segunda-feira, 10 de junho de 2013

11º CAPITULO “Então é guerra” – Aprendendo a Amar



Ah querido Joe, aí vem o Round 3

O plano já tinha sido executado com perfeição, um pouco infantil, mas o suficiente para o começo da guerra. E o melhor, o idiota do filhote de jardineiro nem percebeu.

Digamos que Travis tem o dom para travessuras, é o tipo de pessoa que não se deve negar um doce no Halloween, pois o prejuízo será, no mínimo, dez vezes pior.
Desde que eu o conheço ele é assim. Sua família não é importante para o munda da mídia, mas ele é rico, seu pai é dono de uma empresa de linha aérea e sua mãe tem um cargo importante em uma empresa multinacional. Assim como eu, ele foi basicamente criado por empregadas, só que ainda sim ele tem uma melhor relação com os pais que eu. Pois, ao contrario dos meus, os pais de Travis o dava certa atenção. Educação não é uma palavra muito usada em seu dicionário, e ele não tem nenhum tipo de juízo. Ele faz o que dá na cabeça.
Minha amizade com ele começou de maneira bem inusitada. Tudo começou com quando ele me ajudou a passar por cima de uma relação conturbada... Bom, essa é uma longa história, conto quando tiver mais tempo ou talvez não conto, pois não é uma história que eu goste de lembrar...


Acordei cedo, 8 da manhã, eu não queria perder nenhum momento, fui para a sala, mas fiquei mais perto da cozinha, me sentei nos banquinhos que lá tem e esperei.
Nem quatro minutos depois eu pude escutar uma porta sendo fechada com brutalidade, era Joe, eu mal podia esperar para ver sua reação.
_ DEMETRIA! – gritou ele.
_ Aqui na sala querido. – respondi, eu não conseguia segurar meu riso. Ele veio bufando.
_ O QUE. VOCÊ. FEZ. COM MINHAS BLUSAS? – perguntou, ele tentava se controlar, mas estava na cara que ele estava muito irritado. Ele estava com algumas das blusas na mão
_ Você não precisa me agradecer, eu sei que você gostou. – provoquei.
_ Você pintou e rasgou todas as minhas blusas sua insolente! – berrou. _ São blusas de trabalho!
_ Ah, eu pensei que você iria gostar, ficou tão mais chique. Só tinha blusa branca no seu armário, achei legal dar uma mudada. – falei. Ele faltava tremer de tanto ódio.
Cuidado jardineiro, estou chegando. 2x1.
_ Você tem quantos anos? 5? – perguntou se aproximando mais de mim, ele estava a apenas dois passos de distancia, eu podia sentir o cheiro do seu perfume. Ele vestia um bermudão e uma blusa, cinza, larga, bem a vontade, digamos que aquela blusa era única que ficou ilesa. Seu cabelo ainda estava todo desgrenhado, provavelmente nem mesmo tivera tempo para fazer sua higiene pessoal da maneira ideal.  
_ Já me disseram 3. – respondi, provoca-lo me fazia sentir muito bem.
_ Essa porcaria de tinta pelo menos é lavável? – perguntou, erguendo as blusas para mais perto de mim.
_ Nope. – respondi e ri logo em seguida. Joe rangeu os dentes, agora quem queria avançar no meu pescoço era ele.
_ Sua... – ele controlou-se para não me xingar.
_ ‘Sua’ o que? – perguntei, incentivando a continuar.
_ Você vai costurar todas essas camisas. – falou ele serio. Eu ri.
_ Sinto lhe informar, meu caro amigo, mas eu não vou não. – falei. _ Eu não sei costurar.
_ Ah não? – perguntou ele. _ Pois eu me lembro muito bem de ter visto você costurar um encosto de acento para sua mãe. – falou ele. _ Você se lembra? Todas aquelas rosa?
Uma facada teria doido menos. Calei-me, sem resposta, ele realmente queria pegar pesado, pois pesado eu pegarei.
_ Cala a boca, seu corno manso. – gritei em resposta. Joe ficou parado, atônito, olhando para mim sem reação, eu também o atingi fundo.
_ Você vai pagar por isso. – avisou-me, saindo da sala, voltando para seu quarto.
Placar final provisório: 3X2.


Quando Joe voltou do quarto ele estava com uma bermuda preta, daquelas cheia de bolso, e sem camisa. Eu já vivi com ele por muito tempo, antes de me mudar para meu apartamento, mas eu confesso que nunca o tinha visto sem camisa.
Que o meu lado consciente me perdoe por falar isso, mas o Joe é gostoso. Ele é forte, não é igual aqueles meninos super musculosos, que tomam anabolizantes até quase morrerem, seu corpo é definido de uma maneira bonita.
Eu realmente espero que ele não tenha percebido, mas eu devo ter viajado por seu corpo por, pelo menos, uns dois minutos.
O que eu podia fazer? Sou de carne e osso, tenho minhas fraquezas. Tudo bem, quem diria que Demi Lovato, nascida em berço de ouro, iria um dia olhar, de maneira maliciosa, a um filho de jardineiro e de uma mãe desconhecida?
Há uns minutos atrás eu também jugava este um acontecimento impossível.

_ Você vai ficar andando sem camisa pela casa? – perguntei. Ele me olhou com ódio e não me respondeu. _ Você pode pegar um resfriado. – eu disse divertida.
_ Você quer que eu faça o que? – perguntou, sem esconder a raiva. _ Quer que eu ande pela casa com seu pijama de joaninha?
_ Talvez sim, combinaria com sua personalidade. – eu falei, ele bufou nervoso.
_ Idiota.
_ Awn, você esta nervosinho é? – perguntei, fazendo voz de bebê. O que o deixou mais bravo.
_ Cala a boca garota, já é difícil te aguentar normal, fazendo essa vozinha irritante é torturante. – falou entre dentes.
_ Então tá, eu paro. – eu disse levantando as mãos em sinal de paz.
_ Bom mesmo. – disse duro.
_ Relaxa um pouco, antes a camisa que você, não é? – falei, ele me olhou feio, mas não respondeu._ E então... O que terá de especial hoje? – perguntei, lembrando-me das panquecas do dia anterior. Joe me olhou de cara fechada, acho que ele ainda não tinha engolido as minhas provocações. _ Vamos passar por cima deste incidente ok? – falei.
_ Eu comprei cereal e tem leite na geladeira. – falou ele, seu tom era morto.
_ Para de ser infantil. – falei. Poxa, ele também tinha me provocado com uma lembrança da qual eu odeio, será que ele acha que aquele episódio não me machucou?
_ Olha quem fala... – disse ele. _ Você acabou com todas as minhas roupas. – gritou.
_ Para de ser chato, eu te compro um armário completo se você quiser. – falei já irritada. Cara exagerado.
_ A questão não é essa Demetria...
_ Pare de me chamar de Demetria. – interrompi-o.
_ Ah sim, você pode me chamar de filho de jardineiro e monte de outros apelidos idiotas, mas eu não posso lhe chamar pelo seu próprio nome? – seu rosto estava avermelhado de tanta raiva.
_ Ah desculpe-me, pensei que você tivesse orgulho do pai que tem. – falei. Ele veio pisando duro para a cozinha, pegou a caixa de cereal e um tigela.
_ E tenho mesmo, meu pai é um homem muito honrado e trabalhador. – falou ele, colocando o leite sobre a bancada com toda a força, um pouco mais bruto e a embalagem poderia se romper.
_ Então não acho que tenha problema em lhe chamar de filho do jardineiro. – falei. Eu continuava sentada na cadeira, perto da bancada da cozinha. Eu e Joe estávamos bem perto um do outro, separados apenas pela própria bancada.
_ O meu problema é que você não me chama de filho de jardineiro com boas intensões, mas sim querendo me diminuir perante você. – falou ele.
_ Sabe o que eu acho? – ele ficou me olhando, com cara de sínico, esperando a continuação. _ Eu acho que você é muito estressadinho e que tem mania de perseguição.
_ Aé? E sabe o que eu acho de você? Eu acho que você é uma menina muito marrentinha, que acha que é alguma coisa, só porque nasceu em uma família rica, mas que na verdade não é nada, se seu pai parar de pagar suas contas você morre a mingua aí. – falou ele, abrindo a caixa de cereal, com tamanha brutalidade, que acabou derramando metade do cereal pela bancada e pelo chão da cozinha. Ele estava descontando sua raiva nos objetos que tocava, não tenho duvida de que na verdade ele queria fazer aquilo era comigo.
_ Pois fique você sabendo que eu sou bem mais que só a sombra do meu pai. – defendi-me. Esse garoto nem me conhecia e já se sente no direito de falar o que lhe dá na cabeça.
_ Ah não? Você não sabe dar um passo sem fazer alguma trapalhada e agora quer me dizer que é mais que apenas a sombra do pai. Se enxerga garota. – falou ele, saindo da cozinha, após fazer seu cereal e indo para a sala, sentando-se largado no sofá e colocando os pés na mesa de centro, como se já fosse de casa. É um abusado mesmo, nem Travis, com toda sua má educação, tem permissão para fazer isso.
Eu peguei minhas muletas e fui atrás dele, com uma clara desvantagem de locomoção e sem querer deixar o que eu queria falar entalado em minha garganta, comecei a falar ainda pelo caminho.
_ Olha aqui, seu idiota, não ache que é dono da casa não ok? Tire esse seu pé imundo da mesa de centro. – falei, muito irritada, Joe tirou o pé instantaneamente, e me olhou um pouco amedrontado, ele percebeu que eu estava realmente muito irritada. Todo homem deve temer uma mulher irritada, mesmo se ela estiver andando de muletas. _ Outra coisa, você foi contratado para cuidar de mim e não para fazer psicanálise. Então pare de achar que me conhece e vá fazer meu café da manhã. – exigi.
_ Pois bem. – falou ele, pondo uma colherada de cereal em sua boca e mastigando rapidamente. _ Eu estou aqui para cuidar de você. – Não basta ser pobre, tem que ser porco. _ Eu não sou seu cozinheiro. – Engoliu e deu um sorriso debochado.
_ Você vai me deixar morrer de fome? – perguntei, pronta para começar a brigar.
_ Eu já disse, tem cereal. – outra colherada de cereal.
_ Você deveria fazer para mim, eu estou meio impossibilitada. – eu disse. Ele engoliu e respondeu.
_ Não está não. Você é capaz de pegar uma tigela, colocar leite e cereal, sem nenhuma ajuda. – falou ele. Outra colherada.
_ Ainda sim, seria mais fácil se você fizesse para mim. – falei.
_ Mas se você foi capaz de estragar todas as minhas camisas, não é possível que não seja capaz de fazer um simples cereal. – falou ele.
_ Eu não fiz aquilo sozinha ok? – tentei me defender, apesar de achar que isso não ajudava muito. _ Sabe de uma coisa? Você esta sendo muito infantil e rancoroso. – falei.
_ Rancoroso? Infantil? Você acha que tem algum direito de falar de mim? – perguntou, largando a tigela de cereal na mesa de centro e se pondo de pé, bem a minha frente, eu já o tinha alcançado na sala e, apesar de não ser muito confortável ficar de pé por muito tempo, não me sentei ao chegar. Eu podia sentir sua respiração em minha face.
_ O que você fez comigo foi antiprofissional, antiético e infantil. – falei. _ Sua função era me ajudar quando eu te pedi. – ele estava nervoso, muito nervoso e minha fala de nada ajudou, porém eu pude ver na sua expressão que ele reconheceu que eu poderia estar certa no que estava dizendo.
_ Isso não justifica a sua ação. – falou. Seu tom já não era de ódio, nem mesmo de raiva. Ele estava se acalmando.
_ Pois eu acho que justifica sim, comigo é olho por olho, dente por dente. – falei, no mesmo tom dele.
_ Ah é assim? – perguntou, ele se aproximou mais ainda, seu corpo já se colava ao meu.
_ Sim. – respondi, tentando me equilibrar.
Como eu sou mais baixa, Joe se abaixou um pouco para se aproximar do meu rosto. Meu coração foi a mil por hora, o que ele estava fazendo? Ele colocou a boca bem próxima da minha orelha e disse com o tom ao mesmo tempo ameaçador, sedutor.
 _ Então é guerra.


