez você só não tenha achado o cara certo. – ela gargalhou.
_ Talvez eu não tenha o homem certo.
_ Todo mundo tem.
_ Tudo tem sua exceção. – falou. _ Aqui é o meu outro trabalho. – disse parando na frente de uma lanchonete. O lugar tinha uma área externa com algumas mesas de madeira com guarda chuva (no caso de Las Vegas tampa sol) no meio e era cercado com tuia. A porta era de vidro e logo que se entrava podia sentir o refresco do ar condicionado, e o cheiro forte de café e coisas assadas. As paredes eram de um tom vermelho vinho e o piso era de madeira, as cadeiras do lado de dentro era como a de qualquer fast food, o que fazia que contrastasse com o clima do lado de fora, que parecia bem mais natural e sofisticado. Um grande balcão ocupava toda a parte direita da lanchonete, se podia ver a fumaça das maquinas que guardavam o café, e as estufas cheias de pasteis assados e outros salgados na mesma linha, na parede também tinham algumas prateleiras que carregavam vários tipos de garrafas cheias de bebidas alcoólicas.
_ Olá Demi. – cumprimentou uma garota que estava no balcão. _ Chegou cedo hoje, vai pegar o turno mais cedo? – perguntou.
_ Olá Marissa, não, irei pegar no meu horário habitual, eu só vou conversar com esse cara aqui. – falou. A Marissa olhou-me e pareceu não gostar muitos de mim, deu-me um sorriso falso, não sabia o porquê, eu nem tinha feito nada – ainda – não precisava me odiar tão prematuramente. _ Ah é, traz uma garrafa d’agua para o Lopes não reclamar que estamos sentados aqui sem consumir nada. – disse Demetria feliz.
_ Bom mesmo, Lopes hoje acordou de mal humor. A mulher estourou o limite do cartão de crédito novamente. – disse, indo até o freezer e pegando a garrafa d’agua.
_ Pensei que ele já tinha acostumado, ela estoura o limite todo o mês. – falou Demetria, pegando a garrafa.
_ Pois eu sonho com um Lopes em minha vida, gastar o dinheiro dele todo, viver como uma madame. – disse Marissa, sonhando enquanto passava pano no balcão.
_ Com aquela careca e aquele cheiro de cigarro saindo dos seus poros? Não. Passo. – Demetria riu. Marissa fez careta e depois a acompanhou na risada.

