domingo, 7 de maio de 2017

4. O Segredo de Rebecca (Parte 2)



                Falidos.
                Rebecca não podia acreditar no que o pai dizia, ele deveria estar muito bêbado... Ela sabe que não deveria desejar algo assim, mas ela queria que seu pai estivesse muito, mas muito bêbado mesmo, e que tudo que ele dizia eram delírios de sua mente.
                Para que não fiquem dúvidas, Rebecca não perde tempo e corre para pegar seu Ipad, lá ela entra no aplicativo de seu banco e, ao ver o seu saldo, ela se vê obrigada a sentar-se a cadeira, para que não caia direto ao chão. Trinta dólares e mais nenhum centavo.
                Não concordando com aquilo, Rebecca decide entrar na conta do pai, ela sabe a senha dele, então nem mesmo precisa sair do lugar. Rebecca se choca ao ver que o estado da conta do pai está pior do que a dela, US$ 12,30.
                As mãos de Rebecca tremem e seus olhos embaçam, ela começa a chorar compulsivamente. Mesmo vendo os números, a garota não consegue crer que isso realmente está acontecendo. Seu pai deve ter alguma outra conta, uma conta escondida, e nesta conta deve haver muito dinheiro, dinheiro suficiente para salva-los.
                Rebecca volta à sala, mas não encontra o pai.
                Desesperada ela percorre todo o apartamento, e a cada cômodo vazio, mas cheio de tristeza, ódio e desespero, seu coração fica. Não há nenhum funcionário, não há mais ninguém ali. Ela está totalmente sozinha.
                Finalmente “aceitando” sua nova condição. Rebecca se recolhe em seu quarto, e chora por horas. Ela pensa em tudo o que fez para contribuir para a falência de seu pai e também pensa na humilhação que será quando todos seus amigos descobrirem.
                O celular de Rebecca toca. É Sara. A melhor amiga de Rebecca desde sua infância.
                Rebecca atende. E Sara logo dispara a falar, pois está ansiosa pelo dia de amanhã, quando seu namorado finalmente voltará de sua viagem voluntária.  Sara está tão animada, que a principio não percebe o desanimo de sua amiga, mas após longos minutos falando praticamente sozinha, a amiga resolve perguntar.
                – Becca, você está bem?
                – Estou. – Rebecca confirma, mas não convence à amiga.
                – Tem certeza? Não está doente nem nada? – insiste.
                – Não. – Rebecca diz, mas percebe que não vai chegar a lugar nenhum assim, Sara a conhece bem demais. – Estou com um pouco de dor de cabeça, só isso... – isso não era necessariamente uma mentira. Todo o choro e desespero tinha lhe dado uma enxaqueca.
                – Você quer que eu vá aí? – sugere Sara, preocupada com a amiga.
                – Não precisa. Eu já tomei um remédio, devo ficar bem em breve. – responde.
                A campainha bate. Rebecca ignora. Alguém irá atender, mas depois logo se lembra, não há mais ninguém, não há mais funcionários, não há mais mordomias.
                – S. Eu preciso atender a porta, tem alguém chamando. – diz, dando claros sinais de que quer encerrar a ligação.
                – Você? Atender a porta? – a amiga pergunta com voz de humor. – Deixe que algum funcionário atenda. – diz. – Vamos conversar sobre você, só eu falei a ligação inteira. – O coração de Rebecca dá um pulo ao perceber a garfe que acabara de cometer.
                – Meu pai resolveu dispensar todos os funcionários mais cedo hoje. – Rebecca mente. – Então sobrei para lidar com isso.
                – Mas que horror. Porque seu pai fez uma loucura dessas? – Sara pergunta.
                – Não sei. – a campainha toca novamente. – S. Eu realmente queria continuar a ligação, mas preciso mesmo desligar. – diz, enquanto se levanta da cama, para ir atender a porta.
                – Tudo bem. – Sara diz um pouco cabisbaixa. – melhoras, amiga. – deseja.
                – Obrigada. Até mais.
                Quando as duas se despedem, Rebecca já está na sala, a poucos passos da porta de entrada.
                Rebecca abre a porta e dá de cara com a última pessoa que queria ver na vida.               Lucas.
                – O que você está fazendo aqui? – ela pergunta já nervosa.
                – Você deveria ser mais gentil comigo. – diz o garoto, que sorri largo.
                – Se você já se arrependeu do nosso termino, saiba que eu ainda não...
                – Deixe de ser metida. – Lucas a interrompe. – Aquilo não foi nada para mim. – ri.
                Rebecca e Lucas tiveram um brevíssimo relacionamento nas últimas duas semanas. Desde o inicio foi combinado que seria apenas um lance, nada sério e que não era algo que deveria ser espalhado para ninguém. Rebecca havia contado apenas a Sara, que claramente a julgou muito, mas foi obrigada a aceitar, já Lucas se manteve calado e não contou nada a ninguém. O problema é que Lucas resolveu que o caso dos dois deveria acabar, pois ele já estava de olho em outra garota, porém isso aconteceu logo quando Rebecca começou a sentir algo especial pelo garoto rebelde. Não querendo dar o braço a torcer, a menina resolveu aceitar o termino sem insistir, mas isso não significa que ela não sofreu com isso.
                – Vai deixar-me entrar ou não? – ele pergunta.                Como resposta ela apenas permite que ele passe e adentre a seu apartamento.
                Lucas entra como se morasse por lá. Senta-se espalhado pelo sofá e coloca o pé encima da mesa de centro.
                – Você não vai me oferecer algo para beber? – pergunta assim que vê Rebecca se sentar no sofá a sua frente.
                – Eu não estou no clima para sua má educação, Lucas, diga o que quer logo. – Rebecca começa a se estressar.
                – Eu sei que você não está no clima. – ele diz obvio. – Quem ficaria no clima para qualquer coisa quando se é pobre? – ri.

Continua



               
Para que o capítulo não fique muito extenso, terei que dividi-lo em mais uma parte. Como a segunda parte já está pronta, eu postarei a terceira e última parte amanhã.
Espero que gostem.

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