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domingo, 12 de janeiro de 2014

8º Capítulo “Curtição” – Entre o Céu e o Inferno





Música Curtição de Anselmo Ralph, sugestão da leitora Fátima

Demetria havia me apresentado a um paraíso do qual eu nunca tinha encontrado. Eu tinha tido a noite perfeita, a despedida perfeita.
Ah sim, eu quase havia me esquecido, isso era uma despedida.

_ Geralmente é o homem que faz isso. – falei. Eu ainda estava envolto pelas cobertas, agora totalmente amaçadas. Demetria já estava totalmente vestida, apenas calçava seus sapatos. Ela parou e olhou-me sorrindo.
_ Acredito que você não vai querer largar seu próprio quarto de hotel só para se livrar de uma garota, então acho que a função de fugir hoje será minha. – respondeu divertida.
_ Eu não ligo se você quiser passar a noite inteira aqui.
_ Eu já passei a noite inteira aqui, já são quase duas da manhã, eu não sei se você se lembra, mas eu tenho uma filha me esperando em casa. – disse.
_ Isso significa de que há poucas horas eu estarei voltando para meu estado. – falei sem muita animação. _ Sua filha vai sempre estar aqui com você, eu não, eu deveria ter preferencia. – sorri. Demetria jogou uma almofada em mim. Rimos.
_ ótima linha de pensamento. – ironizou. _ Ainda sim, tchau. – disse. Levantei-me e agarrei-a.
_ Pensa que vai ser fácil assim se livrar de mim? – perguntei, nos beijamos. O beijo ficava mais quente e mais quente, eu já estava nu e não seria nada trabalhoso despir Demetria novamente.
_ Tome um banho de água fria. – disse, separando nossos lábios.
_ Eu duvido que você realmente queira isso. – pisquei.
_ Eu querendo, ou não, é isso que vamos ter. – deu-me um selinho. _ Quando você irá sair do hotel? – perguntou.
_ Ás 8 da manhã. – respondi.
_ Talvez eu venha me despedir. – disse.
_ Eu ainda acho que você pode ficar. – falei.
_ Eu prefiro voltar. – outro selinho e soltou-se de mim. _ Até mais tarde Joe. – falou, pela primeira vez chamando-me pelo meu apelido.
_ Até mais tarde Demi. – despedi-me, chamando-a pela primeira vez pelo seu apelido.


(...)

Assim que Demetria foi embora, tomei um banho relaxante, por um momento eu tinha me esquecido novamente sobre a confusão que eu tinha arrumado.
Eu não tinha mais como fugir, eu me casaria com Rachel, mas como eu faria para arranjar desculpas para poder voltar a Las Vegas? Não seria justo nem a Rachel nem a Demi viver uma vida dupla. Mas eu não tenho coragem de dizer adeus a nenhuma das duas.



_ Como foi sua noite? – perguntou Nick, assim que chegamos ao café da manhã. Minhas malas já estavam prontas e assim que tomássemos nosso desjejum partiríamos para o aeroporto. 
_ Boa. – “até demais” pensei, mas claramente não me atrevi a dizer. Hoje eu não estava com muita fome, por mais relaxado que tenha sido o banho e por mais que eu tenha dado um cochilo antes de descer, tranquilo era a última coisa em que eu estava, e alguma coisa me dizia que se eu tentasse engolir algo mais que a xicara de café que estava na minha mão agora, eu provavelmente iria vomitar.
Exagero? Bom... Talvez seja exagero... Pra você, claro. Eu não fui criado para lidar com situações como essa. Até um tempo atrás eu poderia narrar toda a minha vida, mesmo a parte futura dela, simplesmente olhando para meu pai, que fez o mesmo seguindo os passos do meu avô, que provavelmente seguiu os mesmos passos de meu tataravô e assim por diante.
_ E como foi com a garota? – perguntou. Nicholas parecia despreocupado, botava praticamente tudo o que via na frente em seu prato. Fui para a mesa, ignorando sua pergunta, e só Edgar já estava lá, comente ovo mexido e bacon, com um suco de laranja. Nicholas sentou-se do meu lado e insistiu na pergunta.
_ Bem. – respondi, olhei para a xicara e naquele momento nem ela parecia muito segura a meu estomago mais. Kevin chegou do nada e assim como Nicholas tinha pegado uma variedade grande de alimentos, só que em quantidade bem maior. Todos olhamos para seu prato, que mais parecia uma montanha de alimentos.
_ Que foi? Nosso último dia aqui, eu tenho que aproveitar a refeição. – deu de ombros ‘enfiando a cara’ na comida com vontade.
_ Sabe galera, o Joe estava me contando aqui como a garota reagiu bem à notícia que era a outra. – falou Nicholas, algo em seu tom de voz tinha mudado, como se ele estivesse começado a ficar um pouco irritado. _ Eu não estendo essas mulheres de hoje, não se dão a respeito mais. – completou. Eu queria dar um soco na cara de Nicholas por falar assim, ele não conhecia a Demi, não sabia o seu valor, não sabia nada sobre ela, ela não é uma vagabunda.
_ Mas temos que pensar que quem enganou ela foi o Joe, não foi ela que correu atrás. – disse Edgar, só para piorar meu estado de espirito.
_ Eu sei, mas eu acho estranha essa tranquilidade dela, nem um tapa básico deu ou choro, um escândalo, você sabe, coisas que mulher traída faz.
_ Talvez ela estivesse doida pra se livrar de Joe, ele deve beijar mal pra caramba, ela ficou foi aliviada de saber que nunca mais teria que encontrar esse baforudo. – disse Kevin, como sempre muito brincalhão.
_ Antes de tudo, eu não tenho bafo e depois ela ficou um pouco triste. – tentei defender-me.
_ Ah! É mesmo? – perguntou Nicholas com um tom agudíssimo de ironia na voz.
_ Até chorou. – tentei me mostrar mais convincente.
_ Claro. Quem não choraria? – Ele ainda usava um tom de ironia na voz.
_ Aconteceu alguma coisa? – perguntei dirigindo-me diretamente a ele. _ Porque você está agindo desta maneira?
_ Eu estou agindo normalmente Joe, só estou aliviado de saber que agora tudo foi esclarecido. – agora ele parecia normal. _ Você vai voltar para sua cidade, para a sua mulher e amanhã nós estaremos em seu casamento, comemorando sua realização matrimonial.
_ Que seja.  – falei sem saber o que realmente estava acontecendo. Mas seja lá o que fosse, eu não estava gostando.

(...)

Café terminado, eu voltei para meu quarto e apenas peguei minhas coisas e desci para o saguão. Fui o primeiro a chegar, ainda nervoso deixei minha mala perto do balcão de recepção e fui em direção da saída do hotel, no meio do caminho encontrei Nicholas indo em direção ao quarto.
_ Pensei que você estivesse se aprontando para ir. – comentei.
_ Sai rápido para comprar alguma lembrancinha para os parentes. – deu de ombros. _ Toma aqui. – disse dando-me uma caixinha pequena. _ Fique tranquilo, não tem nada que evidencie que é de Vegas, dê a Rachel. E isso aqui. – disse pegando uma sacola. _ Espero que sua mãe goste. – falou.
_ Obrigada cara.
_ É o mínimo que eu podia fazer.
_ Você já fez bastante, só por me trazer aqui. – falei, sem entendê-lo.
_ Espero que você continue com esse pensamento depois. – disse, deixando-me sozinho, sem oportunidade de dar uma resposta, se é que saberia o que dizer.