Demetria começou a andar até o fundo da lanchonete, a acompanhei. Sentamos bem no fundo, um de frente para o outro, ela abriu a garrafa d’agua e tomou um gole.
_ Quer? – ofereceu.
_ Não, obrigada. – respondi.
_ O que você quer de mim?
_ Eu já disse, te conhecer.
_ Se eu fosse você não faria isso. – falou.
_ Porque não? – perguntei.
_ Pra quê me conhecer?
_ Você me instiga uma curiosidade, um...
_ Não termine. – interrompeu-me._ Olha, minha vida é um desastre, eu sou um desastre, essa sou eu, não há nada a se conhecer. – disse.
_ Não fale assim, talvez alguma coisa tenha dado errado, mas...
_ Como era seu pai? – perguntou.
_ Meu pai é... Bom... É meio sério, mas é o meu ídolo. – falei o que veio em minha cabeça, a repentina mudança de assunto tinha me pegado desprevenido.
_ Meu pai era um bom homem, mas vivia vendendo tudo o que a família tinha só para poder jogar, ele me fez muito feliz, ele sempre me lavava para lugares legais, mas ele era um viciado em jogos.
_ Você tinha dito que ele foi o único homem que prestou em sua vida.
_ Se o único homem que prestou em minha vida era um viciado em jogatina, você pode imaginar como eram os outros? – perguntou. É não deveriam ter sido o príncipe encantado que toda garota espera. _ Sua mãe? – perguntou.
_ Ela é uma dona de casa, doce, cozinheira de mão cheia, super dedicada à família...
_ A minha mãe sofreu na mão do meu pai, por causa do vicio dele, mas sempre foi forte, ela sempre o amou, até que um dia ele morreu. – disse.  Eu podia sentir a tristeza através de seu olhar. _ Minha mãe tentou de todo jeito continuar vivendo bem... Faz um ano que descobrimos que ela tem câncer de mama, ela esta fazendo todos os tratamentos, e esta bem agora, ainda tem que tomar vários medicamentos e fazer quimioterapia, mas se olharmos para trás... Ela esta bem. – disse, um meio sorriso tentou surgir em seus lábios, mas logo desapareceu.
_ Porque você é uma stripper? O que aconteceu? – perguntei. Ela hesitou. Pegou a garrafa e tomou mais um gole de água.
_ Minha vida não é um mar de flores. – disse.
_ Você não vai dizer, não é?
_ Deveria? – perguntou.
_ Talvez.
_ Por quê?
_ Se eu te sigo por que quero saber mais de você, se você me falasse tudo talvez eu parasse de te seguir.
_ E se eu não quiser que você pare. – meu coração se acelerou só com a possibilidade.
_ Por algum motivo o fato de eu ser homem me faz pensar que você quer que eu pare. – falei. Ela suspirou.
_ Quando eu tinha nove anos meu pai me levou em uma apresentação de balé, foi a coisa mais lindo que já vi em toda minha vida, eu me apaixonei com a dança e desde daquele dia eu falava que eu iria ser uma dançarina. – fez uma pausa. _ Meus pais eram bons, mesmo tendo crises graças ao vício do meu pai. Eles me colocaram em todos os cursos de dança que eles conseguiam pagar por. Minha paixão pela dança foi crescendo, crescendo, mas quando eu fiz 17 anos eu conheci alguém. – disse ela, o sorriso do seu rosto ao lembrar-se dos bons momentos desapareceu. _ Você já se apaixonou? – perguntou.
_ Sim. – respondi, lembrando-me de Rachel, a culpa subiu em meus ombros e por algum motivo eu sabia que não sairia de lá tão cedo.
_ Essa pessoa te decepcionou? – perguntou.
_ Não... Eu a decepcionei. – falei baixo, eu ainda não tinha decepcionado Rachel, mas o que eu estava fazendo agora claramente a faria sentir-se mal, caso ela venha descobrir no futuro. Demetria não disse nada, parecia perdida em pensamentos. _ Esse alguém lhe decepcionou? – perguntei ‘despertando-a’ dos seus pensamentos.
_ Não no começo. – disse ela.
_ Você não pretende falar mais nada, não é? – perguntei.
_ Quando você irá embora? – perguntou.
_ Daqui a dois dias. – respondi.
_ Começar uma amizade sendo que ela irá terminar em dois dias não é muito legal da sua parte. – disse ela.
_ Não precisa acabar em dois dias. – ela hesitou um pouco.
_ Nossos dois primeiros anos de namoro foi um mar de flores, ele fazia eu me sentir uma princesa... Meu pai não gostava dele, nem minha mãe... Eu nunca entendi o porquê... Eles nunca tinham me dito o motivo para tanto ódio... Quando eu fiz 19 anos eu entendi... – ela parou de falar um pouco, eu queria saber o que aconteceu, mas entendi a sua necessidade de ter um momento. _ Eu descobri que ele estava envolvido com drogas e que tinha entrado no mundo do crime, ele ficou preso por cinco meses, por pequenos furtos... Foi um susto... Eu tentei afasta-lo, mas eu o amava muito... Eu acabei dando-o outra chance e ele prometeu que iria mudar e ele realmente pareceu mudar no inicio... Até que um dia eu descobri que estava gravida, ele me abandonou durante toda a gravidez, se não fossem meus pais, eu nem sei o que teria acontecido comigo... – ela parecia segurar o choro, até eu estava com o coração rompido. _ Assim que eu ganhei minha filha, ele voltou, cheio de amores, querendo o perdão... Eu tinha acabado de ganhar minha filha, eu tinha esperanças que minha filha tivesse um pai, um pai que a levasse para algum lugar e graças a esse passeio ela descobrisse algo que gostasse tanto... Assim como eu descobri a dança... Eu perdoei novamente – suspirou. _ Dois meses depois eu descobri que ele estava devendo um traficante perigoso aqui de Las Vegas. – eu podia ver a mistura de raiva e tristeza em sua feição. _ Eu só fui descobrir que ele fez isso quando dois capangas vieram a minha casa, eu entrei em desespero, eu prometi a eles que pagaria a divida dele se eles deixassem a mim e a meu filho fora daquilo, eles me deram dois meses. – disse. _ Eu tinha que pagar oito mil dólares, em dois meses, eu não tinha condições financeiras para isso. Graças a Marissa eu consegui esse emprego aqui, mas o meu salario não foi o suficiente, quando chegou o dia do pagamento eu tinha apenas dois mil, então o traficante me deu uma opção, ou eu trabalhava para ele, pelo preço mínimo ou eu e meu filho morreríamos, foi assim que virei um stripper, até hoje eu não consegui parar de ser. Minha divida é infinita. – concluiu.
_ Aquele lugar é de um traficante?
_ Ele precisa justificar o tanto de dinheiro que consegue, que melhor lugar do que uma casa de strippers? – disse.
_ Esse cara é um lixo. – falei nervoso, eu queria mata-lo, como ele era capaz de fazer aquilo?
_ Eu disse, minha vida não é um mar de flores.
_ Era a filha dele, a mulher que deu luz a filha dele! – esbravejei. Ela estava calma, ela sabia que ficar com raiva não ajudava em nada.
_ Ficou satisfeito? – perguntou.
_ Satisfeito?
_ Agora você sabe tudo sobre mim. Como eu fui parar naquele lugar. – era tanta coisa que eu tinha que assimilar...
Ela tem uma filha, o pai da criança é um vagabundo, a mãe estava doente e pai morto, ela trabalhava naquele lugar obrigada... No fim das contas era só uma garota que sonhou e se apaixonou, mas que foi brutalmente arrancada da sua felicidade. Eu queria ajuda-la, queria faze-la feliz. Eu sabia o que ela queria e eu a ajudaria a encontrar seu paraíso.
CONTINUA

