terça-feira, 16 de maio de 2017

6. O Segredo de Lucas (Parte 1)



Durante as férias

                O tempo passava vagarosamente na casa de praia da família de Lucas. Toda a animação e curtição do inicio do verão tinha acabado e a medida que a volta as aulas se aproximava, menos ele tinha o que fazer naquele fim de mundo.
                – Você está assim por causa da garota, não está? – Jade, sua meia irmã, senta-se ao seu lado no sofá e pergunta.
                – Não sei do que você está falando. – ele responde sem muita delicadeza.
                – Então este desânimo é graças ao seu negócio, por estar longe dele... – a menina sugere.
                – O que você acha que esta fazendo? – ele se levanta e olha furioso para a irmã.
                – Tente enganar a nosso pai, não a mim. – ela não parece se sentir intimidada.
                – Você pode até ter se metido na minha família, mas isso não te dá autorização para se meter na minha vida. – ele grita.
                – Eu não me meti na sua família, sou tão filha do senhor nosso pai, quanto você.
                – Você não passa de um erro que ele cometeu num verão qualquer e teve que assumir para não prejudicar a própria carreira. – diz rápido e bruto, como se tentasse que cada palavra fosse um soco na irmã.
                – Posso ser fruto de um adultério, mas você é fruto de uma mentira. E é isso que você é, Lucas. – se levanta, ficando quase a altura do garoto. – Você é uma mentira.
                – Eu vou acabar com você.
                – Tente, seu traficante de merda. – ela o desafia. – Lembre-se sempre, se você tentar me derrubar, você vai cair junto. – ameaça.
                Lucas perde a fala, não pode negar a força que a irmã mais nova possui.
                – Eu vou embora desse lugar. – ele fala sem paciência.
                – Eu vou junto. – a menina diz.
                – Ei, eu estou saindo daqui para me livrar de você. – Lucas reclama. – Você não desconfia não é?
                – Eu também quero ir embora.
                – Então arranje outro alguém para te levar. – dá de ombros e parte para seu quarto.
                – Mas você está indo para o mesmo lugar que eu. – a garota vai atrás.
                – Eu não vou levar você. Eu não quero ficar perto de você.
                – Vai sim. – Lucas acelera o passo para entrar em seu quarto.
                – Você não manda em mim, eu mando em você. – diz.
                – Você pode até querer mandar em mim, mas caso não se lembre, eu tenho algo contra você. – Lucas dá meia volta.
                – Você vai para o inferno, sabia? – a garota ri.
                – Se você me levar para casa antes. – dá de ombros.
                Enquanto Jade vai para o seu quarto, Lucas entra no seu. Ele bate a porta, nervoso, esta havia sido a pior férias de sua vida, e grande parte desse desastre se dá graças a sua meia irmã, Jade, fruto de uma traição de seu pai. Lucas nunca perdoou o pai, principalmente quando o mesmo decidiu que reconheceria e criaria a garota. Sua mãe aceitou, mas não porque tem bom coração, mas porque não tinha outra opção.

                Lucas coloca as suas roupas na mala rapidamente e assim que termina de apronta-la, volta a sala. Quando vê que a irmã não desceu, pensa em ir embora sem ela, mas teme que suas ameaças se concretizem, o garoto estava faturando bem nesse seu negócio, ele não podia arriscar ser preso ou perder sua nova fonte de renda.
                A demora da irmã incomoda a Lucas que, enquanto a espera, toma um copo de Uísque.
                Seria uma viajem de quatro horas de carro, já havia se passado a primeira hora e nenhum dos dois falavam nada. Lucas se concentrava em dirigir seu conversivo e Jade escutava música em seu Iphone.
                Após a segunda hora de viagem, Lucas resolveu fazer uma parada numa lanchonete que avistou na rodovia. O lugar não era o tipo de estabelecimento que os irmãos costumavam frequentar. Ambos estão acostumados a lugares luxuosos, com cardápio exclusivo e clientes quase que seletos. Ali, havia todo tipo de pessoa, o cardápio era diversificado, porém a maioria das opções é gordurosa, mas, pelo baixo preço cobrado, nem Lucas nem Jade podia reclamar.
                Após saírem de lá, o céu já está totalmente escuro. Lucas resolve acelerar mais, pois quer chegar ainda hoje em sua casa.
                – Porque você faz isso? – Jade havia se cansado de escutar música e resolveu irritar o irmão.
                – Fazer o que? – ele pergunta, por incrível que pareça, paciente.
                – Vender drogas. – ela diz e ele fica em silêncio. – Você sabe que isso é arriscado, não sabe? – ela insiste.
                – Você é feliz em ser uma marionete do papai? – ele pergunta e desvia seu olhar, brevemente, para olhar a irmã. Ela hesita em responder.
                – Ele só quer o nosso melhor.
                – Tem certeza disso? Ou você só está replicando o que ele sempre diz? – questiona.
                – Ele é bom. – ela fala. – Ele tem uma maneira ruim de demonstrar, mas ele é bom.
                – Eu não estou falando que nosso pai é ruim, mas ele é um ditador, se eu conseguir me sustentar sozinho, não precisarei me curvar mais a ele. – Lucas diz.
                – Você já vai herdar a empresa, quando ele se aposentar, todo o império dele será seu. – a irmã fala.
                – Nosso pai nunca vai se aposentar. – o menino diz nervoso. – Ele fala isso para nos iludir, mas ele não vai deixar nada em nossas mãos.
                – Ele não vai deixar nada em minha mão, na sua talvez. – ela diz.
                – Porque você acha isso? Você é a princesinha dele. – Lucas desdenha.
                – Eu sou a garota que ele teve que “assumir” para não sujar a imagem da empresa. Ele é meu pai biológico, mas eu serei obrigada a passar a vida falando que ele é meu pai adotivo, que eu sou fruto do seu grande coração e não de uma traição dele. – a menina começa a se alterar. Lucas não diz nada, nunca viu a irmã falar daquela maneira.
                – Você se importa com isso? – ele pergunta com a voz terna.
                – Não finja que se importa. Você, assim como sua mãe, nunca me aceitaram. Nem mesmo nosso pai me aceita, eu sempre serei o fardo da família, nunca serei parte dela. – sua voz vai enfraquecendo no fim.  
                – Eu não te odeio. Sabe? – ele se arrepende de ter tratado a irmã de maneira tão bruta durante as férias. – Você só é meio chata... – ele brinca e ela ri.
                – Você também é bem chato. – a garota se defende. – Acho que tá no sangue, pois nosso pai também é. – Lucas gargalha e no fim, suspira.
                – Eu sei que é perigoso. –assume. – Mas eu sou cuidadoso. – garante.
                Nesse momento, o celular de Lucas, que estava na parte de cima do painel do carro escorrega e cai no chão, bem no seu pé, e ele, no impulso, olha para baixo e tira a mão do volante, para tentar pegar.
                – Lucas, não! – Jade grita, mas já é tarde demais.
                Lucas atropelou algo, ou alguém.

Continua



Peço perdão pela demora em postar, comecei a trabalhar na semana passada e isso tirou o tempo que eu tinha para escrever, devo começar a postar menos durante a semana, mas prometo continuar postando.
Postarei a parte dois desse capítulo agorinha mesmo.
Espero que gostem.
Comentem.

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