Continuei indo para fora e logo pude ver Demi, ela estava escorada em uma das pilastras na entrada do hotel. Sua expressão não era feliz, talvez ela estivesse sentindo o mesmo que eu... Ou não.
_ Demi, como você prometeu, aqui está você. – falei aproximando-me dela. Ela continuou da mesma maneira, não reagiu. _ Aconteceu alguma coisa? – perguntei, ao vê-la daquela maneira, ela estava de cara fechada, séria, parecia querer me ignorar. _ Demi?
_ Porque você veio a Las Vegas? – perguntou, seu tom era sério.
_ Você já sabe. – falei. Demi continuou em silêncio. _ Para a despedida de solteiro. – continuei. _ Do meu amigo. – completei de sobre salto.
_ Seu amigo? – pela primeira vez olhou-me e me arrependi disso, ela estava amarga, eu podia sentir um fogo, mas não de paixão ou excitação, mas de puro ódio. _ Ou seria a sua despedida de solteiro? – cruzou os braços no peito.
_ Demi, olha...
_ Não me chame de Demi. – interrompeu-me. _ Por quê? – perguntou. _ Isso é um tipo de jogo? Meta?
_ Não, Demi, digo, Demetria.
_ Eu me abri com você. – ela estava quase gritando. _ Eu confiei em você, eu contei sobre o tinha me acontecido, porque você quis continuar ainda? Porque você não foi pra outra com um histórico menos...
_ Me deixe explicar...
_ Você um merda. – gritou, apesar de cedo, já havia um fraco movimento pela rua e todos pararam instantaneamente para ver quem gritara.
_ Vamos conversar.
_ E assim que você vai começar um casamento? – ela não parecia me escutar, ela estava decidida a gritar para o mundo o quão idiota ela achava que eu era, e talvez eu realmente fosse. _ Mentindo? E o que você iria fazer depois em? Até onde você pretendia levar essa história? – continuava a gritar.
_ Se acalme. – pedi, alterando-me um pouco, todos paravam para olhar.
_ Você engana a todos assim é? Quantas outras você conheceu por aqui? Qual número eu sou? – perguntou.
_ Demetria, por favor...
_ Como será quando sua noiva descobrir? Utah certo? Ia ser bem legal se eu chegasse lá, não? – perguntou. Ela estava me... Ameaçando?
_ Você não se atreveria. – falei.
_ Ah não? O que me impede agora? – enfrentou-me. Ela olhava-me com pura raiva, nunca tinha visto uma mulher daquela maneira. Sabe o olhar de Marissa, que havia me irritado tanto ontem? Pois eu sentia falta dele agora.
Continuei a fita-la e só então percebi que ela não estava falando mentiras, ela realmente queria ir para Utah com o intuito de atrapalhar meu casamento.
_ Você nem sabe onde eu vivo.
_ E se eu tiver descoberto?
_ Você não...
_ Lewis. – disse. Senti meu coração dar um tranco _ Amanhã, às sete da noite. Igreja Batista de Lewis. – falou, ela agora parecia ter ficado triste, mas eu ainda podia ver a raiva em sua voz.
_ Você queria o que em? – perguntei. Eu tinha consciência que já tinha estragado tudo e que agora, mais que nunca, eu só tinha uma alternativa, fazer com que Demi nunca mais quisesse chegar perto de mim, nem mesmo com o intuito de me destruir, causar-lhe-á nojo, mais do que já esta sentindo, de mim. Por mais que me doesse, eu tinha que acabar com aquilo agora, se eu quisesse salvar meu casamento, aquele era o momento. _ Você acha que eu iria querer largar tudo por uma stripper endividada, com uma mãe doente e com uma criança a tira colo? – perguntei tentando parecer enojado com a situação, as minhas palavras pareceram logo fazer efeito em Demi.
_ Você...
_ Você acha que em algum dia alguém vai querer algo serio com você? – continuei com a minha estratégia de magoa-la, mesmo que isso doesse também em mim. Cada palavra que saia da minha boca era um soco que eu levava bem na boca do estomago. Demetria calou-se, sem respostas, sem reação. _ Acorda garota. Volta para o seu drogado, é só ele que um dia vai querer algo com você, outro nunca terá nada com você, nada serio pelo menos.
_ Pois seja lá o que aconteceu, acabou é passado. – disse, tentando se reerguer. _ Ela não merece isso.
_ Não venha se fazer de vitima. Nem tente falar que eu te magoei. Você nem mesmo sentia algo por mim de verdade, não é você que sempre foi arredia? Que não acreditava em ninguém, agora você vem e age como se cresse em mim? Me poupe. Ninguém obrigou a ninguém.
_ Você não é mais criança para saber que o que você fez é errado, você não está enganando só a mim, também está enganando a sua mulher, não venha colocar a culpa em mim. – gritou de volta. Aproximei-me mais de Demetria e entre dentes falei:
_ Vai para o seu homem, que eu iriei para a minha mulher, fica com o seu homem, que eu iriei ficar com a minha mulher, ame ele, porque eu vou amar a minha mulher, da maneira que ela merece. – acrescentei. _ Trate-o bem, ou não, se quiser, que eu iriei tratar a minha mulher como a rainha que ela é. Porque ela não se esfrega pra ninguém, nem se exibe.
_ Você criado em um lugar tão religioso. – começou a dizer, por um momento estranhei ela saber sobre a cultura religiosa de Lewis, mas eu estava tão estressado com as minhas palavras a Demi e tão magoado por saber que ao contrário de mim, Demetria queria dizer tudo o que ela estava dizendo que acabei ignorando naquele momento. _ E faz coisas como essa. Que Deus lhe perdoe.
_ Ele irá me perdoar, por eu nunca mais vou pensar em olhar para alguém como você. – falei. Novamente Demetria se calou, nenhuma reação dela, agora era o meu momento. Minha cartada final. _ Foi apenas uma Curtição.
CONTINUA

Final nada feliz esse em? Bom, ainda sim espero que vocês tenham gostado.
Não esqueçam de comentar/avaliar.
Bjssss

Kika: kkkkk Ainda bem que você me perdoou né? \O/ Não se se você vai gostar tanto desse, mas espero que goste pelo menos um pouco. Obrigada por comentar. Bjssss
Natalia_lovato: Aparente meu computador resolveu me deixar na mão bem nas minhas férias, injusto, mas pelo menos agora está tudo bem ;) eu nem estou comentando no seu blog ( alias nem no seu nem no de ninguém L) mas assim que eu estiver com os capítulos todos em dia eu voltou ok? Obrigada por comentar. Bjsss
Samara: Meu Deus, eu juro, você me deu um susto e tanto, por um momento eu realmente pensei que você não tinha gostado o_o Provavelmente eu continuarei a demorar, mas não vou ficar mais tanto tempo igual antes. Obrigada por comentar. Bjsss
Karol Rodrigues: Fico feliz que tenha gostado, bom tudo pode acontecer agora, isso só vamos ver nos próximo capítulos ;) . Obrigada por comentar. Bjsss

Silvia: Tudo bem, eu também não estava comentando mais na sua fic, peço desculpas, foi a correria do fim de ano e o problema no meu computador, eu vou voltar a ficar realmente ativa no blog, de nada você sempre estará na minha lista de quem repassar os selos J Obrigada por comentar. Bjsss

sábado, 4 de janeiro de 2014

7º Capítulo “Crazy for love” – Entre o céu e o inferno

Divulgação









Música Crazy for love do Never Ilic feat. Zie, sugestão da leitora Silvia

Uma dança, uma conversa e um beijo. Isso foi o precisou para que eu estivesse completamente fixado em Demetria, o inferno parecia me consumir quando eu não estava perto dela. Talvez eu estivesse louco, e Demetria fosse a minha droga, mas também meu tratamento.