Olá galera, eu estou desde quarta-feira para postar este capitulo, mas na quarta-feira eu fiquei quase o dia inteiro na fila pra comprar o ingresso por show da Demi, e ontem eu tive que fazer todos os cursos que eu cancelei na quarta-feira, eu cheguei a minha casa esgotada. Mas estou postando hoje, espero que tenham gostado.
Mas e então, vocês conseguiram comprar o seus ingressos? Para onde? Espero que sim. Para as leitoras brasileiras que conseguiram vocês ainda terão mais chances e para as leitoras portuguesas, estou na torcida para que ela marque um show aí também.
Eu provavelmente não postarei no domingo (porém tentarei), mas vou tentar postar segunda-feira.
Não se esqueçam de comentar/avaliar
Bjssss

Thay: haha eu seu, eu demorei, mas não foi de proposito. Demorei um pouquinho, mas foi menos foi mais rápido que o último ;) Muito obrigada por comentar. Bjsss
Carine Santana: HAHAHA Pois é, a Demi tem o poder sobre Joe nessa fic haha. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Thau Ane: De nada linda. Bom, aí vamos ver, pode ser que tenham algo, ou não... Mas posso te garantir que os dois terão bons momentos juntos nesses dois dias restantes. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Shirley Barros: haha Você me deixa muito feliz ao falar assim, eu demorei mais postei :D. Espero que tenha gostado deste também. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Kika: Aw linda, agradeço muito pelo seu carinho, você está sempre aqui comentando. Espero que tenha gostado deste capítulo. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Estela: Espero ter ajudado em algo, e como eu disse, sempre que eu puder eu irei comentar J Bom, eu também nunca li uma fic em que a principal fosse uma stripper, mas acho que no fundo essa é a ideia, sempre inovar ;) Muito obrigada por comentar. Bjsss

Silvia: HAHA pois é, Joe já está caidinho por ela. Muito obrigada por comentar. Bjsss 

domingo, 17 de novembro de 2013

3º Capítulo “Walks like Rihanna” – Entre o Céu e o Inferno

DIVULGAÇÃO:




                 Música Walks like Rihanna do grupo The Wanted, sugerido por um leitor Anônimo.

