sexta-feira, 5 de maio de 2017

3. O Segredo de Rebecca (Parte 1)


Durante das férias
                Um novo vestido, isso era tudo o que Rebecca precisava para se esquecer da mais nova decepção amorosa que teve. E se a ocasião pede um vestido, nada melhor do que ir à loja Ralph Lauren.
                Ao chegar lá, Rebecca se joga a experimentar tudo o que pode, ela não precisa nem mesmo gostar, ela não está aqui porque precisa de roupas ou tem algum lugar importante para ir, ela está aqui porque precisa relaxar e sua maneira de relaxar é comprando.
                Comprar roupas para Rebecca é algo fácil, ela é magra, mas tem algumas curvas que a valorizam, nada exagerado, mas grandes o suficiente para dar destaques nos lugares certos de seu corpo. Morena e de cabelos liso e compridos, Rebecca é claramente bonita, e apesar de jovem, ela já tem aparência de uma mulher adulta, isso a irrita um pouco, mas é algo que a convém em determinadas situações, como ir para baladas.
                No fim ela escolhe dez peças: Três vestidos longos, um floral, azul escuro, com as alças caídas e uma leve transparência do joelho para baixo. Um preto com rendas na parte de cima. Um branco, com duas camadas, todo florido, com flores em tons diferente de azul, com uma fita para marcar a cintura e um decote em V avantajado. Uma jaqueta jeans, lavagem clara, estilo boyfriend. Três vestidos curtos, um xadrez, outro todo branco com detalhes em crochê na alça, e um último listrado, que se ajusta ao corpo. Um short jeans com detalhes de rosa, uma calça jeans skin azul escuro, com detalhes de dois zíperes e para terminar, um novo roupão.
                – 1.017,51. – diz a atendente.
                Sim, Rebecca assume que tinha exagerado um pouco, mas esta não seria sua compra mais cara, então ela dá de ombros.
                Rebecca entrega o cartão de crédito, que seu pai lhe deu no ano passado como presente de aniversário, para a atendente. Rapidamente a atendente dá a maquininha de cartão para que Rebecca insira a senha. A garota o faz e espera, porém logo vê o olhar incomodado da atendente.
                – A transição não foi aceita. – a atendente diz sem graça.
                – Faça novamente. – Rebecca diz rapidamente, não quer que ninguém ali a veja nessa situação. O cartão novamente é inserido na maquina e novamente Rebecca digita sua senha, desta vez mais vagarosamente, pois quer ter certeza que não a errará.
                Assim que a atendente volta novamente seu olhar a Rebecca, a garota percebe que mais uma vez deu erro, mesmo sem que a moça que a atende tenha dito nada.
                Rebecca sorri amigavelmente, para tentar esconder o susto e vergonha que está sentindo.
                – Eu vou fazer uma ligação, e já retorno. – ela diz.
                Rebecca deixa as compras e o cartão no caixa, e não vai muito longe, apenas chega a um canto mais isolado da loja.
                Ela liga para o escritório do pai, mas ninguém a atende. Então ela liga para o celular do pai.
                – O que foi Rebecca? – ele a atende sem muito carinho.
                – Meu cartão não está passando. – ela diz desesperada. – Faça alguma coisa. – ela ordena.
                – Quanto deu? – ele pergunta.
                – R$ 1.17,51. – ela responde.
                – Mas que caramba você andou comprando? – o pai pergunta bem alterado.
                – Roupas. – ela responde, estranhando o tom do pai, ele nunca a repreendeu assim, principalmente só por ela estar fazendo umas comprinhas.
                – Mas que roupa é essa? É bordada em fios de ouro por acaso?
                – Não pai. São várias peças, e são lindas. – ela diz.
                – Deixe isso aí, você não precisa de mais roupas.
                – Pai, eu só preciso que você olhe com o banco o que está acontecendo, pare de ser chato. – ela fala, já sem paciência.
                – Eu não vou olhar nada em lugar nenhum, você que vai devolver essa compra e vai voltar para casa. – o pai praticamente berra do outro lado da linha. – E é agora! – ele ordena.
                – Pai, porque o senhor está fazendo isso comigo? – ela se segura para não chorar. – Eu não posso fazer isso, o que vão falar de mim? – ela o indaga.
                Rebecca sempre frequentou esta loja, todas suas amigas veem aqui, ela já conhece todos os funcionários. Ela sabe sobre as fofocas que rodam por essas araras. E ela tem certeza que o seu cartão recusado será o mais novo assunto.
                – Rebecca eu não tenho paciência para suas meninices. – ele não grita, mas ainda tem um tom raivoso em sua voz. – Faça o que eu disse. – ele ordena e desliga o telefone sem se despedir.
                Rebecca se desespera.
                O que fazer agora? Sair deixando tudo para trás, inclusive o cartão? Voltar ao caixa e dar um desculpa? Tentar mais uma vez, quem sabe agora o cartão passa? Quem sabe o pai estava apenas a brincar e vai ligar para o banco?
                Respire Rebecca.
                Rebecca decide voltar ao caixa e tentar dar uma desculpa.
                Assim que retorna ao caixa, Rebecca lança seu melhor sorriso, e com a voz calma e gentil diz.
                – Meu cartão deu um pequeno problema, tem como você guardar minha compra? Meu pai irá passar aqui para pagar até o fim do dia.
                A atendente assente tão gentil quanto, e devolve o cartão para Rebecca.
                A garota sai da loja sem saber se seu disfarce deu certo, nesse exato comento o nome dela já pode estar correndo pela loja, mas existe uma possibilidade de que sua desculpa tenha funcionado, mas para manter isso assim, ela teria que convencer ao pai a comprar as roupas antes que a loja feche e como já se passa das duas da tarde, ela não tem tanto tempo assim.
                Rebecca não vive longe da loja, um quarteirão é tudo que separa o apartamento de luxo que ela vive com seu pai, da avenida em que lojas de moda se espalham, e, ao contrario de sua melhor amiga, Sara, Rebecca ama andar pela cidade, nada de taxi ou limusines, se a caminhada não for muito pesada, ela não se importa de ir a pé.
                Assim que chega ao apartamento, ela procura por seu pai, e o encontra na sala. Rebecca pensa em já chegar ordenando que ele se explique, porém, ela nota que na mão do pai há um copo com o que ela crê ser Vodka e isso a paralisa.
                Quando a mãe de Rebecca morreu, há cinco anos, o pai da menina entrou em depressão e como forma de aliviar sua tristeza, ele recorreu à bebida, foram noites e dias penosos para garota. Bêbado ele ficava violento, nunca chegou a agredi-la gravemente, mas isso se dá graças aos funcionários, que sempre tentavam protege-la. Foram mais de um ano de penúria, até que ela finalmente conseguiu convencer o pai que ele deveria procurar ajuda.
                Seu pai sempre se mostrou orgulhoso de ter se recuperado, e há pouco ele tinha comemorado um ano sem colocar um pingo de álcool em sua boca. Mas hoje...
                – Pai, o que está acontecendo? – Rebecca pergunta. No fundo ela tem esperança que seja só um copo, afinal de contas, um ano controlado é um bom tempo, ele não seria capaz de jogar isso fora, seria?
                O pai de Rebecca o olha nos olhos e sorri grande para ela, mas o sorriso dura pouco, pois sem motivo aparente, ele começa a chorar e com a voz claramente embriagada ele diz:
                – Estamos falidos.
Continua



Capítulo postado, eu espero que gostem.
Se puderem comentar, eu agradeceria muito.

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