_ Joe, cara, onde que você passou o dia ontem? Eu e o Kevin ficamos te procurando o dia todo! – reclamou Nicholas. Assim que eu apareci para tomar café da manhã.
_ Eu estava por aí. – dei de ombros, pegando um pedaço de bolo e uma xicara de café com leite.
_ Por aí onde? – perguntou enquanto enchia o prato e torradas e após pegar um potinho de geleia de goiaba.
_ Por aí. – limitei-me a responder. Peguei duas panquecas e coloquei no meu prato e como cobertura, eu escolhi o de Nutella. Satisfeito com a quantidade de alimento, fui sentar-me junto aos outros, Nicholas veio logo atrás e continuava a tentar descobrir onde eu estava. _ Eu não entendo o porque de tanta implicância, você, o Kevin e o Edgar saem o dia inteiro, por acaso eu sou obrigado a ficar no hotel? – perguntei um pouco bravo.
_ Não é nada disso cara. Eu venho para Las Vegas pelo menos duas vezes ao ano, o Edgar já veio aqui varias vezes, assim como o Kevin, você é a primeira vez, se você se perder, vamos ser obrigados a procurar a policia e se envolvermos policia nisso sua família toda vai descobrir que você não estava indo para uma viajem de trabalho, mas sim para uma despedida de solteiro na cidade do pecado. – justificou-se.
_ Eu estava com alguém que conhece a cidade. – confessei. Todos pararam o que estavam fazendo e olharam para mim.
_ Você por acaso conhece essa pessoa? – perguntou Kevin.
_ Conheço. – tentei defender-me, tecnicamente eu não estava mentindo.
_ Joe, eu nunca pensei que ia querer isso. Mas, essa pessoa é um homem, não é? – perguntou Nicholas. Eu hesitei.
_ Joe, você irá se casar. – disse Edgar.
_ Eu sei disso, vocês já podem parar de me lembrar. – reclamei.
_ Olha aqui, você que foi idiota e pôs o anel no dedo daquela mulher, agora honre. – falou Nicholas.
_ Disse o homem que me pagou uma dança de stripper para mim. – Retruquei.
_ Uma coisa é uma mulher dançar pra você, outra bem diferente é você sair com uma, enquanto está prestes a se casar. – contrapôs.
_ Você fala assim como se eu tivesse transado com ela.
_ E você transou? – perguntou.
_ Não. – respondi. Todos respiraram aliviados juntos, parecia até que tinha sido algo ensaiado. _ Só beijei.
_ O que?
_ Joe, não.
_ Você só pode estar brincando com a nossa cara! – todos tornaram a ficar tensos.
_ Eu sei o que eu estou fazendo, e hoje mesmo eu vou esclarecer tudo para ela. – falei. Meu coração se apertou só de pensar na reação de Demetria, eu torcia para que ela não estivesse sentindo por mim o mesmo que eu sinto por ela, pois se sim, eu estaria a machucando mais uma vez. Ao mesmo tempo, também torcia para que ela estivesse sentindo o mesmo que eu, pois queria poder aproveitar o dia com ela.
_ Simples assim? – perguntou Kevin
_ Simples assim. – confirmei.
_ Hoje mesmo. – confirmou Nicholas.
_ Hoje mesmo. –confirmei com um nó na garganta.



10 da manhã. Eu não parava de pensar, o que eu estava fazendo? O que eu quero no final das contas? Eu não quero largar Demetria, mas eu não posso deixar Rachel. Eu não tinha muito tempo para me decidir, na verdade, eu não tinha o direito de me decidir... Só me resta uma única opção: Aproveitar o meu último dia com Demetria.


Podia até mesmo ser um déjà-vu, o mesmo caminho, a mesma decoração, novamente o pouco movimento – talvez fosse típico do horário. – e lá estava Marissa no balcão, limpando-o, assim como no dia anterior. Ainda esta cedo e Demi só chegaria a, aproximadamente, meia hora.
Aproximei-me do balcão, Marissa instantaneamente me olhou, porem desta vez me atendeu com simpatia.
_ Em que posso ajuda-lo? – perguntou.
_ Eu quero falar com o dono do estabelecimento. – pedi. Marissa olhou-me como se não tivesse me escutado direito.
_ Aconteceu alguma coisa? – perguntou depois de uma pausa. _ Tem certeza que não podemos resolver seu problema? – perguntou.
_ Não, não aconteceu nada. Eu só quero falar com ele. – falei.
_ Qual o assunto? – perguntou, agora ela já não estava mais tão gentil como antes.
_ É particular. – respondi.
_ Vou perguntar se ele poderá lhe atender. – disse e entrou por uma porta. Alguns minutos depois ela voltou com uma cara carrancuda. _ Ele irá lhe atender. – disse. _ Só uma coisa... Eu não sei quem você é, mas se você fizer alguma coisa para machucar a minha amiga você vai se arrepender amargamente, eu não vou deixar que ela sofra novamente. – disse, eu fiquei mudo, ela poderia ser apenas uma mulher, ser mais baixa que eu, não ter uma aparência muito forte, mas sem duvidas me causou medo, seu olho demonstrava toda uma raiva que eu nem mesmo sabia que podia existir em uma pessoa.
_ Eu... É... – eu tentei defender-me, mesmo sabendo o final dessa história.
_ A Demetria parece confiar em você e isso é algo que ela não fazia já faz um bom tempo, seja lá o que você fez com ela, trate de concertar.
_ Mas... Eu... Eu não...
_ Me poupe da sua gagueira. – disse interrompendo-me novamente. _ Ela pode lhe achar diferente, você pode dizer que é diferente, mas eu só consigo ver um belo de um mentiroso na minha frente. – disse. Não falei nada. Ela estava certa afinal. Marissa abriu um compartimento na bancada do balcão. _ Entre por essa porta. – apontou. _ no canto direito você verá uma escada, suba ela e você vai entrar em um corredor, siga o corredor até o final, é a última porta. – falou a contra gosto.

Entrei pela porta e dei de cara com a cozinha, cheia de grandes panelas, fritadeiras, o lugar era quente e mesmo com apenas uma janela, não muito grande, era bem iluminado, mas isso parecia piorar a situação, já que juntava o calor do fogo com o calor das lâmpadas; subi as escadas de ferro, os degraus não eram muito espaçados, eu subia quase que usando as pontas dos pés, a todo o momento parecia que eu iria cair, não havia corrimão e isso é aumentou meu medo, tive que me escorar na parede, para tentar manter-me equilibrado, assim que a escada acabou dei-me de cara com o corredor, não era muito grande, tinha apenas umas duas salas, um do lado esquerdo e o outro do lado direito, o do lado direito tinha uma pequena placa escrito “banheiro de funcionários”, na outra porta não tinha nada escrito, assim como ela disse, no final do corredor estava o escritório, bem na porta estava grudado adesivos que, acredito que deveria dizer “Senhor P. Gomes” porem, como estavam descascados se lia “ennor P Gumes”. Bati na porta com três toques rápidos.
_ Pode entrar. – escutei uma voz um pouco rouca gritar. Abri a porta, que rangeu como aquelas portas de filmes de terror, minha primeira impressão do lugar foi um caos, ao contrario da parte do bar, o lugar não era muito limpo, ao contrario da cozinha, não era muito iluminado, além disso era abafado, tinha apenas um ventilador de teto ligado, rodando em uma velocidade muito baixa, porem fazia um barulho indicando que em algum ponto ele estava bambo, mais velocidade e ele cairia, a mesa tinha uma pilha de papeis, um armário de ferro no canto estava amaçado e enferrujado, podia ser ver que algumas bolsas e mochilas estava, por lá, um rádio estava ligado baixo, e tocava um música country na qual não reconheci, pela fumaça que saia de uma cinzeiro ele estava fumando ou tinha apagado um cigarro a pouco tempo. Assim como Demetria havia dito ele tinha uma grande careca e cheirava a nicotina, ele era bem gordo e dava para escutar sua respiração alta e difícil, provavelmente a combinação de obesidade com o vicio em cigarro não fez muito bem a seu coração e pulmão. _ Pode se sentar, meu caro. Em que posso lhe ajudar? – disse e sorriu, sua voz era bem rouca, mas ainda sim forte, deu para ver seus dentes, que eram bem arrumados e grandes, seriam perfeitos e de dar orgulho ao seu dentista se não fossem tão amarelados. Sentei-me na cadeira que até que era bem confortável, era apenas aquelas cadeiras de escrivaninha, em que eu lembro-me bem de adorar ficar rodopiando quando era menor.
_ Eu gostaria de saber qual é o preço de uma funcionaria. – perguntei sem saber se minha fala tinha feito sentido.
_ O preço de uma funcionaria? – perguntou, era claro que eu não tinha explicado de uma maneira compreensível.
_ O dia dela, se eu tirasse uma funcionaria do senhor por um dia, quando você me cobraria? – perguntei.
_ Me desculpe meu jovem, não vedo funcionarias. – disse.
_ Eu sei, eu só quero levar uma delas para sair hoje, mas ela não irá se estiver trabalhando e quero pagar o dia dela para que o senhor a dispense por hoje. – expliquei-me.
_ Isso não é possível. – falou.
_ É sim. – contestei. _ Basta o senhor querer.
_ Você por acaso pensa que essa lanchonete é uma baderna em que qualquer um entra e leva quem quiser? – perguntou.
_ Não senhor, é o meu último dia aqui em Vegas, eu só queria me despedir da maneira adequada.
_ Você ainda é jovem pode voltar mais vezes... – deu de ombros. Ele não parecia muito aberto a conversar. _ Se for apenas isso, por favor, se retire. – falou, pegando uma carta e abrindo-a, logo vi que era uma conta e me lembrei de algo importante que poderia ser minha cartada final.
_ Eu fiquei sabendo que sua mulher estourou o limite do cartão. – falei, Gomes tirou seu olhar da conta a sua frente e olhou-me nervoso, porém não disse nada. _ Eu posso pagar para você... Se você me liberar sua funcionaria, claro. – disse. Gomes ficou calado por um instante.
_ Não seja bobo, nem mesmo sabes quanto que é.
_ Então me diga quanto. – falei. Gomes jogou a conta na mesa e se debruçou um pouco na mesa afim de se aproximar de mim. _ Pagamento em cheque, cartão ou dinheiro? – perguntou.