Incrível. Essa é a única palavra que tenho para descrever aquela mulher.
Ela dançava no pole dance com a maior naturalidade, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Descia e subia, agarravam-se somente pelas pernas, seus braços, que parecia ser tão normais para uma mulher comum, a segurava fortemente. A música combinava com o clima de sedução.

A música mudou e a mulher parou de dançar no pole dance, ela começou a se exibir. Não precisava ser mestre em apresentações de strippers para saber o que iria acontecer agora, meu coração gelou só de pensar, aquele era o ‘grande’ momento, como reagir? Normal? O que seria normal? Como conseguir ficar normal perto daquela mulher?

Ela sentou-se no palco e tirou seus saltos.
Se eu dissesse que até tirando os sapatos ela conseguia ser sexy, eu pareceria louco?
Louco ou não, esse era o fato. O jeito que ela me olhava enquanto tirava aos saltos, mesmo por trás daquela mascara se podia sentir o fogo do seu olhar, a sedução...
Tornou-se a ficar de pé, e voltou a se exibir, rebolando, movendo-se maneira quente, agora, mesmo com ar condicionado ligado, o clima estava quente, eu podia sentir meu corpo querendo começar a suar.
Colocou-se de lado e começou a descer a sua sinta liga, eu não sabia para onde olhava mais, para suas pernas que ficavam mais descobertas do que estavam, para sua bunda empinada, ou para sua face, já que ela me olhava intensamente e mordia seu lábio inferior. Eu podia sentir meu membro tomando vida.

Um sinta de cada vez, assim que ela tirou a segunda ela jogou-a em mim, peguei e cheirei, o perfume era forte, mas não enjoativo, eu não sabia qual marca, muito menos o nome, mas aquele perfume já era como uma droga para mim, eu queria senti-lo com mais intensidade...
Lentamente levantei-me na intensão de aproximar-me dela, porém, assim que ela percebeu o que eu queria fazer, parou de dançar e tocando-me em meu peitoral, apenas com o dedo indicador, ‘empurrou-me’ novamente para meu lugar, involuntariamente acabei tornando-me a sentar, ela deu um sorrisinho safado, o que me lembrou de Rachel e me perturbou. O que eu estava fazendo? Aquela mulher na minha frente, dançando e tirando toda a roupa (que já não era muita) para mim, era uma tentação e eu queria poder toca-la de todas as maneiras possíveis, mas estava noivo, com a aliança no dedo.

Calmamente ela retornou para o palco e tornou a dançar, ela rebolava, se exibia, intercalava entre fazer algumas manobras de pole dance e de apenas dançar no chão.