                CONTINUA...



Postado amores. Eu espero que tenham gostado, já vou pedir desculpas, pois vou demorar a posta o próximo capítulo, já começou a época de trabalhos e provas lá no meu colégio e eu quero me dedicar um pouco mais, então terei menos tempo para escrever e postar a fic.
Não se esqueçam de comentar ou avaliar.
Bjss




Lαri ∞: Os dois juntos realmente não são flor que se cheire, ainda vão aprontar algumas coisas, juntos. Fico feliz que tenha gostado, muito obrigada por comentar. Bjss. 

sábado, 8 de junho de 2013

10º CAPITULO “Round 3” – Aprendendo a Amar





Agora é guerra.

24 de maio de 2007
Esta já era a terceira festa desta semana, levando em consideração de que ainda era quinta-feira, é um numero considerável.
Época de programações novas nos canais americanos, o programa dirigido por Diana é a grande estreia do ano, todas as apostas estavam sua nova criação. Os convites para festas da televisão chegavam a todo o momento.

_ Dá para você ficar quieta, parece que tem formiga no traseiro. – falou Eddie com raiva, ele tentava controlar o volume da voz, já que estavam em lugar publico, apesar da musica alta, ele não queria arriscar. _ Vá para a mesa e fique com Madison. – ordenou.
_ Me deixe em paz. Esse vestido incomoda. Eu pedi para mamãe não comprar mais este tipo de vestido para mim. – resmungou.
_ Blá blá blá. Cala a boca menina, você esta linda deste jeito. Aguante mais três horas e você poderá tira-lo. – falou grosseiramente.
_ Mas pai...
_ Meu Deus, todas as adolescentes são chatas como tu? Nem mas nem menos. Vá. – ordenou. Demi bufou de raiva e foi se sentar junto a Madison.
Aquelas festas já estavam a matando. Diana sempre escolhe os vestidos que Demi não quer, que geralmente a incomoda em algum ponto. Ou apertado demais, ou pinica demais, ou é escorregadio... Sempre há algo. Parece até ser feito de proposito, no intuito de irritar a filha mais ainda.

Agora

_ Bom dia princesinha. – disse Joe, assim que eu cheguei à sala. Já deveria ser umas 10 horas da manhã. Ainda muito cedo, para o que eu costumava acordar, mas pelo menos mais tarde do que me acordavam no hospital. Eu ainda estava com praticamente a mesma roupa de ontem, o meu short jeans continuava em mim, só a blusa que eu fui capaz de mudar. O idiota do Joe demorou meia hora para ir me ajudar, depois de eu já ter quase que me arrastado para fora do banheiro, sozinha. Ainda sim, ele se recusou a tirar a tala ou me ajudar no banho. Acabei dormindo suja. É um merda mesmo. Ele deve estar achando que é meu pai, pois fez igual a um, quando uma criança faz algo que o pai disse que não deveria fazer e depois, quando a criança se ferra, aparece para dizer “Eu te avisei” e ainda põe de castigo. _ Dormiu bem? – perguntou. Ele também tinha acabado de acordar, vestia uma calça jeans clara e uma blusa polo branca.
_ Teria dormido melhor, se você fosse competente. – respondi, sem humor.
_ Na verdade, você teria dormido melhor se não fosse tão cabeça dura. – contrapôs.
_ Você é pago para fazer o que eu quiser. – falei em tom alto. _ Eu sou sua chefa. – gritei.
_ Na verdade, meu chefe é seu pai. – respondeu calmo.
_ Isso mesmo, meu pai, por tanto eu também tenho direitos sobre você.
_ Seu pai que me paga, não você. – falou. _ Eu obedeço somente a ele. – respondeu.
_ Você vai se arrepender de falar assim desta maneira. Espere só ele se acalmar.
_ Tudo bem. – deu de ombros. _ Aqui, eu estava olhando os armários e... Você por acaso come? – perguntou. Eu ri da maneira como ele perguntou.
_ Sim. – respondi.
_ Mas não tem nada na geladeira e nem nos armários, a não ser água e refrigerantes. – falou.
_ Eu como fora de casa. – expliquei.
_ Mas você tem uma cozinha toda mobiliada. – falou. Ele parecia assustado com minhas respostas.
_ Bom... Eu sei... Mas... Eu não sei cozinhar. – confessei. _ Essa cozinha só esta aí, por que... Bom... Na verdade eu nem sei o porquê.
_ Você esta brincando comigo, não é? – perguntou de maneira que me pareceu engraçada.
_ Nope. – Ele ficou olhando para mim incrédulo. _ Tem um Subway aqui perto, se você quiser ir lá pegar um sanduiche, eles já abriram. – falei.
_ Você esta me dizendo que compra todas as suas refeições? – perguntou.
_ Sim. – confirmei sem jeito. Sua expressão mostrava que ele não acreditava no que eu estava dizendo. _ Não me olhe assim, ok? Eu estou ajudando a economia do país ao fazer isso. – defendi-me.
_ Uau. – ele riu. _ Você faz ideia do quão patético sua defesa foi? – perguntou.
_ Eu acho que ao invés de ficar julgando-me, você deveria ir lá comprar o sanduiche, pois eu já estou com fome. – falei, indo me sentar no sofá. Com o calor da discussão, acabei ficando de pé, e minha perna começou a doer.
_ Tudo bem. Tem algum supermercado aqui no bairro? – perguntou.
_ Não sei. – respondi, enquanto me aconchegava no meu sofá confortável. _ Eu não faço compra para casa. – expliquei. Joe bufou.
_ Ok, eu volto em menos de uma hora, se precisar me ligue. Não faça nada que seja perigoso, se possível, fique no sofá. O número do meu celular está escrito naquela agenda que fica ao lado do telefone. Ok? – perguntou. Ele até que era atencioso.
_ Ok, papai. – falei. Ele riu de canto.
_ Tudo bem. Já volto em.


Para Joe, provavelmente, o episodio de ontem já foi superado, mas ele que me aguarde. Ele pode ser atencioso e tudo, mas isso não me faz esquecer nada, na primeira oportunidade que eu tiver, pode ter certeza que eu irei aproveitar.  


Joe não demorou muito a voltar, mas, provavelmente, tinha comprado todo o supermercado, pois chegou cheio de sacolas lotadas.