(...)

Em apenas algumas horas eu havia aprendido valiosas lições.
1º Nunca dê um cartão para sua mulher, não se você quiser que seu salario dure mais de uma semana.
2º Quando se trata de esperar por Demetria, meia hora pode ser tornar tão longas quando 30 horas.
3º Um olhar nervoso de uma balconista é muito constrangedor. Principalmente se ela tiver certa.



Quando Demetria entrou na lanchonete meu coração disparou, eu não sabia como ela iria reagir. Ela poderia ficar feliz, pois teria o dia de folga, mas também poderia ficar bem nervosa.
Quando ela já estava perto do balcão eu a alcancei. Ela olhou-me surpresa, mas logo sorriu.
_ Você pretende me encontrar todos os dias aqui? – perguntou.
_ Se eu pudesse; Sim. – respondi.
_ Bom, fico feliz em te ver, mas agora eu não lhe darei atenção. – disse.
_ Me dará sim.
_ Ei, é hora do meu trabalho, mas tarde conversamos e você poderá me levar para onde você quiser.
_ Você tem o dia livre hoje. – falei, pegando-a pelo braço, delicadamente, já que ela tinha dado menção de ir para o balcão.
_ Eu não tenho dias livres. – respondeu.
_ Agora tem, e será hoje. – insisti. _ Falei com seu chefe, pode perguntar para ele. – Demetria me olhou por um tempo, sem dizer nada, mas pela sua expressão eu podia ver que ela não estava tão feliz assim.
_ O que você fez? – perguntou com uma falsa tranquilidade.
_ Eu apenas pedia a seu chefe um dia de folga para você. – respondi.
_ Você é idiota? – perguntou, engoli o seco, eu claramente não a conhecia, eu tinha a esperança de ganhar um “muito obrigado” ou talvez um beijo, um abraço, na pior das hipóteses, mas um “Você é idiota?” não estava nos meus planos. Demetria revirou os olhos, ao ver-me paralisado. _ Quanto você deu a ele para que me liberasse? – perguntou.
_ Eu paguei o cartão que a mulher dele estourou. – disse, cada palavra saia um volume a baixo da primeira, enquanto a cada palavra o rosto de Demetria ficava mais vermelho de raiva.
_ Você é mais idiota do que eu pensava.
_ Eu só quero passar um dia especial com você. Eu volto para Utah de madrugada.
_ Você pode voltar depois, Utah não é tão longe assim, só algumas horas de carro. – disse. _ Você está agindo como se fosse uma despedida. – falou, mal sabia que realmente era uma despedida. Ela olhou para minha feição – que era a mais triste possível. – e pareceu se acalmar instantaneamente. _ Você está doente? Tipo estado terminal? – perguntou claramente preocupada.
_ Não. – respondi um pouco assustado.
_ Porque é uma despedida? O que aconteceu? – perguntou.
_ Eu não disse que é uma despedida.
_ Mas também não disse que não é. – contestou instantaneamente.
_ É que eu não poderei vir aqui tão frequentemente, só isso. – disfarcei.
_ Por quê?
_ Trabalho, eu trabalho muito. – menti. Ela suspirou, não pareceu acreditar em mim. Alguns segundos – torturantes. – se passaram antes que ela reagisse novamente.
_ Onde você pretende me levar hoje? – perguntou, não com muito gosto, mas ainda sim eu sorri, teríamos o nosso dia juntos.
_ Você gosta de uma pitada aventura?

(...)

_ Ai meu Deus, isso está ficando muito alto. – berrou ela. Demetria me agarrava com todas suas forças, eu mal conseguia respirar, eu não sabia que ela tinha tanta força nos braços, mas se pensar bem, o fato dela fazer pole dance, sua força nos braços era inevitável. Ela parecia uma criança com medo. _ Tem certeza que esse cara sabe pilotar essa coisa? – perguntou.
_ Sim, ele é profissional nisso. – respondi pela terceira ou quarta vez.
_ Mas e se batermos em um fio elétrico?
_ Estamos mais altos de os fios, você não vê?
_ E se um avião nos atingir?
_ Estamos fora da rota de aviões.
_ Fique tranquila moça, na altura em que estamos se cairmos, ainda temos 7% de chances de sobreviver. – falou o balonista. Demetria olhou-o apavorada.
_ Sabe de uma coisa? Eu pensei que você era mais corajosa. – falei.
_ Eu sou corajosa. – tentou defender-se e soltou-me. Respirei fundo, não por tedio ou por tristeza, mas sim porque agora meus pulmões estavam livres para se expandirem. _ Eu só nunca voei de balão antes e da TV não parece ser tão alto assim. – disse olhando para a imensidão a nossa volta.
_ Você conhece Las Vegas muito bem, acho que essa era a única maneira de te impressionar. – dei de ombros. Las Vegas é bonita, olhando de baixo, mas inexplicável, olhando de cima, seus grandes cassinos, prédios, o Lake Las Vegas, as montanhas pelo horizonte e o deserto bem ao longe...
_ Eu nunca vou entender porque você faz isso por mim. – disse ela, enquanto admirava a paisagem.
_ Você nunca acredita quando eu tento lhe dizer. – reclamei.
_ Me conhece há alguns dias, você esta apaixonado por mim e hoje, provavelmente, será a nossa última vez juntos. – observou.
_ Eu não queria que você olhasse por esse ponto. – falei.
_ E por qual ponto você quer que eu olhe? – perguntou, olhando-me.
_ Eu quero que você pense que eu te fiz feliz.
_ Você não percebe que é esse o exato problema? – perguntou. _ Você me fez feliz.
_ Eu pensei que esse era o ponto positivo.
_ Seria, seria o ponto positivo se fosse durar. Amanhã eu terei que acordar e viver minha vida como se nada tivesse acontecido. Quando eu, enfim, acho alguém que parece valer apena investir, isso acontece. – disse injuriada, meu coração foi aos pedaços, eu estava louco por Demetria e ela também estava por mim, ela estava se abrindo para mim, só para que no final eu lhe dê uma facada.
_ Isso também é difícil para mim. – falei. _ Eu não gostaria que isso terminasse assim.
_ Desculpe te desapontar, mas a vida não é o conto de fadas que você idealiza. – disse. _ Essa é minha vida, nunca tive muita sorte mesmo. – Demetria aproximou-se mais do canto da cesta e observava a paisagem a baixo, porém agora não havia mais o brilho em seu olhar, aquele paraíso a nossos pés não a encantava mais, até mesmo por mim passava despercebido.
Eu estava perdendo o controle, se é que eu tive algum desde que encontrei Demetria. Eu sentia como se ela tivesse sido o motivo pelo qual eu acordava todos os dias, era como se o destino, Deus ou o grande azar de Demetria para o amor, tivesse me feito especialmente para ama-la. Eu queria pega-la pela mão e fugir com ela, para outra cidade, estado, país, continente, se fosse necessário, eu não queria que nada fosse capaz de nós separar. Eu estava com medo que ela me deixasse, eu não poderia contar para ela. Não, eu a amo!
_ Eu voltarei por você, eu sempre voltarei para você. – aproximei-me dela, peguei seu rosto e a beijei.