Quando ela virou-se de costas e colocou suas mãos no fecho do sutiã eu vi minha oportunidade chegar. Eu ainda queria toca-la, eu era como um imã e ela o metal, meu corpo se atraia pelo dela de maneira inexplicável, de maneira que nunca senti nem mesmo em meus momentos mais quentes com Rachel.
Levantei-me rápido, temendo que ela virasse a qualquer momento e me impedisse de toca-la novamente.
Assim que abracei por trás pude sentir seu susto. Meu coração estava a mil por hora e eu podia sentir o seu pulsando forte também, não sei se pelo cansaço da dança ou se pelo susto ou se pelo mesmo motivo que eu.
Ela forçou tentando se soltar, mas eu a agarrei mais firme.
_ Me solte. – pude escutar ela dizendo, a música ainda soava normalmente.
_ Não. – respondi.
_ Me solte. – pediu novamente, o tom de sedução tinha desaparecido de sua voz, mas a excitação que eu tinha não. _ Eu vou chamar os seguranças. – ameaçou.  Virei-a para mim, ela tinha que levantar a cabeça para olhar-me nos olhos, sem os saltos elas era bem baixinha, mas ainda sim continuava tão mulherão como antes. _ Eu estou te avisando. – eu ignorei-a com fervor.
Ela parou de se debater e continuamos a nos fitar, soltei-a de um braço, mas ela nem pareceu perceber. Com minha mão livre peguei em sua mascara e comecei a retira-la. Eu pude sentir a temperatura dela abaixar e ela parecia ter... Medo? Assim que consegui tirar a mascara ela me pegou de surpresa e conseguiu se soltar de mim, correndo para trás das cortinas, no mesmo instante a porta atrás de mim se abriu e dois seguranças me agarraram e me carregaram para fora da sala. Com a mesma brutalidade eles foram me retirando até mesmo da boate. No meio do caminho Nicholas me viu ser retirado daquela maneira e foi tentar defender-me.
_ Ei, espere aí, você não pode retira-lo assim não! – gritava e tentava atingir os seguranças. Edgar veio correndo, ou melhor, esbarrando tentando me defender também, se ele estivesse sóbrio seria uma boa, mas agora eu não via nenhuma vantagem em seu tamanho nem mesmo em seus dois braços musculosos. _ Ele pagou para entrar, e ele é um besta que não faz nada de mal, como você podem fazer isso com ele? – continuou a gritar Nicholas, assim que chegamos perto da porta os seguranças me largaram. _ Dá para explicar o que está acontecendo?
_ Seu amiguinho besta tentou agarrar uma das nossas moças. – disse o segurança, um homem negro, tão alto e musculoso quando Edgar, com sua voz estridente.
_ Ah foi só calor do momento, ele não vai fazer mais besteira não, ele só vai sentar lá e beber um pouco, pode deixa-lo aqui, ele não causará nenhum problema. – tentou defender-me Nicholas. Os seguranças se entreolharam e me encararam, eu me senti uma criança perto daqueles homens gigantes, Las Vegas é outro mundo para mim, vai saber como os seguranças daqui são? E se eles não forem tão calmos como o Victor (único segurança, do único supermercado de Lewis) Victor era um grilo perto daqueles dois brutamontes, se eles quisessem atacar Nicholas e a mim eles conseguiram fazer um belo estrago, Edgar provavelmente cairia sozinho caso soprasse um vento mais forte para seu lado, Kevin eu nem mesmo sabia onde estava, apesar de que ele não faria tanta diferença assim.
_ Olha aqui rapaz. – disse o outro segurança, se aproximando a mim e colocando o dedo em minha cara. O segurança era um pouco menor do que o outro, mas ainda sim era monstruoso, ele era moreno e seu sotaque evidenciava a sua naturalidade latina. _ Vamos ficar noite inteira de olho em você, apronte uma e nós quebramos todos os seus dentes, ficou entendido?
Ele ainda duvidava.
Fiquei mudo, apenas confirmei com a cabeça. Os seguranças riram enquanto se afastavam. Eles tinham conseguido fazer o que queriam, causar-me um tremendo medo.

(...)

Quando saímos da casa de strippers o local já estava prestes a fechar, já era mais de cinco da manhã, eu estava com os olhos vermelhos de sono, mas eu tinha ficado o tempo todo atento, apenas na esperança de ver a minha stripper novamente. Pode parecer estranho eu falar ‘minha stripper’ eu sei que ela não é minha, provavelmente não é de ninguém, mas como eu não sabia seu nome eu acabei a apelidando desta maneira. Kevin, Nicholas e Edgar agora pareciam mais sóbrios, ao contrario do que eu previa, porém o último da noite foi uma apresentação com várias strippers no palco, e eles tinham ficado menos bêbados para poder apreciar a apresentação melhor. Eu não pude me aproximar muito do palco, pois os dois seguranças ainda estavam de olho em mim, mas mesmo de longe pude ver que a minha stripper não estava naquele meio, nenhuma ali tinha seu corpo nem mesmo sua sensualidade, apesar de muitas serem tão gostosas quanto...