_ Uau, comprou o supermercado foi? – perguntei. Ele estava na cozinha, tirando os produtos das sacolas.
_ Este apartamento precisava ser abastecido. Aqui não tinha nada. – falou.
_ Tinha o suficiente para mim. – respondi. _ Agora me diz quem vai cozinhar?
_ Eu. – respondeu obvio. Gargalhei alto. _ Ah, quê que foi? Acha que eu não posso cozinhar não é? – perguntou.
_ Você é homem, se eu não sei cozinhar, você também não deve saber. – respondi. Tudo bem que tem homens que cozinham, até são chefes de restaurantes importantíssimos, porém eu nunca conheci um jovem do sexo masculino que cozinhasse... Talvez uma omelete – o que já é melhor que eu, já que eu nunca consegui quebrar um ovo sem deixar a casca cair junto. – mas, se por acaso Joe acha que eu vou trocar meus fast-food e restaurantes chiques por ovo e pipoca todos os dias, ele está tremendamente enganado.
_ Pois fique a senhorita sabendo que eu sei cozinhar muito bem. – falou ele, como se minha fala tivesse sido uma ofensa.
_ Qual é o seu cardápio? Ovo? Pipoca de micro-ondas? Miojo? – perguntei as risadas.
_ Bom... Já são quase 11 da tarde, eu sei que deveria preparar o almoço, mas que tal fazer café-da-amanhã? Panquecas doces? – sugeriu. Estiquei-me no sofá, para conseguir olha-lo, ele realmente estava falando serio. _ Você vai se surpreender comigo...
_ Tudo bem... Vamos ver se o jardineiro sabe fazer alguma coisa mesmo... – falei, tornando a me sentar relaxadamente. Apenas esperarei. Liguei a TV ciente de que Joe não faria nada que preste, não antes de quebrar ou deixar minha cozinha em um estado lamentável.
Nada de interessante passava na TV, nem mesmo na à cabo. Por falta de opção, deixei no desenho que passava, Bob Esponja. Talvez o fato de não sair para uma festa a mais de uma semana me fizera voltar a ser criança, pois nem mesmo lembro-me qual foi a última vez que parei para ver um desenho na TV.
Até que não é ruim. Algumas lembranças da minha infância são boas... Algumas.


Apenas quinze minutos foram necessários para que o cheiro bom começasse a se espalhar pelo apartamento, se eu fechasse o olho, podia jurar que eram as panquecas que Maria fazia para mim todas as manhãs de segunda-feira. Só aí percebi que estava morrendo de fome. Minha boca já estava salivando quando Joe me chamou.
_ Aqui está - falou ele, levanto o prato com as panquecas para mim, com as opções de recheios separadas – Nutela, morango e mel -, o cheiro estava ótimo e digamos que a apresentação também. Não queria acreditar que aquele palhaço realmente sabia fazer alguma coisa que preste. Aff.
Joe se sentou ao meu lado e pude ver que ele queria que eu pegasse a primeira panqueca, ele estava na expectativa para a minha reação.
_ Tem certeza que não tem nenhum tipo de veneno aí? – perguntei, eu não podia deixa-lo feliz, ele já estava ganhando.
_ Eu estou aqui para cuidar de você, não lhe matar. – falou ele.
_ Ah claro, prova disso foi ontem. – relembrei-o.
_ Passado. – falou, fazendo sinal com a mal para que eu deixasse aquele assunto para lá. Ele que pense que eu vou deixar.
_ Se eu passar mal saiba que a culpa será tua. – falei, pegando a primeira panqueca e escolhendo o recheio de Nutela. Ele fez que ‘sim’ com a cabeça.
Deixando-me levar pela fome e pelo cheiro de dar água na boca, abocanhei um grande pedaço da panqueca, sem nem me importar se iria me sujar com o recheio.


O filhote de jardineiro realmente falava serio quando disse que sabia cozinhar e que eu iria me surpreender. A panqueca estava ótima, eu não tinha onde por defeito. Fez-me lembrar da minha infância, me fez lembrar-me de Maria, do tempo em que eu ainda a tinha para me consolar nos meus piores momentos.
Eu até poderia falar que odiei, mas acho que depois de comer duas panquecas, quase sem deixar tempo para respirar, estava mais que na cara que eu tinha gostado né? Joe também comia, com um sorriso feliz no rosto, ele havia vencido mais uma vez, mais uma vez ele estava certo, 2x0 Joe. Eu posso estar perdendo agora, mas eu vou virar esse jogo.

_ Vai vir alguém aqui? – ele perguntou. Eu havia acabado de terminar minha quarta panqueca, não havia mais espaço para nada em mim, na verdade eu ainda me pergunto como coube tanto.
_ Travis disse que viria hoje, Miley talvez apareça também. – respondi. _ Por quê?
_ Tenho que saber que horas, para poder programar seus exercícios de fisioterapia. – respondeu. Revirei os olhos. Ele realmente queria fazer isso? Ele deve saber que eu odeio as seções de fisioterapia e por isso quer tanto fazê-las. _ E você pretende recebe-los assim? – perguntou, após um silêncio.
_ Assim como? – perguntei, sem entender o jeito que ele falou.
_ Fedendo. – falou ele, tranquilamente. Como assim ele esta me chamando de fedorenta? Ele por acaso pensa que é o rei da Inglaterra?
_ Fedendo? Você esta me chamando de fedorenta? – perguntei nervosa. Ele começou a rir, após um instante de cara de pavor.
_ Calma... É só brincadeira, é porque você não tomou banho, esta com o mesmo short, é só isso. – riu. _ Fica tranquila, você não esta fedendo não... Ainda. – respondeu, ele se divertia.
_ Idiota. – resmunguei.
_ Olha, pra você ver que eu sou legal, eu vou tirar sua tala para que você possa tomar banho sozinha. – disse se levantando e indo para perto da minha perna, que estava para cima, ancorada a um puf. _ Já aviso, provavelmente você vai sentir dor quando eu tirar a tala. – disse pegando meu pé com cuidado, sentando no puf, na qual meu pé estava antes, e colocando meu pé ao seu colo, pronto para começar a tirar a tala. _ Tome muito cuidado, você provou ontem que o banheiro pode ser bem escorregadio, e digamos que você não esta em condições de ficar caindo. – falou. Ele tirava com habilidade e cuidado. Ao mesmo tempo em que eu sentia o alivio, pela tala estar sendo retirada, eu podia sentir uma dor, não era muito forte, porém bem incomoda. _ Eu vou te levar para o banheiro, te deixar na banheira e você que se vire lá ok?
_ Tudo bem. – respondi.
Assim que terminou de tirar a tala, ele veio e me pegou no colo, me carregando, estilo noiva, até o banheiro. Assim como prometera, ele me pôs dentro da banheira.
_ Uma coisa antes que você comece. Fale-me qual roupa você quer usar.
_ Escolhe qualquer uma, eu não irie sair mesmo... Só não mate nenhum senso de moda. – respondi. Ele riu.
Esperei-o voltar trazendo as peças de roupa, a toalha e minha muleta. Ele até que não escolheu mal, como estamos no verão o calor esta intenso, ele escolheu um short, que tem umas tachinhas de detalhe, e uma blusa, com manguinha vermelha.
Despi-me, com dificuldade, e enchi a banheira. Relaxei o quanto pude, sabia que meus amigos, provavelmente só viriam bem mais tarde e que antes disso terei que fazer seção de fisioterapia. O que eu não quero fazer. Tudo bem que minha perna ainda dói, mas pelo menos eu já consigo movê-la, com o tempo ela melhora sozinha...

De todas as partes, o pior foi conseguir sair da banheira, confesso que na hora cogitei a possibilidade de pedir ajuda a Joe, porém eu não queria dar o braço a torcer agora, preciso começar a fazer as coisas por mim mesmo.
Assim que consegui me enxugar e me vestir, sai do banheiro e lá estava Joe, do lado de fora, me esperando pacientemente, me pergunto se ele ficou lá todo este tempo. Digamos que eu demorei bastante para sair.
Joe me ajudou a voltar para sala, colocou a minha tala novamente, e enquanto ele preparava um dos quartos para ser a sala de fisioterapia, eu fiquei assistindo TV, estava passando Querido John, que é um filme que eu acho bem bonito, apesar de eu não ser muito fã de romances.
_ Preparada? – perguntou Joe, voltando para sala.
_ Isso é mesmo necessário? – perguntei.
_ É. – respondeu ele.
_ Eu juro que eu não digo nada para meu pai.
_ Demi...
_ Olha, eu não ligo, juro. – ele me olhou com cara feia. _ Olha, espere então, vamos ver o final do filme.
_ Não tente me enrolar garota.
_ Vai! Para de ser chato um pouco, senta nesse sofá logo e relaxe um pouco. – falei. Ele hesitou um pouco, mas logo se juntou a mim. Sentou-se bem mais perto que o comum.

_ Sabe, eu percebi que você não usa vestidos. – comentou Joe, quando o filme já estava quase acabando. Olhei-o sem entender o motivo do comentário. _ Na hora que eu estava procurando alguma roupa para você eu percebi que você não tem nenhum – explicou-se.
_ É. – limitei a responder.
_ Você fica bem bonita em vestidos, sempre que você vai às festas de seu pai você esta com vestido e fica bem bonito. – falou, um pouco sem jeito.
_ É. – tornei a falar. Eu não queria entrar muito no assunto e acredito que Joe percebeu, pois ele parou de falar.