O caminho de volta para o hotel, para meu quarto pareceu ser de poucos centímetros, nem mesmo sei como chegamos lá, mas nem mesmo me importava, o importante era que ela estava ali, comigo, seminua em minha cama.
Apesar de ter hesitado no começo, - repetindo a todo o momento que não era o tipo de mulher que dava para o primeiro homem que a prometesse amor eterno – ela estava totalmente solta e relaxada, gemíamos de prazer, e eu já não tinha mais nenhuma duvida, eu estou louco de amor. Louco de amor por Demetria.

CONTINUA

Antes de tudo, peço desculpas por ter ficado tanto tempo sem postar, várias coisas aconteceram no final de ano, computador estragou, fiz apresentações de natal, no ano novo fiquei responsável por varias coisas, já que minha família iria se reunir aqui em casa, eu não tive tempo para muita coisa, e não ajudou muito eu ter ficado para recuperação. Graças a Deus passei de ano e nesse ano farei o 3º ano e ENEM, já peço desculpas, porque claramente terei que estudar bastante e isso atrapalhará na fic. Não pretendo para de postar, pelo menos não agora, mas se no futuro eu ver que não dará mesmo, talvez eu sinta obrigada a dar um tempo por aqui.
Bjsss

Carine Santana: Hahaha sem duvidas, ele nem mesmo se lembra mais da Rachel direito, desculpe pela demora, muito obrigada por comentar. Bjsss
Kika: Que bom que você gostou, desculpe pela demora a postar, muito obrigada por comentar. Bjsss
Shirley Barros: Você pode pensar em pedir pra alguém te ajudar, a te manter no caminho ;) desculpa pela demora a postar. Bjsss
Lααrıı: Divulgado, linda, Desculpa pela demora a postar. Bjsss
Maria Carolina: MUITO obrigada pelo carinho.  Eu vou em BH, minha cidade :D aqui não tem setor é só comprar o ingresso e chegar mais cedo para tentar pegar a grade ;). Desculpa pela demora a postar. Bjsss
Mayla: Perdeu a cabeça mesmo, agora vamos ver o que ele fará. Tenho 17 anos ;)
Anônimo: Não tem mais como colocar músicas, as sugestões já se encerraram, mas eu pretendo fazer isso novamente, fique esperta e peça como sugestão, ok? Muito obrigada :D
Samara: Muito obrigada pelo carinho, espero que tenha gostado deste capítulo também, desculpa pela demora a postar. Bjsss
Lulli Lovato: Seja bem vinda Lulli, muito obrigada pelo carinho, desculpa pela demora a postar. Bjsss
Polly Louvain: Pode deixar, volta aparecer por lá, desculpa pela demora a postar. Bjsss


sábado, 7 de dezembro de 2013

6º Capítulo “First Time” – Entre o Céu e o Inferno





Música First Time do Jonas Brothers, sugestão de um leitor anônimo.


Um beijo. Era só isso que eu queria, e eu podia ver que ela queria isso também.
Centímetros, milímetros nos separava, eu podia sentir sua respiração quente em minha pele. Meus pensamentos que me condenavam pela minha ação não podiam me atrapalhar agora, nada poderia nos atrapalhar, a não ser, ela.
_ Vamos atravessar? – disse cortando o clima, ela olhava para baixo, não me deixava fazer contato visual. Eu não respondi. Atravessamos a rua em silêncio, e assim fomos por alguns minutos.
_ Já decidiu para onde quer ir? – tentei quebrar o silêncio.
_ Me desculpe. – pediu. _ Tente me entender. É o melhor para nós dois. – falou, eu não queria admitir, mas ela, mesmo que sem saber, estava totalmente certa. _ Daqui a dois dias você irá embora, tudo vai voltar ao normal, você irá para seus clássicos da Disney e eu voltarei para meu drama mexicano. – rimos.
_ Eu que peço desculpas. Eu prometi para você amizade, te pedi um voto de confiança e, digamos que eu queria ultrapassar os limites da amizade. – falei.
_ Sem problemas. – continuamos a andar, passamos direto da frente da casa de Stripper e consequentemente do hotel em que eu estava hospedado.
_ A sua amiga não gostou muito de mim, não é? – perguntei.
_ Minha amiga?
_ É, aquela, é Marissa o nome dela, não é?
_ A Marissa é minha amiga de infância, ela sabe toda minha história, e sabe muito bem meu dedo podre pra homens. Ela não te odeia, ela só é um pouco protetiva.
_ Ela acha que eu vou te machucar? – perguntei.
_ Não. – aliviei-me. _ Ela tem certeza. – olhei-a e ela sorriu. _ Você que perguntou. – disse levantando as mãos se mostrando inocente.
_ Tudo bem, e você irá escuta-la? – perguntei.
_ Eu devo? – perguntou.
_ Provavelmente.
_ Você pelo menos é sincero, isso lhe torna mais confiável que os outros.
_ Você por acaso já teve muitos? – perguntei.
_ Dois. Um você já sabe a História.
_ E o outro?
_ Conheci assim como eu conheci você, na casa de strippers, ele me prometeu me tirar daquela vida, mas no final das contas eu percebi que ele estava mais interessado em uma escrava sexual que uma mulher. – resumiu.
_ Eu posso te garantir que não é essa minha intensão. – ela apenas sorriu em resposta. _ Você ainda vê o pai da sua filha? – perguntei. Demetria continuou em silêncio. Arrependi-me instantaneamente.
_ Sim. – respondeu.
_ Você ainda o ama? – Demetria hesitou.
_ Eu não o odeio, mesmo depois de tudo. – falou, não havia felicidade em suas palavras.
_ Se ele quisesse voltar, você voltaria?
_ Não. – respondeu sem ponderar. _ Eu não vou dar mais murro em ponta de faca, já cansei de me machucar.
_ Sem duvidas é o mais certo a se fazer. – concordou apenas com um aceno com a cabeça.
_ É aqui que eu fico. – disse, parando em um ponto de ônibus.
_ Pensei que íamos sair. – indaguei.
_ Eu não sei se você escutou bem a parte de que eu tenho uma filha. – contestou.
_ Ela não está com sua mãe? – perguntei.
_ Não, ela esta com uma vizinha minha, é uma idosa que ama crianças, mas isso não significa que eu vá explorar dela. – falou.
_ Mas...
_ Olha...
_ Não. – interrompi. _ Olha você... Eu quero conhecer sua filha. – falei, ela ficou calada.
_ Você o que?
_ Quero conhecer sua filha.  – repeti.
_ Olha, eu te contei toda minha vida, eu estou conversando com você, mas eu não irei te colocar na minha casa, nós acabamos de nos conhecer, eu não sei quem você realmente é. – falou.
_ Eu não sou nenhum ladrão, nem mesmo um tarado ou psicopata.
_ E quem pode me confirmar isso?
_ Você pode simplesmente confiar em mim.
_ Sem querer ofender, mas eu não costumo ter muita sorte nesse assunto, eu não posso confiar em você. – eu respirei frustrado.
_ Você pode ir a policia procurar minha ficha criminal, você verá que ela está limpinha. – falei.
_ O do meu patrão também está, e digamos que ele já derramou mais sangue do que tem no total de estoque de doação aos hospitais.
_ Seu senso de humor é bem questionável. – falei. Demetria riu.
_ Tudo bem, você tem vinte minutos para me levar onde você quer me levar e me fazer confiar em você. – propôs. _ Após esses vinte minutos nós veremos o que acontecerá.