_ Não vai entrar não Joseph? – perguntou Kevin, ao chegarmos à porta do hotel. Eu havia parado no meio do caminho.
_ Eu vou ficar aqui mais um pouco. – respondi.
_ Só não arranje mais confusão. – disse Nicholas dando de ombros.
_ Ah agora ele já sabe a diferença entre strippers e prostitutas. – riu Kevin, os outros o acompanhou na risada, ignorei-os. Se eles tivessem visto a mulher que eu vi teriam feito o mesmo ou até pior.
Eles entraram e eu fiquei olhando para a porta daquela casa de pecados, se via o resto dos clientes saindo e no meio deles alguns garçons, já desarrumados, com a gravata borboleta não mão ou totalmente afrouxada, com camisas com botões abertos... Alguns seguranças seguiam o mesmo modelo, inclusive o de origem latina que me ameaçou. Aos poucos algumas mulheres começaram a sair também, claramente eram as strippers, mas agora elas estavam irreconhecíveis, o único vestígio de que eram elas é o brilho de suas maquiagens, que elas não tinham conseguido tirar totalmente; elas estavam vestidas, comportadamente, pareciam totalmente normais, bom, talvez elas realmente sejam normais, não para mim, que não cresci em um lugar em que mulheres nunca poderiam se exibir daquela maneira que elas faziam para trabalhar, mas talvez por Las Vegas e outras grandes cidades elas fossem apenas mais umas...
Deve ter demorado uns dez minutos para a que eu esperava enfim sair, lá estava a minha stripper, eu podia reconhecer a cor do seu cabelo, e mesmo agora com jeans e uma blusa de manga preta com um desenho de alguma logo de banda de rock, eu podia reconhecê-la, seu corpo ainda era bonito e sexy, seu jeito de andar ainda era sensual. Só que agora ela não parecia mais aquele mulherão sexy, mas sim uma garota bonita, o que me fez cair mais ainda a seus pés, era a mistura mais perfeita que poderia ter. Eu queria ir até a ela, mas logo que saiu, um carro, um Chevy 62, já velho, sem uma cor realmente definida e com algumas ferrugens, parou a seu lado, ela não pareceu muito feliz, mas entrou naquele carro lata velha e partiu sabe-se lá pra onde.

Entrei ao hotel e fui ao saguão.
_ Ei, aqui, você sabe a que horas aquela... Casa de... – eu não sabia como perguntar ao recepcionista, mas ele pareceu me entender.
_ Às cinco da tarde, senhor. – respondeu educadamente.
_ Mas você sabe que horas que as pessoas que trabalham lá chegam? – perguntei.
_ Não sei, a partir da três da tarde, acredito. – respondeu.
_ Tudo bem, muito obrigada.
_ Sem problemas. – Subi para meu quarto.
Apenas tirei meu sapato, minha calça e minha blusa, eu estava cansado demais para colocar alguma coisa para dormir e mais ainda para tomar um banho, acabei apenas me jogando naquela cama confortável do hotel e dormi instantaneamente.

(...)

Acordei com o toque do meu celular. Eu sabia que ele estava no bolso da minha calça e sabia que minha calça estava no chão em algum canto daquele quarto.
Pulei da cama a procura da calça, meu olho ainda não tinha se acostumado com a claridade e por isso atendi sem olhar quem era.
_ Alo?
_ Alo? Meu filho? – perguntou a familiar voz de minha mãe.
_ Oi mãe. – respondi mais calmo.
_ Joseph você estava dormindo? – perguntou assustada, minha mãe mais que ninguém sabia que eu acordava sempre às sete da manhã, só se eu estivesse muito cansado que eu dormia até umas oito, nunca, desde que completei dez anos, acordei mais tarde que nove horas. Agora com a visão mais adaptada ao ambiente olhei para o relógio digital que fica no criado mudo e marcava onze da manhã, seu duvidas meu recorde, mas considerando a hora que fui dormir talvez não fosse um horário tão absurdo.
_ Não. – respondi._ Eu só tirei um cochilo. – falei, outra mentira, minha mãe sabia que eu nunca tirava um cochilo, pois se eu fizesse não conseguia dormir a noite e vivendo na minha família, não dormir cedo significava ficar rolando de uma lado para o outro na cama, não tem TV no quarto e não se pode ver TV depois das dez da noite, pois corríamos risco de sermos exposto a conteúdo inapropriado, nada de jogos ou brinquedos e nem mesmo a luz se podia ligar, com isso criei um trauma de cochilar, preferia passar o dia inteiro quase que me arrastando de cansaço do que passar a noite naquele tedio. _ O congresso é muito cansativo, são muitos carros para olhar, muitas palestras, você anda o tempo todo. – tentei parecer convincente. Como se isso pudesse ser desculpa para mim, fui por quatro anos consecutivos, eleito o melhor atleta da escola, eu sempre tive uma ótima resistência a atividades físicas, mesmo já estando mais velho, a minha resistência era algo que eu não tinha perdido.
_ Ah sim meu filho. – disse minha mãe, não parecia totalmente convencida. _ Eu sabia que você não deveria ter ido, você podia estar descansado aqui em casa agora. – falou.
_ Não, que isso mãe, aqui, apesar do cansaço, está ótimo, eu não podia perder essa experiência, vai ser ótimo para meu crescimento na empresa. – justifiquei-me.
_ Ainda sim, queria poder estar cuidando de você. – insistiu.
Nessa conversa fomos por uns vinte minutos, até meu pai conversou um pouco.
Assim que desliguei o telefonema fui para o banheiro, fiz minhas necessidades e tomei um banho.