Quando o filme acabou, não teve jeito, fui obrigada a ir fazer a porcaria da seção de fisioterapia, se eu já estava com raiva de Joe por ontem, ela aumentou muito.

No inicio eu resisti em obedecer a suas ordens, mas no fim tive que ceder, pois percebi que ele não iria desistir.
Com Joe foi bem mais fácil, ele é mais calmo que os enfermeiros do hospital e sabe respeitar mais meus limites, não força muito, se eu começo a reclamar de dor, ele não força a barra. Tanto que quando ele encerrou a seção, eu até me surpreendi, passou mais rápido do que eu esperava.


O sol já se punha quando Travis e Miley chegaram, a companhia deles me fazia bem, mas acho que o jardineiro odiou, já que se isolou no outro canto da sala.

_ Eu fiquei esperando sua visita tá? – reclamei.
_ Com aquele monte de repórteres, querendo me massacrar, na porta do hospital? – perguntou Travis. _ Desculpe Demi, eu te amo, mas nunca que eu iria enfrenta-los, sendo que agora eu posso estar aqui com você bem mais tranquilo. – justificou-se.
_ Nem olhe para mim, pois eu não saí tão limpa dessa história, minha mãe quase comeu meu rim quando soube. – disse Miley. Ela já é independente e, assim como eu, mora sozinha, sua mãe era modelo, mas hoje é estilista e seu pai é cantor e produtor musical, como era de se esperar, teve o caso divulgado no jornal, com direito a ter o nome destacado. Ainda sim ela deu bem mais sorte, não só por não ter se machucado tanto no acidente, mas também porque os pais dela, apesar de famosos e terem um nome a zelar, tampouco se importam quando ela faz alguma bobagem. Eles não a obrigam a participar de festas, premiações ou desfiles, nunca fizerem uma coletiva de impressa e a obrigara a mentir para salvar a boa pose da família perfeita. Eu a invejo tanto por isso...
_ Mas e aí? Qual é a do carinha ali? – perguntou Travis, sem nem mesmo disfarçar que falava de Joe. Joe olhou para nos, mas logo tornou sua atenção para a TV novamente, sua cara não era nada boa. Estava passando jornal, normalmente eu iria trocar de canal, mas ele parecia gostar, então acabei deixando.
_ Meu enfermeiro. – respondi.
_ Mas ele não é o filho do jardineiro? – perguntou Miley.
_ Pois é. O filho do jardineiro tem diploma. – falei alto o suficiente para que ele pudesse escutar. Ele fingiu que não escutou, mas eu percebi que ele deu um risinho tímido.
_ Como vocês estão se aguentando? – perguntou Miley. _ Até onde eu me lembro, vocês se odeiam.
_ Pois é. Meu pai também sabe disso. – respondi
_ Oh, foi por causa da coletiva não é? – perguntou Travis. Confirmei com a cabeça. _ Demizinha, você arrasou garota. – falou, levanto a mão para que eu pudesse tocar.
_ Eu sei. – eu disse, correspondendo a seu gesto. Tudo bem que isso me trouxe algumas consequências, mas valeu apena.
_ Mas serio, vocês estão se dando bem? – perguntou Miley, a expressão dela era de incredibilidade, eu e Joe darmos bem é algo impossível.
_ Claro que não. – respondi. _ Bom... Nós estamos... Suportando-nos. – falei. _ Só que eu ainda tenho que armar algo contra ele. – confessei, falando baixo. _ Ele andou aprontando algumas coisas que eu não gostei e acho que ele merece pagar. – falei, eu pude ver um sorriso brilhante nascer no rosto de Travis. Ele iria me ajudar.
_ Você já tem algo em mente? – perguntou Travis.
_ Ainda não. – confessei.
_ Pode deixar comigo Demizinha. Seu ‘amiguinho’ ali, vai ter o que merece. – falou Travis com o olhar travesso.
_ Sem agressões físicas, se possível. – falei, a maioria das vinganças de Travis colocava violência no meio, digamos que não era necessário algo assim. 
_ Sem violência. Coisa boba. – falou ele, piscando logo depois.
Ah querido Joe, aí vem o Round 3


                CONTINUA...



Postado galerinha, eu espero que tenham gostado.
Se eu conseguir, talvez, eu poste amanhã mesmo, mas caso eu não poste amanhã, eu postarei na segunda-feira.
Não se esqueçam de comentar/avaliar, adoro os seus comentários :D
Bjsss.



Lαri ∞: Awn que bom que você gostou, linda. Pois se prepare que ainda terá muitas situações iguais e piores que essas. Muito obrigada por comentar. Postado haha. Bjss.
Yumi H. e Rafa S.: Acho que você terá que esperar mais um capítulo para saber qual será vingança muahaha. Fico feliz que tenha gostado. Muito obrigada por comentar. Bjss.
Rosa: Seja bem vinda, fico muito feliz que você tenha gostado :D. Pode deixar que eu vou ler sim. Divulgado. Muito obrigada por comentar. Bjss.
Silvia: Aguenta mais um pouco que logo você saberá o que é ;). Seu pedido é uma ordem, postado haha. Muito obrigada por comentar. Bjss. 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

9º CAPITULO “Agora é guerra” – Aprendendo a Amar



_ Olá princesinha. 

Aquilo só poderia ser uma brincadeira de mau gosto. Impossível!
_ Como que você invadiu meu apartamento? – gritei. Eu queria bater nele, mas minha movimentação era bem debilitada.
_ Eu não invadi seu apartamento, eu fui chamado para vir aqui. – respondeu ele, com um sorriso no rosto, ele estava se  divertindo as minhas custas.
_ Eu não te chamei. – gritei. Eu não conseguia me acalmar. Aquele menino sempre me dava nos nervos.
_ Mas seu pai sim. – respondeu.
_ Jardineiro, saia daqui! – exigi, tentei dar uns passos à frente, apoiada em minhas muletas.
_ Se não se importa, eu prefiro ser chamado de Joe... Não, para você é Joseph, eu não te dou tanta intimidade assim... – disse ele, se aproximando de mim. _ Prazer, eu sou seu enfermeiro. – disse. Seu sorriso sínico na cara denunciava a sua diversão em me ver daquele estado.
_ Como assim? – perguntei. _ Você é um zê ninguém, como que você pode ser enfermeiro de alguém? Eu quero um enfermeiro de verdade, treinado e estudado. – exigi.
_ Pois eu, ao contrario de você, fiz algo da minha vida e sou muito bem formado, para sua informação. – falou grosseiramente. _ Eu tenho um diploma ok? – eu ri. _ E você o que você tem mesmo?
_ Um pai rico. – respondi.
_ Que grande serventia em? Olha o que o papai rico fez. – disse ele. Que vontade de avançar no pescoço dele e enforca-lo até a morte.
_ Meu pai está louco. – falei. _ Como ele foi capaz de contratar logo você? Ele sabe muito bem que nos odiamos. – eu falei. Meu pai não era de ficar muito em casa, mas uma das poucas vezes que ele estava lá, ele pôde presenciar uma discussão entre mim e Joe, foi uma discussão feia, com direito a todos os xingamentos pensáveis. Meu pai sabia que nos manter juntos não era algo muito inteligente de se fazer.
_ Bom... Digamos que seu depoimento com os jornalistas hoje fora bem satisfatório e por isso ele resolveu lhe dar este presente. – ironizou. Agora tudo ficou claro, esta seria a vingança do meu pai, e era por isso ele estava relativamente calmo no carro. Calei-me e olhei-o fixamente, ele ainda se divertia pelo acontecido. Ele sabe que estou em suas mãos, necessitarei dele para quase tudo. Isso o deixava feliz. Saber que agora quem estava no comando era ele.
_ Pois fique sabendo, seu ‘plantadorzinho’ de couve, de meia tigela, é melhor você me tratar muito bem, uma coisinha feita de maneira errada e eu mando meu pai te dispensar.
_ Eu duvido muito que você consiga alguma coisa com seu pai tão cedo. – falou Joseph.
 _ Se eu fosse você não duvidava, você sabe que meu pai faz tudo o que eu quero. – falei.
_ Pois eu duvido que essa história saia da mídia tão cedo e eu duvido mais ainda que seu pai vá fazer algo para você antes da poeira abaixar. – contrapôs. Digamos que ele estava certo, meu pai só voltará a fazer algo por mim quanto ninguém mais comentar sobre o que eu disse, e realmente aquela história não iria sair da mídia tão cedo. Joe riu ao perceber que eu não teria resposta para ele. _ Então... Acho melhor você não ser mal comigo, porque eu meio que acho que você precisará da minha ajuda para quase tudo. – falou divertido.
_ Saiba que se por acaso eu morrer, mesmo que meu pai me odeie, ele terá que fazer você pagar. – deixei claro.
_ Fica tranquila, não vou sujar meu nome por tão pouco. – deu de ombros.
_ Saiba que eu ainda te odeio. – falei, entre dentes.
_ Eu nunca disse que te amava. – falou ele. _ Agora vamos parar com esse papinho chato. Vou te ajudar a ir para o sofá. – disse ele, se aproximando de mim, pronto para me apoiar.
_ Eu quero ir para o meu quarto. – falei sem nenhum humor. _ Eu consigo ir sozinha, só leve minhas coisas. – falei e saí. Bom... Na verdade comecei a tentar sair, velocidade não estava sendo meu forte agora, porém eu não precisaria da ajuda dele, passei uma semana indo de cadeira de rodas para todos os lugares, eu já não aguentava mais.