Vinte minutos, era tudo ou nada. Minha cabeça procurava alguma coisa, algo... Preciso fazer algo.
Se eu estivesse em Utah eu a levaria em uma das suas praças ou talvez em um bar, quem sabe em um dos seus charmosos restaurantes, se fosse em Lewis eu a levaria a cabana de Lia, um restaurando chique até demais para a cidade, tinha até mesmo aparecido na TV uma vez, mas não, eu estava em Las Vegas, não conheço nada de Las Vegas e não ajuda nada o fato de ela já conhecer aqui.
Demetria me olhava com o olhar de vitória, era claro que ela estava se divertindo com isso, ela sabia que ia ganhar.
_ Você não faz ideia para onde me levar, não é? – perguntou. Confirmei. _ Quando você está disposto a gastar comigo? – perguntou.
_ Pensei que não fosse mulher de se importar com dinheiro.
_ Pensou errado, hoje estou afim do torrar a grana de um homem. – riu.
_ Você está abusando da minha amizade. – brinquei.
_ E você da minha boa vontade. – retrucou. _ Você pode me levar para o seu hotel se você quiser. – falou, eu hesitei. _ Eu não irei para cama com você, eu não sou assim. – deixou claro. _ Você tem cara de ser rico, aposto que seu hotel é um luxo. – concluiu.
_ Tem um casino lá dentro, acho que as lembranças não lhe farão bem.
_ Você tem intensão de jogar até ter que vender até a roupa do corpo? – perguntou.
_ Eles não deixam apostar dinheiro, só fichas. – respondi.
_ Você fala assim como se as fichas não fossem compradas com dinheiro. – deu de ombros.
_ Eu não sou muito chegado em jogos. – falei.
_ Seus minutos estão passando. – falou.

(...)

_ Bem conveniente. – disse Demetria, assim que chegamos ao hotel. _ Despedida de solteiro com o hotel na frente de uma casa de strippers.
_ Foi bem conveniente para mim. – Demetria riu.
_ Você é sempre assim tão bobo? – perguntou.
_ Se eu falar que sim, você vai confiar em mim? – ela apenas riu em resposta.
_ Você já foi ao topo desse hotel? – ela perguntou sorrindo, assim que passamos pela porta, ela não me olhava, estava olhando para o teto, que tinha sanca com imagens de anjos esculpidos em dourado. 
_ Não. – respondi sem entender o porquê da pergunta.
_ Eu fico impressionada com vocês, ricos. – disse como se ela estivesse se referindo a pessoas de outra espécie. _ Se hospedam em um hotel caríssimo e cheio de coisas lindas para se ver, mas mal saem do quarto.
_ E você por acaso já foi lá? – perguntei.
_ Sim, meu pai me levou lá, ele queria fazer minha festa de sweetsixteen* no lugar em que tivesse a melhor vista para toda Las Vegas. – falou. _ E de acordo com ele a vista deste hotel é incomparável. – eu podia ver o sorriso dela enquanto falava do pai.
_ E sua festa foi aqui? – perguntei.
_ Eu não sei como as coisas funcionam no seu mundo de fantasia, mas no meu, quando se é filha de uma babá e de um pai mecânico que gasta tudo o que ganha com jogos, não há como gastar vinte mil só para alugar um lugar para uma festa. – falou, apesar o fato ser triste, ela não parecia decepcionada, parecia até mesmo levar na brincadeira.
_ Isso foi horrível por parte do seu pai, lhe fazer visitar lugares para sua festa e depois não fazê-la.
_ Meu pai antes de tudo era um sonhador, ela tinha realmente esperança de ficar rico jogando, talvez ele pensasse que conseguiria me dar uma festa se ele tivesse um dia de sorte na mesa de jogo. – disse. _ Mas sabe de uma coisa? Eu, meus pais e meus três melhores amigos, sentados naquela lanchonete, empanturrados de batata frita e sanduiches, gargalhando enquanto tomávamos o nosso Sundae, é uma das melhores recordações da minha vida. Eu nunca precisei mais do que aquilo. – sorriu.
_ Eu acho que eu nunca vou lhe entender.  Você é realmente tão conformada com as coisas que te acontece? Você não se revolta pelas coisas que você não teve? – perguntei.
_ Ficar revoltada não vai me ajudar muito.
_ Ou você simplesmente resolveu esconder tudo?
_ É assim que você pretende me conquistar? – perguntou.
Para mim ficou obvio naquele momento, ela se esconde.

(...)

_ Wow. – o topo do hotel era simplesmente incrível. Era totalmente espelhado e com o sol já posto se podia ver todas as luzes de Las Vegas brilhando. O vidro da janela era perfeitamente cristalino, produzia a ilusão que não havia nada entre o espectador e a paisagem, que era capaz de dar vertigem até mesmo quem não tinha medo de altura. Não tinha muitas pessoas por lá, apenas um casal de adultos que estavam sentados um sofá de três lugares, de couro preto.
O piso era de mármore branco, de tão limpo chegava a brilhar. Um grande lustre de cristais iluminava bem no centro do salão, no canto direito havia um pequeno bar, em que se via varias qualidades de bebidas, alcoólicas ou não, maquinas de café, balinhas e biscoitos doce em vasilhames de vidro.
_ Sinto muito pela sua festa não ter sido feita aqui. – falei. _ Iria ser uma festa linda.
_ Não sinta. – pediu educadamente. _ Não tome a dor dos outros, não faz bem. – olhei-a, mas ela não pareceu perceber, ela olhava fixamente para frente, para o lado de fora.
_ Eu disse isso por...
_ Educação. – interrompeu-me. _ Eu lhe agradeço por isso. – ela ainda não olhava para mim. _ Eu e as meninas que trabalhamos na casa de strippers, em uma tentativa de divertir um pouco no trabalho costumamos observar os nossos clientes. – falou olhando para mim pela primeira vez desde que chegamos ao salão. _ Avaliamos como seria ele na vida pessoal. _ Na maioria das vezes eu falo que são fracassados, que provavelmente são péssimos de cama, que vivem bêbados, ou que são homens que se acham de mais, chatos e arrogantes. – riu fraco. _ Eu nunca avaliei um homem bem. –fez-se silêncio.
_ Posso saber qual é minha avaliação? – perguntei.
_ Mistério.
_ O que? Não quer me dizer? – perguntei sem entender.
_ Não, não é isso, você é um mistério. – explicou. _ Você não parece fracassado, nem mesmo arrogante, bêbado, e não parece ser um broxa. – falou. Eu gargalhei, e ela me acompanhou logo após. _ Você é um mistério, tem algo em você que o torna confiável, que o torna diferente, que me faz gostar de estar do seu lado, de conversar com você, de ter coragem de me abrir com você, mas há algo, algo que eu não sei explicar que me diz “afaste-se”. Você é muito perfeito.
_ Isso é um problema?
_ Sim. – respondeu e tornou a olhar para frente. _ Eu não acredito em perfeição. – falou.
_ Eu não sou perfeito. – falei.
_ Eu sei. – disse.
_ Você deveria enfrentar esse seu medo. – falei tocando em sua mão, ela pareceu bem surpresa com minha ação.
_ Eu não sei de que medo estais falando.
_ Do seu medo de se apaixonar.
_ Eu não tenho medo de me apaixonar – defendeu-se.
_ Então o que lhe impede de se apaixonar por mim agora, nesse momento? – perguntei. Demetria olhou para baixo. Quando tornou a olhar para mim ela parecia distraída, como se nem mesmo me visse em sua frente, tinha um sorriso fraco de iluminava seu rosto e certo brilho no olhar.
_ 6ª Sinfonia de Beethoven. – sussurrou. Eu nem mesmo tinha percebido, mas embutidas no teto havia caixas de som que tocavam não muito alto alguma música. _ Foi umas das musicas dançada pelas bailarinas no dia que meu pai me levou para ver o espetáculo. – disse e seu sorriso aumentou. _ 14 minutos de pura magia.