Eu estava passando meu segundo dia em Las Vegas, me faltavam apenas dois dias antes de ir embora e míseros quatro para eu me casar. A rapidez que o tempo estava passando me assustava, mas nada me assustava mais que meus pensamentos a minha stripper, eu não consegui parar de pensar nela em nenhum minuto, não conseguia prestar atenção na conversa com meus amigos, o que até era bom, já que eles a todo momento faziam piadinhas sobre o meu ataque a stripper de ontem, perdi todos os jogos que joguei no casino, minha mente não estava nem aí para os números ou combinações de cartas, eu só pensava naquela mulher de lábios carnudos e de um rebolado capaz de levar qualquer homem a loucura.

Eu precisava conversar com ela, só isso me acalmaria (ou não), eu precisava falar com aquela mulher.
Kevin e Edgar saíram para outro casino, em um que se podia apostar dinheiro e não fichas. Nicholas foi para um lugar em que se podia se jogar de parapente não sei onde que era apesar dele ter me convidado, mas eu neguei, eu tinha que ficar ali, eu tinha que encontra-la.
Aprontei-me e fui para frente da casa de strippers, já era quase três horas, e como previsto pelo recepcionista, começaram a chegar pessoas para começar a abrir o local, no começo foram apenas os garçons e seguranças, assim que vi os que me ameaçaram na noite passados virei-me para tentar esconder minha cara, não queria que eles me reconhecessem.


No começo da esquina, ainda meio distante, eu vi quem eu esperava se aproximar. Calça jeans e blusa preta de banda de rock, desta vez a banda era AC DC, nunca escutei, na minha casa só era permitido musica gospel, mas quando andava por Salt Lake City já vi muitos jovens e alguns adultos com blusa deles, o que me faz pensar que é uma banda boa e famosa.
Ela continuava do mesmo jeito, seu longo cabelo castanho claro, seu corpo cheio de curvas ainda se sobressaia, mesmo estando devidamente vestida, e seu andar era confiante. O andar de uma mulher bonita e que sabe o poder que tem. Ela anda como a Rihanna.

CONTINUA

Oi gente, perdão pela demora, aparentemente conciliar seis cursos extracurriculares e escola não é tão fácil quanto os japoneses faz parecer que é.
O próximo capítulo já está quase pronto, o que me faz pensar que talvez eu não demore mais tanto, porém não colocarei um dia, pois, como podem ver, meu tempo está meio corrido.
Espero que tenham gostado. Não se esqueçam de comentar/avaliar.
Bjsss

Kika: hahahaha calma, calma, você é importante demais, não posso arriscar te perder. Ah, eu sempre gosto de lhe agradecer por tirar um tempo do seu dia para comentar aqui, me deixa muito feliz. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Carine Santana: Não é? Fico muito feliz com isso, postado. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Thau ane: Ela mesma hahaha. Fico feliz que tenha gostado. Divulguei. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Natalia_lovato: Fico muito feliz, espero que tenha gostado desde também. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Shirley Barros: Eu fico muito lisonjeada com seu carinho, e vou pegar a sua ideia sim, pode ficar tranquila que lhe darei crédito. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Estela: Fico feliz que tenha gostado, eu vou te divulgar sim, pois você merece, eu só ainda não estou comentando os capítulos porque eu fui inventar de recomeçar a ler, mas logo logo eu comento lá viu? Muito obrigada por comentar. Bjsss
Fernanda: Ei minha xará, pode deixar eu vou divulgar. Muito obrigada por comentar. Bjsss