Quando cheguei ao quarto, Joe já estava lá, já havia tirado as coisas da mala e as guardava, deixou apenas os eletrônicos em cima da escrivaninha que lá tem.
_ Uau, até que o aprendiz de jardineiro é prestativo. – observei. Joe me olhou irritado. Não me importei com seu olhar, fui direto para minha cama, a qual eu sentia falta, todo aquele espaço e conforto, que eu não tive por uma semana inteira. Assim que me joguei na cama senti todos os meus ossos doendo, assim como sentir quando acordei no primeiro dia de hospital. Gemi. Fechei os olhos tentando relaxar, para que a dor passasse.
_ Precisa de ajuda? – perguntou Joe.
_ Não. – respondi, abrindo os olhos, ele estava bem próximo a minha cama, pronto para me ajudar, caso minha resposta tivesse sido ‘sim’.
_ Ok. – afastou-se um pouco. Ajeitei-me melhor na cama, com dificuldade. _ Eu vou deixar você descansar por hoje, amanha nos faremos um pouco de fisioterapia. – avisou-me
_ Não. – resmunguei.
_ Recomendações médicas. – explicou-me ele
_ Eu não ligo caso você não faça, eu juro que eu não direi a ninguém. – falei, meio que ainda resmungando.
_ Eu estou sendo pago para fazer meu trabalho, e eu vou fazê-lo. – falou Joe, serio. Saindo do quarto logo em seguida. Grosso. Eu estava tentando facilitar o lado dele, eu aposto que meu pai o esta pagando uma boa grana, e sei que ele receberá cuidando ou não de mim, contando que eu esteja viva.


Passei o resto da tarde no computador, conversando com algumas amigas. Recebi algumas ligações, inclusive de Travis, que se disse totalmente arrependido e prometeu vir na tarde seguinte.
Nunca fui muito de parar em casa, sempre estava saindo para algum lugar, eu gosto muito de morar sozinha, mas, às vezes, a solidão e traiçoeira, ela pode lhe trazer lembranças dos quais é melhor não lembrar. Como hoje estou impossibilitada de me divertir, fiquei indo de um canto para o outro do meu apartamento, e o melhor, obrigando a Joe a levar minhas coisas junto comigo. Esta parte foi bem hilária, toda hora que eu gritava seu nome, ele vinha todo preocupado, achando que eu tinha alguma coisa grave e no final era só para mais uma vez me ajudar em algo. A cara de bravo que ele fazia é impagável.
Agora eu estou na minha sala de estar, continuo no computador, estou conversando com Vanessa, que inclusive foi uma das que me mandou mensagem, enquanto eu estava no hospital.
_ Bom... – começou Joe, que estava sentando no mesmo sofá que eu, ele em uma extremidade, eu em outra. Digamos que não começamos o dia bem, porém estávamos nos suportando, tudo bem que toda hora um dava um jeito de provocar o outro, mas até agora ambos estamos inteiros e vivos. Acho que isso já é um bom avanço. _ Hora do banho. – anunciou. Fiquei olhando para ele, esperando o que ele queria dizer. Eu sei muito bem o que é a hora do banho, antes que venho me chamar de burra. O problema é que o tom de sua voz me deixou com a impressão de que havia algo maligno me esperando por trás desta ‘hora do banho’. Joe levantou-se e veio para o meu lado. Sem nem mesmo me pedir permissão, tirou meu notebook do meu colo e foi me estendendo a mão. Continuei a olha-lo. _ Vamos? – perguntou.
Levantei-me com a sua ajuda e permiti que o mesmo me ancorasse até o meu quarto, lá ele pegou minha toalha e a roupa que eu o indiquei, para que eu pudesse me trocar. Como já era noite, iria já colocar meu pijama. Joe começou a rir do nada.
_ Serio? – perguntou ainda aos risos, ele estava com meu pijama na mão e eu encostada à parede, perto da porta da minha suíte, com uma das minhas muletas. _ Joaninhas? – entendi, meu pijamas era de joaninhas.
O que ele estava esperando afinal? Ok, talvez fosse um pouco infantil, mas é bem fofo. Joaninhas são fofas!
_ Eu não estou achando graça nenhuma. – falei, indignada. _ O que você queria?
_ Sei lá. – disse, ainda rindo um pouco. _ Talvez algo menos... – tentava se controlar. _ infantil?
_ Joaninhas são fofas, ok? – falei, esticando meu braço, para tentar pegar meu pijama de sua mão, mas o filho de uma boa mãe afastou-se.
_ Quem diria, a rebelde sem causa usando pijaminhas fofos. – disse, fazendo a voz mais irritante possível.
_ Você não disse que eu sou uma patricinha? Pois bem, acho que um pijama de joaninhas é deveria ser permitido. – falei. Senti que meu rosto estava ficando vermelho. Mas que merda! Eu não deveria ter vergonha disso!
_ Ok. Essa foi inesperada. Você sempre se auto intitula tão adulta e linda, achei que era assim todo o tempo.
_ Você queria que eu fosse dormir de lingerie? – perguntei, sem nem mesmo pensar. Joe não respondeu, mas nem mesmo precisava, a cara de safado dele já dizia tudo. _ Você nem tente chegar perto de mim nessa noite. – ameacei-o, apontando-lhe o dedo. Eu esperava causar um pouco de medo, talvez eu merecesse um pouco de autoridade, já que eu sou meio que sua chefa, porém ele não escondeu o riso de deboche. Maldito!

Cansada de esperar ele parar de me irritar fui para dentro de minha suíte, sem nem mesmo pegar meu pijama, não me importo em dormir com a mesma roupa que estava, provavelmente sono para mim não será problema essa noite, já que na última semana tive tão pouco tempo para dormir.
Eu realmente não estava esperando essa, mas Joe entrou na suíte me seguindo. Pensei que ele apenas iria deixar meu pijama lá e iria embora, afinal, eu iria tomar banho. Porém, ele, com total tranquilidade, fechou a porta, com nos dois lá dentro. Eu devo ter ficado encarando-o, esperando que ele saísse, por pelo menos dois minutos.
_ Você já pode sair. – falei.
_ Você tem que tomar banho. – falou obvio.
_ Eu sei disso. Não sou mais criancinha, você não precisa ficar me vigiando para saber se eu estou tomando banho certo ou não. – avisei-o.
_ Eu sei, eu estou aqui para ajuda-la. – falou. Só aí minha ficha caiu.
_ Você não acha que vai me dar banho, não é? – perguntei.
_ Vai ser bem difícil para você tomar banho sem ajuda. – falou ele. _ Se você cair...
_ Você é um tarado! – gritei.
_ Eu sou seu enfermeiro e...
_ Isso não lhe dá o direito de me ver tomar banho! – continuei a gritar. Serio que ele achava que eu iria permitir aquilo?
_ Eu sou completamente profissional...
_ Aé? Eu estou pouco me fodendo se você é profissional ou não. – gritei. _ Sai. Daqui.
_ Demetria não dificulte as coisas para mim. – pediu, o mais calmo possível.
_ Você me chamou de Demetria? – perguntei e, pela sua expressão, pude ver que dessa ver eu lhe causei medo. _ Você está afim de morrer?
_ Demi. – falou com calma, fazendo sinal de paz com as mãos.
_ Eu não te dei tanta intimidade, seu plantador de bananeira.
_ Então você quer que eu te chame como? – perguntou, alterando seu tom de voz.
_ Eu não quero que você me chame. Eu quero que você saia daqui! Agora! – gritei.
_ Tudo bem! Ok majestade! – gritou. _ Se você precisar de ajuda...
_ Eu não vou precisar. – garanti-o. Ele fez cara feia e saiu. Palhaço.


Eu não sei exatamente o porquê, mas pareceu-me bem mais fácil colocar meu short de manhã, do que tira-los, agora. Talvez... Mas só, talvez... Seja pelo fato de que de manhã eu tive ajuda das enfermeiras do hospital. Minha perna, apesar de firme e movimentável, ainda doía quando firmada ao chão. Eu não podia ficar de um pé só para poder tirar meu short, não podia simplesmente abaixa-lo, já que a tala me atrapalharia. Eu não conseguia firmar o meu pé com a tala ao chão. E por algum motivo, eu não estou conseguido tirar a tala! Ela é removível, eles me falaram que é e até me ensinaram como tirar. Eu só não prestei atenção... Eu não achei que realmente seria útil prestar atenção naquelas informações.
Pensei errado.

Se eu achei que já estava ruim é porque eu não tinha uma bola de cristal, para ler o futuro.

Ao tentar me equilibrar na tala, na esperança de que, ao conseguir tirar a perna sem tala, eu teria maior facilidade em tirar a que estava com tala, eu acabei me desequilibrando e caindo de bunda no chão. Pode parecer engraçado, mas é patético. Como eu vou me levantar deste chão agora? A porra da muleta está meio longe de mim.