Peguei a mão direita de Demetria e pus em meu ombro esquerdo, ela me olhou como se tivesse acabado de acordar de um sonho, eu ainda segurava sua mão direita.
_ Eu não sei dançar balé. – falei. _ Mas sei dançar um pouco de valsa. – falei e comecei a guia-la pelo salão. _ Imagine que essa é a sua dança de Sweetsixteen. – falei, Demetria fechou os olhos e instantaneamente começou a sorrir. Ela parecia leve e feliz e eu me derreti mais ainda, eu provavelmente me odiaria pelo que eu estava fazendo, mas eu estava apaixonado por Demetria, não mais pela mulher sexy ou pelo prazer que ela poderia me dar, mas por Demetria em si, a cheia de azar, a que tem medo de se apaixonar, por aquela que agora com um sorriso no rosto imaginava algo que não teve, enquanto eu a guiava ao som de Beethoven. Eu a beijei, Demetria não se afastou, apenas se entregou, correspondendo aos meus movimentos, já não dançávamos, estávamos lá, apenas sentindo um ao outro, a música ainda tocava de fundo, mas só o beijo nos importava naquele momento. Assim que separamos os nossos lábios, segurei o rosto de Demetria, com cuidado para não machuca-la. _ Vamos brindar a uma boa vida. Deixe-se ir e liberte sua mente, deixe a batida dessa música ser seu destino. Não se prenda mais, bem aqui e agora é onde deveríamos estar. Faça parecer como a primeira vez.

*Sweetsixteen: É a festa de 16 anos para americanos e canadenses, que equivale a de 15 anos, aqui no Brasil. É a festa mais importante para as garotas.
CONTINUA

Bom galera, esse foi o capítulo de hoje, não foi o melhor da fic, mas espero que tenham gostado. Boas noticias, dia 16 entrarei de férias e isso significa de terei mais tempo para escrever, assim postarei mais rápido, e também voltarei a comentar nas fics, coisas que eu parei por motivos de tempo.
Não se esqueçam de comentar/avaliar.
Bjsss

Kika: Muito obrigada. Minha mãe me deu o sound nessa semana, isso que dizer que eu vou entrar mais cedo e terei mais chances de ficar bem perto da grade, então estou mais ansiosa ainda :D Eles realmente foram burros, mas fazer o que? Quem sabe eles resolvam voltar um dia, pelo menos para uma apresentação especial, sei lá, tipo, comemoração de sei lá quando anos de criação da banda... Eu não sei, espero que façam algo juntos no futuro... De nada, você mereceu o selinho... Muito obrigada por comentar. Bjsss
Shirley: Fico muito feliz em ler seu comentário, muito obrigada mesmo pela compreensão e pelo apoio. Hahahaha suas ideias são muito boas mesmo e não acredito que não tens boas ideias para suas próprias fics, aposto que se eu ler vou adorar, mande o link? Só terei tempo para ler quando entrar de férias, mas se já quiser mandar ;) Muito obrigada por comentar. Bjsss
Mayla: Agradeço muito por você ter tirado um tempinho para ler minha fic. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Yumi H e Rafa S: Olá, senti sua falta aqui no blog, se bem que eu também não estou mais tão presente no seu :\ desculpe-me. Muito obrigada pelo selinho e por comentar. Bjssss

domingo, 1 de dezembro de 2013

5º Capítulo “Fly with me” – Entre o Céu e o Inferno


Venho informar que o capítulo anterior foi escrito com a ideia dada pela leitora Shirley Barros. Obrigada. 




Música Fly with me dos Jonas Brothers, sugestão da leitora Beatriz Carolina

Aos poucos Demetria foi abaixando a guarda, relaxando, e me dando a chance de conhecê-la um pouco melhor, não só a parte ruim, mas também a parte boa.
Quando mais ela falava, mas eu começava a admirá-la, não só pela sua clara beleza, ou por ela ter a capacidade de passar de mulher sexy para uma mulher bonita, mas também pelo fato de ser uma lutadora.
Nossas vidas são completamente diferentes, nós não vemos o mundo com os mesmo olhos.
Eu nasci em uma família estruturada, a única pessoa que me entreguei de corpo e alma nunca tinha me decepcionado, meus familiares eram todos saudáveis, meu trabalho era o que eu queria, meus problemas parem pó perto dos problemas dela, porém, mesmo assim, ela se mostra tão forte quanto eu, se eu passasse por ela na rua, jamais pensaria que ela tem uma história tão penosa.
Eu queria poder saber o que é viver a vida dela, queria saber o que é enfrentar as suas dificuldades, queria poder ver o mundo pelo seu ponto de vista. Parece algo bem retardado de ser querer, principalmente quando se lembra que a história é triste, mas eu queria poder entender seus medos e preocupações, queria poder entender de onde ela tira a força para continuar tão viva e iluminada, mesmo a com a escuridão lhe atormentando, eu queria poder saber o que eu devo fazer para que ela esqueça do passado e que acredite só mais uma vez.
_ Meu horário já deu, preciso ir trabalhar. – anunciou ela. Eu mal tinha visto o tempo passar.
Ela começou a se levantar da mesa.
_ Ei, espere. – pedi. _ Você sai a que horas? – perguntei. Ela sorriu tímida.
_ Pensei que você havia dito que desistiria de mim quanto lhe contasse minha história. – falou.
_ Acho que não foi o suficiente ainda. – falei, levantando-me também. Ela revirou os olhos.
_ Saio às seis.
_ Você me permitiria que eu lhe levasse para um jantar, como amigos. – deixei claro.
_ Não. – respondeu.
_ Não?
_ Eu tenho uma filha para criar.
_ Leve-a também, eu adoro crianças. – na verdade eu nunca tinha me relacionado com crianças, nem mesmo meu irmão mais novo, quando ele nasceu eu estava na pré-adolescência, eu poderia muito bem ter ajudado a cria-lo e a educa-lo, mas preferi deixa-lo para lá, eu tinha mais o que fazer da vida, nunca cuidei dele nem mesmo um dia em toda sua vida. Nem mesmo sei se um dia eu já tinha carregado um bebê no colo.
Demetria riu como se eu tivesse acabado de falar a maior besteira. Depois olhou para mim e tornou a ficar seria.
_ Você não estava brincando, não é? – perguntou.
_ Não, eu não estava. – respondi. Ela suspirou.
_ Olha, você é legal, você realmente me surpreendeu, mas...
_ Amizade. – lembrei-a, ela hesitou.
_ Isso não vai funcionar.
_ O que você tanto teme? – perguntei. _ Eu não sou igual aos outros.
_ Você mesmo disse que já decepcionou alguém que amava. O que te diferencia então? – perguntou.
Touché, no que eu era diferente? Demetria viveu rodeada por homens com vícios, em jogos, drogas, homens que a olhava apenas com segundas intenções, homens que a tratavam como objeto. Eu não queria Demetria só para ir para cama, pelo menos não nesse exato instante, não posso negar, as fantasias que me passam pela cabeça só de relembrar dos momentos naquela casa de stripper não são nada puras, mas eu queria conhece-la ainda mais, queria ajuda-la, queria poder fazê-la realmente feliz. Eu queria estar pra sempre com ela, estar do lado dela me fazia bem. É algo extranho nem mesmo com Rachel eu me sentia assim, eu tinha duvidas, o para sempre com ela não era algo que me deixava animado, mas com Demetria era outra coisa.
_ Nada. – respondi. Demetria pareceu surpresa com minha resposta, provavelmente ela esperava alguma promessa, ou que eu dissesse algo ao meu favor, mas eu fui sincero.
_ Eu menti quando disse que te achei chato desde o primeiro momento. – falou ela, após um tempo de silêncio. _ Você é legal, é bem melhor que eu esperava. – disse com um meio sorriso na cara.
_ Isso significa que você vai sair comigo hoje? – perguntei.
_ Isso significa que há uma possibilidade.
_ Eu estarei aqui as seis para te buscar. – insisti. Demetria riu e abaixou a cabeça. Eu estava indo rápido, mas eu não tinha o tempo a meu favor.
_ Eu tenho certeza que estarás. – disse ela, se afastando.
Eu não podia ver se ela estava feliz ou não, uma barreira tinha sido construída ao seu redor, ela tinha um claro medo de se entregar e eu estou consciente disso, mas uma parte de mim me dizia que de alguma maneira ela estava tentando deixar-me entrar em sua barreira. Eu não era um viciado em jogatina, nem mesmo um drogado, mas eu também machucaria seu coração. Eu não merecia a sua confiança, mas lá estava ela, atrás do balcão; amarrando o seu avental vermelho, com uma imagem um pouco brega ou infantil demais para meu gosto, – de uma xicara de café branca com uma carinha feliz, e com bracinhos, um deles estavam levantados e sua mão fazia um joinha para cima, chegava a ser cômico, de baixo tinha o dizer Cafeteria Lopes. – Ela me olhava, assim que retribuí seu olhar ela sorriu. Eu correspondi.

