terça-feira, 16 de maio de 2017

7. O Segredo de Lucas (Parte 2)


                Lucas freia. Assim que o carro, que estava em alta velocidade, para por completo, já se passaram quilômetros do local do acidente. Os irmãos estão sentados, assustados, dentro do carro.
                – Vamos voltar. – Jade diz.
                – Não. – Lucas diz.
                – Se for só um animal, tudo bem, mas se for alguém, temos que voltar, nós podemos ajudar. – Jade insiste.
                – Jade...
                – Lucas. – ela o interrompe. – Precisamos voltar.
                Lucas religa o carro e coloca ré, ele vai com cuidado, até voltar para o local.
                Chegando, os dois saem do carro.
                O local está catastrófico, há marcas de pneu de carro na pista e no canteiro dá para ver um carro todo amassado, batido em uma árvore, que com o impacto quase tombou, dá para ver a raiz saindo, içando o carro, colocando-o em uma posição estranha.
                – Eu não fiz isso tudo. – Lucas não quer crer.
                – Não, não foi mesmo. – Jade garante. – Foi rápido, mas era uma pessoa ou um animal, não um carro.
                – Me ajude. – eles escutam uma voz fraca. Eles olham para frente, e alguns passos à frente, encontram uma pessoa, jogada ao chão, há muito sangue. Eles correm até lá. – Ajude minha mulher. – o homem, que agoniza no chão, implora.
                – Eu fiz isso? – Lucas pergunta.
                – Lucas, isso não é hora. – Jade o critica.
                – Não. – o homem responde, com a voz fraca. – Ajude minha mulher. – ele implora e para subitamente. Lucas o toca no pescoço do homem, tentando achar seu pulso, como não encontra pega diretamente no pulso do dele e novamente não encontra nenhum sinal.
                – Acho que ele está morto. – Lucas diz e Jade entra em choque.
                – Ele falou sobre a mulher dele. – a garota comenta, após se acalmar. Lucas se levanta, vira para trás e olha para o carro batido no canteiro. Jade acompanha seu olhar e corre até lá.
                Sai fumaça da parte da frente do carro.
                – Temos que tira-la de lá. – a garota diz já se jogando no carro, tentando pegar a mulher, que está inconsciente.
                Jade entra pelo banco do motorista, que está arrancada, a parte do motorista está quase intacta, a árvore pegou bem o meio do carro.
                – Jade cuidado. – Lucas não a ajuda. – Esse carro pode pegar fogo. – ele a alerta.
                – Mais uma razão para tira-la daqui.
                – Se resgarmos ela, ou chamarmos a polícia, eles vão querer saber o que aconteceu. – Lucas teme.
                – E daí? Não somos os culpados pelo acidente. – a garota tenta puxar a mulher pelo braço, mas ela está presa às ferragens.
                – Não temos como provar isso. – Lucas altera seu tom.
                – Lucas. – a menina sai do carro e olha para o irmão. – Qual é o seu problema? – pergunta.
                – Eu bebi. – ele assume.
                – Você está bêbado? – a irmão arregala os olhos.
                – Não. – ele não hesita em responder. – Eu ainda estou lúcido, não bebi demais, mas, se fizerem o teste do bafômetro, o numero que vai dar não vai ser pequeno o suficiente. – ele começa a se desesperar. – Nosso pai Jade, ele não pode saber disso. – ele fala. – Mas se chamarmos o resgate, isso vai sair para imprensa, você sabe disso.
                – Lucas, eu acho que ela está viva. – ela começa a tremer. – Não podemos deixa-la aqui.
                – Não podemos regatá-la. – Lucas insiste.
                – Eu não posso abandona-la. – Jade bate o pé e volta a adentrar no carro e tenta novamente puxa-la, desta vez ela usa mais força.
                A força extra que Jade usa, começa a fazer efeito, o corpo da mulher começa a mover. Para a surpresa da garota, a mulher abre os olhos.
                – Meu marido? – ela diz num sussurro sofrido.
                Jade não responde.
                – Fique calma, vamos te tirar daqui. – Jade diz.                – Lucas. –ela grita. – A mulher está viva. Ajude-me.
                Lucas, a contragosto, se aproxima da irmã e a ajuda a puxar a mulher, que começa a gritar de dor.
                – Puxe mais, Lucas. – Jade pede.
                – Meu bebê. – a mulher berra e isso faz com que Jade e Lucas parem. Jade olha para a barriga da mulher e ela está claramente grávida.
                – Lucas, ela está gravida. – Jade o alerta. Lucas se desespera e sai do carro.
                – Eu não consigo. – ele diz. Jade segue tentando ajudar a mulher.
                A fumaça que sai da parte da frente do carro se intensifica, e Lucas vai até a frente destruída e percebe que há um inicio de incêndio. Sem pestanejar ele volta a ajudar a irmã.
                – O carro vai explodir. – ele grita e Jade começa a puxar mais forte. Há muito sangue e a mulher, mesmo sem forças, começa a tentar ajuda-los, suas pernas finalmente saem da parte da frente do banco e eles se esforçam para tira-la completamente.
                O calor começa a ser sentido dentro do carro e o fogo aumenta.
                Há muito desespero.
                – Isso não vai dar certo. – Lucas grita e para de puxar a mulher e começa a puxar somente a irmã.
                – Para, Lucas, você está me atrapalhando. – ela reclama.
                – Não vamos conseguir. Vocês vão morrer. – ele berra.
                O fogo aumenta, assim como a fumaça, que começa a fazer todos tossirem.
                – Eu não posso deixa-la. – ela grita.
                – Eu não vou deixar você se matar por uma estranha. – ele a agarra pela cintura e a puxa para fora com muita força. Jade briga, e não se desgruda da mulher grávida.
                – Pare. – ela começa a chorar.
                – Não. – Lucas dá um soco forte na costela de sua irmã, que geme de dor. Isso a faz fraquejar e brevemente soltar a mulher e Lucas aproveita esse momento e volta se agarrar a irmã pela cintura e a tira do carro.
                – Não, Lucas, não! – ela berra, se esperneia e chora. Lucas não a solta e a puxa para longe do carro.
                O fogo se intensifica e a mulher dentro do carro berra, pede por socorro.
                – Lucas, não faça isso, não faça isso, por favor, não faça isso! – Jade está desesperada.
                Lucas a joga dentro de seu conversivo, fecha a porta, trancando-a.
                Ela chuta a porta do carro e tenta abri-la.
                Lucas entra no outro banco e tranca os dois dentro dele. Ele liga o carro e acelera cantando pneu.
                – Ela vai morrer, Lucas. – a irmã desaba em lágrimas.
                – Não podemos ajuda-la. Não mais. – ele diz.
                – Como você pôde fazer isso? – ela pergunta. – Precisamos chamar alguém.
                – Esqueça isso, Jade. – ele ordena. – Esqueça!

Continua




Capítulo postado. Espero que gostem.

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