_ Joe. – gritei. No fim eu teria que ceder e pedir-lhe ajuda. _ Joe. – tornei a gritar.
_ Oi! – pude escutar seu grito, provavelmente ele estava bem atrás da porta, pois sua voz estava bem perto.
_ Eu vou precisar da sua ajuda. – falei alto.
_ O quê? Eu não escutei!
_ Eu vou precisar da sua ajuda. – gritei.
_ Mais alto, acho que eu estou quase entendendo. – gritou. Eu sabia que era mentira, ele estava me escutando muito bem, mas ele é infantil de mais para deixar escapar a oportunidade de me humilhar. Bufei.
_ Eu vou precisar da sua ajuda. – repeti, o mais alto que eu pude.
_ Ah, que pena, pensei que você tinha tido que não precisaria da minha ajuda. – falou ele divertido.
_ Joe, por favor. – pedi.
_ Não. – respondeu simplesmente.
_ Joe! – gritei.
_ Daqui a pouco eu volto. – falou.
_ Joe! – chamei, ele realmente iria me deixar naquele estado? _ Joe! – tornei a gritar. Nenhuma resposta.

Quem esse jardineirozinho esta pensando que é?! Como ele se atreve a me deixar assim?!
Pois bem, se é assim que ele quer.
Agora é guerra.


                CONTINUA...



Capítulo postado, espero que tenham gostado J
Não se esqueçam de comentar/avaliar
Bjss


Scarleet Santos: HAHA realmente, agora sim a fic vai esquentar. Muito obrigada por comentar. Divulgado J. Bjss
Yumi H. e Rafa S.: De nada linda, postado, eu espero que tenha gostado. Bjss.
Taynara Miranda: Fico muito feliz em saber disso :D. Muito obrigada por comentar. Bjsss

Comentario capítulo 07:

Juh Lovato: Realmente dá muita raiva, mas ainda tem muito mais, então se segura aí linda. Muito obrigada por comentar. Bjsss.

domingo, 2 de junho de 2013

8º CAPITULO “Olá princesinha” – Aprendendo a Amar





_ Você vai perceber que não. Deixe as coisas se acalmarem, você vai ver que tudo ficará melhor...

Grande dia! Hoje, definitivamente, é um grande dia. Após uma semana presa naquele hospital, eu, enfim, poderia sair. Eu já conseguia mexer minha perna esquerda, ela ainda doía um pouco, mas pelo menos eu já a movia e podia assim ficar de pé, apoiada a uma muleta, já que minha perna direita ainda estava na tala ortopédica, e assim ficará por pelo menos três meses.
_ Demetria minha filha. – chamou-me meu pai, todo feliz, ao entrar em meu quarto, da maneira mais escandalosa possível. Eu estava sentada em minha maca, eu já estava pronta para ir embora, nada extravagante, um short jeans e uma blusa regata branca, deixei meus cabelos soltos, pois eu ainda tinha algumas escoriações pelo corpo, e muitas delas estavam em minha face, por sorte não é nada que não saia com o tempo, porém são horrendas, a meu ver. Olhei-o de cima a baixo, sem entender o motivo da felicidade, eu sei muito bem que ele não esta feliz em me ver e até onde eu tenha percebido, não há nenhuma câmera ali para gravar esse momento, mostrando ao mundo. Portanto sua maneira de agir, realmente foi assustadora.
_ Você esta bêbado? – perguntei. Ele tinha os braços abertos, como se estivesse esperando meu abraço.
_ Que isso filha? Eu estou totalmente bem. – falou, abaixando os braços, ao perceber que eu não iria abraça-lo. _ Então... Preparada para a coletiva de imprensa? – perguntou todo animado. Claro que tinha alguma coisa.
_ Sabia que tinha algo de errado com sua chegada feliz. – falei, pegando as muletas, que estavam apoiadas na cama, pronta para poder partir.
_ Ei, calma aí Demetria. – disse ele, me impedindo de levantar. _ Vamos conversar um pouco.
_ Eu sei muito bem o que você quer, que eu tente limpar o nome da família. Tudo bem. – respondi.
_ Também... Mas há mais coisas. – falou. Tornei a deixar as muletas de lado e esperei que ele falasse. _ Bom, para o seu melhor conforto, como sei que você não vai querer voltar para casa, eu contratei um enfermeiro para cuidar de você, te dar toda a assistência necessária, enquanto você estiver com essa tala e também para continuar com a sua fisioterapia. – disse ele.
_ Mas não era Maria que iria ficar responsável a mim? – perguntei, eu estava esperando por isso, já que eu havia pedido a ela para que pedisse ao meu pai permissão para cuidar de mim.
_ Não, Maria tem que cuidar da nossa casa, tem Madison, não vai ficar ocupando o tempo dela com você. – falou, como sempre muito sutil. _ Mas fique tranquila, você irá gostar do enfermeiro. – finalizou.
_ Ok. Só isso? – perguntei.
_ Demetria, você realmente sabe o que você tem que falar para os jornalistas, não é? – perguntou.
_ Claro que sei. – respondi obvia. Saber eu sempre soube, resta saber se eu vou fazer.
_ Saiba que você passou dos limites desta última vez, caso você fizer alguma coisa errada, não terá perdão. – falou ele. Eu já tinha escutado esta frase tantas vezes...
_ Tudo bem pai. – respondei, tranquilamente. Ele que me aguarde...

(...)

Menos mal, a coletiva de imprensa seria feita no saguão do próprio hospital. Na bancada, eu meu pai e Dr. Cullen, qual deve ter recebido uma grande quantia em dinheiro para poder concordar com toda aquela mentira.
Meu pai era só sorriso e abraço, parecia um pai orgulhoso, que acabara de ver a filha ganhando uma medalha em alguma competição importante. Pura fachada.
As perguntas chegavam aos turbilhões, a maioria era dirigida a meu pai e ao Dr. Cullen. Eu esperei calma, ciente que logo chegaria a minha vez de falar. E sem duvidas eu iria falar. Tudo o que eu tenho vontade.
_ Senhorita Demetria! – chamou-me um dos repórteres, eu poderia reclamar pelo fato de ter me chamado pelo meu nome verdadeiro, mas naquele momento eu não faria isso, por um simples motivo...
_ Sim. – respondi.
_ O que a motivou a falar para seu pai continuar trabalhando ao invés de vir ficar ao seu lado no hospital? Você é filha dele e tem o direito de exigir sua presença, não é? – perguntou.
_ Bom... Essa é uma boa pergunta, porque, na verdade, eu nunca disse isso para meu pai. – falei, sem hesitar. Um murmurinho intenso começou no saguão. Dr. Cullen, que até agora seguia a mentira do meu pai, olhou-me assustado, e meu pai, bom... Meu pai estava prestes a me matar.
_ Senhor Lovato, o que você tem a dizer sobre a declaração de sua filha? – perguntou um dos repórteres, o murmurinho que havia se iniciado, após a minha fala, finalizou-se no mesmo momento, todos queriam escutar a resposta de meu pai.
_ Ela vem tomando alguns remédios muito fortes, isso pode afetar a memoria. – esclareceu. Todos olharam para mim, com se esperassem minha confirmação.
_ O meu caso não precisa de remédios para tratamento. – falei.
_ Ela não sabia que estava tomando esses remédios, eles são manipulados em sua alimentação. – meu pai contrapôs, imediatamente. _ Não é Dr. Cullen? – perguntou meu pai.
_ Claro. – limitou-se a responder. Ele parecia bem surpreso com minha atitude.
_ Senhor Lovato, sua filha esta com algum problema mental? – perguntou outro repórter.
_ São remédios para dores apenas, nada de mais, minha filha continua sã. – respondeu ríspido, meu pai estava vermelho de raiva. Provavelmente hoje é o dia da minha morte.
_ Senhorita Lovato, você se sente consciente neste exato momento? Você não acha um pouco abusivo estar passando por tais perguntas estando em um estado de dope? – perguntou outro jornalista.
_ Eu me sinto muito bem, eu estou em total controle do meu ser, não sei porque meu pai disse isso dos remédios, porque eu tenho certeza que não há nada disso. Enquanto a segunda pergunta... Eu já estou acostumada, sempre foi assim... – respondi. Eu ria internamente. Eu não olhei para o meu pai enquanto respondia, mas eu sei que ele deve estar em convulsão, só isso já me bastava.
_ Senhorita Demetria! – chamou-me uma jornalista. Sei que ela é do jornal na qual vi meu pai dizendo todas aquelas baboseiras. Ótimo – pensei. _ Você viu o que seu pai disse no nosso jornal? O que você tem a dizer sobre sua declaração? Ela é falsa ou verdadeira? – perguntou. Maravilhoso!
_ Por sorte eu cheguei a ver esse dia, pude ver a declaração do meu pai do inicio ao fim, e posso te garantir que ela foi falsa do inicio ao fim. – respondi.

(...)

