sexta-feira, 14 de julho de 2017

14. Mantendo o Segredo (Parte 2)



Durante as férias           

                Rebecca ainda não entendia muito bem o sistema do lugar, no começo ela pensou que seria como um leilão, e a cada plaquinha que fosse levantada, mais alto o número ficaria, e ao mesmo tempo, a única coisa que Rebecca podia pensar era de um dia, quando ainda era criança, e seu pai lhe levou a um leilão de equinos. Seu pai queria fechar contrato com um grande empresário e como o homem era apaixonado com cavalos, o seu pai queria presenteá-lo. A garota não podia imaginar que se permitira chegar a este ponto.
                Mas agora ela via que não havia nada disso. Ela não precisou se exibir no palco, nem mesmo houve gritarias, plaquinhas ou martelo. Os garçons e até algumas meninas, chegavam e entregavam um pequeno papel nas mãos de Virginia. No papelzinho havia números, que era o valor que o cliente estava lançando, e o nome do cliente escrito embaixo. Era algo silencioso e, teoricamente, menos degradante.
                Virginia parecia analisar os lançamentos, sempre descartando os valores menores e ficando com os mais altos. A garota sempre foi rica e se acostumou a números extravagantes, mas não deixava de se espantar com o valor escrito.
                Nove mil.
                Nove mil e duzentos.
                Dez mil e quinhentos.
                Doze mil.
                Treze mil e novecentos.
                – Pare. – diz Virginia quando outro garçom vem lhe entregar um lance. – Será esse. – ela decide com o papelzinho na mão.
                – Mas o lance que eu trouxe é maior. – o garçom observa.
                – Não importa. – ela responde dura. – É esse. – bate o pé. Rebecca fica sem entender. – Jamais diga que eu não tentei lhe ajudar. – fala e Rebecca não se manifesta, principalmente porque não entende o comentário da mulher. – Você teve sorte, aproveite esse dinheiro, pegue-o e só retorno aqui quando já fores maior de idade. – diz séria. A menina apenas assente, concordando com a dona do estabelecimento.
                Assim que o vencedor levanta e vai à direção de Rebecca, ela se assusta com sua aparência. O homem é baixinho e barrigudo, ele veste uma calça social e uma blusa polo bem justa, ele carrega uma mala de mão.
                O cliente parece estar familiarizado com o ambiente e se dirige, sem pestanejar, até o quarto reservado, no fundo do estabelecimento.
                Era a primeira vez que Rebecca entrava ali, e seus olhos não podiam deixar de observar a todos os detalhes. A meia-luz, a cama redonda e enorme, com lenções brancos, espelho no teto...
                O homem logo tira sua blusa e revela um peito cheio de pelos, o que faz o estomago de Rebecca revirar. Ele tira a calça e ele usa uma cueca apertada e preta.
                Rebecca ainda estava próxima a porta, no fundo temia adentrar ao quarto, mas sua curiosidade a obriga a aproximar-se mais, a cueca não era apenas justa e preta, era uma cueca de couro.
                O homem começa a retirar alguns objetos de sua mala. A garota teme pelo que virá.
                – Pegue. – o homem diz a Rebecca, entregando-lhe um... Chicote?
                Ele se põe de quatro encima da cama e assim fica. Ao ver que nada acontece, ele olha para trás, onde Rebecca se encontra paralisada.
                – Bate. – ele pede e começa a balançar a mão, demonstrando-a como ele quer que ela faça.
                A garota está em choque, mas faz como o cliente manda, mas ela não agrada.
                – Mais forte. – ele pede. Ela o faz. – Não, não, mais forte. – ele insiste e Rebecca o chicoteia com vontade, e ao escutar o grito do cliente, se assusta, mas ele não a xinga, não reclama, apenas sorri, feliz com o que ela faz. – de novo. – pede e ela repete.
                Aquilo não era nada do que ela pensava que seria, porém, ela agora entendia o que Virginia queria dizer. Aquele homem não queria ir para cama com Rebecca, queria apenas que ela o batesse com o chicote e fizesse outras bizarrices.

