sexta-feira, 4 de agosto de 2017

15. O Primeiro dia de aula.

Capítulo em homenagem ao grande cantor Chester Bennington e ao meu grande amigo Haroldo. Que vocês estejam ao lado de Deus.



                É um novo dia, o primeiro dia de aula. A diretora já terminou seu discurso e todos se dirigem para suas respectivas salas. Tudo parece normal. Os alunos se reencontram pelos corredores, os professores passam novas matérias... Após as férias conturbadas, a vida parecia ter voltado no eixo para os nossos quatro personagens.
                Para Lucas tudo estava bem, ele iria conversar com o delegado logo após a aula e durante a noite voltaria aos negócios com Rebecca. Rafael tinha dobrado seu pai, que acreditou em sua história e sua mãe não negou quando foi questionada pelo marido, ela inclusive começou a agir menos fria com o filho, para não mais despertar a curiosidade do homem. Rebecca economizava o que tinha ganhado no clube de Virginia, e considerava retornar ao local quando fosse maior de idade, ela não sabia se conseguiria comprar seus materiais escolares, pagar a mensalidade e todas as contas da casa com o dinheiro, caso não consiga, ela tentará recorrer a Lucas ou a Sara, mas ela tem esperança de conseguir lidar com isso sozinha, o pai parece estar melhorando, bebendo menos, talvez ele logo se reerga e volte a sustentar a casa. Sara tinha se livrado dos enjoos, e agora conseguia fingir melhor que nada tinha acontecido. Talvez o desaparecimento de Heitor a ajude, assim ela tem certeza que ele não contará nada. Ela tinha começado a tomar o pó que Eleonora tinha lhe dado no dia anterior, e estava confiante de que Ricardo nem mesmo desconfiaria sobre sua gravidez. Enfim, tudo estava dando certo.
                Durante o intervalo Rebecca e Sara conversaram, nenhuma das duas falou nada sobre seu segredo e isso ficou claro, pois ambas não pareciam tão à vontade na conversa, elas se comunicavam genericamente, o assunto ‘férias’ foi veemente evitado. Ricardo e Rafael também se falaram, o transexual se animou ao perceber que o amigo estava tentando se reaproximar dele, pois desde que brigara com Linda, se sentia muito sozinho e mesmo sentindo que sua amizade com Ricardo era superficial, ele aceitaria isso de bom grado.
                A manhã passa, o primeiro dia de aula termina e a realidade volta a bater na porta de alguns. Lucas corre para se encontrar com o delegado, ele sabe que o homem cobrará muito por menor que seja o serviço, por isso, antes de encontra-lo, ele passa no banco e tira a maior quantidade de dinheiro permitida, um pequeno rombo em sua conta bancaria que deverá ser preenchida mais a noite. Sara e Rebecca vão saindo juntas do colégio, mas a supervisora chama Rebecca antes que ela possa colocar o pé na rua.
                – Vá lá, eu te espero. – Sara diz simpática. Rebecca assente.
                A garota é levada ao escritório da supervisora, que parece desconfortável em dar a notícia.
                – Sinto muito por lhe chamar aqui para abordar este assunto, mas já tentei fazer contato com seu pai por inúmeras vezes e não obtive nenhuma resposta, está tudo bem com ele? – ela pergunta e Rebecca começa a ficar nervosa com a situação, parece ser algo sério e ela teme que isso a obrigue a revelar o falimento de seu pai.
                – Ele estava um pouco doente, mas agora está melhorando. – Rebecca mente.
                – Entendo. – a mulher não parece satisfeita com a resposta, mas aceita. – E você acha que ele pode vir ao meu encontro até, no máximo, amanhã? – pergunta esperançosa.
                – Não sei... – ela pondera. Rebecca não sabe qual é o assunto. No fundo ela gostaria que o pai resolvesse este problema, mas será que amanhã ele acordará bem? Se não, ele pode muito bem envergonhar Rebecca frente a todos, chegando bêbado na escola, ou pior, ele pode muito bem revelar que agora eles são pobres. – Ele foi a uma viajem de negócios, ele disse que chegaria ontem, mas parece que houve um imprevisto e agora ele não sabe muito bem qual será o dia de sua volta. – a mulher faz um semblante triste.
                – Como eu já disse, sinto muito por lhe chamar para tratar deste assunto, é algo que só resolvemos com os responsáveis pelos alunos, mas temo que não posso esperar pela volta de seu pai. – suspira, mas logo depois sorri. – Rebecca, o cheque que foi dado para pagar sua matrícula voltou por duas vezes, e recebemos informações de alguns professores que você não tem o material completo. Temo que você não possa continuar estudando aqui, se isso não for resolvido logo.
                – Mas hoje é o primeiro dia de aula ainda, eu não tive tempo de comprar meu material e... – ela se cala, não sabe como arranjar uma desculpa para o cheque da matricula.