Estávamos agora dentro do carro de meu pai, eu estava sentada ao seu lado, no banco de trás. Ele encerrou a coletiva após minha resposta e até o momento ele não falou nada comigo, nem um grito, nem uma agressão, apenas falava no telefone, parecia ser algo urgente, não pude escutar muito, apenas sei que ele parecia estar querendo a demissão de alguém ou trocar algum funcionário, não dei muita boa, pois o que estava realmente me matando era o fato dele não estar me xingando. Isso assusta um pouco, meu pai nunca foi controlado, não é agora que ele seria. Ele estava aprontando alguma coisa, e não era coisa boa.
Não estávamos mundo longe do meu apartamento, apenas duas quadras de distancia.
_ Eu posso saber que merda foi aquela? – berrou. Musica para meus ouvidos. Ele tinha tentado se controlar, mas eu sabia que uma hora ele iria explodir. O pobre motorista que foi pego de surpresa, com o susto deu um pulo do banco do motorista, para nossa sorte estávamos parado no sinal vermelho, pois, se ao contrario, provavelmente eu estaria preste a voltar para o hospital.
_ O que? – fingi de desentendida. Minha voz de sínica, apenas o fez piorar.
_ Não se finja de burra garota, eu sei muito bem que você não é, sua peste! – continuou a berrar.
_ Bom, eu resolvi falar a verdade. – dei de ombros.
_ Sua imprestável. – gritou e meu deu forte tapa na cara.
Eu estava esperando pelos gritos e pelos xingamentos, mas eu não estava esperando pelo tapa.
Não a primeira vez que ele me agredia, um tapa nem era tão ruim assim. Mas acho que pelo fato de eu estar alguns anos fora de casa, esqueci-me que ele pode ser bem violento quando quer.
_ Você vai se arrepender de me ter feito tudo aquilo sua inútil. É melhor você não precisar de mim para nada tão cedo. – gritou. Eu não respondi nada. Seu tapa doía em minha face, provavelmente estava vermelho. Meu pai é um monstro de tão grande, poderia ser apenas um tapa, mas para mim foi forte, muito forte. Eddie voltou a se calar, sua raiva tinha sido extravasada, pelo menos uma boa parte dela.


O motorista entrou no estacionamento de meu prédio. Saiu do carro, abriu a posta para meu pai e para mim, e também me ajudou a sair e me equilibrar na muleta.
Subimos pelo elevador, ao ritmo de um silêncio mortal, ninguém dizia nada, ninguém fazia nada, todos sabiam que um respirar muito forte poderia ser a faísca para explodir a bomba.

Último andar, cobertura. As portas do elevador se abriram e eu pude entrar em meu apartamento.
Lar doce lar.
Meu apartamento não é qualquer apartamento. Digamos que fui bem exigente na hora de escolher o que eu queria. A sala é gigantesca, com sofás bem confortáveis, e alguns pufs, um raque chique e moderno, em que se localiza uma TV 42’’ e um som bem potente, pronto para agitar minhas festas. No canto direito há um bar, com algumas bebidas. A típica cozinha americana, toda mobiliada, com o melhor e de mais moderno que se pode ter. Bom... A cozinha é meio abandonada, digamos que eu não sei fazer nada, apenas pipoca de micro-ondas. Três quartos, com suíte, com banheira, além das suítes ainda tem um banheiro, bem luxuoso. Camas Box de casal, em todos os quartos. Uma varanda com um vista fantástica para a melhor parte de Beverly Hills. Meu apartamento é bem iluminado e bem aconchegante, combina o clássico com o que há de mais moderno. Simplesmente perfeito.
 
O motorista deixou a minha mala, com as poucas coisas que eu tinha no hospital no chão, e foi para fora.
_ Espero que goste do enfermeiro. – desejou meu pai, saindo logo em seguida, virei-me em direção da porta, para poder o ver partir. Algo no tom de voz de meu pai me deixara preocupada, parecia ter um tom sínico e divertido. Nada bom. O que ele queria dizer-me com aquilo?
Assim que a porta se fechou eu tornei a olhar para dentro, meus movimentos estavam limitados, e seja lá quem fosse esse enfermeiro, é melhor que chegue logo, pois caso ao contrario, provavelmente minha mala ficará lá, no mesmo ponto que o motorista deixou, durante os três meses.
Comecei a “andar” até o sofá, a procura de descanso, mas antes mesmo de chegar ao meu destino, parei de imediato, pude repara alguém, jogado em meu sofá, não dava para ver muito, apenas parte de sua cabeça estava visível, no ponto em que eu estava no momento. Quem era aquela pessoa?
_ Seja lá quem você for, saiba que eu estou armada. – gritei, com medo de ser um ladrão. Eu sei que não estou armada, bom... Eu tenho uma muleta, e posso usa-la caso necessário. A pessoa que estava jogada em meu sofá deu uma gargalhada. Ok, isso já estava me dando medo. _ Eu não estou brincando. – gritei novamente, o medo já tinha tomado conta de mim, minha voz não convenceria nem mesmo a um cachorro filhote. A pessoa se levantou, estava vestido todo de branco, seria ele meu enfermeiro?
Não! Não! Não.
_ Jardineiro?
_ Olá princesinha. 

                CONTINUA...


Postado, espero que tenham gostado. Agora a historia vai começar a ficar mais interessante, assim espero.
Não sei que dia que eu poderei postar novamente, mas me deem um prazo até quinta J
Ah, outra coisa, decidi que será um fic mesmo, nada de mini-fic, não sei quantos capítulos terá, mas posso dizer que ainda vai demorar.
Não se esqueçam de comentar/avaliar
Bjssss.




Yumi H. e Rafa S.: Postado. Muito obrigada por comentar. Divulgado ;) Bjss
Sammara: Fico muito feliz em saber que você esta gostando. Muito obrigada por comentar. Bjss.

Silvia: Que bom que gostou, bom... Não sei se ajudei muito com esse fim, não mande a bomba ainda não haha. Muito obrigada por comentar. Bjss. 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

7º CAPITULO “Tudo ficará melhor” – Aprendendo a Amar


_ Wilmer. – interrompi-o. _ Não se pode sentir falta do que nunca se teve.

10 de dezembro de 2000
Poderia parecer um momento mãe e filha como outro qualquer, ambas se arrumando no quarto e conversando. Seria lindo se não fosse uma completa ilusão. Aquelas eram Diana e Demetria Lovato, claro que as duas juntas não estariam se relacionando com amor. Tudo bem que Demi estava fazendo o seu melhor para agradar a mãe, seus 8 anos de pura inocência ainda não a permitia enxergar o quão maligno aquele plano que ela fora designada a cumprir era. Os pais necessitavam de Demi para poder manter o nome da família limpa perante a sociedade e a impressa, e também para poder destruir com a vida daquele que ousou a suja-la. Ela não sabia, mas aquela seria a primeira vez de muitas, um ciclo de mentiras começaria ali. Um ciclo, vicioso e destrutivo.

_Você entendeu bem o que tem que dizer, não é? – perguntou Diana.
_ Mas isso é mentira. – protestou Demi.
_ Mas você terá que fazer com que pareça verdade. – disse Diana, enquanto ajeitava o vestido que escolhera para a menina. Um vestidinho branco, com delicados bordados de flores, na borda, combinada com um sapatinho de pequeno salto branco e uma tiara também branca, que se destacava entre a os cabelos lisos e pretos de Demi. Um verdadeiro anjinho.
_ Mas Maria me ensinou que não se deve mentir.
_ E você vai escutar Maria? Ela é apenas uma empregada, eu sou sua mãe, você me deve obediência. – falou Diana, já irritada com Demi.
_ Mas...
_ Cale-se. – interrompeu. _ Apenas faça o que eu te disse para fazer e no final você receberá o presente que você quiser, desde que siga todas as regras, entendeu Demetria? – Demi calou-se. _ Então vamos repassar a historia. – disse Diana, sentando Demi na cadeira de seu quarto e se pondo de pé frente a menina, se a intensão foi intimida-la, sem duvidas havia conseguido. _ Se te perguntarem o que você fez de errado, o que você responderá?
_ Que eu destruí todo o planejamento de trabalho dele enquanto brincava de tinta em seu escritório. – respondeu a menina, já querendo chorar. Sua voz saia como um fio e ela não conseguia olhar para a mãe, primeiro porque o olhar de Diana a intimidava e depois porque estava envergonhada por mentir.
_ Se te perguntarem se a foto que saiu de seu pai lhe agredindo é verdade ou não, o que você responderá?
_ Que é falsa, que meu pai nunca me agrediu, ele apenas brigou comigo e me pôs de castigo.
_ Se te perguntarem sobre o machucado em seu braço?
_ Eu direi que foi culpa do nosso motorista.
_ E se perguntarem o que aconteceu com o motorista que lhe machucou e porque ele te machucou?
_ Eu direi que ele era um péssimo motorista que ele sempre foi mal comigo, e que eu sempre tive medo de contar para vocês o que ele fazia comigo e só agora vocês o tinham descoberto e quando descobriram o despediram na hora.
_ Tem mais coisa...
_ Vocês ficaram chocados e muito preocupados comigo.
_ Mais...
_ Vocês me amam muito, jamais fariam ou desejariam mal a mim. – finalizou Demi.

Tudo aquilo era mentira, nem mesmo chegava perto de ser verdade.
Eddie em um dia de nervosismo se estressou com Demi, porque ela simplesmente lhe queria mostrar um desenho que havia feito na escola. Eddie explodiu, gritou com Demi e a agrediu fisicamente. Isso não era tão incomum assim, Eddie não tentava se controlar e nem escondia suas agressões a Demi quando estava em sua casa. Cansado de ter que presenciar tal covardia, Alexandre, motorista da casa, secretamente tirou fotos do acontecido, logo aquelas fotos foram parar para toda a imprensa. Eddie fora massacrado pelos jornalistas. Para limpar seu nome, Eddie inventou toda uma história que pudesse justificar todo o acontecido, inclusive a demissão de seu motorista.