                O desespero de Lucas poderia ser sentido de longe, mesmo ele se esforçando ao máximo para não demonstrar.
                O anúncio já estava publicado, o garoto estava fazendo de tudo para se livrar das evidências.
                – O que está fazendo? – o pai pergunta. – Porque você não foi ao escritório hoje? – reclama.
                – Estou vendendo o carro. – é sincero.
                – Como assim? – o pai se choca.
                – Não vejo necessidade ter um carro desses, temos tantos outros. – começa a mentir.
                – Você me atormentou meses por esse carro! – volta a reclamar.
                – Pois é, eu sei... Talvez eu esteja amadurecendo. – ele tenta amaciar o pai. – Não ligo mais para carros esportivos, acho que usar o carro da família já está bom. – dá de ombros.
                – Eu não vejo isso como amadurecimento. – o pai bufa.
                – Pois eu vejo. Vou reaver seu dinheiro.
                – Não completamente.
                – Mas, pai...
                – Olhe, eu não sei o que está acontecendo nessa casa, sua irmã agora é doida e você está indo para o mesmo caminho. Se isso for tédio, viagem para algum lugar, vocês ainda tem alguns dias antes da volta as aulas. Aproveitem de uma maneira mais produtiva. – O pai seguia com seu sermão, mas Lucas já tinha parado de prestar atenção há um bom tempo. O que o pai lhe falara, lhe dera uma ideia.
                Assim que se desvencilha do pai, Lucas corre para o quarto da irmã, que já dorme, mesmo ainda sendo cedo.
                – Acorde. – ele a sacode e a menina solta um grito de susto. O irmão não sabe, mas ela estava no meio de um pesadelo, ela sonhava com fogo e isso era algo recorrente desde o acidente. – Eu já tenho uma ideia. – Lucas ignora o susto da irmã e começa a falar. – Vamos viajar. – diz e Jade, agora mais consciente do mundo a sua volta, faz uma careta.
                – A gente pode ser preso e você quer viajar? – pergunta.
                – Tudo bem, acho que você não entendeu. – ele reformula. – Vamos fugir.
                – Está doido? E a escola? – Lucas ri.
                – Vamos ser presos, Jade. Sério que você está pensando na escola? – ele pergunta e a menina se cala por um instante.
                – Eu não sei se isso é uma boa ideia. – ela diz.
                – Claro que é.
                – O que você acha que o papai vai achar disso? – ela o questiona.
                – Ele não precisa saber.
                – Ele vai nos achar, Lucas, você sabe que ele vai. – e ao escuta-la dizer isso, o entusiasmo do garoto murcha.
                – Podemos pedir a ele para nos mudar de escola, que nos matricule em uma escola em outro país.
                – Ainda seremos presos.
                – Não, lá seria outra polícia, teríamos que ser extraditados... Seria uma confusão tão grande... – Lucas nem sabe se o que fala é verdade, mas ele sabe que estando longe, a captura dele e de sua irmã seria mais complicada.
                – Lucas, pare. – a irmã ordena. – Eu sei que não sou a pessoa ideal para dizer isso, mas: Se acalme. – Lucas ri em deboche. – Eu sei, eu sei, eu fui a primeira a me desesperar. Mas eu pensei... Até agora não aconteceu nada, eu estou procurando por notícias, mas não apareceu nada... Talvez o retrato-falado não tenha sido eficiente. Talvez ele não tenha nos enxergado direito. – ela diz. – Deveríamos olhar melhor, saber como está sendo a investigação. Estamos perdendo a cabeça, e nem mesmo sabemos se é necessário. – ela finaliza e Lucas pondera.
                – Eu sei exatamente o que vou fazer. – ele diz após pensar.
                Lucas corre para seu quarto e procura em seu celular o contato de um delegado, amigo da família.
                Ele disca o número.
                “Alo” – o delegado atende.
                – Delegado Martins?
                “Sim, é ele... Lucas, é você?” – o homem pergunta surpreso.
                – Sim, sou eu. – confirma.
                “Tudo bem, garoto?” – pergunta preocupado. Ele já havia feito vários serviços para o pai de Lucas, mas nunca havia recebido um telefonema do garoto.
                – Sim. – responde. – Eu preciso de um serviço seu. – fala. – Pagarei bem. – deixa claro.
                “Diga e eu farei.” – confirma e Lucas sorri aliviado. O seu inferno está prestes a se acabar...
                Ou prestes a começar?

Continua


Um comentário:

  1. Sou nova leitora e tenho que dizer que nunca vi uma sinopse tão curta e tão aaaaaaaaaaaaaaa de curiosidade quanto a de Secrets. Não irei falar muito porque ainda não li todos os capítulos, mas espero que até seu próximo poste já tenha me atualizado.
    Beijos, Mirela (gyllenswift.blogspot.com.br)

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