terça-feira, 9 de maio de 2017

5. O Segredo de Rebecca (Parte 3)



                – Não sei do que você está falando. – Rebecca tenta disfarçar.
                – Não sabe? – Lucas se ajeita. Sentando-se mais elegantemente no sofá e olhando diretamente para Rebecca. – Você e seu pai estão falidos, totalmente falidos, pobres, muito pobres, pobríssimos...
                – Cale a boca. – Rebecca grita, interrompendo-o. – Saia de minha casa. – ela se levanta.
                – Você não deveria tratar assim a pessoa que está disposta a te ajudar. – ele fala. Rebecca pensa por alguns segundo.
                – Como você sabe que meu pai faliu? – ela pergunta e Lucas ri.
                – Assim que eu gosto. Mansinha. – continua sorrindo. – Sente-se. –ele diz e Rebecca bufa.
                Não pode ser que quase me apaixonei por isso.
                Rebecca se senta e espera que ele comece a falar.
                – Eu estou ajudando meu pai na empresa dele. – Lucas começa. – Afinal de contas, herdarei o império dele. – diz orgulhoso e Rebecca revira os olhos.
                – Vá direto ao ponto. – Rebecca pede.
                – Para um pobre você exige muito. – Lucas responde. – E você nem mesmo me ofereceu uma bebida. – volta ao assunto.
                – Eu não vou lhe oferecer nada. – Rebecca se mantem firme.
                – Que seja. – Lucas decide dar de ombros. – Seu pai apareceu na minha futura empresa hoje, ele tinha uma reunião com meu pai e eu pude participar. Seu pai foi pedir ajuda, queria que meu pai o emprestasse dinheiro, para que ele pudesse se reerguer.
                – E seu pai o fez? – Rebecca pergunta ansiosa.
                – As fábricas de seu pai estão completamente paradas, não há um funcionário que não esteja há, pelo menos, quatro meses sem receber o salário, ele tem quatro processos trabalhistas correndo em segredo de justiça, e que provavelmente vai perder... Emprestar dinheiro para seu pai se reerguer seria jogar dinheiro fora. – Lucas diz e Rebecca fica sem ação. – Não me leve a mal, Rebecca, mas seu pai permitiu-se chegar nesse ponto, não cabe ao meu, reergue-lo.
                – O que você quer então? – Rebecca pergunta sem conseguir olhar nos olhos do garoto a sua frente.
                – Eu venho cuidando de um negócio, próprio meu, para conseguir um dinheiro extra. Tenho ganhado bem, e creio que posso lhe contratar com um salário bem alto, maior que a media.
                – E porque você faria isso? – ela pergunta desconfiada.
                – Porque eu preciso de ajuda, e você precisa ser ajudada. Simples.
                – E o que seria? O que eu devo fazer?
                – Entregas. – responde simples.
                – Entregas? – ela quer saber mais.
                – É tudo o que você precisa saber.
                – Eu preciso saber o quê estou entregando.
                – Você precisa de dinheiro, Rebecca, é disso que você precisa. – Lucas contrapõe e garota percebe que se aceitar, estará entrando numa encrenca. – E eu posso lhe dar isso ainda hoje, basta você parar de fazer perguntas e aceitar minha proposta. – Rebecca hesita. O que seria pior? Ficar pobre ou sabidamente entrar em uma encrenca?
                Rebecca olha para o relógio pendurado na parede que fica atrás de onde Lucas está sentado. Agora já se passa das cinco e meia da tarde, ela ainda pode voltar à loja e salvar seu nome, mas para isso ela teria que ser rápida.
                – Já decidiu? – Lucas a pressiona.  
                – Você pode me adiantar um valor ainda hoje? – ela pergunta e ele sorri.
                – Claro. – ele responde.
                – Agora? – ela se especifica e Lucas gargalha e suspira satisfeito.
                – Você pode começar ainda hoje? – ele pergunta.
                – O dinheiro primeiro. – ela insiste.
...
                Os dois já haviam ido à loja, para pagar a divida de Rebecca e já haviam voltado ao apartamento da menina, agora a ela se aprontava para seu primeiro dia de trabalho. Lucas não deu muito detalhes, mas disse que ela deveria se vestir como se fosse a uma festa.
                Rebecca se veste e se maquia da melhor maneira possível, mesmo tendo salvado seu nome, ela ainda está preocupada com seu pai, que ainda não deu sinal de vida.
...
                – Sorria, Rebecca. – Lucas ordena, assim que os dois chegam a um prédio pequeno e escuro, que fica escondido e passa despercebido na avenida movimentada e iluminada.
                – Tem certeza que é aqui? – Rebecca pergunta.
                – Claro que sim. – diz, abrindo a porta, sem usar nenhuma chave. Os dois passam por um corredor escuro. Eles percorrem o corredor e Rebecca vê que no fim, há uma cortina de panos leves, que esvoaçavam e revelavam uma música alta e animada e um jogo de luz intenso.
                – O que tenho que fazer agora? – ela pergunta, começando a se sentir nervosa com a falta de informação.
                – Coloque isso. – ele pede, aparecendo do nada com uma mascara veneziana, da cor preta, com brilhos na borda e algumas plumas no topo. Era exagerado para o gosto de Rebecca, mas ela não podia negar que era uma mascara bonita.
                – Por quê? – ela questiona.
                – Você já deve saber o porquê. – ele diz e Rebecca assente.
                Rebecca coloca a mascara na face e Lucas resolve ajuda-la a amarra-la atrás da cabeça da garota.
                Após ajustar a mascara ao rosto, Rebecca suspira se preparando para o que enfrentará, após adentrar ao local.
                É um grande salão, parece ser um lugar bonito, mas as luzes dançantes não permite que a garota capte os detalhes. Há muita gente, principalmente homens, são homens maduros, velhos, a maioria parece ter saído de seu trabalho e vindo direto para cá, pois vestem ternos e trajes sociais. Há um bar extenso, onde garçons correm para atenderem a todos os clientes, há um palco onde há um poste de fazer pole dance, não há ninguém lá agora.
                Mulheres, em trajes curtos e justos se jogam nos braços dos homens, os acariciam. A menina logo percebe que as mulheres também usam mascaras venezianas, cada um tem um estilo, algumas coloridas e bem extravagantes, outras mais simples, mas sempre de mascara.
                – Você não quer que eu... – Rebecca grita, mas Lucas a interrompe.
                – Não, Rebecca, você fará entregas, apenas isso. Eu ficarei no bar e você chegará aos clientes que eu indicar, e entregará as encomendas da maneira mais discreta possível.
                – E quando você diz: discreta...
                – Sim, você vai agir como essas meninas, mas não será uma delas. – Lucas garante. – A não ser que queira, mas isso não será comigo.
                Rebecca suspira.
                – Eu já lhe paguei. – ele relembra.
                – Eu sei. – ela cerra os dentes. – Eu sou uma traficante agora. – ela bufa. – Não é? – pergunta.
                – Sim. – ele não nega. – E é melhor você começar a fazer seu trabalho rápido. Pois do mesmo jeito que eu lhe contratei, posso lhe despedir. – ele diz e Rebecca estremece pelo tom de sua voz.
                – Isso é temporário. – ela diz e Lucas ri.
                – Eu não me importo. – ele dá de ombros. – Só faça seu trabalho.
                – Ninguém pode saber disso. – ela fala.
                – Eu te mato se você falar isso para alguém. – Lucas ameaça.

Continua




Gente, a última parte do capítulo “O Segredo de Rebecca” foi postado. Espero que gostem. 

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