As caras feias direcionadas à Eddie não podiam ser despercebidas, todos estavam com o mesmo pensamento, como um pai podia agredir uma menina daquela maneira?

Como se tivesse previsto, os jornalistas fizeram as mesmas perguntas que Diana havia feito Demi treinar para falar, poucas coisas foram mudadas e sempre que a menina dava sinais de que ia gaguejar ou não sabia como responder, Diana intervia e crescia a mentira.
Demi chorou e quase não tinha olhado para câmera, sentia-se envergonhada e muitos interpretaram aquilo como o medo que a menina tinha de seu motorista ou sua timidez de menina pequena.

Alguns acreditaram, muitos duvidaram, mas no fim o falatório mudou de “Eddie agrediu a filha” para “A filha Lovato é agredida pelo motorista”.
Alexandre nunca mais conseguiu um emprego descente...

(...)

_ Parabéns Demetria. Você fez do jeito que eu lhe pedi. – parabenizou Diana, assim que retornaram a casa. _ Pode pedir o que você quiser. Eu e seu pai lhe daremos o que você quiser. – Demi já não chorava mais, ainda estava triste, mas já havia se acalmado, afinal aquele torturante interrogatório havia acabado.
Demi pensou um pouco, dando tempo para que seu pai também entrasse na conversa, a menina estava indecisa sobre o que pedir, afinal de contas ela tinha tudo, os pais sempre a deram tudo, até mesmo o que ela não queria, menos um coisa...
_ Eu quero que vocês passem um dia todo comigo. – pediu, deixando que crescesse uma animação em seu coração, imaginar-se tento um dia igual as das amigas, com os pais, fazendo piquenique, indo ao shopping, assistir filme ou simplesmente conversando, isso nunca foi possível com Demi, mas ela sempre quis.
_ Não. – disse Eddie, sem pensar duas vezes. _ Não tenho tempo para isso, não agora. – O sorriso de Demi se desmanchou instantaneamente.
_ Talvez algum dia... – respondeu Diana, dando de ombros e deixando a filha sozinha junto ao pai, que nem mesmo prestava atenção na menina, mas sim na conversa que havia começado a ter no telefone.
_ Pai. – chamou Demi, com medo da reação do pai. _ Pai?
_ Espere um momentinho Demetria. – respondeu Eddie nervoso, com a intromissão de Demi. Com medo de novamente ser agredida, Demi calou-se. _ Daqui a pouco eu te dou atenção.
Esse “daqui a pouco” nunca chegou...

Naquela noite Demi choraria sozinha em seu quarto durante horas e prometeria ser forte e não que não se curvaria tão fácil aos pais. Levou alguns anos para que conseguisse cumprir sua promessa – pelo menos parte dela –. Não era de hoje que Demi sofria com a rejeição dos pais, mesmo pequena sabia que eles não iriam mudar, então por isso Demi decidiu mudar a si mesma.

Agora

Meu dia já estava péssimo, mas era claro que iria piorar.
Novamente fui despertada pelos enfermeiros de madrugada, mais torturantes seções de fisioterapia, e como se já não fosse tristeza de mais para só um dia, pela primeira vez, cumprindo uma promessa, lá estava ela, parada ao meu lado. Diana, a mulher que se diz minha mãe, demonstrando todo o seu “amor”. O grande e falso amor...


Ignorar sempre foi a minha melhor tática, isso não é fácil, principalmente se a pessoa na qual você esta tentando ignorar esta gritando bem ao seu lado. Se há uma coisa que eu odeio na minha mãe é isso, ela nunca fala comigo normalmente, ela sempre grita, a não ser, claro, quando ela precisa de um favor meu.

_ Você sempre dá um jeito de se superar, não é Demetria? – gritava Diana. Ela andava de um lado para o outro do quarto em que eu estou internada, eu não olhava diretamente para ela – o que a deixa mais irritada ainda -, mas de canto de olho podia ver seu descontentamento e desespero. _ Você sempre esta fazendo as coisas erradas, você nunca acerta nada, você quer destruir a nossa família! – acusou-me. _ Demetria olha para mim! Escute-me! – gritou. Virei os olhos. _ Tudo tem um limite e você já ultrapassou a todos!... Demetria. Olha. Para. Mim. – tornou a gritar, a contra gosto olhei-a. Fitamo-nos por um longo minuto, eu podia ver o fogo da raiva em seu olhar sobre mim, ela estava pronta para explodir... Eu só não sei se estava preparada para a explosão. _ Você faz ideia de quanto custou aquele carro? – perguntou. Inacreditável. _ Você faz ideia de que você destruiu um carro caríssimo? – continuava a me perguntar.
_ Ah desculpa, eu estou mais preocupada com minha perna, que eu não consigo mover! – gritei em resposta.
_ Você esta assim porque quer. – gritou ela. Normal, nem um pouco de preocupação. Eu estava fazendo fisioterapia, presa em uma cama de hospital e minha mãe estava preocupada com um carro caro, como se ela não tivesse dinheiro o suficiente para comprar toda a fábrica. _ Como você põe um carro daquele na mão de um qualquer?
_ O Travis é meu amigo!
_ Amigo. Grande amigo esse seu, não sabe nem dirigir... Não, pior, ele estava bêbado Demetria, bêbado!
_ Eu precisava voltar para casa, ok?
_ Porque você não chamou nosso motorista?
_ Talvez porque da última vez que eu fiz isso, você e o papai me xingaram falando que os empregados da família não podiam me servir, já que eu não morava mais na casa da família. – respondi aos gritos. Eu até poderia não ser inocente nesta historia, mas ela também tem culpa no cartório, eu não vou carregar esta cruz sozinha.
Diana ficou me olhando, ela estava ofegante, ela, todavia não tinha despejado toda sua raiva encima de mim, e sua raiva havia piorado após minha última resposta. Ela odeia que a contradiga.
_ Sabe de uma coisa Demetria? Você é um erro. Você é o erro em pessoa. – disse ela, agora ela não mais gritava, porém mostrava um nojo enorme, evidenciado pela sua expressão. Eu me senti um lixo.
_ Aé? Então vai lá para sua filhinha exemplar, a Madison! – gritei, tentando me defender. Meus olhos já ardiam.
_ A Madison é exemplar mesmo! – gritou de volta. _ Já você... Você não foi planejada, não foi esperada e muito menos desejada... E olha no quê que deu? Nisso!? Você não faz nada, uma inútil e ao invés de ficar quieta, não atrapalhar, você vai lá e faz uma merda atrás da outra! Arrependo-me do dia que eu resolvi deixar você viver! – gritou alto o suficiente para que todo o hospital escutasse.  
Eu já tinha me acostumado com a rejeição, tanto por parte materna como por parte paterna, os seus xingos e reclamações costumavam entrar por um ouvido e sair pelo outro, já não me atingiam, porém nunca, em todas as humilhações que eu já passei por parte deles, eu nunca passei por uma que fosse igual a essa.
Escutar sua própria mãe dizendo que se arrepende de não ter te abortado ou matado, isso é demais, até mesmo para mim que havia prometido a mim mesmo não me deixar abalar por nada que eles dissessem.
_ Sai daqui! – gritei o mais alto que consegui. Ela se assustou com minha agressividade. _ Sai! – gritei a pleno pulmões. _ Sai! – repeti, ela ficava me olhando com cara de espanto. _ Sai! – peguei o travesseiro de minha maca e a joguei, só aí ela reagiu.
_ Não destrua este quarto garota. – gritou ela.
_ Sai! – tornei a gritar. As lágrimas brotaram nos meus olhos e saíram descontroladamente face a baixo. _ Sai! – eu já nem tinha mais força para gritar, porém ainda sim continuei. _ Sai. – ela começou a se afastar à porta, e no mesmo momento a porta abriu, enfermeiros entraram e vieram para cima de mim, tentando me controlar. _ Sai! – pude gritar pela última vez, antes que ela saísse do quarto correndo.

No fundo eu acho que foi totalmente desnecessário, eu iria me controlar sozinha, mas os enfermeiros me sedaram a força.
Quando acordei, lá estava Maria, sentada a cadeira de visitas, ela, cansada, acabara cochilando, toda sem jeito na cadeira.
_ Maria? – chamei-a com cuidado. _ Maria? – tornei a chama-la após um tempo. Só aí ela começou a se despertar preguiçosamente.
_ Oh minha pequena Demi, você já se despertou. – disse, se recompondo. _ Eu nem percebi que dormir.
_ Maria? – chamei-a, ela me olhou com seus olhos ternos, ela já sabia o que eu iria falar. _ Você escutou o que ela me disse? – perguntei, minha garganta fechou-se.
_ Oh minha linda. – disse Maria, se levantando, para que ficasse mais perto de mim. _ Ela estava nervosa, pessoas nervosas dizem o que não deveriam. – tentou justificar.
_ Maria, não tente me consolar, Diana estava sendo 100% sincera comigo ao me dizer aquilo.
_ Você vai perceber que não. Deixe as coisas se acalmarem, você vai ver que tudo ficará melhor...
                CONTINUA...


Como prometido, postado, espero que gostem.
Não sei que dia voltarei a postar, mas posso garantir que será antes de domingo.
Não se esqueçam de comentar/avaliar
P.S.: No próximo capítulo já teremos um “encontro” Jemi no presente :D




Yumi H. e Rafa S.: Muito obrigada por comentar, bjss linda J