                – Eu entendo, você sabe das regras da escola, muitas instituições aceitam que o aluno adquira os materiais ao decorrer do ano, mas aqui eles sempre deverão estar completo no primeiro dia de aula. – a mulher diz. – você sempre cumpriu essa regra. – a relembra. – poderíamos relevar a questão do material, se a matricula tivesse sido efetuada, mas o acumulo das duas situações... – deixa no ar. Rebecca não sabe o quê dizer. – Vocês estão com algum tipo de problema em casa? – ela pergunta.
                – Não! – Rebecca quase pula ao responder, de tanta urgência que sente em proteger seu segredo. – Eu irei olhar com meu pai, prometo que até o fim da semana tudo estará resolvido. – a menina diz sem nem mesmo respirar.
                – Rebecca, eu sinto muito, mas não temos uma semana, ou seu pai acerta, pelo menos, a matrícula até amanhã, ou você não poderá assistir as aulas. Se ele acertar a matrícula, permitirei que fique essa primeira semana de aula sem o material completo.
                Rebecca sai da sala em estado de choque, ela já havia usado parte do dinheiro que arrecadara de Virginia: Pagou a conta de luz e internet, fez a compra do mês, garantindo que a geladeira não ficasse vazia, comprou três dos dez livros exigidos pela escola como parte do material escolar, comprou cinco dos seis cadernos que também fazem parte do material da escola, pagara o táxi de ida e volta, para quando ela ia fazer essas compras, e hoje cedo ela pagara um táxi para vir até o colégio. O que restara, ela iria usar para pagar a conta de água e o transporte de sua casa para o colégio e vice-versa, se no fim sobrasse algo, ela tentaria pagar a primeira mensalidade da escola. Mas todo seu plano tinha ido por água abaixo, ou ela pagava a conta de água, comprava o resto dos materiais e se transportava de táxi no trajeto casa-colégio, ou ela pagava a matricula. O problema é, se pagasse a matricula, não conseguiria comprar o resto dos materiais e seria expulsa do mesmo jeito, contudo, não pagar a matricula revelaria ao mundo que ela estava falida. Rebecca não tinha se sujeitado a ficar a noite inteira torturando um velho nojento para no fim das contas ainda ser descoberta. Ela teria que fazer algo.
                Sara, ao perceber o torpor da amiga, decide acompanha-la até a sua casa, o que foi bom, já que Sara decidiu usar seu carro particular, salvando Rebecca de gastar com o táxi.
                Assim que chegam ao apartamento de Rebecca, Sara percebe que há algo de errado, a casa não está suja, mas tampouco está limpa e não há nenhum empregado por perto.
                – O que está acontecendo, Rebecca? – Sara pergunta.
                – Nada de sério. – a menina tenta disfarçar. – Você que parece estranhada. – joga na cara, pois sabe que isso pode ser sua salvação. Sara suspira indecisa e se joga na cama da amiga, que se senta ao seu lado.
                Sara se sente mal por esconder algo da amiga e acredita que ao contar a ela o que está acontecendo, Rebecca também se abrirá para ela, revelando o que há de errado em seu apartamento.
                – Se eu te contar você jura que mantem segredo? – pergunta receosa.
                – Claro. – Rebecca garante.
                – Você precisa jurar mesmo. – se ergue, ficando sentada na cama.
                – E alguma vez eu já contei algum segredo seu para alguém? – Rebecca questiona, se sentindo um pouco ofendida pela hesitação da amiga, porém ela não a julga, ela tampouco teria coragem de falar a amiga sobre o que a aflige.
                – Eu estou gravida. – Sara revela com a voz baixa.
                – Você o quê? – Rebecca deixa o queixo cair. Sara não repete. – Eu não acredito. – Rebecca arregala os olhos.                 – No fim Ricardo não resistiu mesmo em? – começa a rir, deixando o choque da notícia se esvair de seu corpo. Sara não a acompanha na risada e Rebecca percebe que há algo mais. – Sara... Você...
                – O filho não é de Ricardo. – ela não consegue olhar para os olhos da amiga, mesmo sabendo que a mesma não a julga, ela nunca tinha feito algo tão sujo antes. – É de Heitor. – revela e Rebecca perde a respiração por alguns segundos.
                – Sara o que você fez? – diz por fim.
                – Eu não sei, mas eu vou concertar. – diz e cai no choro. Rebecca se aproxima e abraça a amiga, consolando-a. – Eu juro que vou concertar isso.

Continua




Métis: Olá, desculpa pela demora em postar, mas espero que você tenha gostado da história até então. Muito obrigada por comentar. bjssss

Um comentário:

  1. ESTOU AMANDO TODO O SUSPENSE.
    Posta logo que estou sem palavras.
    Beijos, Métis (gyllenswift.blogspot.com)

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