(...)

Eu não deveria estar fazendo isso, o tempo todo eu tentei me distrair, esquecer, eu poderia perder a hora, podia fingir que nada tinha acontecido, ia ser o melhor para ela, ia ser o melhor para mim, ia ser o melhor para Rachel. Eu já tinha ido longe demais, continuar por esse caminho era contra tudo aquilo que eu tinha sido criado para.
Não pense.
Não pense.
Lembre-se: Escute o diabinho.
Não pense.
Haja.


Cinco de cinquenta e três, lá estava eu, mais uma rua eu atravessava, duas lojas me separavam da lanchonete que Demetria trabalha, eu estava perto, mas ainda havia tempo para dar a volta e esquece-la.
Joseph, não pense.
Não pense.

Meus passos começaram a ser mais lentos, como se minha mente estivesse automaticamente tentando me fazer voltar a trás.

O lado de fora da cafeteria estava cheio de gente, na sua maioria adultos, casais, as cadeiras de madeira, o muro natural, as luzes da cidade que começavam a sobressair, a partir do momento que o sol ficava mais baixo no horizonte, fazia um clima um pouco chique e talvez até mesmo romântico, não era algo como os filmes, mas tinha um charme.
Entrei no bar tentando parecer normal, meu coração batia a mil por hora, eu estava louco para poder vê-la novamente e mais a adrenalina de saber que o que eu estava fazendo era errado não ajudava muito nesse momento.

A cafeteria não tinha mudado em nada, o que é obvio, a não ser o fato de agora ter muito mais pessoas, e de que o cheiro de café havia amenizado, dando espaço ao para o cheiro de assados. Um grupo de jovens reunidos em uma mesa fazia barulho um pouco exagerado...
Quando encontrei Demi, ela estava tirando os pratos e copos de uma mesa que havia acabado de desocupar, ela estava tão distraída que nem me percebeu, nem mesmo quando eu estava do seu lado, ela passou por mim como se eu fosse qualquer um.
Cheguei a pensar que ela tinha desistido de me dar uma oportunidade, mas assim que ela saiu da parte da cozinha, já sem nenhum prato ou copo na mão, parou de trás do balcão ela me olhou. Eu sorri medroso, se ela tornasse a me ignorar...
Espere... Foi o sinal que ela fez com a mão.
Meu sorriso aumentou instantaneamente.


_ Então, onde você quer que eu te leve? – perguntei, agora estávamos saindo da cafeteria, Demetria estava do meu lado, parecia um pouco cansada, mas ainda sim parecia feliz, não estava tão arredia a mim. Ela estava me deixando entrar.
_ Eu pensei que você iria me fazer uma surpresa. – disse e sorriu.
_ Bom, você conhece Las Vegas melhor que eu, eu realmente não faço ideia de onde te levar. – ri tímido. Demetria parou e olhou para mim.
_ Eu menti para você – falou. _ Na verdade, não foi uma mentira, eu só escondi um fato. – corrigiu-se. _ Eu conheço Utah. – falou. Eu respirei aliviado, sua pausa me sugeriu que ela escondia algo bem mais grave. _ Minha mãe nasceu lá, eu já fui lá quando eu era bem pequena, eu devia ter uns... Seis anos. – tornarmos a andar. _ Aparentemente a família da minha mãe queria fazer um casamente arranjado, ela não aceitou e fugiu, quando descobriram que minha mãe tinha se casado e tido uma filha eles meio que a deserdaram, e as coisas não ficaram muito melhor quando descobriram que meu pai era um viciado em jogatina e que eu me perdi na vida. – falou.
_ Você ainda tem tempo de se reencontrar. – falei.
_ Eu gosto disso em você. – falou, olhei para ela sem entender. _ Você já eu um homem, mas ainda tem um pouco da criança interior, o que acredita no amor, que acha que mudar de vida é algo fácil, que confia nas pessoas, não as juga na primeira impressão. – falou. _ Nós crescemos de maneira bem diferente e isso fica obvio quando eu observo você. – concluiu.
_ Eu posso te ensinar a ser assim como eu. – falei. _ Eu posso ser seu Peter Pan e você minha Wendy. – ela gargalhou.
_ Perdoe-me se estou a destruir sua infância, mas Peter Pan e Wendy não existem, são apenas parte de uma história para crianças. – falou.
_ Nós podemos então fazer esta história se tornar real. – falei.
_ Você só tem mais dois dias aqui, não faça promessas.
_ Eu não estou fazendo promessas. - paramos no sinal.
_ Dois dias é muito pouco tempo.
_ Então vamos para o tempo.
_ Isso é impossível.
_ O impossível é questão de opinião.
_ Isso não tem lógica.
_ Você tem medo. – falei. Ela não disse nada, ela sabia que eu estava certo. _ Nós já passamos muito tempo um longe do outro, mas agora nós estamos exatamente no lugar em que precisamos. Um do lado do outro. – ela sorriu.
_ Joseph...
_ Não. – falei interrompendo-a. _ Não me negue um sim. – aproximei-me mais dela, o sinal ficou verde para os pedestres, mas nós não nos mechemos um centímetro, nós estávamos apenas olhando um para outro, fixados. _ Apenas voe comigo.
CONTINUA

Por favor, não me matem, vocês não sabem o quanto eu estou mal por só estar postando agora, eu realmente não estou conseguindo conciliar meu horário, minha vida está meio desastrosa com essa confusão e isso está claramente influenciando negativamente o blog, eu não irei desativa-lo nem exclui-lo, mas é mais que obvio que agora as coisas serão assim, demorarei a postar, não porque eu goste, eu amo postar e ver as suas reações, seus comentários, ver o blog crescendo, amo poder ler a fic de vocês e comentar, mas realmente está difícil para mim, peço mil perdões.
Bjsss

Kika: Eu vi!! Perfeito!! Tipo quando eu vi pela primeira vez eu nem acreditei, é o clipe mais diferente dela, aí eu fiquei maltratando o replay hahahaha. Eu consegui e minha mãe também comprou o sound pra mim, eu tó tão feliz, ela disse até que ia comprar o meet, mas só que esgotou antes que pudéssemos comprar, mas ainda sim, eu tó muito feliz, mas posso esperar pelo dia. Eu realmente espero que ela faça um tour por aí, ela vai muito pouco a europa, eu tenho certeza que ela iria gostar de fazer shows por aí. Bjsss
Shirley Barros: Pois é, estou usando sua ideia mesmo, agradeço muito pela sugestão, sempre que você quiser dar ideias será muito bem vinda. :D Awn você me deixa muito feliz por isso, não sabe como fico feliz por fazer um capítulo onde você goste. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Estela: Concordo plenamente, muito obrigada pelo selinho. Muito obrigada por comentar. Bjsss
Duda Marques: Awn sua linda, você que é fofa, eu também amo suas fics. Awn você também conseguiu ingresso? Que legal! Eu vou no de BH. Muito obrigado por comentar. Bjsss
Lali: Tudo bem linda, eu também estou devendo comentários na sua fic na verdade estou devendo comentários em todas as fics que leio :\ , mas muito obrigada mesmo pelo carinho. Muito obrigada por comentar. BJsss